segunda-feira, 12 de junho de 2006

Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil



O Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil celebra-se a 12 de junho.

Quem criou esta celebração foi a Organização Internacional do Trabalho. Esta agência das Nações Unidas instituiu a data do Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil em 2002.

Esta data, celebrada no mesmo mês do Dia Mundial da Criança, visa alertar a população para o facto de muitas crianças serem obrigadas a trabalhar diariamente quando deveriam estar na escola a aprender e a construir um futuro melhor para si e para as suas famílias. 

O Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil deseja assim promover o direito de todas as crianças serem protegidas da exploração infantil e doutras violações dos seus direitos humanos fundamentais, assim como a combater todos os tipos de trabalho infantil. Algumas celebridades juntam-se à causa, para aumentar a divulgação da data.

A UNICEF estima que existam 168 milhões de crianças vítimas de trabalho infantil, trabalhando muitas delas (85 milhões) em condições de exploração infantil, com perigos graves à saúde e sendo envolvidas em conflitos armados. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, mais de 20 em cada 100 crianças entram no mercado de trabalho por volta dos 15 anos de idade nos países pobres.

domingo, 11 de junho de 2006

Sem a energia que ergue as montanhas, como poderia eu viver?



Claro protagonismo do pilar económico em detrimento do pilar social e, muito particularmente, do pilar ambiental (Quercus avalia decisões do Conselho de Ministros na área do ambiente,9 de Junho de 2006)
Inexistência de uma estratégia nacional de educação ambiental/educação para o
desenvolvimento sustentável
(relatório de 2006, em pdf, do Futuro Sustentável)
Querem desacreditar os Professores (petição dirigida ao Presidente da República)
Querem desacreditar as energias renováveis (excelente depoimento do Hora Absurda)
Por se vilipendiar valores ambientais (mais um atentado dos albetonistas- membros da religião do Al-Petroleum)
Justifica-se tudo em nome das últimas tecnologias (antenas de telemóveis sob a forma de árvores falsas)
Por aumento da desertificação em Portugal (in Quercus, 16 de Junho de 2006 - Passados 7 anos após a sua aprovação em 1999, o Plano de Acção Nacional de Combate à Desertificação (PANCD) permanece sem financiamentos próprios e sem um suporte de recursos humanos que permita a sua execução)
Querem desacreditar o automóvel eléctrico (excelente documentário)
As mil e uma estratégias da indústria farmacêutica para multiplicar lucros - ler o artigo Os vendedores de doenças
Farto de entidades representantes dos cidadãos que não dão exemplo (prémio Tuvalu a Durão Barroso)
Transportes públicos aumentam sempre, desta vez 2%- 3% (Não é assim que se combate o congestionamento de tráfego especialmente nas grandes cidades. Não é assim que se contribui para um melhor ambiente e melhor qualidade de vida, com menos poluição e com menos doenças respiratórias)
Bruxelas vs Estrasburgo- contra o desperdício de 200 milhões de euros (Junte-se a 587133 outros cidadãos europeus e assine esta petição!)
O Japão conseguiu comprar votos que lhe darão o controlo da International Whaling Commission: Guatemala, Camboja e as ilhas Marshall.
*Citando a poetisa Mirabai /Meerabai (c.1498-aft.1550)

A vida é uma passagem: divirta-se




Liberdade de imprensa é a chave para combater a desinformação climática


Press Freedom is key to combat climate misinformation and protect our planet

sábado, 10 de junho de 2006

Organismos Geneticamente Modificados e a Agricultura



1. A engenharia genética na agricultura
A manipulação genética das sementes levada a cabo pela engenharia genética é sem dúvida a transformação mais radical na produção de alimentos desde os primeiros dias da agricultura, há cerca de 10.000 anos. Os organismos geneticamente modificados (OGM) misturam espécies que nunca se poderiam cruzar na Natureza: bactérias com cereais, vírus com árvores, peixes com frutas, entre outros.
A primeira cultura geneticamente modificada (GM) foi comercializada nos EUA em 1994, foi o tomate Flavr Savr, mas acabou por ser retirado do mercado em 1997, mas outras culturas GM viram o seu cultivo aumentar significativamente, principalmente nos EUA, desde 1996, com destaque para o milho e a para a soja.
As variedades de culturas comerciais de OGM pertencem essencialmente a dois grupos de variedades – tolerância a herbicida (TH) e resistência a insectos (Bt) ou “plantas pesticida”. As variedades TH representam cerca de 75% e as Bt 25%. A variedade TH com resistência a um herbicida, o glifosato, a sua denominação comercial é conhecida por Roundup Ready (RR) e pode encontrar-se, por exemplo, na soja ou milho RR. As plantas Bt têm uma modificação genética que consiste num gene extraído de uma bactéria natural do solo, o Bacillus thuringiensis, que contém a informação para produzir uma toxina insecticida nos seus tecidos (nas raízes, no caule, nas folhas, no pólen e também no grão comestível) que libertam através das raízes para o solo.
A área global semeada com culturas GM cresceu rapidamente, em particular entre 1996 e 1999. A área global estimada de cultivo de OGM em 2004 e 2005 foi de 81 e 90 milhões de hectares respectivamente, em todo o mundo, mas foram apenas 5 os países que cultivaram 96% da área total: EUA (59%), Argentina (20%), Canadá (6%), Brasil (6%) e China (5%). Outros países que também cultivam OGM são: Paraguai (2%), Índia (1%), África do Sul (1%), Uruguai, Austrália, Roménia, México, Espanha e Filipinas (menos de 1% do total).
Na Europa, o único país europeu que desde 1998 permitiu o cultivo de transgénicos à escala comercial, foi a Espanha, ainda que a superfície cultivada seja relativamente pequena (estimada em cerca de 20.000 a 25.0000 ha). A partir do ano 2005, vários países europeus passaram a ter autorização de cultivo comercial de 17 novas variedades de milho transgénico Bt.



2. Mercado
Paralelamente ao aumento da área cultivada com OGM e apesar dos esforços das empresas multinacionais de biotecnologia promotoras dos transgénicos e dos apoios de alguns governos e políticos, no sentido de garantir que a alimentação transgénica é segura e de que há controlo, cresce um movimento global de cidadãos de recusa a estes alimentos, tendo pela sua pressão conseguido que alguns supermercados e fabricantes de alimentos recusem os OGM.
Apesar de 75% do milho norte-americano ser não GM os clientes recusam-no por não haver garantias de ser livre da contaminação e segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o valor de exportações de milho para a UE (União Europeia) caiu 99,4% entre 1996 e 2001, e as exportações para a Ásia também diminuíram significativamente. Pelo que os OGM actualmente, na sua grande maioria só têm escoamento para a alimentação animal dado não ser ainda exigida a rotulagem nos produtos de origem animal (carne, peixe, ovos, lacticínios, etc).



3. Impacto do cultivo de OGM



3.1- Produção
Em ensaios de campo com outras plantas transgénicas, como a soja RR, a beterraba sacarina e a colza têm demonstrado uma quebra de produção de 5 a 10%, comparativamente às plantas convencionais em idênticas condições.
Nos EUA, a rentabilidade do milho Bt tem sido variável, dependendo do ano e do nível da incidência das pragas. No período 1996-2001 a média dos resultados foi negativa.
Apesar de no relatório de Graham Brookes, consultor inglês que habitualmente é procurado pelas empresas de biotecnologia, se afirmar que o milho Bt permite aumentos de rendimento de 10-15%, em Espanha, por exemplo, os estudos revelaram que certas variedades de milho convencionais produzem mais do que a variedade GM Compa CB. Não obstante, a variedade de milho convencional Dracma estar bem adaptada e o dano real da broca ser baixo, a Syngenta esforça-se por convencer os agricultores das vantagens do milho Bt.



3.2- Uso de pesticidas
As empresas de biotecnologia, grupos de agricultores e defensores da biotecnologia dizem que há uma redução de 20 a 30% no uso de pesticidas. No entanto, desde a introdução das culturas transgénicas TH nos EUA, há 9 anos, que o consumo de herbicidas aumentou cerca de 67 mil toneladas. Dados do USDA sugerem que em 2000 foi aplicado mais 30% de herbicida no milho RR do que no milho não GM. O impacto do milho Bt no uso de insecticidas nos EUA é muito reduzido ou nulo. Nos EUA houve uma redução no uso de insecticidas nas culturas de algodão GM.



3.3- Impacto económico
Os maiores custos com as sementes GM, o aumento do uso de herbicidas/pesticidas, a quebra de produtividade, a taxa paga nas patentes das sementes GM e a redução dos mercados, explicam porque os cultivos GM reduzem o rendimento dos agricultores.
Com a introdução dos OGM os custos com herbicidas diminuíram, simplesmente porque graças ao aumento do seu uso surgiu uma “guerra de preços”, tendo baixado consideravelmente os seus preços, o que significou em muitos casos a redução significativa dos custos totais com herbicidas.
Só nos EUA, as condenações impostas aos agricultores norte-americanos ascendem a 15 milhões de dólares, sempre sob a acusação de terem guardado, sem autorização legal, sementes transgénicas patenteadas.
Paralelamente ao aumento da área de cultivo de OGM, houve uma descida no preço das propriedades devido à perda de exportações, o que levou ao aumento dos subsídios governamentais estimados em 3 a 5 mil milhões de dólares anualmente. O rendimento dos agricultores continua muito baixo, apesar dos subsídios, que apenas ajudaram a mascarar a falha económica dos OGM junto dos agricultores. No total, as culturas GM nos EUA, entre 1999 a 2001, já custaram à economia daquele país pelo menos 12 mil milhões de dólares.



3.4- Para os agricultores convencionais e biológicos
O prejuízo para os agricultores convencionais e biológicos decorre: da contaminação das suas culturas, o que por sua vez leva à perda da certificação, no caso da produção biológica, e à perda de mercados; de gastos adicionais para manter os alimentos livres de transgénicos, nomeadamente através da realização de análises; outros danos, como o uso de insecticidas mais tóxicos pelo aparecimento de resistência ao Bt. Mesmo que tenham sido vítimas da contaminação indesejada a empresa detentora da patente geneticamente modificada (GM) tem direitos sobre toda a produção.



4. Impacto / Risco sobre o ecossistema e a agricultura
Os conhecimentos actuais sobre a genética são extremamente limitados, e a investigação realizada pelo mundo científico não conhece ainda os efeitos a longo prazo da libertação de OGM na natureza.
Têm sido apontados vários riscos potenciais associados às culturas GM, nomeadamente a contaminação, o aparecimento de insectos com resistências múltiplas e de superpragas, os impactes em espécies não-alvo, dependência e intensificação do uso de químicos. Alguns destes riscos já começaram, infelizmente, a manifestar-se. A experiência norte-americana de vários anos mostra que os cultivos GM produziram sérios problemas à agricultura: a contaminação de sementes e de culturas não GM, a maior dependência dos agricultores e a perda do seu direito de escolher livremente as práticas de cultivo, os problemas legais entre agricultores e entre agricultores e empresas, assim como o aparecimento de problemas de responsabilidade legal, entre outros. Em Espanha é muito difícil conhecer o impacte real das culturas GM, por falta de investigação e de acompanhamento independentes.
Alguns efeitos imprevistos nas plantas GM foram já detectados, mas outros poderão vir a manifestar-se consoante as situações de stress sofridas pelas plantas, alguns de imediato, outros ao cabo de várias gerações.



4.1 Contaminação
Os OGM podem contaminar a produção convencional e biológica, por razões de vária ordem, nomeadamente mistura de sementes durante o manuseamento mecânico, dispersão de pólen, transporte acidental de sementes por animais e maquinaria, controle ineficiente... A contaminação genética é muito diferente de outras formas de contaminação, devido ao seu potencial para multiplicar-se já que os microorganismos e as plantas GM crescem e reproduzem-se, por isso os danos causados pelos OGM no ambiente e na agricultura não se limitam apenas ao local onde foi introduzido.
São já inúmeros os casos conhecidos de contaminação, muitos provavelmente são desconhecidos por falta de análises. Eis alguns:
Nos EUA a contaminação da produção convencional por OGM é tal, que já não é possível obter sementes certificadas não-GM.
A Agência Francesa de Inspecção e Segurança Alimentar (AFSSA) detectou em 2001, a contaminação de milho com sementes GM. Pelo menos parte dessa contaminação era proveniente de testes de ensaios de campo.
Cerca de 100 agricultores no Piemonte italiano foram avisados em 2003 pelo seu governo de que estavam em situação ilegal, porque o milho não transgénico que semearam afinal estava contaminado por sementes transgénicas da Pioneer.
Em 2001 descobriu-se na Áustria que a variedade de milho convencional PR39D81 da Pioneer estava contaminada com duas variedades de milho transgénico. A empresa não explicou sequer a proveniência da contaminação.
A contaminação é preocupante tendo já atingido, inclusive, alguns bancos de germoplasma, como no já conhecido caso do México, último bastião dos milhos regionais.



4.2 Aparecimento de insectos resistentes e de super-pragas
Do ponto de vista ambiental e de rendimento dos agricultores, a perda de eficácia do glifosato e do Bt pode ser desastroso. A história demonstrou que a excessiva relevância numa única estratégia para o controlo de infestantes e insectos irão falhar a longo prazo. Em 1997, detectou-se nos EUA o primeiro caso de resistência duma praga ao cultivo de sementes transgénicas Bt.
Por outro lado, a manipulação genética pode provocar alterações na planta transgénica que podem atrair ou favorecer a proliferação de outros insectos prejudiciais para as culturas.
A menos que o agricultor decida manter para sempre a mesma cultura no mesmo terreno, ele terá de lutar contra as plantas “voluntárias” – plantas que germinaram mais tarde e que foram semeadas em épocas anteriores e que não germinaram nessa altura ou em resultado da queda de sementes da cultura anterior. No caso da cultura anterior ser TH o controle com herbicidas será mais difícil devido à sua resistência, ou seja, as culturas transgénicas TH constituem-se elas próprias infestantes às culturas seguintes.



4.3 Impacto em espécies não-alvo
A toxina Bt do milho GM não tem as mesmas propriedades da toxina na sua forma natural produzida pela bactéria. A segunda é inactiva, só se tornando activa em certas larvas, por isso só mata alguns insectos e degrada-se ao fim de 3 dias. Enquanto que a primeira é segregada na forma activa, pelo que pode afectar outras espécies não-alvo, nomeadamente insectos benéficos, animais insectívoros, como pássaros, para além de permanecer activa pelo menos durante 234 dias. Não há nenhuma informação oficial sobre estes efeitos em Espanha.
As consequências no solo podem incluir a diminuição do rendimento/produtividade, o surgimento de novas doenças nas plantas, uma menor tolerância à seca e o aumento da necessidade de fertilizantes ou outros factores de produção. Devido ao aumento do uso de herbicidas nas culturas TH, têm de ser consideradas as consequências associadas à sua toxidade.



5. Impacto sobre a pecuária
Apesar da maior parte das culturas GM comercializadas na América do Norte se destinarem à alimentação animal, praticamente não foram efectuados ensaios que estudassem os efeitos desta alimentação animal em porcos e outros animais de pecuária, antes da comercialização desses produtos de origem animal. Por isso, interessa particularmente registar os efeitos inesperados detectados pelos produtores pecuários desde a introdução dos OGM nas rações para animais.
Assim, têm sido relatados várias situações algumas, como por exemplo no estado de Iowa (EUA), em que vários suinicultores detectaram quebra acentuada da taxa de fertilidade, atingidos nalguns casos uma quebra de 80%, em suínos alimentados com o milho Bt; morte de animais, como: no estado de Andhra Pradesh, na Índia, durante Fevereiro e Março de 2006, morreram pelos menos 1820 ovelhas que pastaram em campos de algodão Bt, após a colheita, e, numa quinta em Woelfershire, na Alemanha, em que o agricultor nos anos de 2000 e 2001 apenas cultivou milho GM, verificou que as vacas adoeciam com mais frequência a partir do ano 2000 e no intervalo de 4 meses morreram 5 vacas e outras produziram menos leite e tiveram de ser abatidas; recusa em comer OGM, diminuição da produção de leite em vacas e diminuição da taxa de crescimento em gado, são outros efeitos relatados.



6. As empresas de seguros
As seguradoras na Alemanha, Suíça, Reino Unido e Bélgica já anunciaram publicamente que não fazem seguros agrícolas para culturas transgénicas. A empresa Lloyds exclui especificamente os OGM colocando-os na mesma categoria dos actos de terrorismo. Um responsável por uma seguradora britânica disse: “Há 50 anos atrás as seguradoras faziam seguros para o amianto sem qualquer preocupação – agora têm indemnizações de centenas de milhões de libras pela frente … há um sentimento muito claro de que os OGM podem vir a mostrar os seus efeitos negativos dentro de uns cinco anos.”
De facto, em Portugal como em toda a Europa, a indústria dos seguros considera existir nas culturas transgénicas uma margem de incerteza científica tal que condiciona o cálculo do risco e assim, também não é transferível a responsabilidade civil por esse risco.



7. OGM e o futuro
As empresas da biotecnologia estão a preparar para um futuro a curto, médio prazo a comercialização de novas espécies e variedades de alimentos transgénicos (como por exemplo: batata-doce, morangos, banana, café, ananás), árvores GM, a introdução do gene Terminador (de modo a que as sementes GM sejam estéreis) e ainda o cultivo de plantas alimentares GM, mas sem fins alimentares. A eventual introdução do gene Terminador pode aumentar ainda mais a dependência dos agricultores face às empresas de sementes, sendo imprevisíveis as suas consequências a nível ambiental. O cultivo de plantas alimentares sem fins alimentares, num novo conceito de agricultura que dá pelo nome de biofábrica, para produzir vacinas, hormonas, vários medicamentos e também novos tipos de plásticos, lubrificantes e outros compostos industriais, poderão ter riscos ainda maiores do que os do cultivo de OGM com fins alimentares, pois para além do seu impacto no Ambiente há um risco acrescido para a saúde humana e animal devido à possível contaminação destas culturas com as culturas com fins alimentares, transgénicas ou não.



8. Considerações finais
Apesar de não haver ainda muita informação científica credível disponível, os defensores dos OGM socorrem-se das estatísticas das áreas de cultivo para suportar os seus benefícios, o que é extremamente limitado e insuficiente. No entanto, cruzando informação de várias fontes, nomeadamente de fontes oficiais, de relatórios de Organizações Não Governamentais, de estudos independentes, de testemunhos de agricultores, entre outras, é já possível tirar as primeiras conclusões sobre a primeira década de cultivo de OGM.
Dado que os OGM são sementes patenteadas (as empresas privatizam um recurso de toda a humanidade para seu benefício económico, como se o tivessem inventado), o risco de contaminação gerou uma preocupação quanto à incerteza de quando a indústria de biotecnologia acusa o agricultor convencional ou biológico de cultivar OGM sem licença, e ainda, ficam os agricultores impedidos de guardarem sementes, ano após ano, para a sementeira seguinte, perdendo o seu direito milenar a guardar sementes. Para além disso, os OGM podem criar uma dependência económica relativamente aos fornecedores de sementes e/ou pesticidas, devido ao aparecimento de resistências.
O mercado de alimentos não transgénicos é uma oportunidade de negócio que só os países e regiões que se mantenham livres de transgénicos podem continuar a dar garantias de produtos livres de transgénicos, dado que a coexistência é praticamente impossível de assegurar.
A adopção de melhores práticas agrícolas, como por exemplo a protecção integrada, e agricultura biológica, que só recentemente começou a dar os primeiros passos, com vista à conservação de recursos, diminuição do uso de pesticidas, melhoria do rendimento e cativar uma mais-valia no mercado, podem ser fortemente abaladas pelos OGM, ao sofrerem contaminação, uma vez que não há um regime de responsabilidade por parte da indústria e dos agricultores de OGM para pagar as medidas de protecção e indemnização em caso de contaminação.

Maio 2006
Plataforma Transgénicos Fora do Prato
Apartado 5052, 4018-001 Porto e.mail: info@stopogm.net

10 de Junho- Valha que já não é dia da raça


sexta-feira, 9 de junho de 2006

A paz sem vencedor e sem vencidos


Forum Mundial para a Paz- Vancouver,Canadá-23 a 28 de Junho



A paz sem vencedor e sem vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Sophia Mello Breyner, in Dual,1972


Vários documentos - para reflectir e divulgar

The True Cost of War IraK

U.S. & Coalition/Casualties

CNN.com Specials - Forces: Weapons

Mapa das bases nucleares no Mundo / Easy-to-find nuclear weapons map (Greenpeace)


Paz e fim aos populismos

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Você sabia que uma árvore adulta...


Intervenção mal sucedida da Greenpeace no Brasil, levanta novamente a questão: a Amazónia é só dos brasileiros?

Yanomani- Foto de Monica Dalmasso


Recentemente, em finais de Maio, uma acção da Greenpeaceda na Amazónia resultou ao contrario, passando eles a ser o alvo dos protestos dos cidadãos.Sendo assim, reaviva-se uma questão :a Amazónia, abrangendo 8 países, deve ser só dos brasileiros?

Cylene Danatas da Gama fez-me chegar este lúcido artigo de Maria Tereza Jorge Pádua , ex presidente do IBAMA

Amazônia e xenofobia

Por Maria Tereza Jorge Pádua

Fundadora da Funatura, integra o Conselho da Fundação O Boticário e da Comissão Mundial de Parques Nacionais da UICN. Foi diretora de Parques Nacionais por 14 anos e do extinto IBDF e presidente do Ibama em 1992.

o ECO10.04.2005
Faz-me rir sempre quando leio, vejo ou ouço dizer que os países do primeiro mundo já destruíram seus ecossistemas naturais e agora querem impor a nós, brasileiros, restrições de uso dos nossos recursos naturais, em especial na Amazônia. Parece que até mesmo o Itamaraty esquece que a Amazônia pertence a oito países e muitas das espécies vegetais e animais que ocorrem na região, ocorrem nos países vizinhos e até mesmo em outros tão longínquos como Costa Rica e o sul dos Estados Unidos da América. Rio, ainda mais, cada vez que um obscuro deputado do baixo clero procura ganhar fama, denunciando os mais estapafúrdios complôs dos países ricos contra o Brasil para roubar as riquezas da Amazônia.Esta xenofobia com relação à Amazônia já parte de um princípio errado, pois se países do primeiro mundo arrasaram grande parte de seus ecossistemas naturais primitivos, vêm fazendo, desde os tempos de Napoleão Bonaparte e dos imperadores austro-húngaros e em especial desde o último século, um esforço gigantesco para recuperar suas florestas e aumentar suas áreas naturais ou semi-naturais. Pagaram e pagam muito por isso. Muitos deles já conseguiram, em termos de extensão de florestas e até de unidades de conservação versus extensão territorial, ter índices bem melhores que o nosso. Conseqüentemente, o pretexto de que esses países não podem ensinar-nos nada é falso e pior ainda é pretender justificar a destruição da Amazônia com a meia-verdade de que eles já usaram à exaustão seus próprios recursos para se desenvolver.A velocidade com que estamos devastando nossa natureza é o que mais assusta. Os europeus, por exemplo, destruíram a sua ao longo de dois a três mil anos de história, começando antes das grandes culturas grega e romana e acelerando-se depois, com as necessidades da conquista dos oceanos. Finalmente, aprenderam a lição de que é preciso preservar seus recursos naturais e tomaram as medidas adequadas que os fatos atuais demonstram. Mas, em nosso caso, quem teve o privilégio de conhecer a Mata Atlântica ou o Cerrado há trinta ou quarenta anos, presenciou sua avassaladora destruição. Agora é a hora e a vez da Amazônia. Nós, sul-americanos (pois em matéria de aniquilação estamos iguais aos nossos vizinhos), devastamos em menos de um século, especialmente nos últimos 40 anos, muito mais natureza que qualquer outra civilização no planeta. Como no futebol, embora ao longo da história da humanidade, somos indiscutíveis líderes mundiais da destruição de florestas. E nós estamos no século XXI, fazendo aquilo que os diplomatas reiteram muitas vezes com relação ao primeiro mundo: acabando com tudo. Eles têm dito que não querem que a Amazônia se transforme no jardim botânico do mundo. Oxalá se transformasse. Seria muito mais inteligente para o futuro de nossa espécie e de muitas outras. Ao invés de se queimar e arrasar, redistribuindo miséria e injustiça, seria melhor deixar essa região como está para que nossos descendentes, talvez mais sábios, possam aproveitá-la sustentavelmente.A balela de que outros países estão muito interessados nos recursos genéticos da nossa biodiversidade esbarra no argumento acima mencionado. Os outros países donos da Amazônia também os detêm. E entre esses países existem os que não têm nenhuma lei ou capacidade de controle da exploração do patrimônio genético natural e os que sabem que a biodiversidade tem pouca utilidade se é desconhecida. Por isso, ao contrário do Brasil, facilitam a pesquisa científica na Amazônia. O resultado é muito simples: quem quer roubar o patrimônio genético natural da Amazônia não precisa vir ao Brasil. Para isso existem Guiana e Suriname. E não se deve esquecer que a França tem um departamento de ultramar na Amazônia, aberto a todos os pesquisadores da Comunidade Européia. De outra parte, quem quer estudar seriamente a biodiversidade, sem risco de ser preso por biopirataria, pode ir a qualquer dos outros cinco países, onde os cientistas estrangeiros são recebidos com os braços abertos.Igualmente pouco evidente é a viabilidade de satisfazer a expectativa de que os recursos genéticos da Amazônia vão garantir uma vida melhor para as comunidades locais e indígenas. O problema de pagamento de royalties é inacreditavelmente complexo e sua aplicação é quase utópica. Talvez, se aplicado esse princípio, nós tenhamos que pagar mais royalties do que receber.Até mesmo para termos um turismo receptivo expressivo na Amazônia, há que se vencerem muitas barreiras. Não é brincadeira competir, por exemplo, com os países que detêm a Amazônia Alta, com relevo acidentado que oferece mais belezas cênicas ou que, como o Peru, combinam em uma viagem só o patrimônio arqueológico com o natural. É bom lembrar que a famosa Machu Picchu e muitas outras cidades pré-hispânicas do Peru, Colômbia e Bolívia estão na bacia amazônica. Antes de desenvolver o turismo receptivo na Amazônia é preciso enfrentar as doenças tropicais, que assustam visitantes, em especial os estrangeiros. Dispor de infra-estrutura adequada, principalmente nos Parques Nacionais, que são as áreas mais belas que já estão protegidas; treinar pessoal para a hotelaria e demais atendimentos e controlar o banditismo, entre tantos outros problemas. A Amazônia do Brasil tem, sem dúvida, um potencial turístico muito importante, não obstante esteja diretamente oposto ao desmatamento massivo em curso. Nenhum turista que ficou parado por vários dias, esperando avião num aeroporto fechado pelas fumaças das queimadas, vai voltar ao país. Menos ainda se suas malas são reviradas pela polícia à procura de uma borboleta ou de uma folha ou flor seca.O que se quer dizer é que não significa que não exista cobiça internacional sobre os recursos da Amazônia. Existe, sem dúvida, muito interesse nos recursos minerais que, de outra parte, estão sendo explorados por empresas internacionais e sem muitas restrições no Brasil ou em outros países. Existe interesse nos hidrocarbonetos que o Brasil ajuda a explorar na Amazônia dos países vizinhos. Há, ainda, interesse nos recursos potenciais da biodiversidade. Mas, neste aspecto, o interesse pode ser dirigido a qualquer outro país, com regras menos absurdas. Apenas com caráter de excepcionalidade, poderia existir alguma espécie exclusiva do Brasil que obrigue os interessados a enfrentar as draconianas normas. Não obstante, a verdade é que o principal interesse internacional na Amazônia é pela sua conservação como último reduto natural tropical do planeta e pelos serviços ambientais que ela presta. Os países desenvolvidos, reconhecendo seu erro no passado, recomendam aos países em vias de desenvolvimento não repetir os mesmos erros. Grande parte dos cidadãos desses países está disposta a pagar pela conservação da Amazônia e o Brasil é o país da América Latina que mais doações recebeu, na última década, para fazê-lo. Creio ser legítimo pedir mais, muito mais dinheiro, para salvar a Amazônia. O que não julgo correto, nem inteligente, é dizer que nós temos o direito de acabar com nosso futuro porque outros cometeram o erro, séculos e milênios atrás.Não acredito mesmo que haja um resquício de perigo de se perder a soberania nacional na Amazônia. Os problemas com os países vizinhos já foram há muito superados e a defesa de nossos limites é inconteste. Penso que este é um outro argumento fajuto para justificar-se a contínua "ocupação, através do desenvolvimento sustentável". Pena que este desenvolvimento sustentável esteja muito longe da realidade. O que se vê são os incêndios, as estradas rasgando as matas, as hidroelétricas, a extração de madeiras, o comércio ilegal da fauna silvestre, um completo abandono das unidades de conservação do Poder Público. Poucos são os projetos desenvolvimentistas de menor impacto ambiental. Poucos são os turistas. Pobre é a infra-estrutura receptiva. Pobre é a cabeça daqueles diplomatas que querem defender a Amazônia de ataques fantasmagóricos, através de maior uso ou leia-se maior devastação.Em conclusão, os argumentos xenófobos para justificar a destruição cada vez mais acelerada da nossa Amazônia são apenas pretextos para garantir o lucro indecente de poucos, em detrimento dos pobres da Amazônia, índios, ribeirinhos e de todos os brasileiros. Esses poucos incluem muitos dos grandes fazendeiros, a maior parte das empresas madeireiras da Amazônia, os grileiros grandes e pequenos, os empresários que financiam os garimpos, os narcotraficantes e, claro, muitos dos políticos, como esses que agora propõem criar estados novos na Amazônia, com o exclusivo propósito de lucrar. Quem tem inimigos internos tão poderosos e mesquinhos não deveria se preocupar com quiméricos inimigos externos.

domingo, 4 de junho de 2006

Old Tjikko - The World’s Oldest Tree


9,500-Year-Old Tree Found in Sweden Is The World’s Oldest Tree.

Trees are one of the longest living plants on the planet.This rather strange looking tree is no exception.This 16-foot Norwegian tree is growing on the Fulufjallet Mountain in Sweden and happens to be 9,550 years old.

This tree is called Old Tjikko named after the dog of the geologist who discovered the tree. Even though this tree might look quite common, its bark and branches have proven it has witnessed thousands of years passing by.

Addressing its rather small size, this is attributed to the frigid Tundra climate. However, with temperatures climbing over the past 100 years, the shrub has actually grown to a full-sized tree.It now proudly stands as the oldest living tree on earth.

O Uivo, como um poema mudou todo o País



A história da literatura ocidental divide-se em antes e depois da noite de 7 de outubro de 1955, na Six Gallery, em São Francisco. Foi ali que um jovem de óculos, tímido mas tomado por uma urgência profética, leu os primeiros versos de "O Uivo" (Howl) para uma plateia embriagada de vinho e de absoluto. Allen Ginsberg não estava apenas declamando; ele estava exorcizando o fantasma de uma América que, sob a máscara da prosperidade e do puritanismo do pós-guerra, sufocava, internava e destruía as suas mentes mais brilhantes, os seus poetas, os seus loucos, os seus homossexuais e os seus vagabundos transcendentais. Quando a editora City Lights, de Lawrence Ferlinghetti, publicou o poema em 1956, o impacto foi tão violento que o Estado tentou amordaçá-lo através de um histórico processo por obscenidade. Mas o uivo já não podia ser silenciado. Ao transformar o sofrimento psíquico em matéria sagrada e ao apontar o dedo contra Moloch — a máquina de guerra, o capitalismo devorador e o conformismo cego —, Ginsberg ofereceu um espelho trágico e libertador a toda uma geração. "O Uivo" unificou os marginalizados, pavimentou o caminho para a contracultura dos anos 60 e redefiniu os limites da liberdade de expressão. Mais do que um poema, tornou-se o testamento de que a arte, em sua entrega mais visceral e vulnerável, tem o poder de rachar as estruturas de um país inteiro.

Fica aqui a obra-prima de Allen Ginsberg na íntegra (na célebre tradução de Cláudio Willer), o uivo que ecoa até hoje:

O Uivo (Howl)
Para Carl Solomon

I
Eu vi as melhores mentes da minha geração destruídas pela loucura, famintas histéricas nuas,
arrastando-se pelas ruas negras de madrugada à procura de uma dose de fúria,
hipsters com cabeças de anjo ansiando pelo antigo contacto celestial com o dínamo estrelado na maquinaria da noite,
que na pobreza e nos farrapos e de olhos encovados e brisados fumavam sentados na escuridão sobrenatural de apartamentos de água fria, flutuando sobre os tetos das cidades com uma sensação de jazz,
que desnudaram os seus cérebros ao Céu sob o Metro e viram anjos do Islão cambaleando em tetos de cortiços iluminados,
que passaram por universidades com olhos frios e radiantes alucinando o Arcadas e tragédias de Blake entre os estudantes de guerra,
que foram expulsos das academias por serem loucos e publicarem odes obscenas nas janelas do crânio,
que se encolheram em quartos sem barbear, queimando dinheiro em cestos de papéis e ouvindo o Terror através da parede,
que foram detidos pelas suas barbas púbicas voltando por Laredo com uma carga de marijuana para Nova Iorque,
que comeram fogo em hotéis de má fama ou beberam terebentina em Paradise Alley, morreram ou flagelaram os seus fados noite após noite,
com sonhos, com drogas, com pesadelos acordados, álcool e pénis e infindáveis orgias,
ruas de passos trémulos sem destino, sobressaltos de relâmpago na alquimia do uso da palavra, o podes-crer do desespero e o génio do sol da meia-noite,
que procuravam a base de platina absoluta através do amor e da dor e do fumo do peiote e do fumo do ópio, que atravessavam as cidades sem repouso e sem dinheiro à procura da chave secreta da eternidade que iluminasse a mente ocidental,
que desapareceram no Zen de Nova Jérsia deixando um rasto de postais ambíguos de Atlantic City,
sofrendo de suores Orientais e tangerinas de Tanger e enxaquecas de Newark e ossos partidos no inferno do fumo do Texas,
que caminharam a noite inteira com os sapatos cheios de sangue nas docas de neve esperando por uma porta em East River que se abrisse para um quarto cheio de vapor quente e ópio,
que criaram grandes dramas suicidas nas frentes de rocha do Hudson sob o holofote azul do nevoeiro da lua antes de serem atirados para ambulâncias do manicómio de Bellevue,
que saltaram do teto de Brooklyn e falaram com as estrelas e a lua e a ponte e os peixes e a noite de Nova Iorque,
que caminharam pelas ruas e gritaram em voz alta e viram os cães do destino e as mulheres da dor e os homens da pressa e os homens da solidão,
que dançaram nos bares de jazz com os corações nas mãos e os sexos nos bolsos e as almas nas bocas,
que choraram nos cinemas de Greenwich Village porque os filmes eram demasiado tristes e os homens eram demasiado frios e as mulheres eram demasiado belas,
que se deitaram nos caminhos-de-ferro e esperaram pelo comboio e o comboio não veio e eles continuaram a viver e a escrever e a foder e a morrer,
que se esconderam em caves de betão com ratos e baratas e garrafas de vinho barato e livros de Rimbaud e de Artaud,
que foram levados para os hospitais psiquiátricos e receberam choques elétricos e perderam a memória e ganharam a visão e viram o mundo como ele é,
que foram crucificados nas paredes dos escritórios e dos bancos e das fábricas e das lojas,
que cantaram a sua canção de amor na escuridão das prisões e das celas e dos pátios,
que se despediram de tudo e de todos e partiram para o Oeste no primeiro camião ou no primeiro comboio de mercadorias,
à procura da luz, da verdade, da beleza, do amor, da liberdade, do fogo, do uivo.

II
Que esfinge de cimento e alumínio arrombou os seus crânios e devorou os seus cérebros e a sua imaginação?
Moloch! Solidão! Imundície! Fealdade! Caixotes de lixo e dólares inacessíveis! Crianças gritando debaixo das escadas! Rapazes soluçando nos exércitos! Velhos chorando nos parques!
Moloch! Moloch! Pesadelo de Moloch! Moloch o sem amor! Moloch mental! Moloch o pesado julgador dos homens!
Moloch a prisão incompreensível! Moloch a prisão cruzada de pernas de ossos vazios e cemitério sem alma! Moloch cujos dedos são dez exércitos! Moloch cujo peito é um canibalismo industrial! Moloch cujo ouvido é uma sepultura fumegante!
Moloch cujos olhos são mil janelas cegas! Moloch cujos arranha-céus se erguem nas longas ruas como Jeovás intermináveis! Moloch cujas fábricas sonham e coaxam no nevoeiro! Moloch cujas chaminés e antenas coroam as cidades!
Moloch cujo amor é petróleo e pedra! Moloch cuja alma é eletricidade e bancos! Moloch cuja pobreza é o espetro do génio! Moloch cujo destino é um mictório de hidrogénio sem fado!
Moloch em quem eu me sento isolado! Moloch em quem eu sonho anjos! Desperto em Moloch! Luz fluindo dos céus!
Moloch! Moloch! Apartamentos de robôs! subúrbios invisíveis! tesouros de esqueletos! capitais de cegos! indústrias demoníacas! nações de fantasmas! manicómios invencíveis! blocos de granito!
Eles quebraram as suas costas erguendo Moloch ao Céu! Pistas, árvores, rádios, toneladas, erguendo a cidade ao Céu que existe e nos rodeia por todo o lado!
Visionários! prodígios! alucinações! milagres! êxtases! idos pelo rio abaixo!
Sonhos! adorações! iluminações! religiões! toda a carga de sensibilidade americana!
Entregues ao vento da história! Avanços! mais de dez anos de lágrimas de animais! Cânticos e canções e loucuras! Novos horizontes! Novo homem!
Idos abaixo no rio de Moloch! Moloch! Moloch! Robotizado! Autómato! Dinheiro! Almas vendidas no mercado! Moloch a máquina! Moloch o fim de tudo!
Eles acordaram e viram o monstro! Moloch! O monstro que devorou a sua juventude e a sua poesia! Moloch o destruidor! Moloch o assassino!
Adeus rapazes da noite! Adeus poetas da dor! Adeus anjos do uivo!

III
Carl Solomon! Estou contigo em Rockland
onde és mais louco do que eu
Estou contigo em Rockland
onde deves estar a sentir-te muito estranho
Estou contigo em Rockland
onde imitas a sombra da minha mãe
Estou contigo em Rockland
onde assassinaste os teus doze secretários
Estou contigo em Rockland
onde bates palmas à alma que regressa do purgatório
Estou contigo em Rockland
onde acusas o Estado de conspiração mística contra a tua liberdade
Estou contigo em Rockland
onde divides o mar com os teus braços nus e gritas por um Messias
Estou contigo em Rockland
onde escreves na parede o nome de Deus com o teu próprio sangue
Estou contigo em Rockland
onde ressuscitaste os mortos da tua infância e falas com eles à noite
Estou contigo em Rockland
onde choras no chão de mármore porque os enfermeiros te tiraram os sapatos
Estou contigo em Rockland
onde recebes os choques da máquina da meia-noite e a tua alma brilha mais que o sol
Estou contigo em Rockland
onde dizes que o mundo é uma conspiração de macacos contra a beleza
Estou contigo em Rockland
onde viajas no tempo e no espaço sem sair da tua cama de ferro
Estou contigo em Rockland
onde planeias a revolução dos anjos contra a burocracia do inferno
Estou contigo em Rockland
onde esperas que a noite acabe e o dia venha com a sua luz de ouro
Estou contigo em Rockland
nos meus sonhos caminhas pingando da viagem na autoestrada através dos Estados Unidos em lágrimas até à porta da minha cabana na noite ocidental.



O Julgamento por Obscenidade: O Nascimento da Liberdade de Expressão Moderna
Em 1957, a polícia de São Francisco prendeu Lawrence Ferlinghetti por vender o livro, acusando-o de disseminar "material obsceno". O poema falava abertamente sobre homossexualidade, sexo, drogas e criticava duramente o capitalismo e o militarismo americano.

O Impacto: o julgamento de Howl tornou-se um marco histórico. Defendidos por juristas, críticos e escritores, Ginsberg e Ferlinghetti venceram. O juiz Clayton W. Horn determinou que o poema tinha "importância social redentora".

A mudança no país: Essa decisão abriu as portas para a liberdade editorial nos EUA. Sem o julgamento de Howl, obras-primas subsequentes de autores como William S. Burroughs (Almoço Nu) ou Henry Miller (que estavam banidos no país) dificilmente teriam sido publicadas. O país teve que aprender, por lei, a tolerar a dissidência artística.

sábado, 3 de junho de 2006

A raíz humana

Frida Kahlo--Roots (Raices),1943-- (Fonte: Θέμα )



A esperança é uma raiz humana
que se agarra ao ventre da terra
como árvore ferida
pelo estertor do machado

Que seria dos pássaros
se tivessem medo de construir o seu ninho?
Seriam eles aves arquitectas da esperança
ou ornitológicas espécies rastejantes?

Não alimentes as sombras
Voar é preciso
mesmo presos a este chão baço e conspurcado
onde a utopia jaz mutilada pela indiferença


Vitor Cale Solteiro, 30/04/06


"Deux roses Prince de Bulgarie" - "Twee Prins van Bulgarije-rozen" por Frans Mortelmans


Frans Mortelmans was a Belgian painter, draughtsman and engraver. He initially produced portraits, history paintings, marines and genre scenes but later specialised in still lifes, and in particular flower pieces, with which he achieved considerable success. He was a very prolific painter and his most productive period is situated around 1900. His work situates itself between impressionism and realism with some luminist touches. He also produced many pastel works.

Frans Mortelmans studied at the Royal Academy of Fine Art in Antwerp from 1876 through 1886 under the direction of Lucas Victor Schaefels (1824 - 1885) and Charles Verlat (1824 - 1890) and at the High Institute of Fine Arts from 1887 through 1891. He ultimately became a professor at the Berchem School of Fine Arts in 1901 and an Honorary Director of the Berchem School of Art and Painting in Antwerp. In 1932 he was made Commander in the Order of Leopold.

His father, Karel (Charles) Mortelmans (1832 - 1899), was a printer in Antwerp and his brother was the famous composer, Lodewijk Mortelmans (1868 - 1952). Two of his most famous students were Joris Minne (1897 - 1988) and Antoon Mastboom (1868 - 1954).

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Alkantara Festival- mundos em palco


Quatro anos depois do último festival danças na cidade, Lisboa volta a ser palco de um grande evento internacional de artes performativas. «Al kantara» significa «a ponte» em árabe e sublinha a nossa ambição de construir pontes: entre pessoas, culturas, linguagens artísticas.

alkantara festival apresenta 34 espectáculos diferentes de artistas e companhias vindos da Bélgica, Brasil, França, Líbano, Grã-Bretanha, Moçambique, Tailândia, Itália, Turquia, Egipto, Alemanha, República Checa, Espanha, Japão e Portugal. O festival junta nomes de referência da criação contemporânea com criadores igualmente interessantes mas menos conhecidos – muitas vezes apenas por serem de lugares considerados «periféricos». A criação nacional continua a ser uma apostas forte, através de várias encomendas e do projecto Encontros 2005-2006.

alkantara festival espalha-se pela cidade inteira. O momento mais festivo é, sem dúvida, o percurso Encontros Imediatos: 16 projectos seleccionados por um júri são apresentados em jardins, palácios, galerias, museus, associações e clubes desportivos, desenhando um percurso cultural inesperado.
Em Junho, alkantara constrói em Lisboa as suas pontes. Convidamos o público a atravessá-las connosco…