sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Apesar do que diz o Governo, a barragem de Girabolhos “não será relevante para o controlo de cheias”


Na passada quarta-feira, depois de um dique no Mondego ter rompido, o Governo anunciou a “luz verde” para o concurso da barragem de Girabolhos. O Ministério do Ambiente disse que se trata de um projeto estruturante “com objetivos de controlo e mitigação de cheias”, mas as posições dos especialistas não corroboram essa posição.

À RTP Notícias, o hidrobiólogo Adriano Bordalo de Sá, investigador da Universidade do Porto que é defensor da construção dessa barragem, desmente a ligação entre essa estrutura e o controlo de cheias, explicando que “essa barragem não fica sequer perto do Baixo Mondego”.

“Para este controlo das cheias [a barragem] não é propriamente relevante. Ela está muito longe desta zona que é sistematicamente afetada por problemas estruturais do planeamento feito no passado”, disse o hidrobiólogo. “Não terá a influência que alguns políticos, porque foram informados incorretamente, pensam que poderá ter”.

Algumas narrativas lançadas na comunicação social procuram ligar a construção da barragem de Girabolhos à gestão de cheias. É o caso da notícia publicada pelo Jornal Económico, que diz que esta barragem “podia ter evitado cheias no Mondego está na gaveta há 20 anos”, acusando a 'geringonça' de cancelar o projeto. O ex-ministro Carmona Rodrigues foi mais longe e acusou o Bloco de Esquerda de ter incluído nas condições para apoiar o governo de António Costa em 2015 não se avançar com a construção desta barragem. Uma acusação que Catarina Martins, então coordenadora do partido, desmentiu à Rádio Renascença, afirmando que desses acordos não constava a barragem que na altura era contestada pelas populações e autarquias.

Na verdade, segundo o ex-deputado e ministro socialista João Galamba, a barragem de Girabolhos não andou para a frente por vontade da Endesa. Mas para além disso, a concessão da própria barragem não incluía a gestão de cheias, como a previsão do aproveitamento de Girabolhos não prevê também. Para a gestão de cheias, importa mais o projeto hidroagrícola do Baixo Mondego, que enfrenta falhas estruturais associadas aos principais problemas de gestão de água do Mondego.


A conclusão da obra hidroagrícola do Baixo Mondego, que poderia prevenir as cheias, foi mesmo levada a votação na Assembleia da República no Orçamento do Estado para 2025, tendo sido chumbada com os votos contra do PSD, CDS e IL, e com as abstenções do Partido Socialista e do Chega.

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