Pandora
Oculta sob a asa inferior verde-musgo de bosques antigos,
Filha do romper da alva e do cardo aquecido pelo sol,
Que ama o primeiro calor do sol matinal, o néctar doce das flores roxas e a quietude silenciosa antes do voo,
Que suporta o frio diário da sombra matinal, esperando que a luz lhe desperte as asas,
Que deu ao mundo um contraste impressionante de brilhantismo oculto, provando que um exterior modesto pode guardar uma maravilha deslumbrante,
Que anseia manter os seus segredos guardados sob as asas dobradas, mas que inevitavelmente liberta o seu espírito vibrante no ar,
Que traz uma tempestade mítica da história a um campo simples, unindo o abismo entre os contos antigos e a natureza viva,
Residente dos vales banhados pelo sol, para sempre ancorada por um frágil fio de Esperança.
Saber mais sobre Pandora - Mitologia Grega:
Na mitologia grega, Pandora ("a que possui todos os dons", ou "a que é o dom de todos os deuses") foi a primeira mulher, criada por Zeus como punição aos homens pela ousadia do titã Prometeu em roubar aos céus o segredo do fogo.
OrigemPandora era a filha primogénita de Zeus que, aos 9 anos de idade, recebeu de presente do seu pai o colar usado por Prometeu, que lhe foi retirado ao pagar a sua pena por roubar o fogo dos deuses. Pandora, então, arranjou uma caixa para guardar o seu colar, a mesma caixa onde guardou a sua mente e as lembranças do seu primeiro namorado, cujo nome era Narciso. A caixa apenas podia guardar bens de todo o tipo, com exceção de bens materiais. Como o colar era um bem material, acabou por se autodestruir.
Para Pandora, o colar tinha valor sentimental, o que a fez chorar por muitos dias seguidos sem parar. Como a caixa guardava lembranças com a intenção de as recordar sempre ao "dono", Pandora sentia-se sempre triste. Tentou destruir a caixa para ver se esquecia o facto, mas não funcionou: a caixa era fruto de um grande feitiço que a impedia de ser destruída. Pandora, então, aos 36 anos, suicidou-se. Não aguentou viver mais de 27 anos com aquela "maldição".
Caixa de PandoraA caixa de Pandora é uma expressão muito utilizada quando se quer fazer referência a algo que gera curiosidade, mas que é melhor não ser revelado ou estudado, sob pena de vir a mostrar algo terrível que possa fugir ao controlo. Esta expressão vem do mito grego, que fala sobre a caixa que foi enviada com Pandora a Epimeteu.
Pandora foi enviada a Epimeteu, irmão de Prometeu, como um presente de Zeus. Prometeu, antes de ser condenado a ficar 30 000 anos acorrentado no Monte Cáucaso, tendo o seu fígado comido pelo abutre Éton todos os dias, alertou o irmão quanto ao perigo de se aceitarem presentes de Zeus.
Epimeteu, no entanto, ignorou a advertência do irmão e aceitou o presente do rei dos deuses, tomando Pandora como esposa. Pandora trouxe uma caixa (uma jarra ou ânfora, de acordo com diferentes traduções), enviada por Zeus na sua bagagem. Epimeteu acabou por abrir a caixa, libertando os males que haveriam de afligir a humanidade dali em diante: a velhice, o trabalho, a doença, a loucura, a mentira e a paixão. No fundo da caixa, restou a Esperança (o que, segundo algumas interpretações, significa a Crença irracional ou a Credulidade). Com os males libertados da caixa, teve fim a idade de ouro da humanidade.
InterpretaçãoPode-se questionar o sentido desta lenda: por que razão uma caixa, ou jarra, contendo todos os males da humanidade, conteria também a Esperança? Na Ilíada, Homero conta que, na mansão de Zeus, haveria duas jarras: uma que guardaria os bens e outra os males. A Teogonia de Hesíodo não as menciona, contentando-se em dizer que sem a mulher a vida do homem não é viável, e com ela é mais segura. Hesíodo descreve Pandora como um "mal belo" (καλὸν κακὸν / kalòn kakòn).
O nome "Pandora" possui vários significados: panta dôra, a que possui todos os dons, ou pantôn dôra, a que é o dom de todos (dos deuses).
A razão da presença da Esperança com os males deve ser procurada através de uma tradução mais rigorosa do texto grego. A palavra em grego é ἐλπίς / elpís, que é definida como a espera de alguma coisa; pode ser traduzida como esperança, mas essa tradução é seguramente arbitrária. Uma tradução melhor poderia ser "antecipação", ou até o temor irracional. Graças ao fecho da jarra por Pandora no momento certo, os homens sofreriam apenas dos males, mas não do conhecimento antecipado deles, o que provavelmente seria pior.
Eles não viveriam o temor perpétuo dos males por vir, tornando as suas vidas possíveis. Prometeu felicita-se, assim, por ter livrado os homens da obsessão com a própria morte. Uma outra interpretação sugere ainda que este último mal é o de conhecer a hora da sua própria morte e a depressão que se seguiria pela falta de esperança.
Um outro símbolo está inserido neste mito. A jarra (pithos) nada mais é do que uma simples ânfora: um vaso muito grande que serve para guardar grãos. Este vaso só fica cheio através do esforço, do trabalho no campo; o seu conteúdo, então, simboliza a condição humana. Por conseguinte, será a mulher a abri-lo e a servi-lo para alimentar a família.
Pode fazer-se uma aproximação deste mito com a Queda de Adão e Eva, relatada no livro do Génesis. Em ambos os mitos é a mulher, previamente avisada (por Deus, na Bíblia, ou, neste caso, por Prometeu e por Zeus), que comete um erro irremediável (comendo o fruto proibido, na Bíblia, ou, neste caso, abrindo a caixa, ou jarra, de Pandora), condenando assim a humanidade a uma vida repleta de males e sofrimentos. Todavia, a versão bíblica pode ser interpretada como mais indulgente com a mulher, que é levada ao erro pela serpente, mas que divide a culpa com o homem.
A mentalidade politeísta vê Pandora como a que deu ao homem a possibilidade de se aperfeiçoar através das provações e da adversidade (o que os monoteístas chamam de males). Ela dá-lhe, assim, a força de enfrentar estas provações com a Esperança. Na filosofia pagã, Pandora não é a fonte do mal; ela é a fonte da força, da dignidade e da beleza, portanto, sem adversidade, o ser humano não poderia melhorar.
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