terça-feira, 27 de julho de 2021

Stuart Scott - Life of an Eco Warrior

Alterações climáticas e conflitos são causa e consequência de pobreza e fome, diz ONU



O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres disse esta segunda-feira que as alterações climáticas e os conflitos são causa e consequência de pobreza e da desigualdade de rendimentos e preços da alimentação.

Guterres também afirmou, durante uma reunião em Roma, que o sistema alimentar mundial produz um terço de todas as emissões de gases com efeito de estufa. Em mensagem transmitida por vídeo, Guterres lamentou também que este mesmo Sistema seja responsável pela perda de 80% da biodiversidade.

A reunião foi convocada para preparar uma cimeira da ONU sobre sistemas de alimentação, que vai decorrer em Nova Iorque, em setembro.

No início deste mês, um relatório da ONU salientava que havia mais 161 milhões de pessoas a passar fome do que em 2019, com muito deste agravamento a resultar da pandemia do novo coronavírus.

Pobreza, desigualdade de rendimentos e o elevado custo da alimentação continuam a manter as dietas saudáveis fora de alcance de três mil milhões de pessoas”, disse Guterres. “As alterações climáticas e os conflitos são ambos consequências e causas desta catástrofe”.

O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) apelou aos decisores políticos que “resolvam as falhas dos sistemas de alimentação”, que deixam centenas de milhões de pessoas pobres e com fome. O FIDA é uma agência da ONU destinada a ajudar a agricultura de pequena escala.

O FIAD considerou que os sistemas alimentares têm de “mudar radicalmente” para garantir acesso a comida saudável, onde a produção alimentar “protege o ambiente e a biodiversidade e onde as pessoas que produzem a comida são pagas decentemente pelo seu trabalho”.

Em 2020, pelo menos 811 milhões de pessoas passaram fome, segundo aquele relatório da ONU.

Guterres adiantou que os trabalhos preparatórios, em Roma, vão ajudar a definir o tom para a ação durante esta década e para uma “recuperação equitativa e sustentável” da pandemia do novo coronavírus.

Estes esforços têm implicações financeiras. O economista-chefe da Organização da Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em Inglês) estimou que a remoção de 100 milhões de pessoas do estado de subalimentação crónica exigiria 14 mil milhões de dólares (cerca de 12 mil milhões de euros) todos os anos, até 2030, e cerca do triplo para conseguir o objetivo da ONU de fome zero até 2030.

Abnormal temperatures responsible for 2.6 million deaths in Asia every year, global study finds




BANGKOK: More than 5 million deaths, including about 2.6 million in Asia, can be attributed to abnormal hot and cold temperatures that are becoming more common due to climate change.

According to a first-of-its-kind study published in The Lancet Planetary Health earlier this month, 9.4 per cent of global deaths over the past two decades could be linked with extreme temperatures. The vast majority of them are due to cold weather, but climate change is already exacerbating the risks of dangerous heat.

In Southeast Asia, approximately 190,000 annual deaths are caused by “non optimal temperatures”, with about 89 per cent of those being cold-related. But the trends are shifting in the region, with heat-related deaths on the rise.

“Cold temperatures are a bigger problem than hot. But with climate change, hot temperatures will be more and more serious,” said Yuming Guo, the report’s author and professor of Global Environmental Health and Biostatistics at Monash University.

“This can provide very good information to different levels of government about how many deaths are occurring from hot and cold temperatures. They can make a strategic plan to protect their people in the future,” he told CNA.

“Currently, I think many people know that temperature is a risk for human health, especially extreme heat and cold. We can provide this evidence.”

The study published in the sustainable development journal was the first to directly link deaths to temperature on a global scale, by analysing data from 43 countries and 750 cities. It found that Europe suffered the highest rate of deaths due to heat between 2001 and 2019, and sub-Saharan Africa was the most affected by abnormal cold.

“The data covers different climate zones and can be expanded to other countries without data. We can combine the relationship with local weather and local mortality rates to calculate temperature-related mortality anywhere across the world,” Guo said.

The globe is continuing to warm at a rapid pace. Climate Action Tracker predicts 2.9 degrees Celsius of warming above pre-industrial levels by 2100, based on current policies around the world.

The international study led by Guo found that global mean ambient daily temperature increased at an average rate of 0·26 degrees Celsius per decade over the period of the research.

While populations can gradually acclimatise to changes in temperature, extreme events turbocharged by climate change can directly put people’s health at risk.

Powerful heatwave conditions have swept across the northern hemisphere in recent weeks, causing hundreds of people to die in several countries.


Guo says his team hopes to further refine the data to establish how many excessive deaths are caused by such types of events.

William Goggins, a professor at the Faculty of Medicine at the Chinese University of Hong Kong, who was not involved with the study, said the high mortality rates would be a surprise for those not working in this field and more proof of the need for governments to invest in climate mitigation, especially in urban areas.

“There are parts of the world that are already extremely hot and many people in these areas cannot afford air conditioning. There is also a danger of sudden heat waves in areas where people are not used to heat and may not be prepared, even if they have the resources to do so,” he said.

“We have already seen this occurring and these heatwaves are going to occur with increasing severity and frequency.

“Better urban design, with more green and blue spaces, and building orientations allowing for better wind penetration, has the potential to reduce the urban heat island effect and lower urban heat-related mortality and morbidity,” he said.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Sobre o Arvoredo Urbano

Actualização: em 18 de Agosto de 2021 foi publicado o Regime jurídico de gestão do arvoredo urbano


A PSP e a GNR vão poder multar municípios e particulares que façam podas radicais ou abates de árvores sem justificação e contra as regras inscritas nos regulamentos municipais de arvoredo urbano, que passarão a ter de existir dentro de um ano, prevê o novo Regime Jurídico do Arvoredo Urbano, aprovado recentemente pelo Parlamento. O Governo tem agora meio ano para aprovar um guia de boas práticas, que será elaborado pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas com apoio de entidades ligadas à gestão do arvoredo e em articulação com as áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais. Este guia é crucial para ajudar os municípios a elaborarem, posteriormente, até de hoje a um ano, os seus regulamentos municipais de gestão do arvoredo urbano, com uma lista e planta de localização das árvores classificadas de interesse público e de interesse municipal existentes no seu território; a sua estratégia municipal para o arvoredo urbano; a identificação dos ciclos de manutenção e as normas técnicas para a implantação e manutenção de árvores. Este documento terá de passar pela votação nas assembleias municipais. O processo será, pelo meio, submetido ainda a consulta pública, com um mínimo de 30 dias. Cada município terá de, dentro de dois anos, criar e organizar um Inventário do Arvoredo em Meio Urbano.

Dia Internacional Para a Conservação do Ecossistema de Mangal


Sabia que?
1. Os mangais são ecossistemas extraordinários, localizados na interface da terra e mar em regiões tropicais, que oferecem uma grande variedade de bens e serviços de ecossistema.

2. Embora sejam encontradas em 123 países e territórios, as florestas de mangal são globalmente raras. Representam menos de 1% de todas as florestas tropicais em todo o mundo, e menos de 0,4% do total da área florestal global.

3. Os mangais estão a desaparecer três a cinco vezes mais rapidamente do que as perdas globais das florestas, com graves impactos ecológicos e socio-económicos.

4. A gestão e restauro dos ecossistemas de mangal é uma forma exequível e rentável de ajudar a garantir a segurança alimentar de muitas comunidades costeiras.

5. Estas zonas húmidas florestais são ricas em biodiversidade. Garantem um valioso habitat de viveiro para peixes e crustáceos; uma fonte de alimento para macacos, veados, aves, até cangurus; e uma fonte de néctar para abelhas. Apoiam comunidades complexas, onde milhares de outras espécies interagem.

6. Os ecossistemas de mangal saudáveis são vitais para o bem-estar, segurança alimentar e proteção das comunidades costeiras em todo o mundo.

7. Os mangais podem desempenhar um papel importante na redução da vulnerabilidade aos riscos naturais e no aumento da resiliência aos impactos das alterações climáticas.

8. Os mangais funcionam como uma forma de defesa natural da costa: reduzir a erosão, atenuar as ondas (e os tsunamis) e até reduzir o efeito das tempestades.

9. Os solos de mangal são sumidouros de carbono altamente eficazes, sequestrando grandes quantidades de carbono.

10. Se destruídos, degradados ou perdidos, estes ecossistemas costeiros tornam-se fontes de dióxido de carbono. Grande parte deste carbono emitido tem milhares de anos e outros processos no ecossistema não equilibram a sua rápida libertação nos oceanos e na atmosfera.

Portugal à lei da bomba

                                                    

Centenas de atentados e acções violentas levados a cabo pela rede bombista de extrema-direita deixaram Portugal a ferro e fogo no pós-25 de Abril. O Verão Quente de 1975 fez subir a temperatura política, mas os atentados mais violentos aconteceram já em 1976, depois da alegada "pacificação" permitida pelo 25 de Novembro. No livro "Quando Portugal Ardeu", com recurso a documentos e testemunhos inéditos, o jornalista Miguel Carvalho conta uma outra história da revolução. Levanta o manto de silêncios que foi estendido sobre o país, contra a amnésia sobre o que se passou em Portugal há 40 anos.
Num dos seus raides da Póvoa para o Porto, Ramiro Moreira tinha colocado uma série de bombas debaixo de carros de militantes de esquerda, mas uma não explodiu. Intrigado, pois como operacional orgulhoso que era não admitia que uma bomba sua não rebentasse, pegou no engenho e continuou o seu caminho. Perto da saída para a Maia, abriu o vidro e disse: "Ora vamos ver se esta merda rebenta ou não" e atirou a bomba, fazendo explodir um barracão do PPD.

O episódio com o mais activo operacional da rede bombista, que na altura desconcertou a Polícia Judiciária (PJ) porque "só poderia ser da autoria dos comunistas", é uma das histórias da violência política do pós-25 de Abril, relatada pelo jornalista Miguel Carvalho no livro agora publicado "Quando Portugal Ardeu".

Entre meados de 1975 e Abril de 1977, o país assistiu a quase 600 atentados e acções violentas da extrema-direita. Operacionais do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), liderado por António de Spínola, fizeram ir pelos ares automóveis, casas e escritórios de quem era conotado com a esquerda. Multiplicavam-se os ataques a sedes do PCP num país profundamente dividido, à beira da guerra civil.

Ramiro Moreira chegou a ter o número sete no cartão de militante do Partido Popular Democrático - que mais tarde passaria a PSD -, mas as suas actividades desagradavam a Francisco Sá Carneiro. "Uma coisa era fazer segurança aos dirigentes e envolver-se em escaramuças. Mas colocar bombas, participar em atentados e manter-se ligado ao PPD tornava a militância insustentável e reprovável" para o fundador do partido, relata Miguel Carvalho. Num dia de Novembro de 1975, chamou o operacional a sua casa e disse-lhe: "Ou sais do partido ou expulso-te."

Sá Carneiro, sublinha o jornalista, "viu mais além do que a simples táctica" e percebeu que, "tanto quanto ele pudesse, o partido tinha de entrar numa linha que não resvalasse para caminhos que ele condenava". Um exemplo, diz o autor de "Quando Portugal Ardeu", que o PS podia ter seguido. Mas os socialistas, aponta, "lançaram fósforos em fogueiras que já ardiam".

"O PS teve um grau de envolvimento muito grande com a rede bombista e com os seus objectivos. Achou, a determinada altura, que valia tudo para combater o PCP e isso significou, em certo momento, uma cumplicidade com o radicalismo de direita", afirma Miguel Carvalho, explicando que essa foi uma das grandes surpresas da sua investigação.

Como recorda, o primeiro acontecimento de grande violência após a revolução de Abril aconteceu em Rio Maior, em Junho de 1975. "Foi um momento-chave, em que várias sedes foram incendiadas, em que a Confederação dos Agricultores de Portugal (como viria a chamar-se meses depois) teve um papel relevante na agitação e a Igreja deu os primeiros sinais de que se poderia envolver no combate à ameaça comunista", conta o jornalista, sublinhando que dias depois dos acontecimentos "Mário Soares vai à região participar num comício onde afirma: 'Era bom que o exemplo de Rio Maior fosse seguido noutras zonas do país'."

Anos mais tarde, em Dezembro de 1991, é Mário Soares que assina o indulto a Ramiro Moreira, condenado a 20 anos de prisão. Miguel Carvalho fala em duas intenções do antigo Presidente da República. Por um lado, reconhece que essa foi "uma tentativa sincera de pacificar o país, numa altura em que se procurava encontrar um perdão para o terrorismo de extrema-esquerda". Por outro, "era também uma intenção que essa pacificação levasse a uma amnésia propositada sobre esta época de violência política".

Para Miguel Carvalho, "há uma zona de sombras" sobre a rede bombista de extrema-direita, cujas acções continuaram mesmo depois de terminado o Verão Quente de 1975.

O jornalista é peremptório: "A data que frequentemente nos dizem que é a da pacificação e da normalidade democrática, o 25 de Novembro de 1975, não o é de todo." Os atentados bombistas mais violentos e mortais ocorrem precisamente em 1976. "Os meses de Abril e Maio são os mais sanguinários: é assassinado o padre Max, a embaixada de Cuba em Lisboa vai pelos ares, matando dois funcionários diplomáticos, um jovem morre na sequência do rebentamento de um carro armadilhado junto à sede do PCP na Avenida da Liberdade, em Lisboa, uma bomba explode numa residência em São Martinho do Campo, Santo Tirso, matando Rosinda Teixeira, a mulher de um trabalhador fabril", descreve.

Em São Martinho do Campo (Santo Tirso), a 21 de Maio de 1976, Rosinda Teixeira morreu na sequência de uma bomba colocada na sua casa por Ramiro Moreira. O marido tinha simpatias de esquerda.

"Ninguém explica como é que o 25 de Novembro é a data da pacificação e os atentados continuam", salienta, lembrando a resposta dada por Ramiro Moreira, na confissão que fez na PJ quando foi detido em Agosto de 1976, de que "o que interessava era haver confusão para que os grandes negócios de armas, de droga, e de divisas continuassem. O que interessava era ter a polícia ocupada com as bombas para eles andarem nos seus negócios." De Coimbra para cima, os operacionais sentiam-se protegidos a nível policial, militar e político, sustenta.

As costas largas dos comunistas
E que papel teve o PCP? O PCP não se meteu em atentados, mas admitiu ter colaborado em assaltos a sedes de outros partidos. "O PCP cometeu muitos erros, excessos, como a extrema-esquerda, mas teve as costas largas para muita coisa naquele período. Para o cidadão comum, na altura, tudo era culpa do PCP", diz Miguel Carvalho, dando o exemplo do cerco ao congresso do CDS no Porto, em Janeiro de 1975. "O próprio Freitas do Amaral atribui, nas suas memórias, responsabilidades ao PCP quando está mais do que provado que não as teve, tendo em conta declarações de dirigentes de outras formações de extrema-esquerda que se vangloriam de ter organizado o cerco àquele congresso", remata.

Também para o outro extremo as costas dos comunistas foram largas. "Há documentos da PJ e da PJ Militar que demonstram que as próprias organizações e operacionais ligados à rede bombista incendiavam sedes de direita para justificar os ataques que faziam à esquerda", afirma Miguel Carvalho. A Ramiro Moreira, exemplifica, "foi pedido que pusesse bombas em igrejas e chegou a ser planeada uma operação no Santuário de Fátima, mas ele recusou".

Num país em risco de guerra civil, cruzou-se a tragédia e a comédia. "Houve coisas 'fellinianas'", lembra o autor, remetendo para a história dos Corrécios, um gangue de Braga que também fez serviços políticos, cujo líder "entrava a cavalo em cafés da cidade e mandava sair os comunistas". Para o jornalista, "havia amadorismo, mas também uma noção clara do quanto estavam protegidos". Os operacionais da rede bombista "andavam tão à vontade que contavam nos cafés as histórias do que faziam. Estavam no território deles e sentiam-se impunes". Como sublinha, os seus "feitos" tinham o apoio dos militares do Norte, eram bem vistos pelos senhores da terra, pelas paróquias e igrejas e pelo cidadão comum mais conservador.

Quatro décadas depois dos acontecimentos que puseram o país a ferro e fogo, Miguel Carvalho reconhece que "as pessoas que controlavam a rede bombista, apesar de algum amadorismo, conheceram melhor o país". Na altura, "a esquerda achava que umas simples excursões de militares do Movimento das Forças Armadas (MFA) ao Norte, nas campanhas de dinamização cultural, seriam suficientes para que o povo esquecesse 48 anos de ditadura e se entregasse a um país prometido", frisa. "Não foi assim, como se viu: quando chegavam, o trabalho mediático já tinha sido feito, com grande apoio da Igreja", acrescenta. Para o jornalista, "as forças mais à direita revelaram um conhecimento maior do povo e souberam aproveitar melhor os ressabiamentos e as frustrações".

Condenados e absolvidos
Ramalho Eanes é eleito Presidente da República a 27 de Junho de 1976. O país quer serenar. Os primeiros operacionais da rede bombista são detidos a 6 de Agosto e denunciam nomes. Depois de avanços, recuos e reviravoltas, o julgamento da rede bombista acaba em 1982. Miguel Carvalho não tem dúvidas de que os operacionais ou eram mercenários ou idiotas úteis, como Ramiro Moreira admitiu ter sido. "O julgamento acaba sem que alguma vez se tenham sentado no banco dos réus alguns dos principais financiadores. Outros sentaram-se, mas foram absolvidos ou fugiram."

Ramiro Moreira é nessa altura condenado a 20 anos de prisão, mas foge para Espanha sem ouvir a sentença. Chega a ser admitido nos quadros da estatal Petrogal no país vizinho e entra e sai de Portugal quando quer, até para ver jogos do Benfica.

Miguel Carvalho questiona os motivos por que o julgamento foi feito num tribunal militar. "Se tivessem sido julgados nas instâncias civis, a história era outra, e a democracia tinha amadurecido com uma consciência mais profunda dos seus heróis e vilões", considera. Nas instâncias militares "permitiu-se que muita gente escapasse e que o julgamento tivesse sido uma farsa, que protegeu quem de facto manobrou nos bastidores e acabou por condenar apenas a plebe".

"Não é possível acreditar numa parte da sentença que diz que meia dúzia de operacionais se encontravam à mesa e decidiram os quase 600 atentados ou acções violentas que este país teve em dois anos de uma forma amadora", sustenta.

Para Miguel Carvalho, foi o trabalho "nunca reconhecido" da PJ, que investigou a rede bombista, que permitiu a detenção dos seus principais elementos. "Serviu para conhecermos pelo menos uma pequena parte do que foi aquele período", sublinha, lembrando que ainda há muito por desvendar. É o caso do assassinato do industrial Joaquim Ferreira Torres, um dos financiadores da rede, em 1979, quando ameaçou revelar o que ainda não se sabia dos meandros do MDLP caso tentassem pô-lo novamente em Caxias.

O jornalista lamenta que as vítimas do bombismo tenham sido esquecidas, que as famílias nunca tenham sido ressarcidas. Com recurso a documentos e testemunhos inéditos de alguns dos principais intervenientes da História que se fazia há 40 anos, Miguel Carvalho não tem dúvidas do muito que há ainda por descobrir sobre aqueles que quiseram fazer em Portugal política à lei da bomba.

'COVID is a warning that much worse lies in store': Alarm raised ahead of biggest climate report since 2013

Following a spate of deadly wildfires, floods and famine, IPCC researchers begin finalising the most comprehensive assessment of global warming of its kind since 2013.



The COVID-19 pandemic is "a warning from the planet that much worse lies in store unless we change our ways", a leading UN environment figure has said, ahead of the publication of the biggest climate report in almost a decade.

"While the climate crisis, together with biodiversity loss and pollution, has indeed been under way for decades, the COVID-19 pandemic has brought this triple planetary crisis into sharp focus," Joyce Msuya, assistant secretary general of the United Nations and deputy executive director of the UN Environment Programme (UNEP) said today.

"The pandemic is a warning from the planet that much worse lies in store unless we change our ways."

Ms Msuya was speaking to mark the finalisation of the most comprehensive assessment of global warming of its kind since 2013.

The Intergovernmental Panel on Climate Change's (IPCC) Working Group I has compiled its latest update on the science behind climate change, assessing the impacts of global warming and warning of future threats.

Its researchers will now spend the next two weeks talking representatives of 195 governments through their findings, before the report is published on 9 August.

The need for such a wide-reaching study has been thrown into sharp focus by a spate of climate change-linked environmental disasters suffered the world over, from flooding in Europe to famine in Madagascar. Siberia burned while swathes of the US and Brazil suffered record heat and drought.

It will set the scene for the all-important COP26, crucial climate negotiations taking place just three months later in Glasgow. The aim of the talks is to get governments to agree on how to limit emissions and limit global warming ideally to 1.5C above pre-industrial levels.


Ms Msuya added: "After years of promises but not enough action, it is a warning that we must get on top of this crisis that threatens our collective future.

"As I speak it is clear that extreme weather is the new normal. From Germany to China to Canada or the United States, wildfires, floods, extreme heatwaves. It is an ever-growing tragic list.

"And as countries invest unprecedented amounts of resources into kickstarting the global economy, as we all call for this recovery to be green, we need the IPCC more than ever."

Hot topics in the report could be humanity's impact on the climate, feedback loops and the impacts of climate change already happening, the role of forests and oceans as carbon sinks or potential carbon sources.

What is the IPCC?

For more than three decades the UN's climate science body, the IPCC, has provided politicians with assessments on the global climate, publishing a series of reports every seven years, as well as special interim reports.

IPCC reports have historically underpinned global climate action and influenced decisions to reduce greenhouse gas emissions.

Its 2013 assessment that humans had been the "dominant cause" of global warming since the 1950s set the stage for the landmark climate accord known as the Paris Agreement in 2015.

In 2018, the IPCC released a special report on keeping global temperature rise under 1.5C, which changed public discourse on climate.

The global atmosphere is already 1.2C warmer than the preindustrial average.

A further two reports in this assessment cycle are on track to be published next year.

Working Group II, slated for February, will calculate the vulnerability of humans and nature to the climate crisis and subsequent adaption. Working Group III, to follow in March, will assess ways of keeping to global temperature targets, including options on renewable energy or carbon capture and storage.

Fonte: NewSky

Resposta do filho de Otelo Saraiva de Carvalho aos vilipendiadores e difamadores do seu pai

Já todos sabem: morreu às 4:11 de hoje o meu querido Pai. Morreu o Óscar do 25 de Abril, morreu o Otelo Saraiva de Carvalho.
Um Grande Homem, um Herói e... uma das vítimas da Revolução.
Todos o conhecemos de uma forma ou de outra.
Eu andava há uns 15 anos a ver se o convencia a avançar com um projeto sobre o pós 25 de Abril, algo tão bem feito quanto foi a sua obra "Alvorada em Abril". Durante 15 anos essa foi a prenda de anos e de Natal que lhe pedi. Porque, daquela forma arrebatada e pormenorizada que conhecem, ele me contava e aos netos histórias que eu nunca ouvi de ninguém: Como a 25 de Novembro recolheu a casa e evitou uma guerra civil; como teve então tropas à disposição para ir para a rua e mandou-os para casa, como sequentemente nunca quis cargos nem honrarias que lhe foram atribuídos pelo Costa Gomes, Mário Soares, etc.
Esta 5ª feira falávamos sobre o processo das FP-25 e ele dizia-me "os meus Camaradas nunca acreditariam que eu alguma vez estivesse envolvido nisso! Então eu que dei instruções claras no Plano do 25 de Abril para que nunca nos virássemos contra outras unidades militares, que não fosse disparado um tiro! Eu que no 25 de Novembro evitei a guerra civil!".
Perguntei-lhe: "Lembras-te de que eu próprio tive de te perguntar, olhos nos olhos, de Pai para filho, se tinhas tido algum envolvimento? Com tudo o que se dizia nos jornais e TVs, a dúvida instalou-se em mim, teu filho... E que até me respondeste algo zangado que NUNCA, até parecia que não o conhecia!",
E depois perguntei "E alguma vez perguntaste diretamente aos teus Camaradas de armas, os outros capitães e majores do 25A? Perguntei-lhe ainda, e ao Eanes, perguntaste? Ele respondeu-me, "Eles sabem! Eles conhecem-me; o Eanes foi minha testemunha abonatória no processo..." - Mas respondi-lhe que "uma coisa é ser testemunha abonatória, outra é ter a certeza". E isso só temos olhando nos olhos de quem gostamos, com quem privámos e perguntando. Nos tribunais exerce-se o Direito, não a Justiça.
A coragem, abnegação e serviço à Pátria do meu Pai merecia muito mais de Portugal, muito mais reconhecimento.
O nome e a figura dele foram usados e abusados, e ele não se defendeu, porque acreditava sempre na generosidade dos próximos. Cobardes usaram-no, até para ganharem amnistia, e nunca vieram publicamente estabelecer a verdade. A amargura só o atingiu nos últimos anos... A revolução devora os seus filhos.
Fico profundamente triste por não se ter feito o livro "O Verão Quente do Óscar". Seria um testemunho único, essencial e necessário para a história recente do nosso País, agora que se aproximam os 50 anos da comemoração do 25 de Abril. A equipa estava pronta, faltou arrancar...
E sei que uma das principais causas de morte do meu querido Pai foi a tristeza e amargura; pelas narrativas inverdadeiras que se criaram sobre ele, e pelo falecimento da sua mulher Dina no passado Dezembro, companheira de vida que com ele fez as 3 comissões em África, e que o amou total e devotamente mais de 50 anos. Foi a maior ferida, a fatal.
Para mim, será sempre o meu muito Querido e inesquecível Pai. Disse-lhe isso ontem ao ouvido.
Precisava de o ter tido mais comigo na minha juventude, Portugal tirou-mo.
Lembrem-se do verdadeiro Otelo, não daquele que os media criaram. Ele merece, vocês sabem que sim!
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PS: O jovem oficial Otelo, reconhecido e amado por todos os seus soldados, nunca usou balas nas suas armas durante as três comissões em África.
O major comandante revolucionário Óscar exigiu que não houvesse tiros no 25 de Abril, revolução exemplar para todo o Mundo.
O general Otelo que tinha a maioria do poder militar em Portugal retirou-se e foi para casa em 25 de Novembro, e evitou uma guerra civil.
Nas suas palavras: “A minha responsabilidade nos atentados terroristas das FP25 é zero!”
“Nunca mandei matar ninguém. Tenho horror a qualquer assassínio. Liquidar um ente humano é para mim extremamente doloroso, não concebo que alguém o consiga fazer. E no entanto tenho este rótulo que me é dado, sobretudo pela gente de direita"
Ao contrário do que se diz, O julgamento das FP-25 terminou no dia 7 de abril de 2001, no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa. Otelo foi absolvido no processo pelo colectivo de juízes da 3ª Vara Criminal da Boa Hora.
Talvez um dia os cobardes que se aproveitaram dele e da sua imagem para serem amnistiados sejam “homenzinhos” e digam a verdade. Que tirem o capuz.

Ministros do G20 não conseguem avançar com compromisso climático em declaração sobre meio ambiente

Os ministros do meio ambiente e de energia do G20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, não conseguiram se entender em torno de novos compromissos e metas para ação climática, o que joga mais pressão sobre a cúpula de chefes de governo que acontecerá no mês de outubro na Itália. A declaração final dos ministros foi apresentada ontem (22/7) pela presidência italiana do G20: o texto é genérico no que diz respeito a eventuais promessas de financiamento climático para países pobres e cortes mais ambiciosos de emissões de carbono para as próximas décadas.

De acordo com a Reuters, o documento cita pontos como segurança alimentar, uso sustentável da água, lixo marinho, finanças sustentáveis e educação sobre clima, mas sem detalhar ações ou objetivos. O texto desagradou a ambientalistas e ativistas climáticos, que passaram os últimos dias na frente do Palácio Real de Nápoles, onde acontece o encontro dos ministros, pressionando o G20 por mais ambição contra a mudança do clima. Brasil, Arábia Saudita e Indonésia estariam entre os países resistentes a termos mais ambiciosos na declaração do grupo.

Negociadores, analistas e ambientalistas apontam a cúpula do G20 em outubro como a última ocasião internacional para que as economias desenvolvidas e emergentes apresentem novos compromissos de financiamento climático para os países pobres antes da COP26. Para eles, um eventual fracasso desse esforço pode colocar em risco o sucesso da Conferência de Glasgow e ameaçar a implementação do Acordo de Paris.

BloombergFinancial TimesForeign PolicyIndependent e Reuters repercutiram a notícia.

Em tempo: Enquanto os países do G20 batem cabeça para definir novos compromissos climáticos, um levantamento da BloombergNEF e Bloomberg Philanthropies mostrou que esses governos forneceram mais de US$ 3,3 trilhões em subsídios para combustíveis fósseis desde a assinatura do Acordo de Paris, em 2015. No geral, os subsídios recuaram nos últimos seis anos na maior parte dos países, mas ainda em patamares acima do aceitável em um contexto de crise climática. Países como Austrália, Canadá e EUA seguiram na contramão e aumentaram o volume de dinheiro gasto com a indústria fóssil no período. Bloomberg e Guardian deram mais detalhes.

Otelo Saraiva de Carvalho


«A notícia da morte do Otelo Saraiva de Carvalho magoou-me e surpreendeu-me. Magoou-me, por se tratar de mais um amigo que parte. Surpreendeu-me, porque estive, recentemente, com o Otelo, no funeral da sua mulher, e achei-o, naturalmente, abatido, mas, aparentemente, com vigor e saúde. Conheci o Otelo na Guiné, onde o substituí na Direcção da Secção de Radiodifusão e Imprensa do Comando-Chefe. Tornámo-nos amigos. Foi, aliás, essa amizade que me levou a testemunhar em seu favor no julgamento a que foi submetido, apesar de muitos reparos e apelos para que o não fizesse. O Otelo era um homem bom, generoso, embora, por vezes, pouco prudente, pouco realista – contraditório, mesmo. Adorava representar, até na vida real, esquecendo que a representação exige um espaço delimitado, em que tudo o que aí é normal não o é na vida real. Para mim, e apesar de todas as contradições, o Otelo tem direito a um lugar de proeminência histórica. E tem esse direito, apesar da autoria de desvios políticos perversos, de nefastas consequências, porque foi ele quem liderou a preparação operacional do 25 de Abril, a mobilização dos jovens capitães, o comando da operação militar bem-sucedida. E penso assim porque entendo que um Homem é uma unidade e continuidade, uma totalidade complexa, e que só é bem julgado quando considerando, historicamente, esse quadro e o seu contexto. Mas há homens que, num momento histórico especial, se ultrapassam, ganhando dimensão nacional, indiscutível, porque souberam perceber e explorar uma oportunidade histórica única, e sentir os anseios mais profundos do seu povo. Otelo é uma dessas personalidades. A ele a pátria deve a liberdade e a democracia. E esta é dívida que nada, nem ninguém, tem o direito de recusar.»
António Ramalho Eanes

Entrevista a Sylvia Earle - “Somos exímios a destruir o mundo natural. E pomo-nos a nós em risco”

Aos 85 anos, a “Joana D’Arc dos oceanos” — como a apelidou o explorador e cineasta James Cameron — continua incansável na sua defesa dos oceanos. Sylvia Earle esteve em Portugal para participar na Glex Summit, que decorreu entre Lisboa e os Açores ao longo dos últimos seis dias. O Expresso falou com a oceanógrafa, este sábado, num dos seus espaços favoritos de Lisboa — o Oceanário. No dia anterior tinha estado a mergulhar ao largo do Faial. Há mais de cinco décadas que a aclamada bióloga e oceanógrafa se dedica à defesa dos mares e das suas criaturas, lembrando sempre que “sem oceanos não há vida”. Conta com mais de sete mil horas passadas debaixo de água a explorar as profundezas marinhas e a interagir com as seres que nelas vivem. O jornal “New York Times”, deu-lhe o " petit nom" de “Sua Profundeza”.



Quando foi a última vez que mergulhou no oceano?
Ontem, nos Açores. Foi excitante observar aquelas pequenas criaturas debaixo de água. É tão pacífico. À superfície pudemos ver sete cachalotes magníficos. Terá havido um tempo em que sabiam que deviam temer os humanos. Agora, isso já não acontece, pelo menos nos Açores e noutras partes do mundo onde já não são caçadas. É um milagre quando mostramos empatia e nos colocamos no lugar do outro. A regra de ouro é tratar o outro como gostaríamos de ser tratados.
Como foi esta viagem aos Açores?
Foi uma grande alegria poder estar novamente nos Açores, no meio do Atlântico, por onde cruzam baleias, atuns e outras criaturas dos mares. è um lugar de grande riqueza marinha e que só agora, no início do século XXI, começamos a conhecer verdadeiramente. Mas ainda temos muito por descobrir.
"Desde que eu era criança, já desapareceram 90% dos grandes peixes."
Conhecemos mais sobre Marte ou a Lua do que sobre as profundezas dos oceanos?
Um amigo cientista disse-me que só se conhece uma em cada dez espécies das florestas tropicais. No oceano esse número sobe para um em 100 ou um em mil. Temos muito a descobrir sobre as pequenas e grandes criaturas do mar profundo. E isso é excitante. Ao longo da minha vida, apercebi-me da magnitude da nossa ignorância. Essa ignorância deve levar-nos a ter muito cuidado em relação ao que destruímos. Somos exímios a destruir o mundo natural. Mas ao fazê-lo pomo-nos a nós em risco. Temos o poder de eliminar ecossistemas inteiros. No último meio século, exterminámos florestas e biodiversidade em terra e no mar. Desde que eu era criança, já desapareceram 90% dos grandes peixes.
Começou a explorar os mares nos anos 50 do século XX. Quando olha para os últimos 70 anos de ação humana, o que sente?
Sinto-me muito triste. Não só pelo que afeta o oceano, mas também em relação à minha espécie. Pela primeira vez podemos olhar para todo o mundo e para o nosso lugar nele de uma forma que mais nenhuma criatura pode fazer. As baleias são muito espertas, os golfinhos são incrivelmente inteligentes, as aves têm um grande conhecimento e também conheço uns quantos peixes e polvos bem espertos. Mas não conseguem saber o que as crianças humanas hoje já sabem.
Se esses seres marinhos pudessem votar, as coisas seriam diferentes?
Já estaríamos fora daqui (risos). Nós somos destruidores e temos uma longa história de tirar, tirar, tirar. Podíamos pensar que estamos na era mais próspera da nossa história, e não nos apercebemos que nos colocamos em risco. Precisamos das árvores, da natureza, das baleias, dos atuns. E eles precisam de nós para cuidarmos do mundo natural e restaurar o que destruímos. Adorava testemunhar o mundo de há mil anos, antes de termos começado a exterminar a vida na terra.
James Cameron vê-a como a Joana d'Arc dos oceanos. Vê-se neste papel?
(risos) Não me vejo neste ou naquele papel. Apenas tive o privilégio de ver coisas que outros não viram e de testemunhar e partilhar o que vi. Imagine se os astronautas não partilhassem o que veem? Falei com a Cathy Sullivan, depois dela ter dado os seus passos no espaço, há muitos anos, e perguntei-lhe como foi. E ela apenas disse: “Foi mesmo fantástico!” E partilhou imagens do que viu. O James Cameron também foi às profundezas do oceano e mostrou-nos imagens maravilhosas do que lá viu.
O secretário geral da ONU, António Guterres, tem alertado para pararmos com a guerra contra a natureza, mas parece que os líderes mundiais continuam a não ouvir.
Não é porque não saibam. Há o conhecimento e há provas científicas de que estamos em guerra com a natureza, como diz o secretário-geral da ONU. E esta guerra contra a natureza vai contra o nosso sistema de suporte de vida. Os astronautas fazem tudo o que podem para se manter vivos no espaço, cuidam do sistema de oxigénio que os suporta, mantêm a temperatura adequado. E também há muito que nos enviaram a mensagem de que o imenso Universo que nos rodeia não é amistoso. Não é uma alternativa para os quase oito mil milhões de pessoas que vivem neste planeta. A Terra é a nossa casa. E temos de cuidar dela e não o temos feito.
E porquê?
Porque olhamos para a natureza como uma fonte de recursos, de produtos. Mas acho que estamos a começar a ver as coisas de forma diferente. Sem oceanos não temos vida em terra.
A sua organização Mission Blue tem-se dedicado, em parceria com outras organizações, nomeadamente com a Fundação Oceano Azul, à criação de áreas marinhas protegidas — a que chama “Hope Spots”. Fale-nos desse projeto.
A ideia surgiu em 2009, quando ganhei um prémio TED que permitiu juntar meios para abraçar o oceano e criar espaços de esperança com tamanho suficiente para salvar e restaurar o coração azul do planeta. Nessa altura, apenas 1% da área dos oceanos era protegida. É uma ilusão pensar que os peixes e outras espécies marinhas nunca vão acabar. Já desapareceram 90% dos peixes! As alterações climáticas estão aí e assistimos à acidificação e desoxigenação dos oceanos. Temos de reforçar a proteção dos oceanos! Com o projeto “Hope Spots”, a ideia é trabalhar com os Governos, com organizações não governamentais, empresas e fundações para criar áreas marinhas protegidas, que sirvam de locais de descanso e de esperança para os animais marinhos, a salvo da predação humana. Mas é preciso trabalharmos em conjunto. Nenhuma organização isolada consegue fazer a diferença necessária. Daí projetos como os do Pristine Seas, da National Geographic [que também participou no programa Blue Azores, organizado pela Waitt Foundation e pela Fundação Oceano Azul] .

Há anos que passa a mensagem de que “sem os oceanos não temos vida em terra”. Mas a humanidade não mudou muito o seu comportamento no último meio século.
Está a começar a mudar. E, pela primeira vez, vejo verdadeiras razões para ter esperança. Temos de transformar o nosso coração e criar empatia pelas outras formas de vida, seja a dos animais que temos andado a destruir, seja a de outros seres humanos.

Acha possível atingir o objetivo de proteger 30% dos nossos mares até 2030, como defende a ONU e a Estratégia Europeia para a Biodiversidade?
Acredito que é possível proteger 30% dos oceanos, porque temos o conhecimento para tal. Sabemos que temos de dar outro valor à natureza, que temos de cuidar do nosso sistema de suporte de vida. É aos oceanos que vamos buscar o oxigénio de que precisamos para respirar. São os oceanos que nos permitem controlar as temperaturas e a química planetária. É a diversidade de vida em terra e no mar que torna o planeta habitável. E quanto mais a destruirmos, mais pomos em risco a nossa própria vida. Sabemos de tudo isto e não há desculpas. Estamos no século XXI, precisamos de outras políticas, de outras atitudes e de leis que impeçam que se continue a matar grandes quantidades de vida selvagem. Se continuarmos a agir como temos agido, isso vai-nos assombrar.
Uma baleia vale mais viva do que morta. Isso é claro nos Açores, em que a observação turística ou científica de baleias há anos revela ser mais rentável do que a sua pesca, mas também para as alterações climáticas.
Na cimeira de Davos, antes da pandemia varrer o mundo, fizeram um cálculo sobre o valor das baleias vivas, pela capacidade de armazenarem carbono a pensar nas alterações climáticas e estimam que possa representar um trilião de dólares em sequestro de carbono que permite manter o clima mais estável. E se funciona com as baleias também funciona com os atuns, as lulas ou outros seres marinhos. São todos capazes de sequestrar carbono no oceano e quando os matamos estamos a libertar carbono para a atmosfera.
Que expectativas tem face ao futuro?
Espero que as crianças cresçam e mudem as coisas. O ano de 2020 revelou-nos que quando a nossa vida está em risco, mudamos comportamentos. Se nos dissessem em 2019 que não poderíamos viajar durante um ano, que teríamos de usar sempre máscara e de nos afastarmos dos nossos amigos, as pessoas diriam que era uma loucura. Mas fizemo-lo e vimos que está a funcionar. Por vezes, basta parar de fazer o que andamos a fazer e portar-mo-nos bem durante algum tempo. A natureza celebra quando entramos em confinamento. E precisamos de criar empatia com o mundo vivo.
É a voz da campanha “Rise Up”, subscrita por centenas de organizações, que pretende reforçar a necessidade de medidas como a suspensão de novas explorações de hidrocarbonetos, a proibição da pesca de arrasto ou da utilização de plásticos de uso único até 2025. O que pensa da mineração em mar profundo?
É mesmo uma má ideia. Temos de impedir que se consumam recursos que estão ainda intactos. Temos de nos afastar dos combustíveis fósseis e deixar onde estão todos os depósitos de minerais no fundo do mar. Estamos na era dos smartphones, dos tablets e dos computadores que precisam de materiais para as suas baterias e ecrãs. Mas podemos reutilizar mais e reciclar o lítio, o cobalto, o níquel e outros materiais que já capturamos em terra, em vez de continuarmos a explorar recursos que estão intactos. A terra é a nossa casa e temos de nos erguer para defendê-la. Não há tempo a perder.

domingo, 25 de julho de 2021

Os loteadores de futuro


Por Viriato Soromenho – Marques

Uma das características da encarniçada globalização neoliberal que continua a preponderar no mundo, é a progressiva submissão dos governos à lógica dos mercados. No caso português, a entrada na Comunidade Europeia, e depois na Zona Euro, transformou a política numa atividade mecânica, despida da responsabilidade pela liberdade e pelo risco que sempre acompanham as decisões tomadas com sentido estratégico. A política que prevalece, reduz-se a seguir o livro de instruções que nos é ditado por quem manda, por mais absurdas que sejam as regras e as ordens daí decorrentes.

Ao longo das últimas décadas, o Estado foi-se despindo das instituições destinadas a sondar caminhos de futuro. O pensamento estratégico tem sido substituído pela lógica do curto prazo. O tacticismo, muitas vezes difícil de separar do mero oportunismo, tem retirado às políticas públicas o horizonte de caminhos alternativos. Portugal entregou-se, de corpo e alma, a um projeto de integração europeia, pejado de problemas estruturais e de erros de software, perante os quais o país tem mantido uma atitude obediente e passiva.

Falta dramaticamente a Portugal a urgência de um plano B. Falta a lucidez que nos deveria mobilizar para pensar os cenários da segurança nacional, em sentido amplo e não estritamente militar, no caso de um muito provável agravar da situação europeia e internacional. Um dos mais agudos sinais dessa cegueira perante a necessidade de preparar o país para sobreviver num eventual cenário futuro marcado pelo declínio de instituições e soluções políticas multilaterais, consiste no modo como a política de ordenamento do território e conservação da natureza se tem degradado sem, aparentemente, existir nenhuma perspectiva de retorno.

Ainda no início deste mês de Julho foi aprovado um projeto hoteleiro para o Cabo Espichel. Trata-se de um empreendimento situado numa propriedade com 153 hectares, incluída na Zona Especial de Conservação (ZEC) Arrábida-Espichel e na vizinhança do Parque Natural da Arrábida. Estão previstos 58 unidades de alojamento, um total de 88 quartos e respetivas estruturas de apoio. Os impactos negativos deste projeto, situado em área da Rede Natura 2000, não podem ser separados da relação amplificadora com outros dois grandes projetos situados na Aldeia do Meco que, no conjunto, apontam para a construção de mais 1528 quartos.

Se pensarmos em grandes estruturas, como o previsto aeroporto do Montijo, a instalar na zona da Reserva Natural do Estuário do Tejo, ou em todos os empreendimentos de agricultura intensiva que têm sido aprovados em áreas integrando a Rede Nacional de Áreas Protegidas, percebemos que este desnorte na “gestão” das unidades de conservação da Natureza não constitui uma exceção, mas sim um padrão que veio para ficar. O que está em causa é uma grave corrupção do objetivo fundamental das políticas públicas de proteção ecológica. Em vez das áreas protegidas serem consideradas como bastiões intocáveis do capital natural de que o país necessita para garantir o seu futuro, as áreas protegidas têm sido consideradas pelo governo, com o assentimento do Ministério do Ambiente, como uma espécie de “banco de terras” a lotear pela melhor oferta.

A ultrapassagem da legislação em vigor tem ao seu serviço uma indústria de avaliação de impacto ambiental que funciona como um dócil instrumento dos donos de obra. Considerar o território (terrestre e marítimo) como mera mercadoria que pode ser delapidada – ignorando o facto de que esse território será a última barreira da sobrevivência nacional no quadro do inevitável agravamento da crise ambiental e climática – é um sinal do imenso declínio da ideia de Estado e de bem público na prática e na cultura políticas do Portugal contemporâneo.

De Como Saramago Não Precisou De Um Pseudónimo

“Contei noutro lugar como e porquê me chamo Saramago. Que esse Saramago não era um apelido do lado paterno, mas sim a alcunha por que a família era conhecida na aldeia. Que indo o meu pai a declarar no Registo Civil da Golegã o nascimento do seu segundo filho, sucedeu que o funcionário (chamava-se ele Silvino) estava bêbado (por despeito, disso o acusaria sempre meu pai), e que, sob os efeitos do álcool e sem que ninguém se tivesse apercebido da onomástica fraude, decidiu, por sua conta e risco, acrescentar Saramago ao lacónico José de Sousa que meu pai pretendia que eu fosse. E que, desta maneira, finalmente, graças a uma intervenção por todas as mostras divina, refiro-me, claro está, a Baco, deus do vinho e daqueles que se excedem a bebê-lo, não precisei de inventar um pseudónimo para, futuro havendo, assinar os meus livros. Sorte, grande sorte minha, foi não ter nascido em qualquer das famílias da Azinhaga que, naquele tempo e por muitos anos mais, tiveram de arrastar as obscenas alcunhas de Pichatada, Curroto e Caralhana.
Entrei na vida marcado com este apelido de Saramago sem que a família o suspeitasse, e foi só aos sete anos, quando, para me matricular na instrução primária, foi necessário apresentar certidão de nascimento, que a verdade saiu nua do poço burocrático, com grande indignação de meu pai, a quem, desde que se tinha mudado para Lisboa, a alcunha desgostava. Mas o pior de tudo foi quando, chamando-se ele unicamente José de Sousa, como ver se podia nos seus papéis, a Lei, severa, desconfiada, quis saber por que bulas tinha ele então um filho cujo nome completo era José de Sousa Saramago. Assim intimado, e para que tudo ficasse no próprio, no são e no honesto, meu pai não teve outro remédio que proceder a uma nova inscrição do seu nome, passando a chamar-se, ele também, José de Sousa Saramago. Suponho que deverá ter sido este o único caso, na história da humanidade, em que foi o filho a dar o nome ao pai. Não nos serviu de muito, nem a nós nem a ela, porque meu pai, firme nas suas antipatias, sempre quis e conseguiu que o tratassem unicamente por Sousa.”

ANEM disponibiliza “Guia Prático de Educação para a Sexualidade” de forma gratuita

Embora a Educação Sexual seja de carácter obrigatório em Portugal, grande parte das escolas não está a cumprir na totalidade nem há programa oficial para a disciplina.

O “Guia Prático de Educação para a Sexualidade” que a ANEM (Associação Nacional de Estudantes de Medicina) disponibilizou, em 2021, de forma gratuita, e revisto pela “Associação para o Planeamento da Família”, começa por explicar que “em Portugal, a educação sexual é implementada ao longo de todo o currículo escolar, apesar de não existir nenhum programa oficial. Desta forma, é baseada em guidelines que propõem uma abordagem holística, podendo ser aplicadas em qualquer ano escolar por professores, profissionais de saúde e ONGs como a Associação Portuguesa para o Planeamento da Família (APF). Apesar de tudo, na prática, a inclusão destes conteúdos nas escolas mostra-se irregular, parcialmente devido à falta de um programa oficial”, avisa o guia.

Complementa que, embora, esteja estabelecido que o ensino da Educação para a Sexualidade seja obrigatório e previsto por lei, há, ainda, grandes insuficiências e as escolas não estão a cumprir na totalidade. O manual explica, assim, que, “em 2009, foi aprovada a lei nº 60/2009 que estabelece o regime de aplicação da educação sexual em meio escolar, do 1º ao 12º ano de escolaridade. Assim, define que a educação sexual em meio escolar tem caráter obrigatório e destina-se a todos os alunos que frequentam estabelecimentos de ensino básico e secundário da rede pública ou privada, do território nacional. Contudo, em 2019, ou seja, 10 anos após a aprovação da lei, um relatório realizado pelo Ministério da Educação mostrou que grande parte das escolas não a está a cumprir na totalidade.”

Tendo em conta esta mesma realidade sem esquecer que, no ensino, a componente sexual humana assume, acima de tudo, uma componente biológica — a fisiologia da reprodução humana — colocando a dinâmica das relações em segundo plano, o guia que a ANEM disponibiliza assume um carácter inclusivo que vai do planeamento familiar, doenças sexualmente transmissíveis e métodos contraceptivos, até à violência do namoro e às questões de identidade de género e LGBTQIA+.   

Deste modo, o guia da ANEM alerta para uma “Educação para a Sexualidade Compreensiva” e explana os seus principais benefícios: “Compreensão dos direitos humanos, diversidade e igualdade de género, levando a uma mudança de atitudes, com a marcada diminuição do preconceito e da violência baseada no género; aumento do autoconhecimento, da capacidade de tomada de decisões e da capacidade de comunicação, resultando no aumento da autoconfiança e assertividade nas pessoas jovens; impacto positivo no sistema de ensino devido à redução dos níveis de violência e assédio nas escolas; prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST),incentivando a hábitos saudáveis de práticas sexuais; redução de gravidezes não planeadas, visto que há um aumento do conhecimento e uso dos diversos métodos de contracepção na juventude sexualmente ativa.”

Deixa, ainda, o alerta: “Desta forma, considera-se extremamente importante a educação sexual de uma pessoa desde a sua infância, pois irá afetar não só a sua visão acerca de si, como também das outras pessoas e dos diferentes contextos socioculturais, o que terá efeito nos comportamentos ao longo da vida.” O manual pode ser descarregado aqui

Carlos Fiolhais: «A cultura científica é condição de cidadania nas sociedades modernas»


Carlos Fiolhais é uma figura incontornável da cultura portuguesa contemporânea, detentor de uma inteligente curiosidade insaciável e apaixonada pelo conhecimento. A propósito da sua última lição na Universidade de Coimbra, que tem lugar na tarde desta segunda-feira, 12 de Julho, aqui fica uma entrevista que percorre brevemente a sua vida e os seus principais interesses.

Qual a recordação mais antiga que tem de si mesmo?

Carlos Fiolhais (CF) – É muito difícil responder, pois não me foco muito no passado.
Mas lembro-me de morar na Ajuda, em Lisboa, e de andar a brincar nos Jardim da Praça do Império frente aos Jerónimos e a correr na Rosa dos Ventos, junto ao Padrão dos Descobrimentos.
Eu era muito novo no Restelo, espero nunca me tornar um “velho do Restelo”.
Vim para Coimbra aos 7 anos, onde já me lembro bem da escola dos Olivais e do liceu D. João III, incluindo do exame da quarta classe e da prova de admissão aos liceus.

O seu “entrelaçamento” com a ciência e com a Física ocorre quando?

CF – Fui descobrindo a ciência, em particular a Física, nos anos liceais. Não tanto através das aulas e dos professores (a quem, de resto, muito devo e sem os quais não seria quem sou), mas mais através dos livros de divulgação da ciência, na biblioteca da escola e na Biblioteca Municipal de Coimbra.
Requisitava três livros de cada vez, que era o máximo permitido, e passados poucos dias ia lá buscar mais três.
Entre eles estavam os livrinhos da coleção “Ciência para Gente Nova” de Rómulo de Carvalho, que mais tarde conheci pessoalmente e que é hoje o patrono de um centro Ciência Viva que fundei.
Tomei aí consciência que a ciência, isto é, a busca pelos seres humanos de conhecimento sobre o mundo, era uma aventura na qual também eu podia participar.
Depois de entrar na Universidade comecei, ainda que de forma modesta, a fazê-lo e tomei-lhe o gosto.

Tem um papel incomensurável na promoção da cultura científica em Portugal. É possível haver uma suficiente literacia científica na sociedade sem haver boa educação de ciências nas escolas? Qual o papel dos comunicadores de ciência neste desafio?

CF – Tenho participado na medida em que sei e posso, em larga medida com outros colegas, em processos, bastante variados, de comunicação da ciência para toda a gente, mostrando que ela faz parte da cultura humana.
A cultura científica pode começar na escola, mas não acaba aí.
O ensino formal é um meio indispensável, mas o ensino informal, que se faz todos os dias através da imprensa, da rádio, da televisão, da Internet, dos museus, dos jardins e parque naturais, dos sítios geológicos, da observação dos céus, etc., é um complemento essencial.
Na escola, a ciência pode ser mais forte, designadamente começando mais cedo.
E, na vida, temos de estar mais atentos à ciência que está por todo o lado.
Os comunicadores de ciência, as pessoas que sabem e gostam de transmitir ciência, são mediadores imprescindíveis entre a ciência e os cidadãos. O seu papel entre nós pode e deve ser maior.
Oxalá se criem as condições para isso

Qual o papel da cultura científica e tecnológica na democracia portuguesa?

CF – A cultura científica é condição de cidadania nas sociedades modernas. Hoje, ninguém pode estar verdadeiramente apto a participar na sociedade, sem ter uma base mínima de conhecimentos da ciência e do método que os proporciona.
Vivemos num tempo da inteligência artificial, da edição genética, da nanotecnologia, etc. em que se abrem novas possibilidades tecnológicas que interferem nas nossas vidas, levantando por isso questões éticas e legais sobre as quais todos somos chamados a participar.
Vivemos também num mundo em que há ameaças como as pandemias e as alterações climáticas cuja solução nos desafia a todos.
Além disso, e mais em geral, vivemos num mundo ameaçado por notícias falsas, no qual temos de exercer racionalidade, isto é, temos continuadamente de saber distinguir entre a verdade e a mentira.
Ora, a ciência é fonte do exercício de espírito crítico, que tão necessário é hoje para a nossa vida.

Os órgãos de comunicação social, nomeadamente a imprensa escrita, desempenham um papel fulcral para uma boa saúde democrática da sociedade. Onde “cabe” a ciência nos média?

CF – Os média, incluindo a imprensa escrita, são o “cimento” da sociedade, ao assegurarem a comunicação de notícias e opiniões. Permitem a coesão e também o diálogo democrático.
Como boa parte da nossa vida tem hoje a ver com a ciência e a tecnologia que lhe está intimamente associada – bastará referir a saúde, as comunicações, etc. -, é natural que a ciência esteja presente nos média.
Os jornais de referência, internacionais e nacionais, têm-na desde há muito nas suas páginas e, felizmente, o mesmo tem acontecido mais recentemente com os jornais regionais.

Sabemos da sua enorme paixão pela literatura, pelos livros. Se tivesse de levar só cinco livros para uma viagem interplanetária, quais levaria?

CF – É um desafio muito difícil, mas vou tentar, limitando-me apenas a livros de divulgação da coleção “Ciência Aberta”, da Gradiva, que dirijo. Poderia dar-se o caso de encontrar extraterrestres, que não soubessem tanta ciência como nós… “Cosmos”, de Carl Sagan; “A Nova Aliança”, de Ilya Prigogine e Isabelle Stengers; “Os três primeiros minutos”, de Steven Weinberg; “O que é uma lei física”, de Richard Feynman; e “Quando as Galinhas Tiverem Dentes”, de Stephen Jay Gould.
Foram livros que me marcaram e que poderiam marcar os extraterrestres…

Acaba de terminar uma etapa da sua vida, como professor universitário de Física. Publicou várias dezenas de livros. Enquanto investigador, tem um dos artigos científicos mais citados de cientistas portugueses (mais de 24 mil citações). E agora o futuro? Pode destapar-nos o véu dos seus próximos horizontes?

CF – Hoje é apenas o primeiro dia do resto da minha vida. Espero continuar a viver, tendo agora mais tempo para ler, escrever e espalhar a ciência.
Só deixei as aulas e alguma investigação, dando o lugar aos mais novos, mas esperando continuar a fazer investigação na área da História da Ciência e a aprofundar a cultura científica.
Só deixo de ser funcionário, ao fim de 44 anos de atividade ininterrupta desde os 21 anos, mas espero continuar a funcionar…