quinta-feira, 7 de abril de 2022

HBO Max vai lançar este ano um documentário sobre Rui Pinto e o 'Football Leaks'


A história de vida de Rui Pinto e da criação do 'Football Leaks' vai ter direito a um documentário na HBO Max, revela esta quinta-feira o 'Público'. De acordo com a mesma fonte, o documentário chamar-se-á 'Um Jogo de Segredos' e terá Niels Borchert Holm como diretor.

Através da página de Niels Borchert Holm no IMDb, este será "um documentário sobre o site Football Leaks, que começou a revelar negócios obscuros e ilegalidades sistemáticas na indústria do futebol em 2015, levando a investigações de grandes craques, clube e ainda do presidente da FIFA." 

A estreia de 'Um Jogo de Segredos' deverá acontecer a setembro deste ano, na Dinamarca, não tendo sido ainda revelada a data oficial de lançamento em Portugal.

Well Fed: visionamento e debate de documentário sobre OGM


Será moralmente defensável ser contra a modificação genética na agricultura? O documentário holandês ‘Well Fed’ responde a esta pergunta e esclarece muitas dúvidas que subsistem em torno dos polémicos transgénicos. Num evento online que pretendeu pôr a nu a verdade sobre os OGM, o CiB – Centro de Informação de Biotecnologia transmitiu e debateu este filme no dia 23 de abril de 2021.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

U.N. Warns Greenhouse Gas Emissions Must Peak In Next 3 Years To Avoid Most Devastating Climate Change Impacts



The United Nations called on governments Monday to drastically reduce fossil fuel emissions and ramp up investment in renewable energy in what it framed as a last-ditch plan to stave off the most extreme effects of climate change, warning that a goal of limiting temperature rise to 1.5 degrees Celsius (2.7 degrees Fahrenheit) above preindustrial levels is nearly out of reach.

KEY FACTS

The new report from scientists with the U.N.'s Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) called for "major transitions in the energy sector" away from fossil fuels, saying greenhouse gas emissions must peak no later than 2025 and must be cut by 43% by 2030 to achieve the 1.5C goal.

The report, designed as a framework for governments and businesses to enact policy changes, also called for massive new spending on renewable energy, finding investments in renewables need to increase by a “factor of three to six times” by 2030 to limit warming beyond 1.5C.

The authors of the report added they believe “there is sufficient global capital and liquidity to close investment gaps,” but doing do requires a “stronger alignment” of policy and public sector financing.

Monday’s report also said there is “significant untapped potential” in populations adopting lifestyle changes to reduce emissions, such as the creation of more “compact, walkable cities.”

New, lower-emission ways to produce building materials, like steel, will also be critical, the report stated, though it acknowledged such methods are still in early stages of development and achieving net zero emissions in industry will “be challenging.”

Methane emissions should also be reduced by about a third by 2030, but the report cautioned meeting all reduction goals might still not be enough to keep global temperatures from rising above 1.5C, at least temporarily.

CRUCIAL QUOTE

"Even if we do this, it is almost inevitable that we will temporarily exceed this temperature threshold but could return to below it by the end of the century," the report said.

SURPRISING FACT

The report noted there has been significant progress in moving toward renewable energy, including "sustained decreases of up to 85% in the costs of solar and wind energy, and batteries" since 2010.

KEY BACKGROUND

Monday's report, which was compiled by 278 authors based out of 65 countries, is the third in a series of dispatches from the IPCC, considered the most comprehensive and up-to-date reviews of climate change. The first report, released in August, focused on the physical science of climate change and determined it is "unequivocal" humans are driving an increase in global temperature. The second report, released in February, was about the impacts of climate change and included a particularly dire assessment. The February report stated the world has a “brief and rapidly closing window to secure a liveable future,” while human action may already be causing irreversible water shortages and extreme weather, including rampant wildfires and floods. The report warned that 3.3 billion people live in places deemed "highly vulnerable" to climate change, almost all in poor countries.

TANGENT

A 2018 IPCC report determined keeping the global temperature rise to 1.5C above preindustrial levels would likely cap sea level rise at 4 inches, while cutting the number of people who will suffer from lack of water in half and decrease the chances of having summers without ice in the Arctic. The 1.5C goal, however, has long been considered a very ambitious target.

FURTHER READING



Minifloresta está a nascer em Lisboa, através do método Miyawaki



Uma minifloresta está a nascer em plena Lisboa e a iniciativa decorre no âmbito do projeto europeu 1Planet4All, resultado de uma parceria entre a Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) VIDA e a 2adapt.

A plantação da minifloresta, coordenada pelo investigador David Avelar e por António Alexandre, decorreu nos primeiros dias de março com o apoio da Lisboa Green Capital 2020. Contou com 22 toneladas de composto proveniente de resíduos verdes e orgânicos, recolhidos pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), e transformados pela Valorsul, a empresa responsável pela valorização e tratamento de resíduos urbanos.

A atividade envolveu cerca de 150 jovens de diferentes grupos e contextos universitários e, ao longo de uma semana, transformaram um relvado num espaço de abundância de alto impacto e com baixa pegada ecológica.

Método do botânico japonês Akira Miyawaki

Para a implementação da minifloresta, foi escolhido o método criado pelo botânico japonês Miyawaki. Este método passa por otimizar a plantação de florestas, com o intuito de restaurar a biodiversidade.

O método remonta à década de 1970 e à descoberta do botânico japonês Akira Miyawaki, de que apenas 0.06% das florestas do país são nativas. Face a esse achado, Miyawaki desenvolveu um método de restaurar as vegetações originais, em terras degradadas ou destruídas. Através dele, já foi possível criar 1.700 novas florestas por toda a Ásia.

Miyawaki nasceu em 1928 e tornou-se conhecido internacionalmente como especialista em botânica e reflorestamento. É professor emérito na Universidade Nacional de Yokohama e diretor do Centro Japonês de Estudos Internacionais em Ecologia. Recebeu também vários reconhecimentos, como o prémio Blue Planet Prize, no ano de 2006.

O método ocorre através de quatro passos simples:

Identificação – perceber o local onde se pretende plantar a nova floresta e identificar as plantas nativas, que melhor se adaptam ao local;

Preparar o terreno – proceder à limpeza do solo, à adição de nutrientes orgânicos, à preparação de elementos para ajudar na retenção de água;

Plantar – plantar densamente, ou seja, entre três e cinco pequenas árvores por metro quadrado;

Cuidar – por fim, regar e cuidar da plantação, protegendo contra pragas e ervas daninhas, durante os três anos seguintes.

O método Miyawaki na Europa

Utilizado atualmente em diversos países europeus, tem representação na criação de florestas urbanas em França e na Bélgica e, de miniflorestas na Holanda. O objetivo destes países passa por ajudar a combater as alterações climáticas.

Diversos estudos comprovam que o uso de vegetações nativas, facilita todos os processos, começando pela polinização. Assim, na França e na Bélgica já se contabiliza a plantação de 21 mil árvores, em 7 mil metros quadrados. Na Holanda, o grupo de conservação IVN Natuur Educatie já ajudou cidades e famílias a plantar 100 florestas deste tipo, desde 2015.

As florestas que nascem do método Miyawaki proporcionam biodiversidade, trazendo uma maior variedade de alimentos, abrigos, insetos, lesmas, anfíbios, borboletas e outros mais. Estes ecossistemas podem tornar-se maduros em apenas 20 anos, contendo 20 vezes mais espécies e tornando-se 30 vezes mais densas do que as florestas plantadas por métodos convencionais.

De acordo com os defensores do método, os resultados são ecossistemas complexos, perfeitamente adequados às condições locais que melhoram a biodiversidade, crescem mais rápido e, por isso, absorvem mais CO2.

Benefícios para toda a comunidade

Para além do impacto na biodiversidade, as florestas urbanas ajudam a melhorar a saúde mental da comunidade, reduzem os efeitos nocivos da poluição do ar e ajudam a regular o fenómeno das ondas de calor nas cidades. É, essencialmente por isso, que as miniflorestas têm um grande potencial para ajudar a combater as alterações climáticas.

A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa), no âmbito do projeto pioneiro em Lisboa, vai tornar um espaço pouco cuidado, com pouca utilidade e pouca diversidade vegetal, numa minifloresta densa e multifuncional, com 662 plantas arbóreas e arbustivas de 44 espécies, distribuídas pelos 5 estratos.

Graças à sua densidade, esta minifloresta vai conseguir captar mais carbono e promover mais biodiversidade. Com o intuito de acolher diferentes espécies, este espaço conta ainda com dois hotéis para insetos (um só́ para joaninhas), um refúgio para anfíbios, outros para répteis, um charco temporário e, também, sensores de monitorização do solo.

A Ciências ULisboa toma a minifloresta como caso de estudo, para avaliar e compreender o verdadeiro potencial do método Miyawaki para a ação climática no Mediterrâneo, bem como, de outros serviços de ecossistema em meio urbano. Ambiciona-se comprovar o valor deste tipo de miniflorestas e potenciar a replicação da iniciativa pelo restante território, nacional e internacional.

Projeto das miniflorestas visto em cooperação

O projeto, implementado em Portugal pela ONGD VIDA, resulta de um consórcio de 14 ONGs europeias, que trabalham em Cooperação para o Desenvolvimento e Ação Humanitária em países do Sul Global. É ainda financiado pela União Europeia e pelo Instituto Camões.

Lisboa foi distinguida com o galardão de Capital Verde Europeia 2020 e, a distinção resulta da avaliação de um conjunto de especialistas internacionais, com base em 12 indicadores que avaliam a sustentabilidade na cidade. Neste sentido, a capital tem vindo a desenvolver-se no sentido de uma cidade mais verde e amiga do planeta e das pessoas.

As alterações climáticas já não são um fenómeno longínquo e estamos, constantemente, a sentir o seu impacto no nosso dia a dia. Falar sobre as ações e contributos possível, assim como, sensibilizar sobre o impacto global das alterações climáticas, pretende gerar a oportunidade de participação, intercâmbio de experiências e as boas práticas por parte de todos.

Ler mais:

terça-feira, 5 de abril de 2022

Não à desregulamentação dos alimentos com Novos OGM!


As mega-empresas dos agroquímicos e sementes pretendem sub-repticiamente encher os nossos campos e pratos com uma nova geração de organismos geneticamente modificados (OGM), nomeadamente os produzidos através de técnicas de edição como o CRISPR/Cas9.

Há anos que estas empresas fazem lóbi junto da Comissão Europeia (CE) para que os Novos OGM não sejam abrangidos pela legislação europeia, emitindo declarações sem fundamento sobre os supostos benefícios para a sustentabilidade, para a redução dos pesticidas e para o clima. Mas, uma vez que são também os proprietários das patentes das sementes geneticamente modificadas, as suas verdadeiras motivações são apenas o aumento dos seus lucros. Este tipo de apropriação das sementes ameaça a autonomia dos agricultores e a biodiversidade agrícola como um todo.

Agora, a CE pretende excluir os Novos OGM, os quais designa por novas técnicas genómicas (NGT na sigla inglesa), dos procedimentos actuais de aprovação previstos na legislação europeia sobre OGM. Segundo essas regras, tanto os novos como os antigos OGM estão sujeitos a aprovação da UE, o que assegura a avaliação dos riscos para a saúde humana e para o ambiente, a transparência para os produtores e agricultores e uma rotulagem clara para os consumidores. Desregulamentar os Novos OGM vai impedir os agricultores, os produtores de alimentos, os retalhistas e os cidadãos de optar por produtos livres de OGM.

Queremos decidir o que comemos e o que semeamos! Os Novos OGM são também OGM e, de acordo com o Princípio da Precaução, devem ser regulamentados como tal. Todos os OGM devem ser sujeitos a uma avaliação rigorosa em relação à segurança e devem ser rotulados como geneticamente modificados. Só assim haverá transparência em toda a cadeia de abastecimento, quer para os cidadãos quer para os agricultores. É preciso aprofundar a investigação sobre os riscos dos Novos OGM para o ambiente, a biodiversidade e a saúde, sobre os seus impactos socioeconómicos para os agricultores e o sistema alimentar, bem como sobre o aperfeiçoamento dos métodos de detecção. Os governos devem promover e apoiar soluções testadas para uma agricultura sustentável e resiliente às alterações climáticas, tais como as práticas agroecológicas e a agricultura biológica, de forma a proteger a liberdade dos criadores de sementes e plantas de trabalhar sem estarem limitados pelas patentes de longo alcance sobre sementes produzidas com os Novos OGM. Exortamos o nosso governo em particular o Primeiro-Ministro, António Costa, o Ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro e a Ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes bem como os decisores europeus a recusar todas as tentativas que excluam os Novos OGM da actual legislação Europeia sobre os OGM e a serem firmes na obrigatoriedade das verificações de segurança, transparência e rotulagem relativamente a Velhos e Novos OGM. Só assim será garantida a segurança dos nossos alimentos, a protecção da natureza, do meio ambiente e da liberdade de escolha.

A petição está disponível aqui em português, juntamente com um guia rápido de perguntas e respostas para compreender o que são os Novos OGM e o que está em causa.

Memórias: Allen Ginsberg



No dia 5 de abril de 1997, morreu Allen Ginsberg. Foi um escritor, filósofo e ativista norte-americano. Fez parte do núcleo duro da Beat Generation: movimento que rejeitava os valores tradicionais e contribuiu para uma revolução cultural, nos anos 1950 e 1960.

Allen Ginsberg nasceu a 3 de junho de 1926, em New Jersey (EUA). O pai era professor, poeta e socialista. A mãe era comunista radical. Em criança, viveu episódios paranóicos da mãe e descobriu que gostava de meninos.

Na Escola Secundária, Ginsberg encantou-se com a obra de Walt Whitman. Depois de findar o secundário, inscreveu-se na Universidade de Columbia (Nova Iorque) graças a uma bolsa da associação Young Men’s Hebrew.

Naquela cidade, tornou-se amigo dalguns jovens (Lucien Carr, Jack Kerouac, William Burroughs e Neal Cassady) interessados em drogas, literatura e sexo. Ginsberg e os seus companheiros foram expulsos da Universidade.

Ginsberg acreditava que aquele grupo se dirigia para uma nova visão poética. Experimentou anfetaminas e marijuana. Frequentou bares gays. E começou uma relação amorosa com Neal Cassady.

Em 1954, Ginsberg mudou-se para São Francisco, cidade onde a Beat Generation estava a ganhar força graças à atividade dos poetas, Kenneth Rexroth e Lawrence Ferlinghetti, fundadores da editora e livraria "City Lights".

Ginsberg tinha escrito muita poesia, mas quase nada tinha publicado. Em 1956, a City Lights Books publicou, "Howl and Other Poems" ("Uivo e Outros Poemas"). Considerado “obsceno”, foi apreendido pelos serviços alfandegários e pela polícia, sendo alvo dum longo processo judicial.

Os argumentos de vários poetas, críticos e professores universitários (Kenneth Rexroth, Walter V. T. Clark e Mark Schorer) convenceram o juiz. Terminado o processo, tornou-se o livro de poesia mais vendido nos EUA.

Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs foram o núcleo duro da Beat Generation: movimento que rejeitava os valores tradicionais e contribuiu para uma revolução cultural nos anos 50 e 60.

Ginsberg viajou pelo mundo. Descobriu o budismo. Apaixonou-se por Peter Orlovsky: seu companheiro para o resto da vida. Nos anos 1960, ajudou Timothy Leary a divulgar o LSD. Em 1968, foi um ativista importante contra a Guerra do Vietname.

Ativista durante toda a vida, Ginsberg falava abertamente sobre drogas, homossexualidade e liberdade. 

Manteve uma publicação regular ao longo da vida. Os seus livros constituíam um apelo à paz e à defesa dos mais desfavorecidos.

Ginsberg manteve a sua agenda social ativa até 5 de abril de 1997: dia em que morreu, na sequência de cancro do fígado. Tinha 70 anos. Antes de morrer, ligou aos amigos e familiares dizendo o seu último poema.

Datado de 30 de março, “Things I’ll Not Do" (Nostalgias) era uma lista de coisas que gostaria de fazer: visitar a Bulgária; beber chá de menta em Marrocos; olhar para a Esfinge, enquanto o sol se pusesse no deserto.

Allen Ginsberg and Peter Orlovsky in San Francisco, 1955


Schumpeter: desenvolvimento por meio da inovação


Schumpeter e a inovação para gerar desenvolvimento
Joseph Schumpeter é conhecido por suas contribuições teóricas para a ciência econômica contemporânea. Por mencionar em seus trabalhos a inovação como meio para alcançar o desenvolvimento econômico (descrito como alteração do estado de equilíbrio econômico), o autor é também amplamente citado quando o assunto é inovação e empreendedorismo.

Contexto histórico

Joseph Alois Schumpeter foi um dos mais importantes economistas do início do século XX. Nascido em 1883 no Império Austro-Húngaro, ingressou na faculdade de direito na Universidade de Viena em 1901. Após isso, começou a lecionar antropologia na universidade de Czernovitz (onde hoje é a Ucrânia) até 1911, quando se mudou para Graz e permaneceu durante toda a primeira guerra mundial. Em 1919 assumiu o cargo de ministro das finanças da República Austríaca, onde permaneceu por pouco tempo. Em seguida, tornou-se presidente de um banco privado, o Bidermann Bank, que veio a falir em 1924. Assim, essa desastrosa passagem pelo setor privado custou a Schumpeter toda sua fortuna. Posteriormente, voltou a lecionar em Bonn, na Alemanha, entre 1925 e 1932.

Com o fortalecimento do nazismo, Joseph Schumpeter decide deixar a Europa, transferindo-se em 1932 para os Estados Unidos. Assim, naquele mesmo ano, assumiu a docência na universidade de Harvard, em Cambridge, estado de Massachusetts. Em 1933 ele fundou a Sociedade Econométrica, encorajando uma série de economistas matemáticos – apesar de Schumpeter não ser matemático, ele defendia a existência da integração entre a matemática e a sociologia para melhor entendimento das teorias económicas. Joseph permaneceu como cidadão de Cambridge até o dia de sua morte em janeiro de 1950.

Contribuições teóricas para inovação
Schumpeter em suas obras descreve que as inovações são fatores preponderantes para a alteração no estado de equilíbrio de uma economia. Assim, é descrito que uma inovação não necessariamente deve ser radical, podendo ser apenas alteração nos arranjos comerciais. Toda introdução de inovação no sistema econômico é chamado por Schumpeter de “ato empreendedor”: Uma nova matéria-prima, uma introdução de um novo produto no mercado, um novo modo de produção, um novo modo de comercialização de bens e serviços ou até uma quebra de monopólio. Assim, essas são ações realizadas pelo “empresário empreendedor”, visando a obtenção de “lucros extraordinários”. O chamado lucro extraordinário é o que o autor descreve não como a simples remuneração sobre o capital investido, mas o rendimento acima da média do mercado.

Condições para inovação
O autor descreve três condições a serem cumpridas para a inovação:
  1. Em determinado período temporal, deverão existir possibilidades mais distintas ou vantajosas do ponto de vista económico do privado. Seja na indústria como um todo ou em algum de seus segmentos.
  2. Que exista acesso limitado a essas possibilidades. Essas limitações podem estar associadas a qualificações pessoais necessárias ou fatores externos.
  3. A situação econômica deve permitir cálculo de custos e planeamento confiável. Assim, a situação apresentada deverá demonstrar uma situação de equilíbrio económico.
Além disso, Schumpeter reiteradamente enaltecia os empreendedores como os pivôs do sistema econômico. Pois são eles os agentes da inovação e da “destruição criativa”. A destruição criativa é um conceito no qual o autor descrevia uma mudança no perfil econômico, onde os empreendimentos inovadores destruíam empresas e modelos de negócios antigos e ultrapassados.

Em 1992, os economistas Phillipe Aghion e Peter Howitt publicaram um artigo chamado A Model of Growth Through Creative Destruction (Um modelo de crescimento através da destruição criativa, em tradução livre). Assim, partindo das ideias de Joseph Schumpeter, formularam uma versão formal da teoria da destruição criativa. Descrevendo uma forma de competição por meio de inovações que permitiriam ao empreendedor o estabelecimento de monopólio em detrimento do monopólio anterior estabelecido no setor específico.

E-Livros  

Para mais textos e artigos científicos ler:


segunda-feira, 4 de abril de 2022

João Miguel Tavares e a masculinidade tóxica

Nem todos os homens são violentos, mas a violência é um fenómeno predominantemente masculino e não é enfiando a cabeça na areia que vamos mudar esta realidade.


Resta-me em casa uma singela cópia do meu mais recente livro, Os homens também choram: histórias da nova masculinidade, editado em 2021 pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Por ironia do destino, é um exemplar que autografei há muitos meses para oferecer a João Miguel Tavares, mas que, lamentavelmente, nunca cheguei a entregar-lhe. A julgar pela sua crónica mais recente (“Will Smith, a Ucrânia e a masculinidade tóxica”), é bem provável que não ficasse entusiasmado com a tese principal do livro: a de que é urgente libertar os homens da visão estereotipada que tanto os prejudica e às pessoas que os rodeiam, e convocá-los para assumirem as suas responsabilidades no combate à violência de género e na luta pela igualdade. Desde logo, porque João Miguel Tavares parece acreditar que as desigualdades de género são uma invenção feminista. Depois, porque vê na “masculinidade tóxica” um “ataque indiscriminado a todos os homens, já de si cada vez mais inseguros e ansiosos”.

Este é um equívoco que importa desfazer: não é o ser homem em si que é tóxico, mas sim alguns comportamentos que alguns homens podem adotar em resultado da forma como são educados socialmente. Esta masculinidade dominante (ou hegemónica, na terminologia de muitos autores) pode, de facto, ser destrutiva, e não apenas para as mulheres, eternizando as desigualdades, a violência e a opressão; também o é para muitos homens, aprisionando-os num modelo que os isola física e emocionalmente, e limita o seu pleno desenvolvimento.

João Miguel Tavares bem pode resumir esta realidade a um “absurdo”, mas importa que reflitamos sobre alguns factos: os homens são não só muito mais propensos a adotar comportamentos de risco (bebem mais, fumam mais e consomem mais drogas), como sofrem mais acidentes rodoviários, procuram menos cuidados de saúde e, por causa desses e de outros fatores, têm uma esperança média de vida bem inferior à das mulheres (em Portugal, quase seis anos menos). Têm também um risco de suicídio cerca de três vezes maior (7 em cada 10 suicídios em Portugal são cometidos por homens) e são não só quem mais mata, mas também quem mais morre em resultado de homicídios: cerca de 90% dos agressores e 90% das vítimas de homicídios a nível internacional são homens. Por isso são também, sem surpresa, os principais ocupantes de estabelecimentos prisionais.

No seu afã de negar as desigualdades de género, João Miguel Tavares dá outro tiro no pé: lembra que na Ucrânia, “como em todas as guerras”, os homens “estão a morrer de forma desproporcionada em relação às mulheres”. O que não escreve, porque talvez não ajudasse à sua tese, é que, ao longo da história, têm sido sobretudo os homens a iniciar os conflitos armados. A guerra (como também o mundo dos gangues, por exemplo) é um domínio maioritariamente masculino porque são os homens os grandes perpetradores de violência.

Assumir isto não é fazer um ataque indiscriminado a todos os homens, como escreve o cronista. Não é assumir que todos são violentos. Não é dizer-lhes que deixem de ser homens, mas reconhecer que podemos, como sociedade, criar modelos de masculinidade mais saudáveis e empáticos. Esta é ainda uma conversa difícil para muitas pessoas e será tão mais bem-sucedida quanto mais formos capazes de construir pontes para o diálogo ao invés de erguer muros.

Mas termos consciência destas nuances não significa ignoramos a realidade que está diante dos nossos olhos e que urge mudar. Se é verdade que a violência não é algo inato (ninguém nasce violento), é justo que nos questionemos sobre a forma como estamos a educar os nossos homens. A ideia de que “um homem de verdade” é forte, viril, dominante, defende a sua família e nunca fraqueja ou mostra vulnerabilidade é sobretudo uma construção histórica, social e cultural que tem pouco a ver com a nossa biologia e muito mais “com a imaginação humana”, como escreve Yuval Noah Harari.

Esse velho guião da masculinidade é o gatilho de grande parte da violência que existe no mundo. A boa notícia é que, se nada disto está inscrito no nosso ADN, então só depende de nós construir o mundo sonhado por Chimamanda Ngozi Adichie: um mundo onde todas as pessoas possam ser “mais felizes e mais honestas consigo próprias”. Até o João Miguel Tavares.

Saber mais:

ICNF: população de águia de Bonelli cresce 140% nos últimos 15 anos


O ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas) divulga esta quarta-feira, numa sessão, os resultados obtidos no Plano de Monitorização de Valores Naturais da Divisão de Áreas Classificadas da Direção Regional de Conservação da Natureza e Florestas do Alentejo (DRCNF-Alentejo).

Tendo em conta a importância do Alentejo para determinadas espécies de rapinas, nomeadamente com estatuto desfavorável, esta monitorização teve um foco particular no respeitante às populações de águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti), de águia-real (Aquila chrysaetos) e de águia-de-bonelli (Aquila fasciata), refere uma nota, divulgada pela ICNF.

Na sessão, será também disponibilizado o relatório em formato digital, com os dados recolhidos em 2020 no âmbito de um trabalho realizado ao abrigo do Projeto Interreg BIOTRANS.


  • Águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti): o crescimento populacional apresenta uma tendência positiva. Nos últimos 3 anos: aumento de 60% da população. Estatuto de Conservação em Portugal: Criticamente Em Perigo (CR)
  • Águia-real (Aquila chrysaetos): Comparando com os dados de 2002 a 2004, considera-se que o crescimento populacional desta espécie está estável. Estatuto de Conservação em Portugal: Em Perigo (EN)
  • Águia de Bonelli (Aquila fasciata): O crescimento populacional apresenta uma tendência positiva. Nos últimos 15 anos: aumento de 140% da população. Estatuto de Conservação em Portugal: Em Perigo (EN).
  • Águia-imperial-ibérica é libertada após tratamento em Centro de Recuperação

A Direção Regional de Conservação da Natureza e Florestas do Alentejo, em colaboração com o Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa, libertou esta terça-feira, dia 22 de março, uma águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) macho com dois anos e meio, no Parque Natural do Vale do Guadiana.

Tal como lembra o ICNF, esta ave foi recolhida por militares da GNR/ SEPNA, no dia 24 de dezembro de 2021, nas imediações de Vila de Frades, concelho de Vidigueira, distrito de Beja. O quadro de sintomas que evidenciava não permitiu aferir com exatidão a causa do seu estado muito debilitado. A ave foi na altura encaminhada para o Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa, localizado no Parque Florestal de Monsanto, que lhe proporcionou acompanhamento especializado e onde se processou a sua recuperação. Quando da sua libertação, a ave estava munida de equipamento que permitirá o seguimento e monitorização dos movimentos que realizará, refere a mesma nota.

BIOTRANS, um projeto transfronteiriço para a conservação da biodiversidade

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, participa como sócio beneficiário no projeto BIOTRANS “Gestão Integrada da Biodiversidade na Área Transfronteiriça”, cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional FEDER através do Programa Interreg V-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020, e cujo beneficiário principal é a “Dirección General de Sosteniblidad de la Junta de Extremadura”.

O objetivo do projeto é o da gestão conjunta e integrada da conservação da biodiversidade na região EUROACE (Centro-Alentejo-Extremadura) através da implementação de ações conjuntas e sinérgicas entre parceiros portugueses e espanhóis para proteger e conservar grupos biológicos e espécies identificadas na área. A singularidade e diversidade biológica que existe ao longo de toda a fronteira, com extensos ecossistemas e áreas naturais protegidas, é um dos fatores valorizados, uma vez que possui um património ambiental extraordinário, albergando inúmeras espécies de flora e fauna endémicas luso-estremenhas de enorme relevância europeia e mundial, e de habitats naturais onde existem problemas e desafios comuns.

O projeto BIOTRANS integra, para além do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, outros parceiros de Espanha e Portugal que, coordenados pela “Dirección General de Sosteniblidad de la Junta de Extremadura”, são de grande relevância, nomeadamente a “Diputación de Badajoz”, a Universidade de Évora, a “Fundación CBD para la Conservación de la Biodiversidad y su Hábitat”, e a Quercus – Associação Nacional para a Conservação da Natureza.

domingo, 3 de abril de 2022

Curta- Metragem: "I Forgot My Phone"



Realizado por Miles Crawford, narra o dia a dia de um casal e faz uma crítica social ao uso e abuso e alienação e adição das pessoas ao utilizar constantemente o telemóvel.

Música do BioTerra: Nick Cave and the Bad Seeds- Push the Sky Away


I was right
I was right
Oh, the sun, the sun
The sun is rising from the field

I've got a feeling
I just can't shake
I've got a feeling
That just won't go away

You've got to just
Keep on pushing
Keep on pushing
Push the sky away

And if your friends think
That you should do it different
And if they think
That you should do it the same

And if you're feeling
You've got everything you came for
If you got everything
And you don't want no more

And some people
Say it's just rock'n roll
Oh, but it gets you
Right down to your soul

Curta-Metragem: Arvoredo Urbano

Agostinho partiu há 28 anos para estar cada vez mais Presente



“(…) os povos chamados industrializados têm produzido muita máquina e têm destruído muita pessoa. Espero que os portugueses produzam menos máquinas, mas saibam mais desenvolver pessoas! Aquilo que se tem que fazer hoje no mundo não é mais coisas do que aquelas que se têm feito. O que é preciso é criar no mundo as condições necessárias para que as pessoas possam brotar delas próprias, para que gente que tem morrido aos milhões sem nunca realmente ter vivido a sua própria vida não tenha mais esse destino daqui por diante, possa viver vida completa. Isso é que é importante!”

~ Agostinho da Silva, in Antónia de Sousa, Diálogos com Agostinho da Silva. O Império acabou. E agora?, Casa das Letras, 2006, 6ª edição, p.33.

sábado, 2 de abril de 2022

Webinar : “Investimento em floresta autóctone em minifúndio”


As regiões do país em que domina a pequena propriedade têm tido dificuldade em alavancar investimento público, um dos entraves à gestão da floresta no norte e centro do país. Para a floresta autóctone, o ciclo mais longo das espécies é um dos entraves ao investimento privado, o que torna os apoios públicos essenciais.
Foi neste contexto que surgiu o projeto ForestWatch, que pretende ter um papel ativo na monitorização das políticas públicas de gestão da floresta.
Liderado pela ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável e contando com o Centro PINUS como parceiro, este projeto tem o apoio do Programa Cidadãos Ativ@s, financiado pela Islândia, Liechtenstein e Noruega, sendo gerido em Portugal pela Fundação Calouste Gulbenkian, em consórcio com a Fundação Bissaya Barreto.
Para dar a conhecer o projeto ForestWatch e debater a importância da remuneração dos serviços do ecossistema para alavancar o investimento nos territórios florestais vulneráveis em minifúndio, a ZERO e o Centro PINUS promoveram no dia 14 de setembro 2021, o Webinar “Investimento em floresta autóctone em minifúndio”, que decorreu via zoom.

Do programa destacam-se as seguintes apresentações:

Apresentação do Projeto ForestWatch
Nuno Forner, ZERO e Susana Carneiro, Centro PINUS

Nova Política para a Remuneração dos Serviços dos Ecossistemas em espaços rurais | Rui Ferreira dos Santos, FCT NOVA

"Gestão agrícola e florestal e serviços de ecossistemas em contexto de minifúndio: o papel da PAC". | José Manuel Lima Santos, ISA

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Carros europeus “comem” 15 milhões de pães por dia em biocombustível



A Europa transforma diariamente em etanol 10.000 toneladas de trigo, o equivalente a 15 milhões de pães por dia, para utilização em automóveis a gasolina, segundo um estudo hoje divulgado.

O estudo é da responsabilidade da ONG Transportes e Ambiente (T&E, na sigla original), uma organização de defesa de políticas sustentáveis para o setor dos transportes.

Em comunicado, a T&E alerta que o lóbi europeu dos combustíveis está a pressionar para que haja uma maior queima de culturas alimentares, apesar do colapso no abastecimento de cereais vindos da Ucrânia e da Rússia e de uma iminente crise alimentar mundial.

No documento a T&E apela a que se termine com a transformação do trigo e de outras culturas alimentares em etanol e considerou imoral a pressão para o aumento da produção de biocombustíveis, feita pelo setor, numa altura de escassez alimentar global.

“Todos os anos queimamos nos nossos carros milhões de toneladas de trigo e outras culturas para alimentar os nossos automóveis. Isto é inaceitável face a uma crise alimentar global. Os governos têm de parar urgentemente a queima de culturas alimentares nos automóveis para reduzir a pressão sobre os fornecimentos críticos”, disse, citado no comunicado, Maik Marahrens responsável na T&E pela área dos biocombustíveis.

O estudo indica que tirar o trigo dos biocombustíveis europeus iria compensar em mais de 20% a quebra no fornecimento de trigo ucraniano, em colapso devido à invasão do país pela Rússia, no mês passado.

Na quinta-feira um grupo de organizações não governamentais (ONG) europeias apelou aos governos dos vários Estados-membros para que suspendessem imediatamente a utilização de culturas alimentares para produção de biocombustíveis.

Mas há também apelos crescentes, especialmente entre o lóbi europeu dos biocombustíveis (ePure e European Biodiesel Board, citados pela T&E), para que o petróleo russo seja substituído por biocombustíveis produzidos a partir de culturas como trigo, milho, cevada, girassol, colza e outros óleos vegetais.

“Mesmo que a Europa duplicasse a área de terras agrícolas que dedica aos biocombustíveis – equivalente a pelo menos 10% das terras agrícolas da UE (União Europeia) para culturas – isto substituiria apenas 7% das importações de petróleo da UE da Rússia”, diz-se no comunicado.

Para substituir todas as importações russas de petróleo por biocombustíveis produzidos internamente, seriam necessários utilizar pelo menos dois terços das terras agrícolas do bloco europeu para a produção de culturas para biocombustíveis, acrescenta o comunicado.

Cerca de 27% do biodiesel produzido em Portugal em 2021 resultou da utilização de culturas alimentares

A associação Zero, uma das organizações ambientalistas portuguesas que faz parte da T&E, diz em comunicado que em Portugal, em 2021, cerca de 27% do biodiesel produzido resultou da utilização de culturas alimentares, principalmente colza, soja e óleo de palma.

Francisco Ferreira, presidente da Zero, diz no comunicado que a indústria dos biocombustíveis está a intensificar os seus esforços de lobby para pressionar a utilização de mais cereais como o trigo e o milho na produção de biocombustíveis, como forma de substituir o petróleo russo.

E acrescenta Maik Marahrens, responsável na T&E pela área dos biocombustíveis:

“Ao fazê-lo, de forma cínica está a tirar partido das preocupações das pessoas relativamente ao preço dos combustíveis, colocando o lucro acima da segurança alimentar. Isto é algo imoral, num cenário em que se assiste a milhões de pessoas em todo o mundo que não podem sequer pagar um pão”.

A Zero e as associações ambientalistas FAPAS (Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade), GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente) e Oikos – Cooperação e Desenvolvimento enviaram na quinta-feira uma carta ao ministro do Ambiente e da Ação Climática a pedir a suspensão imediata da utilização de alimentos para consumo humano e animal na produção de biocombustíveis em Portugal.