domingo, 13 de novembro de 2016

Música do Bioterra: Damien Jurado - I Am Still Here

I stood alone there in the driveway
Till I saw your headlights fade
Disappear
Burn out like stars
A Chevrolet train that rolls in the night


I must have had a hundred nightmares
Of you falling asleep at the wheel
I send my prayers
Where are you now?
I am still here and going nowhere

Here is a photo of our first baby
Here is a photo of our wedding day
Nothing has changed
My love still the same
I am still here and here I remain

When you come back we'll have a party
We'll hang up the christmas lights
You'll be my bride
I'll be your groom
I miss you so much please make it home soon

Your mother said that you called this morning
"Tell him I love him, but won't be returning"

sábado, 12 de novembro de 2016

Documentário: As Sementes, por Beto Novaes. Mulheres e agroecologia.


Esta curta-metragem "As Sementes" (2015), do diretor Beto Novaes, retrata a história de mulheres que, de diversas maneiras, têm actuado em defesa da agroecologia no Brasil. Inspirado no livro "Mulheres e Agroecologia: transformando o campo, as florestas e as pessoas", de Emma Siliprandi [1], o documentário é um mergulho nas trajetórias de vida de quatro agricultoras que participam ativamente dos movimentos agroecológicos no Brasil e que se tornaram referências e/ou lideranças sociais e políticas em seus territórios.

Este filme mostra o quanto as práticas agroecológicas potencializam a participação das mulheres na unidade produtiva – desde o plantio até a comercialização – propondo relações de gênero igualitárias no campo. Um trabalho de coleta e manejo da natureza que contribui para a soberania alimentar, a preservação da biodiversidade e para o resgate das sementes crioulas!


Para saber mais

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

“São os comunistas que pensam como os cristãos”, diz o papa


Em entrevista ao jornal “La Repubblica”, o papa Francisco comparou os comunistas aos cristãos e defendeu que os movimentos cívicos devem entrar na política

O papa Francisco disse que os comunistas "pensam como os cristãos", numa entrevista publicada esta sexta-feira pelo jornal italiano "La Repubblica".

"São os comunistas que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade em que os pobres, os débeis e os excluídos é que decidem. Não os demagogos, os Barrabás, mas o povo, os pobres, tenham fé em Deus ou não, mas são eles que temos de ajudar a obter a igualdade e a liberdade", afirmou o papa, na entrevista.

Francisco disse esperar, por isso, que os movimentos cívicos entrem na política.

"Não na politiquice, nas lutas de poder, no egoísmo, na demagogia, no dinheiro, mas na alta política, criativa e de grandes visões", salientou.

O papa evitou falar, ao jornal, sobre o Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e assegurou que, em relação aos políticos, só lhe interessa "os sofrimentos que a sua maneira de agir podem causar aos pobres e aos excluídos".

Francisco disse que a sua maior preocupação é o drama dos refugiados e imigrantes e reiterou que é necessário "abater os muros que dividem, tentar aumentar e estender o bem-estar".

"E para isso é necessário derrubar muros e construir pontes que permitam diminuir as desigualdades e dar mais liberdade de direitos", concluiu.

O papa pediu ainda aos sem-abrigo que perdoem todos os cristãos que lhes viram as costas em vez de os ajudar.

O apelo ressoou pelo auditório do Vaticano onde Francisco ficou de pé, em silêncio, durante vários minutos, perante cerca de 4.000 pessoas oriundas de 22 países, que não têm casa ou passaram anos a viver nas ruas.

Durantes esse momento de recolhimento, muitas dessas pessoas aproximaram-se de Francisco e tocaram-lhe nos ombros ou na sotaina.

"Peço perdão", disse o Papa em nome dos cristãos que, "confrontados com uma pessoa pobre, olham para o outro lado".

A audiência de Francisco com os sem-abrigo decorreu no dia em que a Igreja honra São Martinho, famoso por ter partilhado a sua capa com um mendigo que tremia de frio na estrada.

O Ano Santo da Misericórdia da Igreja Católica, que pôs o foco naqueles que vivem nas margens da sociedade, termina no dia 20 com uma missa celebrada por Francisco.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A comida dos astronautas ajuda pessoas na Terra

Durante centenas de anos, as pessoas na América do Sul e África têm colhido um tipo especial de bactéria chamada spirulina. Esta transforma dióxido de carbono em oxigénio, cresce muito rapidamente e, talvez o melhor de tudo, pode ser combinada com outros alimentos para impulsionar os seus níveis proteicos. Os cientistas da equipa do ‘Sistema Alternativo de Apoio à Vida Micro-Ecológica’ da ESA (ou MELiSSA) têm vindo a pesquisar tudo o que podem sobre a spirulina. Poderia ser o alimento ideal para o espaço, pois pode ser transformado em lanches para manter os astronautas felizes e saudáveis. Os astronautas da ESA Samantha Cristoforetti e Andreas Mogensen já comeram barras de cereais de spirulina no espaço!
Agora esta informação sobre a spirulina está a ser usada para ajudar as pessoas na Terra. No Congo situa-se uma cidade chamada Bikoro. Os seus habitantes comem uma planta chamada mandioca mas, infelizmente, isto não fornece proteína suficiente na sua dieta. Poderia a spirulina ajudar?

A spirulina é facilmente cultivada em banheiras de água pela adição de apenas alguns ingredientes comuns.


Um grupo de cientistas do MELiSSA certamente pensam que sim. Estabeleceram uma base na cidade e estão a crescer culturas de spirulina em grandes banheiras de água. Ao adicionar uma substância química chamada bicarbonato de potássio na água, juntamente com alguns outros ingredientes fáceis de encontrar, a spirulina cresce muito rapidamente. Pode, então, ser transformada em pó e polvilhada sobre a comida feita com mandioca, acrescentando a tão necessária proteína - e como bónus, vitamina A e ferro!




Spirulina vista ao microscópio.
A equipa MELiSSA está entusiasmada para continuar a sua investigação sobre a spirulina. O próximopasso é enviar spirulina viva até à Estação Espacial Internacional e estudá-la no laboratório Columbus da ESA. Ninguém sabe ainda se a spirulina vai crescer bem na ausência de gravidade. Mas se isso acontecer, talvez os futuros astronautas possam cultivar esta comida-maravilha durante as longas viagens pelo Sistema Solar!
Fato interessante: a spirulina é também muito resistente à radiação encontrada no espaço!
Fonte: ESA

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Descobertas 60 espécies marinhas na Arrábida

Campanha oceanográfica de levantamento da biodiversidade marinha mobilizou quatro navios e 200 pessoas em duas semanas. [Expresso, 13.10.2014]
Cardume de salemas ao largo da Arrábida: os biólogos descobriram uma biodiversidade muito mais rica do que até agora se sabia [Foto: Athila Bertoncini]

Mais de 60 espécies marinhas, cuja presença na região da Arrábida era desconhecida até agora, foram identificadas pela quinta campanha oceanográfica dedicada ao levantamento da biodiversidade marinha realizada pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC).
A expedição científica foi realizada entre 20 de setembro e 4 de outubro entre o Outão e o Cabo Espichel, mobilizou quatro navios e envolveu mais de 200 pessoas - cientistas, estudantes de doutoramento, mestrado e licenciatura, técnicos, instrutores de mergulho, alunos do ensino secundário e tripulações dos navios. Participaram na campanha universidades, Laboratórios Associados e centros de investigação nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo, oito equipas de mergulhadores integrando biólogos marinhos, realizaram um total de 244 mergulhos entre os três metros e os 43 metros de profundidade, tendo recolhido amostras e feito registos fotográficos e em vídeo das espécies observadas.

As imagens de vídeo foram recolhidas através de um mini-ROV (pequeno submarino operado à distância) e permitiram investigar os fundos marinhos ao largo da Serra da Arrábida até aos 100 metros de profundidade.  Entre as espécies identificadas figuram 30 briozoários (pequenos animais que formam colónias, com esqueleto microscópico em forma de caixa, cada um albergando um animal individual), um hidrozoário (organismo invertebrado com tentáculos, que forma colónias onde cada elemento tem uma função específica), quatro esponjas, três moluscos, 14 algas e um peixe, o caboz (Gobius buchichi).
Na Baía de Sesimbra foi também descoberto um campo de anémonas a 50 metros de profundidade e um jardim de esponjas e corais a 60 metros de profundidade.

Investigar 2000 amostras biológicas A expedição científica continua agora em terra, com o arranque das investigações laboratoriais das mais de 2000 amostras biológicas recolhidas, do processamento dos dados e da análise minuciosa dos registos de fotografia e vídeo. Os navios mobilizados foram o "Creoula", da Marinha Portuguesa; a caravela "Vera Cruz", da Aporvela (Associação Portuguesa de Treino de Vela); o veleiro "Blaus VII", da Escola Naval; e o "Santa Maria Manuela", da empresa Pascoal.

Neste barco foi feito o lançamento do Visualizador M@rBis, primeira fase da versão online de acesso público do M@rBis, uma base de dados que incorpora um sistema de informação georeferenciada da biodiversidade marinha nacional. O sistema foi desenvolvido para fornecer as informações necessárias à concretização dos compromissos de Portugal relativos ao processo da União Europeia de extensão da Rede Natura 2000 ao meio marinho, nas águas sob jurisdição portuguesa.

E contempla também os dados relativos à biodiversidade do oceano profundo obtidos nas campanhas realizadas pela EMEPC no âmbito do Projeto de Extensão da Plataforma Continental portuguesa, que se encontra em apreciação final nas Nações Unidas. O Visualizador M@rBis pode ser acedido por qualquer pessoa a partir do site da EMEPC ou directamente aqui

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Salmão de viveiro da Noruega – Alimento mais tóxico do mundo

Dois documentários sobre o Salmonopólio

E se alguém nos vier dizer que a posta de salmão grelhado que temos no prato, supostamente saudável, contém, para além de uma panóplia de medicamentos, pesticida da Monsanto... ?



1º -Documentário: Peixe, Criação em Águas Turbulentas
É uma questão de saúde pública

Documentário com legendas em Português

Uma ampla investigação a nível mundial mostra os segredos da indústria do peixe. Cientistas confirmam, por exemplo, que o salmão de viveiro é o alimento mais tóxico do mundo. Na Noruega, Vietname ou Suécia, o peixe tornou-se uma indústria com enormes fábricas de alta tecnologia, onde são usadas toneladas de produtos químicos para alimentar milhões de peixes. Por exemplo, cerca de 50% do bacalhau nasce com deficiências genéticas.

E não há regulador neste mundo com eles no sítio que actue em defesa do consumidor
À medida que muitas espécies se tornaram raras ou entraram em extinção, o homem resolveu “facilitar o processo de pesca” e a alternativa mais conveniente foi a criação de peixes em cativeiro. No entanto, essa não é a opção mais saudável.
A abordagem é bem crítica e revela como funciona a indústria de peixes com imagens exclusivas de cativeiros aquáticos espalhados por vários pontos do mundo.
O filme começa por apresentar a realidade em algumas aquiculturas na Noruega, onde há grande contaminação de produtos químicos. Kurt Oddekalv, um respeitado activista ambiental norueguês é o primeiro interlocutor de Nicholas Daniel e afirma que a criação de salmão é um desastre tanto para o ambiente como para nossa saúde.
É possível ver camadas de resíduos de pelo menos 15 metros de altura ao longos dos fiordes noruegueses – isso inclui excrementos, excreções, bactérias, drogas e pesticidas.

Mortalidade de salmão no cativeiro
Uma “fábrica” de salmão pode conter 2 milhões de peixes num espaço relativamente pequeno, o que resulta em doenças nos animais. Por isso, os criadores utilizam pesticidas perigosos, nomeadamente da Monsanto inicialmente produzido para actuar em plantas, para evitar as pragas causadoras de doenças e não perderem a mercadoria. Os pesticidas diminuem a imunidade do peixe que, doente, é tratado com mais drogas, incluindo vários antibióticos.
Ainda segundo Oddekalv, o salmão de cativeiro é um dos alimentos mais prejudiciais do mundo.

Uma pesquisa muito interessante foi realizada com ratos: os que consumiram salmão de cativeiro cresceram obesos, com grossas camadas de gordura em torno dos órgãos e desenvolveram diabetes. Outro problema dos pesticidas utilizados é que eles afetam o DNA do peixe, causando mutações genéticas.

O salmão apresenta mutações menos visíveis, mas igualmente preocupantes


O documentário apresenta alguns peixes deformados por este motivo, como o bacalhau. E para nos assustarmos ainda mais, ficamos a saber que mais da metade dos bacalhaus de cativeiro sofre deformações.
As fábricas de aquicultura do mar Báltico produzem os espécimes com níveis de toxicidade mais elevados. Para além de toda a mixórdia química (medicamentos e pesticida) utilizados noutros pontos do mundo, as águas do Báltico apresentam elevadíssimos índices de poluição incluindo lixos tóxicos.
O documentário apresenta alguns peixes deformados por este motivo, como o bacalhau. E para  nos assustarmos ainda mais, ficamos a saber que mais da metade dos bacalhaus de cativeiro sofre deformações.
As fábricas de aquicultura do mar Báltico produzem os espécimes com níveis de toxicidade mais elevados. Para além de toda a mixórdia química (medicamentos e pesticida) utilizados noutros pontos do mundo, as águas do Báltico apresentam elevadíssimos índices de poluição incluindo lixos tóxicos.

Polpa de peixes em vez de peixe
Veja o documentário até ao fim e veja como o resíduo de peixe se torna um alimento muito valorizado, mas péssimo para a saúde. Nomeadamente, o aproveitamento industrial de partes do peixe que antes iriam para o lixo; a cabeça, o rabo e mesmo a pele do peixe. Tudo é lavado e moído, resultando em uma “polpa” que serve de alimento para … humanos e outros animais.
As melhores opções de peixes são os selvagens, como salmão selvagem do Alasca, sardinhas e anchovas. Como é dito no documentário, por um médico oncologista, quanto mais pequeno for o peixe menor riscos corremos e o consumo deve reduzir-se a 2 refeições por semana.
Infelizmente, também não podemos confiar na qualidade de todos os peixes selvagens, pois a maioria das águas está contaminada com metais pesados (como mercúrio) e outros produtos químicos, como dioxinas.

2º Um outro documentário (apenas disponível em Inglês) muito esclarecedor é o Salmonopoly, realizado por Wilfried Huismann e Arno Schumann, leva-nos a outras paragens e a outros segredos do “negócio”.

Práticas da aquicultura industrial da empresa Marine Harvest
A Marine Harvest é a maior preocupação mundial no que diz respeito a aquicultura. Produz mais de 100 milhões de salmão de viveiro por ano e fornece os consumidores na Europa, EUA e Japão. Mas a que preço?
Este império global é dirigido por John Fredriksen, um self-made man e um dos mais ricos do mundo. Na sua casa norueguesa, autodenomina-se de “Big Wolf”; “verde”, “duradouro” e “transparente”. Mas a realidade contradiz a filosofia da empresa, especialmente no Chile, onde a Marine Harvest é de longe o maior produtor, com cerca de 70 viveiros de peixe. O Chile, com a sua legislação que deixa a desejar, é um paraíso para os investidores. Tudo o que é proibido aos produtores de salmão na Europa é permitido no Chile, tendo como resultado 18 meses depois, um salmão carregado de químicos.
Em Abril de 2008, para “melhorar a imagem” da aquicultura intensiva em larga escala, a Marine Harvest firmou uma parceria com a WWF – World Wide Fund for Nature (Fundo Mundial para a Natureza). A WWF é uma Organização não governamental (ONG) internacional que actua nas áreas da conservação, investigação e recuperação ambiental, anteriormente chamada World Wildlife Fund, nome oficial ainda em uso nos Estados Unidos e Canadá.
Por um donativo de 100.000 euros por ano, a Marine Harvest pode usar o panda do logótipo da WWF para fazer propaganda do seu salmão de viveiro produzido industrialmente. Totalmente suspeito ecologicamente, mas muito bem sucedido economicamente: após o colapso durante a crise financeira, as acções da companhia subiram 270 por cento no Verão de 2009.
John Fredriksen é o principal protagonista deste “eco-thriller” posicionado no mundo obscuro de um gigante alimentar global.

sábado, 5 de novembro de 2016

A relevância dos carvalhais na floresta Portuguesa

Carvalho português ou cerquinho (Quercus faginea).
Os Carvalhais de folha caduca que outrora cobriram por completo o Norte e Centro de Portugal, bem como em algumas serras do Sul, desapareceram quase por completo da nossa paisagem por força da ação humana dos últimos milénios e necessitam urgentemente de Legislação para a sua protecção.
Estamos a falar dos Carvalhais de Carvalho alvarinho ou roble (Quercus robur); Carvalho negral ou pardo das beiras (Quercus pyrenaica) e Carvalho português ou cerquinho (Quercus faginea).

Espécies nobres e de elevada importância cultural e ambiental. Estas três nobres espécies estão agora reduzidas à insignificância de ocuparem menos de 2% da área florestal e cerca de 0,7% da área total de Portugal. São pois espécies severamente ameaçadas que sobrevivem apenas em alguns últimos redutos dispersos pelo país, tendo regredido 27% da sua área entre 1995 e 2010, segundo dados do Inventário Florestal Nacional. Para piorar a situação, já de si má, existe ainda uma pressão sobre os últimos Carvalhos e Carvalhais principalmente causada pelos fogos florestais e pelo seu corte para lenha na  utilização de uso doméstico. Temos também de referir que se tratam de espécies de crescimento lento e por isso com tendência a serem substituídas por espécies exóticas como o eucalipto, após o corte ou incêndio.

Estas espécies da flora autóctone portuguesa estão perfeitamente adaptadas ao nosso clima e às características dos nossos solos representando uma mais‐valia ambiental. Oferecem uma melhor qualidade do ar, preservação dos solos, recarga de aquíferos, estabilidade do clima, e na defesa da floresta contra os incêndios pela reconhecida resistência ao fogo e capacidade de regeneração.

A proteção destes Carvalhais irá refletir‐se ao nível da conservação da natureza, em particular pela capacidade de promover a diversidade da vegetação e fauna, estabelecendo um património natural e ambiental, que são a fonte de diferentes formas de vida essenciais e inteiramente imprescindível da riqueza do nosso país.

O principal problema do desaparecimento da nossa floresta característica deve‐se principalmente ao abate com a ausência de uma reflorestação com espécies autóctones, pela  construção de infraestruturas e edificações, por pastoreio excessivo, pela demora de crescimento, pela substituição por outras espécies exóticas, como o eucalipto ou até pela ação e recorrência do fogo. Os Carvalhais requerem especial atenção por parte da classe política e dos cidadãos pois, além da sua raridade, criam habitats dos quais dependem inúmeras espécies de fauna e flora silvestre.

Podem ter uma grande importância na prevenção dos incêndios tendo até já sido denominadas por alguns técnicos como “árvores bombeiras”, devido às suas características naturais de resistência ao fogo.

Assim, considera-se urgente a criação de legislação que proteja de forma eficaz os últimos exemplares e bosquetes destas espécies de Carvalhos autóctones. Legislação que conduza à sua proteção efetiva e, que inclua a proibição do corte destas árvores sem licença expressa das autoridades competentes para o efeito, à semelhança do que já acontece para o sobreiro e para a azinheira.

Petição a decorrer

Mais leituras

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Irena Žilić - The Moon

Melhor som aqui
Irena Žilić é uma das cantoras e compositoras mais respeitadas da cena alternativa croata, destacando-se por criar um som íntimo, melancólico e poeticamente denso, cantando exclusivamente em inglês. A sua canção "The Moon", que faz parte do aclamado álbum Haze, funciona como uma metáfora sobre o distanciamento emocional, os ciclos da vida e a busca por clareza em meio à névoa mental. Nesta faixa, a lua não surge como um símbolo de romance clichê, mas sim como uma presença fria, distante e constante, uma força que assiste às nossas falhas e transformações sem interferir, espelhando a dor de deixar algo ou alguém para trás e a aceitação da vulnerabilidade sob o luar. A relevância desta obra é tamanha que a famosa banda britânica Morcheeba gravou uma versão oficial do tema, após a artista ter feito a abertura dos seus concertos na Europa.

O estilo musical de Irena Žilić passou por uma evolução nítida ao longo dos anos. Inicialmente ancorada num indie folk acústico tradicional, com arranjos de cordas suaves e dedilhados que remetem para o universo de artistas como Laura Marling ou Cat Power, a compositora expandiu a sua sonoridade em "The Moon". Nesta faixa, o folk alternativo funde-se com texturas eletrónicas subtis e linhas de baixo mais marcadas, criando uma atmosfera sombria, cinematográfica e envolta em névoa.

No que diz respeito às influências filosóficas, romancistas e poéticas, a escrita de Irena bebe diretamente de grandes correntes artísticas e existenciais. Há um forte tom existencialista na sua obra, visível na forma como aborda o isolamento, a nostalgia e o peso das escolhas individuais. Além disso, a sua poética carrega a herança do Romantismo do século XIX, onde os elementos da natureza, como a lua e a neblina, funcionam como extensões diretas do estado psicológico do eu lírico. Esta narrativa introspectiva aproxima-se do romance psicológico, assemelhando-se a páginas arrancadas de um diário íntimo que capturam estados de espírito e vislumbres de lucidez, uma escolha estética que se complementa com a opção de compor em inglês, língua que, segundo a própria, flui de forma mais natural para expressar esta melancolia.

Significado do videoclipe
O videoclipe de "The Moon" é uma obra visual de caráter minimalista e conceitual, realizada em parceria com os coletivos artísticos 73collective e Tricycle Trauma. Gravado no palco do KUC Travno, em Zagreb, o vídeo abdica de qualquer narrativa linear e aposta na dança contemporânea, na acrobacia aérea e no contraste extremo de luz e sombra para traduzir a densidade da música. O cenário, desprovido de ornamentos, coloca Irena Žilić no centro de uma penumbra que simboliza a própria mente humana em um estado de isolamento e vulnerabilidade. Enquanto a cantora interpreta a faixa de forma contida e introspectiva, os performers ao seu redor corporificam os conflitos internos, o cansaço psicológico e a busca por libertação emocional que a letra sugere.

O significado central do videoclipe gira em torno da exaustão e do desapego, ilustrando visualmente a metáfora de "perseguir a lua". A escuridão total do palco representa a estrada escura mencionada nos versos iniciais da canção, funcionando como um reflexo da névoa mental que envolve o eu lírico. Os movimentos dos dançarinos nos tecidos aéreos — repletos de giros, suspensões e quedas controladas - trazem à vida os "fantasmas que não nos libertam". Essa dinâmica física expressa a frustração de tentar alcançar o impossível e a dor de aceitar o fim de um ciclo. No final, o clipe se consolida como uma representação poética sobre encarar as próprias sombras e aceitar a solidão como um passo necessário para encontrar a clareza e a transformação espiritual.

Página Oficial
Irena Žilić

Música do BioTerra: Ryogen


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Biografia

Ryogen, morreu em 18 de Setembro de 2017 de cancro.
Ele havia lutado contra o linfoma maligno nos últimos anos.
Como pode ver nesta performance, ele era um jovem, guitarrista e músico muito talentoso.
Espero que muitas pessoas se lembrem deste artista, e da sua música tanto quanto possível.

Guitar Performance of Ryogen in AMF, Amateur Music Festival

O Filme completo Demain (Amanhã) de Cyril Dion - Manana (Versão Espanhola)


Español

E se mostrar soluções, contar uma história positiva, fosse a melhor forma de resolver as crises ecológicas, económicas e sociais que atravessam o nosso mundo?
Após a publicação de um estudo que anuncia a possibilidade do desaparecimento da humanidade até 2100, Cyril Dion e Mélanie Laurent partiram com uma equipa de quatro pessoas para investigar em dez países aquilo que poderá provocar esta catástrofe e, sobretudo, como evitá-la. Durante a viagem, encontraram pioneiros que reinventaram a agricultura, a energia, e economia, a democracia e a educação. Ao juntarem todas as iniciativas positivas em funcionamento começam a ver emergir aquele que poderá ser o mundo de amanhã…

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Sólida, robusta e indispensável. A ponte Luiz I fez 130 anos


A 31 de Outubro de 1886 foi inaugurado oficialmente o tabuleiro superior da Ponte Luiz I, conhecida entre os portuenses como Ponte D. Luis. O tabuleiro inferior apenas foi inaugurado em 1887.

Fora em 11 de Agosto de 1880 que se dera a abertura do concurso público para a concepção e construção de uma ponte que fizesse a ligação entre as duas margens do Douro aos dois níveis: junto ao rio e superiormente, entre as escarpas.

O tabuleiro inferior destinava-se a substituir a Ponte D. Maria II, inagurada em 1843 e popularmente chamada Ponte Pênsil mas que já não se adequava ao crescente tráfego entre as duas margens do rio.


O concurso para a nova ponte recebeu 12 propostas, vindo a ser escolhida a apresentada pela empresa belga Societé Willebroek com projecto de Teophile Seyrig que havia já trabalhado na cidade, no projecto da Ponte Maria Pia em 1877.

A ponte D. Luis pesa 3045 toneladas e possui 2 tabuleiros com 8 metros de largura cada um. O superior tem uma extensão de 355 metros e o inferior de 175 metros.

A Ponte Luiz I permanece um ícone da engenharia moderna portuguesa e continua ser a única ponte em arco do mundo com dois tabuleiros à distância de 50 metros.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Documentário - Before The Flood (A Inundação da Terra) - 2016

Leonardo DiCaprio está de volta e desta vez para além de entrar no filme como figura central da obra, que entrevista líderes políticos, religiosos e cientistas, vai também produzir o documentário ‘Before the Flood‘.


O filme, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), segue a história de um activista ambiental enquanto chama a atenção para várias questões prejudiciais para o nosso planeta.

O filme apresenta-nos um relato fascinante sobre as mudanças climáticas, bem como as acções que nós como indivíduos e como sociedade podemos ter para evitar a interrupção catastrófica da vida no nosso planeta. O filme segue DiCaprio enquanto este viaja pelos 5 continentes e Ártico e fala com cientistas, líderes mundiais, activistas e moradores locais para obter uma compreensão mais profunda deste tema complexo. A ideia é investigar soluções concretas para o mais urgente desafio ambiental do nosso tempo.



Before the Flood (2016), dirigido por Fisher Stevens e apresentado por Leonardo DiCaprio no seu papel de Mensageiro da Paz das Nações Unidas, é um documentário focado na crise global provocada pelas alterações climáticas. Durante três anos de rodagem, DiCaprio percorre os cinco continentes e a região do Ártico para registar em primeira mão os impactos do aquecimento global. A narrativa acompanha o derretimento acelerado dos glaciares na Gronelândia, a desflorestação das florestas tropicais na Indonésia motivada pela expansão do óleo de palma e a poluição atmosférica sufocante nas grandes metrópoles chinesas. Em paralelo, o filme expõe como a dependência económica dos combustíveis fósseis e os interesses financeiros de multinacionais alimentam o negacionismo climático e travam políticas públicas mais rigorosas. Como resposta a estes cenários, o documentário defende soluções concretas, como a transição energética acelerada para fontes renováveis, a aplicação de taxas sobre a emissão de carbono, a adoção de dietas mais sustentáveis com menor consumo de carne de vaca e a participação política ativa através do voto em líderes empenhados na proteção do planeta.

Para contextualizar a gravidade da situação e apontar caminhos para o futuro, DiCaprio entrevista uma ampla diversidade de personalidades globais. No âmbito político e diplomático, contam-se intervenções de Barack Obama, então Presidente dos Estados Unidos, do Papa Francisco, que reflete sobre a dimensão ética e espiritual do cuidado com a Terra, de Ban Ki-moon, na altura Secretário-Geral da ONU,  de John Kerry, ex-Secretário de Estado norte-americano, e de Anote Tong, antigo Presidente de Kiribati, que partilha o impacto iminente da subida do nível do mar na sua nação insular. No campo da ciência e da ecologia, o filme reúne testemunhos do astronauta e cientista da NASA Piers Sellers, do climatólogo Michael E. Mann, do investigador Jason Box e da ativista indiana Sunita Narain, que traz ao debate a urgência da justiça climática nos países em desenvolvimento.

A perspetiva da inovação e do ativismo no terreno é completada por figuras como o empresário Elon Musk, que aborda o papel das baterias e da energia solar, o jornalista ambiental chinês Ma Jun, focado na transparência da poluição industrial, e o realizador Alejandro González Iñárritu, que relata as dificuldades causadas pela falta imprevista de neve durante as filmagens no terreno.

DiCaprio contou com a ajuda de Martin Scorsese na produção, de Trent Reznor e Atticus Ross na banda sonora, e a realização foi entregue a Fisher Stevens, vencedor do Óscar de Melhor Documentário, em 2009, com o filme ‘The Cove‘.

Mais sobre o Filme

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Matrimónio Sementes e Pesticidas

Em cima da mesa estão neste momento cerca de 59 mil milhões de euros, ou seja, a aposta da multinacional farmacêutica alemã "Bayer" na compra de "Monsanto", o gigante norte-americano dos pesticidas e das sementes que controla à escala mundial 90% dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Resta saber se as autoridades da concorrência já se pronunciaram e, na afirmativa, quais foram os procedimentos anti truste adoptados.

Em primeiro lugar, qual é o impacto desta fusão em termos de saúde pública? Há mais de 30 anos que a Monsanto lida com agentes cancerígenos (Cf. Centro Nacional de Pesquisa Científica e Universidade Pierre e Marie Curie, França). Concretamente, a exposição crónica aos pesticidas está associada a patologias graves, tipo linfoma não-Hodgkin e doença de Parkinson. O Roundup Supra, que representa 40% do volume de negócios da Monsanto, é um herbicida não convencional, de degradação muito lenta e de alta solubilidade na água (substância activa: glifosato). Ele actua no combate aos infestantes, em vinhas, pomares, etc., mas provoca intolerância ao glúten, uma proteína presente num vasto leque de alimentos do nosso quotidiano: trigo, cevada, centeio, queijos, etc.

Em suma, nesta aliança alquímica, as mutações genéticas introduzidas pela multinacional rentabilizam os seus herbicidas agro-tóxicos, sendo que as sementes manipuladas só são resistentes aos pesticidas que a multinacional fabrica! (Soja e milho transgénicos para resistir ao Roundup). Estamos face a uma contaminação da Natureza: a biodiversidade e a qualidade comprometidas, o que coloca a questão dos malefícios de certas biotecnologias. Mas também contaminação dos alimentos que temos à mesa. Na realidade, as sementes, riqueza e património da humanidade pela sua variedade, passam a ser simples mercadoria. Para os agricultores deixa de haver alternativa na escolha das sementes, isto é, das plantas, dos cultivos, do que se come e vende. Um sistema anti-social, como é o caso do algodão na Índia. Falam os media das responsabilidades da Monsanto nos suicídios por enforcamento de mais de 280.000 camponeses indianos do "algodão da morte"?* Que adianta ter sido a multinacional condenada várias vezes por agressões ambientais? A Bayer também não está acima de qualquer suspeita: é conhecido o caso das abelhas assassinadas por agentes tóxicos, sem falar na venda de produtos sanguíneos contaminados pelo vírus da Sida HIV.

Diz-se que o dinheiro não tem cheiro. Também não o terão as acções da Monsanto que Bill Gates e a sua esposa Melinda detêm em carteira! ("Via campesina" 2010). Sobretudo agora que o fundador da Microsoft virou filantropo, a querer fazer recuar a pobreza no mundo, com alguns donativos!

Qual é então o interesse da Bayer nesta aquisição aqui em análise? Em 2015, o seu volume de negócios em milhares de milhões de euros no sector agrícola era de 10,37%, enquanto o da Monsanto era de 13,40%, apesar das actuais quedas na venda de OGM. A oportunidade de uma fatia de mercado para a multinacional alemã, que só controla actualmente 22% das vendas no sector pesticidas-sementes. DuPont e Dow Chemicals também acasalaram. Trata-se, com estas fusões, de dominar o mercado mundial da agroquímica, se possível concentrado em uma só empresa, neste momento em mãos de três conglomerados empresariais. Concentração que é a melhor maneira de impor políticas agrícolas baseadas nas sementes OGM & pesticidas associados. Já em 2014 a Bayer alemã tinha procurado engolir a Syngenta, Companhia suíça de pesticidas, o que acabou por ser conseguido, não pela Bayer, mas pela ChemChina, que selou a compra da empresa suíça por cerca de 39 mil milhões de euros. O reverso da medalha de tudo isto é, invariavelmente, a perda da independência alimentar de agricultores e consumidores. Se o leitor tiver alguma apetência em obter outras abordagens do tema destas linhas, o acesso é fácil, dado que "O Mundo Segundo Monsanto", de Marie Monique Robin (2008) é uma obra traduzida em 15 línguas, em mais de 20 países!

António Branquinho Pequeno [Fonte: O Ribatejo]
PS - *4/5 de toda a investigação disponível nos media é proveniente de 3 grandes grupos empresariais! A França proibiu a cultura dos OGM no seu território mas os alimentos manipulados podem ser importados! Em Portugal (2015), o milho MON 810 da Monsanto é cultivado em Portugal (8000 hectares).