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Segunda-feira, 31 de Maio de 2004

A Água: um bem vital; perigos na Hidrosfera e apelos a um consumo responsável

CONSCIÊNCIA SOBRE A ÁGUA

Olimpio Araujo Junior*

Segundo a Organização Mundial de Saúde, no Brasil, morrem atualmente 29 pessoas/dia por doenças decorrentes da qualidade da água e do não tratamento de esgotos e estima-se que cerca de 70% dos leitos dos hospitais estão ocupados por pessoas que contraíram doenças transmitidas pela água.

A superfície de nosso planeta é constituída por apenas 30% de terra firme, os 70% restantes são de água, mas nem toda essa água está disponível para uso humano, 97% são águas salgadas e apenas 3% são doces. Destes, apenas 0,6% são águas doces superficiais sendo que um pouco mais da metade está disponível nos lagos e nos rios. Nosso corpo também é em sua maior parte constituído por água e por isso nossa vida depende diretamente dela.

Cada vez mais vemos crescer a consciência sobre sua importância vital, porém, mesmo sabendo da incomensurável importância para nossas vidas e do risco eminente da falta da mesma, muitos ainda continuam poluindo rios e reservatórios com esgotos domésticos e industriais, retirando vegetação protetora das margens e mananciais, o que apressa seu assoreamento, envenenando com metais pesados e agrotóxicos, construindo em suas margens e modificando seus cursos, além de muitas outras agressões. Ao mesmo tempo, empresas multincionais, que já entenderam o valor vital da água, resolveram agora embutir um valor econômico, transformando o que deveria ser direito de todos em mais um bem de consumo, um produto para enriquecer ainda mais quem já tem bastante dinheiro.

A natureza, o homem e até mesmo as cidades estão interligados e dependem de um equilíbrio do ciclo da água. Apenas quando tivermos um destino adequado para todo o lixo e todo esgoto produzido nas áreas urbanas, poderemos garantir a conservação de nossos rios e mananciais. Por isso é preciso combater a poluição dos rios, impedir a ocupação irregular de seus leitos e, principalmente, investir em na recomposição das matas ciliares e dos mananciais. A vegetação ciliar, ou matas de galeria, atuam como um amortecedor das chuvas, ajudando o solo a absorver cerca de 99,5% das suas águas, que são posteriormente liberadas lentamente para o lençol freático, mantendo desde mananciais e rios até olhos d’água e nascentes.

A ÁGUA EM NOSSAS VIDAS

Olimpio Araujo Junior

A água, como todos sabemos, é um elemento essencial para que a vida exista na Terra. Nenhum ser, animal ou vegetal sobrevive sem ela. Mas esse não é seu único papel na natureza. Como agente intempérico ela molda rochas, modifica paisagens, forma rios, mares e lagos. Sem sua ação intempérica não teríamos o solo que nos dá alimento e é sustentação de grande parte da vida vegetal existente.

A água também enfeita nossos céus. Quem nunca brincou de descobrir a forma das nuvens quando era criança, quem nunca parou para observar as nuvens no horizonte durante o crepúsculo. Na imensidão branca do Alaska, ou no deserto de gelo da Antártida, assim como nos cumes das montanhas a água se apresenta em estado sólido, formando paisagens exuberantes que atraem a curiosidade de milhares de aventureiros.

No ambiente urbano a água tem um papel fundamental, podendo ser fonte de vida ao saciar nossa sede e ajudar em nossa higiene, ou fonte de graves doenças, quando é poluída por nossos próprios dejetos transformando-se em um veículo para micro e macro organismos maléficos.

Ela também é essencial para regular o clima da cidade, pois como tem capacidade de armazenar calor pode colaborar com o arrefecimento da mesma. Em cidades onde a água e a vegetação aparecem com menor freqüência, o micro clima urbano pode variar em até 9ºC a mais do que em ambientes naturais.

A chuva faz parte do ciclo da água, e é graças a ela que muitos de nossos mananciais se mantém abastecidos, que nossas lavouras continuam produzindo alimentos para nossa mesa, porém, ao encontrar o solo impermeabilizado da cidade, o que é uma dádiva para a agricultura pode se tornar um pesadelo para muitos.

A ocupação irregular em áreas de alagamento (várzeas), a poluição excessiva, a retirada indiscriminada das matas ciliares e a própria impermeabilização do solo urbano são responsáveis por enchentes que deixam milhares de pessoas desabrigadas todos os anos. É a natureza dando sua resposta pelos ataques que sofre.

A água no ambiente urbano também pode ter sua função estética e de lazer. Enfeitando praças e chafarizes, formando lagos, ou sendo utilizada em parques aquáticos e clubes, ela também ajuda a melhorar nossa qualidade de vida.

A água é uma grande aliada da vida, mas muitas vezes nós mesmos a transformamos em uma arma por não respeitá-la da forma devida. O futuro de todo o planeta depende dela, e está em nossas mãos encontrar meios para preservá-la.

PERIGO NO PLANETA ÁGUA
Olimpio Araujo Junior

Nos últimos 50 anos a população mundial passou de 2,5 bilhões de pessoas para 6,1 bilhões. Estima-se que até 2050 nosso palneta tenha entre 9 e 11 bilhões de habitantes. Com este crescimento populacional, cresce também a demanda por alimentos, por energia, água e recursos minerais, aumentando também a poluição e a degradação ambiental.

Atualmente a proporção de área cultivada por pessoa caiu de 0,24ha/pessoa em 1950 para 0,12ha/pessoa em 2000. Calcula-se que em 2050 a proporção será de 0,08ha/pessoa. A terra agriculturável é cada vez mais escassa e a biotecnologia já provou não ser eficiente no aumento da produtividade.

Dentro deste contexto, nos resta uma grande esperança nos oceanos e nos mares. Dois terços da superfície do planeta estão cobertos por águas salgadas, caracterizando-se como uma fonte importantíssima de riquezas, de energia e principalmente, de alimentos. Se forem explorados de maneira sustentável, os oceanos e os mares podem contribuir em muito com a solução de nossos principais problemas.

Todos os anos são capturados no mundo cerca de 90 milhões de toneladas de peixes, que além de gerar renda para milhares de famílias de pescadores e de comerciantes, ainda ajudam a amenizar a fome e a melhorar a dieta de muitos. Os oceanos também ajudam a estabilizar o clima mundial, são fonte de água potável, após tratamento especial, em muitos países onde a água doce é escassa, e também são considerados uma importante fonte alternativa de energia elétrica e de combustíveis fósseis. Trinta por cento da produção mundial de petróleo provém dos mares, sendo que o Brasil é líder mundial na exploração em grandes profundidades. O transporte marítimo é responsável hoje por oitenta por cento do comércio mundial.

Com todos estes argumentos, fica fácil perceber que a vida e o futuro na Terra dependem também da utilização correta dos mares e dos oceanos, porém, não estamos tomando todos os cuidados que deveríamos. O litoral brasileiro, por exemplo, é famoso por bons e maus motivos. Com suas praias exuberantes e seus portos indispensáveis para o escoamento de nossos produtos, também enfrenta o despejo de esgotos de cidades inteiras além da falta de consciência de muitos turistas e empresas que colaboram diretamente no aumento da poluição.

Acidentes com petroleiros também tem colocado em risco nossas águas salgadas. Exemplo disso foram os dois petroleiros, o Erika, ao largo da costa de França, e o Prestige, ao largo da costa da Galiza, que juntos causaram um dos mais graves acidentes ambientais da história.

Alguns poucos homens, na ganância de satisfazer seus desejos capitalistas, já destruíram grande parte dos ambientes naturais de nossos continentes, colocando em risco todos os demais seres humanos, agora, estão acabando com os Oceanos, antes mesmo que possamos conhece-los melhor. Precisamos fazer algo imediatamente, pois é o nosso futuro e o de todas os formas de vida que está em jogo.

VAI FALTAR ÁGUA!

Olimpio Araujo Jr.

A vida começou com a água e a falta dela pode nos extinguir. Segundo a ONU, até 2025, dois bilhões e setecentos milhões de pessoas vão sofrer severamente com a falta de água. O homem é o grande consumidor de água doce, em média são utilizados 200 litros de água/dia/pessoa, em números aproximados. Sabe-se que o consumo de uma família na cidade é seis vezes maior que de outra família no campo, porém, o consumo de água na agricultura é responsável por 70% do total mundial. Uma descarga sanitária equivale a doze litros, e para se lavar uma quantidade de roupas na máquina, o consumo aproximado é de 120 litros. Um quilo de carne corresponde a 18.000 litros de água que foram fornecidos direta ou indiretamente ao animal que lhe deu origem, até a carne estar pronta para o consumo. Graças a esse consumo exagerado, rios famosos como o Nilo ou o Colorado já não conseguem alcançar sua foz na estação seca. Até mesmo o Mar de Aral na Rússia teve seu volume diminuído pela metade devido a utilização de sua água na agricultura. Todos os setores da economia necessitam de grandes quantidades de água, por isso a preservação dos nossos recursos hídricos devem tornar-se prioridade imediata no que se refere à sua qualidade, pois direta ou indiretamente todos dependemos deles. Um litro de esgoto lançado em um rio deixa centenas litros de água impróprios para consumo e são responsáveis por 5 milhões de mortes por ano, causadas por doenças como a cólera e a disenteria. A degradação de nossos recursos hídricos também está diretamente ligada com os desmatamentos, causados pela mineração e pela urbanização. Isso tudo é resultado da irresponsabilidade dos governos, das indústrias e até mesmo da sociedade, que durante anos não respeitaram as legislações ambientais, por desconhecimento ou mesmo pela constante busca do lucro fácil, resultando na diminuição de investimentos no tratamento de seus resíduos. Através da lei 9.433/97 o uso e a poluição da água começarão a ser cobrados com a intenção de reduzir o consumo e punir quem não se preocupa com a sustentabilidade de nossos recursos hídricos, mas é preciso que a população participe deste processo, tanto na fiscalização, como com denúncias e mesmo com a mudança de seus próprios hábitos, ou não conseguiremos reverter estas tristes estatísticas que podem nos levar a uma catástrofe irreversível.


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Preciso Preservar o Rio Minho

Um Bem Que É de Todos e É Preciso Preservar
Por CARLOS ANTUNES, Biólogo, responsável técnico pelo projecto do Aquamuseu do
Rio Minho
Domingo, 30 de Maio de 2004

A importância do rio Minho em termos dos seus recursos naturais e culturais foi
tema abordado em diversas intervenções no âmbito do Congresso Internacional do Rio Minho, realizado em Melgaço. Este tema, ganhou uma ênfase especial em virtude das notícias que têm vindo a público sobre a intenção da construção de três barragens na porção internacional do rio. Com efeito,as barreiras físicas foram apontadas como um dos factores de risco para afauna piscícola. Não podemos esquecer que a pesca artesanal, no rio Minho,representa um factor importante em termos económicos para a região, não só pela comercialização do produto da pesca mas também pelo que representa emtermos turísticos, particularmente no campo cultural e gastronómico. O rio Minho corresponde ao limite Sul da distribuição do salmão do Atlântico (Salmo salar) na Europa. Tem havido, nos últimos anos, indícios de recuperação desta espécie neste rio. Outras espécies com o mesmo
comportamento migratório, como o sável (Alosa alosa), a savelha (Alosa fallax), a truta marisca (Salmo trutta trutta) e a lampreia (Petromyzon marinus) são afectadas directamente quando são impossibilitadas de prosseguir a sua viagem até aos locais de postura. Outro grande migrador, a enguia(Anguilla anguilla), fica limitado a um espaço cada vez mais reduzido para crescer, aquando da sua chegada do oceano na fase juvenil (meixão). Acresce a tudo isto, a falta de medidas efectivamente praticadas na execução deste tipo de projectos, que visem minimizar os impactos negativos sobre as diversas
populações de peixes. Outros factores, como a poluição, a extracção de inertes, a introdução de espécies exóticas e uma gestão da pesca desajustada da realidade regional podem igualmente afectar não só as espécies com valor comercial mas também as ecologicamente importantes. Estão inventariadas, no rio Minho, 45 espécies de peixes, das quais 13 têm estatuto de conservação. A falta de conhecimento da estrutura e dinâmica de muitas destas espécies, das relações alimentares entre elas, dos efeitos dos
factores de risco já mencionados em termos da realidade local, são os principais inimigos de qualquer estratégia de conservação. A promoção do conhecimento e divulgação deste património, nas suas múltiplas vertentes, nomeadamente a nível da população local e visitante, da comunidade escolar e científica é seguramente uma estratégia que dará os seus frutos num futuro próximo.
O Aquamuseu do Rio Minho, projecto promovido pela Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, cuja abertura ao público acontecerá até final do ano, representa um passo importante neste caminho a percorrer para um mais e melhor saber, aumentando a responsabilidade colectiva sobre a conservação de um bem que é de todos.
Muitas imagens fantásticas da bacia do Minho através do Centro de Geologia FCUL
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Domingo, 30 de Maio de 2004

Rumo ao petro-apocalipse

Termino hoje a problematica sobre Energia, Ambiente, Sociedade, Educação Ambiental e Política com este ( mais um ) excelente artigo da revista Resistir.Merece uma leitura MUITO ATENTA.

Rumo ao petro-apocalipse
por Yves Cochet
Dentro de alguns anos, a produção mundial de petróleo convencional declinará enquanto a procura mundial não cessa de crescer. O choque resultante desta fome petroleira estrutural é inevitável, tão importantes são a dependência das nossas economias em relação ao petróleo barato e a impossibilidade simultânea de desmamá-las rapidamente.
Podemos esperar apenas amortecer este choque, desde que esta perspectiva próxima se torne a partir de hoje a referência única de uma mobilização geral das nossas sociedades, impondo consequências drásticas a todos os sectores sob a pena do caos. Esta antecipação é fundamentada no método do geólogo americano King Hubbert, que em 1956 havia previsto o pico da produção petrolífera interna dos Estados Unidos para 1970. Foi exactamente isso que aconteceu.
A transposição do método de Hubbert a outros países deu uma previsão de resultados semelhante: hoje, todos os campos petrolíferos gigantes — os únicos que contam — vêm a sua produção diminuir, salvo no "triângulo negro" Iraque-Irão-Arábia Saudita.
O pico de Hubbert deste Médio Oriente petrolífero deveria ser atingido por volta de 2010, conforme a retomada mais ou menos tardia da plena produção iraquiana e conforme a taxa de crescimento da procura chinesa.
Os sectores mais afectados pela alta contínua da cotação do petróleo bruto serão em primeiro lugar a aviação e a agricultura produtivista, pois os preços do querosene para uma e dos fertilizantes azotados e do gasóleo para a outra estão muito directamente ligados aos preços do bruto.
Isto sem a flexibilidade política estabilizadora que permite, por algum tempo e nos outros sectores, baixar os impostos sobre o petróleo quando os preços sobem. A seguir, os transportes terrestres, o turismo, a petroquímica e a indústria automóvel sofrerão os efeitos depressivos da diminuição da quantidade de petróleo (esgotamento). Até que ponto esta situação conduzirá a uma recessão geral? Ninguém sabe, mas a cegueira dos políticos e habitual o panurgismo pânico dos mercados fazem-nos temer o pior.(...)

Regressarei certamente a este complexo tema.
Nesta semana irei abordar a Água, seguindo o mesmo rumo:disponibilizar pontes de articulação transversal, propor alternativas, promover algum debate e (espero conseguir) atrair mais pessoas para a Eco-Consciência colectiva e individual e por uma Ecologia Integral.

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Sexta-feira, 28 de Maio de 2004

Tanto Sol

Dia da Energia
Tanto Sol.
no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva


Amanhã, sábado, 29 de Maio, comemora-se o Dia da Energia. A Sociedade Portuguesa de Energia Solar (SPES), o INETI e a Ciência Viva convidam o público em geral, particularmente os jovens, a debater o aproveitamento da energia solar, no ano em que se comemora o centenário da atribuição do 1º prémio na Exposição Universal de St. Louis
nos EUA ao Padre Himalaya pela sua invenção de um concentrador solar. No
engenho construído pelo Padre Himalaya em 1904, que ele designou por pirelióforo, eram atingidas temperaturas acima dos 3000 graus centígrados.
É urgente sensibilizar o público para a energia solar como recurso natural estratégico.
Na sessão será divulgado o Programa Nacional de Água Quente Solar e será abordada a tecnologia actual, que permite produzir electricidade a partir da energia solar, quer por via termoeléctrica, quer por via fotovoltaica, como irá ser feito por exemplo na maior central solar do mundo, projectada para o Alentejo.

A equipa "A cozinha é um laboratório" aderiu já à energia solar e vão ser cozidos pãezinhos para oferecer aos participantes no exterior do Pavilhão do Conhecimento-Ciência Viva, com o apoio do INETI e da empresa Sun Co.

Portugal, tão fértil em recursos renováveis,continua a importar mais de 80% da energia que consome. E temos tanto sol!


Um bom fim de semana...com energia...e renovável!



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Quinta-feira, 27 de Maio de 2004

Estreia hoje: «O Dia Depois de Amanhã»


A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza considera que o filme do realizador Roland Emmerich - “O dia depois de amanhã” que hoje estreia nos ecrãs de muitos cinemas em Portugal, pode ser uma importante forma de sensibilização e alerta para o problema inevitável do aquecimento global e das consequentes alterações climáticas.

Tratando-se de uma ficção exagerada do problema ambiental em questão, não deixa de ser mais uma forma de pressão para que Governos como o dos Estados Unidos da América, Austrália e Rússia ratifiquem o Protocolo de Quioto (a Rússia assumiu há poucos dias pela primeira vez na voz do seu Presidente que o iria fazer), como primeiro pequeno passo na concertação mundial na redução do aquecimento global.

A Quercus espera porém que haja ainda capacidade de concertação e antecipação para que se minimizem os efeitos e os consequentes custos sociais, económicos e ambientais à escala global que este problema ambiental acarreta, não sendo necessário recorrer de forma inevitável como este filme já o faz, à pedagogia da catástrofe.

No que respeita a Portugal, talvez a população perceba melhor a responsabilidade de todos os países, incluindo o nosso, em reduzir as emissões de gases de efeito de estufa, nomeadamente a necessidade do governo aprovar de vez o Plano Nacional para as Alterações Climáticas e aplicar e monitorizar as medidas previstas.

Se o filme tem um argumento que apresenta situações porventura ampliadas em termos técnicos e científicos, não é por demais lembrar o que os cientistas mundiais do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) e os cientistas portugueses através do projecto SIAM apresentam como as consequências das alterações climáticas nos próximos cem anos:

O que se já está a passar à escala mundial:

• aumento na temperatura média global (0,6 ºC) desde que há registos (1861);
• ano mais quente: 1998 (2003 na Europa);
• 2002 foi o segundo ano mais quente;
• década mais quente: 90;
• os últimos 6 anos estão nos 8 mais quentes de sempre (excluíndo 2003);
• os nove anos mais quentes ocorreram desde 1990;
• redução das áreas glaciares e da espessura do gelo.

O que já se está a passar em Portugal:

• temperatura média do ar: tendência crescente desde 1970;
• ano mais quente: 1997 (temp. méd. anual 16,6ºC);
• precipitação: tendência decrescente embora fraca no período 1931-2000; redução significativa durante a Primavera;
• tendência para o aumento de eventos meteorológicos extremos: secas e cheias;
• aumento do nível do mar: 1 a 2 cm/década.

As consequências à escala mundial:

• aumento de 1,4 a 5,8 ºC entre 1990 e 2100;
• maior concentração de vapor de água e de precipitação, principalmente no hemisfério Norte;
• maior frequência de ocorrência de fenómenos climáticos extremos (ex.: cheias, secas, freq. de dias muito quentes);
• aumento do nível do mar de 9 a 88 cm entre 1990 e 2100;
• fusão dos glaciares; redução do gelo nos cursos de água, lagos e mares;
• aumento da frequência e intensidade de eventos meteorológicos extremos;
• aumento do risco de extinção de plantas e animais (perda provável de metade da biodiversidade mundial);
• aumento da vulnerabilidade das infraestruturas e dos sistemas produtivos e de lazer associados às actividades humanas;
• aumento do risco de ocorrência de impactes a larga escala e com efeitos irreversíveis associados a alterações das correntes marítimas;
• aumento do risco de ocorrência de conflitos sociais e de migrações de populações.

As consequências para Portugal:

• aumento de 4 a 7 ºC na temperatura média do ar entre 2000-2100;
• redução das disponibilidades de água; aumento de cheias e pior qualidade da água;
• risco de perda de terreno em cerca de 67% das zonas costeiras;
• aumento do nível do mar entre 25 e 110 cm até 2080.

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
Lisboa, 27 de Maio de 2004

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Quarta-feira, 26 de Maio de 2004

Resistir- " No more War for Oil"

O Instituto Nacional de Estatística divulgou recentemente uma publicação importante com o titulo “Um Retrato Territorial de Portugal 2002” que permite analisar, de uma forma fundamentada a forma como a riqueza, o investimento, o emprego e as remunerações se distribuem pelas diferentes regiões do País.
Análise feita por Dr. Eugénio Rosa
consultem aqui, acrescenta mais uma evidência da acentuada clivagem socio-economica portuguesa,em particular os problemas dos transportes e efeitos no consumo desequilibrado de combustíveis fósseis, por sua vez com implicações no Ambiente e Qualidade de Vida de todos.
Perante a crise energética que estamos a assistir,nós e o mundo, há que
Resistir.
Conheçam os artigos e a comissão editorial desta ONG, baseada na Palavra de Ordem " No War For Oil"/" Não Mais Guerras pelo Petróleo", em prol de um mundo mais Justo, Livre e Verde.

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Inacreditável!! o Mundo estará a involuir de vez??

Energia nuclear pode combater efeito estufa, diz cientista

Um dos primeiros cientistas a alertar para o efeito estufa, o britânico James Lovelock, considera, num artigo publicado esta segunda-feira pelo jornal The Independent, que o aquecimento global do planeta apenas pode ser combatido através da utilização da energia nuclear.

Para o cientista, a única fonte energética não poluente que está imediatamente disponível para a utilização humana é a energia nuclear. «Não temos tempo para experimentar fontes energéticas visionárias, a civilização está em risco iminente», alerta James Lovelock.
No artigo do diário britânico, Lovelock alerta para o facto das fontes energéticas não poluentes não estarem a ser desenvolvidas com a rapidez suficiente para substituir o carvão, o gás e o petróleo, cujas emissões de dióxido de carbono estão na origem do efeito estufa.

«A oposição à energia nuclear é baseada em medos irracionais, alimentados pela ficção de Hollywood, pelo lobby dos ecologistas e pelos media», considera o cientista, acrescentando que «desde o início, em 1952, a energia nuclear provou ser a mais segura de todas as fontes».

24-05-2004 20:36:32
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Terça-feira, 25 de Maio de 2004

Eficiência Energética- o que é; como fazer; a sua importância no desenvolvimento sustentável

Produção de Energia Eléctrica em Portugal:
Aposta indispensável na Economia e na Eficiência energéticas!

16 de Fevereiro de 2004
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Excelente artigo publicado pelo Geota que passo na íntegra!Obrigatório ler, conhecer e agir!
O GEOTA esteve hoje representado, dia 16 de Fevereiro, junto com várias outras ONGA nacionais, numa reunião na Assembleia da República, com deputadas do partido “Os Verdes”, com o motivo de discutir assuntos relacionados com o cumprimento do Acordo de Partilha de Responsabilidades da União Europeia e sobre as declarações do Sr.MCOTA na última Comissão Parlamentar de Poder local, do Ordenamento do Território e Ambiente relativas às dificuldades nacionais no cumprimento do Protocolo de Quioto.
A discussão visou também as Medidas Adicionais ao Programa Nacional de Alterações Climáticas. Tratou-se, nomeadamente, a necessidade de incentivar a eficiência energética e a gestão da procura para a produção de energia Não foram esquecidas as relações entre os problemas das emissões e congestionamento urbano associado aos transportes, ao incorrecto ordenamento do território e à falta de uma Reforma Fiscal Ecológica que integre os aspectos ambientais nas decisões e projectos de desenvolvimento e na actividade económica. Foi referido igualmente o Programa Nacional de Alocação de Emissões e o seu atraso.

No capítulo da eficiência energética e da gestão da procura, o GEOTA vem ainda emitir a presente nota de imprensa nos termos que se seguem.

O nosso país tem de arrepiar caminho em matéria de emissões de CO2, porque já ultrapassou os níveis de emissão permitidos para 2012.

Por outro lado, a produção de energia eléctrica encontra-se fortemente condicionada pela aplicação da Directiva 2001/77/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27 de Setembro 2001, relativa à promoção da electricidade produzida a partir de fontes renováveis de energia no mercado interno da electricidade [Jornal Oficial, 283 de 27.10.2001].

A promoção da electricidade produzida a partir de fontes renováveis de energia (FRE) é assumida como uma das principais prioridades da Comunidade, por motivos de segurança e de diversificação do aprovisionamento energético e de protecção do ambiente, bem como por razões relacionadas com a coesão económica e social.

Para cumprir a meta de 39% de produção de energia eléctrica com base em fontes renováveis é indispensável investir em duas frentes, pela seguinte ordem de prioridade:

primeiro, no controlo da procura, ou seja, na promoção da eficiência energética no consumidor;
segundo, no controlo da oferta, ou seja, na substituição de fontes energéticas não renováveis por renováveis na produção de electricidade.
Nesse sentido, consideramos que:

1. É necessária a substituição de fontes energéticas para tornar a produção de electricidade mais amiga do ambiente, mas deve ser considerada como segunda prioridade, por três ordens de razão:

A melhoria de eficiência é a única forma de energia verdadeiramente limpa e estratégica para melhorar a segurança do abastecimento de energia, enquanto a substituição de fontes causa impactes ambientais adicionais e não traz outras vantagens;
A substituição de fontes é bastante mais cara do que os investimentos em eficiência e uso racional da energia, dado o estado calamitoso dos níveis de eficiência energética em Portugal;
Ao actual ritmo de aumento dos consumos (6% ao ano, muito acima do PIB) nunca o problema poderá ser resolvido apenas através da substituição ou da criação de novos centros electroprodutores.
2. A análise efectuada pelo GEOTA da informação disponível (estatísticas oficiais e estudos publicados pela REN – Rede Eléctrica Nacional) indicam que no sector eléctrico seria possível poupar, a curto prazo, 10% do total de consumos, apenas com investimentos em tecnologias já disponíveis no mercado (construção bioclimática, iluminação ecológica, equipamentos mais eficientes, sistemas passivos, entre muitas outras possibilidades), com períodos de retorno do investimento inferiores a 3 anos. Por outras palavras, esta meta é alcançável a baixo custo, apostando, essencialmente, na informação. O potencial teórico de poupança, com a tecnologia actualmente disponível, ascende a 25% dos consumos (embora tal nível de poupança necessite de incentivos financeiros e fiscais). Nenhuma outra fonte de electricidade, nova ou de substituição, tem perspectivas tão boas e promissoras como a aposta na eficiência energética.

3. A gestão da procura tem como princípio a satisfação de necessidades do uso da energia da forma mais eficiente possível. Implica a intervenção em diversos sectores (principalmente os serviços, a habitação, o comércio e a indústria) e o recurso a diversos instrumentos, designadamente a informação e o apoio técnico aos consumidores (empresas, instituições e famílias), a redefinição de instrumentos económicos (taxas e impostos sobre a energia) e regulamentação selectiva (rotulagem e requisitos técnicos de equipamentos). Genericamente, os equipamentos e instalações mais eficientes devem tornar-se mais baratos, e o consumo unitário de energia mais caro, de forma que a factura energética global dos consumidores e do País vá diminuindo.

4. As energias renováveis devem ter como principal objectivo a substituição da electroprodução baseada em combustíveis fósseis, em vez de servirem, como actualmente, para aumentar a capacidade global de produção. No entanto, mais barragens hidroeléctricas não representam uma opção viável, porque as hipóteses remanescentes em Portugal implicariam impactes ambientais inaceitáveis e custos de investimento elevados, com uma rentabilidade económica muito fraca (caso p.e. do proposto aproveitamento do Baixo Sabor com custo da electricidade da ordem de 9,8 ¢€/kWh, superiores aos custos de medidas de economia de energia, da produção com base em biomassa e da energia eólica).

5. De entre as fontes renováveis para electroprodução, a energia eólica é a que apresenta hoje em dia em Portugal maior potencial, com viabilidade económica interessante e impactes ambientais moderados. Refira-se no entanto que a energia eólica tem uma condicionante intrínseca: a potência disponível sofre de elevada variabilidade em função da meteorologia, implicando sempre a existência de sistemas produtores alternativos. Por outro lado, esta forma de energia não é isenta de problemas ambientais: são frequentes os conflitos de uso do território (por motivos ecológicos ou sociais), a ligação dos parques eólicos à rede pública exige muitas vezes o reforço da rede, e os acessos e linhas causam mais impactes que os aerogeradores em si. Estas condicionantes, somadas à tradicional burocracia nacional, resultam em que cada projecto de energia eólica demore, em média, cinco a seis anos a ser aprovado (quando o normal noutros países é um ano)!

6. Para ultrapassar estes problemas, o GEOTA propõe que o Governo promova estudos conjuntos de potencial eólico e compatibilidade de usos, por forma a definir sítios prioritários para a instalação destes equipamentos, preferencialmente fora de áreas protegidas e sensíveis. Não é aceitável que seja posta em causa a salvaguarda de valores patrimoniais e paisagísticos, mas também não é razoável que o Estado, por um lado promova a energia eólica e por outro dificulte a sua concretização, com entraves muito além das precauções razoáveis.

Tendo em conta as limitações da energia hídrica e eólica, o País tem que apostar noutras fontes renováveis de electroprodução. A fonte mais segura e interessante a prazo será inquestionavelmente a radiação solar, regular e abundante todo o ano em todo o território nacional (de dia e principalmente em época estival, exactamente quando a produção eléctrica por via térmica é hoje maior).

A energia fotovoltaica tem um elevado potencial apesar do seu actual elevado custo de investimento, ainda não competitivo com os métodos clássicos de electroprodução. Por outro lado, a generalização da energia fotovoltaica descentralizada reduziria substancialmente os custos de transporte da electricidade. Tendo em conta o enorme potencial por explorar, o baixo impacte, a vantagem estratégica de auto-suficiência e dispersão, bem como as perspectivas de evolução tecnológica, a energia solar deveria merecer o máximo apoio e atenção das políticas públicas sobre energia, nomeadamente em instalações de pequena dimensão em escolas e em edifícios públicos; o que infelizmente até agora não aconteceu.

"Eficiência energética conhecer e apoiar para o ambiente do mundo melhorar" Foi o Eco-Código seleccionado pelos meus alunos quando foi discutido este tema muito recentemente nos princípios de Maio.

Perante os factos, só nos resta uma atitude:

i. Sinal Verde para a economia de energia;

ii. Sinal Amarelo para novos empreendimentos de energias renováveis;

iii. Sinal Vermelho para novos centros electroprodutores com base em combustíveis fósseis e grandes barragens.


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Segunda-feira, 24 de Maio de 2004

Notícia ainda recente - apostar na eficiência energética é o caminho

Intensidade energética aumenta em Portugal e diminui na UE
Da Divergência Económica à "Divergência" Energética ?

Segunda-feira, 03 de Maio de 2004

A opção por sectores industriais fortemente consumidores, como a cerâmica e vidro, os cimentos e a pasta e papel, entre outros, condiciona irremediavelmente uma evolução favorável do consumo de energia por euro de riqueza nacional produzida

Feliz Mil-Homens* e Vítor Santos**
A União Europeia (UE) tem conseguido sistematicamente ter um crescimento económico superior ao crescimento do consumo de energia. Admitindo que séries temporais suficientemente longas esbatem o efeito das flutuações climáticas, que têm um peso significativo nos consumos dos países do Norte, somos levados a admitir que a intensidade energética do produto da economia europeia, tem diminuído ao longo do tempo. Por exemplo, de 1990 a 2000 o produto interno bruto (PIB) europeu cresceu à taxa média anual de 1,7 por cento ao ano, enquanto o consumo de energia primária cresceu no mesmo período à taxa média anual de 1,1 por cento, evidenciando uma elasticidade do consumo de energia relativamente ao PIB de cerca de 2/3. Este facto traduz-se numa redução da intensidade energética global do PIB de 0,7 por cento ao ano, com contributos diferenciados dos vários sectores.

Em Portugal, a evolução tem sido distinta (ver gráficos "O mapa da poluição" e "Nós e os outros"). Tomando o mesmo período como exemplo, entre 1990 e 2000, o PIB português cresceu à taxa média de 2,4 por cento, enquanto o consumo de energia primária cresceu à taxa média de 3,9 por cento, evidenciando assim uma elasticidade superior à unidade. Esta situação repete-se qualquer que seja o período escolhido nas últimas duas décadas.

Para o efeito muito terá contribuído o sector dos transportes (ver texto em caixa). Mas mesmo em sectores onde é mais estreita a ligação entre consumo de energia e produção de riqueza, como é o caso do sector industrial, os efeitos de natureza estrutural, relacionados com opções de desenvolvimento económico, tiveram uma influência determinante no consumo de energia e, por consequência, na intensidade energética levando a uma deriva negativa desse indicador tendo como referência a UE. De facto durante a década de noventa, o produto industrial europeu em valor regrediu nos anos de 1992 e 1993 e aumentou nos restantes; o saldo global entre 1990 e 1998 é de um acréscimo, em termos reais de 11,3 por cento do produto industrial europeu. No entanto, o consumo de energia final do sector, no mesmo período, diminuiu cerca um por cento, o que se traduz em ganhos de intensidade energética do produto industrial da ordem de 1,5 por cento ao ano, durante o período em análise.

Em Portugal, no mesmo período, o produto industrial aumentou em valor cerca de 13,5 por cento, mas o consumo de energia final do sector aumentou cerca de 34 por cento, o que se traduz numa degradação da intensidade energética do valor acrescentado industrial da ordem dos dois por cento ao ano, durante o mesmo período (ver gráfico "Melhor é possível").

Ganhos de eficiência "comidos"
Esta análise geral esconde uma realidade muito complexa e não deve conduzir à conclusão imediata e simplista, de que no sector se está a degradar a eficiência com que se consome a energia. Na realidade, a razão entre o consumo de energia e o valor acrescentado do sector depende de, pelo menos, três ordens de factores. Em primeiro lugar o nível de actividade do sector; é imediato que quanto maior a actividade industrial maior será o consumo de energia. Em segundo lugar, a estrutura do sector; ou seja, para um mesmo nível de actividade, o sector será estruturalmente mais "energívoro" se na sua decomposição subsectorial contiver uma maior componente de indústria pesada como siderurgia, cimentos, etc. Finalmente, o consumo energético depende da eficiência energética em sentido estrito; ou seja, para o mesmo nível de actividade e composição estrutural, existe um grau de liberdade adicional resultante das tecnologias e dos modelos de organização utilizados, que condicionam os bens e serviços produzidos com a energia utilizada.

Uma análise detalhada ao consumo de energia final na indústria transformadora portuguesa na década de oitenta revelou que os ganhos de eficiência energética do sector que efectivamente se verificaram, à taxa média de 1,1 por cento ao ano, não se reflectiram no consumo de energia final do sector uma vez que foram "comidos" pelo aumento de actividade do sector e, sobretudo, pela alteração estrutural que ocorreu durante essa década, com reforço do peso das indústrias mais energia intensivas, nomeadamente metalomecânica e papel (para uma análise mais aprofundada sobre esta temática veja-se Mil-Homens, 1993, "Análise do Consumo de Energia Final na Indústria Transformadora Portuguesa, na Década de Oitenta", Tese de Mestrado ISEG).

Infelizmente não são conhecidas análises desagregadas deste tipo para a década de 1990, que seriam importantes para o conhecimento da evolução real da eficiência energética do sector. No entanto, os valores globais referidos acima, parecem indicar que durante a década de 1990 se manteve a tendência da década anterior, em que eventuais ganhos de eficiência foram compensados por alterações estruturais do sector, de modo que, a intensidade energética global do sector se degradou. Esta tese carece, naturalmente, de confirmação.

O caso irlandês
Para ilustrar o efeito de estrutura no consumo de energia final do sector industrial é interessante conhecer o caso irlandês. Neste país, entre 1990 e 1998, o produto industrial aumentou 128 por cento enquanto se mantinha, em termos absolutos, o consumo de energia final do sector. A evolução desses dois indicadores conduziu, na prática, a uma redução da intensidade energética de 58 por cento durante o período. Tal ficou a dever-se, sobretudo, a alterações estruturais do sector, com forte reforço de subsectores de alto valor acrescentado e baixa intensidade energética.

Naturalmente que as dinâmicas da evolução estrutural da indústria são ditadas pela ponderação de um conjunto variado de factores - emprego gerado, valor acrescentado nacional no produto final, desenvolvimento tecnológico, etc. -, que em geral se sobrepõem às razões de natureza energética. No entanto, as estratégias de desenvolvimento industrial têm impactes determinantes ao nível do consumo de energia e a opção por sectores industriais fortemente consumidores, como a cerâmica e vidro, os cimentos, a pasta e papel, etc., que em Portugal têm um peso muito importante, sendo justificável pelos factores referidos, condiciona irremediavelmente uma evolução favorável da intensidade energética da economia.

Apesar de tudo, o caso irlandês sugere que, a redução ou a estabilização da intensidade energética do produto industrial, não é apanágio dos países mais desenvolvidos já que, mesmo para países que sejam protagonistas de um processo de convergência acelerado, é possível optar por um modelo de desenvolvimento industrial que, simultaneamente, torne possível o crescimento rápido e o aumento da eficiência energética.

*Professor Adjunto do ISEL; **Professor Catedrático do ISEG

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Por uma eficiência energética ( p.ex.nas cidades)

DECLARAÇÃO DE BRUXELAS


POR UMA POLÍTICA ENERGÉTICA SUSTENTÁVEL NAS CIDADES


Os municípios e autoridades locais reunidos no seminário da "Energie-Cités",
em Bruxelas, dias 22 e 23 de Abril de 1999:



Tendo em consideração o facto de que a energia é uma necessidade vital para todas as funções da vida urbana: aquecimento, iluminação, utilização dos equipamentos, produção, actividades de lazer, transportes, etc.

Sublinhando que a energia, desde a sua extracção ou produção até à sua utilização, traz geralmente danos para o ambiente, polui o ar ou é fonte de riscos para a população;

Lembram que tal requer a implementação de uma política energética sustentável nas cidades que:

satisfaça as necessidades económicas da população e dos agentes de intervenção urbana,

seja económica em recursos, resíduos e descargas,

melhore o ambiente urbano, a qualidade de vida e a coesão social,

não traga prejuízo aos interesses das gerações futuras.



Consideram que, no domínio da eficiência energética, das energias renováveis e da protecção do ambiente, as cidades – que concentram 80% da população, das actividades e dos consumos de energia – são um elo vital na implementação dos objectivos da União Europeia até ao ano 2010:

redução da intensidade energética e duplicação da parte da cogeração,

duplicação da parte das energias renováveis no balanço energético,

protecção acrescida do ambiente:

redução das emissões de gás de efeito de estufa de 8% em média, de acordo com os compromissos de Kyoto,
melhoria da qualidade do ar ambiente das cidades.


Estão conscientes de que atingir tais objectivos no plano local significa enfrentar contradições que terão de ser ultrapassadas, por exemplo:

a impressão de "abundância de energia" é forte entre os decisores a todos os níveis e influencia os seus comportamentos. Ora, uma tal atitude não favorece uma tomada em conta, a montante dos projectos, da incidência das diferentes opções possíveis sobre os consumos energéticos futuros...
o baixo nível dos preços da energia conduz a uma rentabilidade por vezes fraca dos investimentos em economia de energia; de onde vem a proposta de taxar a energia para elevar o seu preço. Mas devemos ao mesmo tempo evitar penalizar as famílias em dificulades financeiras...
uma parte da população deseja habitar na proximidade de um centro urbano, mas fora dele. Esta procura é reforçada pelo preço elevado dos terrenos em zona urbana. Ora, devemos controlar a expansão desordenada das cidades para evitar o alongamento das deslocações pendulares, consumidoras de energia e geradoras de poluição...
a estrutura vertical das administrações conduz muitas vezes a uma "compartimentalização" da vida urbana, a qual prejudica uma aproximação horizontal, intersectorial e multidisciplinar. Contudo a energia não pode ser gerida se não for tomada em conta no conjunto de todos os domínios...
as empresas de energia estão geralmente ainda longe de ter uma abordagem sustentável da sua actividade, algumas delas fazendo do crescimento das vendas de energia a sua principal razão de ser, por vezes com a ajuda de meios publicitários muito importantes. Ora, a gestão dos consumos energéticos na Europa passa por uma mais fraca intensidade energética de todas as actividades produtivas e domésticas...
a desregulamentação desenvolve-se em numerosos domínios, entre os quais os serviços urbanos e a energia, e as lógicas financeiras de curto prazo estão a ter um papel cada vez mais predominante. Contudo, o desenvolvimento urbano sustentável implica que as escolhas sejam tomadas na base do longo prazo...

Apreciam o facto de que, ao nível comunitário, as orientações políticas e os programas estão a ir de encontro a uma maior integração entre a política energética e as outras políticas, tanto ao nível global como ao nível local. Além das acções já empreendidas há alguns anos (Cidades Sustentáveis, Agências Locais de Gestão de Energia, etc.), elas anotam particularmente as seguintes iniciativas:

o 5º Programa-Quadro de Investigação, Desenvolvimento Tecnológico e Demonstração, a sua acção-chave "Cidade de Amanhã e Herança Cultural" , inteiramente orientada para a integração das políticas urbanas, em complemento de duas acções-chave sobre a energia (uma sobre as energias renováveis e outra sobre a eficiência energética), e duas sobre os transportes e a mobilidade;

o Quadro de Acção para um Desenvolvimento Urbano Sustentável na União Europeia, que se apoia sobre uma aproximação global e integrada do desenvolvimento urbano, assim como os documentos preparatórios para os próximos Fundos Estruturais que insistem na integração da eficiência energética e das energias renováveis em futuros projectos;

a "Integração da dimensão ambiental na política energética comunitária" , que foi objecto de uma Comunicação da Comissão Europeia, e o "Plano de Acção para a eficiência Energética" , actualmente em preparação;

a Directiva-Quadro sobre a qualidade do ar ambiente: "Ar puro para as Cidades Europeias" que estabelece "pontes" importantes entre esta política, a política energética e a do transporte.

Constatam com satisfação que numerosos exemplos de práticas locais , mostram ser possível empreender políticas energéticas sustentáveis, que têm realmente em conta as relações entre a energia e outros domínios da vida urbana, por exemplo:

a educação e a participação dos cidadãos
a qualidade do ar e a mudança climática
a gestão dos resíduos e dos recursos naturais
a dimensão do género e as necessidades específicas das mulheres
a mobilidade, o transporte e a organização intersectorial
a exclusão social e a precaridade energética
a planificação urbana e as infraestruturas
as novas tecnologias


Reafirmam que a troca de experiências e a transferência de know-how são trunfos preciosos e insubstituíveis para todos os actores locais envolvidos nas políticas energéticas sustentáveis. Em consequência, pedem às instituições comunitárias que as redes de trocas de experiências, tais como Energie-Cités disponham de meios adequados, numa base plurianual, permitindo-lhes realizar esta missão de interesse geral: informação sobre as orientações e programas comunitários, difusão e trocas de informação sobre boas práticas, encontros de agentes locais, etc.

Lançam um apelo ao conjunto dos intervenientes na cidade – do nível local ao nível europeu – para construírem uma política energética sustentável nas cidades europeias: às empresas municipais, às empresas de construção, às companhias de energia e de transportes públicos, aos urbanistas, aos arquitectos, às associações de protecção do ambiente, de consumidores, de cidadãos, de mulheres, etc., assim como aos Estados que fixam os seus quadros legais.

Comprometem-se, no que lhes compete, a iniciar, prosseguir ou ampliar uma política energética local sustentável, e a participar em debates e trocas de experiências que se inscrevam neste quadro e pedem às instituições europeias que as apoiem nas suas acções.

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Domingo, 23 de Maio de 2004

Mobilizar Portugal em apostar na Eficiência Energética

O sublinhado é meu...o texto é extraído da crónica semanal de Miguel Sousa Tavares,que exorta a eficiência energética e a aposta maior no consumo de enregias renováveis
Nós e o Mundo
Público, 21/05/04
Por Miguel Sousa Tavares
Com o petróleo a chegar aos 42 dólares o barril, podemos realizar quão frágil é uma recuperação económica e uma economia mundial que continuam a basear-se fundamentalmente no consumo de energias não renováveis. Com a entrada retumbante da China no mercado mundial, com os seus índices de crescimento de 12 por cento ao ano e sem petróleo próprio, com a situação no Médio Oriente pior do que nunca e tornada totalmente volátil graças à aventura iraquiana, o horizonte está carregado de nuvens negras. Os Estados Unidos, que não abrandam o seu consumo e aumentam a quota de petróleo importado (daí as relações agora estreitas e solidárias com a oligarquia angolana), guardam a produção própria para a constituição de reservas estratégicas, cuja dimensão é segredo de Estado. São a China e os Estados Unidos, por razões diferentes, que estão na origem da subida do preço do petróleo. E, se amanhã houver uma crise de abastecimento à escala global, quem não se tiver preparado para ela fica bloqueado.

É a esta luz que devemos observar com atenção as manobras em volta da Galp e que, segundo o ministro Carlos Tavares, não se tratam propriamente de uma privatização, mas sim da venda da posição de um parceiro estrangeiro e que circunstancialmente se encontra nas mãos do Estado. Seja a coisa o que for, permanece a pergunta sem resposta: para quê vender? O que será mais importante: o défice ou o controlo de um sector absolutamente estratégico da economia nacional? Se amanhã houver que tomar decisões cruciais de política energética nacional na Galp e lá estiverem, na administração, interesses estrangeiros e nomeadamente americanos, a quem obedecerão eles?

O que vale para a Galp vale para as águas e vale para a TAP. Qual o interesse nacional servido pela privatização das águas - outro sector absolutamente estratégico - ou pela dissolução da TAP na Star Aliance, com prejuízo imediato das carreiras altamente rentáveis e florescentes do Brasil e o fim do papel de representação externa que a companhia sempre desempenhou, com benefícios para o país que não são traduzíveis simplesmente em resultados financeiros? Sinceramente, gostava que o Governo, ao menos, se preocupasse em explicar-nos estes altos negócios que por aí correm, no segredo dos gabinetes governamentais e nos escritórios dos "sábios" e da próspera advocacia de tráfico de influências - onde demasiadas vezes aparecem sobrepostos os partidos e o Estado. Até pode acontecer que tenham razão e tudo isto seja inevitável ou útil para o país. Mas, então, expliquem-nos, para que não aconteça como me aconteceu a mim há dias, ao seguir um debate televisivo sobre a venda da Galp e ficar com a sensação nítida de que o deputado do PSD que ali estava representava, não os interesses do país, mas os de um dos concorrentes à compra e que, chamado a justificar a sua necessidade ou utilidade, não conseguia dizer nada mais do que repetir o eterno chavão de que vivemos numa economia globalizada.

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O discurso económico dos poderes públicos e as empresas têem que incluir o Ambiente nas suas decisões

Os empresários e as decisões económicas dos poderes públicos nacionais e internacionais devem perceber que " ser eco-eficiente é rentável, já que a eficiência económica por eliminação de custos em desperdícios de recursos, diminuição de resíduos ou de consumo de energia" (Jorge Marques dos Santos, Engenheiro Químico, Coordenador do secretariado executivo do World Business Council for Sustainable Development e Presidente do Fórum Ambiente da Sonae S.G.P.S.).
Por outro lado, a atenção para a preservação do ambiente, sobre a eficácia dos sistemas governativos com menor impacto ambiental e para o (in)cumprimento de normas/leis/convenções internacionais sobre ambiente, tem de fazer parte do nosso comportamento social habitual.
Entre as muitas encruzilhadas, há que ter a coragem de priveligiar a qualidade global à quantidade rentável,fácil eimediata e há que apostar em medidas a médio e longo prazo, pois são as que mais se coadunam com a correcção de erros ambientais grvíssimos que temos assistido ao longo destes últimos 40 anos!!
Será que desejamos caminhar para o ecocídio? Haverá em todos nós um espectro de esperança, ou desejamos realmente mudar este estrago todo antes que seja muito tarde??
Os ambientalistas (incluindo educadores, investigadores,empresários, cientistas, filósofos, etc) há muito que debatem estas questões e esperam por uma resposta menos ténue da sociedade política e financeira nacional e global.
rova disso
Sugestões de leitura:
Reforma Fiscal Ecológica

Guia para Gestores de turismo Sustentável-Pdf
Passa a Palvra - Projecto do GEOTA para Educação Ambiental

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Sábado, 22 de Maio de 2004

É preciso politizar a educação

A propósito de algumas intervenções minhas noutros blogs de caracter mais político, tentando esclarecer certos conceitos como genocídio, ecocídio e as relações iniciativa privada/interesses colectivos, Comércio/Ambiente e Fiscalidade/Ecologia, mais uma vez a aposta do BioTerra está na Educação . Juntos para um futuro menos frágil, fui buscar então aos meus arquivos este texto de Prof. Manuel Sérgio, que esclarece a filosofia de educação de Paulo Freire - ver nos meus links a sua Fundação- e que julgo de leitura obrigatória e vai de encontro ao feed-back já positivo que tenho encontrado por parte dos meus leitores.

Texto completo

(...) conheci, pessoalmente, pela primeira vez, o notável pedagogo Paulo Freire, em Agosto de 1987. Isso me bastou para em encontros casuais (um deles, na Avenida Paulista, lembro-me bem) ter admirado, nele, a paciência para aceitar a minha pimpante impertinência de pretenso filósofo da educação e ainda a clareza e a elegância expositiva, ao explicar-me as suas principais ideias que desnudavam a metodologia obsoleta de uma educação vista unicamente como transmissão de ideias prontas e acabadas, ou seja, de uma “educação bancária e domesticadora”, onde valem mais o conteúdo e o produto do que o processo de construção do conhecimento. “Por isso (dizia o Mestre) a educação, hoje, é muito mais interessante fora da Escola, a qual prossegue, teimosamente, na reprodução de modelos antiquados e gastos”. Sobre o mais, pareceu-me uma pessoa fundamentalmente boa, um S. Francisco de Assis dos nossos tempos. Mas o que eu pretendo realçar, neste momento, é que Paulo Freire alimentava a forte convicção que a prática educacional enfermava dos seguintes defeitos: compartimentação do conhecimento, através de disciplinas que recusam a interdisciplinaridade; comportamentos pré-estabelecidos, que ensinam a não questionar, a não exprimir os próprios pensamentos, levando à passividade e à reprodução; ênfase concedida à racionalidade, onde se estimula bem pouco a criatividade, a comunicação, a educação motora; obsoleta metodologia, onde o professor é o proprietário exclusivo do saber; ausência de educação política, que não se confunde com partidarização, já que tem em vista a formação de cidadãos livres, críticos, capazes de levantar o pendão da sua ideologia, responsavelmente assumida e com a necessária tolerância por todas as ideologias democráticas. De facto, a ausência de educação política é uma das grandes lacunas do sistema educativo, não aprendendo o educando que ter ideias implica agir por elas e com elas. Poderia citar-se, a propósito, a Carta sobre o Humanismo, de Heidegger: “Pensar a verdade do ser significa, ao mesmo tempo, pensar a humanitas do homo humanus”.
A Escola não pode ser apolítica (as aulas não devem ser apolíticas), por esta simples razão: o homem culto, isto é, que se cultiva, é essencialmente um homem político, alguém que se sabe o criador do seu destino histórico, que teoriza o real, porque o sente e o vive e o quer transformar. Hanna Arendt não hesita, ao afirmar que reside no bios politikós e não no bios theôretikós o radical fundante do verdadeiro pensamento. Hoje, porém, não há democracia, sem laicidade (todo o fundamentalismo religioso é de uma infeliz apologética, ao mesmo tempo que rejeita a democracia e a tolerância); hoje, também, torna-se perniciosa a economia de mercado, se dela não emerge a solidariedade e se não procede do reconhecimento da realidade lamentável dos miseráveis e do ecocídio (o neo-liberalismo mundial é explorador do Homem e depredador da Natureza); hoje, ainda, o Direito à Educação significa, acima do mais, que o educando é sujeito e não objecto da Educação e que portanto ele tem o direito a aprender a ser livre, diferente e melhor; por fim, sabe-se, hoje, que a pedagogia do Direito à Educação deve ser assente no diálogo, na comunicação “fundamentalmente ético-comunicacional e não principalmente científico-didáctica”, como o assinala Manuel Reis, no seu oportuníssimo livro, onde se associam o valor intelectual e a emoção humana do seu autor, Ética Profissional para Professores e Educadores (p.99). Ora, tudo isto deve circular, como seiva, em todas as aulas e em tudo isto transluz uma irrefutável formação política, anunciadora do Homem Novo, semente do Mundo Novo que é preciso construir. É na Escola que o aluno deve aprender a apreender-se, transfigurando a realidade em sonho para que o sonho possa ainda ser realidade. Ora, tudo isto deve circular, como seiva, em todas as aulas e em tudo isto transluz uma irrefutável formação política, anunciadora do Homem Novo, semente do Mundo Novo que é preciso construir. E neste labor as aulas de Educação Física (onde se trabalha e estimula a motricidade humana) são também chamadas a assumir o papel de contra-poder ao poder de algumas taras que vão persistindo, tais como o de fazer da educação um espaço de férrea domesticação e manipulação, ou inquinar o currículo escolar de um pragmatismo desprovido de princípios e valores.
Poderíamos evocar, aqui e agora, a Teologia da Libertação, para sugerirmos a construção de uma Escola da Libertação, onde o Desporto não se esgota num naturalismo bio-médico, ou na sobrevivência da lei do mais forte e do mais apto, nem as demais disciplinas num intelectualismo platónico, porque, numa escola democrática e laica, tudo deve ser responsavelmente (sem arbitrariedade, portanto) livre e solidariamente (empenhado, por isso) libertador, na formação ou edificação de uma Cultura que se estabeleça, em diálogo igualitário e permanente com os explorados e marginalizados. E que esta Cultura (e só esta) se transforme, na nossa segunda natureza.

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Quinta-feira, 20 de Maio de 2004

Paz no Feminino

Por JOAQUIM FIDALGO
Público
Quarta-feira, 19 de Maio de 2004

Gosto da ideia: candidatar 1000 mulheres de todo o mundo, todas juntas, ao Prémio Nobel da Paz em 2005. E gosto dela por vários motivos. Desde logo por se tratar de mulheres, quando é sabido que o Prémio Nobel da Paz - além dos outros, claro - vai muito mais frequentemente para os homens (desde a sua criação, em 1901, só 11 mulheres o receberam, contra 80 homens e 20 organizações ou instituições). Isto até não espanta, seja porque o mundo ainda é muito como nós sabemos que é, seja porque há uma óbvia tendência para privilegiar, no que toca aos esforços de paz, os estadistas, os presidentes, os clérigos, os dirigentes mundiais ou nacionais - e que são, na sua esmagadora maioria, homens. Ora esta iniciativa não chama só a atenção para o protagonismo das mulheres na construção da paz; chama a atenção para outras formas de construir e manter a paz por esse mundo fora, formas mais discretas, mais quotidianas, mais simples, afastadas das grandes ribaltas políticas ou mediáticas, mas nem por isso menos nobres ou necessárias.(...)

De acordo com o texto da organização deste projecto ( ver 1000 mulheres para a Paz 2005 o conceito de paz" não se limita à rejeição da guerra, pois inclui outros aspectos da vida – o social, cultural, político, econômico, ambiental. Buscamos mulheres que actuem preferencialmente nas seguintes áreas:

Promoção e defesa dos direitos humanos
Proteção de crianças, mulheres, deficientes e outros grupos de risco
Eliminação da pobreza
Preservação e manutenção do meio ambiente
Combate à violência e a todas as formas de discriminação
Formulação de uma ordem econômica e social justa
Promoção de negociações de paz e mediação de conflitos
Ampliação do acesso à saúde e educação
Documentação de crimes de guerra e violações de direitos humanos
Ação contra a proliferação de armas"


É tudo isto que se quer mostrar ao mundo, em 1000 exemplos dos mais variados, mas todos muito concretos, muito reais, com nome próprio e obra em curso. Um justo reconhecimento, sim. Um gesto de esperança também. Eu gosto e apoio - e acho que o sr. Alfred Nobel faria o mesmo...( ainda Joaquim Fidalgo)

BioTerra pulsa mais ternamente!


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Quarta-feira, 19 de Maio de 2004

PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL- o que são; quais são ; sua importância

Olimpio Araujo Junior*


O Direito ambiental é a ciência que estuda os problemas ambientais e suas interligações com o homem, para a conservação do meio ambiente sadio e equilibrado, essencial para a manutenção da qualidade de vida e sobrevivência do planeta como um todo. Os princípios do Direito Ambiental são os mandamentos básicos e fundamentais que dão subsídios e orientam esta ciência.

Sempre que seja necessária uma interpretação entre a validade de duas normas, prevalece aquela que está de acordo com os princípios da ciência, pois os princípios são considerados normas hierarquicamente superiores às demais normas que regem uma ciência.

É possível encontrar divergências em relação aos nomes de alguns princípios, dependendo do autor que se pesquise, porém, o Direito Ambiental já conta com princípios específicos que o diferenciam dos demais ramos do direito.

Como exemplos podemos citar: “Princípio da Legalidade”, isto é, da necessidade de suporte legal para obrigar-se a algo; O “Princípio da Supremacia do Interesse Público” onde a proteção ambiental é um direito de todos, ao mesmo tempo em que é uma obrigação de todos; “Princípio da Obrigatoriedade da Proteção Ambiental”, que está estampado no art.225, caput, da Constituição Federal, que diz que o Poder Público e a coletividade devem assegurar a efetividade do direito ao meio ambiente sadio e equilibrado; ou até mesmo o “Princípio da Educação Ambiental” que prevê o princípio da educação ambiental ao dizer que compete ao Poder Público promove-la em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente.

Podemos também citar os demais, como por exemplo: Princípio da Prevenção ou Precaução; Princípio da Obrigatoriedade da Avaliação Prévia em Obras Potencialmente Danosas ao Meio Ambiente; Princípio da Publicidade; Princípio da Reparabilidade do Dano Ambiental; Princípio da Participação; Princípio da Informação; Princípio da Função Sócio-ambiental da Propriedade; Princípio do Poluidor-Pagador; Princípio da Compensação; Princípio Da Responsabilidade; Princípio do Desenvolvimento Sustentável; Princípio Da Cooperação Internacional; Princípio Da Soberania Dos Estados Na Política Ambiental

A diversidade biológica é condição da harmonia entre o homem e a natureza. a extinção das espécies deve ser evitada, por isso o acesso aos recursos naturais deve ser eqüitativo e razoável;

Analisando mais atentamente o conteúdo destes princípios, percebemos que a maioria é apenas uma questão de bom senso, de respeito não só a natureza, mas à própria vida.

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Desertificação-conceitos básicos; acções e Agenda 21

No dia 17 de junho, de todos os anos, comemora-se o Dia Mundial de Combate à
Desertificação e à Seca.

A Desertificação é definida como processo de destruição do potencial produtivo
da terra nas regiões de clima árido, semi-árido e sub-úmido seco. O problema vem
sendo detectado desde os anos 30, nos Estados Unidos, quando intensos processos
de destruição da vegetação e solos ocorreu no Meio Oeste americano.

Muitas outras situações consideradas como graves problemas de desertificação
foram sendo detectadas ao longo do tempo em vários países do mundo. América
Latina, Ásia, Europa, África e Austrália oferecem exemplos de áreas onde o
homem, através do uso inadequado e/ou intensivo da terra, destruiu os recursos e
transformou terras férteis em desertos ecológicos e econômicos.

A medida que o estudo sobre a origem dos desertos evoluiu, surgiram conceitos a
respeito do assunto:

Deserto: região de clima árido; a evaporação potencial é maior que a
precipitação média anual. Caracteriza-se por apresentar solos ressequidos;
cobertura vegetal esparsa, presença de xerófilas e plantas temporárias.

Desertificação: origina-se pela intensa pressão exercida por atividades humanas
sobre ecossistemas frágeis, cuja capacidade de regeneração é baixa.

Processo de desertificação: diz respeito a atividade predatória que irá conduzir
a formação de desertos.

Área de desertificação: é a área onde o fenômeno já se manifesta.

Área propensa à desertificação: área onde a fragilidade do ecossistema favorece
o processo de instalação da desertificação.

Deserto específico: a desertificação já se manifesta em grau máximo.

As causas mais freqüentes da desertificação estão associadas ao uso inadequado
do solo e da água no desenvolvimento de atividades agropecuárias, na mineração,
na irrigação mal planejada e no desmatamento indiscriminado.

Principais problemas:

a.. vulnerabilidade às secas, que impactam diretamente a agricultura de
sequeiro e pecuária
b.. fraca capacidade de reorganizar a estrutura produtiva do sertão
c.. desmatamento resultante da pecuária extensiva e do uso de madeira para
fins energéticos
d.. problemas graves de desertificação já identificados
e.. sinalização dos solos decorrente do manejo inadequado na agricultura e no
pastoreiro
f.. perda de dinamismo de atividades industriais e comerciais
g.. precária conservação da infra-estrutura rodoviária
h.. precário atendimento dos serviços de comunicação
i.. precário sistema de difusão tecnológica
j.. baixa produção científica e tecnológica para as necessidades do semi-árido

k.. deficiência nos níveis de capacitação da mão-de-obra rural, industrial e
do comércio
l.. fragilidade institucional
m.. gestão municipal sem planejamento e comprometimento com objetivos a longo
prazo.
A desertificação ocorre em mais de 100 países do mundo. Por isso é considerada
um problema global. No Brasil existem quatro áreas, que são chamadas núcleos de
desertificação, onde é intensa a degradação. Elas somam 18,7 mil km² e se
localizam nos municípios de Gilbués, no Piauí; Seridó, no Rio Grande do Norte;
Irauçuba, no Ceará e Cabrobó, em Pernambuco. As regiões áridas, semi-áridas e
subúmidas secas, também chamadas de terras secas, ocupam mais de 37% de toda a
superfície do planeta, abrigando mais de 1 bilhão de pessoas, ou seja, 1/6 da
população mundial, cujos indicadores são de baixo nível de renda, baixo padrão
tecnológico, baixo nível de escolaridade e ingestão de proteínas abaixo dos
níveis aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde - OMS. Mas a sua evolução
ocorre em cada lugar de modo específico e apresenta dinâmicas influenciadas por
esses lugares.

As regiões sul-americana e caribenha têm inúmeros países com expressivas áreas
de seus territórios com problemas de desertificação. Os mais significativos são
Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Peru e México.

Possíveis causas da desertificação podem ser apuradas.

O desmatamento, que além de comprometer a biodiversidade, deixa os solos
descobertos e expostos à erosão, ocorre como resultado das atividades
econômicas, seja para fins de agricultura de sequeiro ou irrigada, seja para a
pecuária, quando a vegetação nativa é substituída por pasto, seja diretamente
para o uso da madeira como fonte de energia (lenha e carvão).

O uso intensivo do solo, sem descanso e sem técnicas de conservação, provoca
erosão e compromete a produtividade, repercutindo diretamente na situação
econômica do agricultor. A cada ano, a colheita diminui, e também a
possibilidade de ter reservas de alimento para o período de estiagem. É comum
verificar-se, no semi-árido, a atividade da pecuária ser desenvolvida sem
considerar a capacidade de suporte da região, o que pressiona tanto pasto nativo
como plantado, além de tornar o solo endurecido, compacto.

A irrigação mal conduzida provoca a salinização dos solos, inviabilizando
algumas áreas e perímetros irrigados do semi-árido, o problema tem sido
provocado tanto pelo tipo de sistema de irrigação, muitas vezes inadequado às
características do solo, quanto, principalmente, pela maneira como a atividade é
executada, fazendo mais uma molhação do que irrigando.

Além de serem correlacionados, esses problemas desencadeiam outros, de extrema
gravidade para a região. É o caso do assoreamento de cursos d'água e
reservatórios, provocado pela erosão, que, por sua vez, é desencadeada pelo
desmatamento e por atividades econômicas desenvolvidas sem cuidades com o meio
ambiente.

Conseqüências da desertificação:

Natureza ambiental e climática

Como perda de biodiversidade (flora e fauna), a perda de solos por erosão, a
diminuição da disponibilidade de recursos hídricos, resultado tanto dos fatores
climáticos adversos quando do mau e a perda da capacidade produtiva dos solos em
razão da baixa umidade provocada, também, pelo manejo inadequado da cobertura
vegetal.


Natureza social

Abandono das terras por partes das populações mais pobres, a diminuição da
qualidade de vida e aumento da mortalidade infantil, a diminuição da expectativa
de vida da população e a desestruturação das famílias como unidades produtivas.
Acrescente-se, também, o crescimento da pobreza urbana devido às migrações, a
desorganização das cidades, o aumento da poluição e problemas ambientais
urbanos.


Natureza econômica

Destacam-se a queda na produtividade e produção agrícolas, a diminuição da renda
do consumo das populações, dificuldade de manter uma oferta de produtos
agrícolas de maneira constante, de modo a atender os mercados regional e
nacional, sobretudo a agricultura de sequeiro que é mais dependente dos fatores
climáticos.


Natureza político institucional

Há uma perda da capacidades produtiva do Estado, sobretudo no meio rural, que
repercute diretamente na arrecadação de impostos e na circulação da renda e, por
outro lado, criam-se novas demandas sociais que extrapolam a capacidade do
Estado de atendê-las.

Diante de tudo o que foi abordado, conclui-se que o processo de recuperação de
uma área desertificada é complexo, pois necessita de ações capazes de controlar,
prevenir e recuperar as áreas degradadas. Paralelamente a estas ações, cabe uma
maior conscientização política, econômica e social no sentido de minimizar e/ou
combater a erosão, a salinização, o assoreamento entre outros.

Está previsto no Capítulo 12 da Agenda 21, a criação de seis áreas-programas
para combate a desertificação com ações regionais.

Fonte: CAVALCANTI, E. Para Compreender a Desertificação: Uma abordagem didática
e integrada. Instituto Desert. Julho de 2001.

Fonte 2: Ambientebrasil - 18/05/2004


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CARTA DA TERRA

A Carta da Terra parte de uma visão integradora e holística. Considera a pobreza, a degradação ambiental, a injustiça social, os conflitos étnicos, a paz, a democracia, a ética e a crise espiritual como problemas interdependentes que demandam soluções includentes. Ela representa um grito de urgência face as ameaças que pesam, sobre a biosfera e o projeto planetário humano. Significa também um libelo em favor da esperança de um futuro comum da Terra e Humanidade.” - Leonardo Boff HISTÓRICO: -1992: Durante a Rio-92 houve a proposta de uma Carta da Terra discutida mundialmente por Organizações Não Governamentais e Governos -Não houve consenso entre os Governos, pois o texto não estava suficientemente maduro -Em seu lugar adotou-se a Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento -Cruz Verde Internacional e Conselho da Terra, apoiadas pelo governo holandês, assumiram o desafio de elaborar uma Carta da Terra -1995: Encontro de 60 representantes de diversos áreas em Haia, na Holanda. Foi criada a Comissão da Carta da Terra para organizar uma consulta mundial durante 2 anos -Resultado: “Princípios de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Sustentado: Resumo e Reconhecimento -1997: Sob a coordenação de Maurice Strong (ONU) e Mikhail Gorbachev (Cruz Verde Internacional) foi redigido o 1º esboço da Carta da Terra -1998 a 1999: Amplo debate e discussão em todos continentes e em todos os níveis, de escolas primárias a ministérios). 46 países e mais de 100.000 pessoas envolvidas -1999: Steven Rockfeller escreveu o 2º esboço -12 a 14 de março de 2000: a Carta da Terra foi ratificada.



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Terça-feira, 18 de Maio de 2004

A Filosofia do BioTerra

O meu amigo filósofo, Porfírio Silva, editor da Máquina de Touring fez uma avaliação que considero muito isenta e profunda dos blogs "ambientalistas". Eu defendo uma Ecologia Integral e Transversal, poque o Ambiente é de todos nós e todos devemos decidir e agir o melhor possível, garantindo que o património se perpetue para as gerações seguintes. Há um tempo próprio da Biologia, da Geologia, da Ecologia que não se coaduna com as agressões quase instantâneas provocadas principalmente pelas decisões financeira e económicas...Por isso e porque acredito na prevenção e educação que o BioTerra existe.
Além disso o BioTerra nasceu para colmatar as dificuldades que eu verifico nos meus alunos quando pretendo incutir neles essa perspectiva de uma Ecologia Integral, pois treino muito com eles hábitos de pesquisa e verifiquei ao longo da minha carreira docente que a visão mais completa das variantes em jogo fica muito amputada se a pesquisa feita pelos alunos, foi "googlada", digamos assim.O conhechimento fica parcelado e muito redutor, criando-lhes desvios e menos rigor acerca da Conservação da Natureza e Futuro Sustentável. Por isso é que BioTerra também é blog com sites mais ou menos distribuídos de acordo com essa Pedagogia da Ecologia Integral que já referi.

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QUAL É A ÁRVORE QUE CORRESPONDE AO SEU ANIVERSÁRIO?

Um saber mitológico proveniente da cultura celta, atribuia a um determinado período do aniversariante uma árvore. Cada árvore então definia a persosnalidade e caracter do nasciturno. Eu sou Pinheiro.Qual é a (sua) tua árvore?
Num momento em que se assiste à requalificação dos Parques Urbanos até com estudos de "conceituados" arquitectos da praça pública e que tão teimosamente menosprezam as árvores, espero conseguir um outro objectivo: amemos as árvores!Juntem-se ao nosso protesto pela salvaguarda das árvores nas cidades, jardins públicos e exijam a criação de mais espaços verdes . Não se deixem ficar de braços cruzados.


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Ambiente Total e Ecologia Integral - a concepção e construção epistemológica da Ecologia actual para uma OIKOS do sec.XXI

O QUE É MEIO AMBIENTE

Olimpio Araujo Junior

Existe atualmente uma grande discussão sobre a utilização do termo “meio ambiente”, pois há uma forte tendência entre autores em se considerar o termo como pleonasmo ou redundância. Eu por exemplo, adotei o termo “Ambiente Total”, com a intenção de abranger os ambientes natural e antrópico (construído pelo homem), incorporando também os demais ambientes, porém, apenas como um termo ilustrativo, sem a intenção de criar uma nova discussão , afinal de contas, não precisamos de mais discussões, e sim de mais soluções.

Outros autores, utilizam unicamente o termo “ambiente”, e defendem com “unhas e dentes” a não utilização de “meio”. Segundo Valenti, em seu livro: “Las distintas visiones geográficas de lãs relaciones entre natureza y hombre“ (Barcelona, 1984), o termo “meio ambiente” provém da tradução do francês “milieu ambience”, utilizado inicialmente por naturalistas e geógrafos, onde “milieu” (ou “meio”), designa o lugaronde está ou onde se movimenta um ser vivo qualquer, e “ambience” (ou “ambiente”), refere-se ao que rodeia o ser. Particularmente, prefiro concordar com os demais autores, pois esta explicação de Valenti parece não convencer, afinal de contas, analisando bem, ambiente também é o lugar onde está ou se movimenta o ser. Uma palavra completa a outra, mas qualquer uma pode ser utilizada de forma isolada, sem perder o sentido que se quer passar, por isso também é possível se falar em “meio” sem precisar se falar a palavra “ambiente”, o importante seria especificar quando necessário, a qual meio ou qual ambiente está se referindo: ambiente urbano (ou meio urbano), ambiente aquático (ou meio aquático), ambiente natural (ou meio natural). Atualmente, temos que considerar até mesmo o ambiente virtual, que já é uma realidade em nossos dias. A discussão sobre meio ambiente com certeza não acabará tão facilmente, pois quando quase todos estão convencidos de uma determinada teoria, surge um novo teórico com novas idéias e novos seguidores. O importante é entendermos que o termo “meio ambiente” não está errado, afinal de contas ele já foi historicamente legitimado pela ciência e pelo senso comum.

* O autor é coordenador da Rede de Informações Ambiente Total – www.ambientetotal.pro.br



POR UMA ECOLOGIA INTEGRAL

Paulo Botelho
Morena, alta e magra, descendia de espanhóis e africanos. Erudita, falava francês com desenvoltura. Não gostava de cozinhar, mas era capaz de fazer um frango com quiabo como ninguém. Leitora voraz dos clássicos, entre eles Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote de la Mancha, gostava de reproduzir o que lia para todos da família, sempre na hora do jantar. Assim era minha avó paterna Maria de Luna Botelho. Através dela, ainda menino, fiquei com a idéia de que Dom Quixote era um fidalgo corajoso e sonhador, que saia pelo mundo para consertar tudo o que estivesse errado: proteger os órfãos, defender os perseguidos, impedir maus-tratos contra os humildes, estabelecer a justiça e, sobretudo, preservar a vida na Terra. "Não são gigantes, mas apenas moinhos de vento com suas pás", explicava ela parafraseando Sancho Pança, o fiel escudeiro de Dom Quixote. A partir dessas lembranças recorrentes, fiquei pensando numa Ecologia Integral, em seus aspectos pessoal, social e ambiental.

O aspecto pessoal - ou a paz consigo mesmo - tem como meta a saúde física, emocional, mental e espiritual do ser humano como estratégia para o desenvolvimento da paz. O aspecto social - ou a paz com os outros - busca a integração do ser humano com o exercício da cidadania e dos direitos humanos; a cultura da não-violência e a ética da diversidade. O aspecto ambiental - ou a paz com a natureza - vislumbra a integração do ser humano com a natureza, facilitando o processo de conscientização e sensibilização, no sentido de redução do consumo e do desperdício.

Nós, os ambientalistas, temos um pouco desse Dom Quixote. Somos aqueles que procuram fazer brotar uma flor do impossível chão! Não nos importa saber quantas guerras temos que vencer por um pouco de paz!

Quando me entristeço com a vida, seus percalços e dificuldades, tenho o costume de procurar olhar a Terra de fora da Terra. Assim como os astronautas. De lá, de suas naves espaciais ou da Lua, como testemunharam vários deles, a Terra aparece como resplandescente planeta azul e branco que cabe na palma da mão! Daquela perspectiva, a Terra e todos os seres vivos emergem como uma única identidade. Ela emerge como terceiro planeta de um sol que é apenas um entre 100 bilhões de outros do universo. Universo que, possivelmente, é apenas um entre outros milhões paralelos e diversos do nosso. E tudo segue com tal organização que permite a nossa existência aqui e agora. Caso contrário, não estaríamos mais por aqui.

Astrônomos americanos anunciaram, em julho de 2003, a descoberta de um planeta, muito semelhante a Júpiter, na órbita de uma estrela muito semelhante ao Sol e a apenas 90 anos-luz da Terra. Praticamente um vizinho, do ponto de vista cósmico. É mais um indício de que sistemas planetários, como o nosso, são uma constante no Universo. E não há razão para não ser. Conclui-se, portanto, que pode ser que se encontre, também, um planeta parecido com a Terra. E, se existem outras Terras, provavelmente deve haver outras vidas. - Das pás dos moinhos à paz na Terra!

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Rectificação-Avaliação dos Eurodeputados na Área do Ambiente

António José Seguro não é Faltoso

A Quercus divulgou no dia 7 de Maio último uma caracterização do desempenho
ambiental dos Eurodeputados portugueses através dos dados disponibilizados
pelo projecto "EU Vote Watch" desenvolvido pelos Amigos da Terra, em
colaboração com outras organizações.

Uma recente rectificação dos dados disponibilizados no site do projecto
(www.EU-votewatch.org) relativos a António José Seguro alteram
substancialmente os resultados do seu desempenho ambiental.

Os dados inicialmente apresentados pelo projecto "EU Vote Watch" colocavam o
eurodeputado António José Seguro como tendo faltado a oito das dez votações
consideradas. A rectificação entretanto efectuada refere que durante essas
oito votações António José Seguro não era membro do Parlamento Europeu.

Desta forma, António José Seguro não pode ser considerado de forma alguma um
eurodeputado faltoso para o ambiente, como inicialmente havia sido
classificado. Aliás, nas duas únicas possibilidades de voto que teve nas dez
consideradas votou sempre a favor do ambiente.

Por outro lado, e tendo em conta que nesta análise foram apenas considerados
os eurodeputados com pelo menos seis possibilidades de voto nas dez decisões
consideradas, António José Seguro deixa de fazer parte da lista apresentada
pela Quercus.

Assim, com esta rectificação, entram para a lista dos mais faltosos os
eurodeputados Luís Queiró (CDS-PP) e António Campos (PS), cada um com 5
ausências às votações consideradas. Estes dois eurodeputados juntam-se assim
a Carlos Candal (com 9 ausências) e Elisa Maria Damião (com 6 ausências),
ambos do PS, ao grupo dos mais faltosos para o ambiente no Parlamento
Europeu durante os últimos cinco anos.

Lisboa, 18 de Maio de 2004

A Direcção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da
Natureza

Conceição Lopes
Secretariado da Direcção Nacional
Quercus-Associação Nacional da Conservação da Natureza
Apartado 4333 - 1503-003 Lisboa
Tel.: 21.7788474; Fax.: 21.7787749; Tm.: 93.7788474
www.quercus.pt ; quercus@quercus.pt

É premente que se faça uma avaliação das actividades dos eurodeputados e que os resultadossejam comunicados aos orgãos sociais. De acordo com estas recentes notícias , não podemos dormir descansados se entregamos de boa-fé um mandato para o qual muitos dos eurodeputados até se ausentam das comissões para os quais pertencem...São actores principais de matérias que, como sabemos, constituem dossiers de grande impacto ambiental, social e político e que se não inverterem a sua atitude num curto prazo, irão agravar as condições de bem-estar de todos e das gerações vindouras!Por outro lado, cabe a cada um de nós,portugueses-cidadãos europeus conhecer a Europa, os seus Organismos...há muita informação disponível...pode começar por aqui. Na parte direita do BioTerra há muitos links onde pode inteirar-se da CEE e o que se faz em termos de Ambiente.
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Segunda-feira, 17 de Maio de 2004

Eleições Europeias

Campanha internacional questiona candidatos sobre posição em relação à
política europeia de químicos


Tem hoje ( 13/05/04)início uma campanha promovida pelo European Environmental Bureau, a
Greenpeace e os Friends of th Earth-Europe, em parceria com ONG nos 25
Estados-Membro da União Europeia, que pretende questionar os candidatos a
Membros do Parlamento Europeu (MPE) sobre qual será a sua posição em relação
à iniciativa REACH, a proposta para a política europeia de químicos.

A proposta REACH (Regulação, Avaliação e Autorização de Químicos) representa
uma das reformas mais significativas ao nível da legislação ambiental e as
ONG esperam que ela permita pôr termo à contaminação global dos seres
humanos, animais e do ambiente por químicos perigosos. Contudo,
interferências sem precedente por parte da Indústria dos Químicos
enfraqueceram a proposta apresentada pela Comissão Europeia. O novo
Parlamento terá a oportunidade de voltar a colocar a saúde humana e o
ambiente no centro da discussão.
Neste sentido, está a ser solicitado aos candidatos às eleições europeias
que assinem um compromisso em relação a esta matéria. Este compromisso está
a ser enviado por ONG dos 25 países da UE, sendo que em Portugal é a Quercus
que está responsável pelo seu envio.
Para além desta acção, a partir de hoje qualquer cidadão europeu poderá
aceder à página www.chemicalreaction.org (traduzida em 13 línguas, incluíndo
o português) e enviar um email ou uma carta aos candidatos a MPE do seu
país, perguntando-lhe se votarão a favor:

- da identificação e substituição obrigatória de todos os químicos de "elevada preocupação";

- do direito dos cidadãos saberem, sempre que o solicitarem, que químicos perigosos estão presentes em qualquer produto de consumo e pela rotulagem quando estiverem presentes químicos de "elevada preocupação";

- de que os químicos presentes nos produtos importados sejam sujeitos às mesmas regras que são aplicadas aos produtos fabricados na UE

As respostas dos candidatos deverão depois ser tidas em consideração no
momento de decidir em quem votar.

Segundo estudos recentes, "93% dos cidadãos europeus acreditam que os
químicos estão a afectar a sua saúde" [1], pelo que esta é uma oportunidade
única para os candidatos a MPE mostrarem que estão preparados para respeitar
as expectativas dos cidadãos europeus em relação a uma vida mais saúdável e
livre de químicos perigosos.


Para mais informações contactar:

Susana Fonseca (membro da Direcção Nacional da Quercus) - 93 660 36 83

Anja Leetz (EEB) - responsável pela campanha internacional Chemical
Reaction - Tel +32 2 289 1303

Anja.leetz@eeb.org

Mary Taylor - Friends of the Earth Europe - Tel: + 44 (0) 20 7566 1687 -
maryt@foe.co.uk

Nadia Haiama-Neurohr - Greenpeace - Tel: +32 2 274 1913 -
Nadia.Haiama@diala.greenpeace.org

Procure através do meu blog ( parte direita) actualidades sobre este problema naa páginas da Quercus e Greenpeace.Apoie-nos

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Perto de 30 por cento da costa portuguesa sofre de erosão !

Estudo da Comissão Europeia
(última Hora Público-17/05 | 20:09)

A erosão está a ameaçar cada vez mais a costa da Europa, revela o mais completo estudo sobre a erosão provocada pelas actividades humanas, elaborado pela Comissão Europeia. Portugal tem 28,5 por cento de costa em perigo, surgindo em quarto lugar nesta lista dos países da UE.


De acordo com o estudo "Living with Coastal Erosion in Europe: Sediment and Space for Sustainability", um quinto da Europa alargada já está gravemente afectado, com um recuo médio da costa entre os 0,5 e dois metros por ano. Mas existem "casos dramáticos" onde essa percentagem chega aos 15 metros.

Bruxelas aproveita para alertar que "a erosão costeira tem efeitos dramáticos no ambiente e nas actividades humanas", entre eles a destruição de casas, estradas e habitats vitais para a vida selvagem. Além disso, a segurança das populações que vivem junto ao mar não está garantida.

Nos últimos 50 anos, a população que vive em localidades costeiras na UE mais do que duplicou para 70 milhões, ou seja, 16 por cento da população da UE).

A Comissão Europeia atribui esta ameaça ao "desenvolvimento intensivo e uso dos solos". Para agravar o problema, a frequência de tempestades e inundações aumentou.

Amanhã serão debatidas em Bruxelas numa conferência internacional as recomendações da Comissão, integradas na "Estratégia Temática para os Solos", da União Europeia.

"Precisamos de salvaguardar melhor a nossa costa", considerou Margot Wallström, comissária europeia para o Ambiente. "A costa protege as pessoas das forças do mar, é um importante habitat para muitas plantas e animais e é economicamente importante, principalmente devido ao turismo", continuou.

A comissária pediu uma maior cooperação transfronteiriça para uma gestão mais sustentável da costa, nomeadamente no que se refere a infraestruturas. Em 2001, foram gastos 3,2 mil milhões de euros na Europa em tentativas para reduzir a erosão costeira.

O estudo, que utilizou um Sistema de Informação Geográfica especial, pretendeu avaliar os impactes sociais, económicos e ecológicos da erosão costeira na Europa e definir medidas de acção.




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Domingo, 16 de Maio de 2004

O descaminho da Educação em Portugal

Esta semana o parlamento vota a contestada Nova Lei de Bases da Educação.... No que se refere ao Novo Sistema de Certificação de Competências, recolhi este depoimento de um leitor do Público, que edito na íntegra, pois concordo em absoluto com a sua opinião.
Novo Sistema de Certificação de Competências
Sábado, 15 de Maio de 2004

Durante a recente Presidência Aberta da Educação promovida pelo senhor Presidente da República, teve o país a oportunidade de conhecer um sistema denominado Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (CRVCC). Como o próprio nome indica, é um sistema criado com o objectivo de validar e certificar competências adquiridas ao longo da vida por adultos e que se irá traduzir na emissão de certificados de equivalência aos 4º, 6º e 9º anos. Analisando com alguma ponderação este sistema, o que representa ele para o país? Mais saber e cultura para os cidadãos? Não.

Na realidade, ao valorizar somente os conhecimentos e as competências adquiridas ao longo da vida, desvaloriza a aquisição do saber sistematizado e organizado de forma pedagógica e científica. Por outro lado, ao restringir o conhecimento a quatro áreas básicas - matemática, cidadania, comunicação e novas tecnologias de informação -, torna-se também num sistema redutor do saber, desvalorizando ciências/disciplinas como a Língua e Literatura Portuguesas, Francês, Inglês, História, Geografia, Ciências Naturais e Físicas/Químicas, entre outras.

No fundo, o que o CRVCC desvaloriza é a escola e a aprendizagem nela realizada. Em síntese, estamos perante um sistema que se move em função de dois interesses. O interesse de alguns cidadãos em obter com facilidade e rapidez um certificado de um determinado nível de escolaridade e o interesse do Estado português em melhorar as suas "performances" estatísticas no que concerne aos níveis de escolaridade que o país apresenta.

Pergunto: como é que um aluno com baixas expectativas escolares e que conheça este sistema poderá ser motivado para a aprendizagem se sabe que dentro de alguns anos a sua experiência de vida lhe vai permitir alcançar, rápida e facilmente, o tão almejado certificado de habilitações?

Paulo Henrique Santos Fonseca

Ourém


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É urgente reformular os ciclos de vida dos produtos para que sejam recicláveis

"Embalões" dos Ecopontos Têm 40 por Cento de Refugo
Por RICARDO GARCIA
Sábado, 15 de Maio de 2004

Cerca de 40 por cento do que está dentro dos contentores amarelos dos ecopontos da região de Lisboa - conhecidos como "embalões" - está a ser encaminhada para a incineração e não para a reciclagem. Em grande medida, a responsabilidade é do próprio cidadão, que está a colocar no contentor (mesmo que involuntariamente) muita coisa que lá não deveria estar. Mas no meio do refugo, há materiais que poderiam ser reciclados.
Publico

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O fim do programa Ciência Viva?

Cientistas Aconselham Prudência Quanto às Mudanças na Divulgação Científica
Por TERESA FIRMINO
Sábado, 15 de Maio de 2004

As reacções ao novo programa para divulgar a ciência em Portugal, que põem a Agência Ciência Viva a concorrer a verbas em pé de igualdade com outras instituições, são cautelosas, até por que ainda não há muitos pormenores sobre como tudo irá funcionar. Os investigadores ouvidos pelo PÚBLICO esperam que a medida anunciada anteontem pelo secretário de Estado da Ciência, Jorge Moreira da Silva, não destrua o Ciência Viva e sublinham a importância deste na divulgação científica em Portugal.
Publico, 15/05/04
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Denúncias S.O.S Ambiente já está Online

Novo Serviço Online de denúncia S.O.S Ambiente
Clique aqui

Serviço da Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR

No decorrer das suas actividades diárias, o SEPNA desenvolve as seguintes acções:
A protecção dos suportes naturais: solo, água e atmosfera
A protecção das espécies vivas, tanto em território nacional como na entrada e saída do mesmo
A prevenção da contaminação do meio natural, através da vigilância e controlo das actividades potencialmente degradantes, e a verificação dos níveis de contaminação
A repressão de condutas ilícitas contra a natureza e ambiente, nomeadamente violações graves e irreparáveis
A averiguação das infracções cometidas, a prática das pesquisas necessárias para a sua comprovação e a descoberta dos seus autores

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Sábado, 15 de Maio de 2004

IPA chumba Baixo Sabor e Alto Côa

As mãos estão mais apertadas!
RFM, 14/05/04

O Instituto Português de Arqueologia (IPA) chumbou qualquer uma das opções de construção de barragem na região do Côa - Alto Côa ou Baixo Sabor.

Num parecer a que a RR teve acesso, o IPA refere que qualquer destas possibilidades teria efeitos muito negativos no património arqueológico, devido aos achados que aí existem e que ficariam submersos.
Além disso, o parecer do IPA aponta falhas nos estudos comparativos, que revelam, segundo o presidente do instituto, Fernando Real, ter sido elaborados "com metodologias diferentes e com equipas diferentes, pelo que os resultados são muito
dissonantes".
Assim sendo, a opção zero é a única possível e defendida pelo IPA.
Recorde-se que a barragem do Baixo Sabor já tinha sido rejeitada por um parecer do Instituto da Conservação da Natureza.

Antes de 27 de Maio, junte-se à iniciativa da Plataforma Sabor Livre, programada para 22-23 de Maio. Mais contactos Barbara Fraguas: bfraguas@mail.icav.up.pt

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A "Sanha Assassina" Virou-se para a Rotunda da Boavista

Por ANA CARNEIRO, leitora do Porto
Quinta-feira, 13 de Maio de 2004

Depois do homicídio qualificado de que foram alvo o Jardim da Cordoaria e
os jardins da Avenida Montevideu, no Porto, a sanha assassina virou-se
agora para a Rotunda da Boavista. Que fique desde já esclarecido que não
professo nenhum amor particular por aquele espaço. Isto não quer dizer, no
entanto, que me agrade que o espezinhem como estão a fazer.

Tenho acompanhado vagamente nos jornais o processo de intervenção naquela
zona da cidade, intervenção esta que, se não estou em erro, implica uma
passagem subterrânea que ligue aquela zona ao metro da Avenida de França e
também umas intervenções dos arquitectos Siza Vieira e Souto de Moura no
próprio jardim. Estas, segundo li, seriam pontuais e não interfeririam com
as áreas plantadas.

Tudo mentira. Ainda lá passei umas vezes de autocarro pelo meio da rotunda,
e os espaços ajardinados lá estavam, como pequenas ilhotas verdes e
coloridas no meio do trânsito. Até eram engraçadas. Eram, digo bem. Ao
passar lá hoje fiquei estarrecida: onde antes havia verde existe agora
terra remexida e uma espécie de caleiros de pedra e betão. Da relva nem
sombra, flores nem vê-las.

Como não acredito nas boas intenções de ninguém, quer se trate de
indivíduos ou instituições, depois de ver o que aconteceu nos dois exemplos
citados no início deste texto, receio que venhamos a herdar mais uma
paisagem lunar, semeada aqui e ali por uns edifícios rodeados de calhaus -
a não ser que, a exemplo do arquitecto Solà-Morales, espalhem cascas de
mexilhão nos canteiros.

Gostos não se discutem, é verdade. Aquando da minha descoberta das cascas
de mexilhão nos canteiros do Homem do Leme, um jovem arquitecto paisagista
recém-licenciado argumentou que o modelo de jardim até então presente
naquela zona era antiquado, já não se usava. Pode ser que sim, mas sempre
era mais agradável conviver com os goivos e com as zínias do que com as
cascas de mexilhão do arquitecto catalão, ou com os becos sem saída
existentes no Jardim da Cordoaria que me obrigam a percursos irracionais
para chegar de uma ponta à outra daquele espaço. Portanto, depois destes
belos exemplos, não tenho qualquer fé no resultado da intervenção na
Rotunda. Vamos mais uma vez perder espaços verdes e respirar poeira em prol
do progresso.

De acordo com uma informação "online" da Câmara Municipal do Porto, que
acabo de ler, "Tanto Ricardo Figueiredo como Siza Vieira e Rui Sá
salientaram como propósito dominante o não desvirtuamento de um jardim
emblemático da cidade, bem pelo contrário. Será, pois, mantida toda a sua
estrutura, bem como o seu traçado." Belas intenções. No entanto, umas
frases mais abaixo pode ler-se: "Quanto à arborização do jardim, Rui Sá
revelou que serão mantidas 195 árvores e abatidas nove, enquanto 24 de
pequeno porte serão transplantadas para dar lugar a outras de maior
dimensão. A situação de 17 árvores ainda não se encontra definida, estando
neste momento a ser tecnicamente avaliadas quanto ao seu estado. A zona de
relvados será também aumentada."

Na minha opinião, estão lançados os dados para fazerem daquilo o que muito
bem entenderem e, quando dermos pela pancada, já será tarde e a Inês estará
mais que morta.


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Boavista, Foz , zínias , goivos e homens sábios

Em nome da "requalificação" dos seus jardins o Porto está ser submetido a autênticas barbáries, citando a minha amiga Fátima Teixeira " a uma total destruição de espaços verdes dignos de serem, acima de tudo, preservados por muitas gerações, e só em última instância (por exemplo, em caso de terramoto...) serem modificados da forma como está a acontecer."
Temos que fazer algo!!

Joaquín Araújo, o filósofo ambientalista espanhol (in "Ecos...lógicos Para entender la Ecologia", 2000, Ed. Maeva) diz o seguinte:

"La Raiz de Todas las Cosas
Aire, agua, tierra y fuego siguen sustentando la vida en este planeta. Principios vitales que por ese mismo orden de importancia están amenazados por las secuelas no deseadas de nuestra actividad. Tal vez ni el clima sería progresivamente más cálido, ni la lluvia
abrasadora y caprichosa, ni los rayos ultravioletas tan cancerígenos si entendiéramos
que la atmósfera tambén respira. Como bebe el agua, come el suelo o arde el fuego y quien lo hace arder si no es cuidadoso.Los quatro elementos de Empedocles diagnostican
hoy, con sus enfermedades, la enfermedad de quienes las propagan."


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De mãos dadas: Educação; Ambiente; História; Filosofia;Comunicação; Justiça;....

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos.
(Manuel Alegre)
Obrigada O Rei Vai Nu

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De mãos é cada flor cada cidade - de Manuel Alegre


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Quinta-feira, 13 de Maio de 2004

80 milhões para prevenir fogos

Com o Verão a aproximar-se a passos largos - e com ele a época dos fogos - Portugal vai investir 80 milhões de euros na prevenção. Esta é uma das medidas incluídas no plano de combate aos incêndios florestais, apresentado esta quinta-feira. Mais informação em Visão
Será desta?


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Maldito concurso

Visão
A colocação de professores falhou e o Ministério da Educação mandou as listas para o lixo. A VISÃO calcula que, só em salários, o prejuízo terá sido de 150 mil euros.

Cito aqui um aspecto que atinge o cúmulo da burocracia, mais lixo e de sobretarefa inglória

Se o panorama da Net não foi o mais bem sucedido, devido à baixa adesão, em relação aos formulários preenchidos à mão viria a verificar-se o caos. Os boletins são constituídos por 12 folhas A4, cheias de colunas para a inscrição de códigos de horários e de escolas – e representam um importante passo na vida dos docentes, que chegam a dedicar dias ao seu preenchimento.

«Quando fui entregar as candidaturas aos serviços da 24 de Julho [em Lisboa], havia resmas de impressos no chão e uma multidão enorme de pessoas a tratar do processo», conta uma funcionária administrativa de uma escola da zona da Grande Lisboa que pediu para não ser identificada. «Quando a entrega era feita nos CAE [Centro de Área Educativa], era mais fácil, porque existia uma muito maior proximidade com as escolas», defende a referida funcionária.

A verdade é que para dar vazão à quantidade de papel recebido nos serviços do ministério – previam-se mais inscrições através da Net –, foi preciso reforçar a equipa de tarefeiros que, a trabalhar num processo contínuo de 24 horas, processaram os boletins. A VISÃO sabe que estiveram na Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação 80 pessoas a trabalhar, em regime de roullement. «Os formulários foram digitalizados e, apenas nos casos em que a caligrafia era deficiente, se teve que digitar os dados», assegura a nossa fonte. Além destas pessoas, exteriores à equipa do serviço público e contratadas pela empresa responsável pelo processo, trabalharam ainda outras cinco, na concepção do novo boletim, e cerca de 20 funcionários participaram no processo de validação das informações.

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2ndMarket sobe nas recolhas e reciclagem

FONTE:AmbienteOnline
A 2ndMarket recolheu 130 toneladas de lixo eléctrico e electrónico só no primeiro trimestre de 2004. De acordo com nota da empresa, 75 por cento deste total foi reciclado, 10 por cento reutilizado e os restantes aguardam verificação técnica.
Neste mesmo período, e ainda segundo a 2ndMarket, nenhuma quantidade de resíduos foi enviada para aterro e a eficiência foi melhorada. Em relação ao espaço de tempo em 2003, a empresa garantiu um crescimento superior a 200 por cento.

Comparado com o ano de 2003, a quantidade de equipamentos e componentes eléctricos e electrónicos recolhida durante o primeiro trimestre deste ano representa uma subida de mais de 50 por cento.

Da totalidade do material recolhido, 90 por cento consiste em equipamentos e componentes informáticos, sendo o restante volume composto por equipamentos e componentes eléctricos e electrónicos variados.


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Quarta-feira, 12 de Maio de 2004

Futuro Sustentável - Plano Estratégico de Ambiente do Grande Porto

Objectivos e visão

O “Futuro Sustentável – Plano Estratégico de Ambiente do Grande Porto” é um processo através do qual as autoridades trabalham em parceria com a população e com os vários sectores da comunidade na elaboração de um Plano de Acção de modo a promover a sustentabilidade ao nível local e intermunicipal. Na prática, consiste na definição das prioridades de intervenção de modo a proteger o ambiente e a aumentar a qualidade de vida das pessoas.

São objectivos do Futuro Sustentável:

reflectir e participar na definição do desenvolvimento sustentado do Grande Porto;
corrigir alguns dos problemas que se verificam na região;
integrar políticas sectoriais;
criar um espírito e coesão metropolitanos;
promover os valores locais;
envolver minorias;
estimular uma cidadania activa e responsável;
estabelecer mecanismos de acesso fácil e transparente à informação.


Estes objectivos serão alcançados através da:

realização de actividades de sensibilização ambiental e criação dos Conselhos Municipais de Ambiente;
preparação de um Diagnóstico Ambiental e de um Plano de Acção;
implementação, avaliação, monitorização e revisão do Plano de Acção.


O Plano identifica tanto acções específicas para cada município como acções comuns para toda a AMP que devem ser promovidas de forma coordenada por todos eles (mais precisamente, pelos municípios que aderirem ao PEA).



O projecto partiu da constatação de que:

é necessário integrar as políticas ambientais das várias Autarquias do Grande Porto. Nos dias de hoje, mais do que um planeamento estritamente municipal são necessárias estratégias regionais com articulação ao nível concelhio, de modo a promover sinergias e economias de escala e a evitar a transferência de problemas para outros locais;
o Grande Porto concentra uma densa população e, por isso mesmo, variados problemas ambientais que carecem de uma abordagem integrada com vista à sua resolução efectiva;
os cidadãos estão distanciados do poder político e das decisões por este tomadas. Urge inverter este ciclo vicioso, contribuindo para uma cidadania responsável e para uma definição mais participativa das políticas;
no quadro de uma União Europeia alargada e de uma competitividade cada vez mais acentuada entre regiões, o acesso a financiamento será mais fácil para aquelas que tiverem definido estratégias de desenvolvimento sustentado, já que isso ambiente.

Para saber mais!

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Manifesto "Pela História"

To: Presidente da República; Presidente da Assembleia da República; Primeiro Ministro; Ministro da Educação; Ministra da Ciência e do Ensino Superior; Ministro da Cultura

A HISTÓRIA preserva a memória, contribuindo para o desenvolvimento da consciência social;
A HISTÓRIA alia permanências e mudanças, perenidade e relatividade, fundamentando a construção de uma identidade inclusiva (local, nacional e global);
A HISTÓRIA recorda o passado colectivo e, como diz José Mattoso, recordar o passado colectivo é uma forma de lutar contra a morte.

Esta consciência cidadã, aliada às potencialidades formativas das metodologias da educação histórica, torna manifesta a importância essencial da disciplina de História nos currículos escolares, como o reconheceu a Conferência Permanente dos Ministros Europeus da Educação, reunida na Noruega em 1997. As conclusões da Conferência, subscritas pelo governo português, consideram que:

O ensino da História pode e deve ter uma importante contribuição para a educação em geral e, em particular, para a educação de uma cidadania democrática permitindo aos jovens: i. Aprenderem acerca da sua herança histórica, bem como a de outras pessoas e nações; ii. Adquirirem e praticarem técnicas fundamentais, tais como a capacidade de pensarem por eles próprios, a capacidade para tratarem e analisarem de forma crítica diferentes formas de informação e a capacidade de não se deixarem influenciar por informação preconceituosa e por argumentos irracionais; iii. Desenvolverem atitudes básicas tais como a honestidade intelectual e rigor, um julgamento independente, uma abertura de espírito, a curiosidade, a coragem civil e a tolerância.

Desde a sua formação, a Associação de Professores de História tem procurado contribuir activamente para a promoção da História e a consecução dos objectivos do seu ensino. É, assim, incompreensível e preocupante o espaço cada vez menor atribuído à História nos actuais 2º e 3º ciclos do ensino básico, (reduzida em muitas escolas a escassos 90 minutos semanais) e o seu eventual futuro desaparecimento do currículo como área autónoma de saber.

A APH reafirma a importância da consagração do lugar da História no currículo da escolaridade obrigatória, dotada de tempos lectivos adequados e com o relevo que o seu papel na formação da cidadania democrática lhe exige.

Associação de Professores de História

Assine aqui a petição!

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Terça-feira, 11 de Maio de 2004

A propósito da nota de "insuficiente" atribuída aos nossos eurodeputados em questões ambientais

No Reciclemos, o meu amigo Luís aborda, neste artigo de 8 de Abril, a sensibilidade ambiental por parte dos nossos eurodeputados, por partido e por país. Por outro lado,o Octávio, editor do Ondas, explica neste artigo como os nossos eurodeputados votaram na questão dos OGM. Limito-me a seleccionar alguns dados:

"Carlos Lage, Joaquim Vairinhos e Paulo Casaca, todos eleitos pelo Partido Socialista, são os eurodeputados portugueses mais amigos do ambiente nas suas opções de voto, segundo o sítio EU Vote Watch, da secção europeia da organização Friends of the Earth.
Nos 10 assuntos levados ao Parlamento Europeu que serviram de base à tabela elaborada por esta organização de defesa do ambiente, os três eurodeputados do PS votaram sempre na opção mais amiga do ambiente.
No extremo oposto situaram-se os eurodeputados do PSD Vasco Graça Moura (com 7 votos contra o ambiente), Pacheco Pereira(6) e Carlos Coelho (6), que apenas votaram ecologicamente o assunto da qualidade do ar (os três) e o da rede transeuropeia de transportes (Carlos Coelho).
Quanto aos representantes da CDU, Ilda Figueiredo e Joaquim Miranda, votaram sempre a favor do ambiente, embora tenham estado ausentes em quatro e três votações, respectivamente.
Já os eurodeputados do CDS-PP são menos amigos da natureza. Ribeiro e Castro votou 6 vezes contra o ambiente e três vezes a favor (água, transportes e poluidor-pagador), ao passo que Luís Queiró - ausente cinco vezes das votações - foi duas vezes contra o ambiente (qualidade do ar e benefícios fiscais para energias renováveis) e outras duas a favor (água e transportes). Ambos optaram pela abstenção na questão da rotulagem dos organismos geneticamente modificados (OGM)."

Convem estarmos atentos ao sítio EU Vote Watch da secção europeia da organização Friends of the Earth e manifestarmos por todos os meios o nosso desagrado junto das bases dos partidos que menor sensibilidade ecológica manifestamente evidenciam, pois sabemos que o futuro constrói-se no presente, com políticos mais humanistas e ecoconscientes e com uma democracia que se reforça com mais cidadania- crítica!
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Estudo reforça teoria do aquecimento global da BBC

Fonte: Nature

Cientistas norte-americanos divulgaram uma nova pesquisa que confirmaria o fenômeno da elevação da temperatura média do planeta.

Satélites dos Estados Unidos descobriram que a temperatura na chamada atmosfera baixa (troposfera) está aumentando em graus semelhantes à da superfície do planeta --uma descoberta que derruba o argumento dos mais céticos em relação às mudanças climáticas.

Os cientistas da Universidade de Washington, em Seattle, e da Administração Nacional de Atmosfera e Oceanos afirmam ter encontrado um erro fundamental na forma com a qual pesquisas anteriores sobre o efeito estufa interpretavam os dados de satélite relacionados à temperatura atmosférica.

Diferenças

Os dados anteriores sugeriam que a temperatura da atmosfera baixa se mantinha constante, enquanto que somente a da superfície da Terra aumentava.

Os pesquisadores afirmam que, na verdade, os cientistas estavam errados ao interpretarem os dados porque misturavam a temperatura da troposfera com a de camadas mais superiores da atmosfera.

O fato de a temperatura estar variando também na baixa atmosfera, e não apenas na superfície da Terra, reforça a idéia de que o aumento da temperatura média do planeta é provocado pelos seres humanos e não por fenômenos naturais e cíclicos.

Os novos cálculos foram publicados na revista científica "Nature" e resolvem um grande paradoxo na pesquisa sobre as mudanças climáticas.

Protocolo de Kyoto

A interpretação de que os dados de satélite estavam errados, e que o aquecimento global existe e é mais grave do que se imaginava, ocorre em um momento no qual céticos em relação às mudanças climáticas ganham força política.

Os governos dos Estados Unidos, da Rússia e da Austrália --países que emitem grandes quantidades de gases do efeito estufa-- já deixaram claro suas opiniões de que ainda falta muito para o aquecimento global ser comprovado cientificamente.

Esta posição ameaça o Protocolo de Kyoto, que ainda não saiu do papel. O protocolo previa que os países mais industrializados diminuíssem as emissões de gases do efeito estufa.

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Quercus e Greenpeace denunciam uso de madeira ilegal em edificios da UE

Bruxelas, 11 de Maio de 2004 7:00 - Activistas da Quercus e da Greenpeace
declararam hoje os edifícios do Comité Económico e Social (ECOSOC) e o
edifício Berlaymont, em Bruxelas, como "Cenário de Crime Florestal". A
iniciativa decorre de uma investigação que revelou que a madeira usada na
renovação destes edifícios é proveniente de empresas conhecidas pela prática
de comércio de madeira das florestas tropicais ameaçadas da Indonésia.
Muitas das chapas de contraplacado encontradas nos locais são provenientes
de empresas cúmplices na destruição das últimas florestas tropicais da
Indonésia, incluindo do abate dentro de uma reserva de extrema importância
para o tigre da Sumatra, uma espécie ameaçada.
Em 2002, Portugal foi um dos maiores importadores europeus de madeiras
tropicais (toros, madeira serrada, folheados e contraplacados), sobretudo de
países como o Gabão, o Congo (Brazaville), Camarões, Libéria, República
Democrática do Congo e Brasil. Apesar disso, os consumidores portugueses de
madeira e dos seus derivados desconhecem que parte dessa madeira tem origem
ilegal e destrutiva, razão pela qual a Quercus se associou à Campanha
Internacional do Greenpeace contra a importação de madeira tropical ilegal.
Na República Democrática do Congo, apesar de estar em vigor desde 2002 uma
moratória a novas concessões madeireiras, duas empresas portuguesas
obtiveram autorizações avulsas de exploração de mais de 6 milhões de
hectares de floresta tropical, cujo produto do abate se destina a indústria
madeireira portuguesa e em última análise aos consumidores portugueses.
Num dos edifícios, o ECOSOC, 50 activistas da "Unidade de Crimes
Florestais" do Greenpeace e activistas da Quercus descarregaram madeira
certificada FSC(1) para mostrar aos empreiteiros o tipo de madeira que
deviam usar. Os activistas delimitaram a área circundante ao edifício com
fita "Cenário de Crime Florestal" e descerraram duas grandes faixas na
parede do edifício com os dizeres "EU Forest Crime" e "EU: Stop Illegal
Timber Imports". Os activistas estão também a tentar envolver o edifício em
contraplacado certificado FSC, numa tentativa de suspender as obras enquanto
o cenário do crime florestal é investigado.
"A UE não só permite a importação de madeira ilegal para a Europa, como
incentiva o comércio em madeira destrutiva e ilegal através das aquisições
para os seus próprios projectos", disse Gavin Edwards do Greenpeace
International. "As florestas tropicais indonésias devem ser o lar dos
orangotangos e dos tigres e não de burocratas da UE em escritórios de
pelúcia."
Após anos de discussão, em 2003 a UE adoptou um plano de acção num esforço
para conter o comércio de madeira ilegal. Contudo, em vez de dar prioridade
a nova legislação para banir essas importações, optou por uma abordagem
baseada em acordos voluntários com um número limitado de países exportadores
de madeira. Sem esses acordos, continuarão a entrar na Europa grandes
quantidades de madeira e produtos de madeira provenientes de abate ilegal.
"Se a UE quer realmente pôr cobro à destruição da floresta e à pobreza em
regiões vulneráveis, precisa de ver para lá dos acordos voluntários", disse
o assessor do Greenpeace sobre florestas, Sebastien Risso. "Isso significa
fechar o mercado Europeu a todos os produtos de madeira ilegal e tomar
medidas duras que permitam às autoridades processar as empresas e os
indivíduos envolvidos".

Estima-se que cerca de 90% do corte de árvores na Indonésia é ilegal; o
abate de árvores em parques e reservas naturais é uma prática comum, sendo
frequentes os conflitos com as comunidades locais. Os produtos florestais
encontrados no edifício XXXX incluem madeiras das empresas RSK, IKMM e
Mujur, todas elas negociantes de madeiras provenientes das últimas florestas
tropicais de Kalimantan e Sumatra; e da AFR, uma empresa envolvida no corte
de madeira numa reserva de protecção do tigre. O contraplacado no edifício
ECOSOC é proveniente das empresas AFR, Mujur, e Korindo, esta última
envolvida, segundo o Governo indonésio, no comércio de madeira ilegal(2). A
Indonésia tem mais espécies ameaçadas de extinção, incluindo o orangotango,
do que qualquer outro país do mundo. O Banco Mundial descrever recentemente
o país como estando à beira de "um fenómeno de extinção de espécies de
proporções planetárias", e estimou que se o ritmo actual de destruição das
florestas continuar, a maior parte das florestas tropicais primárias da
Indonésia será abatida até 2010.


O contraplacado "amigo-do-ambiente" utilizado pelos activistas da Quercus e
do Greenpeace é certificado pelo Forest Stewarship Council (FSC). "Se as ONG
conseguiram encontrar madeira certificada para a acção de hoje, a UE também
o pode fazer e assim garantir que os fundos públicos não são gastos na
destruição das florestas tropicais", acrescentou Gavin Edwards.

80% das florestas primárias do planeta foram já degradadas ou destruídas, e
apenas 20% permanecem intactas. As florestas tropicais da Indonésia estão a
desaparecer a um ritmo inigualável no planeta. Uma área equivalente à da
Bélgica é destruída todos os anos (aproximadamente 30 mil km2, 1/3 da área
de Portugal). Os nossos governos estão a falhar na protecção das florestas
primárias da destruição através do corte ilegal e destrutivo.


Notas:

1. FSC é o sistema de certificação Forest Stewardship Council. O rótulo FSC
é a única garantia de que a madeira é proveniente de florestas bem geridas.
É o único sistema internacional de certificação a oferecer um mecanismo
transparente de monitorização desde a floresta até ao consumidor final, uma
característica fulcral para prevenir produtos florestais ilegais.

2. Inspecção oficial do Departamento Florestal Indonésio, Maio de 2003.

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Manual: Fotografias aéreas e detecção de áreas con taminadas

Manual sobre áreas contaminadas existindo alguns capítulos sobre a utilização de fotografias aéreas para a detecção das mesmas. Consultar aqui


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As escolas precisam de mais professores - Petição

Ex.mº Senhor
Presidente da Assembleia da República


O direito das crianças e jovens a uma Escola Pública de Qualidade, o combate eficaz ao insucesso e abandono escolares e a aposta na formação e qualificação dos portugueses exigem um sério investimento na Educação que passa, necessariamente, pela dotação dos estabelecimentos de educação e ensino com um número suficiente de professores e educadores.
Assim, no exercício do direito de petição, os professores e educadores abaixo-assinados vêm requerer que a Assembleia da República discuta a adopção de medidas que respondam à necessidade de valorização da Escola Pública, Democrática e Gratuita, de elevação das qualificações dos portugueses e, simultaneamente, contribuam para a implementação de políticas activas de emprego, nomeadamente:

1. redução do número de alunos por turma e do número de turmas por professor, para valores que reforcem a qualidade da relação pedagógica;
2. redimensionamento das turmas do 1º ciclo do ensino básico, por forma a que sejam constituídas, no máximo, por dois anos de escolaridade;
3. alargamento da rede pública de educação pré-escolar, por forma a que todas as crianças a ela tenham acesso, garantindo condições para a obrigatoriedade da sua frequência no grupo etário dos cinco anos;
4. desenvolvimento de medidas que permitam combater eficazmente o analfabetismo e as baixas qualificações da maioria dos portugueses;
5. concretização de medidas que combatam, de facto, o abandono e o insucesso escolares;
6. alargamento das medidas de apoio educativo aos alunos com necessidades educativas especiais na perspectiva de uma escola inclusiva;
7. desenvolvimento generalizado de projectos de enriquecimento curricular e consagração do “par pedagógico”, no 3º ciclo do ensino básico, nas áreas de projecto e estudo acompanhado e na disciplina de educação tecnológica;
8. dimensionamento dos quadros das escolas de acordo com as suas reais necessidades, tendo em conta o conjunto de respostas educativas de que as comunidades necessitam;
9. medidas que permitam a estabilidade do corpo docente das escolas, nomeadamente a vinculação dos professores e educadores contratados, através da sua integração nos quadros;
10. renovação do corpo docente, também por via da revogação das medidas gravosas que o Governo está a impor a todos os trabalhadores da Administração Pública, no que respeita à sua aposentação.

Figueira da Foz (VIII Congresso Nacional de Professores-FENPROF), Março de 2004.

Quero subscrever a Petição

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Segunda-feira, 10 de Maio de 2004

6º Congresso Brasileiro de Cadastro Técnico e Multifinalitário e Gestão Territorial

6º Congresso Brasileiro de Cadastro Técnico e Multifinalitário e Gestão
Territorial
4º Encontro de Cadastro Técnico e Multifinalitário para os Países do
Mercosul
1º Encontro de Cadastro Técnico e Multifinalitário para os Países da
América Latina

A organização do COBRAC 2004, vem por esta avisar que o prazo para:

- Envio dos artigos completos vai até: 10/05/2004
- Comunicação de aceite dos artigos vai até: 21/06/2004
- Envio dos artigos, em sua versão final vai até: 11/07/2004
Maiores informação no sítio da COBRAC
Atenciosamente
Coordenação do Cobrac 2004
Cobrac@ecv.ufsc.br
Fonte: informação enviada pelo Geógrafo Pablo Rosa (PB)

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Pic-Nic Vegetariano-Parque da Cidade-16 de Maio

Domingo, 16 de Maio, no Parque da Cidade da Cidade do Porto, e por iniciativa do Gaia - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, vai realizar-se um .

Ao pic-nic propriamente dito estarão associadas outras iniciativas, logo a partir da manhã, como o Workshop de Fornos Solares, que decorre das 10 às 17 horas ou o Passeio de Bicicleta pelo Parque da Cidade.
O Pic-Nic Vegetariano e Vegano estende-se entre as 13 e as 18 horas, ocorrendo simultaneamente com ele várias actividades, como um Workshop sobre Germinados, às 16 horas, um Workshop de Dança, às 17 horas e uma Conversa sobre Ecologia Social, às 18 horas.

Entre as 10 e as 20 horas haverá bancas de várias associações, feira de trocas, animação, e actividades para crianças.

Vem ao parque partilhar informação e comida vegetaria e vegana! Vem passar um dia no parque, longe dos centros comerciais, vem conversar e partilhar ideias e saberes!

Para mais informações envia e-mail para porto@gaia.org.pt ou telefone para 937267541 ou 969079116.

P.S. Se fizeres parte ou conheceres algum grupo, associação, etc., que possa estar interessado em participar com informação sobre a/o mesmo, em realizar alguma actividade, em fazer animação de rua... são todos bemvindos! Se puderem, digam-nos alguma coisa, só para estarmos a contar

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Transgénicos Fora do Prato, Já!

POR QUE DIZER NÃO AOS TRANSGÊNICOS

Olimpio Araujo Junior

Podemos citar dezenas de excelentes motivos para se dizer “NÃO” aos alimentos geneticamente modificados, enquanto os defensores dos transgênicos só tem um argumento de peso a seu favor: o lucro.

A ganância por ganhar cada vez mais está fazendo muitos produtores fecharem os olhos para os problemas causados pelos transgênicos, e o pior, é que nem o próprio lucro está comprovado, pois segundo dados fornecidos pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Bio-segurança), os transgênicos são menos aceitos que os convencionais, e por isso, quem produz transgênicos, acaba produzindo menos. Entre os anos de 1996 e 2001, período de grande crescimento do plantio de alimentos geneticamente modificados nos Estados Unidos, a produção por hectare cresceu 4%, enquanto no Brasil, com sementes convencionais, durante o mesmo período, a produção aumentou 25% (dados CTNBio). Além disso, segundo dados da FAEP, a produtividade de soja brasileira, por exemplo, já alcança 4 toneladas por hectare, isso demonstra que não precisamos parar de produzir alimentos convencionais substituindo-os por geneticamente modificados. Se a intenção é lucrar mais, então por que não investir na soja orgânica, que além de natural, tem mercado garantido e preço muito maior que o da convencional ou que a transgênica?

Outro grande motivo para se dizer “NÃO” aos transgênicos é que os mesmos podem ser patenteados, e quando não existir mais sementes convencionais no mercado, as empresas detentoras de seus direitos poderão cobrar quanto quiserem por suas sementes, fertilizantes e agrotóxicos, controlando como queiram o mercado e o que deve ser utilizado pelo produtor. Por isso, o que é barato e lucrativo para ser produzido hoje, amanhã pode ser o pesadelo de quem planta. Os lucros da agricultura podem ser transferidos em um passe de mágica para as indústrias dos transgênicos, e então perderemos o superávit gerado pela agricultura, que impulsiona todo o resto do país.

EUA x BRASIL: A GUERRA JÁ COMEÇOU

Olimpio Araujo Junior
Na luta pelo mercado internacional, os Estados Unidos da América, usam seus técnicos e sua imprensa como principal arma para vencer de forma suja e desleal seu maior concorrente: O Brasil.

Nosso País atualmente é o maior produtor mundial de soja não-transgênica e agora está sendo inconseqüentemente acusado de ter 60% de sua soja transgênica, mesmo sem referência alguma a qualquer estudo cientifico sobre o assunto. Mas esta não é a única tática inescrupulosa utilizada pelos nossos vizinhos. Suas multinacionais já iniciaram uma forte campanha publicitária tentando convencer agricultores brasileiros que os mesmos passariam a ter vantagem competitiva e maiores lucros com a produção de transgênicos. Além disso, misteriosamente sementes transgênicas contrabandeadas começaram a aparecer em nossas lavouras.

É bom lembrar a nossos agricultores que quem tudo quer, tudo perde. O mercado internacional em sua maioria, não aceita sementes transgênicas (como recentemente a China ameaçou não comprar mais soja brasileira), e esse é o principal motivo dos EUA insistirem para nós também produzirmos, pois assim além de forçar o mercado mundial a aceitar esse produto, visto que os dois maiores produtores do planeta estariam utilizando material geneticamente modificado, eles também passariam a dominar nossa agricultura, através de nossa dependência tecnológica e das leis internacionais de patentes.

Segundo Jorge Proença, agrônomo da FAEP, “Seria tolice plantar transgênicos se o mercado comprador não aceita este tipo de produto” (Boletim Informativo FAEP/SENAR, nº 754). A soja convencional (não-transgênica), é tida como a maior vantagem competitiva do Brasil no mercado mundial, o que fez com que se torna-se o principal fornecedor da União Européia, que prefere consumir alimentos convencionais. No Brasil não é diferente, segundo pesquisa do IBOPE, de cada 100 pessoas que possuem conhecimentos sobre transgênicos, 71 rejeitariam produtos fabricados a partir dos mesmos na fabricação direta ou indireta de alimentos. Em julho de 2002, em pesquisa semelhante, o Greenpeace constatou um índice de rejeição de 74%.

A luta contra os transgênicos é uma obrigação de cada cidadão e vai além de nossas mesas, podendo ser realmente encarado como um problema de soberania nacional.


A DOMINAÇÃO ATRAVÉS DOS TRANSGÊNICOS

Olimpio Araujo Junior

As empresas multinacionais que hoje dominam a produção de transgênicos são originalmente especializadas em produtos químicos e farmacêuticos, muitas delas, produtoras de inseticidas, herbicidas e fungicidas. Monsanto, Novartis, Pioneer e Agrevo respondem pela grande maioria das sementes de variedades transgênicas registradas no Brasil e estão entre as maiores do mundo em seu ramo. Seu objetivo na pesquisa de transgênicos é favorecer a venda de seus próprios agrotóxicos. A soja Roundup Ready, por exemplo, foi desenvolvida para ser resistente ao herbicida Roundup, sendo que ambos são produzidos pela Monsanto.

Se estas variedades vierem a substituir as tradicionais e as convencionalmente melhoradas estaremos subordinados aos interesses destas empresas. Há ainda o risco dessas empresas adotarem de forma generalizada uma operação transgênica chamada Terminator. As variedades transgênicas com as características Terminator produzem sementes estéreis, impedindo que os agricultores produzam sementes próprias a partir das compradas. A propaganda dessas empresas diz o contrário, que isso não seria feito, porém, nada impede que após liberados no Brasil a operação Terminator seja implantada.

É válido citar o caso dos produtores de fumo, que no início receberam todos os incentivos possíveis, e o que parecia ser um grade negócio para todos se transformou em uma grande armadilha. A maioria desse produtores hoje estão completamente na mão das empresas que lhes fornecem desde a semente, equipamentos até os produtos químicos, compram seu produto final pelo menor preço, e os produtores não podem mudar de ramo ou por que possuem rígidos contratos, ou por que estão endividados e não possuem recursos para recomeçar.

Agora as multinacionais afirmam que a adoção dos transgênicos no Brasil deve trazer maiores ganhos aos agricultores, manipulando informações e omitindo seus reais interesses, porém, na verdade, isso permitirá que as empresas não apenas ditem os preços que quiserem, mas ainda controlem a produção nacional em função de seus interesses econômicos internacionais, ignorando o interesse público.

É bom lembrar que estas empresas são na maioria americanas, que o Estados Unidos é o maior concorrente do Brasil na produção e exportação de grãos e que a maioria dos países da Europa só compram a soja e o milho brasileiro devido a garantia de que aqui não se produz transgênicos. Sendo assim, estas multinacionais podem monopolizar a produção de sementes para a agricultura, tornando agricultores brasileiros e o Brasil dependentes de seus interesses.


OS TRANSGÊNICOS E A AGRICULTURA

Olimpio Araujo Junior

Atualmente, uma decisão judicial impede o governo federal de liberar o cultivo de transgênicos, entretanto, o contrabando de sementes transgênicas da Argentina já estão contaminando o meio ambiente no sul do país enquanto a importação de produtos contendo transgênicos já pode estar provocando impactos na saúde dos consumidores.

Sem discutir com a sociedade, o governo brasileiro de FHC, autorizou 636 testes de campo para 176 variedades transgênicas de arroz, milho, batata, soja, algodão, cana-de-açúcar, fumo e eucalipto. Quase 90% destas variedades foram patenteadas por seis empresas multinacionais. E cinco variedades transgênicas da soja, chamadas Roundup Ready, obtiveram parecer técnico favorável da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança para o cultivo comercial – o que não significa autorização final, pois ainda não foram concedidas autorizações dos Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente, além de estar suspensa, por decisão judicial, sua eventual aprovação final.

As primeiras pesquisas independentes em relação ao cultivo de transgênicos estão provando que os resultados não são bons e que os riscos desta tecnologia são muito grandes. No Brasil os protestos se sucedem, por meio de organizações de consumidores como o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), de ambientalistas e de cientistas da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e de muitos outros. Na Europa , EUA e Japão, cada vez mais ambientalistas, médicos, cientistas e agrônomos unem-se contra o produção de transgênicos.

Outro risco para agricultura é que os transgênicos podem afetar a vida microbiana no solo e reforçam a tendência à uniformidade genética na agricultura, com grandes monoculturas utilizando umas poucas variedades da mesma espécie.

A toxina Bt pode ser incorporada ao solo junto com resíduos de culturas, afetando invertebrados e/ou microorganismos que têm importante função na reciclagem de nutrientes para uso das plantas ou podem afetar a capacidade de multiplicação no solo das bactérias que retiram nitrogênio do ar e permitem a fertilização natural desta leguminosa devido ao uso maciço de herbicidas nos campos cultivados com variedades em que se introduziu resistência a estes agrotóxicos.

Como podemos ver, não existe nenhuma vantagem na adoção desta nova tecnologia, muito pelo contrário, se cedermos as pressões dos interesses das multinacionais, não só estaremos entregando nosso país mas também estaremos vendendo nossas almas, pois perderemos totalmente o controle de nossas vidas, de nossa economia e até de nossa alimentação.


DEZ RAZÕES PARA SER CONTRA OS PRODUTOS TRANSGÊNICOS


"As sementes são patrimônio da humanidade"

1º. Não há nenhuma segurança, ainda, sobre seus efeitos sobre a saúde das pessoas que os consumirem.
2º. Não há nenhuma segurança, ainda, sobre os efeitos sobre o meio ambiente, já que esses novos seres vivos não existiam antes na natureza, e são resultados de experimentos de laboratório.
3º. Não há nenhuma segurança, ainda, sobre os efeitos para a saúde dos agricultores que conviverem com essas sementes e estes produtos.
4º. As pesquisas de sementes e produtos transgênicos realizados pelas empresas visam apenas aumentar suas taxas de lucro e não melhorar o bem estar da população.
5º. Embora, os métodos de biotecnologia possam ser benéficos, não há nenhuma prova concreta de que as sementes transgênicas, por si só sejam mais produtivas e mais adequadas à preservação da natureza, do que as sementes melhoradas.
6º. Cerca de 97% das sementes transgênicas existentes no mercado tem sua utilização e produtividade casadas com o necessário uso de algum tipo de agrotóxicos: herbicidas, inseticidas, etc.
7º. Muitas sementes transgênicas possuem o componente "terminator" que as esteriliza para utilização de seus frutos como sementes. Obrigando os agricultores a comprar novas sementes a cada safra, ficando dependentes sempre da empresa fornecedora.
8º. O domínio da biotecnologia e o uso dos transgênicos está levando a um processo de controle oligopólico em todo mundo, das sementes por parte de apenas oito grandes grupos econômicos.
9º. Os agricultores perderão completamente o controle do uso das sementes e ficarão totalmente dependentes das empresas multinacionais.
10º. É possível ter sementes e alimentos sadios, em grande quantidade para toda população mundial, respeitando o meio ambiente, praticando uma agricultura saudável, sem depender de transgênicos. A fome existente no mundo e no Brasil não é decorrente da falta de alimentos, mas do modelo econômico concentrador de renda e de riqueza que impede muitas pessoas de terem acesso aos alimentos necessários para uma vida saudável.

OS TRANSGÊNICOS NA MÍDIA
Olimpio Araujo Junior

Na Era da Informação e da Globalização, as maiores armas de uma organização são o marketing e a comunicação. Uma das melhores estratégias de marketing é utilizar-se em partes do construtivismo e das mensagens sublineares, fazendo com que as pessoas aceitem uma determinada idéia ou um produto sem perceber que estão sendo induzidas a isto.

Aos poucos as pessoas passam a acreditar que fumam por opção própria, e não por que passaram anos assistindo pessoas bonitas e de sucesso fumando na TV. Acreditam também que vestem um estilo de roupa por que faz parte de sua personalidade, e não por que aquela roupa faz parte de um estereótipo construído pelas telas do cinema ou pela última novela. Comemos, vestimos, compramos e até descartamos o que a mídia quer. Acreditamos que existe um “eixo do mal”, formados por perigosos vilões que querem dominar o mundo, mas ao mesmo tempo ficamos tranqüilos, pois assistimos na TV que os Estados Unidos vai fazer de tudo para salvar o mundo.

Mas não é só a mídia que tem o poder de programar nossas vidas, a educação também pode ser utilizada como uma ferramenta para manipulação. Lembremo-nos sempre: ‘a mesma mão que bate é a mão que acaricia’. Basta lembramos que ainda existe quem jure que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil em 1.500. A educação demonstra ainda mais claramente seu poder de construção da identidade de uma pessoa quando observamos indivíduos criados em diferentes sociedades. Um brasileiro comum, equilibrado mentalmente, dificilmente se amarraria a bombas e explodiria em nome de seus ideais, porém, para um islâmico fundamentalista, mesmo com curso superior e equilíbrio mental considerado normal, é gratificante tomar um avião e explodir dentro de um prédio com 5.000 pessoas.

Utilizando o que existe de melhor em marketing e comunicação, a Monsanto tem apelado para imagens inocentes e frases de efeito em campanhas milionárias para convencer a todos de que os transgênicos são a salvação do mundo.

A Monsanto lançou na segunda-feira, 8 de dezembro de 2003, uma campanha nacional para tentar desmitificar os transgênicos, levando ao público dados manipulados sobre sua segurança alimentar e ambiental tentando provar também que a transgenia pode proporcionar outros benfícios. A campanha, desenvolvida pela Fischer América, foi veiculada na mídia impressa e eletrônica (rádios, Internet e TVs) durante todo o mês de dezembro e teve como público-alvo donas-de-casa, mães e estudantes, com um total de investimentos de cerca de R$ 6 milhões, aplicados em pesquisas, na produção de materiais e na veiculação dos anúncios. Segundo Felipe Osório, diretor de Marketing da Monsanto, este público alvo foi selecionado por que as donas-de-casa que decidem o que vai para a mesa da família e os estudantes são futuros formadores de opinião e um público que se mostra mais preocupado com o ambiente.

Além de apelar para o lado emocional do telespectador, a Monsanto se utiliza de argumentos ambientais e sociais, tentando passar uma imagem de uma empresa socialmente responsável e ambientalmente correta. Na verdade, a empresa responsável pelo marketing da Monsanto não está fazendo nada de novo. Estão apenas reproduzindo a mesma estratégia já utilizada durante décadas pelos fabricantes de cigarro, ao tentar ligar a imagem de seus produtos ao sucesso, a saúde, ao meio ambiente equilibrado e outros temas politicamente e ambientalmente corretos.

Outra estratégia que tem sido muito utilizada é o convencimento dos agricultores. Constantemente a Monsanto tem oferecido jantares, coquetéis e palestras, onde reforçam suas mensagens que sempre estão ligadas ao lucro fácil proveniente do aumento da produtividade e diminuição dos custos de produção, argumentos comprovadamente mentirosos.

Porém, mesmo com todo este ataque ideológico, mais de 80% da população ainda é contra os transgênicos. Precisamos unir estas pessoas e fazer o possível e o impossível para transformar este número no mínimo em 99%. Dizer não aos trangênicos é mais que uma questão ambiental ou de saúde, é uma questão de soberania nacional.


UNIVERSIDADE MONSANTO? ERA SÓ O QUE FALTAVA!

Olimpio Araujo Junior


Com o descarado slogan “Plante esta cultura”, a multinacional transgênica Monsanto invade agora a educação brasileira. Com frases vazias que parecem dizer alguma coisa, mas na verdade procuram apenas esconder seus reais interesses de manipulação e dominação, o site www.monsanto.com.br apresenta a sua Universidade

“Se você já pensou em um mundo melhor, você pensa como a gente. Você pensa em um mundo com transgênicos”

“Nós, da Monsanto, sempre acreditamos que a liderança no mercado depende da nossa capacidade de inovar. Que depende também da nossa capacidade de desenvolver pessoas.”

“A Universidade Monsanto semeia o saber como força transformadora, inovadora. Plante esta cultura. A cultura da liderança. A cultura da Monsanto”

A real intenção é formar profissionais completamente condicionados sobre as pseudo vantagens dos transgênicos.

IMPACTO AMBIENTAL DOS TRANSGÊNICOS
Olimpio Araujo Junior

Ainda não existem no Brasil conhecimentos científicos suficientes sobre os impactos do uso de transgênicos tanto no meio ambiente, quanto na saúde humana, nem critérios de avaliação ou procedimentos científicos para testá-las em nossa realidade. Os poucos estudos de impactos potenciais existentes foram realizados pelas multinacionais nos ambientes de seus países de origem e estão sendo contestados por inúmeros cientistas, como no caso da Europa que anunciou a suspensão do licenciamento de plantas geneticamente modificadas.

As multinacionais afirmam que não há riscos, mas se recusam a assumir a responsabilidade pelos eventuais efeitos negativos. Já as companhias americanas de seguros só aceitam assumir os riscos de curto prazo resultantes da introdução de plantas geneticamente modificadas no meio ambiente, mas avisam que não oferecerão cobertura de responsabilidade por danos ambientais catastróficos de médio e longo prazo.

Isso se deve ao fato de que, uma vez liberados na natureza, não é mais possível restabelecer o equilíbrio ambiental, pode-se cessar o uso de um agrotóxico, por exemplo, e restabelecer um equilíbrio entre insetos-praga e seus predadores após um certo tempo, mas não é possível desfazer os impactos nos ecossistemas ou controlar os processos de transgênese espontânea que porventura venham a ocorrer, pois é impossível retirar da natureza os genes que foram artificialmente introduzidos numa planta.

Recentemente foi demonstrada por pesquisas de universidades americanas a possibilidade de transferência espontânea, para plantas silvestres da mesma família ou para insetos, dos genes introduzidos numa variedade cultivada. Por exemplo, os genes introduzidos em espécies cultivadas para torná-las resistentes a herbicidas podem transferir-se espontaneamente para plantas silvestres com risco de torná-las superervas daninhas de difícil controle ou, em culturas como milho e algodão, em que foram introduzidos genes retirados da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), verificou-se que geraram resistência crescente em espécies de mariposas cujas lagartas passaram a atacar tanto estas culturas, quanto várias outras e, inclusive, algumas plantas silvestres.

Os estudos sobre a transgênese continuam, mas indiferente dos resultados, temos o dever ético de lutar contra os alimentos transgênicos. A natureza é uma grande teia e se o seu equilíbrio for quebrado, as conseqüências afetarão todas as formas de vida em um grande efeito dominó.

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Domingo, 9 de Maio de 2004

UE É Agora o Maior Produtor de Energia Nuclear do Mundo

Domingo, 09 de Maio de 2004
A partir do passado fim-de-semana, a União Europeia tornou-se no maior produtor de energia nuclear do mundo, com 156 reactores em funcionamento que serão responsáveis pelo abastecimento de 32 por cento do total de energia consumida nos estados membros. Mas este recorde tem uma outra face: com o alargamento, entrarão no espaço comunitário reactores do mesmo tipo de Tchernobil. E toneladas de resíduos sem destino apropriado.
Entre os novos membros, cinco produzem energia nuclear: Lituânia, República Checa, Hungria, Eslováquia e Eslovénia. Com excepção desta última, todos os restantes utilizam reactores de tecnologia soviética, concretamente os RBMK - como os de Tchernobil - e os VVER 440-230, ambos considerados de elevado risco. Na Agenda 2000, onde se definem as regras de entrada dos novos parceiros comunitários, ficou claro que este tipo de instalações têm de ser encerradas e as restantes, que utilizam reactores de segunda geração do tipo VVER 440-213 e VVER-1000, têm de ser adaptadas às normas de segurança internacionais.
Mais no Público

Dossier muito preocupante e que que precisa de medidas muito sérias

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Sampaio lamenta polémica dos concursos

Teresa Lima | 07.05.2004 Educare
No penúltimo dia da Semana Aberta da Educação, o Presidente da República foi recebido com uma manifestação contra o encerramento da Escola Carolina Michaelis e lamentou a polémica em volta dos concursos de professores.
O Presidente da República, Jorge Sampaio, lamentou a polémica em torno do concurso de colocação de professores, que classificou como uma grave perda de tempo em relação aos problemas da educação.
"A única esperança que manifesto é que se entendam de modo a que não se verifique a mesma confusão todos os anos. O que me interessa são os estudantes", disse aos jornalistas no final de uma visita à Escola EB1 nº 4 Fernão de Magalhães, no âmbito da Semana Aberta da Educação, no Porto. Jorge Sampaio considera que é preciso encontrar um sistema que não ponha nas parangonas os concursos todos os anos.
Várias organizações representativas dos educadores e professores dos Ensinos Básico e Secundário denunciam que milhares de professores ficaram excluídos do concurso para o próximo ano lectivo e erradamente ordenados nas listas apresentadas pelo Ministério da Educação.
Em declarações à Antena 1, o secretário de Estado da Administração Educativa, Abílio Morgado, admitiu a existência de falhas. "Houve falhas, houve erros e são necessariamente erros humanos", afirmou. A tutela já se comprometeu a substituir as listas e, depois disso, conforme assegurou o secretário de Estado, "vai-se inquirir todos os factos e fazer uma auditoria interna ao que correu mal".

Assim vai o estrago da educação....

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Sábado, 8 de Maio de 2004

Pais não aceitam fim do Carolina Michaelis

Teresa Lima Educare 06.05.2004

O Ministério da Educação quer fundir a Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, com a Rodrigues de Freitas.


A Associação de Pais da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, está contra a fusão do estabelecimento de ensino com a Escola Secundária Rodrigues de Freitas. A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) quer juntar duas das mais emblemáticas escolas da cidade.

A perda de alunos no Rodrigues de Freitas, com duas dezenas de professores com horários zero, será uma das razões apontadas para a fusão. A outra é o propósito de instalar no Carolina o conservatório de música.

A associação de pais insurge-se contra o "economicismo" da estratégia de reordenamento da zona ocidental do Porto. O Ministério da Educação tem vindo a proceder ao encerramento das escolas da cidade, promovendo fusões, como aconteceu, no final do passado ano lectivo, com a Escola Secundária Rainha Santa Isabel, que se juntou à escola vizinha Alexandre Herculano.

O Carolina além disso tem laboratórios dos mais bem equipados da área do Norte!

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Sexta-feira, 7 de Maio de 2004

Resistir é Vencer - novo album e obra-prima de José Mário Branco

O ECard Jose Mario Branco tem algumas fotografias do autor, letras e canções do album, completamente online. Vale a pena conhecer.

Do que um homem é capaz ( letra e música de José Mário Branco) é uma das canções que mais gostei, que mais me impressionou. Fala muito da época em que estamos a viver...


Do que um homem é capaz / as coisas que ele faz / para chegar aonde quer / é capaz de dar a vida
para levar de vencida / uma razão de viver

A vida é uma estrada / que vai sendo traçada / sem nunca arrepiar caminho / e quem pensa estar parado / vai no sentido errado / a caminhar sozinho

Vejo gente cuja vida / vai sendo consumida / por miragens de poder / agarrados a alguns ossos
no meio dos destroços / do que nunca vão fazer

Vão poluindo o percurso / com as sobras do discurso / que lhes serviu para abrir caminho / à custa das nossas utopias / usurpam regalias / para consumir sozinho

Com políticas concretas / impõem essas metas / que nos entram casa dentro / como a Trilateral / com a treta liberal / e a svirtudes do centro

No lugar da consciência / a lei da concorrência / pisando tudo pelo caminho / para castrar a juventude / mascaram a virtude / o querer vencer sozinho

Ficam cínicos, brutais / descendo cada vez mais / para subir cada vez menos / quanto mais o mal se expande / mais acham que ser grande / é lixar os mais pequenos

Quem escolhe ser assim / quando chegar ao fim / vai ver que errou o seu caminho / quando a vida é hipotecada / no fim não sobra nada / e acaba-se sozinho

Mesmo sendo os poderosos / tão fracos e tão gulosos / que precisam do poder / memso havendo tanta gente / para quem é indiferente / passar a vida a morrer

Há princípios e valores / há sonhos e há amores / que sempre irão abrir caminho / e quem viver abraçado / à vida que há ao lado / não vai morrer sozinho / e quem morrer abraçado / à vida que há ao lado / não vai viver sozinho

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Quinta-feira, 6 de Maio de 2004

ALQUEVA: Três mil hectares preciosos debaixo de água

Na TSF (05/05/04): "As águas da barragem do Alqueva estão na cota 148 acima do nível médio das águas do mar. Já foram submersos mais de três mil hectares de áreas florestadas - o equivalente a três mil campos de futebol de zonas consideradas como a preservar devido ao seu valor ecológico."

"Ao todo são 1262 linhas de água, braços do Guadiana e afluentes, que estão agora submersos. Os antigos ministros Elisa Ferreira e Isaltino Morais tinham-se comprometido a preservar estas áreas, em particular os quase dois mil hectares do vale de Alcarrache, onde existiam espécies animais e vegetais identificadas como únicas na Península Ibérica.

A caminho da cota 152, este vale está submerso. Em declarações ao «Público», o presidente da EDIA - Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva (EDIA) diz não compreender porque se privilegiou o vale de Alcarrache, uma vez que «vai ficar definitivamente debaixo de água».

Este jornal lembra que o ex-ministro Isaltino Morais tinha assegurado ao movimento cota 139 que seriam preservados 1100 hectares com valor ecológico que ladeavam as linhas de água do Guadiana a montante de Alqueva.

José Paulo Martins, da Quercus, disse à TSF que estão irremediavelmente perdidas várias espécies de animais e vegetais que eram únicas na Península Ibérica (registo audio). Outra preocupação é a decomposição das árvores submersas, que pode prejudicar a qualidade da água

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Quarta-feira, 5 de Maio de 2004

Sabor Livre- "Porque somos contra a barragem?"

(...) Ao longo do rio Sabor ocorre uma importante comunidade de aves rupícolas, donde se destaca a presença de espécies como a águia de Bonelli, a águia-real, o abutre do Egipto e a cegonha-preta, facto que motivou a sua inclusão numa Zona de Protecção Especial (ZPE) e numa IBA (Important Bird Area, BirdLife International).O Vale do Sabor constitui um importante refúgio e corredor ecológico para uma comunidade faunística muito diversificada, onde se salientam espécies como o lobo, o corço, o gato-bravo, a toupeira-de-água e a lontra, e representa o principal local de desova e alevinagem da comunidade piscícola de uma vasta área (desde o Sabor até à albufeira da Valeira no Douro). O rio Sabor é um dos últimos rios não represados e é provavelmente aquele que se encontra mais próximo do estado natural em Portugal, constituindo o último reduto de um território outrora fértil em rios e paisagens notáveis.
(...)Deve ser urgententemente definido e implementado um plano energético nacional que identifique as necessidades do país e proponha um conjunto abrangente de alternativas de produção e gestão energética a médio prazo, abandonando de vez a opção por obras de carácter pontual e pouco relevantes no contexto nacional (a energia produzida por esta barragem contribuiria, na melhor das expectativas, apenas com 0,6% da energia consumida em Portugal!). Deve ser dada prioridade total à implantação de políticas de incentivo à eficiência energética (Portugal é um dos países com menor eficiência energética de toda a União Europeia!) e às energias renováveis que não contemplem grandes obras hidroeléctricas. É também necessário começar a actuar ao nível da gestão procura de energia, abandonando-se a denominada gestão da oferta, uma vez que aquela é reconhecidamente a que melhor se enquadra numa lógica de desenvolvimento sustentável.

Ver com mais detalhe Plataforma Sabor Livre.

Com os 500 milhões de euros que Portugal vai gastar na construção desta barragem, diminuirá pouco significativamente as emissões de CO2 ( 0.14%). Sem referir o aumento das emissões indirectas na construção dos paredões!!
Estamos a condenar um terço deste território que já é Rede Natura.
Com 500 milhões de euros serão melhor geridos em projectos de educação ambiental, preservação de espaços selvagens,...
É urgente medidas transversais de eficiência energética no nosso País! Deixemos o Rio Sabor e o Alto Côa livres!!

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Terça-feira, 4 de Maio de 2004

TARDES DE SÁBADO NO JARDIM BOTÂNICO

CICLO DE CONFERÊNCIAS
no âmbito do mestrado em Ecologia de Paisagem e Conservação da Natureza
Departamento de Botânica
Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
Entrada Livre (limitada a 100 pessoas)

Ciclo de conferências sobre os diversos domínios do Ambiente. As conferências contam com a
colaboração de especialistas de reconhecido mérito e são destinadas a todos os interessados
pelos temas abordados.
No final de cada sessão decorrerá uma visita guiada ao Jardim Botânico.
Programa
Sábados (dias 8, 15, 22 e 29) de Maio 2004.
14:30 horas Recepção no edifício do Jardim Botânico
15:00 - 17:00 horas Conferências (incl. debate)
17:00 - 18:00 horas Visita guiada ao Jardim Botânico
Sessões
8 de Maio A Floresta em Portugal
Biodiversidade e Paisagem - Prof. Francisco Castro Rego (Instituto Superior de Agronomia, Lisboa)
Incêndios Florestais: As vertentes Natural e Humana - Prof. Joaquim Sande Silva (Escola Superior Agrária de Coimbra)
15 de Maio A Flora e a Vegetação dos Açores e da Madeira
A Flora e a Vegetação do Arquipélago dos Açores - Prof. Carlos Aguiar (Escola Superior Agrária de Bragança)
A Flora e a Vegetação do Arquipélago da Madeira - Engº Jorge Capelo (Estação Florestal Nacional, Lisboa)
22 de Maio Conservação do Litoral
Dinâmica Costeira e Associações Vegetais - Prof. Gaspar Soares de Carvalho (Universidade do Minho)
Ordenamento Costeiro: Biodiversidade e Conservação - Prof. Paulo Santos (Faculdade de Ciências da Universidade do Porto)
29 de Maio Urbanismo e Ambiente
Urbanismo de Base Ecológica - Profª Manuela Raposo Magalhães (Instituto Superior de Agronomia, Lisboa)
A Cidade e o Ambiente - Prof. M. Fernandes de Sá (Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto)

Contactos
Ângela Lomba (angela.lomba@carlosbernardino.com)
João Honrado (jhonrado@fc.up.pt)
Telefones: 22 600 21 53 / 22 609 81 34
Fax: 22 609 22 27

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Segunda-feira, 3 de Maio de 2004

Amar Mindelo!

Há poucos dias , a meio de uma tarde primaveril ,correspondendo ao desafio de umas amigas ,senti vontade de rever a Área Protegida do Mindelo. O sol traz destas vontades de pôr fim ao Inverno, de retemperar o espírito com passeios na Natureza - avistar o mar, o areal, as dunas e seguir alguns trilhos para observar as aves, que ja ao fim de tarde procuram alimento antes de se recolherem. Então foi a surpresa, o prazer de me encontrar ali e a alegria de ir avistando ora agora uma felosa (que nos deleitou com o seu belo canto), ora uma toutinegra , pouco depois alguns pilritos, com o seu saltitar tão engraçado. Caminhando com cuidado para nao importunar as pequenas aves e não danificar as plantas das dunas, o grupo foi identificando algumas : o estorno , o cardo marítimo já florido de lilás, o feno das areias, (que retêm as areias do vento e desenvolve pequenas dunas embrionárias), a luzerna-das-praias de flores amarelas....Só nos deixou triste foi ver nalgumas zonas das dunas, em plena Reserva, restos de entulhos de obras por ali espalhados e outros lixos maiores, que não foi o mar que para ali levou, mas a mão criminosa do Homem.Porquê este desrespeito? É necessário que a Área Protegida seja mais preservada. Contacte e junte-se aos Amigos do Mindelo e conheça as suas actividades em Educação Ambiental.
10 RAZÕES PARA RECRIAR A RESERVA ORNITOLÓGICA DE MINDELO Mais razões?


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Domingo, 2 de Maio de 2004

VOLUNTARIADO PARA AS FLORESTAS- Vá lá uma medida positiva!

Projecto transversal entre as Secretaria de Estado das Florestas, da
Juventude e Desportos e da Administração do Território, envolvendo os
Institutos Português da Juventude, do Ambiente, Conservação da Natureza e
a Direcção Geral dos Recursos Florestais

I - Objectivo da iniciativa:
§ Preservar o património ambiental comum, em especial, no caso concreto e
como projecto piloto, os recursos florestais e a sensibilização para as
questões ambientais nos distritos de Coimbra e Castelo Branco.
§ Sensibilizar a população em geral e os jovens em especial para a defesa
do património ambiental e florestal.
§ Entender a floresta como elementos essencial no equilíbrio ecológico e
ambiental.
§ Perceber a floresta como riqueza nacional.
§ Alargar a rede nacional de Voluntários - centralizada a bolsa no
Instituto Português da Juventude.
§ Fomentar o espírito de cidadania.

II- Acções a desenvolver:
As acções dos voluntários, que serão enquadradas pelos serviços regionais
do MADRP, Áreas Protegidas, Autarquias Locais e Organizações de Produtores
Florestais, são nomeadamente:

DEFENDER A FLORESTA CONTRA OS INCÊNDIOS
§ Sensibilização das populações;
§ Inventariação, sinalização e manutenção de caminhos florestais e pontos
de água;
§ Vigilância móvel;
§ Limpeza e manutenção de parques de merendas,
DESCOBRIR A FLORESTA
§ Dinamização de guias de floresta;
§ Recuperação de caminhos de pé-posto;
§ Identificação dos elementos de interesse arqueológico, paisagístico e
biológico;

CONSERVAR A NATUREZA
§ Inventariação e monitorização de áreas recentemente ardidas (espécies
animais e plantas)
§ Controlo de plantas invasoras lenhosas
§ Controlo de erosão dos solos.

III - Áreas - Piloto:
Distritos de Coimbra e Castelo Branco:
§ Concelhos e freguesias com manchas florestais sensíveis/risco e perigo
de incêndio elevado;
§ Espaços florestais integrados na Rede Nacional de Áreas Protegidas

IV - Período e Trabalho dos Voluntários

As acções decorrerão entre 1 de Junho e 30 de Setembro.

O trabalho de voluntariado será no mínimo de 4 horas/dia, constituindo um
complemento da actividade das organizações envolvidas.

Período mínimo de participação do voluntário - 8 dias (2.ª feira a
Domingo, inclusivé)
Período máximo - 15 dias (2.ª feira a Domingo)

Voluntariado ao fim-de-semana - É absolutamente essencial neste período
pela grande pressão sobre os espaços florestais, decorrente quer das
actividades de lazer quer das práticas agrícolas e florestais.

V - Contrapartidas
§ Formação específica;
§ Transporte para os locais onde decorrem as acções;
§ Alimentação;
§ Seguro de voluntário, nos termos legais.

VI - Modos de Inscrição
§ Nas Delegações do Instituto Português da Juventude de Coimbra e Castelo
Branco.
§ Nas Câmaras e Juntas de Freguesia dos mesmos distritos .
§ No site www.voluntaridojovem.pt
§ Nos Postos da G.N.R
§ Nos quartéis de Bombeiros das regiões referidos.


VII - Datas
A partir de hoje (29 de Abril)

Voluntários dos 18 aos 70 - Inscreve-te!

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Congresso Internacional sobre o Rio Minho 2004

26 a 28 de Maio de 2004
Local: Melgaço
Organização: Fundação Nova Cultura da Água
Tel. 258 809 613
e-mail: geral@ipvc.pt
Para mais inormações

Espero que abordem o problema das dragagens da bacia do Rio Minho- Mais informações pela Asociación Naturalista "Baixo Miño"

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Sábado, 1 de Maio de 2004

Na Fundação Calouste Gulbenkian dia 7 Maio vai acontecer...

FÓRUM A GESTÃO DA ÁGUA
O PROBLEMA NO SÉC XXI

É frequente falar-se na importância crescente da água, não só como recurso
renovável, mas também como área de investimento. Todos os dados mostram
que, não só o número de países em que há falta de água (menos de 1000m3 de
água por pessoa e por ano) tem vindo a crescer, como a situação em muitos
deles se tem vindo a agudizar. O “valor” da água é actualmente reconhecido
tanto como risco, como oportunidade. O debate sobre a privatização deste
recurso indispensável à vida, apesar de não ser novo, adquire uma
visibilidade cada vez maior. As políticas nacionais e internacionais
futuras vão certamente depender, em larga medida, da visibilidade que as
experiências de sucesso (e de insucesso) neste domínio possam vir a
conquistar. O tema é de uma actualidade indiscutível, e para o debater,
convidamos vários especialistas, um pouco de toda a parte para nos falarem
dessas mesmas experiências. Não espanta que a Fundação para a Nova Cultura
da Água, a Fundação Calouste Gulbenkian e o Instituto de Biologia Molecular
e Celular da Universidade do Porto, se tenham juntado para lançar este
desafio.

A. Quintanilha, IBMC
Na Fundação Calouste Gulbenkian dia 7 Maio

Antonieta Correia
IBMC
Rua do Campo Alegre 823
4150-180 Porto
Tel: +351 22 6074900/12 (ext. 1002)
Fax: +351 22 6099157
e-mail: acorreia@ibmc.up.pt

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