quarta-feira, 3 de novembro de 2021

COP26: António Guterres “As sirenes fazem-se ouvir. O novo planeta está a falar connosco e a dizer-nos algo”



António Guterres, Secretário-geral da ONU, deixou algumas declarações no primeiro dia Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas de 2021 (COP26), alertando para o problema que o planeta está a viver, e para a necessidade de ação por parte do mundo inteiro.

Em Glasgow, o Secretário-geral começou por dizer que os anos que passaram desde a assinatura do Acordo de Paris, foram os mais quentes de que alguma vez houve registo. “Está na hora de dizer chega. Chega de brutalizar a biodiversidade, chega de nos matarmos com o carbono, chega de tratar a natureza como uma casa de banho, chega de queimar, perfurar e minerar cada vez mais fundo. Estamos a cavar as nossas próprias sepulturas. O nosso planeta está a mudar diante dos nossos olhos – das profundezas do oceano ao topo das montanhas; desde o derretimento dos glaciares até aos implacáveis eventos climáticos extremos”, alerta.

Exemplo disso é o aquecimento dos oceanos, o aumento do nível do mar e a desflorestação na Floresta tropical da Amazónia. António Guterres aponta de que a ideia de que se está no caminho certo para a mudança “é uma ilusão”, e caso tudo se mantenha da mesma forma, o aumento da temperatura chegará a 2,7 graus. Mesmo que os mais recentes compromissos das nações fossem claros e confiáveis, o caminho que percorremos está “a levar-nos a uma catástrofe climática”, garante.

Para o líder, a solução está no investimento de uma economia de zero carbono. “Precisamos da ambição máxima, de todos os países em todas as frentes, para fazer de Glasgow um sucesso”. “Exorto os países desenvolvidos e as economias emergentes a construir alianças para criar as condições financeiras e tecnológicas para acelerar a descarbonização da economia, bem como a eliminação do carvão”, apela António Guterres.

Nesse âmbito, o secretário-geral revela que vai criar um Grupo de Especialistas para analisar e medir os compromissos líquido zero dos atores não estatais. Alerta ainda para a necessidade de protegermos as comunidades mais vulneráveis do impacto das alterações climáticas, e defende que o COP26 deve ser “um momento de solidariedade”, na medida em que o financiamento de 100 mil milhões de dólares anuais para os países em desenvolvimento se deve tornar real devido à sua urgência.

“As sirenes fazem-se ouvir. O novo planeta está a falar connosco e a dizer-nos algo. E o mesmo acontece com as pessoas em todos os lugares. A ação climática está no topo da lista de preocupações das pessoas, em todos os países, idade e géneros. Devemos ouvir – e devemos agir – e devemos escolher sabiamente”, adverte António Guterres, apelando a que todos escolhamos “salvaguardar o nosso futuro e a salvar a humanidade”.

Transição energética e climática implicará sacrifícios e perda de poder de compra, defende especialista



O economista Christian Gollier diz que a transição energética e climática é fundamental, mas que os políticos não contam os reais custos, que implicarão sacrifícios e perda de poder de compra, e defende medidas mitigadoras para os mais pobres.

Em entrevista telefónica à Lusa, o diretor da Toulouse School of Economics, Christian Gollier, considera que a União Europeia tem uma responsabilidade histórica em liderar o combate contra as mudanças climáticas, assim como tem uma responsabilidade para com as gerações futuras. Mas, avisa, a transição energética vai ser cara e implicará sacrifícios, com impacto no bem estar.

"Precisamos de reconhecer que a energia vai ser mais cara, há um custo global que tem de ser pago” disse à Lusa Christian Gollier, que integrou em 2020 o grupo de 26 economistas que aconselharam o Presidente francês, Emmanuel Macron, sobre os grandes desafios económicos de França (clima, desigualdades e demografia) ficando encarregue das questões climáticas.

Questionado sobre se a transição energética irá penalizar os mais pobres e agravar as desigualdades sociais, o economista de origem belga assume que, uma vez que as famílias mais pobres gastam proporcionalmente mais rendimento em energia, quando se toma medidas que aumentam o preço da energia estas “são mais afetadas, então implicitamente aumentam-se as desigualdades”.

A solução, considera, não pode passar por medidas que embarateçam a energia baseada em combustíveis fósseis, pois fomentaria o consumo pondo em causa a transição energética.

Na sua visão, a 'taxa de carbono' (imposto sobre as emissões de carbono) deveria ser mais ambiciosa (mais cara e estendida a mais setores) para que as indústrias tenham maior incentivo para reduzir as emissões poluentes.

Já as receitas fiscais dessa taxa "seriam usadas para compensar os mais pobres”, provavelmente através de um cheque anual que compense os mais vulneráveis pelo impacto do custo excessivo da energia decorrente das políticas de transição energética.

Por exemplo, França vai dar a partir de dezembro um “cheque-combustível” único de 100 euros a cerca de 36 milhões de condutores que ganham menos de 2.000 euros por mês devido à escalada dos preços do gasóleo e da gasolina.

Sobre o impacto nas classes médias e como pode levar a crispação social e política contra a fiscalidade verde (como aconteceu com o movimento dos Coletes Amarelos em França, em 2019), Gollier disse que é preciso assumir-se publicamente que “se pode compensar algumas pessoas, mas não toda a gente” e que os políticos não estão a querer dar as más notícias.

Defende que há que explicar que mais vale o custo agora do que de futuro, que seria mais catastrófico, mas que são grandes os sacrifícios.


A maioria dos partidos políticos diz que a transição energética é uma oportunidade para Europa, que irá reduzir a conta da eletricidade, que gerará milhões de empregos bem pagos. Mudar de fontes baratas de energia para mais sustentáveis e caras significa fazer sacrifícios, milhões de empregos serão destruídos, outros serão criados, mas globalmente haverá perda, não são boas notícias. Vamos gerar outras vantagens, mas a curto prazo é um ataque ao rendimento das famílias”, afirmou Gollier.


A energia é crítica e sem energia não podemos trabalhar, viajar, produzir bens e serviços, gerar prosperidade. Quando aumentamos o custo da energia reduzimos o bem estar, não há dúvida sobre isso”, vincou o economista, que publicou em 2019 o livro 'Le climat après la fin du mois' ('O clima depois do fim do mês', em tradução livre) em que defende o princípio do poluidor-pagador e a imposição de um preço do carbono à escala mundial (que reflita o valor dos danos que crie) e diz que o problema é que o fim do mês acontece antes do fim do mundo.

Questionado sobre se a redistribuição de rendimentos poderá ser uma política europeia, Christian Gollier nega, afirmando que cabe a cada país decidir como a fazer. E sobre se isso não irá criar desigualdades, face a contas públicas muito diferentes entre países, Gollier admitiu e recordou mais desigualdades, como haver países que vão pagar muito mais pela descarbonização, por exemplo, por ainda terem um ‘mix’ energético muito mais dependente de combustíveis fósseis.

Na Polónia, por exemplo, mais de 70% da energia gerada vem da queima de carvão e já há problemas relacionados com o impacto direto em milhares de empregos (desde logo de mineiros).

Nos postos de trabalho que são destruídos na transição energética, Gollier defende que tem de se atuar com políticas mitigadoras como dar formação a esses trabalhadores para conseguirem novos empregos, mas admite que nem todos serão compensados.


A partilha do custo desta ambição europeia não será igual em todos os países e temos de assegurar que não se cria mais desigualdades”, afirmou.

A Comissão Europeia apresentou em julho um pacote para conseguir um corte de, pelo menos, 55% das emissões até 2030 (face a 1990), e o objetivo de atingir a neutralidade carbónica até 2050.

O pacote ‘Fit for 55’ propõe criar um novo mercado de carbono, semelhante ao que já existe através do Regime de Comércio de Licenças de Emissão, mas que vise agora os setores dos transportes e aquecimento dos edifícios.

Propõe ainda um imposto sobre o carbono a um conjunto de produtos – cimento, ferro e aço, alumínio, fertilizantes, eletricidade – que sejam importados para o mercado europeu e o fim da venda de automóveis a gasolina e gasóleo a partir de 2035.

Para mitigar os efeitos, Bruxelas propõe o Fundo Social para a Ação Climática, avaliado em 70 mil milhões de euros, a sete anos, alimentado pelas receitas do mercado de carbono (comércio de licenças de emissão relativas aos combustíveis destinados aos edifícios e aos transportes rodoviários) para compensar o impacto sobre os mais vulneráveis.

Christian Gollier considerou que o pacote é credível e ambicioso, mas recorda que há muita oposição de Estados-membros, sobretudo contra o aumento do preço do carbono para transportes e edifícios.

De momento, na UE, afirmou Gollier na entrevista à Lusa, é difícil aumentar o preço do carbono quando os combustíveis fósseis estão mais caros nos mercados internacionais, mas disse que provavelmente esse aumento é temporário (ainda que ainda vá demorar a passar) e que, face à pressão para a longo prazo eliminar os combustíveis fósseis, países com grandes reservas (petróleo, gás ou carvão) quererão vender mais o mais cedo possível e preços poderão baixar nos próximos anos.

Será aí, defendeu, que se deverá impor um preço do carbono ambicioso para garantir que os combustíveis fósseis não sejam atrativos de futuro e fazer a transição energética.

, David R Boyd - The climate crisis is a human rights crisis


Vivemos numa emergência climática, conforme confirmado pelo último relatório do IPCC. Os cientistas apelam a mudanças rápidas, sistémicas e transformadoras. No entanto, apesar de três décadas de compromissos no âmbito da CQNUAC, as emissões continuam a aumentar. A legislação ambiental falhou, pelo que existe uma dependência cada vez maior da legislação em matéria de direitos humanos num esforço para responsabilizar os governos e as empresas. Qual é o progresso alcançado até agora na utilização de uma abordagem baseada nos direitos, qual é o potencial e que problemas podem surgir?

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Twitter’s research shows that its algorithm favors conservative views


A post on Twitter’s blog reveals that Twitter’s algorithm promotes right-leaning content more often than left — but the reasons for that remain unclear. The findings drew from an internal study on Twitter’s algorithmic amplification of political content.

During the study, Twitter looked at millions of tweets posted between April 1st and August 15th, 2020. These tweets were from news outlets and elected officials in Canada, France, Germany, Japan, Spain, the UK, and the US. In all countries studied, except Germany, Twitter found that right-leaning accounts “receive more algorithmic amplification than the political left.” It also discovered that right-leaning content from news outlets benefit from the same bias.

Negative posts about political outgroups tend to receive much more engagement on Facebook and Twitter

Twitter says that it doesn’t know why the data suggests its algorithm favors right-leaning content, noting that it’s “a significantly more difficult question to answer as it is a product of the interactions between people and the platform.” However, it may not be a problem with Twitter’s algorithm specifically — Steve Rathje, a Ph.D. candidate who studies social media, published the results of his research that explains how divisive content about political outgroups is more likely to go viral.

The Verge reached out to Rathje to get his thoughts about Twitter’s findings. “In our study, we also were interested in what kind of content is amplified on social media and found a consistent trend: negative posts about political outgroups tend to receive much more engagement on Facebook and Twitter,” Rathje stated. “In other words, if a Democrat is negative about a Republican (or vice versa), this kind of content will usually receive more engagement.”

If we take Rathje’s research into account, this could mean that right-leaning posts on Twitter successfully spark more outrage, resulting in amplification. Perhaps Twitter’s algorithm issue is tied to promoting toxic tweeting more than a specific political bias. And as we mentioned earlier, Twitter’s research said that Germany was the only country that didn’t experience the right-leaning algorithm bias. It could be related to Germany’s agreement with Facebook, Twitter, and Google to remove hate speech within 24 hours. Some users even change their country to Germany on Twitter to prevent Nazi imagery from appearing on the platform.

RELATED

Twitter has been trying to change the way we Tweet for a while now. In 2020, Twitter began testing a feature that warns users when they’re about to post a rude reply, and just this year, Twitter started piloting a message that appears when it thinks you’re getting into a heated Twitter fight. These are signs of how much Twitter already knows about problems with bullying and hateful posts on the platform.

Frances Haugen, the whistleblower who leaked a number of internal documents from Facebook, claims that Facebook’s algorithm favors hate speech and divisive content. Twitter could easily be in the same position but is openly sharing some of the internal data examinations before there’s a possibility of a leak.

Rathje pointed out another study that found moral outrage amplified viral posts from both liberal and conservative viewpoints but was more successful coming from conservatives. He says that when it comes to features like the algorithmic promotion that lead to social media virality, “further research should be done to examine whether these features help explain the amplification of right-wing content on Twitter.” If the platform digs into the problem further and opens up access to other researchers, it might get a better handle on the divisive content at the heart of this issue.

Prince Charles Speaks at World Leaders Event: Action on Forests & Land-use



Your excellencies, ladies and gentlemen, the COVID-19 pandemic has shown us just how devastating a global cross border threat can be. Climate change and biodiversity loss are no different. In fact, they pose an even greater existential threat to the extent that we have to put ourselves on what might be called a war like footing. Having myself had the opportunity of consulting many of you over these past 18 months, I know you all carry a heavy burden on your shoulders and you do not need me to tell you that the eyes and hopes of the world are upon you to act with all dispatch and decisively because time has quite literally run out. The recent IPCC Report gave us a clear diagnosis of a scale of the problem. We know what we must do. With a growing global population creating ever increasing demand on the planet’s finite resources, we have to reduce emissions urgently and take action to tackle the carbon already in the atmosphere, including from coal fired power stations.

Prince Charles: (01:27)
Putting a value on carbon, thus making carbon capture solutions more economical, is therefore absolutely critical. Similarly, after billions of years of evolution, nature is our best teacher. In this regard, restoring natural capital, accelerating nature based solutions, and leveraging the circular bio economy will be vital to our efforts. As we tackle this crisis, our efforts cannot be a series of independent initiatives running in parallel. The scale and scope of the threat we face call for a global systems level solution based on radically transforming our current fossil fuel based economy to one that is genuinely renewable and sustainable. So ladies and gentleman, my plea today is for countries to come together to create the environment that enables every sector of industry to take the action required. We know this will take trillions, not billions of dollars.

Prince Charles: (02:40)
We also know that countries, many of whom are burdened by growing levels of debt, simply cannot afford to go green. Here we need a vast military style campaign to marsh the strength of the global private sector, with trillions at his disposal far beyond global GDP, and with the greatest respect, beyond even the governments of the world’s leaders. It offers the only real prospect of achieving fundamental economic transition. So how do we do it? First, how do we get the private sector all pulling in the same direction? After nearly two years now of consultation, CEOs have told me that we need to bring together global industries to map out in very practical terms what it will take to make the transition. We know from the pandemic that the private sector can speed up timelines dramatically when everyone agrees on the urgency and the direction. So each sector needs a clear strategy to speed up the process of getting innovations to market.

Prince Charles: (03:58)
Second, who pays and how? We need to align private investment behind these industry strategies to help finance the transition efforts, which means building the confidence of investors so that the financial risk is reduced. Crucially, investment is needed to help transition from coal to clean energy. If we can develop a pipeline of many more sustainable and bankable projects at a sufficient scale, it will attract greater investment. Third, which switches do we flick to enable these objectives? More than 300 of the world’s leading CEOs and institutional investors have told me that alongside the promises countries have made, their nationally determined contributions, they need clear market signals, agree globally so that they have the confidence to invest without the goal posts suddenly moving. This is the framework I’ve offered in the Terra Carta Roadmap, created by my Sustainable Markets Initiative, with nearly 100 specific actions for acceleration.

Prince Charles: (05:23)
Together, we are working to drive trillions of dollars in support of transition across 10 of the most emitting and polluting industries. They include energy, agriculture, transportation, health systems, and fashion. The reality of today’s global supply chains means that industry transition will affect every country and every producer in the world. There is absolutely no doubt in my mind that the private sector is ready to play its part and to work with governments to find a way forward. Your excellencies, ladies and gentlemen, many of your countries I know are already feeling the devastating impact of climate change through ever increasing droughts, mudslides, floods, hurricanes, cyclones, and wildfires, as we’ve just seen on that terrifying film.

Prince Charles: (06:26)
Any leader who has had to confront such life threatening challenges knows that the cost of inaction is far greater than the cost of prevention. So I could only urge you as the world’s decision makers to find practical ways of overcoming differences so we can all get down to work together to rescue this precious planet and save the threatened future of our young people. Thank you.

Luarejar



Tenho fases da Lua, saio à rua
Outras vezes fecho a porta e recolho-me
Desço os ramos das árvores
O fresco da noite
Suaviza a minha dor
Tenho fases da Lua, mostro a magia das pinturas a toda a gente
Outras vezes recolho-me lendo poesia
O fresco da noite
Suaviza as minhas paixões
São muitas
Mais que as quatro fases da Lua
Mas luarejar é vital para mim
João Soares, 18/09/2001
Foto: NASA

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

COP26. Guterres desiludido com a cimeira dos G20



Ouviram-se muitos alertas sinistros nas vésperas da COP26, em Glasgow, mas até agora poucos compromissos significativos, com o mundo ainda rumo a um aquecimento global de 2.7ºC durante este século, o que seria uma “catástrofe”, alertou um relatório das Nações Unidas, notando que estamos longe do objetivo de nos ficarmos por um aquecimento de apenas 1.5 ºC. Aliás, o próprio secretário-geral da ONU, António Guterres veio a público assumir que as suas esperanças para a COP26 estão “por cumprir”, disse no Twitter. “Mas, pelo menos, não estão enterradas”, ressalvou.

“Não há nenhuma desculpa convincente para a nossa procrastinação”, admitiu o anfitrião da COP26, Boris Johnson, durante cimeira dos G20, em Roma, no domingo, em preparação do encontro climático. Mas a grande novidade deste encontro foi mesmo a aprovação de uma taxa mínima de 15% sobre lucros de multinacionais, para evitar a competição entre países que lhes permite escapar a impostos.

“Já estamos a ver em primeira mão a devastação devido às alterações climáticas, desde ondas de calor, a secas, a incêndios florestais e furacões”, continuou o primeiro-ministro britânico. “Se Glasgow falhar, tudo falha”, salientou Johnson. O ministro das Finanças, Rishi Sunak, ainda esta semana anunciou um orçamento com cortes nos impostos sobre voos domésticos, que já eram muito mais baratas dos que viagens de comboio, muito menos poluentes.

A medida, assumida nas vésperas da COP26, tem sido vista pelos críticos como um golpe na esperança que o Reino Unido possa ter um papel de liderança nesta cimeira do clima. Mas o mesmo poderia ser dito de boa parte dos restantes líderes do G20, que terminaram o seu encontro prometendo “ações significativas e eficazes”, num documento conjunto, sem nunca especificarem o que isso significa concretamente.

Isto era esperado que a perspetiva de alcançar a neutralidade carbónica até 2050 pudesse estar em cima da mesa. Por agora, as promessas da China - o maior emissor de gases com efeito de estufa do planeta, ainda que com níveis per capita muito baixos, menos de metade do que emitem os Estados Unidos ou o Canadá, estando em 42º no ranking mundial - e da Rússia ficaram-se por chegar à neutralidade carbónica até 2060.

No que toca aos Estados Unidos é esperado uma promessa mais ambiciosa - com o problema de que há grandes dúvidas que o Presidente Joe Biden as consiga cumprir, com o seu próprio partido dividido no Congresso. Para o Presidente americano, a escolha é entre prometer e arriscar não cumprir, pondo a credibilidade de Washington em risco, ou prometer pouco, falhando a COP26.

Outra incógnita é o objetivo de obter um financiamento de 100 mil milhões de dólares (uns 86,5 mil milhões de euros) por ano para a transição verde em países em desenvolvimento, que historicamente beneficiaram menos dos combustíveis fósseis.

Para já, houve alguns sinais positivos, como a promessa da Itália de quase triplicar a sua contribuição, subindo-a para 1,4 mil milhões de dólares (mais de 1,2 mil milhões de euros) anuais ao longo dos próximos cinco anos, anunciou o primeiro-ministro Mario Draghi este domingo.

Maior companhia petrolífera do mundo anuncia lucro líquido superior a 26 mil milhões de euros



A maior companhia petrolífera do mundo, a Saudi Aramco, anunciou hoje um lucro líquido de 30,4 mil milhões de dólares (26,3 mil milhões de euros) no terceiro trimestre.

O resultado positivo foi impulsionado por um aumento dos preços do petróleo e pela recuperação da procura, à medida que a pandemia do novo coronavírus se atenua.

A Aramco, gigante petrolífera de capital maioritariamente estatal, disse que o lucro líquido mais que duplicou, em relação a igual período do ano passado, quando contabilizou 11,8 mil milhões de dólares (10,2 mil milhões de euros), referindo-se em ambos os casos ao valor contabilizado após o pagamento de impostos e dividendos.

Amin Nasser, diretor-executivo da Aramco, descreveu os resultados do terceiro trimestre da empresa como "excecionais", motivados por um "aumento da atividade económica em mercados-chave e uma recuperação na procura de energia".

Os ganhos foram obtidos à medida que se observa uma política global de relaxamento das restrições determinadas para combater a pandemia de covid-19, face aos problemas no fornecimento de gás e à aceleração das campanhas de vacinação, fatores-chave responsáveis pela subida acentuada dos preços do crude.

COP 26: Esta eco-ansiedade não é (só) para novos

A meados de setembro o meu telefone tocou, com uma chamada da Ti Maria. Queria falar urgentemente comigo sobre Alterações Climáticas porque, para além de saber que eu estudava o assunto, eramos praticamente vizinhas. Separavam-nos umas décadas de idade, mas eramos ambas nascidas e criadas na ria de Aveiro, com o oceano Atlântico aos pés.



Pegou no título do Expresso, e leu-me: “Alterações climáticas em Portugal: em breve teremos de começar a retirar pessoas da orla costeira do Norte”. Depois mudou de tom, e disse: “só quero que me digas se tens a certeza. Diz aqui que Aveiro é uma mancha vermelha assustadora e que, segundo o estudo, nos vão tirar das nossas casas. Se for verdade, pegamos nas trouxas, e vendemos tudo.”

A Ti Maria esperou resposta do outro lado, mas a minha boca não se abriu. De marés e truques do tempo não havia quem batesse aquela senhora pescadora. Mas fogos na Califórnia, degelo no Ártico e inundações na China não lhe diziam nada.

“Dizem isto da nossa terra, e depois constroem casas de ricos ao lado"

Agora estava com medo, à espera que eu falasse. Acrescentou: “Dizem isto da nossa terra, e depois constroem casas de ricos ao lado. Tenho de comprar um carro elétrico, e depois querem aeroportos! Parece que vivemos como criminosos o tempo todo, no nosso próprio sítio... Sinto-me burra. Olha eu, refugiada na minha terra. Dá lá vontade de votar”. E acabou: “Tens a certeza, ou não?”

Eu tinha duas hipóteses. A minha hesitação já soava a incompetência e desrespeito à Ti Maria, que achava que se eu estudo é para saber estas coisas. E aos meus colegas da emergência climática (palavra do ano de 2019) também, cuja resposta seria um sim garrafal justificado - sem espaço para dúvidas.

Respirei, e soltei a deixa, à espera da retaliação: “Não, não tenho a certeza” – respondi à Ti Maria. E antes que ela conseguisse acabar o suspiro de alívio, acabei a frase - “porque ninguém tem a certeza de nada”.

A Ti Maria chamou-me um nome feio (menos mau do que aquele que eu merecia). Disse que não percebia que raio andava eu a fazer na universidade, se nem um simples sim ou não conseguia dar (também a compreendo). Que ia era deixar de ver notícias (eu falo sobre isto depois). E desligou o telefone... (um dia ainda a apanho no talho e falamos, se ela voltar a olhar para mim).

No artigo do Expresso sublinhava-se a importância de “termos de ser capazes de explicar às pessoas, e fazer com que as pessoas acreditem, que é inevitável que as incursões [do mar] vão ser cada vez mais violentas e mais frequentes".

Assim, cada vez mais autores apoiam o uso persuasivo de histórias na comunicação da ciência climática para solucionar as “falhas de ação”, entre aquilo que as evidências científicas “mostram que deve ser feito” e “aquilo que é feito”, para mitigar os impactos das alterações climáticas. A comunicação da ciência do clima é assim feita através de diferentes narrativas em função do público-alvo para criar uma “adesão democrática para stakeholders e unificar abordagens, filosofias e atitudes”.

Os níveis de medo e angústia advindos da “eco-ansiedade” são brutais

São exemplos os atores e narrativas que colocaram, em 2018 e 2019, o tema das alterações climáticas na ordem do dia (“interrompidos” pela pandemia). Os Extinction Rebellion utilizam narrativas catastróficas como “o colapso é iminente” ou “12 anos para salvar o mundo”, que também é referido no Relatório Especial do 1.5ºC do IPCC. Greta Thumberg e as greves estudantis utilizam narrativas de justiça e igualdade que clamam que “estão a destruir o nosso futuro”. E a principal narrativa, na qual se baseia a atual Cimeira do Clima em Glasgow - a económica – que defende que a solução é “reconciliar a economia com o nosso planeta”, através da descarbonização da economia e eletrificação global da rede.

Contudo, os níveis de medo e angústia advindos da “eco-ansiedade” são brutais, bem como os seus efeitos negativos no dia-a-dia. Um estudo na Nature dá conta do fenómeno entre os jovens (16-25 anos), cuja maior preocupação é que os governos não estejam a fazer nada para evitar uma catástrofe ambiental. E a Ti Maria mostra que a eco-ansiedade não é só para novos, e importa-lhe a morada fiscal (que levou a vida para pagar ao banco), o serviço de porcelana da Vista Alegre (herdado da avó) e, o mais importante, evitar o desespero de que um dia um filho lhe venha a cobrar o facto de ter tomado a decisão errada.

A Ti Maria deixou de se sentir em casa, e os caminhos mais prováveis, quando isso acontece a alguém, são o da radicalização – que nos leva a embarcar em projetos prejudiciais a nós próprios ou aos outros - ou da alienação – em que procuramos mais entretenimento e perdemos a vontade de lutar seja pelo que for. Bertrand Russell descreveu-o, em Insustentabilidade da Sociedade Científica (1949), logo depois do fim da Segunda Guerra.

Assim sendo, e porque a personagem da Ti Maria é baseada em factos reais, gostava de lhe ter explicado que a natureza da ciência implica níveis de probabilidade e incerteza (Fortner, 2000).

Que, em termos práticos, e deixando a epistemologia para depois (ciência que estuda o conhecimento), as “projeções avançadas pela Climate Central para 2030”, citadas na notícia, não são uma profecia. São sim o resultado de “cenários” (valores estimados para o futuro forçamento radiativo no planeta) submetidos a “modelos” (simulações da forma como o sistema climático funciona), cujas conclusões são debatidas, e utilizadas como informação de apoio a tomadas de decisão. E que a ciência como dogma é tão eficaz quanto perigosa. Não querendo ser spoiler, já dizia Frank Herber, em DUNE: “Eu não devo temer. O medo é o assassino da mente. Medo é a pequena morte que traz a obliteração total.”

É problemático exigir respostas de “sim e não” à ciência

Os últimos dois anos de pandemia ofereceram, e continuam a oferecer, bastantes exemplos de como é problemático exigir respostas de “sim e não” à ciência para legitimar decisões em estados democráticos.

Podemos correr o risco de alimentar uma crise de verdade, onde as fake-news e os movimentos negacionistas utilizam a narrativa da incerteza como factor de descredibilização do conhecimento científico. Quando, em verdade, o ceticismo (que é o ato de questionar, e não o ato de negar) é a base da ciência. Os discursos negacionistas de Donald Trump e Jahir Bolsonaro são um exemplo do uso desta narrativa nas Alterações Climáticas.

Também gostava de dizer à Ti Maria que, apesar da minha resposta, todos precisamos de certezas para conseguir viver nesta sociedade. Que a construção social da realidade de cada um é construída através de rotinas de espaço e tempo definidos (aqui e agora), onde o indivíduo não formula problemas a si próprio sobre o que é a “realidade” ou sobre o que "sabe".

Cada pessoa é especializada num papel, e espera a mesma contribuição dos outros na sociedade, pelo que reconhece a realidade como um fenómeno que lhe é independente. Quando a rotina é interrompida por um problema, procura integrá-lo dentro do que ainda não é problemático, ou seja, está institucionalizado.

O problema que afeta a Ti Maria, e a sociedade atual em geral, é que a “modernidade” já não existe. Os indivíduos aceitavam determinados graus de autoritarismo, fossem através do estado, do emprego, da própria família ou de outras instituições da sociedade, em troca da segurança e estabilidade de vida prometida pelas organizações.

Só que como os riscos sociais políticos, ecológicos e individuais escapam cada vez mais ao controlo das instituições típicas da sociedade industrial a crise aparece (Beck,1992).

A mudança é a única coisa permanente e a incerteza é a única certeza

Na pós-modernidade, o cidadão leigo é confrontado diariamente com conceitos que alertam para a propensão ou predisposição para ser adversamente afetado por algo que não conseguem sensorialmente concluir (IPCC, 2013), e não por problemas momentâneos e visíveis, com um grau de consenso da comunidade científica e um conhecimento comprovado por causas rígidas.

Os órgãos de governo e agentes económicos, para legitimar as sua decisões, exigem, por vezes, à comunidade científica que forneça informações precisas e previsões proféticas, mas os sistemas complexos apresentam limites difusos, enquadramentos de diferentes grupos e indivíduos, soluções pouco claras e incerteza científica substancial, difícil de quantificar.

A mudança é a única coisa permanente e a incerteza é a única certeza. A sociedade líquida (que abandona a industrial e começa com a revolução digital) traz liberdade individual, mas destrói também a segurança projetada em torno de uma vida estável.

“Pior que uma mentira é uma convicção”

Afinal, quanto mais sabemos sobre determinado assunto, mais fatores descobrimos que antes não contabilizávamos ou mesmo reconhecíamos. E quanto “mais conhecimento, menos certeza” (Trenberth, 2010). Como o meu filósofo preferido, Nietzsche, diz: “todos os cientistas são céticos” e, “pior que uma mentira é uma convicção”.

Porque também eu, como a Ti Maria, questionei, com 14 anos, quando é que ia ficar sem casa, perante as imagens de Verdade Inconveninente, e aquelas capitais mundiais a serem inundadas. E agora escrevo este artigo, em 2021, na mesma casa que (ainda) não foi ao fundo. Enquanto se decide como “salvar o planeta” na “last call”, em Glasgow, e se constroem prédios como nunca se construíram, na ria e nas praias da minha terra.

(A Ti Maria viu-me na rua no outro dia, e cumprimentou-me de fugida. Eu sei que assim não faço muitos amigos.)

Fonte: aqui

Uivo: Um Documentário sobre António Sérgio


Nascimento: 14 de janeiro de 1950, Benguela, Angola 
Falecimento: 1 de novembro de 2009, Lisboa
António Sérgio Correia Ferrão foi um locutor e realizador de rádio português, DJ, editor discográfico, especialista e grande divulgador de música rock, pop e de vanguarda.

The Climate Conference in Glasgow Is Just COP-out 26

The climate crisis demands urgent changes to the world economy. This would require bringing the fossil fuel companies into public ownership and rapidly expanding renewable energy. Yet none of this is on the agenda at COP26.



This weekend, COP26 meets in Glasgow, Scotland. Every country in the world is supposed to be represented in meetings designed to achieve agreement on limiting and reducing greenhouse gas emissions so that the planet does not overheat and cause widespread damage to the environment, species and human livelihoods across the planet.

We are currently on track for at least a 2.7C hotter world by the end of the century – and that’s only if countries meet all the pledges that they have made. Currently they are nowhere near doing that. Governments are “seemingly light years away from reaching our climate action targets”, to quote UN chief Guterres.

Global energy-related carbon dioxide emissions are on course to surge by 1.5 billion tonnes in 2021 – the second-largest increase in history – reversing most of last year’s decline caused by the Covid-19 pandemic. Global emissions are expected to increase by 16%, not fall, by 2030 compared with 2010 levels.

COP stands for the Conference of the Parties to the 1992 United Nations Framework Convention on Climate Change, which set the stage for all international cooperation on climate. According to the UN, the top three priorities of the Glasgow COP26 are to: 1) keep the global temperature rise to no more than 1.5 degrees celsius through “rapid, bold emissions cuts” and net-zero commitments; 2) increase international finance for adaptation to at least half the total spent on climate action; 3) meet the existing commitment to provide $100 billion in international climate finance each year so that developing countries can invest in green technologies, and protect lives and livelihoods against worsening climate impacts. The reality is that even these modest priority targets are not going to be agreed in Glasgow and certainly not met in application, given the current make-up of governments and the plans of industry and finance around the world.

There is no longer any plausible scientific argument against the view that human activities are having a profound effect on the climate. The dwindling band of ‘climate sceptics’ have been silenced (at least in the mainstream media) by the overwhelming and increasing evidence that fossil-fuel based industrial and energy production and transport is causing rising carbon and other greenhouse gas emissions and this is the the cause of global warming. Moreover, global warming since the industrial revolutions of the 19th century has now risen to the point where it is destroying the planet.

But what is not so understood is that this impending (and already beginning) disaster could still be averted and reversed and without a significant cost to governments. Indeed, the latest report from the International Energy Agency’s World Energy Outlook 2021 shows that we know what to do about it, in substantial detail and at an affordable cost. But there is no political will to do so by governments, beholden are they to the fossil-fuel industry, to aviation and transport sectors and to the demands of finance and industrial capitalists as a whole to preserve profits at the expense of social need.

Already there is a yawning gap between government commitments to reduce emissions to be offered at COP26 and what is necessary. The Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) estimates that limiting global average temperature increases to 1.5C requires a reduction of CO2 emissions of 45% by 2030 or a 25% reduction by 2030 to limit warming to 2C. 113 governments have offered National Determined Contributions (NDCs), which will reduce greenhouse gas emissions by only 12% in 2030 compared to 2010.


The world’s governments plan to produce more than twice the amount of fossil fuels in 2030 than would be consistent with limiting warming to 1.5°C. Governments are collectively projecting an increase in global oil and gas production, and only a modest decrease in coal production, over the next two decades. This leads to future production levels far above those consistent with limiting warming to 1.5°C or 2°C. In 2030, governments’ production plans and projections would lead to around 240% more coal, 57% more oil, and 71% more gas than would be consistent with limiting global warming to 1.5°C.

Indeed, G20 countries have directed around USD 300 billion in new funds towards fossil fuel activities since the beginning of the COVID-19 pandemic — more than they have toward clean energy. According to the International Energy Agency, only 2% of governments’ “build back better” recovery spending has been invested in clean energy, while at same time the production and burning of coal, oil and gas was subsidised by $5.9tn in 2020 alone.


Which countries are to blame for this failure to do anything remotely close to avoiding the environmental disaster.  China is usually picked out as the main culprit.  It is currently by far the world’s biggest emitter of CO2 and is planning to build 43 new coal power plants on top of the 1,000 plants already in operation.  But China has some excuses.  It has the largest population in world and so its per capita emissions are much lower than most other major economies (although it’s the mass that counts).  Second, it is the manufacturing centre of the world providing goods for all the rich countries of the Global North.  As a result, its emissions are going to be huge because of the consumer demand for its products globally. 

Moreover, historically, cumulative emissions built up in the atmosphere in the last 100 years come from the rich previously industrialised and now energy consuming North.  There is a direct, linear relationship between the total amount of CO2 released by human activity and the level of warming at the Earth’s surface. Moreover, the timing of a tonne of CO2 being emitted has only a limited impact on the amount of warming it will ultimately cause. This means CO2 emissions from hundreds years ago continue to contribute to the heating of the planet – and current warming is determined by the cumulative total of CO2 emissions over time.


In total, humans have pumped around 2,500bn tonnes of CO2 (GtCO2) into the atmosphere since 1850, leaving less than 500GtCO2 of remaining carbon budget to stay below 1.5C of warming.  This means that, as the Glasgow COP26 takes place, the world will collectively have burned through 86% of the carbon budget for a 50-50 probability of staying below 1.5C, or 89% of the budget for a two-thirds likelihood.  More than half of all CO2 emissions since 1751 were emitted in the last 30 years.


In first place on the historical rankings is the US, which has released more than 509GtCO2 since 1850 and is responsible for the largest share of historical emissions with some 20% of the global total. China is a relatively distant second, with 11%, followed by Russia (7%), Brazil (5%) and Indonesia (4%). The latter pair are among the top 10 largest historical emitters, due to CO2 from their land.

The biggest emitters or consumers of carbon apart from the fossil fuel industry are the richest wealth and income earners in the Global North who have excessive consumption and fly everywhere. It is the military (the biggest sector of carbon consumption).  Then there is waste of capitalist production and consumption in autos, aircraft and airlines, shipping, chemicals, bottled water, processed foods, unnecessary pharmaceuticals and so on is directly linked to carbon emissions.  Harmful industrial processes like industrial agriculture, industrial fishing, logging, mining and so on are also major global heaters, while the banking industry operates to underwrite and promote all this carbon emission. 

And the US is really doing little to control or reduce the fossil fuel industry.  On the contrary, crude oil and gas production is rising fast and exploration is being expanded.  The Biden administration recently announced plans to open millions of acres for oil and gas that could ultimately result in production of up to 1.1bn barrels of crude oil and 4.4tn cubic feet of fossil gas. Being by far the biggest emitter in history, as well as the world’s number one oil producer, doesn’t seem to embarrass the US while it claims to be a climate leader.

Indeed, most major oil and gas producers are planning on increasing production out to 2030 or beyond, while several major coal producers are planning on continuing or increasing production.

No wonder the governments of the fossil fuel producers and consumers, like Saudi Arabia, Japan and Australia are among those countries asking the UN in Glasgow to play down the need to move rapidly away from fossil fuels; or for paying more to poorer states to move to greener technologies.  China may be the world’s largest polluter but it is pledging to bring its emissions to a peak before 2030, and to make the country carbon neutral by 2060.  And it is already a renewable energy leader, accounting for about 50% of the world’s growth in renewable energy capacity in 2020. The world’s most populous nation is also out in front on key green technologies such as electric vehicles, batteries and solar power.

Across 40 different areas spanning the power sector, heavy industry, agriculture, transportation, finance and technology, not one is changing quickly enough to avoid 1.5C in global heating beyond pre-industrial times, according to a report by the World Resources Institute.

And yet the cost of phasing out fossil fuel production and expanding renewables is not large.  Decarbonizing the world economy is technically and financially feasible.  It would require committing approximately 2.5 percent of global GDP per year to investment spending in areas designed to improve energy efficiency standards across the board (buildings, automobiles, transportation systems, industrial production processes) and to massively expand the availability of clean energy sources for zero emissions to be realized by 2050. The IEA reckons the annual cost has now risen to $4trn a year because of the failure to invest since the Paris COP five years ago. But even that cost is nothing compared to the loss of incomes, employment, lives and living conditions for millions ahead.

But it won’t happen because, to be really effective, the fossil fuel industry would have to be phased out and replaced by clean energy sources.  Workers relying for their livelihoods on fossil fuel activity would have to be retrained and diverted into environmentally friendly industries and services.  That requires significant public investment and planning on a global scale. 

A global plan could steer investments into things society does need, like renewable energy, organic farming, public transportation, public water systems, ecological remediation, public health, quality schools and other currently unmet needs.  And it could equalize development the world over by shifting resources out of useless and harmful production in the North and into developing the South, building basic infrastructure, sanitation systems, public schools, health care.  At the same time, a global plan could aim to provide equivalent jobs for workers displaced by the retrenchment or closure of unnecessary or harmful industries.  

All this would depend first on bringing the fossil fuel companies into public ownership and under democratic control of the people wherever there is fossil fuel production.  The energy industry needs to be integrated into a global plan to reduce emissions and expand superior renewable energy technology.  This means building renewable energy capacity of 10x the current utility base.  That is only possible through planned public investment that transfers the jobs in fossil fuel companies to green technology and environmental companies.

None of this is on the agenda at COP26.

The Queen’s speech at the COP26


Thank you, Prime Minister Holness, for your kind words of introduction.

I am delighted to welcome you all to the 26th United Nations Climate Change Conference; and it is perhaps fitting that you have come together in Glasgow, once a heartland of the industrial revolution, but now a place to address climate change.

This is a duty I am especially happy to discharge, as the impact of the environment on human progress was a subject close to the heart of my dear late husband, Prince Philip, The Duke of Edinburgh.

I remember well that in 1969, he told an academic gathering:

“If the world pollution situation is not critical at the moment, it is as certain as anything can be, that the situation will become increasingly intolerable within a very short time … If we fail to cope with this challenge, all the other problems will pale into insignificance.”

It is a source of great pride to me that the leading role my husband played in encouraging people to protect our fragile planet, lives on through the work of our eldest son Charles and his eldest son William. I could not be more proud of them.

Indeed, I have drawn great comfort and inspiration from the relentless enthusiasm of people of all ages – especially the young – in calling for everyone to play their part.

In the coming days, the world has the chance to join in the shared objective of creating a safer, stabler future for our people and for the planet on which we depend.

None of us underestimates the challenges ahead: but history has shown that when nations come together in common cause, there is always room for hope. Working side by side, we have the ability to solve the most insurmountable problems and to triumph over the greatest of adversities.

For more than seventy years, I have been lucky to meet and to know many of the world’s great leaders. And I have perhaps come to understand a little about what made them special.

It has sometimes been observed that what leaders do for their people today is government and politics. But what they do for the people of tomorrow — that is statesmanship.

I, for one, hope that this conference will be one of those rare occasions where everyone will have the chance to rise above the politics of the moment, and achieve true statesmanship.

It is the hope of many that the legacy of this summit – written in history books yet to be printed – will describe you as the leaders who did not pass up the opportunity; and that you answered the call of those future generations. That you left this conference as a community of nations with a determination, a desire, and a plan, to address the impact of climate change; and to recognise that the time for words has now moved to the time for action.

Of course, the benefits of such actions will not be there to enjoy for all of us here today: we none of us will live forever. But we are doing this not for ourselves but for our children and our children’s children, and those who will follow in their footsteps.

And so, I wish you every good fortune in this significant endeavour.

Saber  mais:
Queen tells Scottish parliament it has 'key role' in tackling climate crisis 
Who’s who at Cop26: the leaders who hold the world’s future in their hands

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Comité da Convenção de Aarhus investiga se APA violou lei ao reter informações sobre projeto de lítio da Mina do Barroso, Boticas


O Comité de Conformidade à Convenção de Aarhus admitiu hoje uma reclamação de ONG que acusam a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de violar a lei, ao reter informações sobre o projeto de lítio da Mina do Barroso, Boticas.

“Na decisão de admissão do caso hoje tomada, o Comité de Cumprimento da Convenção de Aarhus seguiu a posição das ONGs [organizações não governamentais] e dos observadores presentes nas audiências, e irá investigar mais aprofundadamente a potencial violação da Convenção de Aarhus por parte da Agência Portuguesa do Ambiente”, informou, em comunicado, a Mining Watch Portugal.

Em causa está o caso apresentado pela Fundação Montescola, uma ONG espanhola com sede na Galiza, considerando a possível má conduta da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ao reter informação ambiental sobre o projeto de lítio da Mina do Barroso, nas freguesias de Dornelas e Covas do Barroso, no concelho de Boticas.

Em janeiro deste ano, a Montescola solicitou o acesso ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado à APA pelo proponente do projeto, a Savannah Resources.

O Comité de Conformidade à Convenção de Aarhus comunicou hoje a admissão preliminar de um processo contra uma autoridade pública em Portugal, sendo a primeira vez que tal acontece desde a sua implementação.

A Convenção da Comissão Económica para a Europa das Nações Unidas (CEE/ONU) sobre acesso à informação, participação do público no processo de tomada de decisão e acesso à justiça em matéria de ambiente - conhecida habitualmente como Convenção de Aarhus - foi adotada em 25 de junho de 1998, na cidade dinamarquesa de Aarhus, durante a 4.ª Conferência Ministerial "Ambiente para a Europa".

“Uma vez que a APA decidiu não divulgar a informação requerida, a Montescola, depois de avançar com uma ação judicial contra o Ministério do Ambiente, recorreu ao Comité da Convenção de Aarhus, em Genebra, em maio de 2021”, esclareceu a Mining Watch Portugal.

Num parecer emitido em abril, a Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA) decidiu, segundo a ONG, que a APA deveria dar acesso às informações solicitadas e que tal consulta pelo público não se deveria limitar a períodos de consulta pública conduzidos pela APA.

“Apesar da decisão da comissão, a APA continuou a recusar a divulgação dos documentos solicitados”, apontou.

A Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG) colocou, no início de outubro, em consulta pública o relatório de avaliação ambiental preliminar do Programa de Prospeção e Pesquisa (PPP) de Lítio das oito potenciais áreas para lançamento de procedimento concursal. O período de consulta pública inicialmente previsto até ao dia 10 de novembro foi, entretanto, prorrogado até 10 de dezembro.

Em Boticas, o projeto está a ser promovido pela empresa Savannah Lithium, Lda, que prevê uma exploração de lítio e outros minerais a céu aberto numa área prevista de 593 hectares.

No âmbito da consulta pública do EIA da Mina do Barroso, que terminou em julho, foram efetuadas 170 participações e a decisão final vai ser anunciada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

O relatório de avaliação ambiental preliminar do PPP de Lítio, colocado em consulta pública, identificou “alguns riscos” nas oito potenciais áreas do Norte e Centro do país, reconhecendo ainda assim ser uma oportunidade para a “descarbonização da economia”.

“Da avaliação efetuada constatou-se, ainda que potenciais, alguns riscos e oportunidades de melhoria, que deverão ser devidamente acautelados no âmbito da implementação do programa”, adianta o documento.

Watch Sir David Attenborough's full COP26 speech