quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Entenda a diferença entre o upcycle e a reciclagem


Na busca por soluções que evitem ou, pelo menos, reduzam a degradação ambiental, muitos termos e conceitos vão surgindo. É o caso do upcycle, que surgiu em 1990 e está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas.

Ao contrário da reciclagem, que prevê a criação de um novo ciclo para o material descartado, o upcycle visa a valorização do ciclo. De acordo com William McDonough e Michael Braungart, no livro Cradle to Cradle: Remaking the Way We Make Things, upcycle é “evitar desperdício de materiais potencialmente úteis, fazendo uso dos já existentes”.

Os autores afirmam, ainda, que ao reduzir o uso de novas matérias-primas, há uma redução no consumo de energia, poluição do ar, poluição da água e até as emissões de gases de efeito estufa.

Ainda não entendeu? Funciona assim: os produtos que não têm mais uso e iriam para o lixo, devem ser utilizados como são, mas para outros fins. De forma que seu produto final agregue valor ao material utilizado.

Dessa forma, o que estaria no fim da vida útil se transformaria em algo novo e valorizado. É uma espécie de reinserção do produto nos processos produtivos.

O processo vem ganhando muitos adeptos. Isso porque, além de ser ecologicamente correto, o custo é bastante reduzido, o colocando em posição de destaque no mercado e sendo a opção preferida de artesãos adeptos da reutilização. Dessa forma, o upcycle está cada vez mais presente na moda, na decoração e em outras áreas.
Garfos podem virar ganchos para pendurar casacos, roupas, etc. Foto: frugalligence
A exemplo disso, algumas empresas transformam embalagens em matéria-prima para confeccionar bolsas, mochilas, estojos e cadernos. Alguns artesãos criam armários, mesas e cadeiras, a partir de fita adesiva, CDs e fitas cassetes.

Entre as vantagens do processo estão a substituição do uso de matérias-primas ‘virgens’ na criação de novos produtos e a diminuição de lixo no aterro sanitário e nas ruas.
Mas, e a reciclagem?

A reciclagem ainda desempenha papel importante na sociedade. No entanto, quando o resíduo passa pelo processo, perde valor e acaba se tornando uma matéria-prima de segunda mão.

O upcycle vem para inovar os processos de reutilização e reaproveitamento de materiais já desgastados e não para invalidar a reciclagem.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Os direitos da Mãe Terra e sua dignidade, por Leonardo Boff


Leonardo Boff, 18/11/2017

Anteriormente escrevemos sobre os direitos dos animais. Agora cabe discorrer sobre os direitos da Mãe Terra e de sua alta dignidade. O tema é relativamente novo, pois dignidade e direitos eram reservados somente aos seres humanos, portadores de consciência e de inteligência como o fez Kant em sua ética. Predominava ainda a visão antropocêntrica como se nós exclusivamente fôssemos portadores de dignidade. Esquecemos que somos parte de um todo maior. Como dizem renomados cosmólogos, se o espírito está em nós é sinal que ele estava antes no universo do qual somos fruto e parte.

Há uma tradição da mais alta ancetralidade que sempre entendeu a Terra com a Grande Mãe que gerou todos os seres que nela existem. As ciências da Terra e da vida, por via científica, nos confirmaram esta visão. A Terra é um superorganismo vivo, Gaia (Lovelock), que se autoregula para ser sempre apta para manter a vida no planeta.

A própria biosfera é um produto biológico pois se origina da sinergia dos organismos vivos com todos os demais elementos da Terra e do cosmos. Criaram o habitat adequado para a vida, a biosfera. Ela como tal não pre-existia. Foi criada pelo próprio sistema-vida para poder sobreviver e se reproduzir. Portanto, não há apenas vida sobre a Terra. A Terra mesma é viva e como tal possui um valor intrínseco e deve ser respeitada e cuidada como todo ser vivo. Este é um dos títulos de sua dignidade e a base real de seu direito de existir e de ser respeitada.

Os astronautas nos deixaram este legado: vista de fora, Terra e Humanidade fundam uma única entidade; não podem ser separadas. A Terra é um momento da evolução do cosmos; a vida é um momento da evolução da Terra; e a vida humana, um momento da evolução da vida. Por isso podemos, com razão dizer, o ser humano é aquela porção da Terra em que ela começou a tomar consciência, a sentir, a pensar e a amar. Somos sua porção consciente e inteligente.

Se os seres humanos possuem dignidade e direitos, como é consenso dos povos, e se Terra e seres humanos constituem uma unidade indivisível, então podemos dizer que a Terra participa da dignidade e dos direitos dos seres humanos e vice-versa.

Por isso, não pode sofrer sistemática agressão, exploração e depredação por um projeto de civilização que apenas a vê como algo sem inteligência e por isso a trata sem qualquer respeito, negando-lhe valor intrínseco em função da acumulação de bens materiais.

É uma ofensa à sua dignidade e uma violação de seus direitos de poder continuar íntegra, limpa e com capacidade de reprodução e de regeneração. Por isso, está em discussão um projeto na ONU de um Tribunal da Terra que pune quem viola sua dignidade, desfloresta e contamina seus oceanos e destrói seus ecossistemas, vitais para a manutenção dos climas e do ciclo da vida.

Por fim, há um último argumento que se deriva de uma visão quântica da realidade. Esta constata, seguindo Einstein, Bohr e Heisenberg, que tudo, no fundo, é energia em distintos graus de densidade. A própria matéria é energia altamente interativa. A matéria, desde os hádrions e os topquarks, não possui apenas massa e energia. Todos os seres são portadores também de informação, fruto da interação entre eles,

Cada ser se relaciona com os outros do seu jeito de tal forma que se pode falar que surge níveis de subjetividade e de história. A Terra na sua longa história de 4.500 milhões de anos guarda esta memória ancestral de sua trajetória evolucionária. Ela tem sujetividade e história. Logicamente ela é diferente da subjetividade e da história humana. Mas a diferença não é de princípio (todos estão conectados entre si) mas de grau (cada um à sua maneira).

Uma razão a mais para entender, com os dados da ciência cosmológica mais avançada, que a Terra possui dignidade e por isso é portadora de direitos, o que corresponde de nossa parte, deveres de cuidá-la, amá-la e mantê-la saudável para continuar a nos gerar e nos oferecer os bens e serviços que nos presta.

Essa é uma das mensagens centrais da encíclica do Papa Francisco “sobre o cuidado da Casa Comum”(2015). Na mesma linha vai a Carta da Terra, um dos documentos axiais da nova visão da realidade (2000) e dos valores que importa assumir para garantir sua vitalidade. O sonho coletivo que propõe não é o “desenvolvimento sustentável”, fruto da economia política dominante, anti-ecológica. Mas “um modo de vida sustentável” que resulta do cuidado para com a vida e com a Terra. Este sonho supõe entender “a humanidade como parte de um vasto universo em evolução” e a “Terra como nosso lar e viva”; implica também “viver o espírito de parentesco com toda a vida”, “com reverência o mistério da existência, com gratidão, o dom da vida e com humildade, nosso lugar na natureza”(Preâmbulo).

A Carta da Terra propõe uma ética do cuidado que utiliza racionalmente os bens escassos para não prejudicar o capital natural nem as gerações futuras; elas também têm direito a um Planeta sustentável e com boa qualidade de vida. Isso somente ocorrerá se respeitarmos a dignidade da Terra e os direitos que ela tem de ser cuidada e guardada para todos os seres, também os futuros.

Agora pode começar o tempo de uma biocivilização, na qual Terra e Humanidade, dignas e com direitos, reconhecem a recíproca pertença, de origem e de destino comum.

Leonardo Boff é articulista do JB on line, eco-teólogo e escritor.

Sem dinheiro, casal constrói casa com pneus velhos e latas de alumínio usadas


Seguindo a linha de Michael Reynolds, arquitecto famoso por utilizar ‘lixo’ para construir casas, um casal Português resolveu colocar a mão na massa e levantar a sua residência a partir de terra, pneus velhos e latas de alumínio. Além de dar nova utilidade para utensílios que iriam para os aterros sanitários, a casa ficou 50% mais barata que o previsto.

Com aproximadamente 9 mil latas e 700 pneus, a casa poupou 70% do cimento necessário para construções civis “normais”. Madeira, portas, janelas e toda a mobília também têm o carácter de upcycle cultivado pelo casal.

O projeto, que nasceu do desejo de baixar os custos, também é contemplado com um telhado verde, painéis solares e cisterna. Assim, espera-se que durante o ano haja oscilação na temperatura interna de, no máximo, 3ºC.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Subscrevam e partilhem a petição para criar Núcleo Museológico no Pejão

As minas do Pejão encerraram no último dia do ano de 1994. Desde então o seu património tem estado a degradar-se.
Petição MINAS do PEJÃO - Resgate da Memória
Subscrevam a petição neste link. Assinem e partilhem 

Em menos de uma semana uma petição para que seja criado um núcleo museológico das Minas do Pejão atraiu o apoio de centenas de cidadãos – até às 16h desta quarta-feira mais de 860 pessoas tinham já assinado o documento lançado pelo MIRA FORUM, no Porto. São precisas quatro mil assinaturas para que o documento seja apreciado no plenário da Assembleia da República.

A ideia surgiu durante a preparação da montagem da exposição Carvão de Aço, do fotojornalista do PÚBLICO Adriano Miranda. Foi nas conversas em torno das imagens captadas há mais de 25 anos nas Minas do Pejão que Manuela Matos Monteiro tomou consciência do património material e imaterial que estava a desaparecer aos poucos.

A petição lançada na noite de 13 de Fevereiro é dirigida ao Presidente da República, ao presidente da Assembleia da República e ao primeiro-ministro apelando-se a que as Minas do Pejão cheguem ao Parlamento, permitindo que “o assunto seja analisado e debatido no sentido da constituição de um núcleo museológico e que sejam encontradas soluções de modo a combinar-se a memória do lugar e da actividade mineira com o inegável interesse turístico para a região”.

No texto recorda-se que as minas, geridas pela Empresa Carbonífera do Douro, estiveram em actividade durante 77 anos, até encerrarem em 1994, e que o seu “precioso” património material sofre de “uma progressiva degradação”. Além disso, refere-se no mesmo documento, “há todo um património imaterial – as experiências e vivências dos mineiros, testemunhos únicos e irrepetíveis que é preciso registar”. Os peticionários, com Manuela Matos Monteiro, do MIRA, como primeira signatária, avisam que “o desaparecimento destes protagonistas [os mineiros] implica o desaparecimento deste património”.

A exposição Carvão de Aço no MIRA, em Campanhã, inicialmente prevista até 24 de Fevereiro, vai ser prolongada até 21 de Abril e até essa data será possível subscrever a petição, também disponível na internet. Manuela Matos Monteiro diz que não sabe se o documento irá alcançar as quatro mil assinaturas que permitem o agendamento do tema para o plenário da Assembleia da República, mas diz que parte do que o MIRA pretendia alcançar, já está feito.

“O tema não é fácil, mas por isso também quisemos avançar com isto. É uma forma de consciencialização, um trabalho de pedagogia e já temos um ganho fundamental: os mineiros perceberem que se está a dar importância à vida deles”, diz. Contudo, nota, os signatários querem "mais" e estão já em conversações com outras entidades ligadas à preservação do património mineiro para "mostrar que é possível" fazer o que pedem.

Fontes: Publico e Mira Forum

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Em 1971, o filósofo Lanza del Vasto conversou com dois jovens de Quebec


Pontos abordados: O papel dos jovens na invenção de novas formas de expressão de antigos valores humanos. Sua própria experiência de pesquisa. O lugar da tecnologia na libertação do homem e o significado do regresso à vida simples. A prática e o significado da não violência na civilização atual.

Poema- Reiner Maria Reike

Parque Nacional Peneda-Gerês

“Se nos rendêssemos à inteligência da Terra poderíamos erguer-nos enraizados, como árvores”~ Rainer Maria Rilke.

"If we surrendered to Earth's intelligence, we would rise up rooted, like trees."~ Rainer Maria Rilke.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Encontros Improváveis - Gabriela Mistral


"Onde haja uma árvore que plantar, planta-a tu;
Onde haja um erro que emendar, emenda-o tu" ~ Gabriela Mistral

Não se trata apenas de admirar a paisagem; é uma conexão com seres que operam em uma escala de tempo e resiliência muito diferente da nossa.

Por que as árvores nos fascinam?
Testemunhas do Tempo: Algumas árvores que vemos hoje já estavam aqui antes dos nossos bisavós e continuarão depois de nós. Elas são arquivos vivos da história.

Arquitetura Natural: A geometria das copas, o padrão das cascas e a complexidade das raízes são lições de design e eficiência.

Bem-estar (Shinrin-yoku): Os japoneses criaram o termo Shinrin-yoku ("Banho de Floresta"). Estar entre árvores comprovadamente reduz o cortisol (hormona do stress) e melhora a imunidade.

Generosidade Silenciosa: Elas filtram o ar, oferecem sombra, regulam a temperatura e sustentam ecossistemas inteiros sem pedir nada em troca.

Curiosidades sobre a "Vida Social" das Árvores
Se você ama árvores, vai adorar saber que elas não são seres isolados:

A "Wood Wide Web": Através de redes de fungos subterrâneos (micorrizas), as árvores se comunicam, trocam nutrientes e até avisam umas às outras sobre ataques de pragas.

Solidariedade: Árvores mais velhas, as "árvores-mãe", enviam açúcar extra através das raízes para as mudas mais jovens que estão na sombra e não conseguem fazer fotossíntese suficiente.

Timidez da Copa: Algumas espécies apresentam a "timidez foliar", onde as copas das árvores vizinhas nunca se tocam, deixando frestas de luz que parecem rios no céu.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Poema da Semana - Poema del Ábol, por Antonio Machado

"As árvores só falam para nós se tivermos a lucidez para as escutar" - João Soares

Paul Cezanne- Large Pine and Red Earth.c.1896 

Árbol, buen árbol, que tras la borrasca
te erguiste en desnudez y desaliento,
sobre una gran alfombra de hojarasca
que removía indiferente el viento...


Hoy he visto en tus ramas la primera
hoja verde, mojada de rocío,
como un regalo de la primavera,
buen árbol del estío.


Y en esa verde punta
que está brotando en ti de no sé dónde,
hay algo que en silencio me pregunta
o silenciosamente me responde.


Sí, buen árbol; ya he visto como truecas
el fango en flor, y sé lo que me dices;
ya sé que con tus propias hojas secas
se han nutrido de nuevo tus raíces.

Y así también un día,
este amor que murió calladamente,
renacerá de mi melancolía
en otro amor, igual y diferente.

No; tu augurio risueño,
tu instinto vegetal no se equivoca:
Soñaré en otra almohada el mismo sueño,
y daré el mismo beso en otra boca.

Y, en cordial semejanza,
buen árbol, quizá pronto te recuerde,
cuando brote en mi vida una esperanza
que se parezca un poco a tu hoja verde...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Não force nunca, por Agostinho da Silva


George Agostinho Baptista da Silva (Porto, 13 de Fevereiro de 1906 — Lisboa, 3 de Abril de 1994) foi um filósofo, poeta e ensaísta português. O seu pensamento combina elementos de panteísmo, milenarismo e ética da renúncia, afirmando a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano. Agostinho da Silva pode ser considerado um filósofo prático empenhado, através da sua vida e obra, na mudança da sociedade.

Recomendo vivamente este documentário do João Rodrigo, neto do professor Agostinho da Silva.
Mais informações, biografia, obras publicadas e sites encontram-se nesta postagem de 2010.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Sem lentidão não há paladar. (...) por José Tolentino Mendonça

Foto de autor- Ruta da Samieira, Galiza


"Sem lentidão não há paladar. (...) Os nossos estilos de vida parecem irremediavelmente contaminados por uma pressão que não dominamos; não há tempo a perder; queremos alcançar as metas o mais rapidamente que formos capazes; os processos desgastam-nos, as perguntas atrasam-nos, os sentimentos são um puro desperdício: dizem-nos que temos de valorizar resultados, apenas resultados. À conta disso, os ritmos de actividade tornam-se impiedosamente antinaturais." ~ José Tolentino Mendonça in "A mística do instante"

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Documentário: "Semente- a História Nunca Contada" (Seed - The Untold Story)

"Semente- a História por Contar" (Seed The Untold Story). 


PT
No documentário, "Seeds - History Untold", é desvendado que as sementes tiveram um papel fundamental na história da alimentação e que a sua protecção é fulcral para o futuro da sobrevivência humana. Vitais desde o início da Humanidade, este documentário menciona o papel daqueles que protegeram este legado alimentar e cultivaram-no em terrenos férteis desde o início da história da agricultura. No século passado, entre 70 a 90% das variedades de sementes desapareceram, não esquecendo a grande maioria, ainda não descoberta pelo Homem devido à perda de habitats. Hoje, à medida que as empresas de biotecnologia controlam a maioria das sementes, agricultores e cientistas, travam uma luta para defender parte do futuro da alimentação humana.
Poucas coisas na Terra são tão milagrosas e vitais como as sementes. Elas são tesouros, e adoradas desde o início da humanidade. 'Semente: A História Nunca Contada', segue guardiões de sementes apaixonados que protegem nosso legado alimentar de 12 mil anos. Como a maioria das empresas químicas de biotecnologia hoje tentam controlar a maior parte das nossas sementes, fazendeiros, cientistas, advogados e guardiões de sementes indígenas travam uma batalha entre David e Golias para defender o futuro da nossa comida. Numa história angustiante e encorajadora, esses heróis relutantes reacendem uma conexão perdida com nosso recurso mais precioso e resgatam toda uma cultura ligada à semente.

EN
A film about the importance of heirloom seeds to the agriculture of the world, focusing on seed keepers and activists from around the world. 

Realizado por Raon Betz (co-director) e Taggart Siegel (co-director). 2016
Entre muitos conta com testemunhos de Vandana Shiva, Andrew Kimbrelle e Jane Goodall


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Joan Baez - Txoria Txori


Hegoak ebaki banizkioNeria izango zenEz zuen alde egingo
Hegoak ebaki banizkioNeria izango zenEz zuen aldegingo
Bainan, honelaEz zen gehiago txoria izangoBainan, honelaEz zen gehiago txoria izango
Eta nikTxoria nuen maiteEta nikTxoria nuen maite
Hegoak ebaki banizkioNeria izango zenEz zuen aldegingo
Bainan, honelaEz zen gehiago txoria izangoBainan, honelaEz zen gehiago txoria izango
Eta nikTxoria nuen maiteEta nikTxoria nuen maite

Tradução

Pássaro Pássaro
Se eu tivesse cortado as asas dele
Teria sido meu
Não teria voado

Se eu tivesse cortado as asas dele
Teria sido meu
Não teria voado

Mas, assim
Não seria mais pássaro
Mas, assim
Não seria mais pássaro

E eu
Amava o pássaro
E eu
Amava o pássaro

Se eu tivesse cortado as asas dele
Teria sido meu
Não teria voado

Mas, assim
Não seria mais pássaro
Mas, assim
Não seria mais pássaro

E eu
Amava o pássaro
E eu
Amava o pássaro

Liberdade e identidade em "Txoria Txori", letra de Joxean Artze, cantado por Mikel Laboa e lançada em 1974, no álbum Bat-Hiru

A música "Txoria Txori", de Mikel Laboa, usa a imagem do pássaro para discutir a relação entre amor e liberdade. O verso “Hegoak ebaki banizkio / Nerea izango zen / Ez zuen aldegingo” (Se eu tivesse cortado suas asas / Seria meu / Não teria ido embora) mostra o conflito entre querer prender quem se ama e respeitar sua autonomia. A canção foi composta durante o regime franquista, período em que o idioma basco era proibido. Por isso, o pássaro também simboliza a identidade basca, que só pode existir plenamente se for livre.

A repetição de “Eta nik / Txoria nuen maite” (E eu amava o pássaro) reforça a ideia de que o verdadeiro amor está em aceitar o outro como ele é, sem tentar limitar sua liberdade. O poema, que Mikel Laboa  encontrou por acaso e transformou em músicae transformou em música, traz uma mensagem universal sobre liberdade, autenticidade e respeito. "Txoria Txori" se tornou um símbolo de resistência cultural e um lembrete de que tentar controlar alguém ou uma cultura leva à perda do que há de mais precioso.
(concerto ao vivo em 1988, em Bilbao)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Como criar um Monstro

Os hipermercados, juntaram o padeiro, o peixeiro e a leitaria todos no mesmo local, com vantagens inegáveis para o nosso conforto. Pelo caminho, talvez alguns empregos estáveis tenham desaparecido e os novos postos de trabalho dos peixeiros, leiteiros e padeiros se tenham transformado em actividades descartáveis e sem grande autonomia ou prestígio social. Valeu a pena?

Como criar um monstro autofágico

A atual relação entre os diversos intervenientes na cadeia alimentar nos meios urbanos é um bom exemplo de como, do nada se pode criar um monstro autofágico, que se devora a si próprio e se auto-destrói, ao destruir aqueles que lhe servem de suporte.

Quando surgiu a lógica da grande superfície comercial, a ideia era benévola e vantajosa para o consumidor e até para o produtor que assim poderia chegar a mais pessoas com os seus produtos.

Mas o sucesso da grandes superfícies, em Portugal, foi de tal ordem que provocou a erosão de quase todo o pequeno comércio local.

Os pequenos mercados e lojas de bairro, onde estávamos habituados a fazer as nossas compras, foram desaparecendo, do mapa, um-a-um, quase sem darmos bem conta disso - com o alto patrocínio, dos autarcas e dos mesmos consumidores que agora falam em gentrificação, a propósito do turismo, mas nessa altura não equacionaram, como colectivo social, a perda de qualidade de vida - com a deslocação massiva de pessoas, do centro para a periferia das cidades.

Os centros urbanos das cidades e a gentrificação.Fotografia da baixa do Porto em 2008

Os centros urbanos, das cidades, são o que escapou da gentrificação que ocorreu em Portugal nas últimas décadas, enquanto todos nós passeávamos alegremente nos Shoppings da moda e comprávamos a modernidade nas periferias, que agora renegamos.

Quando os turistas se interessaram pelo que alegremente abandonamos, passamos a agitar bandeirolas com os "nossos" direitos a habitar nos "nossos" queridos centros históricos, das "nossas" cidades e, viemos para a praça pública, denunciar que o turismo estava a destruir os centros históricos das nossas cidades!

A sério?

Era assim o cruzamento da Rua de Santa Catarina, com a Rua Formosa em 2008!

Agora não faltam os casos particulares de "pessoas espoliadas" dos seus direitos ao centro da cidade.

Mas, foram os turistas que nos roubaram a qualidade de vida e as habitações, no centro das cidades, ou fomos nós que as deitamos pela janela fora?

Do Super para o Hiper e do Hiper para o Shopping.
As primeiras superfícies comerciais surgiram nos centros urbanos, mas depressa quiseram crescer. Os centros urbanos não tinham espaço, nem condições, para projectos megalómanos.

Os supermercados, foram deslocalizados para fora do centro das cidades, de forma a terem espaço para os seus projectos, em escala industrial.

Passamos da fase dos Supermercados nos centros urbanos, para a fase dos Hipermercados nas periferias.

Na periferia havia espaço, muito mais barato e disponível, por isso, rapidamente voamos dos Hipermercados nas periferias, para os Shopping Centers.

Os Shopping Centers, tornaram-se os espaços âncora do um novo modelo de vida e de cidade. Foram vendidos como um modelo de modernidade e bem-estar social, por políticos e autarcas.

A população, essa estava inebriada com esta miragem de bem-estar e modernidade, nas suas cidades!

Os centros das cidades deixaram de ser atraentes e esvaziaram-se.

Sobraram os velhos, os mais pobres e os indigentes que, mesmo assim, ansiavam por sair dos centros das cidades, cada vez mais desertificados, degradados e inseguros, por falta de investimento público e privado.

As lojas, estavam vazias e fechadas. As casas dos centros urbanos, sem investimento dos senhorios, e rendas congeladas por décadas, estavam em más condições e eram muito mais desconfortáveis que as novas e modernas habitações da periferia, perto dos Shopping Centers da moda.

Todos aspiravam a desfrutar desta nova onda de modernidade!

Foi por essa razão, que as habitações, as lojas e os monumentos, dos centros históricos nas cidades, se esvaziaram e degradaram...

A Modernidade de Betão, que tudo abandonou...

A Modernidade de Betão, que tudo abandonou...
Nas principais cidades do país, as quintas das periferias, que antes abasteciam as mercearias da cidade, deixaram de ser necessárias e deram lugar a novos bairros de betão, com muitos prédios modernos e confortáveis, mas descaracterizados.

As vacas que pastavam livres nos campos, foram deslocadas para edifícios, a que chamamos vacarias, porque os terrenos agrícolas, nas periferias, rendiam mais com a especulação imobiliária, do que com a produção agrícola e além disso, as grandes superfícies também exigiam outro tipo de estrutura produtiva agrícola.

As mercearias estavam a fechar e a população estava a ser educada para comprar fruta normalizada.

Estávamos a entrar na CEE e na nova era da "normalização" da fruta, da carne, do leite e enfim, da nossa alimentação.

Não havia espaço nos novos hipermercados para a pequena exploração agrícola familiar.

Além disso, a modernidade também votou ao abandono os mercados e feiras tradicionais.

Um bom exemplo disso é o nome do primeiro Hipermercado que recordo:

- No limite do centro da cidade de Braga, numa quinta onde costumavam pastar gado, quase de um dia para o outro, vi desaparecerem as vacas e surgir um enorme hipermercado a que chamaram o "Feira Nova".
E este nome é bem simbólico!

A mudança de hábitos
Representa a mudança de hábitos que se seguiu, com muitos de nós a abandonar o hábito de ir à feira ou ao mercado do centro da cidade, para ir ao "Feira Nova" fazer as compras.

E o sucesso foi tal, que este Hipermercado, cresceu, cresceu, cresceu...até se transformar num grande Shopping Center, o maior de Braga atualmente.

Quem vai ao Braga Parque, com toda aquela envolvente de acessos e de prédios, hoje não consegue imaginar, um enorme pasto verde, cheio de vacas leiteiras. Mas naquele caso, foi assim que a modernidade chegou àquelas pastagens.

Podia ter sido melhor? Podia!

Braga podia ser, hoje, uma cidade mais equilibrada, harmoniosa e com mais espaços verdes. .

Aquilo a que chamamos centro histórico de Braga podia ser bem maior, porque eu recordo-me de imensas casas antigas, bem interessantes, que foram arrasadas para dar lugar aos prédios que hoje desfeiam, e muito, a cidade. Mas Braga, curiosamente, ainda não sofre da febre do centro histórico, porque a cidade tem excesso de habitação e arrendar uma casa nesta cidade, é bastante fácil.

Mas será que não fomos, também nós, normalizados?

Tudo foi alicerçado na instalação de grandes superfícies comerciais, tudo-em-um, com uma política comercial e de marketing disruptiva e inovadora, mas agressiva, que atraiu lojistas do centro das cidades e compradores, fascinados com o conforto e a modernidade destes novos paraísos de consumo. Iniciou-se uma nova era de Modernidade, a que eu gosto de chamar a Modernidade de Betão!

Ganharam os autarcas, ganharam os construtores, ganharam os especuladores imobiliários, e ganharam os bancos. As grandes superfícies eram as estrelas da economia nacional, a salvação dos empregos e da pátria e transformaram-se em gigantes financeiros, com poder de decidir e ditar as tendências dos mercados.

Não tinham concorrência e tinham o apoio dos políticos e da população!

A Deslocação das pessoas e dos Empregos para a Periferia
A população urbana mudou e mudou-se de armas e bagagens para as novas e modernas habitações, em volta destes Espaços Âncora.

Com esta deslocalização, e a criação de acessos privilegiados a essas grandes superfícies, a maior parte dos empregos foram também deslocados para a periferia dos centros urbanos e com eles as famílias também migraram para a periferia.

Isto contribuiu ainda mais para a desertificação e abandono dos centros urbanos, que se verificou nas últimas décadas.

A perda de qualidade de vida familiar e no emprego.

Pelo caminho, talvez alguns empregos estáveis tenham desaparecido e os novos postos de trabalho dos peixeiros, leiteiros e padeiros se tenham transformado em actividades descartáveis.

Trabalhar numa mercearia, não é tão monótono, nem provoca o mesmo stress que trabalhar na caixa de um hipermercado.

Além disso, as mercearias têm horários muito mais compatíveis, com a vida familiar, porque não há turnos até à meia-noite, nem aos domingos.

Mas a verdade é que, todos nós, estávamos tão inebriados com a modernidade, das grandes hiper-superfícies comerciais, tudo em um, que nunca mais nos lembramos da padeira que deixava o pão na porta, do peixeiro que buzinava à quarta feira, nem do Sr. Manuel da mercearia, a quem antes pedíamos para nos entregar as compras em casa, no final do dia.

Os hipermercados, juntaram o padeiro, o peixeiro e a leitaria todos no mesmo local, com vantagens inegáveis para o nosso conforto.

Pelo caminho, talvez alguns empregos estáveis tenham desaparecido e os novos postos de trabalho dos peixeiros, leiteiros e padeiros se tenham transformado em actividades descartáveis e sem grande prestígio social.

Por mais que as revistas cor-de-rosa gourmet, das grandes superfícies, nos queiram contar outra história - com imagens perfeitas de funcionários felizes, realizados e empenhados nas suas actividades - o que eu vejo e sinto quando estou na peixaria, na padaria ou na caixa do hipermercado, é o stress e a frustração, dos funcionários perfeitos da revista cor-de-rosa gourmet, para cumprir metas, por trás do seu sorriso pepsodent.

E não, não gostaria nada de estar no lugar deles, e até aposto que mal tenham oportunidade correm dali para fora!

Quem criou o monstro, foram os hipermercados?
Os próprios hipermercados, na sua ansiedade de crescer desmesuradamente, criaram um monstro, prejudicial até para eles próprios.

Superestruturas desnecessárias e complicadas de manter, com excesso de normalização e de certificações, para satisfazer todo o tipo de consumidores, até os mais caprichosos, que querem as batatas já descascadas e as maçãs já fatiadas em tirinhas prontas a comer.

Entre o desperdício de dinheiro em marketing e normalização de produtos: certificações; calibração de produtos; higienização; embalagens e micro embalagens; sofisticadas cadeias de frio e armazenamento de produtos; promoções e super-promoções;... Abastecer a sua mesa tornou-se um mau negócio, até para as próprias grandes superfícies.

Mas a culpa será das grandes superfíceis comerciais, tudo-em-um?

Ou será o monstro, uma criação colectiva?

Quem foi, na realidade, que criou este Monstro Autofágico?

Eu diria que quem criou o monstro:
  1. foram os consumidores
  2. foram as grandes superfícies
  3. foi a corrupção
  4. foram os autarcas
  5. foram os políticos
  6. foi o deslumbramento
  7. foram os agentes imobiliários
  8. foram as empresas de construção civil
  9. foram as normas europeias

O Monstro é pois, uma criação colectiva, de que nenhum de nós se pode orgulhar, porque todos contribuímos de alguma forma para a sua criação.

Todos fomos responsáveis pela perturbação do bem-estar colectivo dos cidadãos, sobretudo dos mais idosos que habitavam os centros urbanos das cidades, quando estas se transformaram radicalmente, com a deslocação massiva dos empregos e das famílias para as modernas periferias.

Mas os principais responsáveis foram, sem dúvida, os autarcas e os políticos que, salvo raras excepções, nunca equacionaram nada disto, enquanto orientavam o dinheiro dos contribuintes, para a criação das condições legais e dos acessos rodoviários privilegiados, que facilitaram a instalação de grandes superfícies comerciais, tudo-em-um e incentivaram a fuga das cidades, para as modernas periferias com acessos privilegiados.

Nova criação colectiva!
Resta-nos a esperança, de que no seu processo autofágico, o monstro não devore tudo, e simplesmente desapareça tranquila e gradualmente, dando lugar a cidades e periferias mais equilibradas e a modos de vida mais saudáveis e sustentáveis, do que os actuais.

Mas, isto implica uma nova Criação Colectiva!

E algo está já a mudar, na forma como os consumidores questionam a sua qualidade de vida, ou a qualidade da sua alimentação.

Esperemos que a próxima criação colectiva, não se traduza num novo Frankenstein!