O filme "O Espelho" representa reflexões, pensamentos da pessoa aqui identificada como o Autor. Não aparece pessoalmente, apenas a sua voz cansada ressoa. E no ecrã, como num espelho, surgem imagens do seu passado. À partida, as memórias parecem dispersas: o amor pela mãe, que o Autor não sabe como exprimir, um sentimento profundo pelo pai, a insatisfação consigo próprio pela relação pouco desenvolvida com o filho… Gradualmente, tudo se torna claro: trata-se de um relato pessoal, de um difícil juízo de consciência, talvez até de uma sentença. O filme ocupa um lugar especial na obra de Andrei Tarkovsky. Nele, retrata a sua mãe idosa, Maria Ivanovna Vishnyakova-Tarkovsky, enquanto, ao fundo, se ouve a voz do seu pai, o poeta Arseny Tarkovsky, a recitar os seus belos poemas. É um filme de confissão, um filme de revelação.
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