O músico alemão Bartholomäus Traubeck criou um equipamento que traduz os anéis do tronco de uma árvore, em notas de piano, ao tocá-lo numa plataforma giratória similar à de um gira-discos.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Conheça a incrível música que foi encontrada nos anéis de uma árvore
O músico alemão Bartholomäus Traubeck criou um equipamento que traduz os anéis do tronco de uma árvore, em notas de piano, ao tocá-lo numa plataforma giratória similar à de um gira-discos.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Documentário: Urban Permaculture with Geoff Lawton
Geoff Lawton é um consultor, designer e professor de Permacultura de renome mundial. Ele fez seu primeiro curso de Permaculture Design Certificate (PDC) em 1983 com Bill Mollison o fundador da Permacultura. Geoff realizou milhares de trabalhos ensinando, consultando, projetando, administrando e implementando, em 6 continentes e cerca de 50 países ao redor do mundo. Os clientes incluem indivíduos privados, grupos, comunidades, governos, organizações de ajuda, organizações não governamentais e empresas multinacionais sob a organização sem fins lucrativos. Em 1996 Geoff foi credenciado com o Permaculture Community Services Award pelo movimento Permaculture para serviços na Austrália e em todo o mundo.
Biomorfismo e biomimetismo
A fronteira entre o biomorfismo e o biomimetismo marca a forma como a humanidade se inspira na natureza, dividindo-se entre a sensibilidade da forma e a precisão da função. O biomorfismo, com raízes profundas na história da arte e no design do século vinte, foca-se na linguagem visual do mundo natural. A palavra e o conceito ganharam destaque teórico em 1936 através de Alfred H. Barr Jr., o primeiro diretor do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, que utilizou o termo para classificar obras cujas formas abstratas e fluidas evocavam processos biológicos, células e organismos vivos. Artistas como Jean Arp e Joan Miró encarnaram esta visão ao criarem esculturas e pinturas que pareciam germinar organicamente. Mais tarde, esta estética expandiu-se para a arquitetura e o design de interiores pelas mãos de figuras como Alvar Aalto e Isamu Noguchi, que recorreram a linhas ondulantes e contornos orgânicos com o objetivo de humanizar os espaços e os objetos do quotidiano.[Ilustromania]
Por outro lado, o biomimetismo afasta-se da mera aparência visual para se concentrar no desempenho e nas soluções de engenharia aperfeiçoadas pela evolução ao longo de milhões de anos. O termo foi introduzido nos anos cinquenta pelo biofísico e inventor americano Otto Schmitt, que estudou os sistemas nervosos dos animais para conceber circuitos elétricos avançados. A aplicação prática desta filosofia ganhou visibilidade global com a invenção do Velcro em 1941 pelo engenheiro suíço Georges de Mestral, após este ter analisado ao microscópio a forma como as sementes de bardana se fixavam ao pelo do seu cão. Contudo, o grande impulso concetual e a consolidação teórica da disciplina surgiram em 1997 com a bióloga Janine Benyus. No seu trabalho de referência, Benyus definiu a natureza como mentora e modelo para a inovação humana, promovendo o biomimetismo como uma ferramenta indispensável para o desenvolvimento sustentável e para a criação de tecnologias com baixo impacto ambiental.[Biomimetismo]
No cruzamento entre estas duas correntes surge a figura visionária de Antoni Gaudí, que antecipou ambos os conceitos muito antes da sua formalização académica. Na transição do século dezanove para o século vinte, o arquiteto catalão adotou uma abordagem biomórfica ao moldar edifícios como a Casa Batlló e a Sagrada Família com varandas que lembram ossos, tetos em forma de concha e colunas que imitam árvores. Ao mesmo tempo, Gaudí atuou como um verdadeiro pioneiro do biomimetismo ao estudar a mecânica das estruturas vegetais e a geometria natural para desenhar arcos catenários e sistemas de suporte de extraordinária eficiência estrutural, demonstrando que a estética orgânica e a funcionalidade biológica podem coexistir em perfeita harmonia.
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terça-feira, 29 de julho de 2014
Mais a Borboleta
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| Créditos: Rui Miguel Félix |
"O momento e o tempo estão tão ligados como o nosso coração e a nossa alma. Tenho a certeza que todos os dias somos visitados por lembranças do muito que nos pode acontecer, do pouco que sabemos e do pouco tempo que temos para ficar com uma pequena ideia do que tudo isto é."
Mais a Borboleta, de Miguel Esteves Cardoso
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Só a democracia permite que haja recursos para a próxima geração
Se o mundo coubesse num jardim de um hectare, que dentada é que a humanidade já lhe teria dado? E o jardim que sobraria seria capaz de se regenerar e receber os nossos filhos, netos e gerações vindouras? As duas questões são metafóricas, mas os recursos que nos permitem viver são terrivelmente concretos. O solo que nos dá comida, a água que bebermos, o ar que respirarmos, tudo tem um fim e nós podemos acelerá-lo. Por isso, uma equipa de investigadores quis perceber qual a disposição das pessoas para avaliarem os recursos que existem e deixarem o suficiente geração após geração. Segundo o trabalho, a maioria está pronta a sacrificar recursos para si em prol do futuro. Mas para que isso acontecesse foi necessário aplicar a votação, conclui um artigo científico publicado na quinta-feira na revista Nature com o título invulgarmente simples e poético “Cooperar com o futuro”.
"A observação surpreendente é que, apesar de haver uma minoria de pessoas que não quer cooperar, a maioria vota altruisticamente”, explica Martin Nowak num comunicado da Universidade de Harvard, Estados Unidos. O investigador é um dos líderes da equipa que conta ainda com cientistas da Universidade de Yale, em New Haven, EUA. “Essas pessoas não estão a votar para maximizar os seus próprios benefícios, e é isso que permite cooperar com o futuro.”
Esta demonstração está de acordo com estudos recentes em que se mostra que as pessoas são, em geral, altruístas, contrariando a ideia prévia de que os humanos são racionais e egoístas nas suas escolhas, principalmente quando os sacrifícios de hoje só beneficiam as gerações futuras.
domingo, 27 de julho de 2014
Poema da Semana - "Um dia", por Sophia de Mello Breyner Andresen
Um dia
Um dia, mortos, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados, irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais, na voz do mar,
E em nós germinará a sua fala.
~ Sophia de Mello Breyner Andresen, Texto extraído do livro "Poemas escolhidos - Sophia de Mello Breyner Andresen", Cia. das Letras - São Paulo, 2004
sábado, 26 de julho de 2014
Música do BioTerra: Death in June - Fall Apart e Ikon- versão melancolicamente graciosa
IKON - Fall Apart (Death in June cover)
Shall I fall in Pastures
Will I Wake the Darkness
Shall we Torch the Earth?
And if I wake from Dreams
Shall we find the Emptiness
And break the Silence
That will stop our Hearts?
And if I wake from Dreams
Shall we cry Together
For their Howling echoes
And restart the Night?
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And shall I wake from Dreams
For the Glory of Nothing
For the cracking of the Sun
For the crawling down of Lies?
And if We fall from Dreams
Shall we push them into Darkness
And stare into the Howling
And clamber into Night?
And if I fall from Dreams
All my Prayers are Silenced
To Love is to lose
And to lose is to Die...
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
sexta-feira, 25 de julho de 2014
A ilusão óptica da nossa consciência, por Einstein
“Um ser humano é parte do todo por nós chamado “universo”, uma parte limitada no tempo e no espaço. Nós experimentamo-nos, aos nossos pensamentos e sentimentos, como algo separado do resto – uma espécie de ilusão óptica da nossa consciência. Esta ilusão é uma espécie de prisão para nós, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais e ao afecto por algumas pessoas que nos são mais próximas. A nossa tarefa deve ser a de nos libertarmos desta prisão ampliando o nosso círculo de compreensão e de compaixão de modo a que abranja todas as criaturas vivas e o todo da Natureza na sua beleza” - Einstein, The Expanded Quotable Einstein, Princeton University Press, 2000, p.316
quinta-feira, 24 de julho de 2014
A Agricultura Biológica - a afirmação de um Movimento de reaproximação da Natureza
Perspetiva histórica
A Agricultura Biológica é o modo ancestral de exploração agrícola, mas apenas surgiu como movimento em meados do século XX como reação ao recurso cada vez mais frequente na prática agrícola a químicos de síntese. O uso destes químicos começou com a revolução industrial (séculos XVIII e XIX) mas sofreu um grande impulso no pós-II Guerra Mundial quando os produtos de síntese utilizados no fabrico de munições e na luta química foram transformados em fertilizantes e inseticidas poderosos.
Estes desenvolvimentos conduziram à vulgarização do uso dos fertilizantes e dos pesticidas na agricultura, a par da generalização da irrigação a grande-escala. Foi em resposta estas alterações das práticas tradicionais que surgiu a Agricultura Biológica cujo objetivo é restaurar o equilíbrio perdido como resultado do rápido desenvolvimento tecnológico, que teve custos ambientais.
Em contraste com os métodos agrícolas mais modernos, a Agricultura Biológica apresenta-se uma alternativa “naturalista” que se baseia no uso da rotação de culturas, de estrume e composto como adubo e do recurso a métodos biológicos, culturais e físicos de controlo de pragas, rejeitando o recurso a químicos de síntese com efeitos nocivos para o Ambiente.
A notoriedade da Agricultura Biológica foi crescendo timidamente nas décadas que se seguiram aos seu aparecimento, tendo em 1972 sido fundada a Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Biológica (International Federation of Organix Agriculture Movements – IFOAM) que foi a responsável pela criação dos padrões pelos quais se regem as práticas de Agricultura Biológica a nível mundial.
Mas foi a partir da década de 1990 que a Agricultura Biológica começou a ganhar mais notoriedade, acompanhando a crescente consciencialização da sociedade no que diz respeito aos impactos da Agricultura convencional no Ambiente, e simultaneamente o crescente desejo de uma reaproximação da Natureza, que conduziu ao aumento da procura de produtos mais “naturais”.
A atualidade em números
a) A Agricultura Biológica no mundo
Segundo dados do Research Institute of Organic Agriculture e da International Federation Organic Movements (FiBL e IFOAM) relativos a 2010, a área mundial de cultivos de Agricultura Biológica é de 37 milhões de hectares - mais do triplo do registado em 1999, e que corresponde a um total de 1,6 milhões de produtores.
Do total global, 12,1 milhões de hectares (32,8%) localizam-se na Oceânia, 10 milhões de hectares (27,0%) na Europa, 8,4 milhões de hectares (22,7%) na América Latina, 2,8 milhões de hectares (7,5%) na Ásia, 2,7 Milhões de hectares (7,2%) na América do Norte e 1,1 milhões de hectares (2,9%) em África.
A nível local, a Austrália é o país com maior área de cultivos dedicados à Agricultura Biológica (12 milhões de hectares), seguida da Argentina (4,18 milhões de hectares) e dos Estados Unidos (1,95 milhões de hectares).
Globalmente, a área em que se pratica Agricultura Biológica representa 0,9% da área de cultivos agrícolas global, mas nem todas as regiões contribuem da mesma maneira, com a Oceânia a ser o território continental que mais se destaca, onde 2,9% das terras agrícolas são alvo de Agricultura Biológica, seguida da Europa (2,1%) e da América Latina (1,4%), encontrando-se a África (0,1%) e a Ásia (0,2% no extremo oposto).
No que diz respeito aos países/territórios, aquele que mais se destaca no que diz respeito à representatividade da SAU (proporção da Superfície Agrícola Útil – SAU) de Agricultura Biológica relativamente à SAU global, é o das Ilhas Malvinas (35,9%), seguido do Liechtenstein (27,3%) e da Áustria (19,7%).
Relativamente à ocupação das terras dedicadas à Agricultura Biológica em 2010, verifica-se um predomínio das prados/pastagens permanentes (23,7 milhões de hectares), seguido das culturas arvenses - 6,1 milhões de hectares (17% do total), dos quais 2,5 milhões de hectares são de cereais, 2 milhões de hectares de forragens verdes, 0,5 milhões de hectares de oleagináceas, 0,3 milhões de hectares de proteaginosas e 0,2 millhões de hectares de produtos hortícolas. As culturas permanentes ocupavam, em 2010, 2,65 milhões de hectares (7%) – a mais importante das quais era o café (0,64 millhões de hectares), seguido do olival (0,5 milhões de hectares), do cacau (0,29 milhões de hectares), dos frutos secos (0,26 milhões de hectares) e, finalmente, da vinha (0,22 milhões de hectares).
Em relação em 2009, verificou-se uma redução de 50 mil hectares na área onde se pratica Agricultura Biológica, o correspondente a 0,1% da área dedicada à Agricultura Biológica, sendo que os únicos continentes onde esta área cresceu foram a Europa e a África.
Esta redução contrasta com o aumento, a nível mundial, de 8,7% da área dedicada à Agricultura Biológica entre 2007 e 2008. Neste período, o país que registou um maior crescimento foi a Argentina, seguido das ilhas Malvinas e, depois, da Espanha.
b) A Agricultura Biológica na Europa
No continente europeu a área de território devotado à Agricultura Biológica cresceu, entre 2009 e 2010, 800 mil hectares (8,7%) atingindo, como já foi referido, um total de 10 milhões de hectares (2,1% da superfície agrícola útil), que representa um universo de 277 362 operadores (em 2009 eram 257 641).
Em 2010 os países com maior proporção de Agricultura Biológica relativamente à Superfície Agrícola Útil (SAU) total eram a Espanha 1,5 milhões de hectares), seguida da Itália (1,1 milhões de hectares e da Alemanha (com mais de 0,99 milhões de hectares), sendo 6 os países em que a proporção de SAU da Agricultura Biológica era superior a 10%: Liechtenstein (27,8%), Áustria (19,7%), Suécia (14,1%), Estónia (12,5%), Suíça (11,4%) e República Checa (10,5%).
Entre 2009 e 2010, os maiores aumentos na área de Agricultura Biológica ocorreram na França, Polónia e Espanha, por esta ordem, que constituem também aos países onde a área de Agricultura Biológica mais cresceu a nível mundial.
No período anterior de 2007-2008, 3 dos 10 países com maior crescimento da SAU de Agricultura Biológica também se situam no continente europeu: Espanha, Reino Unido e Alemanha. Por outro lado, dados do EUROSTAT revelam que no Universo de países da UE a área dedicada à Agricultura Biológica aumentou 21% entre 2005 e 2008.
Em 2008, a proporção dos diferentes tipos de culturas arvenses na UE27 era a seguinte (EUROSTAT):
Segundo o FiBL-IFOAM, a comercialização na Europa de produtos orgânicos em 2010 rondou os 19,6 biliões de euros, sendo o mercado alemão o mais, importante, seguido do francês e do Reino Unido.
c) A Agricultura Biológica em Portugal
As estatísticas da Agricultura Biológica em Portugal disponibilizadas pelo Ministério da Agricultura revelam que, ao contrário do que se verificou na Europa e no mundo em geral, se assistiu, a nível nacional, a um retrocesso do setor nos últimos anos, que é visível tanto na redução do número de produtores agrícolas que a praticam, bem como a área de cultivos que representam entre 2007 e 2009.
Com efeito, os dados oficiais da administração central revelam que, em 2009, eram 1651 produtores que praticavam Agricultura Biológica, o que representa um decréscimo relativamente a 2008, ano em que foram contabilizados 1902 produtores que, por sua vez eram já menos do que em 2007, em número de 1949.
De forma semelhante, de 2007 para 2009 assistiu-se a uma diminuição da área agrícola dedicada à Agricultura Biológica que passou de 233 475 hectares para 214 442 hectares em 2008 e 157 179 hectares em 2009.
Este período de regressão do número de produtores e da área de Agricultura Biológica, acontece após um período de estagnação (2005-2006), que tinha sido antecedido por um período de crescimento desde que há registos (1994) – a exceção é o período 1999-2000 em que se assistiu também a uma estagnação.
A INTERBIO – Associação Interprofissional para a Agricultura Biológica identifica acontecimentos-chave para interpretação destas estatísticas: o primeiro foi a interrupção dos apoios (através da medidas agroambientais) à Agricultura Biológica no ano 2000; e o segundo foi aparecimento dos apoios para a produção integrada, em 2007 que motivou, logo nesse ano, a transferência inúmeros produtores para o sistema de produção integrada, movimento que se acentuou nos dois anos seguintes.
No que diz respeito à importância dos diferentes tipos de culturas observa-se uma importante variação desde 1994 a 2009 como se pode constatar no gráfico seguinte:
No fim do período considerado (2009) verifica-se um claro predomínio das pastagens que ocupam 72% da área dedicada à Agricultura Biológica. O cultivo que, a seguir, regista uma maior representatividade é o olival (9%), seguido das plantas aromáticas (7%), das culturas arvenses e dos frutos secos (4% em cada caso), do pousio (2%), da vinha e da fruticultura (1% em cada caso), não chegando a horticultura a ocupar 1% dos terrenos onde se pratica Agricultura Biológica.
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quarta-feira, 23 de julho de 2014
Música do BioTerra: Apocalyptica - Seemann feat. Nina Hagen
Komm in mein Boot
Ein Sturm kommt auf und es wird Nacht
Wo willst du hin?
So ganz allein treibst du davon
Wer halt deine Hand
Wenn es dich nach unten zieht?
Wo willst du hin?
So uferlos die kalte See
Komm in mein Boot
Der Herbstwind hält die Segel straff
Jetzt stehst du da an der Laterne
Mit Tränen im Gesicht
Das Tageslicht fällt auf die Seite
Der Herbstwind fegt die Straße leer
Jetzt stehst du da an der Laterne
Mit Tränen im Gesicht
Das Abendlicht verjagt die Schatten
Die Zeit steht still und es wird Herbst
Komm in mein Boot
Die Sehnsucht wird der Steuermann
Komm in mein Boot
Der beste Seemann war doch ich
Jetzt stehst du da an der Laterne
Mit Tränen im Gesicht
Das Feuer nimmst du von der Kerze
Die Zeit steht still und es wird Herbst
Sie sprachen nur von deiner Mutter
So gnadenlos ist nur die Nacht
Am Ende bleib ich doch alleine
Die Zeit steht still und mir ist kalt
Kalt...
Kalt...
Ein Sturm kommt auf und es wird Nacht
Wo willst du hin?
So ganz allein treibst du davon
Wer halt deine Hand
Wenn es dich nach unten zieht?
Wo willst du hin?
So uferlos die kalte See
Komm in mein Boot
Der Herbstwind hält die Segel straff
Jetzt stehst du da an der Laterne
Mit Tränen im Gesicht
Das Tageslicht fällt auf die Seite
Der Herbstwind fegt die Straße leer
Jetzt stehst du da an der Laterne
Mit Tränen im Gesicht
Das Abendlicht verjagt die Schatten
Die Zeit steht still und es wird Herbst
Komm in mein Boot
Die Sehnsucht wird der Steuermann
Komm in mein Boot
Der beste Seemann war doch ich
Jetzt stehst du da an der Laterne
Mit Tränen im Gesicht
Das Feuer nimmst du von der Kerze
Die Zeit steht still und es wird Herbst
Sie sprachen nur von deiner Mutter
So gnadenlos ist nur die Nacht
Am Ende bleib ich doch alleine
Die Zeit steht still und mir ist kalt
Kalt...
Kalt...
Melhor som: aqui
Curiosidade: "Seemann" significa "Marinheiro" em alemão. A versão do Apocalyptica com a Nina Hagen é considerada por muitos fãs como uma das interpretações mais emocionantes dessa letra, justamente pelo contraste entre as cordas melancólicas e a voz poderosa de Hagen.
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20 das criaturas mais velhas da Terra e que estão prestes a desaparecer (com FOTOS)
Greensavers, 10 de Junho de 2014.
Rachel Sussman é uma fotógrafa de Brooklyn que percorre o mundo à procura dos mais velhos organismos vivos do planeta, alguns com mais de 2.000 anos. O objectivo é fotografar estes organismos antes que desapareçam da face da terra.
As fotografias de Sussman estão compiladas em livro – The Oldest Living Things in the World– e pode-se observar árvores, líquenes, musgos e outras plantas estranhas que raramente são vistas. Estas formas de vida milenares foram encontradas em locais isolados como a Antárctida, Gronelândia, Namíbia e o deserto de Atacama, no Chile, onde Sussman encontrou um organismo com 3.000 chamado La Yareta, uma espécie de bolbo gigante verde.
Para o projecto fotográfico, Sussman colaborou com uma equipa de biólogos que a ajudaram a identificar os organismos. A fotógrafa começou a sua investigação visual num “ano zero”, fotografando o passado no presente, refere o Inhabitat.
Na Gronelândia, por exemplo, a fotógrafa encontrou líquenes que apenas crescem um centímetro por século. Na Austrália fotografou estromatólitos, organismos pré-históricos ligados à oxigenação das plantas e aos primórdios da vida na Terra. O seu trabalho é uma revelação perspicaz que retrata a história do planeta através de algumas das formas de vida mais antigas, antes que desapareçam.
terça-feira, 22 de julho de 2014
Encontros Improváveis: Miguel Torga e Jan Garbarek
Já por tempo de mais aqui andamos
A fingir de razões suficientes.
Sejamos cães do cão: sabemos tudo
De morder os mais fracos, se mandamos,
E de lamber as mãos, se dependentes.
*José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Jardim Botânico da Universidade de Coimbra- o filme!
Um filme de Terra Líquida Filmes.
Imagem: Luís Coimbra
Edição: Pedro Miguel Ferreira
Produção: Fábio Jorge
Realização: Ricardo Espírito Santo
Músicas: Olafur Arnolds "Allt Varð Hljótt" e Rodrigo Leão "A praia do norte"
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domingo, 20 de julho de 2014
ENTREVISTA Mohan Munasinghe: “Os ricos do mundo estão a consumir mais do que um planeta Terra”
Era o vice-presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas quando este organismo partilhou o Prémio Nobel da Paz de 2007 com o ex-vice-Presidente norte-americano Al Gore. Sete anos depois, o efeito do prémio começa a perder-se, mas o especialista diz ter “coisas novas para dizer”.
Foi convidado do II Congresso Mundial de História do Ambiente, que termina em Guimarães esta segunda-feira, e alertou para os paralelismos entre a conjuntura global actual e as situações críticas por que passaram as grandes civilizações da história antes do seu desaparecimento. Natural do Sri Lanka, Mohan Munasinghe é físico de formação.
E nós estamos num momento de consumo excessivo?
Do ponto de vista dos recursos naturais, estamos, enquanto espécie humana, a consumir excessivamente, já não a um nível regional, mas globalmente. O segundo factor desta equação é social: a ascensão das civilizações acontece em momentos de maior equidade e esforço partilhado na sua construção. O declínio, habitualmente, começa com o crescimento das iniquidades, com as elites a desfrutarem de um nível de vida muito mais alto do que o das massas. Hoje há paralelos preocupantes e as iniquidades estão a crescer.
Essas desigualdades reflectem-se no consumo de recursos?
Estamos a usar uma vez e meia a capacidade do planeta Terra. E em breve será duas vezes. Cerca de 85% dos recursos são consumidos pelos 20% mais ricos da população mundial. O resto dos 80% das pessoas está a consumir uma percentagem muito reduzida. Isto significa que os ricos do mundo estão a consumir mais do que um planeta Terra. A questão que se coloca é: onde estão os recursos para alimentar os pobres?
Esta é uma aprendizagem que os governos estejam prontos para fazer?
A minha experiência com governos é muito decepcionante. Provavelmente, não poderemos esperar que a mudança venha dos líderes. Em todas as grandes conferências mundiais, encontro após encontro, os líderes prometem isto e aquilo, mas nada está a ser feito, na prática. No entanto, se conseguirmos uma coligação da sociedade civil, dos líderes de comunidade, do sector empresarial, trabalhando com os governos, talvez possamos beneficiar das lições da História e colocar-nos no caminho da sustentabilidade.
Na Europa, a crise económica parece ter deixado estas questões num segundo plano. Esperava que isso acontecesse?
O papel da Europa é muito importante, porque esta desenvolveu um modelo policêntrico, que considero ser fundamental adoptar para resolver os desequilíbrios que o mundo enfrenta. Na União Europeia, existem grandes países como Alemanha, França e Reino Unido, mas há espaço para todos terem uma voz. A Europa pode ser a força mediadora entre os Estados Unidos e os BRIC [Brasil, Rússia, Índia e China], de modo a fazer surgir um sistema político sustentável, que o seja também em termos ambientais, sociais e económicos.
A Europa ainda é policêntrica depois do que vimos acontecer durante a crise?
O que a crise financeira nos tem mostrado é que uma pequena plutocracia – os poderes financeiros – seguiram más políticas e ficaram à espera de que os contribuintes os resgatassem, o que tornou alguns países, como Portugal, Espanha e Grécia, economicamente frágeis. Mas em termos nacionais e políticos, a Europa é policêntrica, o que existe é uma concentração do poder pelas elites financeiras. Desse ponto de vista, a União Europeia está numa situação muito melhor do que os EUA.
Que papel pode um país pequeno como Portugal desempenhar?
Pode insistir nos seus direitos, não aceitar ser atacado pelos países de maior dimensão. Com a história e cultura que tem, com grande respeito pelo ambiente, pode ser restaurada uma economia saudável. Através do exemplo, com o contributo das universidades e de outras organizações, Portugal pode demonstrar ao mundo o que pode ser um caminho mais sustentável para o futuro.
Esteve na Cimeira de 1992 no Rio e na Rio+20 de 2012, que foi vista por muitos especialistas como uma oportunidade perdida. O que mudou no mundo nos últimos 20 anos que possam explicar os resultados limitados desta última conferência?
Antes disso, tinha participado na conferência de Estocolmo, em 1972, e esse era um tempo de grande esperança. A preocupação com o ambiente e a sustentabilidade estava a crescer e, entre 1972 e 1992, havia um caminho ascendente de esperança. Por isso, em 1992 tivemos a Agenda 21 e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas. Mas, desde então, as pessoas começaram a ir no caminho contrário. No início do século XXI, surgem os Objectivos de Desenvolvimentos do Milénio, que eram muito menos ambiciosos do que o que traçámos em 1992. E mesmo esses oito objectivos eram muito limitados e não foram atingidos. Ou seja, reduzimos o alvo e mesmo assim não estamos a atingi-lo. O Rio+20 devia ter respondido a isto, mas só conseguimos que toda gente reconhecesse quais eram os problemas.
Depois faltaram as acções?
Os líderes que conseguiram comprometer-se com acções falharam de forma miserável. Temos uma lista de problemas, uma lista de potenciais soluções, mas as acções foram diferidas. Agora, fala-se na Agenda para o Desenvolvimento pós-2015, que é suposto produzir um plano de acção, mas é mais uma vez uma lista muito limitada.
O mundo vai precisar de uma nova grande conferência sobre esta matéria?
Neste momento, uma nova conferência não trará grande ajuda, porque atingimos um estádio de fadiga, particularmente entre os líderes mundiais. Defendo algo diferente: dar poder às pessoas. Dizer-lhes: quando sair desta sala, desligue a luz, plante uma árvore, coma menos carne. Toda a gente pode fazer alguma coisa. Não temos de esperar que o primeiro-ministro ou o Presidente nos digam o que fazer.
Propõe que se mude a escala de actuação?
Exactamente, passar para o nível intermédio de governação. Para os líderes, os problemas são demasiado grandes para assumirem o risco, mas a nível intermédio, estamos mais próximos dos problemas. E é aqui que temos que actuar.
Isso será suficiente?
Estamos no extremo de um precipício: ou podemos afastar-nos e sobreviver ou podemos cair pelo precipício. Para não cairmos no precipício, temos de trabalhar depressa. E não estou certo de que a minha proposta venha a dar resultados suficientemente rápidos.
Passaram sete anos desde o prémio Nobel da Paz. Sente que o efeito do prémio se perdeu?
O prémio dá-nos uma plataforma, mas tem um ciclo de vida muito curto. Pessoalmente, não dependo tanto dele, porque já tinha uma voz antes do prémio, mas o Nobel ajudou a incrementar o meu perfil a nível global.
Em termos mediáticos, foi bom ou mau partilhar o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) das Nações Unidas partilhar o prémio com Al Gore [ex-vice-Presidente dos EUA]?
Penso que foi muito bom. O que foi escrito na altura pela Academia Sueca é que o prémio foi entregue pela identificação de factos científicos e disseminação. Eu ajudei com a parte científica, a contribuição de Al Gore foi mais a disseminação. Ambos são importantes.
Criou o Instituto Munasinghe para o Desenvolvimento, no Sri Lanka, em 2011. Com que objectivo?
Somos um instituto muito pequeno, mas temos três áreas de acção: Damos bolsas a estudantes para estudos em áreas relacionadas como a sustentabilidade; temos programas de formação para o público em geral em vários países; e temos alguns trabalhos de investigação. Os três estão muito centrados em áreas como agricultura, energia ou recursos hídricos.
Que papel é que a educação pode desempenhar neste caminho para uma sociedade mais sustentável?
As universidades estão a formar os líderes do futuro e o problema hoje é que a sociedade tem os valores errados. Devido ao progresso científico, sentimos que podemos ignorar muitos dos constrangimentos que se nos colocam enquanto sociedade. Precisamos de um novo sistema de valores para a sustentabilidade, que tem que ser ensinado na universidade à nova geração de líderes. Mas também precisamos que isto chegue às escolas, desde crianças. Os exemplos que temos para as crianças verem são todos maus: a nossa geração ensinou-os a pedir emprestado, a enganar, a ter sucesso a qualquer custo.
Precisamos de uma geração para essa mudança?
Vamos precisar pelo menos de meia geração. O único aspecto positivo que encontro é que os mais jovens perceberam que estão a herdar um mundo arriscado, eles sabem que têm que fazer algumas mudanças muito depressa.
Veio a Portugal para uma conferência sobre o papel da História num futuro sustentável. O que podemos aprender com o passado?
Hoje os problemas sentem-se a uma escala global, quando antes estavam talvez a uma escala de um país ou de uma cidade. Os problemas que enfrentamos são mais complexos, mas a História é importante para guiar o nosso caminho para um desenvolvimento sustentável. Se olharmos para a ascensão e queda das civilizações no passado há sempre três factores críticos: a forma como a sociedade está organizada, a forma como a prosperidade é criada e partilhada e o ambiente que suporta todas as actividades sociais e económicas. Chamo-lhe o triângulo do desenvolvimento sustentável. As sociedades que floresceram são capazes de usar os recursos eficientemente e de uma forma sustentável e entram em colapso, habitualmente, por causa do consumo e do uso excessivo de um ou mais recursos.E nós estamos num momento de consumo excessivo?
Do ponto de vista dos recursos naturais, estamos, enquanto espécie humana, a consumir excessivamente, já não a um nível regional, mas globalmente. O segundo factor desta equação é social: a ascensão das civilizações acontece em momentos de maior equidade e esforço partilhado na sua construção. O declínio, habitualmente, começa com o crescimento das iniquidades, com as elites a desfrutarem de um nível de vida muito mais alto do que o das massas. Hoje há paralelos preocupantes e as iniquidades estão a crescer.
Essas desigualdades reflectem-se no consumo de recursos?
Estamos a usar uma vez e meia a capacidade do planeta Terra. E em breve será duas vezes. Cerca de 85% dos recursos são consumidos pelos 20% mais ricos da população mundial. O resto dos 80% das pessoas está a consumir uma percentagem muito reduzida. Isto significa que os ricos do mundo estão a consumir mais do que um planeta Terra. A questão que se coloca é: onde estão os recursos para alimentar os pobres?
Esta é uma aprendizagem que os governos estejam prontos para fazer?
A minha experiência com governos é muito decepcionante. Provavelmente, não poderemos esperar que a mudança venha dos líderes. Em todas as grandes conferências mundiais, encontro após encontro, os líderes prometem isto e aquilo, mas nada está a ser feito, na prática. No entanto, se conseguirmos uma coligação da sociedade civil, dos líderes de comunidade, do sector empresarial, trabalhando com os governos, talvez possamos beneficiar das lições da História e colocar-nos no caminho da sustentabilidade.
Na Europa, a crise económica parece ter deixado estas questões num segundo plano. Esperava que isso acontecesse?
O papel da Europa é muito importante, porque esta desenvolveu um modelo policêntrico, que considero ser fundamental adoptar para resolver os desequilíbrios que o mundo enfrenta. Na União Europeia, existem grandes países como Alemanha, França e Reino Unido, mas há espaço para todos terem uma voz. A Europa pode ser a força mediadora entre os Estados Unidos e os BRIC [Brasil, Rússia, Índia e China], de modo a fazer surgir um sistema político sustentável, que o seja também em termos ambientais, sociais e económicos.
A Europa ainda é policêntrica depois do que vimos acontecer durante a crise?
O que a crise financeira nos tem mostrado é que uma pequena plutocracia – os poderes financeiros – seguiram más políticas e ficaram à espera de que os contribuintes os resgatassem, o que tornou alguns países, como Portugal, Espanha e Grécia, economicamente frágeis. Mas em termos nacionais e políticos, a Europa é policêntrica, o que existe é uma concentração do poder pelas elites financeiras. Desse ponto de vista, a União Europeia está numa situação muito melhor do que os EUA.
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Mohan Munasinghe é físico de formação. Fonte: Público
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Que papel pode um país pequeno como Portugal desempenhar?
Pode insistir nos seus direitos, não aceitar ser atacado pelos países de maior dimensão. Com a história e cultura que tem, com grande respeito pelo ambiente, pode ser restaurada uma economia saudável. Através do exemplo, com o contributo das universidades e de outras organizações, Portugal pode demonstrar ao mundo o que pode ser um caminho mais sustentável para o futuro.
Esteve na Cimeira de 1992 no Rio e na Rio+20 de 2012, que foi vista por muitos especialistas como uma oportunidade perdida. O que mudou no mundo nos últimos 20 anos que possam explicar os resultados limitados desta última conferência?
Antes disso, tinha participado na conferência de Estocolmo, em 1972, e esse era um tempo de grande esperança. A preocupação com o ambiente e a sustentabilidade estava a crescer e, entre 1972 e 1992, havia um caminho ascendente de esperança. Por isso, em 1992 tivemos a Agenda 21 e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas. Mas, desde então, as pessoas começaram a ir no caminho contrário. No início do século XXI, surgem os Objectivos de Desenvolvimentos do Milénio, que eram muito menos ambiciosos do que o que traçámos em 1992. E mesmo esses oito objectivos eram muito limitados e não foram atingidos. Ou seja, reduzimos o alvo e mesmo assim não estamos a atingi-lo. O Rio+20 devia ter respondido a isto, mas só conseguimos que toda gente reconhecesse quais eram os problemas.
Depois faltaram as acções?
Os líderes que conseguiram comprometer-se com acções falharam de forma miserável. Temos uma lista de problemas, uma lista de potenciais soluções, mas as acções foram diferidas. Agora, fala-se na Agenda para o Desenvolvimento pós-2015, que é suposto produzir um plano de acção, mas é mais uma vez uma lista muito limitada.
O mundo vai precisar de uma nova grande conferência sobre esta matéria?
Neste momento, uma nova conferência não trará grande ajuda, porque atingimos um estádio de fadiga, particularmente entre os líderes mundiais. Defendo algo diferente: dar poder às pessoas. Dizer-lhes: quando sair desta sala, desligue a luz, plante uma árvore, coma menos carne. Toda a gente pode fazer alguma coisa. Não temos de esperar que o primeiro-ministro ou o Presidente nos digam o que fazer.
Propõe que se mude a escala de actuação?
Exactamente, passar para o nível intermédio de governação. Para os líderes, os problemas são demasiado grandes para assumirem o risco, mas a nível intermédio, estamos mais próximos dos problemas. E é aqui que temos que actuar.
Isso será suficiente?
Estamos no extremo de um precipício: ou podemos afastar-nos e sobreviver ou podemos cair pelo precipício. Para não cairmos no precipício, temos de trabalhar depressa. E não estou certo de que a minha proposta venha a dar resultados suficientemente rápidos.
Passaram sete anos desde o prémio Nobel da Paz. Sente que o efeito do prémio se perdeu?
O prémio dá-nos uma plataforma, mas tem um ciclo de vida muito curto. Pessoalmente, não dependo tanto dele, porque já tinha uma voz antes do prémio, mas o Nobel ajudou a incrementar o meu perfil a nível global.
Em termos mediáticos, foi bom ou mau partilhar o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) das Nações Unidas partilhar o prémio com Al Gore [ex-vice-Presidente dos EUA]?
Penso que foi muito bom. O que foi escrito na altura pela Academia Sueca é que o prémio foi entregue pela identificação de factos científicos e disseminação. Eu ajudei com a parte científica, a contribuição de Al Gore foi mais a disseminação. Ambos são importantes.
Criou o Instituto Munasinghe para o Desenvolvimento, no Sri Lanka, em 2011. Com que objectivo?
Somos um instituto muito pequeno, mas temos três áreas de acção: Damos bolsas a estudantes para estudos em áreas relacionadas como a sustentabilidade; temos programas de formação para o público em geral em vários países; e temos alguns trabalhos de investigação. Os três estão muito centrados em áreas como agricultura, energia ou recursos hídricos.
Que papel é que a educação pode desempenhar neste caminho para uma sociedade mais sustentável?
As universidades estão a formar os líderes do futuro e o problema hoje é que a sociedade tem os valores errados. Devido ao progresso científico, sentimos que podemos ignorar muitos dos constrangimentos que se nos colocam enquanto sociedade. Precisamos de um novo sistema de valores para a sustentabilidade, que tem que ser ensinado na universidade à nova geração de líderes. Mas também precisamos que isto chegue às escolas, desde crianças. Os exemplos que temos para as crianças verem são todos maus: a nossa geração ensinou-os a pedir emprestado, a enganar, a ter sucesso a qualquer custo.
Precisamos de uma geração para essa mudança?
Vamos precisar pelo menos de meia geração. O único aspecto positivo que encontro é que os mais jovens perceberam que estão a herdar um mundo arriscado, eles sabem que têm que fazer algumas mudanças muito depressa.
Mais informações
Mohan Munasinghe (Página Oficial)
Wikipedia (Biografia)
sábado, 19 de julho de 2014
PENEDA GERÊS- olhar com o coração
“Há sítios do mundo que são como certas existências humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição. Este Gerês é um deles."
Miguel Torga In "Diário VII"
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