quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Dia Internacional da Rapariga


O Dia Internacional da Rapariga observa-se anualmente a 11 de Outubro.

A data foi instituída em 2011 pela Organização das Nações Unidas, através da Resolução 66/170, com o objectivo de promover a protecção dos direitos das raparigas de todo o mundo e de acabar com a vulnerabilidade, a discriminação e a violência que estas sofrem. Em 2012 celebrou-se a data pela primeira vez.

O Dia Internacional da Rapariga tem por objetivo sensibilizar para as questões de igualdade e violência de género, bem como apelar à reflexão sobre os preconceitos e estereótipos que colocam entraves na vida escolar e pessoal das raparigas. Procura, também, dar ênfase ao papel ativo que as raparigas podem ter enquanto agentes de mudança social.

Muitas raparigas continuam a ser impedidas de estudar e são obrigadas a casar pelas famílias. Para chamar a atenção sobre os problemas, por todo o mundo realizam-se atividades neste dia que visam promover os direitos das raparigas e das adolescentes.

Dados mundiais sobre as raparigas (actualizado para 2016)
  • Existem 1,1 mil milhões de raparigas no mundo.
  • Uma em três raparigas casa antes dos 18 anos nos países em desenvolvimento, o que aumenta a probabilidade de violência pelo parceiro.
  • 700 milhões das mulheres de hoje casaram antes dos 18 anos e um terço destas casou antes dos 15 anos.
  • As raparigas pobres têm 2,5 vezes mais hipóteses de casar na infância do que as raparigas ricas.
  • 7 milhões de raparigas menores engravidam por ano nos países em desenvolvimento.
  • 40% das gravidezes não são planeadas, com grande parte deste número a resultar de violações.
  • Mais de 3 milhões grávidas não têm acesso a planeamento familiar e cerca de 40% das jovens procuram contracetivos sem êxito.
  • Entre 100 a 142 milhões de raparigas terão sido submetidas a mutilação genital.
  • 31 milhões de raparigas em idade de escola primária e 34 milhões em idade do secundário não vão à escola.

Datas semelhantes
Dossiê BioTerra aconselhado:

Documentos
Resolução 66/170 da Assembleia Geral da ONU que estabelece o Dia Internacional da Rapariga [en]


Links relacionados
Dia Internacional da Rapariga | ONU [en]
Dia Internacional da Rapariga | Unicef [en]
ONU Mulheres [en]
Os direitos das mulheres na UE | União Europeia
Estratégia para a Igualdade de Género | Comissão Europeia
Mulheres na União Europeia | Portal Eurocid

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sexta extinção em massa de animais selvagens está a acelerar e a culpa é dos humanos

Fonte: aqui

A sexta extinção em massa de animais selvagens na Terra está a acelerar, de acordo com uma análise de cientistas que alertam que este facto pode também contribuir para o colapso da civilização, avança o ‘The Guardian’.

Mais de 500 espécies de animais selvagens foram encontradas à beira da extinção, estimando-se que provavelmente acabem extintas em cerca de 20 anos. Em comparação, o mesmo número foi extinto durante todo o século passado. Os cientistas alertam que a extinção poderia demorar milhares de anos, se não houvesse destruição humana da natureza.

Os animais à beira da extinção, com menos de mil espécies restantes, incluem o rinoceronte de Sumatra, a carriça Clarión, a tartaruga gigante de Espanha e o sapo arlequim. Estavam disponíveis dados históricos para 77 das espécies, o que levou os cientistas a descobrir que tinham sido extintas 94% das suas populações.

Os especialistas também alertaram para um efeito dominó, com a perda de uma espécie a derrubar as outras que consequentemente dependem dela. «Extinção origina extinções», disseram, observando que, ao contrário de outros problemas ambientais, a extinção é irreversível.

A humanidade confia na biodiversidade para a sua saúde e bem-estar, segundo os cientistas, sobretudo numa altura de pandemia como esta, um exemplo extremo dos perigos que pode ter a destruição do mundo natural. O aumento da população humana, a destruição de habitats, o comércio de animais silvestres, a poluição e a crise climática devem ser enfrentados com urgência, afirmaram os especialistas.

«Quando a humanidade destrói outras criaturas, está a destruir partes do nosso próprio sistema de suporte à vida», disse Paul Ehrlich, da Universidade de Stanford, nos EUA, um dos investigadores. «A conservação de espécies ameaçadas de extinção deve ser elevada a uma emergência global para governos e instituições, tal como as alterações climáticas às quais está interligada».

A análise, publicada na revista Proceedings da National Academy of Science, analisou dados de 29.400 espécies de vertebrados terrestres compiladas pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da ‘BirdLife International’. Os investigadores identificaram 515 espécies com populações abaixo de mil, sendo que cerca de metade delas tinha menos de 250 espécies restantes.

Os cientistas descobriram que 388 espécies de vertebrados terrestres tinham populações abaixo de cinco mil, e a grande maioria (84%) vivia nas mesmas regiões que as espécies com populações abaixo de mil, criando as condições para o referido efeito dominó.

Mark Wright, director de ciências da ‘World Wide Fund for Nature’ (WWF), disse: «Os números deste estudo são chocantes. No entanto, ainda há esperança. Se pararmos com a desflorestação devastadora em países como o Brasil, podemos começar a duplicar a curva da perda de biodiversidade e das alterações climáticas. Mas precisamos de ambição global para fazer isso», afirmou.

Dia Mundial Contra a Pena de Morte



O Dia Mundial Contra a Pena de Morte encontra-se a 10 de outubro no calendário.

A data pretende defender a peça central dos direitos humanos – o direito à vida – sensibilizando os países contra a pena de morte.

Dia Mundial Contra a Pena de Morte foi criado em 2003 por iniciativa conjunta de organizações não governamentais, governos e organizações jurídicas. A Organização das Nações Unidas repudia a legalidade e o uso da pena capital, assim como a União Europeia.

Portugal foi o líder na abolição da pena de morte, já que foi o primeiro país do mundo a abolir a pena capital na Lei Constitucional, após a reforma penal de 1867.

Até há sete décadas, somente 14 países tinham abolido a pena de morte. Atualmente, 82% dos países suspenderam ou aboliram a pena de morte.

O Direito Internacional delimita a aplicação da pena de morte para "a maioria dos crimes graves", o que circunscreve o seu uso ao crime de homicídio intencional.

sábado, 7 de outubro de 2017

Palestra: Agrofloresta do Futuro - Agricultura Sintrópica Ernst Gotsch


A Agricultura Sintrópica é constituída por um conjunto teórico e prático de um modelo de agricultura desenvolvido por Ernst Götsch, no qual os processos naturais são traduzidos para as práticas agrícolas tanto em sua forma, quanto em sua função e dinâmica. Assim podemos falar em regeneração pelo uso, uma vez que o estabelecimento de áreas agrícolas altamente produtivas, e que tendem à independência de insumos e irrigação, tem como consequência a oferta de serviços ecossistêmicos, com especial destaque para a formação de solo, a regulação do microclima e o favorecimento do ciclo da água. Ou seja, o plantio agrícola é concomitante à regeneração de ecossistemas.




























Ao invés de receitas, há um conjunto de conceitos e técnicas que viabilizam o acesso a suas características fundamentais. O criador da Agricultura Sintrópica, Ernst Götsch, baseia sua cosmovisão transdisciplinar em muita ciência e a prática diária de mais de cinco décadas. A lógica que orienta sua tomada de decisão percorre um trajeto que nasce na ética de Kant e atravessa a física, a filosofia grega e a matemática. Ele também se apoia na biologia, química, ecologia e botânica, e se abastece da cena tecnológica do momento, adaptando técnicas e ferramentas de outras áreas. Portanto, a agricultura de Ernst Götsch se vale de um encadeamento coerente e sistemático de dados, livre de contradições internas, que não somente percorre uma narrativa lógica como também inclui uma expressão concreta no fim do caminho. Do planejamento à execução do plantio, há método, e há resultado prático. Mais que uma boa ideia, a Agricultura Sintrópica comprovadamente funciona, e pode responder aos maiores desafios sociais e ambientais do nosso tempo. Leia abaixo o artigo onde Ernst descreve os 15 princípios nos quais baseia a Agricultura Sintrópica.

Peculiaridades da Agricultura Sintrópica

Na Agricultura Sintrópica cova passa a ser berço, sementes passam a ser genes, a capina é a colheita, concorrência e competição dão lugar à cooperação e ao amor incondicional e as pragas são, na verdade, os agentes-de-otimização-do-sistema. Esses e outros termos não surgem por acaso, mas sim, derivam de uma mudança na própria forma de ver, interpretar e se relacionar com a natureza.

Muitas das práticas agrícolas preconizadas como sustentáveis baseiam-se na lógica da substituição de insumos. Troca-se os químicos por orgânicos, plástico por material biodegradável, defensivos por preparados. Porém, a forma de pensar ainda está muito próxima daquela a quem fazem oposição. Em comum, combatem as consequências da falta de condições adequadas para o crescimento saudável das plantas. A Agricultura Sintrópica, por outro lado, capacita o agricultor a replicar e acelerar os processos naturais de sucessão ecológica e estratificação, dando às plantas condições ideais para seu desenvolvimento, cada qual ocupando sua posição natural no espaço (estratificação) e no tempo (sucessão). É uma agricultura baseada em processos, e não insumos. A colheita agrícola passa a ser vista como um efeito colateral da regeneração de ecossistemas, ou vice-versa.

“O milho é emergente, com ciclo de vida curto, da placenta de Sistemas de Abundância”. É comum ouvir quem trabalha com agricultura sintrópica se referir a qualquer espécie mencionando ao menos essas quatro categorias. Elas se referem a critérios fundamentais que devem ser observados na orquestração dos cultivos sintrópicos. Há que se harmonizar o espaço (estratificação) ao longo do tempo (ciclo de vida), respeitando os passos sucessionais (Placentas, Secundárias e Clímax) dentro de cada um dos Sistemas (Colonização, Acumulação e Abundância ou Escoamento), segundo definições de Ernst Götsch. Uma agrofloresta sintrópica, portanto, se desenvolve e se transforma ao longo do tempo e do espaço, sempre “no sentido do incremento da quantidade e da qualidade de vida consolidada”, diz Ernst.



O que é Sintropia?







É muito fácil dizer que se quer trabalhar com a natureza e não contra ela. Mas de qual natureza estamos falando? Qual leitura e interpretação que fazemos dessa natureza observada? Esse é um dos principais pontos diferenciadores da agricultura sintrópica. E no centro desse entendimento está o conceito de sintropia.


Estamos mais familiarizados com o conceito de entropia da Termodinâmica, que se refere à função relacionada à desordem de um dado sistema, associada com a degradação de energia. Tudo que se refere ao consumo e à degradação de energia é, portanto, explicado pela Lei da Entropia que rege o mundo físico. Mas não é de hoje que se discute a inaplicabilidade da Lei da Entropia para descrever o que ocorre no mundo biológico. Ao tentar trazer o conceito de entropia para dialogar com os sistemas vivos, grandes cientistas concluíram pela necessidade de se descrever uma tendência que lhe fosse complementar. Para o matemático Fantappiè (1942), se por um lado a entropia trouxe o entendimento de que toda energia no universo que se encontra concentrada tende a se dissipar, simplificar e dissociar, a sintropia se manifesta pela formação de estruturas, pelo aumento de diferenciação e complexidade, tal como acontece com a vida. Ou seja, enquanto a entropia dispersa, a sintropia concentra. Sem usar o termo “sintropia”, o nobel de física Schrodinger também chega, na década de 40, a conclusão semelhante: “a vida se alimenta de entropia negativa”. A ideia da existência de alguma força oposta ou complementar à entropia - e que a vida no planeta Terra seria a manifestação dessa força - intrigou cientistas de diversas áreas, como Albert Szent-Györgyi (química), Nicholas Georgescu-Roegen (economia), Viktor Schauberger (ciências naturais), Ulisse di Corpo & Antonella Vaninni (psicologia), e, já nos anos 1970, viria compor as premissas da Teoria de Gaia, de Lovelock e Margulis.

Sintropia e Agricultura

Representação proposta por Ernst Götsch de fluxos de energia tanto em sua fase de dispersão (entropia) quanto na fase de complexificação (sintropia).

Ao trazer o conceito de sintropia para a agricultura, Ernst Götsch introduz uma perspectiva inédita associada a essa prática. A partir dela entende-se que, no contexto do ecossistema, fazem parte do metabolismo dos organismos não apenas os processos dissociativos, mas também a reorganização de resíduos entrópicos. Esse seria o mecanismo por meio do qual a vida prospera, gerando sempre, segundo Götsch, um saldo energético positivo, tanto no sub-local da interação quanto no planeta por inteiro. Portanto, quando dizemos que queremos trabalhar a favor da natureza e não contra ela, é dessa natureza que estamos falando. Ter a sintropia como matriz fundamental de interpretação e manejo dos sistemas cultivados é o que dá suporte para a capacidade regenerativa da agricultura sintrópica e é assim que entendemos que toda nossa agricultura deveria ser.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Nobel Peace Prize Awarded to Anti-Nuclear Weapons Group


The 2017 Nobel Peace Prize has been awarded to the Geneva-based International Campaign to Abolish Nuclear Weapons, or ICAN. The group consists of about 500 organizations in more than 100 countries that are working toward global nuclear disarmament.

In announcing the award, the chair of the Norwegian Nobel Committee, Berit Reiss-Andersen, said the International Campaign to Abolish Nuclear Weapons was performing vital work.

“Some states are modernizing their nuclear arsenals and there is a real danger that more countries will try to procure nuclear weapons, as exemplified by North Korea.”

ICAN's executive director, Beatrice Fihn, said she hopes the prize sends a clear message to nuclear states.

“You can't threaten to indiscriminately slaughter hundreds of thousands of civilians in the name of security.”

The award, worth $1.1 million, is widely seen as a political statement at a time of high geopolitical uncertainty.

Pyongyang's series of nuclear and weapons tests this year has shaken the global security order.

This past week, U.S. President Donald Trump threatened to end the 2015 Iran nuclear deal accusing Tehran of failing to live up to the “spirit of the agreement.” Critics fear knock-on effects.

“If the U.S. proves itself to be an unreliable negotiating partner, I think North Korea would have no incentive really to engage in any sort of discussion about its nuclear program,” says Paulina Izewicz of the International Institute for Strategic Studies.

The world’s two biggest nuclear powers, the United States and Russia, are reducing their stockpiles of atomic weapons under the 2010 Strategic Arms Reduction Treaty.

“The two sides are inspecting each other’s arsenals, they’re reducing warheads, delivery vehicles,” noted Heather Williams of Kings College London; however, she adds that a Cold War-era agreement on intermediate range weapons is at a breaking point.

“Russia is now deploying forces that are pretty flagrant violations of it.”




The Nobel committee praised ICAN's efforts toward securing the 2017 U.N. Treaty on the Prohibition of Nuclear Weapons. A total of 122 nations adopted the deal — but none of the nine known nuclear powers signed up.

“One of the flaws with the treaty is that it doesn’t address the reasons that states have nuclear weapons in the first place. Why does Pakistan want nuclear weapons? Why does India?” says Williams.

Nearly three decades after the end of the Cold War, the debate between disarmament versus deterrence is still being fought.

“The deterrence camp views the disarmament camp as idealistic dreamers, completely unrealistic. And the disarmament camp looks at the deterrence people as morally deficient. So as a consequence, having the Nobel Peace Prize in the mix, I worry that it will not be helpful to bridging that divide,” says Izewicz.

The International Campaign to Abolish Nuclear Weapons says winning the Nobel prize “shines a needed light” on the pathway toward a world free of nuclear weapons.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

The Prince of Wales delivers a speech at the Our Ocean Conference in Malta


Prime Minister, Your Serene Highness, Commissioner Vella, Commissioner Mogherini, Your Excellencies, Ladies and Gentlemen, I was enormously touched and flattered to have been asked by Commissioner Vella and the Prime Minister to be with you here today at the 2017 Our Ocean Summit and finally able to speak to you in person instead of via the rather disembodied medium of a video message!  In fact I've come to the conclusion  that I'm much more affective as a video message, but unfortunately you've ended up with me in person! So many of you, I know, have contributed so much to the task of sustaining the ocean, upon which all of life on Earth depends, that I would like to start by acknowledging and thanking you for all that you do.
 
I would also like to offer particular thanks and appreciation to John Kerry for his leadership in establishing this forum and also to Commissioner Karmenu Vella and the Prime Minister of Malta, Joseph Muscat, for bringing this much-needed conversation to this part of the world.
 
Needless to say, it is a great joy to be back in Malta again so soon after being here during the Commonwealth Heads of Government Meeting two years ago.  I share with my parents a deep affection for Malta and its people, together with countless happy memories of times spent here as a child, as an under-graduate from Cambridge and while in the Royal Navy.
 
Now I know, ladies and gentlemen, that many of you, like me, have been involved with some of the matters being considered at this summit for more years than I suspect you would care to remember.  My interest in the Ocean, and its ecosystems and crucial resources, was probably initiated by my time in the Royal Navy, and this was more than forty years ago, and has only deepened over the intervening years – which I am now slightly alarmed to realize, amount to more than four decades!  And if I may, Ladies and Gentlemen, perhaps I could share with you a few reflections derived from that interest and, hopefully, leave you with a sense of what I see as the possibility for positive change and the bold action required?
 
There is now, at last, an increased awareness of the plight of the Ocean, its intimate connection to us and our survival and the enormous amount that needs to be done.  Even ten years ago, tackling the many and mounting pressures on the marine environment was still a relatively unusual endeavour, certainly when compared with the efforts geared to protecting life on land.  This meeting and the undertakings that it highlights, is a testament to the extent that that has changed.
 
It is at least heartening that there now exists a large number of collaborative processes and initiatives in relation to, among other things, sustaining and rebuilding fish stocks, the steps towards tackling the problem of the progressive, and increasingly omnipresent, pollution of the ocean with plastic debris and the establishment of marine protected areas – some of them absolutely vast.  And here, in this respect, I must acknowledge the extraordinary achievements of Dr. Enric Sala and his Pristine Seas programme, as well as Pew, Oceans 5 and the Bertarelli Foundation.  And I would also particularly like to thank Prince Albert of Monaco for all he has done over so many years to stimulate and encourage genuine movement on these issues.  And I can only congratulate a leading country such as Chile, which is now fully protecting over one million square kilometres of its marine waters in four massive marine parks.
 
The trouble, ladies and gentlemen, is that the problems we face are not only enormous; they are also systemic and interrelated.  Their remedy can only be found by building a consensus across a wide range of stakeholders and communities.  Given this, the progress being made via multi-sector collaborations, including between countries, the finance sector, multilateral agencies, scientists, major companies, N.G.O.s and campaign groups could not be more welcome.
 
But along with knowledge and partnerships, decisive action is required.  An example of this is the difficult decision Canada took twenty-five years ago to protect the Northern cod stocks on the Grand Banks by closing a fishery that had all but collapsed due to mismanagement and overfishing.  This ended more than 400 years of fishing tradition and put over 30,000 people out of work over-night.  But, while this decision was unimaginably painful at the time, it has worked and the cod stocks are slowly increasing and this demonstrates that given a chance, and with some brave decisions, the Ocean can recover its health and by doing so generate employment and economic growth.  Surely we must take equally far-sighted steps to deal with plastic pollution or illegal and over exploitative fishing, or, indeed, ocean acidification, especially as our ability to fine-tune and accurately monitor implementation has been hugely enhanced by advances in satellite capability?
 
It does seem that this combination of increasing awareness and the availability of new tools has led to a clearer determination to act, both within countries and globally.  On the world stage the adoption of the Paris Agreement on Climate Change and the Sustainable Development Goals has created new platforms against which our efforts can at least be judged, while at the same time encouraging an integrated approach to problem-solving.
 
Yet while we should be relieved that the health of the Ocean is now understood, alongside rainforests, to be one of the essential prerequisites for our physical and economic survival, and I'm afraid I really do wonder if the Ocean’s fragility is yet truly grasped and how susceptible it is to the impacts of our economic activities?
 
As many of you know so well, the eight million tonnes of plastic that enter the sea every year - through our own doing I might add - is now almost ubiquitous.  As the Prime Minister said, f or all the plastic that we have produced since the 1950's that has ended up in the ocean is still with us in one form or another, so that wherever you swim there are particles of plastic near you and we are very close to reaching the point when whatever wild-caught fish you eat will contain plastic.  Plastic is indeed now on the menu!  Faced with such damaging effects on the ocean from plastic waste from the throw-away, convenience lifestyles of many around the world, it is, I believe, utterly crucial that we transition to a circular economy.  A circular economy allows plastic (along with many other substances) to be recovered, recycled and reused instead of created, used and then thrown away.  On our increasingly crowded planet this economic approach has to be a critical part of establishing a more harmonious relationship between humankind and the ocean that sustains us all and also provides a mechanism for the benefits of a sustainable Blue Economy to be reaped.
 
For the Blue Economy is not only what happens in or on the sea, it is in reality all the economic growth that is derived from or affected by the sea, its ecosystems, its coastline and the coastal hinterland.  The fact that the "Blue Economy" has entered the development lexicon and is leading countries, companies and communities to look towards the ocean for economic development and income generation should be welcomed.  However, we must never mistake it for a new frontier for endless economic exploitation, but rather remember that it is the ecosystem that ensures our survival. 
 
As we have just seen, ladies and gentlemen, in that amazing, if stark, film, coral reefs are perhaps the clearest litmus tests we have to gauge progress relative to the impact of an unsustainable Blue Economy.  These incredible ecosystems host about two-fifths of all marine species on just two per cent of the seabed, they protect many vulnerable coasts from storms, are nurseries for the young of commercially valuable fish and provide food and livelihoods for more than one billion people.
 
Coral reefs’ economic value is, then, truly vast, at least while they are still intact.  The fact that we seem to have catastrophically underestimated their vulnerability to climate change, acidification and pollution and that significant portions of the Great Barrier Reef off Australia's Eastern coast have been severely degraded or lost over the last few years is both a tragedy and also, I would have thought, a very serious wake-up call.  Are we really going to allow ourselves the dismal comfort of accepting that in the long run we will only be left with a tiny fraction of them?
 
And so it is absolutely vital, it seems to me, that we create sustainable Blue Economy agendas that take truly integrated approaches to improve ocean and therefore planetary health as part of strategies that also seek to meet the overwhelming challenges of poverty reduction, population growth, food and water security, the circular economy based on resource-efficiency and the huge elephant in the room of accelerating climate change.  Although there is some movement in this direction - and even in the poorest countries, beset by so many challenges, the practical, social and economic case for sustaining ocean health is being successfully made - arguably the sense of urgency needed to tackle these issues is still lacking.  If the unprecedented ferocity of recent catastrophic hurricanes is not the supreme wake-up call that it needs to be in order to address the vast and accumulating threat of climate change and ocean warming, then we – let alone the global insurance and financial sectors – can surely no longer consider ourselves as part of a rational, sensible civilization.
 
Being confronted by all these issues, surely, ladies and gentlemen, the time is long overdue for taking a thorough, global look at perverse fisheries subsidies and their effects – particularly where they appear to contribute to overfishing, overcapacity and to illegal, unreported and unregulated fishing?  I realize I am far from the first to ask this question.  Indeed, it forms one of the targets of Sustainable Development Goal 14, which deals with the vital importance of protecting our Ocean.  Can it be right though to argue on the one hand that our Ocean must be protected whilst, on the other, activities that cause harm to the Ocean should be subsidised?  The fact that the World Trade Organization is seeking to identify and eliminate the inconsistencies of fisheries subsidies is, in itself, at least encouraging and I look forward to seeing the results that flow from the W.T.O. Ministerial conference this December.
 
Now I realize that new initiatives to move things forward will be highlighted at this meeting and, with this in mind, I am delighted that my International Sustainability Unit and the World Resources Institute are establishing a Blue Economy Initiative - and here I must again thank Prince Albert and his Foundation for their support.  The Initiative's purpose will be to help facilitate a collaborative effort to ensure that the Blue Economy builds Ocean resilience and reverses the cycle of decline, while encouraging ocean-related investments and policies to support sustainable development. 
 
My International Sustainability Unit has already been working with the European Commission and W.W.F. to develop Financing Principles for the Blue Economy and I was delighted to hear from Commissioner Vella just now that the recent meeting in Brussels has led to the establishment of a working group of banks, insurance companies and N.G.O.s to take this forward. 
 
I know that these meetings have been a celebration of what is happening that is positive, along with the many exciting new technologies, partnerships and instruments that are being developed.  It is of course excellent that this forum will meet again in Indonesia in 2018 and Norway in 2019 and I wish those meetings every success - but what, dare I ask, ladies and gentlemen, will success actually look like?
 
Will, for instance, a substantial amount of the world’s ocean be protected by then?  Will illegal, unreported and unregulated fishing have been halted?  Will there have been the investment needed to reduce and stop plastic entering the Ocean?  Will a significant percentage of "impact investing" and "green finance" have been targeted on the Blue Economy?  Will there be proper benchmarking for sustainability; will fiduciary responsibility be an incentive for investment that embraces a sustainable future and revolves around genuinely ecosystem-based approaches to management?  And will there, at last, be a realization that this small, beautiful blue dot of a planet may have been misnamed?  It is not earth, it is actually mostly sea and we are utterly reliant upon it.  There is no "green or blue economy" for there is but one blue ocean planet in our solar system and the economic system that we engineer must protect it.  And at present it most certainly doesn't.
 
Ladies and gentlemen, you may forgive me, perhaps, for experiencing a sense of mounting despair after all these years of trying – along with others – to draw attention to the immense planetary crisis we have been engineering for so long, seemingly driven by some strange, ideological urge to test the world to destruction, that we now face becoming the victims of history and our own human nature, which I feared from the start.  I have long worried deeply that the imperative for action to re-balance the way we do things to reflect Nature's own essential economy and underlying striving for harmony will only arise when ever more catastrophic natural disasters, dysfunction and human tragedy on a vast scale finally bring us to our senses in a state of collective panic.
 
But, ladies and gentlemen, so many of you here in this room are the ones who could make the urgently needed changes that are required and to forge the partnerships that are needed to ensure that it is not too late in the day.  Indeed, as I look around now I can see in front of me the people who are already making an enormous difference and who may be able to turn the tide.   Here in this room on this historic Island at this finely balanced point in our civilisation, we all understand the situation and we must act now.   How, otherwise, how, will future generations ever forgive us for destroying the viability of the natural world that is our ultimate sustainer?
 
I gather, ladies and gentlemen, that during the course of these two days it is customary for governments and organizations to commit themselves to courses of endeavour.  Mine is not a new commitment, but perhaps you will allow me to restate my determination to join you in continuing to do whatever I can, for as long as I can, to maintain not only the health and vitality of the ocean and all that depends upon it, but also the viability of that greatest and most unique of living organisms – Nature herself.

sábado, 30 de setembro de 2017

Entrevista a Paul Hawken sobre o livro "Project Drawdown"


Paul Gerard Hawken é um ambientalista, empresário, autor, economista e ativista americano. Wikipedia (inglês)

Ativista dos direitos civis, trabalhou como parte da equipe da MLK em Selma, participou da organização da Marcha em Montgomery.
Trabalhou para o Congresso de Igualdade Racial no Meridian Mississippi e logo após os assassinatos do "Mississippi Burning" ele também foi capturado pelo KKK e só escapou devido à intervenção do FBI
Seu livro "Natural Capitalism" é citado por Executivos de Negócios e Políticos de todo o mundo!
Ele iniciou vários negócios de sucesso e seu livro "Growing a Business" foi televisionado e exibido em 115 países

Henry Kissinger, o titã da política externa dos EUA que mudou o mundo


Da Alemanha para os EUA e vice-versa
Nascido na Alemanha em 1923, ele chegou aos Estados Unidos aos 15 anos como refugiado. Aprendeu inglês quando era adolescente e seu forte sotaque alemão permaneceu com ele até sua morte.

Frequentou a George Washington High School na cidade de Nova York antes de ser convocado para o exército e servir na Alemanha, seu país natal. Trabalhando no corpo de inteligência, identificou oficiais da Gestapo e trabalhou para livrar o país dos nazistas. Ele ganhou uma Estrela de Bronze.

Kissinger retornou aos EUA e estudou em Harvard antes de ingressar no corpo docente da universidade. Ele aconselhou o governador republicano moderado de Nova York, Nelson Rockefeller - um aspirante à presidência - e tornou-se uma autoridade mundial em estratégia de armas nucleares.

Quando o principal rival de Rockefeller, Richard Nixon, venceu as primárias de 1968, Kissinger rapidamente mudou para a equipe de Nixon.

Um papel poderoso na Casa Branca
Na Casa Branca de Nixon, ele se tornou conselheiro de segurança nacional e, mais tarde, ocupou simultaneamente o cargo de secretário de Estado. Desde então, ninguém mais ocupou as duas funções ao mesmo tempo.

Para Nixon, a diplomacia de Kissinger organizou o fim da guerra do Vietname e o pivô para a China: dois eventos relacionados e cruciais na resolução da guerra fria.

Ele ganhou o Prémio Nobel da Paz de 1973 por sua diplomacia no Vietname, mas também foi condenado pela esquerda como criminoso de guerra pelos excessos percebidos pelos EUA durante o conflito, incluindo a campanha de bombardeio no Camboja, que provavelmente matou centenas de milhares de pessoas.

Essa crítica sobrevive a ele.

O pivô para a China não apenas reorganizou o tabuleiro de xadrez global, mas também mudou quase imediatamente a conversa global da derrota dos EUA no Vietname para uma aliança antissoviética revigorada.
O presidente dos EUA, Richard Nixon, parabeniza Henry Kissinger por ter recebido o Prémio Nobel da Paz de 1973
Depois que Nixon foi obrigado a renunciar devido ao escândalo de Watergate, Kissinger atuou como secretário de Estado do sucessor de Nixon, Gerald Ford.

Durante esse breve governo de dois anos, a estatura e a experiência de Kissinger ofuscaram o sitiado Ford. Ford entregou de bom grado a política externa dos EUA a Kissinger para que ele pudesse se concentrar na política e em concorrer à eleição para o cargo para o qual o povo nunca o havia escolhido.

Durante a turbulenta década de 1970, Kissinger também alcançou uma espécie de status de “cult”.

O ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, deixa um legado polémico

Não sendo classicamente atraente, seu conforto com o poder global lhe deu um carisma que foi notado por atrizes de Hollywood e outras celebridades. Sua vida romântica foi tema de muitas colunas de fofocas. Ele chegou a ser citado dizendo que “o poder é o afrodisíaco definitivo”.

Seu legado na política externa dos EUA continuou a crescer após o governo Ford. Ele aconselhou empresas, políticos e muitos outros líderes globais, muitas vezes a portas fechadas, mas também em público, testemunhando perante o Congresso até aos 90 anos.
Kissinger também se viu associado a políticas controversas como o envolvimento dos Estados Unidos no Golpe de Estado no Chile em 1973, deu sinal verde para a Junta Militar Argentina em sua Guerra Suja e garantiu apoio americano ao Paquistão durante a Guerra de Independência de Bangladesh apesar do genocídio perpetrado pelos paquistaneses.

Os críticos de Kissinger o veem como a personificação definitiva da realpolitik dos EUA, disposto a fazer qualquer coisa pelo poder pessoal ou para promover os objetivos de seu país no cenário mundial.

sábado, 23 de setembro de 2017

Adufeiras de Monsanto - Sra. do Almortão


A fixação e sobrevivência do adufe na Beira Interior de Portugal — com particular expressão na Beira Baixa, em concelhos como Idanha-a-Nova e Castelo Branco — constituem um dos fenómenos mais singulares do património etnomusicológico português. Enquanto noutras regiões do país este bimembranofone quadrangular caiu em desuso ou desapareceu por completo ao longo dos séculos, o adufe encontrou no território beirão as condições ideais para se perpetuar como o principal símbolo da identidade local. A sua introdução na Península Ibérica remonta ao período de ocupação muçulmana, entre os séculos VIII e XII, derivando o seu nome do termo árabe ad-duff. Com o avanço da Reconquista Cristã, o instrumento foi assimilado pelas populações locais, integrando-se tanto nas festividades profanas como nas celebrações sagradas. A manutenção deste legado na Beira Interior deveu-se, em grande medida, ao isolamento geográfico e socioeconómico a que a região esteve votada durante séculos, protegida pelas barreiras naturais da Serra da Estrela e pela proximidade da raia espanhola. Este contexto de interioridade cultural permitiu a preservação de tradições orais que o litoral urbanizado acabou por descartar em favor de modas musicais europeias. Contudo, o fator mais determinante para a sua longevidade reside na forte ligação do instrumento ao universo feminino. Na Beira Interior, o adufe tornou-se uma prerrogativa quase exclusiva das mulheres — as adufeiras —, que assumiram o papel de guardiãs da memória coletiva. Cabia-lhes a responsabilidade de acompanhar com o adufe os cantares de trabalho, os ciclos agrários e, sobretudo, as romarias em honra dos santos padroeiros e da Virgem Maria. Esta transmissão intergeracional, feita de mães para filhas através da oralidade, garantiu que o instrumento não apenas sobrevivesse ao êxodo rural do século XX, mas que transitasse para o século XXI como um património vivo, hoje reconhecido internacionalmente, Idanha-a-Nova foi considerada Cidade da Música pela UNESCO  muito por culpa deste património vivíssimo O que antes era um hábito de subsistência cultural e religiosa, hoje é orgulho regional e nacional. O instrumento saiu do isolamento das aldeias e hoje é integrado em projetos de música moderna, folk e fusão, mantendo a Beira Interior no mapa da world music.

Referências Bibliográficas
Castelo-Branco, Salwa El-Shawan (coord.) (2010). Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX. Lisboa: Círculo de Leitores / Temas e Debates.

Oliveira, Ernesto Veiga de (2000). Instrumentos Musicais Populares Portugueses. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian / Museu Nacional de Etnologia.

Ribeiro, Maria do Rosário (1993). O Adufe. Castelo Branco: Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico.

Vasconcelos, J. Leite de (1980). Etnografia Portuguesa: ensaio de sistematização. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Cold Cave - Glory

Melhor som aqui
Letra
Today's the day my life is going to change
I've got to get up off the floor
There's another world and its waiting for us
I've waited so long for so much more

Tonight's the first night of my new life
Say goodbye to everyone I've ever known
And we could spend the night together
I could be you and you could be me too

The Sun sets so early in December
The Moon is bright and my heart is black
Promise me you'll always remember
Never to find our way back

I was rain and I wanted to be the ocean
Was a star and I wanted to be the Sun
They want from us what they cannot touch
Love's lost and found and glory bound

For so long
I've waited so long
For someone
Someone like you (2X)

There's so much more
You're so much more

Cold Cave é um projeto musical norte-americano originário de Filadélfia, Pensilvânia, e sediado em Los Angeles, fundado em 2007 pelo músico e poeta Wesley Eisold. A banda enquadra-se essencialmente nos géneros de darkwave, synth-pop, post-punk e coldwave, caracterizando-se por uma sonoridade eletrónica densa, pautada por sintetizadores análogos, ritmos mecânicos de caixas de ritmo e os vocais graves e soturnos de Eisold. A comparação com os New Order é plenamente fundamentada: "Glory", lançada no álbum Cherish the Light Years (2011), capta precisamente essa ponte clássica dos anos 80 entre a melancolia e o ritmo de dança, utilizando linhas de baixo marcantes, arpejos de sintetizador luminosos e uma pulsação enérgica que evoca diretamente a fase de transição dos Joy Division para os New Order e a estética do synth-pop britânico.

Antes de conhecer Amy Lee, Eisold foi viciado em heroína durante vários anos. Em várias publicações nas redes sociais, creditou-a por tê-lo ajudado a manter-se sóbrio e por tê-lo afastado do seu antigo ambiente de vício.

No que respeita ao significado da canção, "Glory" explora a busca paradoxal por redenção, transcendência e aceitação no meio ao caos emocional e à decadência urbana. A "glória" evocada no título não representa o triunfo convencional ou o sucesso material, mas sim um estado quase eufórico de libertação pessoal através da dor e do desapego. Eisold canta sobre encarar as sombras da vida de frente e abraçar a imperfeição, transformando o sofrimento e a vulnerabilidade numa espécie de celebração ou triunfo existencial. Trata-se de uma faixa que equilibra uma aparente euforia instrumental com uma lírica nostálgica, sombria e visceral.

As influências literárias e filosóficas do projeto e desta composição em particular derivam diretamente do percurso de Wesley Eisold enquanto escritor, poeta e fundador da editora independente Heartworm Press. O lirismo de "Glory" bebe profundamente na poesia maldita e no romantismo sombrio, com ressonâncias do simbolismo de Charles Baudelaire na forma como encontra beleza na decadência e na dor. Nota-se também uma forte afinidade com a literatura Beat - como a prosa crua de William S. Burroughs e a intensidade de Allen Ginsberg -, visível no estilo fragmentado e poético das letras. Do ponto de vista filosófico, a canção manifesta nuances do existencialismo de Friedrich Nietzsche e Albert Camus: perante o absurdo da existência e a perda de sentido, o indivíduo assume o controlo do seu próprio destino, encontrando a sua própria "glória" e afirmação de vida precisamente no confronto direto com a escuridão.

Sites
Amy Lee
Cold Cave
Heartworm Press página oficial
Heartworm Press bandcamp
Heartworm youtube

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Desertos Verdes: plantações de eucalipto, agrotóxicos e água


"Desertos Verdes: plantações de eucalipto, agrotóxicos e água", dirigido por Marcelo Lopes e Ivonete Gonçalves , é um documentário realizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia - CEPEDES. A partir de experiências vividas no campo por comunidades indígenas, quilombolas e camponesas no extremo Sul da Bahia e Norte do Espírito Santo, completado por estudos de ativistas de ONGs e Centros de Pesquisa, o filme faz um histórico e uma avaliação sobre a presença maciça das plantações de eucalipto e seus impactos.  
O documentário registra o impacto grave sobre água e, sobretudo, mostra um impacto que passa muitas vezes invisível nas regiões dominadas pela monocultura de eucalipto: o sistemático envenenamento dos solos e das populações, por  substâncias químicas, os Agrotóxicos. 
O documentário denuncia sua aplicação por avião no Extremo Sul do estado da Bahia que agrava o fenômeno que os mesmos não só contaminam o lugar onde são jogados, mas toda uma região porque são levados à grandes distâncias pelo ar e pela água. 
Mais do que um documentário, este trabalho é uma necessária reflexão sobre o uso de Agrotóxicos, que são venenos, em grande quantidade na monocultura de eucalipto. 
Ao mesmo tempo, o filme espera motivar a todas e todos denunciar este envenenamento silencioso que ocorre no mundo inteiro onde estas monoculturas ocorram. 
É preciso também denunciar o atual modelo de desenvolvimento centrado no Agronegócio, do qual a monocultura de eucalipto faz parte, que está devastando o nosso patrimônio social e natural e determina como as pessoas adoecem e morrem.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Climate change could drive a third of parasites to extinction by 2070

Map A shows the current distribution of parasite species richness (S), while B shows the predicted change in parasite species richness by 2070 (/\S), with blue indicating a net loss of parasites and red indicating a net gain. Map C shows this change as a proportion of the parasite species richness observed today (/\S/S) Source: Carlson et al. (2017).


As many as one in three parasites could become extinct as a result of climate change by 2070, new research suggests.

This may sound like good news, but the loss of parasites could destabilise many of the world’s ecosystems, the lead author tells Carbon Brief. Parasites play a critical role in maintaining food webs and, in their absence, a diverse range of animals could be threatened with extinction.

Rising global temperatures could also drive parasites into cooler regions, such as the UK and Canada, the study finds, which will have a significant, but unpredictable, effect on the diseases they carry.

Parasites in peril
Parasites are organisms that live on or inside other “host” organisms, getting their food from – or at the expense of – their host. They are one of the most dominant groups of organisms in existence, representing around half of the 8.4m known species found on Earth.

The diverse group of organisms, which includes tapeworms, roundworms, ticks, lice and fleas, are notorious for spreading diseases to humans and animals.

For example, ticks are known for spreading Lyme disease, which affects people living in rural parts of Asia, much of Europe and the US, while body lice can spread typhus, which is more common in Africa, South America and Asia.

Parasites are some the most threatened species on Earth, says Colin Carlson, a graduate student at the University of California and lead author of the new Science Advances study. This is because they face a “double threat” from climate change, he tells Carbon Brief:

“They’re directly sensitive to climate change and so are their hosts. Climate change can threaten parasites in several ways. They can lose suitable habitat, become seasonally mismatched with their hosts, or lose their hosts entirely, just to name some of the big ones.”

In other words, rising temperatures can play havoc with the delicate balance that parasites have with their hosts and their habitat. For example, if the temperatures get too warm for the parasite, but their host can’t move somewhere cooler, the parasite will not survive.

In order to predict how parasites will fare under climate change, the researchers mapped out the current geographical range of 457 parasite species, Carlson explains:

“We mapped out the majority of the US National Parasite Collection, which is kept at the Smithsonian [Institution] and is an unparalleled resource for this kind of work.”

They then calculated how much range each species could lose by 2070, under various future climate change scenarios.

The majority of parasites face an “existential threat” from substantial habitat loss in a changing climate, the paper finds. Under the most optimistic scenario (RCP2.6) included in the study, which assumes that global greenhouse emissions peak by 2020 and then rapidly fall, parasites face a 20% decline in suitable habitat by 2070, compared to their current range. Under the least optimistic scenario (RCP8.5), which assumes global greenhouse emissions will continue to rise unabated, this decline increases to 37%.

Taking an average across all the scenarios, the researchers then calculated the likely parasite extinction rate. Overall, up to a third of parasite species could disappear by 2070, the study finds.

However, using an average from a range of climate scenarios isn’t an ideal way to consider future changes, notes Dr Cyril Caminade, a researcher in climate change and epidemiology from the University of Liverpool, who was not involved in the study. He tells Carbon Brief:

“Merging all RCPs [Representative Concentration Pathways] for 2070 does not make sense to me as the RCP scenarios will differ a lot at the end of the 21st century. They tend to be close to each other during the 2020s to 2030s, then they start to strongly diverge late part of the century. Looking at changes for each scenario separately provides a better idea about the scenario uncertainty.”

On the move
Although climate change is expected to lead to a fall in global parasite numbers, some regions could be dealt more parasites in the coming decades, Carlson says.

“One deeper point in our paper is parasites aren’t just going extinct, they’re also going to move at alarming rates around the globe, aggregating in ecosystems they’ve never been in before.”

The maps above show which regions could be home to more parasites by 2070. Map A shows the current distribution of parasite species richness (the areas with the most parasite species are shaded green), while map B shows the predicted change in parasite species richness by 2070 (with blue indicating a net loss of parasites and red indicating a net gain). Map C shows this change as a proportion of the parasite species richness observed today.

The research suggests that regions far from the equator, such as Canada, northern Eurasia and the Arctic, could face the largest influx of parasites in the coming decades. Previous research suggests this could be happening already as the US and Canada have seen an increase in cases of Lyme disease (which is spread by ticks) in recent years.

However, the results do not necessarily mean that these regions will face more parasite-borne diseases, says Carlson, because it is still unclear which parasites will become “winners” and “losers” as a result of climate change:

“The basic implication is actually not all bad for human health: some ticks and other disease vectors gain ground, but others lose a lot of habitat. What we call the ‘warmer, sicker world’ idea might be true on average, but not true for any given parasite species.”

“In fact, our study shows that human parasites – or vectors that spread human disease – aren’t any more or less likely to gain or lose range in a changing climate [than other parasites] – in a way, it’s sort of a lottery.”

Despite the “Titan-esque work” collecting and cleaning all the parasite data for the study, analysing 457 parasite species may not be representative of the millions of parasites that are spread across the globe, says Caminade:

“The parasite species richness map [Map A] looks counter-intuitive. I was expecting more richness in the Amazon basin and central Africa [where the majority of host species currently live]. This is surely related to their data. There must be more data available for Europe and the US, where most of the research is conducted, so this might have biased the model outcome and map.”

Importance of parasites
Although a small number of parasites threaten human health, the vast majority of them are harmless to us, says Carlson, and losing these creatures could have devastating consequences for ecosystems.

“Parasites play a huge role in ecosystems: they move energy through food webs [through the death of host species], can control host behavior, regulate animal populations in nature, and there’s even evidence that parasite diversity might be a buffer against the spread of some infectious diseases.”

Current research suggests parasites are responsible for up to 75% of the “connections” between food webs, Carlson explains:.

“Food webs are made of connections not just between predators and prey but all kinds of different interactions. Parasites can be incredibly diverse and make up the majority of those species-species interactions in an ecosystem. If we lose those links, it’s like losing the glue that holds ecosystems together.”

The destabilisation of ecosystems as a result of parasite loss could lead to waves of species extinction, he adds, affecting every level of the ecosystem, from plants to top-level predators.  

“It means extinctions might keep happening downstream, but more broadly it means ecosystems might change in pretty unexpected ways.”

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Árvores economizam 430 milhões de euros por ano em metrópoles - estudo

Ao reduzir substancialmente a poluição e o custo do aquecimento, arrefecimento e tratamento da água
Funchal- Foto de autor

As árvores fornecem 430 milhões de euros por ano (cerca de US $ 505 milhões) em benefícios para cada megacidade porque fornecem serviços que tornam os ambientes urbanos mais limpos, mais acessíveis e mais agradáveis ​​para viver. Esses grandes municípios (com mais de 10 milhões de habitantes) são o lar de quase 10% dos 7,5 biliões de pessoas que vivem no planeta.

Esta é a conclusão de um estudo realizado por seis pesquisadores dos Estados Unidos e Itália, e publicado na revista 'Ecological Modelling'. O trabalho centra-se em 10 megacidades dos cinco continentes: Bombay (Índia), Buenos Aires (Argentina), Cidade do México (México), Cairo (Egito), Istambul (Turquia), Londres (Reino-Unido), Los Angeles (Estados Unidos), Moscovo (Rússia), Pequim (China) e Tóquio (Japão).

A área metropolitana das megacidades estudadas tem uma média de 2.530 quilómetros quadrados, com uma cobertura arbórea de 21% e um potencial colhido de outros 19%. Cada um tem 39 metros quadrados por habitante de densidade média de massa arbórea.

Os cientistas estudaram a cobertura existente e potencial das árvores nessas grandes cidades e qual a sua contribuição para os serviços ecossistémicos. Eles concluíram que os benefícios dos bosquetes e árvores de rua têm um valor médio anual de US $ 505 milhões por ano, equivalente a US $ 1,2 milhão por quilómetro quadrado de árvores ou US $ 35 per capita por cada residente na metrópole.


Theodore Endrey, da Faculdade de Ciências Ambientais e Florestais da Universidade Estadual de Nova York e principal autor do estudo, aponta que o valor dos serviços das árvores poderia ser facilmente duplicado simplesmente plantando mais espécimes.


"As megacidades podem aumentar esses benefícios em 85%", diz ele, acrescentando: "Se as árvores foram estabelecidas ao longo de sua área de cobertura potencial, eles filtram os poluentes do ar e da água, reduzem o uso de a energia dos edifícios e melhorar o bem-estar humano, enquanto fornece habitat e recursos para outras espécies na área urbana ".

Benefícios diretos e indiretos
Os pesquisadores levaram em conta os benefícios das árvores na redução da poluição do ar, o escoamento da água da chuva, os custos de energia associados ao aquecimento e arrefecimento e as emissões de dióxido de carbono (CO2).

Sublinham que o benefício médio das 10 megacidades analisadas é de 410 milhões de euros por ano em reduções de poluentes atmosféricos; 9,4 milhões em tratamento de águas pluviais salvaguardas; 6,8 milhões de sequestro de CO2 e 0,4 milhões de poupança de aquecimento e ar condicionado.
"As árvores têm benefícios diretos"

Fonte: Economista Es 
Tradução: João Paulo Soares  
Obrigado Paulo Pimenta de Castro (Portugal) e João Paulo Soares (Brasil)

sábado, 2 de setembro de 2017

Terra Bela - "Nox Atacama" - Beautiful Earth- belíssimo filme de Martin Heck


POR
O deserto de Atacama é o lar dos céus mais escuros e limpos do mundo. Uma visão do céu nocturno recompensa pelo incontável número de estrelas e fantásticas nebulosas num dos lugares mais calmos e "vazios" da Terra. Nenhum ruído distrai-se do grande panorama que a noite de Atacama tem para oferecer. No entanto, o ambiente é áspero. Filmado a temperaturas congeladas, altitudes até 5.000m / 16.000ft, lagos salgados e encostas geladas, o Atacama não é amigável para a vida e equipamentos. Embora forneça, sem dúvida, vistas épicas e vastas de uma das maiores e mais surpreendentes paisagens da Terra.


EN
The Atacama desert is home to the darkest and cleanest skies in the world. A view to the nightsky rewards with uncountable numbers of stars and fantastic nebulas in one of the most quiet a empty places on earth. Not a single noise distracts from the grand show the nightsky has to offer. The environment is harsh though. Filmed in freezing temperatures, altitudes up to 5000m/16000ft, salt lakes and icy slopes, the Atacama is not friendly to life and equipment. Though it provides without doubt for epic and vast vistas of one of the greatest landscapes on earth.

Todas as informações mais técnicas e merecidos comentários no Vimeo.