sábado, 3 de novembro de 2007

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Carta Aberta Contra o Uso de Árvores GM para biofuel

CARTA ABERTA À SBSTTA (*) SOBRE AS ÁRVORES GM ( versão original ) Tradução para português por Avelino Braga 
Os abaixo assinados participantes da SBSTTA ou de reuniões preparatórias da SBSTTA desejam manifestar as suas preocupações acerca da questão das árvores GM dentro do processo da Convenção da Diversidade Biológica. Como é sabido, a última Conferência das Partes aprovou a Decisão VIII/19 que reconhecia as incertezas relacionadas com os impactos ambientais e sócio económicos potenciais, incluindo os de longo prazo e transfronteiriços das árvores GM sobre a diversidade biológica dos bosques a nível global assim como nos meios de subsistência das comunidades locais e indígenas e dada a ausência de dados seguros e da capacidade de alguns países de levar a cabo a avaliação de riscos e dos impactos potenciais. Entre outras coisas é recomendado às Partes uma atitude de precaução ao tratar a questão das árvores geneticamente modificadas . A recomendação anterior parece ter sido ignorada por um certo número de países onde quer centros oficiais de pesquisa quer empresas privadas continuam a realizar trabalhos na modificação genética das árvores e estão mesmo a planear fazer testes de campo como o caso actual da empresa ArborGen que procura obter autorização para ensaios de campo aberto de eucaliptos em floração nos EUA. Hoje estão a fazer-se trabalhos na modificação genética das árvores –ignorando a Decisão da COP- pelo menos nos seguintes países: Alemanha, Áustria, Brasil, Cabadá, Chile, China, Espanha, EUA, Finlândia, França, Japão, Nova Zelândia, Portugal, Reino Unido e Suécia. Dado que a Decisão da COP8 encarregou a SBSTTA de fazer a avaliação dos possíveis impactos ambientais, culturais e sócio económicos das árvores geneticamente modificadas na conservação e utilização sustentável da diversidade biológica florestal e de apresentar o relatório à nona Conferência das Partes e dada a pressa em produzir biocombustíveis estar a ser usada para promover o rápido desenvolvimento comercial de árvores geneticamente modificadas, apelamos à SBSTTA que : -insista no cumprimento por todos os países do princípio da precaução como foi acordado no COP8 -recomende a proibição das árvores GM baseada nos seus impactos potenciais sobre a diversidade biológica florestal.
55 Organizações Mundiais subscritoras Global Justice Ecology Project = World Rainforest Movement = Global Forest Coalition = Sobrevivencia, FOE , Paraguay = STOP GE Trees Campaign, North America = NOAH, Friends of the Earth, Netherlands = Africa Europe F & J Network = Friends of the Earth, Europe = Friends of the Earth, Malaysia = CENSAT, Aguaviva FOE, Colombia = Indigenous Information Network, Kenya = Nordre Folkcenter for Renewable Energy, Denmark = Friends of the Siberian Forests, Russia = CELCOR, FOE Papua New Guinea = Pro REGENWALD, Germany = Robin Wood, Germany = Friends of the Earth, England, Wales and Northern Ireland = Consumers Association of Penang, Malaysia = Comision Intereclesiastica de Justicia y Paz, Colombia = Consejo Comunitario de la Cuenca del Currarado = Ole Siosiomaga Society Incorporated (OLSSI), Samoa = Fundación para la Promocion del Conocimiento Indigena, Panama = ICTI, Tanibar, Indonesia = PIPEC, Pacific Indigenous Peoples Environment Coalition, New Zealand = FERN = International Alliance of the Indigneous and Tribal Peoples of the Tropical Forests = Corporate Europe Observatory = Greenpeace International = Ecologica Movement BIOM, Kyrgyzatan = CORE, Centre for Organization Research & Education, Northeast Region India = EQUATIONS =Ecological Society of the Philippines = Timberwatch Coalition, South Africa = Forest Peoples Programme, UKMST = Brazil’s Landless Workers’ Movement Viola, Russia = Ecoropa, Germany = ETC Group = Asociación Indígena Ambiental = Umwelt-und Projehtwerhstatt, Germany = Global Environment Centre, Malaysia =Washington Biotechnology Action Council, U.S. = BUKO Campaign against Biopiracy, Germany = The Gaia Foundation, UKHATOFF Foundation, Ghana = Tebteba Foundation, Philippines = Nature Tropicale, Benin (West Africa) = Jeunes Volontairs pour l’Environnement, Togo = Biofuelwatch, UK = Bangladesh Indigenous Peoples Forum = NABU, Nature and Conservation Union, Germany = BUND, Friends of the Earth Germany = Indigenous Network on Economics and Trade, Canada (*) (SBSTTA) SUBSIDIARY BODY ON SCIENTIFIC, TECHNICAL AND TECHNOLOGICAL ADVICE

Impressionante o número e projectos Florestação OGM no Mundo

Blogue do dia

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

George Steiner - holocausto ou holocaustos?


George Steiner esteve recentemente em Portugal e de acordo com notícia no Ciência Hoje o ensaísta vem proferir um discurso que a Europa é uma civilização decadente e que aparecerão outros locais do planeta como a China e a Índia?. Esta afirmação levantou-me uma série de inquietações:
Ora a Índia e a China já têm o seu espaço, as suas incongruências e cometendo os piores atentados ecológicos de sempre enquanto hoje há uma Europa que tem feito da sustentabilidade um exemplo a este planeta...exigir mais é possível, concerteza.
Mas George Steiner (G.S.), proferiu uma outra barbaridade ainda mais grave uma civilização que mata os seus judeus não recupera ...Não visitou o memorial em Berlim, concerteza...ou tão aplaudido sábio terá esquecido de Aristides Sousa Mendes ou de Oskar Schindler?

Por mim G.S. que fique pela América e ataque outros holocaustos que não criticou: Guantánamo, o muro internacional no México, que ataque a administração Bush que ainda não assinou o Protocolo de Quioto, que ataque um país que mantem a pena de morte, que ataque um país onde é constitucional o uso de armas...e lembrar-lhe que há muitos holocaustos no mundo...

G.S., enquanto aufere uns bons milhões de dólares e estará num gabinete provavelmente nada ecológico, com ar condicionado, podia sair um pouco da sua aura de eterna vítima de anti-semitismo e demonstar mais solidariedade com estas irracionalidades no Mundo de hoje como Angola e que são também holocautos tão ou mais graves que Kosovo e/ou Israel-Palestina: Darfur, Birmânia, Congo, Ruanda, Singapura , Indonésia, Tibete, povos da Amazónia, Curdos e Nações sem Estado.

Leituras recomendadas
China-Envionment, por Jean-François Huchet
Documentário Darfur Our Choice, Too: On the Edge in Darfur, livro e sítios
Ecologia do Stress, por Afonso Cautela
Darfur is Dying um videojogo lançado ainda este mês que descortina a quem joga viver a experiência de cerca de 2.5 milhões de refugiados em Darfur (região do Sudão)
Hidden Apartheid - Relatório de 113 páginas da HRW denunciando a contínua discriminação de castas

Documentário: A Carne é Fraca



Alguma vez você já pensou sobre a trajetória de um bife antes de chegar ao seu prato? Nós pesquisamos isso para você e contamos, neste documentário, aquilo que não é divulgado. Saiba dos impactos que esse acto - aparentemente banal - de consumir carne representa para a sua saúde, para os animais e para o planeta. Com depoimentos dos jornalistas Washington Novaes e Dagomir Marquezi, entre outros. 

Realização do Instituto Nina Rosa.

Dia Mundial do Veganismo

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Ecojustiça, Químicos, Monsanto, Banca, Multinacionais, Amianto, Lei, Biodiversidade...Harmonia Mundi...

Este artigo do Ecologist [1], relatando a impotência e angústia dos habitantes de dezenas de vilas escocesas cujos rios foram contaminados com químicos da Monsanto e não viram a Justiça reconhecer o princípio poluidor-pagador...levanta muitas questões e inquietações...
Pois...vamos por aí vamos: as empresas fazerem-se de vítimas quando vemos privatizações à força e à bruta [2], instituições públicas a nível europeu a assinarem protocolos verdes com empresas que reincidem com atentados ao ambiente [3] e concorrem aos certificados ambientais apenas para lucros provenientes de engenharia de marketing (como adoptarem a cor verde nas siglas ou mostrarem carros a desfazerem-se em peixinhos numa curva).As empresas e a banca, cada vez mais multinacionalizadas, irão mesmo apoiar projectos de conservação da natureza, dos Parques e Reservas Naturais [3.1]? Irão mesmo substituir o Estado e a Europa naquilo que se propôem fazer no Direito Ambiental de cada estado-membro Europeu [3.2] ou asssistiremos à flexibilidade dos seus projectos financeiros e menor segurança ambiental? Se não criarmos mecanismos de ética profunda nos mercados...onde iremos parar?

Com esta postagem solidarizo-me com os escoceses que se viram derrotados pela Justiça [1], solidarizo-me com os povos que lhes foram retiradas as terras, os lagos, a língua e cultura e que vêm-se forçados à extinção [vídeo Dead Can Dance-Yulunga], solidarizo-me com os povos e pessoas em que as multinacionais do agronegócio lhes retiram a agricultura de sustento [4],solidarizo-me com os jornalistas que exigem informação transparente [5]. Solidarizo-me com as nossas gentes que não querem antenas de muita alta tensão, solidarizo-me com as nossas gentes que querem escolas sem amianto (em há uma lei que diz que é proíbido o amianto [6] e o Estado não quer retirar o fibrocimento com amianto nas nossas escolas). Solidarizo-me com todos os que defendem que BIODIVERSIDADE há só uma e não bidiversidade de primeira e de segunda (vulgo espécies cinegéticas, caça e sobrepesca) e estão no terreno zelando pela biossegurança, pela conservação dos rios, campos, mares e ar e por esse meio anseiam por um mundo livre de conflitos amrmados [7].








[6] O Dec. Lei n.º 101/2005, de 23-6 que proíbe a colocação no mercado e a utilização de produtos contendo amianto

Sítio da semana

Pesticide Watch

Documentário da Semana- O Silêncio das Abelhas (em Francês)



Havia uma versão legendada em Português, mas foi bloqueada.


Os cientistas dizem que podemos estar enfrentando uma catástrofe global. Nos últimos seis meses (2012) até 80% das abelhas norte-americanas simplesmente desapareceram. Agora o pesadelo se espalhou para a Europa. Será que isto é o primeiro sinal de um colapso ecológico gigantesco? Fantásticas fotografias macroscópicas nos darão uma visão mais detalhada do papel crucial que as abelhas desempenham em nosso ecossistema. Exploraremos as teorias divergentes sobre as causas por trás de seu rápido desaparecimento.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Pete Seeger: The Power of Song




O documentário "Pete Seeger: The Power of Song" é uma biografia cinematográfica sobre a vida, a música e o ativismo político de uma das figuras mais marcantes da música tradicional americana do século xx.

Em resumo, o filme foca-se nos seguintes pontos:
  1. Música e intervenção social: mostra como Pete Seeger utilizou as canções populares como ferramentas para a mobilização social, a união de comunidades e a defesa da justiça social.
  2. Luta pelos direitos civis: destaca o seu envolvimento ativo no movimento de libertação dos cidadãos negros nos estados unidos, tendo sido o grande responsável pela popularização do hino mundial da resistência, "We Shall Overcome".
  3. Perseguição política: aborda os anos de censura sofridos durante o macartismo, nos anos 1950, devido às suas convicções políticas de esquerda. Seeger recusou-se a colaborar com o comité do congresso americano, o que lhe valeu a inclusão numa "lista negra" que o baniu da televisão comercial durante mais de 17 anos.
  4. Ativismo ecológico: documenta a sua dedicação posterior à preservação ambiental, com especial relevo para a campanha de despoluição do rio Hudson, em Nova Iorque, através da construção do barco histórico Clearwater.
  5. Testemunhos: inclui imagens de arquivo raras e entrevistas com grandes nomes da música que foram influenciados por ele, como Bruce Springsteen, Bob Dylan, Joan Baez e Johnny Cash.
É um retrato sobre a resistência cultural e sobre o impacto que um homem e o seu banjo tiveram na história contemporânea americana.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Cultura, o elo perdido da sustentabilidade

Entenda a economia criativa e o seu potencial para construção de um futuro sustentável.

Imagine um mundo onde a marca pode representar mais de 75% do valor de uma empresa, enquanto que os recursos naturais se tornam cada vez mais escassos. Diante desse quadro, a desmaterialização da economia passa a ser o foco da estratégia de desenvolvimento dos negócios e governos.

O cenário descrito acima se enquadraria perfeitamente aos dias atuais não fosse pelo último aspecto. O Google, um dos maiores casos de sucesso da atualidade, tem na sua marca, cujo valor estimado é de US$ 100 bilhões, o maior fator de desempenho, superando até mesmo seus próprios produtos e serviços. No entanto, a economia continua seguindo a lógica de gestão de recursos escassos. Como resultado disso, já ultrapassamos em 20% a capacidade de suporte e reposição da biosfera.

Esses dados, já bastante difundidos, reforçam a importância de buscar estratégias de desenvolvimento sustentável, acelerando a desmaterialização da economia. No entanto, a grande dúvida continua sendo como vialibizar essa transição de modelos econômicos e de pensamento. Uma das novidades nesse debate está na constatação de que, se a sustentabilidade é o fim, a cultura pode ser o meio para construir esse futuro desejado. Esse foi um dos focos de discussão da rodada de diálogo sobre economia criativa, que integrou a programação do FILE 2010, em São Paulo.

A mesa, coordenada por Lala De Heinzelin, assessora do Programa de Economia Criativa da South-South Cooperation, unidade do PNUD, contou com a participação de Liliana Magalhães, superintendente do Santander Cultural, Luciane Gorgulho, chefe do departamento de cultura, entretenimento e turismo do BNDES e Maria Arlete Gonçalves, diretora de cultura do Oi Futuro.

De acordo com a ONU, a economia criativa é responsável por 10% do PIB mundial. No relatório Creative Economy, a UNCTAD divulga que, entre 2000 e 2005, os produtos e serviços criativos mundiais cresceram a uma taxa média anual de 8,7%. Duas vezes mais do que o setor de manufaturas e quatro vezes mais do que a indústria.

O conceito ainda em formação, foi criado para designar um setor que inclui, porém extrapola a cultura e as indústrias criativas. De forma muito simplificada, podemos dizer que reúne as atividades que têm na cultura e na criatividade a sua matéria prima. É um conceito amplo o suficiente para incluir a diversidade, tanto de linguagem quanto de modelos de negócios, englobando uma vasta gama de atividades que vai do indivíduo que trabalha educação complementar por meio da música a uma grife de automóveis de luxo.

Segundo Lala, estamos vivendo uma mudança de época, talvez, comparável apenas ao renascimento. Esse período é caracterizado pela transição de uma centralidade - que existiu durante décadas, em que todos os recursos eram tangíveis e, portanto, finitos - para um momento em que aquilo que tem mais valor está ligado ao intangível. Nesse contexto, temos um recurso que é como se fosse a galinha dos ovos de ouro porque tudo aquilo que está ligado ao intangível conhecimento, criatividade e cultura além de não se esgotar, se multiplica e renova, explica.

Não sem razão alguns países já elegeram a economia criativa como estratégia número 1 de desenvolvimento. É o caso do Reino Unido e, mais recentemente da China. A potência asiática adentra a era de pós-industrialização, em que a integração global e o consumo cultural estão exercendo um impacto crescente, sobretudo no ambiente urbano.

Segundo a consultoria chinesa CCID Consulting, a indústria criativa e cultural já movimenta cerca de 170 bilhões de yuans, representando "uma tendência de crescimento reverso" para a crise financeira global com potencial de revitalizar a economia chinesa. O país conta com um Plano de Revitalização da Indústria Cultural, aprovado pelo Comitê Permanente do Conselho de Estado, cujo objetivo é orientar o desenvolvimento futuro desse setor. Em cidades como Beijing, a economia criativa cresce a uma taxa anual de 50%. (Confira mais dados no box abaixo).

Construção de capital social

Além de apresentar um grande potencial econômico, a economia criativa contempla atividades que atuam como fator de interação social, fortalecendo os valores, diferenciais e credibilidade de comunidades e empresas.

A cultura representa o quarto pilar da sustentabilidade. É o que traz o nosso diferencial, pois permite que se agreguem valores. Ela vai ao encontro da nova sociedade do conhecimento, em que o poder está na troca, afirma Liliana Magalhães, superintendente do Santander Cultural.

Possuidor de uma das diversidades biológicas e culturais mais ricas do planeta, o Brasil proporciona um ambiente propício para o avanço de um modelo de desenvolvimento baseado nos pilares econômico, ambiental social e cultural. Não são raros os exemplos de negócios que já trabalham nessa perspectiva, mas devido a falta de indicadores e mecanismos de incentivo adequados eles continuam a margem da economia.

O BNDES, um dos maiores bancos de fomento do mundo com um livro de desembolso de R$ 130 bilhões, tem se dedicado a desenvolver métodos para mensurar esse valor e que também possam embasar o financiamento às atividades criativas. Desde 2006, conta com um departamento de cultura, entretenimento e turismo, que disponibiliza linhas de crédito e fundos de investimento para esses setores. Esses recursos estão sob o guarda-chuva do Programa BNDES para o Desenvolvimento da Economia da Cultura estruturado em três subprogramas: BNDES Procult Financiamento, BNDES Procult Renda Variável e BNDES Procult Não Reembolsável.

Segundo Luciane Gorgulho, do BNDES, há recursos para fomentar a economia criativa, o que falta é dar visibilidade a esse setor, uma vez que ainda não existem muitas estatísticas sobre o tema. É importante disseminar suas histórias de sucesso da economia criativa, setor que hoje enfrenta dificuldades semelhantes das empresas de software, muitas delas surgidas em garagens, destaca. Esse segmento de tecnologia ganhou credibilidade a partir da repercussão de casos de sucesso e se consolidou apesar da bolha da internet.

E como sair dos limites que estamos acostumados a atuar?, provoca Lala. Segundo ela a solução que uma empresa está buscando pode estar em um trabalho desenvolvida por um garoto na periferia. Os negócios têm um papel importante para o fomento da economia criativa porque podem conferir acesso e credibilidade. Se o mesmo menino lançar determinada solução poderá enfrentar resistência em alguns setores. Mas essa dificuldade pode ser minimizada se uma grande empresa identificar seu projeto e de alguma maneira apoiá-lo.

Essa integração é fundamental, pois ajuda a construir confiança, um ativos mais comprometidos desde a última crise financeira global. É preciso haver um entendimento que o desenvolvimento resulta de um processo coletivo e que é essencial se conectar a outros para ter força de reverberação, afirma Liliana, do Santander.

Ainda segundo Lala, o principal fator que impede o País de transformar em realidade seus potenciais e recursos consiste na falta de capital social, resultado da articulação de diferentes setores. As potências endógenas só vão se concretizar se houver um processo capaz de elevar a auto-estima e, ao fazê-lo, reforçar os laços e a identidade, estimulando a cidadania. Tendemos a achar que a semente é a maçã e tentamos vender a torta. Mas antes é necessário preparar o terreno para essa semente germinar e tornar essa torta desejável, reforça.

Quem é quem na economia criativa

Reino Unido

As indústrias criativas britânicas geram £67 bilhões em receitas e crescem duas vezes mais do que o restante da economia.

Esse setor também tem um papel vital na construção de um futuro sustentável

Formalmente definidas como as artes cênicas, antiguidades, artesanato, arquitetura, design, moda, publicidade, rádio e TV, cinema e vídeo, música, publicações, jogos de vídeo e software, a inovação, as indústrias criativas terão um papel fundamental no enfrentamento dos grandes desafios do nosso tempo - a escassez de recursos, mudanças climáticas, resíduos, poluição, uma população em crescimento e pobreza.

Alguns exemplos já existentes:

O movimento Bauhaus defendeu uma filosofia de design da justiça e utilidade, para fornecer o acesso universal a um bom design, melhor habitação e uma vida melhor para todos.

Nos últimos 20 anos, o marketing social ajudou a educar, sensibilizar e comunicar, questões tão amplas como o comportamento anti-social em trens, estilos de vida mais saudáveis e os malefícios do cigarro.

Novas formas de mídia social habilitadas por software de TI e plataformas como o Twitter, kiva ou NetSquared estão diminuindo distâncias geográficas e sociais, proporcionando que as pessoas se mobilizem na busca de soluções para problemas que lhes são comuns.

A arquitetura verde agora é mainstream e já há exemplos emblemáticos de excelência de construção seguindo princípios de sustentabilidade, como o Eden Project, a vila dos Jogos Olímpicos, entre outros.

Adaptado de artigo publicado no Forum for the Future

China

A indústria criativa movimenta cerca de 170 bilhões de yuans, representando uma alternativa ao modelo de desenvolvimento centrado na rápida urbanização que trouxe uma série de problemas sociais e ambientais.

A economia criativa já é foco de investimento e políticas públicas. O país conta com um Plano de Revitalização da Indústria Cultural, aprovado pelo Comitê Permanente do Conselho de Estado, cujo objetivo é orientar o desenvolvimento futuro desse setor.

Em Beijing, Shanghai and Shenzhen, as indústrias criativas crescem cerca de 12.3%, 13.3% e 15.0%, respectivamente, enquanto que o PIB dessas cidades cresce 19.4%, 22.8% e 25.9%, respectivamente. Em 2008, o valor acrescentado no setor cultural criativo em Pequim superou os 100 bilhões de yuans, representando 9% do PIB da cidade. E, esse número ainda está crescendo a uma taxa anual de mais de 50%.

Adaptado de artigo publicado originalmente na Bloomberg

Brasil

A indústria criativa movimenta R$ 381 bilhões e emprega 35,2 milhões de pessoas. O setor representa 16,4% PIB brasileiro:

2,6 % - 12 áreas principais: artes visuais, publicidade, expressões culturais, televisão, música, artes cênicas, filme e vídeo, mercado editorial, software, moda, arquitetura e design)

5,4% - atividades relacionadas a essas áreas: material de artesanato, publicidade, instrumentos musicais, registro de marcas e patentes, dentre outras)

8,4% - atividades de apoio: consultoria especializada, insumos, maquinários)

Autor: Envolverde/Idéia Socioambiental

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Nesta era da globalização falta globalizar a ecossolidariedade...


10 Princípios do Condomínio da Terra
Por
Paulo Magalhães

1. Temos de encarar a crise ambiental mundial, não como um problema do ambiente, mas como um problema da Comunidade dos Homens.

2. Para resolver a crise ambiental mundial, temos de resolver o problema jurídico da coordenação duma multitude de soberanias (Estados) exercidas sobre um bem materialmente indiviso (Terra), conformado por componentes insusceptíveis de divisão jurídica, mas dos quais todas as soberanias são funcionalmente dependentes.

3. Só na definição e prossecução do interesse comum (Terra), será possível continuar a garantir, a cada Estado, os seus direitos - sob pena de estes brevemente deixarem de ter objecto.

4. Um projecto Condomínio da Terra tem que distinguir as fracções estaduais das partes comuns: cada condómino é soberano dentro do seu território e, ao mesmo tempo, detentor de uma soberania partilhada das partes comuns do planeta.

5. As partes comuns são constituídas pelas partes que, de um ponto de vista ambiental, são:
a) necessariamente comuns (a Atmosfera e Hidrosfera), e 
b) presumidamente comuns (a Biodiversidade).

6. Existirá um regulamento do Condomínio da Terra que disciplina o uso, fruição e conservação das partes comuns, e uma Administração que será eleita em Assembleia de Condóminos (Estados).

7. Existe um direito/dever igual per capita no uso/conservação dos bens comuns; logo a votação relativa de cada condómino deverá ser aferida em função do número de habitantes de cada soberania.

8. Cada condómino comparticipará nas despesas necessárias à conservação ou fruição das partes comuns, de forma equitativa, em função do número de habitantes ou do uso efectivamente realizado de partes comuns, quando este for determinável, no sentido de garantir a coincidência entre o óptimo social e o óptimo ecológico.

9. Competirá ao Administrador do Condomínio receber todas as verbas provenientes dos Condóminos e promover projectos de conservação e melhoramento das partes comuns, bem como, compensar todos os condóminos que no seio dos seus estados contribuam para a sua manutenção e melhoramento.

10. Compete ao Condomínio da Terra descobrir formas de compatibilizar os sistemas jurídico e económico com o Sistema Natural Terrestre.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Frente do Algarve Livre de Transgénicos - Abelhas estão a Morrer


Abelhas estão a morrer

Texto publicado na Revista O Apicultor Jul/Set 07

Recentemente a União Europeia e Portugal autorizam a instalação de culturas agrícolas transgénicas, nomeadamente o milho, que se juntou à colza transgénica já anteriormente cultivada em França.

Muito embora os benefícios económicos da sementeira do milho transgénico em território nacional sejam ainda questionáveis, na realidade o interesse por parte dos agricultores Portugueses tem aumentado como se verifica pelo aumento dos pedidos de licenças de sementeira.

O genoma do milho transgénico foi artificialmente modificado de modo a sintetizar proteínas com acção pesticida idênticas às presentes na bactéria Bacillus thuringiensis, usado desde há vários anos no combate a diversas lagartas, não só do milho mas de outras culturas. Este pesticida, que é especifico só para lepidópteros (borboletas e as suas lagartas), não produz , aparentemente, qualquer efeito prejudicial nos restantes insectos de outras famílias, nomeadamente himenópteros (abelhas).

Pela aparente segurança que o milho transgénico garante os ambientalistas não têm conseguido convencer totalmente os governantes a restringir o seu cultivo. As abelhas em particular não mostram grande interesse pelos campos de milho quando existem outras plantas boas fontes de pólen próximas e que garantem a sua subsistência. Porém, as abelhas chegam a alimentar-se quase exclusivamente de pólen de milho quando em caso de carência alimentar ou quando os apiários se situam em áreas de grandes plantações deste cereal, como provou Louveaux nos celebres trabalhos da década de 60. Este investigador encontrou apiários na zona de Landes, em França, a satisfazer cerca de 90% das suas necessidades em pólen com as flores milho, prolongando-se esta situação durante quase um mês até ao inicio da floração da Caluna vulgaris no final de Agosto.

Num estudo das cargas polinicas das abelhas que conduzimos, durante um período de 3 anos (2002-2004), verificou-se, na freguesia de Cesar (distrito de Aveiro, concelho de Oliveira de Azeméis), que o pólen de milho chegou a satisfazer, em algumas semanas, 17% das necessidades das abelhas(figura 1) o que representou nas colónias estudadas aproximadamente 0,5 kg. Actualmente, graças ao recurso a modernas tecnologias, concluiu-se que as abelhas podem fazer colheitas até 10km e forragear em média num raio de 6km (e não 3 como se acreditava), o que significa que a area util de uma colmeia anda em torno de cerca de 113km2.

Quanto à dispersão pelo vento o alcance do fluxo de pólen de milho tem vindo a ser subestimado pois algumas entidades oficiais, embora reforçadas por trabalhos científicos consideram que uma distancia de 300 a 1000m em relação a outras culturas não transgénicas é suficiente para evitar o cruzamento entre plantas porém, como foi observado no nosso trabalho, mesmo numa zona onde a área cultivada com milho disponível, mesmo transgénico, este será colhido pelas abelhas em grandes quantidades, muito superiores ás distancias de segurança geralmente estabelecidas, sendo, por consequência, possível que seja transportado até longas distancias.

Deste modo o pólen de culturas transgénicas, como o milho, algodão e colza, pode chegar a polinizar plantações bastante afastadas ou ser armazenado nos favos das abelhas. No ano 2000 a opinião pública dos Estados Unidos da América foi abalada por uma serie de trabalhos científicos afirmando que as lagartas da borboleta monarca (Danaus plexippus), uma da “bandeiras dos ecologistas norte americanos, podiam ser afectadas indirectamente se ingerissem, mesmo em pequenas quantidades, o pólen oriundo de milho transgénico depositado em ervas daninhas nas borboletas dos campos.

De facto, o impacto desta noticia abalou, embora momentaneamente, a credibilidade da alegada segurança das plantas modificadas geneticamente. O argumento utilizado para defender a plantação de milho transgénico foi de que quando o milho se encontrava em floração a maioria das lagartas já se tinham transformado em borboletas e por conseguinte o risco para esta população seria muito baixo.

A abelha (Apis mellifera) e outros polinizadores trabalham activamente esta planta, usando-a como fonte de pólen, apesar do seu conteúdo em proteína (cerca de 15%) ser considerado relativamente baixo. Como o milho é uma das últimas plantas a florir antes do período invernal o seu pólen poderá ficar na colmeia por vários meses até ser totalmente consumido.

Nas colmeias é frequente existirem, em autentica simbiose com as abelhas, pequenas borboletas a que chamamos traças da cera, geralmente das espécies Achroia grisella e Galeria mellonella. Como é sabido as traças só são encontradas nas colmeias quando as colónias estão fracas e em circunstância alguma são directamente prejudiciais às abelhas.

Embora sejam geralmente consideradas como pragas dos favos armazenados a sua presença na colmeia torna-se benéfica uma vez que não só favos velhos e inutilizados (principalmente em colónias selvagens) como, em caso de morte, destroem toda a cera restante que tenha contido larvas e pólen. Deste modo desempenham um papel importante no controlo de diversas doenças microbianas que afectam as abelhas e outros insectos.

Caso assim não fosse, se os favos ficassem por períodos muito longos no ambiente, seriam inexoravelmente um foco de doenças, pelo que as traças da cera são, sem dúvida, insectos úteis para as abelhas e por conseguinte para o homem.

Muitas vezes as epidemias de podridão loque americana e europeia poderiam ser evitadas caso os apicultores não insistissem em usar a cera das colónias mortas quer misturando com cera novas quer reutilizando os seus quadros. Deste modo a doença em vez de se restringir à colónia afectada, como sucede na natureza alastrará às demais colónias pois a acção limpadora das traças foi impedida.

Com a introdução de culturas transgénicas, e sem estarmos conscientes disso, estamos a desequilibrar o sistema ecológico ainda existente entre os polinizadores e particularmente as abelhas e as traças da cera.

As traças da cera são sensíveis, como os demais insectos da sua família, ao pólen de milho transgénico, chegando a 100% de mortalidade quando o ingerem, mesmo em pequena quantidade.

Surge portanto como natural que sempre que houver pólen de milho transgénico armazenado na colmeia as traças da cera sejam incapazes de a decompor e deste modo ficará por longos períodos no ambiente representado, assim, além de um distúrbio ecológico, um problema para a apicultura e para as populações de insectos polinizadores em geral.

O futuro o dirá!

Os nossos agradecimentos pelo apoio da Estação Experimental de Hortofloricultura da DRAEM, em particular ao Srº Eng.º Henrique Arteiro e à Fundação para a Ciência e Tecnologia (bolsa BD/7049).

O presente texto constitui uma adaptação do artigo Bt transgenic maize pollen and the silent poisoning of the hive publicado pelos mesmos autores no Journal of Apicultural Research 46: 57 – 58 (2007).

Frente do Algarve Livre de Transgénicos Telf. e Fax 282 459 242

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Sair do Nuclear é possível!


A. Do mais recente para o mais antigo

1. Durão Barroso apela à Europa para se empenhar numa terceira revolução industrial, a do nuclear. Mas países como a Áustria, a Alemanha, a Irlanda, a Letónia, a Noruega e a Itália mostram-se reticentes, alegando o aumento dos perigos da proliferação nuclear

2. Na Itália, as autoridades investigam um clã mafioso suspeito de alegado contrabando de lixo nuclear para a Somália para produção de plutónio.

3. Combustível radioactivo da central nuclear de Almaraz vai ser transportado de camião para a Bélgica. Só a segurança representa 297 milhões de euros.

4. Há 30 grupos interessado na construção da central nuclear de Cernavoda, na Roménia.

5. A Letónia, a Estónia, a Lituânia e a Polónia vão assinar acordo de construção de central nuclear que substituirá a de Ignalina. (via blogue Ondas)

B. Ver e ler aqui a lista dos 10 locais mais poluídos do Mundo Relatório 2007 do Blacksmith Institute, publicado em Setembro deste ano, CHERNOBYL, UKRAINE, mantém-se, bem como locais onde existem fábricas de exploração mineira de metais pesados.

C. Sobre o ITER , Stephane Lhomme, da organização ambientalista francesa Sortir du Nucléaire (Sair do Nuclear), disse à IPS que o reactor apresenta uma tecnologia muito perigosa e sem futuro. Lhomme considera provável que o ITER nunca produza energia, o que o converteria num novo fracasso do governo. O Estado francês investiu quase US$ 9 bilhões no reactor nuclear Superphénix antes de fechá-lo em 1998 porque não chegou a gerar um único watt de energia, recordou o cientista. (Julho de 2005)

Como sair do Nuclear?
Impulsionar políticas e práticas de eficiência energética, reestruturação de entidades políticas-chave como a ONU (não haver direito a veto, por exemplo), reestruturação da CEE (reforço de participação cívica, orçamentos participativos, etc...), paradigmas socio-culturais mais equilibrados (regulação da população humana a nível do planeta), de planos nacionais e regionais de Educação Ambiental, Alimentar, de Mobilidade e de Saúde Ambiental transversais em todas as sociedades, produção sustentável de energia e medidas de remediação para as consequências que as alterações climáticas previsivelmente terão a prazo (menos barragens, mais reabilitação do imobiliário construído, agricultura biológica, etc...)