domingo, 15 de março de 2026

A filosofia de John Cobbe


O pensamento de John B. Cobb Jr. (nascido em 1925, Japão) representa uma das sínteses mais ambiciosas dos séculos XX e XXI entre a espiritualidade, a ciência e a economia. Como principal expoente da Teologia do Processo, Cobb baseou a sua visão de mundo na filosofia de Alfred North Whitehead (1861–1947), rejeitando a ideia de um universo estático composto por objetos isolados. Para ele, a realidade é um fluxo contínuo de eventos interconectados, onde cada ser é constituído pelas suas relações com os outros. Esta perspetiva alterou radicalmente a compreensão de Deus: em vez de um monarca onipotente e imóvel, o Deus de Cobb é uma presença sensível que sofre e se alegra com a criação, influenciando o mundo não pela coerção, mas pela persuasão em direção ao bem, à beleza e à vida.

Essa fundamentação filosófica levou Cobb a tornar-se um pioneiro da teologia ecológica. Ao compreender que o bem-estar humano é indissociável da saúde da biosfera, passou a criticar severamente o modelo de desenvolvimento industrial. A sua colaboração mais famosa neste campo ocorreu com o economista Herman Daly (1938–2022), com quem escreveu a obra seminal For the Common Good (1989). Juntos, desafiaram o uso do PIB como única métrica de progresso, argumentando que o crescimento económico cego ignora a degradação ambiental e a erosão das comunidades. Propuseram o Índice de Bem-Estar Económico Sustentável (ISEW), uma ferramenta prática para medir a economia sob uma ótica de preservação e justiça social.

Além de Daly, outros colaboradores foram fundamentais para a expansão deste sistema. Charles Hartshorne (1897–2000) forneceu o rigor lógico necessário para definir a natureza dipolar de Deus no processo, enquanto David Ray Griffin (1939–2022) trabalhou ao lado de Cobb na fundação do Center for Process Studies em 1973, consolidando a teologia do processo como uma alternativa viável à modernidade materialista. Cobb também se destacou no diálogo inter-religioso, especialmente com o Budismo, publicando Beyond Dialogue: Toward a Mutual Transformation of Christianity and Buddhism em 1982. Atualmente, o seu legado vive no movimento pela Civilização Ecológica, uma proposta de reorganização total da sociedade que busca garantir a sobrevivência e o florescimento de todas as formas de vida na Terra, conceito que ganhou forte tração em fóruns internacionais e políticas de sustentabilidade na China a partir de 2007.

E o que é a Civilização Ecológica?
Cobb foi um dos primeiros a usar o termo "Civilização Ecológica". Ele acreditava que o modelo atual de civilização industrial está em colapso e que o Terrismo é a base para a próxima fase da humanidade:
  1. Localismo: comunidades mais pequenas e autossuficientes.
  2. Respeito biocêntrico: leis que protegem o ecossistema acima do lucro corporativo.
  3. Educação integrada: ensinar as crianças que a sua identidade é, antes de mais, "terrestre".
"O destino da humanidade e o destino da Terra são um só." — Esta frase resume a dedicação de Cobb ao longo de décadas.

É fascinante notar como Cobb influenciou até políticas públicas na China, onde o conceito de "Civilização Ecológica" foi adotado oficialmente.[em março de 2018]

Biografia
Mais info aqui

Sem comentários: