terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Gigantes tecnológicas mentem sobre os benefícios climáticos da inteligência artificial


Um relatório divulgado esta terça-feira por uma coligação de organizações não governamentais (ONG) de defesa do ambiente diz que 74% das afirmações sobre os alegados benefícios climáticos da inteligência artificial (IA) generativa carecem de bases sólidas.

Estas afirmações "servem os interesses das indústrias de tecnologia e dos combustíveis fósseis", resume um comunicado conjunto de várias ONG, incluindo a Beyond Fossil Fuels, a Green Web Foundation e a Friends of Earth US.

Por outro lado, "minimizam os danos climáticos significativos causados pela IA generativa" alertaram organizações como a Climate Action Against Disinformation, Stand.Earth e Green Screen Coalition.

As plataformas analisaram 154 declarações "afirmando que a IA terá um benefício climático líquido, incluindo as de empresas como a Google e a Microsoft e instituições como a Agência Internacional de Energia [AIE]".

Segundo as ONG, esta é a primeira vez que o argumento de que a IA poderá compensar o aumento da procura de combustíveis fósseis gerada pelos centros de dados é analisado de forma crítica.


O relatório critica a Google por afirmar em documentos oficiais que a IA poderia mitigar entre 5% e 10% das emissões globais, uma estimativa baseada em dados extrapolados, sem fundamento científico, de uma consultora privada.

A análise, divulgada durante a AI Impact Summit, em Nova Deli, esta semana, defende que a indústria tecnológica apresentou, de forma enganadora, as soluções climáticas e a poluição de carbono como um pacote único, ao "confundir" diferentes tipos de IA.

Sasha Luccioni, líder de IA e clima da Hugging Face, uma plataforma e comunidade de IA de código aberto, que não participou no relatório, afirmou que este acrescenta nuances a um debate que frequentemente agrupava aplicações muito diferentes.

"Quando falamos de IA que é relativamente má para o planeta, geralmente referimo-nos à IA generativa e a grandes modelos de linguagem", disse Luccioni, que tem pressionado a indústria para ser mais transparente sobre a sua pegada de carbono.

"Quando falamos de IA que é 'boa' para o planeta, geralmente referimo-nos a modelos preditivos, modelos extrativos ou modelos de IA tradicionais."

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