Música do BioTerra: EX-RZ feat Fenne - Seventeen Seconds (Cure cover)
Seventeen seconds a measure of Life.
A faixa "Seventeen Seconds", interpretada pelo projeto EX-RZ com a participação da cantora Fenne, é uma colaboração internacional com raízes principais em Portugal. O projeto EX-RZ é liderado pelo músico e produtor português Eurico Amorim, enquanto a voz pertence à artista holandesa Fenne Scholte. Juntos, eles reinterpretam o clássico homónimo da banda britânica The Cure sob uma estética predominantemente voltada para o Trip-Hop e o Downtempo. A sonoridade abandona o minimalismo cru do pós-punk original para abraçar um estilo de eletrónica atmosférica e introspectiva, aproximando-se do Dream Pop devido aos vocais etéreos e às texturas de sintetizadores modernos, resultando numa produção luso-holandesa de tom onírico e contemporâneo.
A canção "Seventeen Seconds" carrega um significado profundamente marcado pelo minimalismo, pela impermanência e pela desilusão. Tanto na versão original dos The Cure como na releitura luso-holandesa de EX-RZ e Fenne, a letra e a atmosfera transmitem um forte peso existencialista.
A letra descreve um momento de transição — o intervalo exato entre algo que existia e algo que deixou de ser. O título refere-se à brevidade do tempo e à forma como tudo pode mudar, ou terminar, num piscar de olhos. Estes "dezassete segundos" simbolizam a fragilidade da vida e das relações, sugerindo que a felicidade ou a estabilidade são estados efémeros que podem ser medidos em segundos antes que a realidade se torne fria e vazia novamente.
A composição é económica e fragmentada, focando-se na imagem de alguém que está parado, a observar o tempo passar e a sentir que "nada acontece" (nothing happens). Existe um sentimento de paralisia emocional e tédio, onde o indivíduo se sente desligado do mundo ao seu redor. Na versão de EX-RZ e Fenne, este significado é amplificado pela sonoridade downtempo, que prolonga a sensação de melancolia, transformando a música numa reflexão sobre a solidão e a aceitação inevitável de que o tempo é um recurso que se esgota silenciosamente.
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