Sisão está em risco de extinção em Portugal
"Se o Governo não implementar medidas urgentes, Portugal irá assistir em breve à extinção desta ave", afirmaram, em comunicado conjunto, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), a Liga para a Proteção da Natureza (LPN), a WWF-Portugal, a Palombar, a FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade, o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) e a Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável, com base nos resultados do 4.º Censo Nacional de Sisão, publicados esta sexta-feira.
No estudo, a população foi estimada em 1736 machos. "Os resultados deste censo são alarmantes, mas infelizmente não são inesperados. Estamos a assistir ao desaparecimento do sisão perante os nossos olhos no curto prazo", referem a organizações ambientalistas no documento.
Para as sete organizações, é incompreensível que o Estado português "continue sem implementar" medidas de conservação eficazes, "falhando claramente as suas obrigações ao abrigo da Diretiva Aves da Comissão Europeia".
A espécie, que já foi abundante nas planícies alentejanas, é hoje cada vez mais rara e difícil de observar, sublinharam.
"Dependente de sistemas agrícolas extensivos e de habitats abertos, nidifica no solo, tornando-se especialmente vulnerável à intensificação agrícola", especificaram os subscritores do apelo para que sejam adotadas medidas urgentes de proteção do sisão.´
Hectares e hectares de painéis solares em zona de proteção de aves estepárias. Central solar fotovoltaica das Santas, concelho de Monforte é exemplo, com aval da APA e município.
Olivais em sebe apoiadas por fundos da PAC em zonas de tradição de cultura cerealífera. Apoios da PAC à criação de vacas em terras com aptidão para culturas arvenses. Nos poucos locais onde se semeia são feitos cortes para feno nas épocas de nidificação. Nem ninhos, nem sementes.
De acordo com as organizações do ambiente, a substituição de culturas de cereais em extensivo por culturas permanentes intensivas, como amendoal ou olival, o aumento da intensidade do pastoreio e a redução das áreas de pousio, contribuem igualmente para a degradação dos locais de nidificação, o que tem causado "o colapso da população de sisão".
"Outras aves estepárias prioritárias, a abetarda e o tartaranhão-caçador, apresentam também declínios muito acentuados devido a estas ameaças", acrescentaram.
As linhas elétricas representam fatores de mortalidade acrescidos para a espécie.
"São aves frágeis que dependem de um ecossistema agrícola e da própria comunidade que o mantém, também sujeitos a inúmeras pressões que permanecem órfãs da atenção", criticaram as organizações.
Os autores do trabalho assinalaram uma perda de quase 80% da área de cereal desde o final da década de 1980, passando de cerca de 900 mil hectares para aproximadamente 190 mil, em 2023.
As organizações defendem a criação de um plano de emergência interministerial, em que estejam representados agricultores, universidades e outros agentes locais e sugerem a proteção das áreas de reprodução, a promoção das áreas cerealíferas e pousios, com uma melhoria das medidas agroambientais e valorização da produção nacional, ordenamento de infraestruturas energéticas, limitação do regadio em áreas críticas e a criação de uma rede de reservas e de um programa de reprodução em cativeiro para posterior devolução à natureza.
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