quarta-feira, 10 de abril de 2019

Perdem “saúde”, “educação” e a “infância”. Milhões de crianças em risco no Bangladesh por causa das alterações climáticas

Foto e notícia aqui
O relatório divulgado pela UNICEF refere que, embora o país tenha melhorado a sua resistência às alterações climáticas, a sua “topografia plana, densidade populacional e fracas infraestruturas tornam-no vulnerável a cheias, ciclones e outras calamidades ambientais”. As crianças, que representam 40% da população, são das mais afetadas, perdendo o acesso à educação e à saúde.

Mais de 19 milhões de crianças encontram-se em risco devido a desastres relacionados com as alterações climáticas no Bangladesh, alertou esta sexta-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

O relatório divulgado pela agência refere que, embora o país tenha melhorado a sua resistência às alterações climáticas, a sua “topografia plana, densidade populacional e fracas infraestruturas tornam-no vulnerável a cheias, ciclones e outras calamidades ambientais”. E as crianças, incluindo as da minoria muçulmana rohingya que fugiram de Myanmar (antiga Birmânia) e vivem em campos na zona sul do país (representam 40% da população total do Bangladesh), serão das mais afetadas. Quase 12 milhões encontram-se numa situação de grande vulnerabilidade face às frequentes inundações num país que tem uma quinta parte do seu território ocupado por rios e afluentes. “O perigo é extremo e é-o durante todo o ano”, refere Simon Ingram, autor do relatório, citado pela “Al Jazeera”.

As maiores cheias das últimas décadas no país deram-se em 2017, afetando cerca de oito milhões de pessoas. Pelo menos 480 clínicas de saúde ficaram inundadas, assim como quase 50 mil poços, essenciais para as comunidades que deles extraem água para as suas necessidades diárias.

O relatório alerta ainda para os riscos que correm as cerca de 4,5 milhões de pessoas que vivem nas zonas costeiras, frequentemente afetadas por ciclones, e outras cerca de três milhões que vivem no interior e têm de lidar com períodos de seca cada vez mais frequentes e intensos. “No Bangladesh, e também noutras partes do mundo, as alterações climáticas podem vir a reverter anos e anos de ganhos no que diz respeito à sobrevivência das crianças”, afirmou, por sua vez, a diretora-executiva da UNICEF, Henrietta Fore, a quem preocupam sobretudo as comunidades mais pobres, que não têm condições para lidar com quaisquer adversidades relacionadas com o clima, e as comunidades que, não o sendo, para lá caminham.

São citados dados no documento que indicam que o número de migrantes climáticos do Bangladesh irá passar dos atuais seis milhões para o dobro em 2050 e é dado um aviso: as famílias mais pobres vão continuar a abandonar as suas casas e comunidades para tentar sobreviver noutros sítios, nomeadamente em Dhaka, capital do país, onde as crianças acabam muitas vezes por cair em redes de exploração laboral (ou patrões que simplesmente as exploram), abusos variados e casamentos forçados. “Quando as famílias saem das suas casas por causa das alterações climáticas, as crianças perdem, efetivamente, a sua infância”, referiu o representante da UNICEF no Bangladesh, Edouard Beigbeder.

Os 10 mais ricos do país só criam 1,3% dos empregos

Foto e notícia aqui

As 10 famílias mais ricas de Portugal, com um património conjunto superior a 14 mil milhões de euros, dão emprego a apenas 65 mil pessoas no país, 1,3% do total de 4,8 milhões de trabalhadores portugueses. A fortuna da maioria destes grupos empresariais está hoje assente em operações no estrangeiro. "Todos têm negócios fora do país, são grandes empresas a nível internacional e grande parte da riqueza é feita no exterior", sublinha o economista João Cerejeira. Exemplos são o grupo Amorim, a Jerónimo Martins ou a Farfetch.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Quer ajudar os ouriços que vivem na cidade? Saiba como



São pequenos e tímidos, têm hábitos nocturnos e por isso é fácil não dar por eles, mas os ouriços-cacheiros vivem tanto no campo como na cidade. Verónica Bogalho, do LxCRAS – Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa, diz-lhe como pode dar uma mão a estes discretos mamíferos.

Tem um pequeno logradouro ou jardim ou até mesmo uma horta? Então pode ser que os ouriços-cacheiros (Erinaceus europaeus) lhe façam visitas regularmente, mesmo dentro de grandes cidades como Lisboa, afiança a bióloga do LxCRAS. “Existem muitos ouriços em Lisboa”, disse à Wilder. Contas feitas, dos quase 250 ouriços que entraram no centro coordenado pela câmara municipal lisboeta durante os últimos cinco anos, a maioria veio do concelho, seguindo-se os concelhos de Oeiras, Almada e Sintra.

Não se trata de uma espécie em risco de extinção, pois é considerada Pouco Preocupante pela União Internacional para a Conservação da Natureza, mas é um dos poucos sinais de vida selvagem em meio urbano. Conheça cinco formas simples de ajudar:


1.Instalar um pequeno recipiente com água: Nos meses de Primavera e de Verão ou quando não chove durante longos períodos, estes animais precisam de água para matar a sede. Instale uma pequena vasilha ou prato com água num canto discreto do seu jardim ou da sua horta, mas tenha cuidado para a água não ser demasiada, para os ouriços não correrem o risco de se afogar.



Foto: Wiki Commons

2.Manter o espaço o mais natural possível: Estes mamíferos têm uma alimentação variada que inclui insectos, caracóis e lesmas, pelo que vão ter mais dificuldade para encontrar alimentos em espaços que são apenas vastos relvados ou onde foram utilizados produtos pesticidas, por exemplo. “É muito importante manter o espaço o mais natural possível”, nota Verónica Bogalho.



Pilriteiro. Foto: Jean-Pol Grandmont.

3.Plantar arbustos com bagas: Arbustos como os pilriteiros e abrunheiros servem como fonte de alimento para estes mamíferos, mas também como abrigo nos meses mais frios do ano ou quando está muito calor. Lembre-se de que os ouriços são criaturas discretas e por isso agradecem um sítio onde se possam sentir em segurança, de preferência um arbusto fechado onde possam ficar escondidos durante o dia, quando estão menos activos.

4.Construir um abrigo: Se em qualquer caso não tiver arbustos, pode erguer um pequeno amontoado de pedras ou mesmo um abrigo com madeiras não tratadas, que tenham espaço disponível para este pequeno mamífero se abrigar. “Tente sempre manter esses locais sossegados”, indica a bióloga do LxCRAS. Quem sabe? Até pode ser que tenha utilidade para o nascimento das crias – o que costuma acontecer na Primavera ou Outono, quando costumam nascer entre 2 a 6 ouriços por ninhada.



Foto: LxCRAS

5. Não deixar os cães à solta: Dos ouriços que recuperam no centro lisboeta de recuperação de fauna silvestre, há casos de animais vítimas de dentadas de cães, mas a verdade é que estes últimos também não ficam em boas condições. “Sabendo que num determinado local há ouriços, não podemos deixar os cães andarem livres sem trela, pois podem abocanhar um ouriço e ficam com picos no focinho”, explica a mesma responsável.

Saiba mais.

Há cada vez mais ouriços a darem entrada no Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa. Saiba porquê.

Recorde também o encontro de Mafalda Ferreira de Lima com um destes simpáticos animais, aqui.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Greve pelo Clima: seis lições de Greta Thunberg



1ª lição - Por cima de qualquer compromisso: Greta Thunberg, de 16 anos, foi diagnosticada com Síndroma de Asperger o que, para a mesma, “foi uma ajuda” para o combate às alterações climáticas. Uma pessoa com 16 anos e Asperger do tipo que tem Greta, exibe ausência de filtros sociais e políticos, que lhe permite ser totalmente exacta e dizer aquilo que é totalmente evidente segundo a Ciência: a economia mundial, subjugando a sociedade global, está a destruir a viabilidade da civilização humana no planeta Terra. Perante este diagnóstico - que é aquele que a Ciência nos dá, não só no último ano, como pelo menos nas últimas duas décadas - a única solução é reagir na medida adequada a um desafio tão radical. Os activistas climáticos durante as últimas décadas estiveram envolvidos em duros combates políticos e sabem da enorme dificuldade que é fazer passar simplesmente aquilo que a Ciência diz, esse diagnóstico radical que é permanente enterrado debaixo da narrativa global do capitalismo fóssil. No final do ano passado o IPCC disse o que era preciso fazer para evitar ultrapassar os 1,5ºC até 2100: cortar as emissões globais de gases com efeito de estufa até 2030. Não há nenhum compromisso possível com capitalismo, pinte-se este de verde ou qualquer outra cor e as soluções transitórias são apenas a garantia do colapso.

2ª Lição - "Keep it in the Ground" e Justiça Climática: a conclusão da primeira lição é a necessidade de mudar a forma como funciona a economia, nomeadamente o facto da mesma ter sido viciada em combustíveis fósseis (incentivando-se todas as economias locais e ligando-se todo a produção e comércio internacional para dependerem de petróleo, gás e carvão) como forma de concentrar dominação e poder. Sabemos pelo menos desde o Acordo de Paris em 2015 que não pode haver quaisquer novos combustíveis fósseis e, apesar disso, ainda temos de andar por todo o mundo - incluindo em Portugal - a lutar contra projectos para exploração de petróleo, gás e carvão, contra infraestruturas para manter esse vício durante mais décadas e contra o resgate da indústria petrolífera à conta da nossa destruição. Como refere Greta, precisamos de “Keep It In The Ground” (mantê-lo debaixo do solo) e de garantir que a transição para um novo sistema de produção tem de ter como prioridade máxima a equidade social e a justiça social. A alternativa a isto é só criar novas áreas de negócio, talvez cortar ligeiramente as emissões para a fotografia, ignorar o mar de sofrimento humano que se vai transformando em tsunami e não travar o colapso climático.

3ª Lição - Isto é uma crise: E não sairemos de nenhuma crise sem a tratarmos como uma crise. A emergência climática é a maior crise que a Humanidade já enfrentou. Pela primeira vez, enquanto espécie, vemos um horizonte claro não só de degradação social e ambiental extrema, mas de agravamento da degradação social e ambiental extrema em que já vivemos, ameaçando irreversivelmente as bases materiais que permitiram a existência de agricultura, de escrita, de civilização. São urgentes acções e consequentes para resolver esta crise, e isso implicará a reconfiguração da nossa relação uns com os outros e com o meio que nos sustenta ou, mantendo-se a actual tendência, o nosso colapso colectivo. A emergência é assumida até por negacionistas climáticos e oportunistas de toda a espécie: o estado de excepção está cada vez mais presente na maneira como se governam as nações e as ameaças autoritárias só se agravam com o aumento de frequência de fenómenos climáticos extremos, catástrofes naturais, migrações em massa e escassez crescente de bens totalmente básicos como a água e os alimentos. Se não tratarmos as alterações climáticas como uma emergência para salvar as pessoas, outros tratá-las-ão como uma excepção para destruir pessoas e comunidades.

4ª Lição - Os 99% estão a ser sacrificados: o capitalismo, o sistema mais plástico e adaptável que já conhecemos, atingiu os seus limites físicos, pelo que para manter o processo de concentração de riqueza depende da destruição do meio ambiente, cujo sintoma mais evidente (mas não único) são as alterações climáticas. Assim, as civilizações humanas estão a ser sacrificadas “pela possibilidade de um número muito pequeno de pessoas poder continuar a ganhar enormes quantidades de dinheiro. A biosfera está a ser sacrificada para que as pessoas ricas possam viver no luxo”. Neste momento de crise climática, a crise da desigualdade produziu a maior concentração de riqueza alguma vez vista. Apesar dos mega-ricos se acharem imunes ao colapso climático e alimentarem ficções científicas acerca de Marte e outras bolhas de protecção, estão totalmente expostos a um novo clima com pouca atenção a distinções sociais. A resposta tem de vir de baixo, dos que estão a ser conscientemente sacrificados.

5ª Lição - Mudar o sistema: “Se as soluções dentro deste sistema são tão impossíveis de encontrar, então talvez tenhamos que mudar o próprio sistema” disse Greta. Nas últimas três décadas, e porque vivemos dentro de uma narrativa capitalista fóssil e de uma hegemonia tecnopositivista, muita gente andou à procura de quadraturas do círculo, de soluções de mercado, de comércios de emissões de gases com efeito de estufa, de taxas de carbono, de emissões negativas, de capturas e armazenamento de carbono, de créditos de offset de carbono, de frotas de carros eléctricos, de Protocolos de Kyoto e, no fim, 2018 foi o ano com maior nível de emissões de gases com efeito de estufa de sempre. O sistema não está desenhado para produzir bens e serviços, muito menos bens e serviços colectivos, não está desenhado para distribuir, mas sim para concentrar. Qualquer boa ideia a que seja aplicada uma ideia de lucro, rentabilidade, mercado e escala, arrisca-se a tornar-se apenas mais um problema - e foi o que vimos com os biocombustíveis, com as barragens, com a biomassa. Em nome do combate às alterações climáticas o capitalismo produziu mais dezenas de novas áreas de negócios - na energia, nos transportes, na agricultura, na floresta, na engenharia financeira - e não produziu nada daquilo precisava produzir, as emissões de gases com efeito de estufa não só não desceram, mas subiram, rumo ao colapso climático. O sistema também produziu a crise climática baseando-se na ideia de crescimento infinito num espaço finito: até hoje a Economia ortodoxa ainda não entendeu a Física e por isso mesmo a hegemonia “só fala de continuar com as mesmas más ideias que nos colocaram neste desastre, mesmo quando a única coisa razoável a fazer é puxar o travão de emergência”. Não existem soluções para as alterações climáticas dentro do quadro do sistema económico actual, pelo que a solução para as alterações climáticas passa por mudar este sistema.

6ª Lição - Não pedir licença: “Não viemos pedir aos líderes que se preocupem. Ignoraram-nos no passado e ignorar-nos-ão de novo”. As elites políticas e económicas já demonstraram amplamente que a realidade lhes é tão-somente mais um artifício para manobrar no exercício do poder, e exaltam a ignorância como virtude sempre que lhes é conveniente, em acções e discursos. Greta colocou a acção muito além do campo formal, não apenas apelando à realização da greve climática como indo aos centros de poder e, mesmo nesse contextos tão intimidatórios, falando a verdade sem filtros. Depois da Cimeira do Clima na Polónia, foi convidada a ir a Davos ao Fórum Económico Mundial e à Comissão Europeia. Ao lado dos homens mais ricos e poderosos do mundo, Greta disse exactamente o mesmo. A sua 1ª lição e a sua condição inflexível são a sua arma poderosa, e uma das armas mais poderosas do movimento pela justiça climática. Naturalmente esta arma será testada em outras geografias: por todo o mundo, políticos e empresários tentarão neutralizar os mais recentes movimentos apresentando-lhes a moderação, a ponderação e o realismo, denunciando a consequência claríssima do que nos diz a Ciência como “radicalismo”. A acção destes políticos e empresários só é decidida e forte quando serve para tentar travar a tempestade política que é a luta pela justiça climática: são agentes do caos climático e civilizacional. As próprias instituições hoje existentes, desde a justiça às grandes estruturas de poder internacionais, como a Organização Mundial de Comércio, o Banco Mundial ou o FMI, passando por parlamentos nacionais e regionais, representam por enquanto muito pouco além da manutenção de uma ordem que está a acabar. “A mudança está a chegar, quer queiram quer não”, e as instituições que não servirem para resgatar a civilização não são só inúteis, são um obstáculo ao resgate da civilização humana. Não há ninguém a quem pedir autorização: nós somos aquelas e aqueles de quem estávamos à espera.

Damos, enquanto civilização, um novo passo em frente com a greve climática estudantil, mas não nos podemos acomodar, por mais retumbante que seja o seu sucesso. É mais um pequeno grande passo, e a tarefa que nos calhou viver enquanto gerações vivas, é modificar tudo na sociedade na economia. Que aprendamos com as lições de Greta que a pulsão para a conformidade é hoje o maior obstáculo ao nosso futuro colectivo e que a desobediência é a arma do futuro.

Fonte: Expresso

domingo, 7 de abril de 2019

Quando a internet era o pombo correio

Marie Spartali Stillman (1844-1927) - Love’s Messenger

Quando a internet era o pombo correio. A hiper-globalização acentuou ainda mais o desespero e mais ansiedade que no séc. XIX e na Idade Média.
"Adopte o ritmo da natureza. O segredo dela é a paciência." - Ralph Waldo Emerson

Biografias:

sábado, 6 de abril de 2019

Joaninha é conhecida como “Milagre de Deus” entre os povos europeus


Este apelido vem de uma lenda que remonta ao século X.
Um homem que afirma sua inocência é condenado à morte por um assassinato cometido em Paris.
De acordo com a disposição da administração pública, a cabeça do homem será decepada pelo carrasco.
Pouco antes da execução, uma joaninha aparece e pousa no pescoço do homem.
O carrasco tenta afastá-lo, mas o inseto volta diversas vezes ao mesmo lugar.
Então, Rei Robert II (972-1031) aceita isso como uma intervenção divina e perdoa o homem.
Poucos dias depois, quando o verdadeiro assassino foi encontrado, a história se espalhou rapidamente e desde então a joaninha é considerada um amuleto da sorte que “não deve ser esmagado”.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Portugal com elevados níveis de resistência a antibióticos nas águas residuais



Já há uns anos que se tem vindo a verificar que os níveis de resistência clínica a antibióticos são mais elevados nos países do Sul da Europa do que nos do Norte. Será que o mesmo acontece nas águas residuais? Esta foi a pergunta de uma equipa internacional de cientistas liderados por Célia Manaia, investigadora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, no Porto. Para obter uma resposta, o grupo analisou amostras em estações de tratamento de águas residuais (ETAR) de sete países europeus. Concluiu que os níveis de resistência a antibióticos nos esgotos também são superiores nos países do Sul, onde se inclui Portugal. Publicado esta quarta-feira na revista científica Science Advances, este é o primeiro estudo europeu de vigilância a antibióticos em ETAR.​

Célia Manaia especifica ao PÚBLICO que já há 12 anos que o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) tem vindo a monitorizar a ocorrência de resistência a antibióticos em ambiente clínico. “Tem-se verificado consistentemente que há um gradiente de resistência dos países do Norte da Europa para os do Sul.”
A equipa quis então perceber se o mesmo ocorria em águas residuais. Para isso, ao longo de dois anos, recolheu amostras antes e depois do tratamento de 12 ETAR de sete países: Portugal, Espanha, Chipre, Irlanda, Finlândia, Noruega e Alemanha. Em Portugal, obtiveram-se amostras de três ETAR, as quais Célia Manaia não revela a localização: “Um dos compromissos que fazemos neste tipo de estudos é não dizer qual o local da amostragem.”

As amostras eram todas retiradas nos mesmos dias (terça, quarta e quinta-feira) e era extraído ADN para análise dos genes de resistência a antibióticos – fragmento de informação genética que quando é adquirido por uma bactéria a torna insensível a um antibiótico. 

Para perceberem qual o nível de resistência a antibióticos (abundância relativa de genes de resistência), a equipa analisou o ADN total e quantificou 229 genes de resistência. O que se concluiu? “Verificámos que os níveis de resistência nos esgotos nos países do Sul da Europa são superiores aos dos do Norte”, responde Célia Manaia. Ou seja, há uma maior abundância relativa de genes de resistência nos países do Sul.

Contudo, ao contrário do que acontece a nível clínico, a cientista refere que não é possível fazer cálculos em percentagens. Porquê? Se a nível clínico se quantifica o número de bactérias com resistência a antibióticos face a todas as que estão a causar infecção, a nível das águas residuais analisam-se genes e uma bactéria pode ter múltiplos genes, não sendo assim possível fazer uma relação directa como se faz no contexto clínico.

Por exemplo, a nível clínico, concluiu-se num outro estudo que em doentes infectados com a bactéria Escherichia coli a resistência a antibióticos foi de 7,8% em Portugal, 11,4% em Chipre, 5,7% em Espanha e 5,1% na Irlanda. Já na Noruega essa percentagem foi de 1,9%, na Finlândia de 2,4% e na Alemanha de 3,2%.

Mas Célia Manaia avisa que há variáveis que devem ser consideradas: “Os países do Sul da Europa são países com uma temperatura mais alta e, em geral, as estações de tratamento de águas que analisámos no Sul eram mais pequenas do que as do Norte.”

Quanto aos resultados em Portugal, salientam-se duas situações. No efluente final, em situações esporádicas, obteve-se uma quantificação de genes de resistência mais elevada do que nos restantes países mesmo dentro do Sul da Europa. Estes resultados foram verificados em duas ETAR e podem estar relacionadas com factores como descargas ilegais e chuva. Contudo, Célia Manaia adianta que, apesar de se terem verificado níveis de resistência mais elevados nessas situações, no geral a quantificação de genes não “é significativamente diferente” da de outros países do Sul da Europa.

Já num comunicado da Universidade de Helsínquia (Finlândia), destaca-se que o tratamento nas ETAR analisadas diminuiu o nível de resistência aos antibióticos na maior parte dos casos. A excepção verificou-se numa ETAR em Portugal.

Mas Célia Manaia salienta que isto só aconteceu uma vez. “Provavelmente, o motivo pelo qual isso aconteceu teve a ver com um problema operacional com a ETAR”, reforça, dizendo que essa ETAR parou a sua actividade e foi restaurada. Esta situação também pode ter ocorrido devido a factores como a chuva ou a recirculação de lamas. “É importante sublinhar que este estudo não foi feito para avaliar a qualidade do tratamento [das ETAR]. Se quiséssemos fazer um estudo para avaliar a qualidade do tratamento tínhamos de ter outras variáveis que não analisámos.”
Novas soluções para o problema

E que consequências podem ter os resultados obtidos? “Se temos níveis de resistência mais elevados, isso deve fazer acender algumas campainhas e há ilações que devem ser tiradas”, responde a investigadora. Como tal, é importante fazer uma vigilância regular nas ETAR, assim como uma avaliação para se encontrar soluções para este problema.

Contudo, Célia Manaia refere que este tipo de estudos não nos permite avaliar os riscos para a saúde humana. “Para fazermos uma avaliação a esses riscos, este estudo teria de ser feito de outra forma”, avisa. E faz questão de sublinhar que as ETAR têm sido “indispensáveis” e estão a fazer um trabalho “excelente”. “Estão dimensionadas de uma forma que não estão preparadas para este novo desafio.”

Nos últimos tempos, já têm sido “desafiadas” novas soluções. Em Portugal tem-se estudado processos de desinfecção de águas, tem-se explorado tratamentos combinados como nanossensores com membranas, assim como evitar descargas directas para os rios. Mas nestas soluções há limitações como custos elevados e exequibilidade, segundo Célia Manaia.

Fonte: Público

Palestinian Children's Day - Dia da Criança Palestina


A declaração do Dia Internacional da Criança ocorreu quando o falecido Presidente Yasser Arafat declarou o seu compromisso com a Convenção sobre os Direitos da Criança, através da qual Yasser Arafat declarou o dia 5 de Abril como dia para a criança palestiniana. Note-se que a ratificação oficial do Estado da Palestina sobre a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança foi em 2 de Abril de 2014.


Instituído em 1995 e adotado pela UNICEF, a data denuncia a violência da ocupação israelense na vida das crianças palestinas.

Veja os testemunhos pelas crianças Palestinas, vítimas do Estado Sionista de Israel.

Saltarello


Fragmento do concerto do 35º aniversário da Fundação João Paulo II, Chiesa Nuova di Santa Maria in Vallicella, Roma, 22 de outubro de 2016.

Instrumentos utilizados no concerto: shawms (soprano, sopranino), rabecas, Rauschpfeife (alto, tenor), violas da gamba, o chalumeau, a flauta doce (sopranino), o alaúde, instrumentos de percussão.

Saltarello era uma dança folclórica medieval italiana de caráter energético, alegre e animado. O nome Saltarello vem do verbo italiano saltare - “pular”. As referências desta dança apareceram pela primeira vez em Nápoles no século XIV: o documento mais antigo que menciona saltarello é o manuscrito Add. 29987, da Itália, datado de cerca de 1390. A música sobreviveu, mas nenhuma instrução inicial para a dança adequada é conhecida. Inicialmente, Saltarello era uma dança folclórica italiana, mas no século XVI passou a fazer parte de muitas danças da corte.

Musicians: Scholares Minores pro Musica Antiqua
Choreography: Dariusz Brojek
Conducting: Danuta and Witold Danielewicz

Fragment of the concert of the 35th Anniversary of the John Paul II Foundation, Chiesa Nuova di Santa Maria in Vallicella, Rome, October 22, 2016.

Instruments used in the concert: shawms (soprano, sopranino), fiddles, Rauschpfeife (alto, tenor), violas da gamba, the chalumeau, the recorder (sopranino), the lute, percussion instruments.

Saltarello was an Italian medieval folk dance with a energy, cheerful and lively character. The name Saltarello comes from the Italian verb saltare - "to jump". References of this dance first appeared in Naples in the 14th century: the oldest document that mentions saltarello is the manuscript Add. 29987, from Italy, dated around 1390. The music survives, but no early instructions for proper dancing are known. Initially, Saltarello was an Italian folk dance, but in the 16th century it became part of many court dances.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Há cada vez menos rolas-bravas, abelharucos e pardais em Portugal

Foto e notícia aqui


A análise dos resultados do Censo de Aves Comuns de Portugal desde 2004 aponta para resultados preocupantes relativos a sete espécies de aves comuns nidificantes, com forte destaque para a rola brava.

Com efeito, a rola-brava (Streptopelia turtur) viu a sua população cair 75% desde 2004, indicam os números recolhidos por dezenas de voluntários no Censo de Aves Comuns organizado em Portugal pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e divulgados esta segunda-feira em comunicado.

Os avisos para a situação desta espécie cinegética em Portugal não são de agora. Todavia, os novos dados reforçam a necessidade de agir antes que seja tarde demais: “Uma espécie que diminuiu 75% em menos de 15 anos não tem hipótese de recuperar se estiver a ser caçada”, afirmou Domingos Leitão, director-executivo da SPEA. “Independentemente de outras medidas, temos de suspender a caça à rola-brava antes que seja tarde demais.”

Há outros factores que provavelmente contribuem para o “declínio alarmante” da espécie, além da caça, como as mudanças nos territórios onde passa o Verão em Portugal e problemas nas zonas de África onde esta ave migratória passa os Invernos. “Entre estas ameaças, uma pode facilmente ser eliminada: basta suspender a caça à rola-brava em Portugal continental”, sublinham.

Mas os sinais de preocupação estendem-se a outras aves típicas de ambientes agrícolas, que “poderão estar a entrar em declínio em Portugal Continental, embora ainda longe do cenário de alguns países europeus, onde as populações destas espécies têm caído a pique.” Em França, por exemplo, há um ano os cientistas avisaram para uma “catástrofe” iminente.

Quanto a Portugal, abelharucos, milheirinhas e picanços-reais, que já estavam em declínio de acordo com os resultados dos censos realizados de 2004 a 2011, mantiveram a mesma tendência negativa. Mas nos últimos anos, também as populações de pardais, pintassilgos e cartaxos começaram a diminuir.

Pardal-comum. Foto: Tim/Pixabay

Domingos Leitão chama a atenção para os efeitos que o declínio de espécies como o abelharuco, o picanço-real e o cartaxo vão ter na agricultura, uma vez que são aves insectívoras que “ajudam a controlar pragas que podem dizimar as culturas”. “É preciso acompanhar esta situação e implementar políticas agrícolas que potenciem a biodiversidade, para o bem de todos.”

Abelharuco. Foto: Wolfgang Vogt/Pixabay

Quanto ao Censo de Aves Comuns deste ano, a época de campo começa já no dia 1 de Abril, daqui a uma semana, e está aberta a voluntários. “Não é preciso ser um especialista: basta saber identificar as espécies da sua área e ter vontade de aprender e ajudar a proteger a nossa biodiversidade.”

Agora é a sua vez.

Quer saber mais sobre o Censo de Aves Comuns e como pode colaborar? Leia as informações sobre este censo aqui, no site da SPEA.

A história da Internacional dos Resistentes à Guerra


Por Devi Prasad (pacifista que trabalhou com Gandhi, foi coordenador da WRI, e atualmente vive na índia, escrevendo e fazendo cerâmica) :

A Internacional de Resistentes à Guerra foi formada em reação ao massacre da Primeira Guerra Mundial com a missão não apenas de se opor a todas as guerras, mas também de se esforçar para erradicar suas causas. Incorporando a adição de uma dimensão política à base moral e religiosa do pacifismo, atraiu alguns dos melhores pensadores e ativistas pacifistas do mundo, entre eles George Lansbury, Mahatma Gandhi, Bertrand Russell, Bayard Rustin, Martin Niemoeller e Danilo Dolci. As contribuições de tais figuras e o heroísmo dos milhares que se recusaram a cooperar com o aparato de guerra de seu governo são narrados neste livro.

A história começa com um relato de pacifismo e ação não-violenta no contexto das principais religiões do mundo, levando a desenvolvimentos em pensamentos pacifistas no século 19 e início do século 20. A narrativa central de como o WRI foi formada e desenvolvida ao longo de seu primeiro meio século é baseada em extensa pesquisa no arquivo histórico do WRI. Ele lança luz sobre suas muitas ações e debates inspirados e inspiradores que têm tanta relevância hoje como sempre.

Os mineiros iam de bicicleta

Steelworks Way by Peter Knox (b.1942)

Curioso que esta imagem me marcou também quando acampava em S. Pedro da Cova, por volta de 1998, à procura de amonites. Informaram-me que muitos mineiros iam de bicicleta. Vidas muito duras. Os seus filhos muito tristonhos. Fiz uma recolha dos cantares dos mineiros. Eram de ir às lágrimas.


quarta-feira, 3 de abril de 2019

Cidade do século XXI deverá ter menos carros e mais transportes públicos de qualidade




Arquitecto Manuel Graça Dias destaca casos de sucesso como o metro do Porto e sistema de autocarros inovador na Colômbia

Com a crise mundial a afectar o sector automóvel e geradora da necessidade de injecção de capital em vários grandes construtores, não parece, por isso, muito provável que a cidade do século XXI deixe de apostar no carro como meio de transporte predilecto. Porém, não é essa a opinião do arquitecto Manuel Graça Dias, para quem o século será de muitas coisas novas, mas não em louvor do automóvel.Na conferência que anteontem à noite decorreu no Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, em Lisboa, subordinada ao tema Da cidade que deixará de ser viária, o arquitecto e professor universitário disse que a crise do petróleo é um dos motivos que o levam a acreditar que a era do automóvel pode estar a chegar ao fim. A necessidade cada vez mais premente de proteger o ar que ainda se respira nas cidades vai levar à criação de carros menos poluentes. "Mas isso não resolve o problema do espaço, já que a cidade ficaria mais silenciosa, mas igualmente engarrafada", justificou.
Por isso, à semelhança do que já foi dito em outras intervenções deste ciclo de conferências (A cidade no século XXI), organizado pela Parque Expo, Manuel Graça Dias enfatizou a extrema importância dos transportes públicos de alta qualidade. 

Casos de sucesso
Como bons exemplos, o arquitecto destacou o caso do metro do Porto e o sistema inovador de autocarros, TransMilenio, que começou a ser utilizado em Bogotá, na Colômbia, no ano de 2000. Segundo o conferencista, ambos os transportes têm uma vantagem: circulam à superfície. Não se mostra adepto das "catacumbas" criadas pelo metro subterrâneo, pois acredita que essa solução é muito pouco democrática. 

No caso colombiano, diz que se criaram pequenas estações com plataformas cobertas, colocadas ao nível dos autocarros, evitando-se o tempo perdido nas entradas e saídas de passageiros que se verifica no sistema de autocarros usual. 

Ao longo da conferência, o arquitecto evocou diversas vezes as medidas empreendidas por um autarca de Bogotá, Enrique Peñalosa, no sentido de melhorar a qualidade de vida da população na cidade. Aumentaram-se os impostos sobre os combustíveis, proibiu-se a utilização do carro nas horas de ponta, e ofereceram-se espaços em vias principais para os autocarros TransMilenio. 

Quanto ao metro do Porto, classifica-o como uma "opção inteligente que aproveitou a maioria dos canais já existentes na cidade". "Os transportes à superfície têm a vantagem de não enterrar as pessoas, nem de as transformar em toupeiras autistas que desconhecem a cidade que está acima delas ao viajarem de metro", considerou. 

E se, por um lado, acredita que a era de ouro do automóvel está à beira do fim, por outro ela não dita, para já, a extinção deste meio de transporte. Durante a sua intervenção, Graça Dias sublinhou a necessidade de uma maior diversidade nos meios de transporte disponíveis na cidade: carros mais pequenos e ecológicos, seg-ways, bicicletas e outros modos de circulação que ainda possam vir a ser inventados. Ainda assim, o arquitecto relembrou que "o transporte público de qualidade será provavelmente o traço distintivo das cidades de todo o mundo no século XXI".

Jessie Arms Botke (1883–1971)- Demoiselles cranes


Jessie Hazel Arms Botke foi uma pintora de Illinois e Califórnia conhecida por suas imagens de pássaros e uso de destaques de folhas de ouro. Wikipedia (inglês)

terça-feira, 2 de abril de 2019

Calor: Físico da Universidade de Évora admite 2019 "ao nível dos anos mais quentes"

O físico meteorologista Rui Salgado, da Universidade de Évora, admitiu hoje que 2019 possa ser "um ano ao nível dos mais quentes desde que há registos", não só em Portugal, mas a nível do planeta.
Foto e notícia aqui

Se virmos a evolução da temperatura do planeta, os quatro últimos anos, entre 2015 e 2018, foram aqueles em que as temperaturas médias foram mais elevadas desde que há registos”, disse à agência Lusa o investigador do Instituto de Ciências da Terra (ICT) da Universidade de Évora (UÉ).

Segundo o físico meteorologista, a evolução demonstra que se está a assistir a um aquecimento global e que a tendência é de continuidade.

“O mês de janeiro deste ano, e não foi só em Portugal que isso aconteceu, foi o segundo mais quente em termos globais desde que há registos”, pelo que “tudo indica que este ano vai estar ao nível dos anos mais quentes desde que há registos”, alertou Rui Salgado.

Questionado hoje pela Lusa sobre a situação de seca que volta a afetar Portugal, o investigador da UÉ afirmou que “a tendência parece ser esta” quanto a 2019 poder vir a ser particularmente quente, no país e no mundo.

Rui Salgado disse ainda que, ao contrário das projeções para a temperatura, que “são bastante consensuais” entre os cientistas de que se está “a experienciar um período de alterações climáticas”, quanto à precipitação “os sinais são mais contraditórios”.

“As projeções relativas às alterações no campo da precipitação são muito variáveis ao longo do globo”, assinalou, vincando, contudo, que, para a zona do Mediterrâneo, “todas apontam para uma diminuição da precipitação, particularmente na primavera e também no verão, embora nesta época ela já quase não exista, por isso, baixar ou não é pouco relevante”.

Quanto a Portugal, segundo as mesmas projeções do clima, o Alentejo “é a região que será mais afetada no que diz respeito à diminuição da precipitação”, frisou o professor da UÉ.

“Há uma tendência global”, que é a que “os estudos mais recentes indicam”, que no Alentejo, “além do aumento da temperatura, haverá uma diminuição da precipitação e, portanto, o aumento da probabilidade de secas”, frisou.

Mas, alertou, “não se pode dizer, de uma forma simples, de causa e efeito, que o facto de este ano estarmos com seca e de há dois anos estarmos em período de seca” que a ocorrência de secas já está a aumentar no território: “Já tivemos muitas secas e muito fortes, por exemplo nos anos 40″ do século passado, lembrou.

Mais de metade do território do continente (57%) está em seca moderada, 5% em seca severa, no Barlavento algarvio, e 38% em seca fraca, anunciou, no dia 20 deste mês, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, frisando que a situação é preocupante, mas está ainda longe do que se passou em 2017.

Este ano está a ser “anormalmente seco e quente”, mas ainda se espera que possa chover mais no mês de abril, afirmou Capoulas Santos.