A possibilidade de a inteligência artificial (IA) ultrapassar a inteligência humana deixou de ser uma hipótese distante e passou a fazer parte das previsões feitas pelos principais nomes do setor. Nos últimos meses, os executivos que lideram o desenvolvimento da tecnologia passaram a defender publicamente que os sistemas de IA poderão atingir ou superar as capacidades intelectuais humanas ainda nesta década, num movimento que pode transformar a economia, o mercado de trabalho e a produção científica.
O mais recente a reforçar esta avaliação foi o CEO da OpenAI, Sam Altman. Numa entrevista concedida ao jornal alemão Die Welt no final de 2025, o executivo afirmou que ficaria “muito surpreendido” se, até 2030, não existissem modelos capazes de realizar tarefas que os seres humanos não conseguem executar de forma autónoma.
Segundo Altman, os avanços observados desde o lançamento do ChatGPT, em 2022, aceleraram bastante o desenvolvimento da tecnologia. Para ele, os sistemas de IA já apresentam capacidades consideradas surpreendentes e tendem a evoluir rapidamente nos próximos anos.
O executivo afirmou ainda que consegue imaginar um cenário em que entre 30% e 40% das atividades atualmente realizadas na economia sejam executadas por sistemas de IA num futuro próximo.
A previsão do líder da OpenAI, porém, é considerada conservadora quando comparada com a de outros líderes do setor. Um dos exemplos é Dario Amodei, CEO da Anthropic e antigo executivo da OpenAI, que já declarou acreditar que a IA poderá superar os seres humanos em praticamente todas as atividades intelectuais até 2027.
Bilionários divergem sobre prazos, mas concordam sobre o impacto
Entre os defensores de uma evolução ainda mais acelerada está Elon Musk, fundador da xAI e CEO da Tesla. Numa publicação na rede social X, o empresário afirmou que a IA provavelmente ultrapassará a soma da inteligência de todos os seres humanos dentro de quatro ou cinco anos.
A declaração foi feita em resposta ao empreendedor Peter H. Diamandis, que discutia os limites da capacidade humana de inovação. Para Musk, o avanço dos sistemas de IA está a ocorrer a um ritmo tão acelerado que a tecnologia poderá atingir um nível de inteligência superior ao conjunto da humanidade antes do início da próxima década.
As projeções de Musk fazem parte de uma visão mais ampla sobre o futuro da IA e da robótica. O empresário defende que máquinas inteligentes e robôs humanoides poderão assumir grande parte das atividades produtivas atualmente realizadas por pessoas, aumentando drasticamente a oferta de bens e serviços.
Em diferentes ocasiões, ele chegou a afirmar que esta transformação poderia criar uma era de “abundância” económica sem precedentes.
No centro desta estratégia está o Optimus, o robô humanoide desenvolvido pela Tesla. A empresa aposta que a tecnologia poderá ser utilizada em fábricas, centros logísticos, escritórios e residências. Musk já declarou que os robôs se podem tornar mais importantes para os negócios da companhia do que os próprios veículos elétricos.
Apesar do entusiasmo, tanto Altman quanto Musk reconhecem que ainda existem obstáculos para o avanço da IA. Um deles é a infraestrutura necessária para operar modelos cada vez mais sofisticados. Altman afirmou recentemente que a procura por processamento já supera a capacidade disponível da OpenAI. Para ampliar essa estrutura, a empresa participa na construção de grandes centros de dados nos EUA, incluindo o projeto Stargate, desenvolvido em parceria com a Oracle e o SoftBank.
Mesmo com desafios técnicos e dúvidas sobre os impactos sociais da tecnologia, os líderes do setor concordam num ponto: a corrida rumo à chamada superinteligência artificial já está em andamento e pode redefinir a relação entre humanos e máquinas ao longo da próxima década.
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