domingo, 24 de maio de 2026

Homem, corço, prado: a mesma pele

Corço, fotografado em Groningen, Holanda
Entro nas canas altas e húmidas do mundo,
E sinto-me contido numa pele maior.
A terra húmida respira sob os meus pés,
Um pulmão antigo que exala verde, selvagem e vasto.

Este é o trabalho que reconecta -
Permanecer imóvel até que a fronteira entre o solo e o ser
Se dissolva como o nevoeiro da manhã.

Ali, no meio da planície vibrante,
Ergue-se uma sentinela silenciosa, um corço esculpido de sol e sombra.
Ele é um nativo desta hora, perfeitamente em casa,
Sem nada pedir ao Estado, sem pagar impostos ao vento,
Vivendo deliberadamente na erva profunda,
Um pequeno e silencioso templo de solidão com quatro patas e uma coroa de osso.

Ele olha para mim e, no seu olhar, os séculos sossegam.
Eu vejo-te, irmão! Celebro-te e canto-me a mim mesmo!
Não és uma coisa separada, nenhum estranho num campo distante,
Mas o próprio sangue do cosmos a saltar a vala.

Os mesmos átomos que moldam o teu olho firme e escuro
Vagueiam pela erva, pelos telhados de colmo, pelas nuvens cinzentas e pesadas,
E pelo coração que bate dentro do meu próprio peito.

Cada folha de erva é uma obra-prima das estrelas,
E tu és a sua obra de arte esta noite.

Permanecemos suspensos - o corço, o prado e eu -
Enraizados na grande teia em movimento de todas as nossas relações,
Vivos, despertos e infinitamente livres.

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