domingo, 21 de junho de 2026

Alterações climáticas provocam redução significativa de aves migratórias

No Parque Tommy Thompson, em Toronto, uma estação de anilhagem de aves está a registar sinais preocupantes de declínio nas populações migratórias. Os investigadores começam a associar as mudanças ao impacto crescente das alterações climáticas.

Ao amanhecer, Shane Abernethy verifica as redes de captura de aves em busca de pássaros presos. É assim que começa a rotina diária do coordenador da estação de anilhagem do Parque Tommy hompson, em Toronto, que recolhe dados em tempo real sobre as aves migratórias num contexto de aquecimento global.
“Esta estação existe para monitorizar as aves migratórias que passam pela cidade de Toronto. Estamos no meio de uma importante rota migratória e um local como este é uma das melhores formas de as observar. A rotina diária é chegar aqui cedo, abrir as redes para capturar as aves antes de estarem completamente despertas e passar o resto do dia a capturá-las e a marcá-las. Verificamos estas redes a cada 30 minutos".
Num dia normal, a estação regista entre 100 a 150 aves, por vezes ultrapassam as 200.

Sinais de mudança
Os dados do Relatório Anual de 2025, recentemente divulgado pela estação, apontam para uma tendência preocupante: uma descida significativa no número de anilhagens na primavera e no verão, em comparação com médias históricas.

Durante uma recente onda de calor, com a humidade a fazer a temperatura percebida ultrapassar os 40ºC, os investigadores observaram uma redução acentuada no número de crias que conseguiram abandonar os ninhos.
“Isto leva-nos a extrapolar que pode haver uma taxa de falha de ninhos mais elevada localmente. O calor extremo afeta o sucesso da nidificação porque os progenitores têm um limite para a termorregulação, nomeadamente para arrefecer o ninho. Quando a temperatura ultrapassa um determinado limite, todo o ninho pode falhar".
As alterações climáticas estão também a alterar o calendário natural das espécies. Gregor Beck, diretor sénior para o Norte do Canadá da Birds Canada, explica que o aquecimento mais precoce da primavera está a fazer com que as populações de insetos atinjam o pico demasiado cedo, antes de muitas aves migratórias chegarem aos locais de reprodução.
“O clima em constante mudança também está a desorganizar os ciclos sazonais. Um dos desafios é que as alterações climáticas estão a fazer com que as coisas aqueçam mais rapidamente na primavera, pelo que o pico de abundância de insetos não coincide com a época de migração das aves”, disse Gregor.

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