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O chumbo é um elemento abundante em toda a crosta terrestre e sua utilização já ocorria em épocas bem antigas. Ao longo do tempo, seu manuseio tem aumentado progressivamente. Quando em grandes concentrações, o contato humano com esse metal pode levar a distúrbios de praticamente todas as partes do organismo - sistema nervoso central, sangue e rins – culminando com a morte. Em doses baixas, há alteração na produção de hemoglobina (molécula presente nas células vermelhas do sangue, responsável pela ligação dessas células ao oxigênio) e processos bioquímicos cerebrais. Isso leva a alterações psicológicas e comportamentais sendo a diminuição da inteligência um dos efeitos.
Há uma longa história sobre a intoxicação pelo chumbo nos alimentos e bebidas. No Império Romano era comum devido ao fato de serem os canos feitos de chumbo, assim como os vasos onde se guardavam os vinhos e alimentos.A intoxicação ocupacional foi primeiramente pronunciada em 370 BC. Foi comum entre os trabalhadores do século XIX e início do século XX (como pintores, encanadores e outros). Em 1883 foi feita, na Inglaterra, a primeira legislação com relação à proteção de trabalhadores expostos, devido à morte de diversos empregados de empresas de chumbo em 1882.Atualmente, a intoxicação aguda pelo chumbo em países desenvolvidos tem sido controlada devido à melhoria das condições de trabalho. Entretanto, tem-se questionado os males causados pela exposição a doses baixas de chumbo durante um longo período, especialmente em crianças. Em 1943, um estudo nos EUA, com crianças expostas, levou a resultados comprovadores de alterações neuropsicológicas na exposição crônica a doses leves e após exposição aguda a doses altas.Muitas pesquisas foram feitas nos últimos 30 anos avaliando as concentrações de chumbo no sangue e seus efeitos. Assim, têm-se descoberto distúrbios com concentrações cada vez menores.Atualmente, o público mais afetado está localizado nos países mais pobres, representando minorias populacionais desfavorecidas.
A exposição ambiental ao chumbo aumentou bastante após o processo de industrialização e o aumento da mineração. É uma exposição maior que de outros elementos da natureza. Globalmente, calcula-se que cerca de 300 milhões de toneladas de chumbo já foram expostas no meio ambiente durante os últimos cinco milênios, especialmente nos últimos 500 anos. Após o advento do automobilismo, no início do século XX, aumentou-se bastante a exposição de chumbo devido ao seu uso junto com o petróleo.O consumo de chumbo aumentou significativamente nos países em desenvolvimento entre 1979 e 1990. Atualmente, a contaminação de chumbo nas águas, solo e ar continua significativa. Calcula-se que a concentração de chumbo no sangue era até 500 vezes menor nos seres humanos da era pré-industrial.
Diferente da intoxicação aguda que geralmente tem sua fonte facilmente detectável, a exposição prolongada deve-se a várias fontes – petróleo, processos industriais, tintas, soldas em enlatados, canos de água, ar, poeira, sujeira das ruas e vias, solo, água e alimentos. O chumbo proveniente do petróleo é o maior contribuinte para a exposição corpórea e a maior forma de distribuição do metal no meio ambiente. Daí contamina-se o solo, ar e água. É um grande problema ambiental que somente recentemente tem sido valorizado pelos países em desenvolvimento.
É ainda algo comum, manifestando-se de diversas maneiras. Algumas profissões têm um risco muito maior: montagem de veículos, montagem e recuperação de baterias, soldagem, mineração, manufaturação de plásticos, vidros, cerâmicas e indústrias de tintas, oficinas de artesanato. Há várias situações em que o local de trabalho é a própria casa o que leva a exposição às crianças e vizinhança. Legislações rigorosas têm sido seguidas nos países ricos há algum tempo, o que não ocorre nos países do terceiro mundo, onde várias regiões podem estar sendo expostas devido a fábricas sem uso de proteção ambiental. Exposição Ambiental
Países Desenvolvidos
Nesses países, tem-se conseguido uma diminuição no uso de chumbo principalmente no petróleo, nos últimos anos. A concentração sangüínea de chumbo nos cidadãos diminuiu drasticamente nos últimos 20 anos. Nos EUA, essa diminuição foi de 78%. Programas de prevenção à exposição ao chumbo estão tendendo a focalizar em crianças moradoras de casas antigas, provenientes de minorias de baixa renda. Outros países onde também houve essa diminuição foram a Alemanha, Bélgica, Nova Zelândia, Suécia e Inglaterra.
Países em Desenvolvimento
Países Desenvolvidos
Nesses países, tem-se conseguido uma diminuição no uso de chumbo principalmente no petróleo, nos últimos anos. A concentração sangüínea de chumbo nos cidadãos diminuiu drasticamente nos últimos 20 anos. Nos EUA, essa diminuição foi de 78%. Programas de prevenção à exposição ao chumbo estão tendendo a focalizar em crianças moradoras de casas antigas, provenientes de minorias de baixa renda. Outros países onde também houve essa diminuição foram a Alemanha, Bélgica, Nova Zelândia, Suécia e Inglaterra.
Países em Desenvolvimento
O chumbo continua a ser um importante problema de saúde pública nesses países, com várias formas de exposição. Na América Latina, a exposição é pequena através de tintas, mas é grande através de cerâmicas. A exposição por diversas fontes parece ser até mais importante do que pelo petróleo, especialmente na população pobre – mineração, fábricas de baterias, artesanato, fundições. Países como Jamaica e Albânia tiveram suas populações expostas (residentes de áreas perto de fábricas) estudadas tendo sido demonstrado uma concentração sangüínea duas vezes maior do que as pessoas não expostas. A China também contribui com dados parecidos, sendo que houve grande número de crianças com taxas sangüíneas altas mesmo morando longe de fábricas, o que sugere ser devido à exposição ao petróleo (combustíveis) que tem grande quantidade de chumbo naquele país. No México, o risco de exposição ao chumbo esteve relacionado com o tipo de cerâmica utilizada para o preparo da alimentação, concentração de chumbo do ar devido à emissão por veículos e na sujeira e poeira com as quais as crianças têm contato. A África tem um petróleo com as maiores concentrações de chumbo do planeta. O nível de chumbo no solo também é grande. A exposição às crianças é um problema sério de saúde pública, que está relacionado com o nível cultural dos pais e a situação sócio-econômica. Na Tailândia, após a retirada do chumbo dos combustíveis, houve uma melhora importante nas concentrações atmosféricas locais.

Conclusão
Devido à dificuldade de se acabar com as exposições globais de chumbo a curto e médio prazo, muito deve ser feito para localizar populações de risco e assim, alterar ciclos de poluição que por ventura possam estar se perpetuando. Dentre as várias intervenções internacionais que podem diminuir a utilização do chumbo e assim sua exposição estão:
- Remoção do chumbo do petróleo e aditivos, tintas, vasilhas de estocagem de alimentos, cosméticos e medicamentos.
- Diminuição da dissolução de chumbo nos sistemas de tratamento e distribuição de água.
- Melhora do controle nos locais de trabalho, através de fiscalizações mais sérias.
- Melhora da identificação de populações de risco.
- Melhora de procedimentos preventivos através da educação populacional.
- Promoção de programas que visem a diminuição da desnutrição e de outros fatores que agravem a intoxicação ao chumbo.
- Desenvolvimento de monitorização internacional através de programas de controle de qualidade.Cerca de 100 países, a maioria desenvolvidos, ainda utilizam o chumbo no petróleo. Evidências de pesquisas demonstraram ser a retirada do chumbo presente no petróleo um dos meios mais eficientes para a sua diminuição atmosférica. Muitos países em desenvolvimento já começaram sua luta contra o chumbo: Bangladesh, China, Egito, Haiti, Honduras, Hungria, Índia, Kuwait, Nicarágua, Malásia e Tailândia. O sucesso desse movimento está dependente do compromisso sério dos governos, incentivando políticas favoráveis para que um amplo consenso seja atingido. Não se pode deixar de enfatizar, em última análise, a importância da união de diversos grupos de países nesse objetivo.
Fonte: Bulletin of The World Health Organization, 2000, 78 (9)Copyright © 2000 eHealth Latin America
Organizações
Dept. of Housing and Urban Development, Office of Healthy Homes and Lead Hazard Control
Environmental Protection Agency
National Center for Environmental Health(Centers for Disease Control and Prevention)
National Center for Healthy Housing
National Institute of Environmental Health Sciences
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