Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Desenvolvimento Humano vs Alterações Climáticas



Acabou de ser publicado o Relatório das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Humano 2007/2008 e está principalmente focado na problemática desenvolvimento humano vs alterações climáticas

Tem início na próxima segunda-feira, dia 3 de Dezembro (prolongando-se até 14 de Dezembro), em Bali na Indonésia, a 13ª Conferência das Partesda Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas. A Conferência de Bali conta com a participação de 13.000 participantes de todo o mundo entre representações oficiais, organizações nãogovernamentais e comunicação social.A Quercus manterá durante a conferência um BLOGUE com pormenores da negociação, curiosidades, fotos e vídeos recolhidos pelos
seus participantes.

Blogue da Semana
Terra Alerta


Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

Sementes de Luz


A razão de ser do título prende-se não só com o facto de se comemorar hoje o Dia da Floresta Autóctone (data que deveria substituir em protagonismo o Dia Mundial da Floresta, celebrado numa época do ano pouco adequada, no nosso País, às plantações de árvores) mas também este vídeo de Sandra Egidio como raíz e tronco sobre o quanto belo tem o mundo e quanta luz pode iluminar os nossos desígnios com mais gestos de solidariedade , de abraços e com ramos e folhas para enviar a boa mensagem e frutos e delas germinando sementes do amanhã, celebrando os esposais entre os humanos e a natureza, citando António Gedeão.

Sítios da Semana
Earth Spirit Earth Crash: Healing Ourselves and a Dying Planet


The Oil Drum


Amanhã, 24 de Novembro é o Dia Sem Compras. Sugiro que visitem Vigotroca: um novo espaço para fazer trocas de bens; é a aposta dum conjunto de associações a favor do consumo consciente, pela reutilização e a reciclagem, pela participação cidadã e a recuperação da rua como espaço de conhecimento, relação e disfrute.


Blogue de Natureza e Fadas, tudo em Chaminé de Fadas

Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Lixo electrónico - como reduzir

Red Lorry Yellow Lorry: Chance (1985)


Silicon Valley_Mexico


Campanha da UNEP


Agora que o nosso Governo tem uma forte aposta no Plano Tecnológico,tem vantagens e desvantagens. Convém estares atento primeiro à publicidade e reflectir e ponderar muito bem se a compra de PC, telemóveis, iPod é mesmo prioritário pra a tua vida. Maximiza todas as potencialidades dos programas e operações que estão nestas e-máquinas (consulta manuais de programação, frequenta acções de formação).Com estas atitudes estarás a maximizar e retirar o máximo benefício da máquina que compraste, estás a reduzir a exposição às ondas electromagnéticas e a diminuir o lixo electrónico. No nosso País já há uma razoável cobertura de empresas de recilagem de tinteiros e toners. Quanto a novos computadores, telemóveis, faz-se frequentemente o reaproveitamento, passando a solução pela sua regeneração e venda nos mesmos locais de aquisição de hardware e software ou em campanhas de trocas. O ideal é também a possibilidade de entrares em grupos de freecycling, isto é, são comunidades cujo objectivo é Reusar : Não Deitar Fora objectos. Portanto é um movimento de pessoas interessadas em manter os objectos
usáveis fora das lixeiras. Visita freecycle.org para conheceres as comunidades e mais informações acerca do movimento. Há sempre Hipóteses (Chance como diz a múscia desta postagem) para que isto que vais ver nesta apresentação de diapositivos não aconteça mais:

Tanta injustiça, pois não? Sempre que efectuares a compra, opta por comprares material informático e de comunicação a empresas electrónicas mais verdes. Para esse efeito a Greenpeace actualiza, de três em três, um ranking de empresas tecnológicas amigas do ambiente e alerta os consumidores com muito detalhe nomeadamente, que produtos tóxicos podem existir, quais os consumos energéticos, que efeitos no Ambiente e na Saúde
e menos pobreza e exploração.

Sábado, 17 de Novembro de 2007

TranXgenia, documentário da Catalunha sobre OGM



TranXgènia: a história do verme e do milho: 37 min

Um documentário elaborado pela Plataforma Transgènics Fora! da Catalunya, onde é apresentado como os transgénicos, sem fazer muito barulho, estão cada vez mais presentes nas nossas vidas, desde o campo do produtor até ao prato do consumidor. Baseado na experiência local da Catalunha e de Aragão, explora-se os diferentes pontos da acção dos transgénicos e expõe-se o conflito que eles provocam.

Projecção e debate na 5ª feira, 22 Novembro, BACALHOEIRO
Rua das Bacalhoeiros 125, Lisboa
Início às 22h00
Organização
Gaia

Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007

Blogger Buzz: Environmental Blog Roundup

Blogger Buzz: Environmental Blog Roundup

Meu contributo para o Dia de Acção da Blogosfera Blog Action Day

O significado da Vida




Já pensaram que Vida já há muito tempo que não é mais um conceito natural?
Neste documento por exemplo,
A global study on the state of forest tree genetic modification , vejam os números e os países já envolvidos em plantações de árvores GM.

Ou ainda Looking to a Future with Genetically Enhanced Humans , onde a eugenia de alta-tecnologia estará prestes a ser realidade...e resultam de trabalhos dos recém laureados este ano ao Prémio Nobel da Medicina.


Puro paradoxo, mas muita gente rejeitará a presença de falcões nas cidades, por
exemplo...outros rejeitam as árvores nas suas ruas...colocam o lixo perto do tronco, como se mastros fossem e são organismos vivos...
Que conceito de Vida queremos? E aceitamos? Que riscos trazem estas descobertas?

Seremos capazes de amar a lentidão, a vida simples, das crianças nas ruas, apelar a uma redução e maior resistência à publicidade e ao consumir por consumir (consumir paisagens, já agora....), amar os campos cultivados (e bosques, matos) de acordo com processos mais ecológicos e protegendo as sementes mais adaptadas aos climas e solos de cada região? Não seria importante que os nossos campos estivessem mais perto das cidades? Não seria importante requalificar os subúrbios - dormitório? Não seria importante apoiar os que preservam os pequenos quintais e quintas no interior da cidade do Porto e de outras cidades Portuguesas? Os que há muito desejam litorais com dunas e não ruas de buzinas e motores e cordões electrificados pelos passadiços.....

Há anos que cidadãos desesperam por um ordenamento ecológico das nossas cidades, que se apoie genuínamente a preservação da Rede Natura 2000,alertando para os princípios de precaução e prevenção, amando as árvores e a biodiversidade das nossas terras.

Manifesto Global Contra as Patentes Sobre Sementes e Animais

Leitura recomendada

The Meaning of Life , de Carl Zimmer, Revista Seed

Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Sociedade Automóvel - BioTerra de Luto por 5 dias úteis



Lisboa e Porto são as cidades do País que registam maior número de atropelamentos por ano. Aliás, a média conjunta alcançada até Outubro de 2007 já revela que diariamente são atropeladas quatro pessoas, precisamente 3,98. No caso de Lisboa, 2,2 e no do Porto 1,7. Uma média que faz com que Portugal continue entre os primeiros da União Europeia neste tipo de sinistralidade. Até Agosto, e segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), foram atropelados mais de quatro mil peões, 74 morreram. Mas dados oficiais revelam ainda que a capital já registou até agora quase 700 atropelamentos. Destes, 445 ocorreram fora da passadeira, 251 dentro desta. A maioria das vítimas tinha idades entre os 60 e os 94 anos, embora 2007 esteja a ser um ano um pouco atípico, já que regista sinistrados bem mais jovens, na faixa dos 30 e 40 anos (Fonte: DN 3 de Novembro).
Em Portugal até final de Agosto, os registos de sinistralidade davam conta de um aumento de quase 50% do número de vítimas mortais em auto-estradas, relativamente ao período homólogo de 2006 - de 42 para 62 mortes. A ANSR não dispõe de dados mais actualizados, mas a dimensão do acidente da A 23 é suficiente para fazer disparar ainda mais esta estatística (Fonte:
JN de 7 de Novembro ). Neste acidente há ainda algo a assinalar: há professores envolvidos no acidente.Há muitos professores que trabalham a mais de 50 km da Escola onde leccionam , fazem deslocações de carro e muitos sem transporte público para as escolas e nesta altura do ano obrigatóriamente têm que fazem Reuniões Intercalares após as 18.30. Muitas destas reuniões se prolongam até as 21.30 para retomar o trabalho no dia seguinte, tenha o horário que tiver. Quando racionalmente para bem de todos e de toda a sociedade era fazer uma pausa, como já se realizou há anos atrás e foi contestada.
Este documentário,de 30 min., realizado por Branca Nunes e Thiago Benicchio, em 2005, na cidade de S.Paulo, expõe muitas mais incongruências.O documentário é sobre São Paulo, mas serve para a maioria das cidades e vilas. No lugar da praça ou Jardim Público, um shopping center; no lugar da calçada, a avenida; no lugar de um Parque Urbano, o estacionamento e novas casas e mais ruas, em vez de vozes, o som dos motores e buzinas.Trabalhar para dirigir, dirigir para trabalhar: compre um carro.Na ditadura do automóvel o que vemos :vidros escuros e fechados que evitam o contacto humano; viver para o parecer ter e tédio, raiva, angústia e solidão sem parar.Vários entrevistados neste documentário dizem que usam carro por segurança (é uma falácia comum). No entanto confessam que foram mais vezes assaltados com o carro do que a pé ou que roubaram os seus automóveis...Dá para pensar, não dá?
Depois estamos a pagar com nossa saúde pela poluição de muitos.

Além disso , com Emprego Descartável o que obriga? a trabalhos temporários longe de casa e ao mesmo tempo com os sucessivos cortes nas redes e horários de transportes públicos, obriga a migrações com diferentes velocidades individuais e colectivas , tudo gerando incerteza: longe da família, stress e poluição, horizonte longe de ter um emprego fixo, stress, adiar uma família, stress, adiar ter filhos, stress, filhos sozinhos em casa, stress, menos horas de descanso, stress.Filhos orfãos, luto.
O prazo de 4 anos do carro está chegar ao fim, stress,insegurança financeira e poluição. A revisão do carro é precisa, stress,insegurança finaceira e poluição.
Levar e trazer os filhos/netos à escola/ATL/ginásio/pedopsiquiatra/centro de estudos, stress, longe dos filhos, stress.
Deslocação centro-subúrbios, stress e muita poluição.
Filhos e netos desaparecidos por rapto através de automóvel, muita insegurança e muito stress.
Comportamentos de risco (alcoól, drogas,contra-mão)...
...tudo isto somado só pode aumentar a probabilidade de mais atropelamentos, mais acidentes, mais mortes, mais dor, mais incapacitados em idade de trabalho, mais orfãos, mais luto, mais custos e menor qualidade de vida.

Mais e as contas de Estradas de Portugal? (ler a notícia
Estradas de Portugal, a maior marosca orçamental para 2008 onde nessa conferência de imprensa Francisco Louçã distribuiu uma nota sobre o relatório do Tribunal de Contas, onde salienta cinco questões no quadro devastador da gestão e estratégia da Estradas de Portugal, feito pelo TC: contas obscuras, ajustes directos sem controlo, privilégio ao BCP, abuso contra as pessoas e um novo imposto fora da lei.

O uso do automóvel é um dos principais contribuintes directos para a aceleração da perda de biodiversidade, dizimando-se animais e plantas que precisam do seu espaço, cumprir os seus ciclos de vida. Para a sua circulação e em nome da (in)segurança, constroiem-se mais estradas e fazem-se apelos a mais novidades automobilísticas, mais carros por família, mais traçados rasgando areas de solos fértil, entubando ribeiras e assim mais desertificação e mais pobreza...

Para recursos alternativos ao combustível do automóvel,actualmente o petróleo, existem várias propostas: biogás, bio-fuel,eléctrico, solar, hidrogénio e híbrido. Contudo o lobbie dos agro-combustíveis está a perpretar planos para soberania impedindo o crescimento de mercado das outras fontes (ler o artigo
Biofuels could kill more people than the Iraq war de George Monbiot).
Neste jogo de Titanic egoísta e individualista que milhares não querem ver....não podemos nem devemos meter a cabeça na areia ou olhar para o lado...posso ser eu ou tu o próximo...mesmo peão ou em transporte público. Estamos mesmo num grave desequilíbrio.
Monocultura da Sociedade do Automóvel? Apocalipse Motorizado?

Por tudo isto e porque há muitas opções para uma vida saudável e segura e direito e dever de conservar um planeta sustentável e no entanto não vendo esforço colectivo para mudar esta batalha campal nas estradas e crimes ambientais por causa da sociedade do automóvel, faço o luto por 5 dias úteis, esperando que os que por aqui passam se obriguem a reflectir em casa, nos empregos, nas autarquias, nas decisões antes de optar pelo automóvel e apelo ao
uso racional do automóvel e ser mais amigo do Ambiente.

Paz às vítimas que não estão connosco, a minha solidariedade com as famílias em luto e a minha solidariedade com as espécies que estão vulneráveis ou em vias de extinção por causas humanas.E nós próprios somos uma espécie vulnerável por causas humanas.

Compartilham o meu luto:


Ana Ramon, Paixão dos Sentidos
André Dias, MUT-AMP
Afonso Cautela, Ecologia em Diálogo
Casainho, Massa Crítica
Crisitina Oliveira, ASPEA
Maria Azenha, Viva o Sol
OCdF, Desabafos de uma Professora
Orlando Ribeiro, Ecoliteracia
Os Ambientalistas
Paula Soveral
Pedro Jorge Pereira, Gaia-Porto
Rita Varela, O Polegar Verde
Rogério Martins Simões, Poemas de amor e dor
Teresa Freitas, Terras de Argila
Tiago Pais, O Cântaro Zangado

Terça-feira, 6 de Novembro de 2007

Mãos


Vídeo Com desenhos de crianças
Música: Jack Johnson and Ben Harper

Now I can change the world
With my own two hands
Make it a better place
With my own two hands
Make it a kinder place

With my own two hands


Now I could make peace on earth
With my own two hands
And I could clean up the earth
With my own two hands
And I can reach out to you

With my own two hands

I'm gonna make it a brighter place
With my own two hands
I'm gonna make it a safer place
With my own two hands
I'm gonna help Jah human race

With my own two hands

Now I could hold you
With my own two hands
And I can comfort you
With my own two hands

But you got to, got to use
Use your own two hands
Use your own, use your own two hands
Oh, you got to use your own two hands

With our own, with our own two hands


1. Saiu o Relatório do Estado do Ambiente em Portugal 2006 (Publicação do Ministério do Ambiente)


2. A Greenpeace Brasil traduziu um estudo intitulado
Receitas Contra a Fome - histórias de sucesso para o futuro da agricultura, realizado por pesquisadores da Universidade de Essex e que abrange projectos em mais de 4 milhões de propriedades rurais em 52 países.


3. Novo Ataque ao Sapal de Corroios (Grupo Flamingo, 04-Nov-2007)
Após a anulação, em Julho de 2003, das licenças de construção de tanques para engorda de peixe dentro do Sapal de Corroios, o mesmo projecto volta a ameaçar o frágil ecossistema do Sapal.
Não podemos deixar cair as promessas feitas para a Salvaguarda do Sapal:
Promessas para a Salvaguarda do Sapal de Corroios (Video). Força!

4. Depois de mais de vinte anos de avanços e recuos, o final desta semana parece ter constituído um decisivo ponto de viragem no processo de garantir um futuro para todas as comunidades vivas da Ria de Alvor. A Associação A Rocha inclusive tem um sítio Ria de Alvor Org com toda a documentação e informações de tão importante refúgio biodiverso. Parabéns!!

5. Concelho de Lagos: primeira zona livre de cultivo de milho geneticamente modificado. Foi publicado dia 5 de Novembro em Diário da Republica o Despacho nº 25306 do Director Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, que reconhece o estabelecimento de uma Zona Livre do cultivo de milho geneticamente modificado (OGM) no Concelho de Lagos.Parabéns aos municipes de Lagos!!

Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

Michael Moore: Sicko


Tudo aqui, no sítio do Michael Moore
Ficha e críticas no Cinema 2000



Ensino - Carta aberta ao Senhor Presidente da República Portuguesa


Por Domingos Freire Cardoso
Professor de Ciências Físico-Químicas
Ílhavo, 22 de Outubro de 2007

Senhor Presidente da República Portuguesa

Excelência:

Disse V. Excia, no discurso do passado dia 5 de Outubro, que os professores precisavam de ser dignificados e eu ouso acrescentar: Talvez V. Excia não saiba bem quanto!

1. Sou professor há mais de trinta e seis anos e no ano passado tive o primeiro contacto com a maior mentira e o maior engano (não lhe chamo fraude porque talvez lhe falte a má-fé) do ensino em Portugal que dá pelo nome de Cursos de Educação e Formação (CEF). A mentira começa logo no facto de dois anos nestes cursos darem equivalência ao 9º ano, isto é, aldrabando a Matemática, dois é igual a três!
Um aluno pode faltar dez, vinte, trinta vezes a uma ou a várias disciplinas (mesmo estando na escola) mas, com aulas de remediação, de recuperação ou de compensação (chamem-lhe o que quiserem mas serão sempre sucedâneos de aulas e nunca aulas verdadeiras como as outras) fica sem faltas. Pode ter cinco, dez ou quinze faltas disciplinares, pode inclusive ter sido suspenso que no fim do ano fica sem faltas, fica puro e imaculado como se nascesse nesse momento.
Qual é a mensagem que o aluno retira deste procedimento? Que pode fazer tudo o que lhe apetecer que no final da ano desce sobre ele uma luz divina que o purifica ao contrário do que na vida acontece. Como se vê claramente não pode haver melhor incentivo à irresponsabilidade do que este.

2. Actualmente sinto vergonha de ser professor porque muitos alunos podem este ano encontrar-me na rua e dizerem: Lá vai o palerma que se fartou de me dizer para me portar bem, que me dizia que podia reprovar por faltas e, afinal, não me aconteceu nada disso. Grande estúpido!

3. É muito fácil falar de alunos problemáticos a partir dos gabinetes mas a distância que vai deles até às salas de aula é abissal. E é-o porque quando os responsáveis aparecem numa escola levam atrás de si (ou à sua frente, tanto faz) um magote de televisões e de jornais que se atropelam uns aos outros. Deviam era aparecer nas escolas sem avisar, sem jornalistas, trazer o seu carro particular e não terem lugar para estacionar como acontece na minha escola.
Quando aparecem fazem-no com crianças escolhidas e pagas por uma empresa de casting para ficarem bonitos (as crianças e os governantes) na televisão.
Os nossos alunos não são recrutados dessa maneira, não são louros, não têm caracóis no cabelo nem vestem roupa de marca.
Os nossos alunos entram na sala de aula aos berros e aos encontrões, trazem vestidas camisolas interiores cavadas, cheiram a suor e a outras coisas e têm os dentes em mísero estado.
Os nossos alunos estão em estado bruto, estão tal e qual a Natureza os fez, cresceram como silvas que nunca viram uma tesoura de poda. Apesar de terem 15/16 anos parece que nunca conviveram com gente civilizada.
Não fazem distinção entre o recreio e o interior da sala de aula onde entram de boné na cabeça, headphones nos ouvidos continuando as conversas que traziam do recreio.
Os nossos alunos entram na sala, sentam-se na cadeira, abrem as pernas, deixam-se escorregar pela cadeira abaixo e não trazem nem esferográfica nem uma folha de papel onde possam escrever seja o que for.
Quando lhes digo para se sentarem direitos, para se desencostarem da parede, para não se virarem para trás olham-me de soslaio como que a dizer Olha-me este! e passados alguns segundos estão com as mesmas atitudes.

4. Eu não quero alunos perfeitos. Eu quero apenas alunos normais!!!
Alunos que ao serem repreendidos não contradigam o que eu disse e que ao serem novamente chamados à razão não voltem a responder querendo ter a última palavra desafiando a minha autoridade, não me respeitando nem como pessoa mais velha nem como professor. Se nunca tive de aturar faltas de educação aos meus filhos por que é que hei-de aturar faltas de educação aos filhos dos outros? O Estado paga-me para ensinar os alunos, para os educar e ajudar a crescer; não me paga para os aturar! Quem vai conseguir dar aulas a alunos destes até aos 65 anos de idade?
Actualmente só vai para professor quem não está no seu juízo perfeito mas se o estiver, em cinco anos (ou cinco meses bastarão?…) os alunos se encarregarão de lhe arruinar completamente a sanidade mental.
Eu quero alunos que não falem todos ao mesmo tempo sobre coisas que não têm nada a ver com as aulas e quando peço a um que se cale ele não me responda: Por que é que me mandou calar a mim? Não vê os outros também a falar?Eu quero alunos que não façam comentários despropositados de modo a que os outros se riam e respondam ao que eles disseram ateando o rastilho da balbúrdia em que ninguém se entende.
Eu quero alunos que não me obriguem a repetir em todas as aulas “Entram, sentam-se e calam-se!”
Eu quero alunos que não usem artes de ventríloquo para assobiar, cantar, grunhir, mugir, roncar e emitir outros sons. É claro que se eu não quisesse dar mais aula bastaria perguntar quem tinha sido e não sairia mais dali pois ninguém assumiria a responsabilidade.
Eu quero alunos que não desconheçam a existência de expressões como obrigado, por favor e desculpe e que as usem sempre que o seu emprego se justifique.
Eu quero alunos que ao serem chamados a participar na aula não me olhem com enfado dizendo interiormente Mas o que é que este quer agora? e demorem uma eternidade a disponibilizar-se para a tarefa como se me estivessem a fazer um grande favor. Que fique bem claro que os alunos não me fazem favor nenhum em estarem na aula e a portarem-se bem.
Eu quero alunos que não estejam constantemente a receber e a enviar mensagens por telemóvel e a recusarem-se a entregar-mo quando lho peço para terminar esse contacto com o exterior pois esse aluno não está na sala, está com a cabeça em outros mundos.
Eu sou um trabalhador como outro qualquer e como tal exijo condições de trabalho! Ora, como é que eu posso construir uma frase coerente, como é que eu posso escolher as palavras certas para ser claro e convincente se vejo um aluno a balouçar-se na cadeira, outro virado para trás a rir-se, outro a mexer no telemóvel e outro com a cabeça pousada na mesa a querer dormir?
Quando as aulas são apoiadas por fichas de trabalho gostaria que os alunos, ao sair da sala, não as amarrotassem e deitassem no cesto do lixo mesmo à minha frente ou não as deixassem esquecidas em cima da mesa.
Nos últimos cinco minutos de uma aula disse aos alunos que se aproximassem da secretária pois iria fazer uma experiência ilustrando o que tinha sido explicado e eles puseram os bonés na cabeça, as mochilas às costas e encaminharam-se todos em grande conversa para a porta da sala à espera que tocasse. Disse-lhes: Meus meninos, a aula ainda não acabou! Cheguem-se aqui para verem a experiência! mas nenhum deles se moveu um milímetro!!!
Como é possível, com alunos destes, criar a empatia necessária para uma aula bem sucedida?
É por estas e por outras que eu NÃO ADMITO A NINGUÉM, RIGOROSAMENTE A NINGUÉM, que ouse pensar, insinuar ou dizer que se os meus alunos não aprendem a culpa é minha!!!

5. No ano passado tive uma turma do 10º ano dum curso profissional em que um aluno, para resolver um problema no quadro, tinha de multiplicar 0,5 por 2 e este virou-se para os colegas a perguntar quem tinha uma máquina de calcular!!! No mesmo dia e na mesma turma outro aluno também pediu uma máquina de calcular para dividir 25,6 por 1.
Estes alunos podem não saber efectuar estas operações sem máquina e talvez tenham esse direito. O que não se pode é dizer que são alunos de uma turma do 10º ano!!!
Com este tipo de qualificação dada aos alunos não me admira que, daqui a dois ou três anos, estejamos à frente de todos os países europeus e do resto do mundo. Talvez estejamos só que os alunos continuarão a ser brutos, burros, ignorantes e desqualificados mas com um diploma!!!

6. São estes os alunos que, ao regressarem à escola, tanto orgulho dão ao Governo. Só que ninguém diz que os Cursos de Educação e Formação são enormes ecopontos (não sejamos hipócritas nem tenhamos medo das palavras) onde desaguam os alunos das mais diversas proveniências e com histórias de vida escolar e familiar de arrepiar desde várias repetências e inúmeras faltas disciplinares até famílias irresponsáveis.
Para os que têm traumas, doenças, carências, limitações e dificuldades várias há médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros técnicos, em quantidade suficiente, para os ajudar e complementar o trabalho dos professores?
Há alunos que têm o sublime descaramento de dizer que não andam na escola para estudar mas para tirar o 9º ano.
Outros há que, simplesmente, não sabem o que andam a fazer na escola…
E, por último, existem os que se passeiam na escola só para boicotar as aulas e para infernizar a vida aos professores. Quem é que consegue ensinar seja o que for a alunos destes? E por que é que eu tenho de os aturar numa sala de aula durante períodos de noventa e de quarenta e cinco minutos por semana durante um ano lectivo? A troco de quê? Da gratidão da sociedade e do reconhecimento e do apreço do Ministério não é, de certeza absoluta!


7. Eu desafio seja quem for do Ministério da Educação (ou de outra área da sociedade) a enfrentar ( o verbo é mesmo esse, enfrentar, já que de uma luta se trata…), durante uma semana apenas, uma turma destas sozinho, sem jornalistas nem guarda-costas, e cumprir um horário de professor tentando ensinar um assunto qualquer de uma unidade didáctica do programa escolar.
Eu quero saber se ao fim dessa semana esse ilustre voluntário ainda estará com vontade de continuar. E não me digam que isto é demagogia porque demagogia é falar das coisas sem as conhecer e a realidade escolar está numa sala de aula com alunos de carne, osso e odores e não num gabinete onde esses alunos são números num mapa de estatística e eu sei perfeitamente que o que o Governo quer são números para esse mapa, quer os alunos saibam estar sentados numa cadeira ou não (saber ler e explicar o que leram seria pedir demasiado pois esse conhecimento justificaria equivalência, não ao 9º ano, mas a um bacharelato…).
É preciso que o Ministério diga aos alunos que a aprendizagem exige esforço, que aprender custa, que aprender dói! É preciso dizer aos alunos que não basta andar na escola de telemóvel na mão para memorizar conhecimentos, aprender técnicas e adoptar posturas e comportamentos socialmente correctos.


Se V.Excia achar que eu sou pessimista e que estou a perder a sensibilidade por estar em contacto diário com este tipo de jovens pergunte a opinião de outros professores, indague junto das escolas, mande alguém saber. Mas tenha cuidado porque estes cursos são uma mentira

Permita-me discordar de V. Excia mas dizer que os professores têm de ser dignificados é pouco, muito pouco mesmo.

Atenciosamente,

Sábado, 3 de Novembro de 2007

Pico da Água (Peak Water), Água e Conflitos Armados, GEE e Barragens, Expedição Arctic Sunrise, Seca e Centrais Nucleares




WIRED SCIENCE Peak Water PBS
Colocado por pbs_usa



4% do Aquecimento Global é devido às Barragens (artigo original; versão portuguesa)

Boletim Bimensal do Portal da Água da UNESCO,No. 194, 1 Novembro 2007 (selecção de temas mais importantes)

1. A 6 Novembro, participa na celebração da Jornada Internacional pela Prevenção da Exploração do Ambiente em Tempos de Guerra e de Conflito Armado

2. Conheça a família da Água da UNESCO

3. À conversa com Richard Meganck, Director do Instituto UNESCO-IHE para a educação relativa à água

4. Sabias que? Factos e números sobre a água e os conflitos armados

5. E- Livro da UNESCO-ÁGUA Water a Shared Responsiblity (15,9 Mb)
Barco da Greepeace e respectiva expedição científica Arctic Sunrise

Seca extrema pode causar danos em centrais nucleares (artigo: Drought fueling power concernsDuke facing a problem as water level drops on Lake Norman )

Sítios do dia

Transboundary Waters Edu

Amazónia Org

Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Carta Aberta Contra o Uso de Árvores GM para biofuel


CARTA ABERTA À SBSTTA (*) SOBRE AS ÁRVORES GM ( versão original )
Tradução para português por Avelino Braga

Os abaixo assinados participantes da SBSTTA ou de reuniões preparatórias da SBSTTA desejam manifestar as suas preocupações acerca da questão das árvores GM dentro do processo da Convenção da Diversidade Biológica.
Como é sabido, a última Conferência das Partes aprovou a Decisão VIII/19 que reconhecia
as incertezas relacionadas com os impactos ambientais e sócio económicos potenciais, incluindo os de longo prazo e transfronteiriços das árvores GM sobre a diversidade biológica dos bosques a nível global assim como nos meios de subsistência das comunidades locais e indígenas e dada a ausência de dados seguros e da capacidade de alguns países de levar a cabo a avaliação de riscos e dos impactos potenciais.
Entre outras coisas é recomendado às Partes uma atitude de precaução ao tratar a questão das árvores geneticamente modificadas .
A recomendação anterior parece ter sido ignorada por um certo número de países onde quer centros oficiais de pesquisa quer empresas privadas continuam a realizar trabalhos na modificação genética das árvores e estão mesmo a planear fazer testes de campo como o caso actual da empresa ArborGen que procura obter autorização para ensaios de campo aberto de eucaliptos em floração nos EUA.
Hoje estão a fazer-se trabalhos na modificação genética das árvores –ignorando a Decisão da COP- pelo menos nos seguintes países: Alemanha, Áustria, Brasil, Cabadá, Chile, China, Espanha, EUA, Finlândia, França, Japão, Nova Zelândia, Portugal, Reino Unido e Suécia.
Dado que a Decisão da COP8 encarregou a SBSTTA de fazer a avaliação dos possíveis impactos ambientais, culturais e sócio económicos das árvores geneticamente modificadas na conservação e utilização sustentável da diversidade biológica florestal e de apresentar o relatório à nona Conferência das Partes e dada a pressa em produzir biocombustíveis estar a ser usada para promover o rápido desenvolvimento comercial de árvores geneticamente modificadas, apelamos à SBSTTA que :

-insista no cumprimento por todos os países do princípio da precaução como foi acordado no COP8
-recomende a proibição das árvores GM baseada nos seus impactos potenciais sobre a diversidade biológica florestal.

55 Organizações Mundiais subscritoras
Global Justice Ecology Project = World Rainforest Movement = Global Forest Coalition = Sobrevivencia, FOE , Paraguay = STOP GE Trees Campaign, North America = NOAH, Friends of the Earth, Netherlands = Africa Europe F & J Network = Friends of the Earth, Europe = Friends of the Earth, Malaysia = CENSAT, Aguaviva FOE, Colombia = Indigenous Information Network, Kenya = Nordre Folkcenter for Renewable Energy, Denmark = Friends of the Siberian Forests, Russia = CELCOR, FOE Papua New Guinea = Pro REGENWALD, Germany = Robin Wood, Germany = Friends of the Earth, England, Wales and Northern Ireland = Consumers Association of Penang, Malaysia = Comision Intereclesiastica de Justicia y Paz, Colombia = Consejo Comunitario de la Cuenca del Currarado = Ole Siosiomaga Society Incorporated (OLSSI), Samoa = Fundación para la Promocion del Conocimiento Indigena, Panama = ICTI, Tanibar, Indonesia = PIPEC, Pacific Indigenous Peoples Environment Coalition, New Zealand = FERN = International Alliance of the Indigneous and Tribal Peoples of the Tropical Forests = Corporate Europe Observatory = Greenpeace International = Ecologica Movement BIOM, Kyrgyzatan = CORE, Centre for Organization Research & Education, Northeast Region India = EQUATIONS =Ecological Society of the Philippines = Timberwatch Coalition, South Africa = Forest Peoples Programme, UKMST = Brazil’s Landless Workers’ Movement
Viola, Russia = Ecoropa, Germany = ETC Group = Asociación Indígena Ambiental = Umwelt-und Projehtwerhstatt, Germany = Global Environment Centre, Malaysia =Washington Biotechnology Action Council, U.S. = BUKO Campaign against Biopiracy, Germany = The Gaia Foundation, UKHATOFF Foundation, Ghana = Tebteba Foundation, Philippines = Nature Tropicale, Benin (West Africa) = Jeunes Volontairs pour l’Environnement, Togo = Biofuelwatch, UK = Bangladesh Indigenous Peoples Forum = NABU, Nature and Conservation Union, Germany = BUND, Friends of the Earth Germany = Indigenous Network on Economics and Trade, Canada

(*) (SBSTTA) SUBSIDIARY BODY ON SCIENTIFIC, TECHNICAL AND TECHNOLOGICAL ADVICE

Impressionante o número e projectos Florestação OGM no Mundo

Blogue do dia

Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

George Steiner - holocausto ou holocaustos?



George Steiner esteve recentemente em Portugal e de acordo com notícia no Ciência Hoje o ensaísta vem proferir um discurso que a Europa é uma civilização decadente e que aparecerão outros locais do planeta como a China e a Índia?. Esta afirmação levantou-me uma série de inquitações:
Ora a Índia e a China já têm o seu espaço, as suas incongruências e cometendo os piores atentados ecológicos de sempre enquanto hoje há uma Europa que tem feito da sustentabilidade um exemplo a este planeta...exigir mais é possível, concerteza.
Mas George Steiner (G.S.), proferiu uma outra barbaridade ainda mais grave uma civilização que mata os seus judeus não recupera ...Não visitou o memorial em Berlim, concerteza...ou tão aplaudido sábio terá esquecido de Aristides Sousa Mendes ou de Oskar Schindler?

Por mim G.S. que fique pela América e ataque outros holocaustos que não criticou: Guantanamo, o muro internacional no México, que ataque a administração Bush que ainda não assinou o Protocolo de Quioto, que ataque um país que mantem a pena de morte, que ataque um país onde é constitucional o uso de armas...e lembrar-lhe que há muitos holocaustos no mundo...

G.S., enquanto aufere uns bons milhões de dólares e estará num gabinete provavelmente nada ecológico, com ar condicionado, podia sair um pouco da sua aura de eterna vítima de anti-semitismo e demonstar mais solidariedade com estas irracionalidades no Mundo de hoje como Angola e que são também holocautos tão ou mais graves que Kosovo e/ou Israel-Palestina: Darfur, Birmânia, Congo, Ruanda, Singapura , Indonésia, Tibete, povos da Amazónia, Curdos e Nações sem Estado.


Leituras recomendadas

Worst Places on Earth Are Home to Millions , por Stephen Leahy

China-Envionment, por Jean-François Huchet

Documentário Darfur Our Choice, Too: On the Edge in Darfur, livro e sítios

Ecologia do Stress, por Afonso Cautela

Darfur is Dying um videojogo lançado ainda este mês que descortina a quem joga viver a experiência de cerca de 2.5 milhões de refugiados em Darfur (região do Sudão)

Sítio Eurominority Org

Hidden Apartheid - Relatório de 113 páginas da HRW denunciando a contínua discriminação de castas

Contraditions on Interent Diffusion in Singapore, por Andrew Chadwick

Remembering Rwanda: Africa in Conflict, Yesterday and Today

Una ONG israelí denuncia que las familias de Gaza son más pobres que las de Ruanda (El País, 17/10/07)

Soja na Amazónia - em nome do progre$$o

Não há Paz com a carteira vazia (CIA- The Worlfact Book 2007), e-livro gratuito

No Dia Mundial do Veganismo - filme A Carne é Fraca


Filme completo

Alguma vez você já pensou sobre a trajetória de um bife antes de chegar ao seu prato? Nós pesquisamos isso para você e contamos, neste documentário, aquilo que não é divulgado. Saiba dos impactos que esse acto - aparentemente banal - de consumir carne representa para a sua saúde, para os animais e para o planeta. Com depoimentos dos jornalistas Washington Novaes e Dagomir Marquezi, entre outros. Realização do Instituto Nina Rosa.



Gostou? Compartilhe: