Domingo, 25 de Julho de 2004

Enfrentar a globalização

Estou a ler o livro mais recente do filósofo Peter Singer UM SÓ MUNDO-A ÉTICA DA GLOBALIZAÇÃO.Este livro, publicado pela Editora gradiva, que é inteiramente dedicado aos desafios éticos colocados pela globalização, baseia-se num conjunto de conferências proferidas na Universidade de Yale em Novembro de 2000, tendo sido revisto após o 11 de Setembro.Claro que é de leitura obrigatória! No que respeita à regulação do comércio mundial, caracterizado por uma globalização predatória, Singer preparou um capítulo inteiro, o capítulo 3, "Uma Só Economia", que consiste quase exclusivamente numa avaliação da política de comércio livre protagonizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC).Sobre a OMC pesam quatro principais acusações: de enfraquecer a soberania nacional, de não ser democrática, de deixar as pessoas mais pobres numa situação ainda pior e de colocar as preocupações económicas acima das preocupações com o ambiente, o bem-estar dos animais e os direitos humanos. Singer discute cada uma destas acusações de uma forma escrupulosamente cuidada, mostrando-nos como esta organização, embora precise de reformas urgentes, pode desempenhar um papel positivo na globalização.

Por outro lado considero que ao educarmos os jovens e nossos filhos devemos ter em atenção ao consumo responsável...principalmente fugirmos da alienação de uma pubilicidade predatória.


A Desordem da Organização Mundial do Comércio

Não é possível uma melhor economia? Penso que podemos optar.

Sábado, 24 de Julho de 2004

Mais dois blogues ambientalistas e vindos do Brasil!

Bandada AmbientalBlog voltado a assuntos Ambientais e Sociais, creio que muito recente....e o Moveg, dedicado ao vegetarianismo, meio ambiente e protecção animal.Sejam bem-vindos ao Bioterra e bom trabalho!

Sexta-feira, 23 de Julho de 2004

A SOCIEDADE, A CIDADE E O MEIO AMBIENTE

Mais um excelente texto do meu amigo Olímpio Araújo Júnior.Espero que soscite o debate, nomeadamente as relações concentração populacional/sustentabilidade; pressão imobiliária/parques verdes; trânsito/saúde ambiental....

Estamos vivendo em uma Era de rápidas transformações. Apenas no último século a população mundial ultrapassou os seis bilhões de pessoas, a mídia e as novas tecnologias colaboraram com o encurtamento das distâncias, mas também com o aumento do consumo em massa, fazendo com que a sociedade produza cada vez mais resíduos e utilize de forma descontrolada os recursos naturais, degradando o ambiente natural e comprometendo a qualidade de vida de todos os seres.

Não é exagero afirmar que estamos a beira de uma catástrofe ambiental. A água está cada vez mais poluída, o petróleo e os minerais cada vez mais raros, as poucas florestas que ainda existem estão sendo atacadas por laboratórios, mineradoras, agricultores e pecuaristas, todos em busca da mesma coisa, o lucro.

Para conseguirmos lutar contra este processo apocalíptico é necessário passarmos a entender o planeta como um todo, de forma não fragmentada, isto é, com uma visão holística.

O homem é um ser social, suas relações tem como palco a natureza, mas ao mesmo tempo, é um animal, um ser vivo, e sua vida é regida pelos mesmos princípios que a dos demais seres de nosso mundo. Nossa cultura nos faz acreditar que o homem é superior as demais formas de vida, e que a natureza é apenas uma provedora de recursos, que a princípio, pareciam ser inesgotáveis. Esta cultura nos fez chegarmos ao ponto onde estamos, e agora precisamos desconstruir esta visão errônea para modificarmos nosso destino.

Na natureza tudo faz parte de uma grande rede. Tudo e todos estão interligados de alguma forma. As árvores precisam da água, e dos nutrientes gerados pela decomposição dos corpos de outros seres. Por sua vez, dão frutos e folhas que alimentam homens e animais. Os animais que se alimentam dos frutos das árvores, através de suas fezes, também ajudam a semear novas plantas. Estes animais também servem de alimento para outros animais e para os seres humanos. Quando morrem, seus corpos voltam a terra, transformam-se em matéria orgânica, água e gazes. O CO2 dos corpos deteriorados são absorvidos pela vegetação que libera oxigênio e ajuda a equilibrar a temperatura na Terra. A água dos corpos de animais e vegetais evapora a partir da transpiração e ao retornar ao seu ciclo, transforma-se em chuva, que abastece os rios, lagos e o lençol freático. Esta água também é essencial para que novas vidas continuem surgindo.

Quando algum elemento desta complexa rede é comprometido, toda rede pode ser afetada, e é por isso que o equilíbrio ambiental é tão importante. Conhecemos centenas de exemplos de sistemas onde um pequeno fator de desequilíbrio acabou criando conseqüências desastrosas. Pequenas alterações no ambiente natural, ao longo do tempo podem significar mudanças extremas, como no “efeito borboleta” da Teoria do Caos.

Os ambientes construídos pelo homem, também conhecidos como ambientes antrópicos, também interagem diretamente com os ambientes naturais, pois são neles que são produzidos as diversas formas de poluição e nele são utilizados os recursos naturais explorados pelo homem. O homem, apesar de ser o único ser racional é o único animal que altera o ambiente em que vive de forma irracional, mas também é o único ser com capacidade de utilizar sua capacidade de construção e de criação para recuperar o que já destruiu. É por este motivo que a sociedade é a principal responsável por tudo o que acontece em nosso planeta e apenas a mudança imediata de comportamento será capaz de nos livrar de conseqüências imprevisíveis, e é através do entendimento do planeta com algo único e interdependente que podemos iniciar este processo de mudança de comportamento.

Quarta-feira, 21 de Julho de 2004

AÇORES COM O BIOTERRA | BIOTERRA COM OS AÇORES

No domingo estive a fazer um percurso pela net à procura de imagens dos Açores para falar um pouco das Ilhas, do papel directo ou indirecto que os açorianos, que considero-os muito sensíveis ao Ambiente e que têm desempenhado ao longo dos anos esforços para preservar o seu património histórico e natural, em razoável harmonia com a pressão turística e sócio-económica.
Como sabem contacto estreitamente com os editores dos ( excelentes ) blogues Ondas e Professorices, também açorianos e meus amigos, unidos que estamos em defender o Ambiente e a Educação.
Nessas imagens que pesquisei, seleccionei esta belíssima foto do blogue Ilhas ( que irei adicionar na minha secção Terra Fértil) e qual não foi o meu espanto quando vi o BioTerra em grande destaque no Portal dos Açores.Do Portal, a nota mais positiva está na filosofia que presidiu à sua criação, pois é um portal muito aberto e tolerante, demonstrando grande diversidade de temas, sempre muito actualizados e as entidades associadas ou as quais é feita a referência. Destaco também o fórum, possibilidades de chat e os bonitos postais electrónicos, de diversos temas e que se podem enviar a amigos.
A todos os açorianos , em especial e aos meus leitores, estarei sempre convosco cumprindo o espírito da Ecologia Integrada e Desenvolvimento Sustentável .Um abraço.



Terça-feira, 20 de Julho de 2004

INFORMAÇÃO

Amigos do BioTerra
O blog teve uns problemas técnicos durante uma nova configuração e por conseguinte estou a repor os contactos e a recuperar aos poucos o seu habitual formato.Obrigado pela fidelidade que as vossas visitas e comentários que têm mantido este projecto vivo e dinâmico!

Segunda-feira, 19 de Julho de 2004

I HAVE A DREAM, TOO.

QUAL É A VIA PARA O AMOR UNIVERSAL E O BENEFÍCIO COMUM?

É CONSIDERAR OS PAÍSES DOS OUTROS COMO O NOSSO PRÓPRIO PAÍS.


Mozi,Filósofo Chinês, séc.V D.C.

Oikos

Sexta-feira, 16 de Julho de 2004

SOS BRASIL - ÁREAS PROTEGIDAS E OS DIREITOS TERRITORIAIS INDÍGENAS EM PERIGO

O meu amigo e também biólogo Marco Pozzana, editor do Meio Ambiente Urgente é incansável, tendo colocado no seu blog vários apelos e campanhas por um Brasil mais verde e solidÁrio.Tenho estado sempre muito atento às suas campanhas.
Neste momento o Brasil, a Amazónia e os direitos indígenas estão definitivamente ameaçados se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 38/99, do senador Mozarildo Cavalcanti (PPS/RR)for para a frente. Várias ONG brasileiras estão então a organizar a CAMPANHA ÁREAS PROTEGIDAS EM PERIGO e verifiquei que pode ser alargada a nível internacional. Vamos apoiar esta causa. Assine a petição aqui.


Rio Amazonas,Brasil (ARC-NASA-1992)

Quinta-feira, 15 de Julho de 2004

COLOQUEM A BANDEIRA A MEIA HASTE!

Como professor, com mais de 13 anos de serviço, não posso deixar em claro o meu dasabafo acerca do estrago de Educação no nosso país, provocado especialmente pelo último Ministro da Educação. Em solidariedade apelo a todos os portugueses que coloquem a meia haste a Bandeira que tanto foi apanágio do Euro 2004. O País com estas injustiças fica definita e irremediavelmente POBRE. Já diz o Professor Nuno Grande:
Só há uma forma de subdesenvolvimento, que é o subdesenvolvimento educativo.


VERGONHA NACIONAL

CONCURSOS

A lista definitiva dos concursos docentes só deverá ser publicada na primeira quinzena de Agosto.

Arrasta-se assim um dos momentos mais negros vividos no ME nos últimos anos: na sequência de erros inacreditáveis na elaboração das listas provisórias, a denunciarem uma gravíssima ignorância sobre a matéria, estão postos em causa o direito a uma normal planificação das férias dos professores, a normal planificação e início do ano lectivo e a serenidade que deve presidir a todos os processos pedagógicos. O “arco temporal” admitido para a publicação das colocações (“até ao final da primeira quinzena de Agosto”) é contraproducente e um claro desrespeito pelos professores. A FENPROF exige, como mínimo e como mal menor a fixação de uma data exacta que permita aos docentes “decidir” com um mínimo de segurança as suas férias e às escolas preparar o arranque do próximo ano lectivo.FONTE:SPN

LEI DE BASES DA EDUCAÇÃO POLITICAMENTE VETADA(MAS É PROVÁVEL QUE A MESMA POSSA MANTER-SE INTACTA)saibam porquê


A Federação Nacional dos Professores, FENPROF, tomou hoje conhecimento da decisão de Sua Excelência, o Sr. Presidente da República, de vetar politicamente a Lei de Bases da Educação anteriormente aprovada na Assembleia da República pela maioria de direita e com os votos contrários de todos os partidos da oposição.

Trata-se de um decisão que vem confirmar a razão de todos aqueles que denunciaram quer os malefícios para o sistema educativo português que esta Lei acarreta, quer a ausência de consenso social e político alargados que a coloca à mercê de qualquer outra maioria conjuntural que venha a formar-se no nosso Parlamento, quer ainda as margens de inconstitucionalidade que ultrapassa em alguns domínios fundamentais.

A FENPROF lamenta que este veto político por parte da Presidência da República não tenha sido antecedido do pedido de verificação prévia da constitucionalidade de tão polémica Lei, e receia que, ultrapassada que foi a possibilidade de recomposição política da Assembleia da República pela não convocação de eleições legislativas, a mesma maioria volte a devolver a Lei intacta, pelo menos nos seus conteúdos mais gravosos. Assim sendo, a FENPROF apela ao sentido de responsabilidade de todos os deputados e grupos parlamentares no sentido de entenderem o significado da decisão política do senhor Presidente da República retomando a discussão da proposta de lei em causa com o objectivo de ser atingida uma lei consensual. Seria ilegítimo do ponto de vista democrático que a maioria parlamentar se limitasse a insistir no texto que mereceu o veto presidencial.FONTE:SPN

NOVO D de DEMOCRACIA: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Ainda é a aurora....mas já existe no nosso País uma ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PARA PORTUGAL (ENDS)

FONTE:Portal do Governo

Desenvolvimento sustentável: «Desenvolvimento que satisfaça as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem as suas próprias necessidades»
"Development that meets the needs of the present without compromising the ability of future generations to meet their own needs"
«O nosso Futuro Comum», Comissão Mundial para o Ambiente e o Desenvolvimento, 1987
"Our Common Future", World Commission on Environment and Development, 1987


O XV Governo Constitucional atribuiu a maior importância à preparação de uma Estratégia de Desenvolvimento Sustentável para Portugal (ENDS). Assim, na sequência de um processo que teve início em Abril de 2002, e do convite formulado em Janeiro deste ano por S. Exa. o Primeiro﷓Ministro a um conjunto de personalidades de reconhecido mérito nas áreas da Coesão Social, Desenvolvimento Económico e Protecção do Ambiente - Drª Isabel Mota, Professores Mário Pinto, Jorge Vasconcellos e Sá, e Viriato Soromenho Marques e Dr. Félix Ribeiro - para que preparassem a "visão estratégica" que iria enquadrar a ENDS e a sua implementação, foi hoje, 2 de Julho de 2004, entregue um documento que corresponde a essa solicitação.

A proposta de ENDS agora apresentada tomou em consideração a versão apresentada em 2002 (ENDS 2002), as recomendações que resultaram da discussão pública então realizada e os painéis sectoriais e mesas redondas que se lhe seguiram. Foi também desenvolvida com a colaboração dos Ministérios envolvidos e, na maior parte dos casos, com o envolvimento directo dos membros do Governo.

Este documento corresponde também aos objectivos de
- reformular e completar o documento anterior, reequilibrando as três dimensões do Desenvolvimento Sustentável - económico, social e ambiental;
- permitir cumprir os compromissos assumidos por Portugal em termos de Desenvolvimento Sustentável no âmbito das Nações Unidas e da União Europeia;
- servir de quadro de referência a futuros exercícios de planeamento, designadamente à negociação do futuro pacote financeiro de fundos estruturais;
- conferir coerência aos vários Planos e programas sectoriais, articulando os vários instrumentos já elaborados ou em fase de elaboração;
- e, sobretudo, transmitir uma visão para o País, para a próxima década, traçar um "fio condutor" e metas para o desenvolvimento sustentável de Portugal, e constituir, simultaneamente, um documento "aberto", adaptável a mudanças e conjunturas.

Esta Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável tem como Grande Desígnio "fazer de Portugal, no horizonte de 2015, um dos países mais competitivos da União Europeia, num quadro de qualidade ambiental e de responsabilidade social".
Para isso será necessário prosseguir um conjunto de seis grandes Objectivos:
1. Qualificação dos Portugueses em Direcção à Sociedade do Conhecimento
2. Economia Sustentável, Competitiva e Orientada para Actividades do Futuro
3. Gestão Eficiente e Preventiva do Ambiente e do Património Natural
4. Organização Equilibrada do Território que Valorize Portugal no Espaço Europeu e que Proporcione Qualidade de Vida
5. Dinâmica de Coesão social e de Responsabilidade Individual
6. Papel Activo de Portugal na Cooperação Global
Cada um destes Objectivos desdobra-se num grupo de Vectores Estratégicos e estes, por sua vez, em Linhas de Orientação, Indicadores e Metas que, no seu conjunto, são a base do Plano de Implementação da Estratégia (PIENDS) que, através de acções e medidas (Fichas Estratégicas), concretizará o grande desígnio aqui apresentado.
O documento apresentado inclui ainda um Diagnóstico para a Sustentabilidade em Portugal, uma análise do que poderá ser o futuro de Portugal e propostas para a Aplicação e Gestão da Estratégia, nomeadamente a criação de uma Unidade de Missão para o Desenvolvimento Sustentável, tutelada pelo Primeiro-Ministro.

O trabalho realizado e reunido em dois volumes "Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável" e "Plano de Implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável: Fichas Estratégicas" deverá agora ser apresentado ao Conselho de Ministros, dando lugar a uma nova fase de trabalho que corresponderá a completar algumas áreas ainda em falta, afinar conteúdos e harmonizar metas.

Tendo presente que a ENDS só terá possibilidades de ter êxito se for entendida como um desafio mobilizador da sociedade portuguesa, dos diferentes parceiros sociais e, individualmente, de cada cidadão em particular, disponibiliza-se desde já, no "Portal do Governo", o documento de "Estratégia", sem prejuízo de vir a ser promovida a sua divulgação através de "mesas redondas" ou "seminários" e de serem solicitados contributos a parceiros sociais e personalidades de mérito.

A responsável máxima é a Eng.ª Teresa Gamito, que é assessora do ( ex-) Primeiro-Ministro


Assessoria para Ambiente, Ordenamento e Transportes

Engª. Teresa Maria Gamito - Adjunta
Secretária (a mesma da Assessoria Económica)
Rua da Imprensa à Estrela, 4 - 1200-888 Lisboa
Telef.: (+351) 213 923 500
Correio electrónico: gpm@pm.gov.pt
Presença na Internet: Este Portal

Um leitor desabafou-me o seguinte :quase 2 anos após a Cimeira de Joanesburgo, nesta altura já devíamos estar a discutir não em que ponto está a ENDS mas sim qual o ponto da situação actual e para quando o 2º relatório nacional de desenvolvimento sustentável (baseado num conjunto alargado de indicadores).

Quarta-feira, 14 de Julho de 2004

Mais resultados do Programa Científico Observa - Ambiente, Sociedade e Opinião Pública

Cidadãos querem do Estado mais actuação no ambiente

Inquérito Estudo sociológico indica que a poluição de rios e ribeiras figura no
topo das preocupações dos portugueses. No dia-a-dia, o problema mais apontado é a poluição do ar

Eduarda Ferreira, JN

Os portugueses são muito críticos para com a actuação do Estado no domínio do ambiente: 82% consideram-no incapaz de desempenhar bem essa tarefa, segundo os resultados do II Inquérito Nacional "Os Portugueses e o Ambiente". Entre as medidas mais preconizadas pelos cidadãos ouvidos contam-se a fiscalização, proibições e aplicação de multas a prevaricadores.

O programa científico Observa - Ambiente, Sociedade e Opinião Pública,
desenvolvido no âmbito do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e
Empresas, divulgou, ontem, os resultados de um segundo inquérito destinado a
avaliar as atitudes dos portugueses em relação ao ambiente. Com um intervalo de
três anos em relação ao primeiro, e sendo elaborado sobre dados colhidos em 2000, este estudo não assinala evoluções muito profundas. Uma das poucas marcantes, segundo um dos autores do estudo, Joaquim Gil Nave, consiste na adesão aos mecanismos de reciclagem que entretanto foram facilitados (vidrões,ecopontos).

Por outro lado, admite o mesmo investigador, os receios continuam a ser remetidos para o abstracto e para o global, tendo as pessoas dificuldade em ver os problemas existentes ao pé da porta. Apagar a luz em divisões não utilizadas e não lavar loiça ou dentes com a torneira a correr ainda são as atitudes mais frequentemente assumidas em prol do ambiente(cerca de 50%).

Para 65% dos inquiridos, a paisagem que mais os choca é a de um rio poluído com peixes mortos, seguida de uma floresta a arder e uma maré negra. Uma lixeira a céu aberto impressiona-os menos (36,4%) e ainda menos resíduos tóxicos derramados no solo (29%). No dia-a- dia, as pessoas sentem mais o problema da poluição do ar e maus cheiros (29%) e não deixam de assinalar o caos urbano e o desordenamento. Pessimistas, consideram que tudo piorará nos próximos dez ou 15 anos: trânsito, qualidade do ar e água, ruído, entre muitos outros problemas. Face a este quadro, 45% dos inquiridos afirmaram desejar
viver noutro local.


Na periferia das grandes cidades situam-se os mais descontentes. Da totalidade,a maior parte sonha com jardins públicos e árvores para a envolvência das casas, valorizando uma "natureza domesticada". Este era um desejo já referenciado no primeiro estudo. Uma percentagem significativa mudaria para o campo ou pequenas e médias cidades, mas não o faz por falta de oportunidades de emprego, serviços de saúde, escolas e acessibilidades.

Poucas mudanças houve nas iniciativas pessoais

Os portugueses são críticos, isso são, para com as condições ambientais em que vivem. Mas, assinalam as conclusões do inquérito, revelam "uma certa bonomia face à realidade nacional, quando comparada com a dos restantes países europeus". Relativamente ao inquérito anterior, a degradação ambiental do país é vista com cores mais negras. A preocupação é mais forte, talvez por haver mais informação. Segundo o coordenador deste trabalho afirmou ao JN, mantém-se o desfasamento entre atitude e preocupação. Uma coisa é o que os portugueses pensam, outra as iniciativas que tomam para mudar o que dizem estar mal.

O sociólogo João Ferreira de Almeida destaca uma diferença entre os resultados do inquérito anterior e agora divulgado: a agricultura, agora, já surge com a sua quota de responsabilidade na poluição;antes, a visão deste sector era mais bucólica.

Terça-feira, 13 de Julho de 2004

O INSUSTENTÁVEL ATRASO DO NOSSO PAÍS

Os factos falam por si!! Autarcas que desconhecem a Agenda 21 local e o baixo grau de escolaridade da nossa população, como é possível fazer passar a mensagem de forma eficaz que é necessário uma mobilização colectiva em prol de um futuro sustentável?

AUTARQUIAS, AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA


A maioria dos autarcas não faz a mínima ideia do que seja a Agenda 21 Local.
Esta é a conclusão a que chegou um grupo de investigação do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, que tentou traçar o perfil dos primeiros presidentes de Câmara do século XXI, no âmbito do programa Observa. Apenas 9,8 por cento deram uma resposta que se aproxima do que é esta ferramenta participada de desenvolvimento sustentável a longo prazo.

O resultado decorre de um inquérito lançado a um universo de 201 autarcas dos quais apenas responderam 82. No universo de respostas, verificou-se que o Plano Director Municipal (PDM) é o único dos instrumentos de ordenamento considerado pelos presidentes da Câmara.

Documentos como a Rede Natura 2000 são, de acordo com um terço dos que responderam ao inquérito, tendencialmente negativos. 62 por cento dos inquiridos tem opinião desfavorável sobre a Reserva Ecológica Nacional baixando para os 57 por cento o número dos que têm igual posição em relação à Reserva Agrícola Nacional.

Ainda de acordo com o grupo de investigadores, só 30 por cento dos autarcas entendem sem reservas a participação pública nos processos de tomada de decisão. No entanto, mais de 31 defendem que a complexidade das matérias impede ou dificulta a participação. 40 por cento dos presidentes da Câmara considera que as decisões estão reservadas aos eleitos.

No que toca ao financiamento de custos do desenvolvimento sustentável, cerca de metade dos inquiridos defendem que este toca ao Orçamento de Estado (48,8 por cento), ao orçamento autárquico (50 por cento) e Ministério do Ambiente (53,7 por cento).

FONTE: Ambiente Online,12 de Julho


POPULAÇÃO, EDUCAÇÃO E QUALIDADE DE VIDA

O economista Eugénio Rosa ,do Instituto Bento de Jesus Caraça, produz regularmente estudos criteriosos sobre grandes problemas nacionais. A propósito da utilização dos fundos comunitários para a formação profissional por parte do governo cessante e trabalhando dados do EUROSTAT, Eugénio Rosa mostra que Portugal é, após o alargamento da UE a 25 países, o último em qualificações. Assim, e citando o estudo, 79,4 por cento da população activa portuguesa fica-se pela escolaridade básica ou menos, 11,3 por cento pelo ensino secundário e apenas 9,4 por cento pelo superior. A percentagem média de activos com formação superior nos 15 anteriores países da UE é de 21,8 por cento e nos 10 recentes de 14,5.

Esta constatação merece séria ponderação por parte de um discurso político que tem questionado a procura social do ensino superior em Portugal. Os 10 novos países aderentes superam os 15 mais desenvolvidos em formação, ao nível do ensino secundário. Com efeito, 66,2 por cento dos trabalhadores do leste têm estudos de nível secundário, enquanto nós nos ficamos por uns significativos 11,3 e a média dos 15 se cifra nos 42 por cento. Estes números são obviamente preocupantes quanto ao que nos espera na Europa a 25.

Mas o que nos põe verdadeiramente fora de jogo são os indicadores sobre o futuro. A frieza dos números patenteia o atraso. Mas estamos a recuperar? Não! Estamos a cavar o fosso. É o que Eugénio Rosa mostra com o seu estudo. Com efeito, as taxas de abandono escolar dos nossos jovens entre os 18 e os 24 anos ( 45,5 por cento) são mais do que duas vezes superiores à média dos 15 (18,8 por cento) e cinco vezes superiores à média dos novos 10 (8,7 por cento).

FONTE:Público,10 de Julho

Segunda-feira, 12 de Julho de 2004

Contigo Neruda me has dado la fraternidad y me enseñaste la bondad

Ajuda-me poema do amor a restabelecer a integridade, a cantar sobre a dor.
É verdade que o mundo não se limpa de guerras, não se lava do sangue, não se corrige do ódio. É verdade.
Mas é igualmente verdade que nos abeiramos de uma evidência: os violentos reflectem-se no espelho do mundo e o seu rosto não é belo, nem para eles mesmos.
Continuo a crer na possibilidade do amor. Tenho a certeza do entendimento entre os seres humanos, conseguido sobre as dores, sobre o sangue e sobre os vidros partidos.(1)
_________________
(1) Pablo Neruda in Confesso que Vivi

Com Neruda aprendi também que a Natureza pode constituir uma unidade vitoriosa com o Homem. Porque há só uma Terra.

Relatório Pintasilgo | População e Qualidade de Vida | Cuidar o Futuro

Comemorou-se ontem, dia 11 de Julho, o Dia Mundial da População, assim como o 10º aniversário da Conferência Internacional sobre a População e Desenvolvimento realizada em Cairo, promovida pelas Nações Unidas em Setembro de 1994.

Sendo este um tema sempre actual, irei promover o debate no BioTerra sobre as implicações sócio-ambientais e novos problemas políticos e éticos provocadas pelos fenómenos populacionais do mundo moderno, tendo como base de trabalho o Relatório Pintasilgo, relembrando e contribuindo para a divulgação de tão importante documento idealizado pela Engª. Maria de Lourdes Pintasilgo, enquanto Presidente da Comissão Independente sobre a População e a Qualidade de Vida e que foi concluído em 1998.

Trata-se de um Relatório pioneiro e muito exigente como era próprio do seu espírito.

Não me repugna caminhos que não são tradicionais eis em suma o que a movia em tudo que se empenhou: na procura de soluções para reorganizar o espaço da Política, Trabalho, Educação, Ambiente e Justiça em prol do combate ao subdesenvolvimento e no aprofundamento da igualdade e da dignidade humana.

Domingo, 11 de Julho de 2004

Como no mar o farol

Lurdes e Sophia

Duas mulheres notáveis, uma na poesia e outra na política. O meu amor por elas é vivo!

Maria de Lurdes Pintassilgo não hesitava na procura de um Estado mais solidário e mais inclusivo, onde imperasse a tolerância e o respeito pela pessoa.

A Sophia permanece: Tem qualquer coisa de mastro / Tem qualquer coisa de sol/ Saber que existe sossega / Como no mar o farol / (...) Espanta que seja real.

Ante o avassalador avanço da obesidade do betão e do chão asfaltado (1) e não hesitando em acusar com fúria e raiva (...) o demagogo / que se promove à sombra da palavra , prossigamos o sonho que sempre elas desejaram : Um país liberto / Uma vida limpa / Um tempo justo.


(1)Gonçalo Ribeiro Telles, in Mil Folhas, 10 de Julho de 2004
Todos os poemas são da Sophia

Sábado, 10 de Julho de 2004

DESTINO: CRASH?



O DEDO E A RODA

Era uma vez, lembram-se?
A necessidade é a mãe da evolução.
Das charruas ao automóvel, cinco mil anos passaram, milhares de dedos construíram.
O dedo do séc. XXI prime no GPS Porto-Madrid.
Querida, ligo o ar condicionado?


João Soares in Seixos Alvos, 2004

Sexta-feira, 9 de Julho de 2004

FUTEBOL, MEIO AMBIENTE E OS EGRÉGIOS

Luís Portela é um português do Porto. É médico e administrador dos Laboratórios BIAL, empresa farmacêutica totalmente portuguesa com dimensão europeia, fundada pelo seu avô há uma centena de anos. É um homem de elevada craveira profissional, cultural e humanística. Entre várias realizações importantes, instituiu o Prémio Bial de Medicina, que creio ser o maior do mundo desse sector em termos financeiros. Obrigado JVSerrano, pelos esclareciemntos. Este artigo do Dr. Luis Portela, chegou mesmo no momento certo do debate sobre a problemática entre as relações Futebol e Meio Ambiente. Merece uma leitura aprofundada, porque levanta questões muito importantes.

EGRÉGIOS

por LUÍS PORTELA

Depois do crime de lesa pátria que foi a construção de dez (!) estádios de futebol, o Euro 2004 aconteceu. E aconteceu bem. Organizativamente, socialmente e desportivamente, pode ser considerado um sucesso.

O nível organizacional foi geralmente tido como bom e invulgar em países latinos. As coisas aconteceram a tempo e horas, com qualidade e sem imprevistos assinaláveis.

Mais de um milhão de pessoas assistiram nos estádios aos jogos de futebol, registando as audiências televisivas, em Portugal e em muitos outros países, números notáveis. A população portuguesa aderiu ao fenómeno, exaltando um patriotismo algo fora de moda e talvez até despropositado para o tipo de acontecimento. Exceptuando um limitado grupo de ingleses, em Albufeira, os adeptos mostraram um civismo digno de encómios.

Alguns ramos de actividade beneficiaram do evento, como os hotéis e os restaurantes, as agências de viagem e as empresas de aluguer de automóveis, algumas empresas têxteis e algum comércio de retalho, etc.. Muitos estrangeiros ficaram encantados com o país e as suas gentes e partiram com o propósito de voltar. Será difícil calcular até que ponto o brutal investimento feito alguma vez poderá ser recuperado, mas reconheça-se uma redinamização da economia, que se deseja persista tanto quanto possível.

Portugal ser vice-campeão europeu de futebol é algo prestigiante para o país e para o seu desporto. Embora fosse pena perder o título para uma equipa com praticantes menos talentosos e com um futebol menos agradável, que apenas se impuseram pela sua organização táctica. Mas o nível desportivo e o desportivismo da generalidade dos jogadores, treinadores, árbitros e dirigentes parece terem sido bons.

Entre os fenómenos curiosos que fui detectando ao longo das semanas em que decorreu o campeonato, recordo a pergunta de um menino de poucos anos de idade: "Ó avô, o que são egrégios?" O que deixou o senhor algo atrapalhado e titubeante na resposta.

Os egrégios de que fala a letra do hino nacional português - agora tão cantado - são, segundo os dicionários, pessoas distintas, nobres, ilustres, insignes. Não propriamente os desportistas idolatrados pelas massas, mas alguém de facto valoroso que se distinga pela prática de acções meritórias porque verdadeiramente úteis para a Humanidade ou, pelo menos, para uma parte substancial dela.

Ora, nestes tempos de grande entusiasmo pelo fenómeno desportivo, tornou-se algo difícil àquele avô explicar ao neto que os ídolos passageiros da bola não eram propriamente os egrégios cantados. Tornou-se algo complicado fazer entender à criança que aqueles milionários do futebol dificilmente poderiam ser algum dia verdadeiramente egrégios.

Talvez valha a pena ponderar um pouco no embevecimento material e no endeusamento caricato de fenómenos de carácter secundário e de criaturas aparentemente não muito valorosas, por parte de um grande número de seres, numa perspectiva de hipervalorização instintiva e sensorial. Ou mesmo no facto de grupos fortemente intelectualizados terminarem por assumir uma postura dominante, elitista e exploradora, hipervalorizando a exploração das emoções e o sucesso material.

Talvez valha a pena ponderar na razão por que escasseiam exemplos de homens honrados, simples, desinteressados, mas fortemente dedicados ao próximo, na concretização de ideais comuns ou na execução de planos altruístas. E ainda no facto de esses viverem, tantas vezes, discretamente anónimos, por opção sua e por subvalorização dos que os rodeiam.

FONTE: Jornal Notícias de 7 de Julho 2004


E uma grande questão: O sucesso material e a sua hipervalorização não estará a matar o planeta?


Novo Blog: Dias Com Árvores

tenho a honra de vos anunciar que há mais um blog ambientalista e só dedicado ás Árvores:Dias Com Árvores.
Mais uma realização dos meus amigos Paulo A.,Manuela R. e Maria C. ( pois acabaram de publicar um excelente livro sobre as Árvores Monumentais do Porto), também sócios da Associação Campo Aberto e com os quais eu partilho a mesma paixão.
Dias Com Árvores são dias bem passados!!

Quinta-feira, 8 de Julho de 2004

FUTEBOL E MEIO AMBIENTE- ATENÇÃO AOS LOGÓTIPOS E PATROCINADORES

BOMBARDEAMENTO PUBLICITÁRIO

Seja moderno e beba
cocacola. Ao almoço
ao jantar ao princípio
e ao fim de cada
cocadia em casa
ou em publicola
de minicarro ou
minisaia do ministério
de cocasaca
ou cocajama
à camacola
ou à cocamusa
cocabeba sempre
cocacola.


Vitor Matos e Sá

A man listens at a news conference in front of an anti-Coca-Cola advertisement in Bogota, Colombia, on Tuesday. Colombian workers used expressions like "killer cola" and "murder incorporated," to call for a global protest against the world's largest soft-drink maker for an alleged reign of terror at locally-owned Coca-Cola bottling plants. — Reuters
FONTE: India Tribune



Quarta-feira, 7 de Julho de 2004

FUTEBOL E MEIO AMBIENTE- FAZER A FESTA COM CONSUMO RESPONSÁVEL

SOBRE O FUTEBOL É DEBATIDO E JÁ SE FALOU MUITO EM NACIONALISMO, HOOLIGANISMO, FANATISMO, CLUBISMO, BAIRRISMO E ALCOOLISMO. Então e o que dizer de uma realidade que é o COCA-COLISMO, MCDONALDISMO E AFINS???

A Human Rights Watch acusa a Coca-Cola de aumentar os seus lucros à custa de trabalho infantil. Segundo a O.N.G, a multinacional, através de engarrafadoras e de uma refinaria salvadorenhas, está a comprar açúcar cultivado e extraído por menores.
O relatório publicado defende que entre 5000 e 30000 crianças trabalham diáriamente em plantações de cana de açúcar, encontrando-se sujeitas a vários cortes e ferimentos, bem como a intoxicação resultante da queima das canas (antes de ser cortada, a cana de açucar é queimada de modo a eliminar as folhas).
A Coca-Cola rejeita estas acusações, invocando uma cláusula empresarial, na qual garante que os seus fornecedores directos não poderão ser responsáveis por tais práticas. A HRW considera a posição da empresa hipócrita e irresponsável, uma vez que ignora a proveniência de matérias-primas obtidas por via indirecta.
Nas palavras de Michael Bochenek, conselheiro da Secção dos Direitos da Criança da HRW, "Se a Coca-Cola encara sériamente a pretensão de evitar o uso de trabalho infantil, a companhia deveria reconhecer a sua responsabilidade em assegurar a extensão do respeito pelos direitos humanos a toda a cadeia de distribuição.".
FONTE: Portugal Indymedia
(ARTIGO COMPLETO: Corp Watch )


Em particular sobre a Mc Donald´s e afins sabemos todos os efeitos nefastos para a Saúde que o seu consumo excessivo acarreta ....


PORQUE SERÁ QUE A COCA-COLA E A MACDONALDS ERAM DOS PRINCIPAIS (E MAIS VISTOSOS) PATROCINADORES DO EURO2004?...

Terça-feira, 6 de Julho de 2004

FUTEBOL E MEIO AMBIENTE- A FESTA É COM AS PESSOAS E NÃO COM VEÍCULOS

No domingo quase ao fim do dia e antes da partida Portugal Grécia, a PSP comunicava em frente das cãmaras de televisão para que depois da partida,os adeptos não usassem automovel, justificando motivos de segurança e porque a festa é com pessoas e não com veículos.Também aplaudo esta decisão, acrescentando que é MUITO benéfica para o ambiente, contribuindo para o desaparecimento dos DESFILES CARBÓNICOS E ULULANTES que tanto assolaram o País, retirando algum espaço e notoriedade ao convívo mais presencial e carinhoso do contacto interpessoal onde possa haver troca de ideias, sorrisos e abraços entre as pessoas.Espero que esta atitude da PSP seja relembrada por todos nós e entre desde já em vigor para todos os campeonatos e festas de Final de Taças nacionais ou internacionais.
CAMPEONATOS SEM CARROS- minimize o uso de transporte privado quando se desloca aos estádios de futebol; a festa é com pessoas- o ambiente e a Terra agradecem!

Segunda-feira, 5 de Julho de 2004

FUTEBOL E MEIO AMBIENTE (2)

Num simples googlar nas páginas em Portugal encontrei 356000 entradas para futebol e 442000 palavras para ambiente ( se bem que muitas delas se referiam a ambiente mais "doméstico"). Fazendo "Quercus"+"Futebol"+"Ambiente" há também uma boa centena delas mas muitas não continham um contexto muito válido.Tentei verificar se encontrava páginas apanas para "futebol e ambiente" e o resultado foi ZERO!! Portanto, presumo que é preciso falar e muito deste tema!
Por defeito de profissão gosto muito de avaliação e balanço.
Deixo aqui uma referência sobre algumas das bandeiras por aí penduradas não há castelos desenhados nas quinas de Portugal, mas pagodes chineses, porque as ditas bandeiras foram fabricadas na China!
Hoje vi a prórpia esposa do Primeiro-Ministro, a acenar com uma dessas bandeiras durante o (fatídico) jogo Portugal-Grécia.Ou quando num cartaz publicitário sobre o Euro2004 passado nas tlevisões, em que a Mariza estva sentada e atrás de si lá estava uma bandeira com os pagodes chinenses.
É importante sermos criteriosos na escolha dos objectos, se respeitaram alguns parâmetros essencilamente ecológiocos,sabermos a sua origem e como foram fabricados antes de os comprarmos!!!

Domingo, 4 de Julho de 2004

FUTEBOL E MEIO AMBIENTE- PIONEIRISMO E EXEMPLO

O nosso Euro 2004 está a decorrer muito bem de acordo com muitas questões mais consensuais. Contudo é necessário falar também nos aspectos respeitantes aos impactos ambientais destes eventos e que são muitos...Eis uma notícia de 2003 que coloca esse desafio

Futebol e meio ambiente. Dois setores em que a Alemanha é potência mundial. Na Copa 2006, governo e comitê organizador querem mostrar isto mais uma vez ao mundo.
Mundial 2006

A Copa do Mundo de 2006 deve ser um marco histórico na defesa do meio ambiente diante do impacto da realização de um grande evento esportivo. "Durante o mundial, todo o planeta estará olhando para nós e claro que queremos ser exemplares na defesa do meio ambiente", enfatizou o bicampeão mundial Franz Beckenbauer, presidente do Comitê Organizador, ao anunciar o programa Green Goal a ser integrado na concepção da Copa de 2006.

"Futebol é o esporte número um dos alemães. Queremos aproveitar o clima positivo da população com a Copa para fazer algo também pelo meio ambiente", acrescentou o ministro do Meio Ambiente, Jürgen Trittin, um dos idealizadores do plano. Para o político do Partido Verde, é possível realizar um evento esportivo de grande porte sem sobrecarregar ainda mais o meio ambiente.

Pioneirismo e desafio

Com a iniciativa, os anfitriões alemães tornam-se pioneiros no futebol mundial. O catálogo de exigências da Fifa para um país sediar uma copa não inclui preocupações ecológicas. "Desde o início este foi um de nossos temas centrais, o que a Fifa recebeu de bom grado", afirma Beckenbauer. "Nós apoiamos todos os esforços do Comitê Organizador em realizar a Copa do Mundo em consonância com o meio ambiente e pontos de vista ecológicos", saudou Urs Linsi, secretário-geral da federação internacional de futebol.

Beckenbauer ressalta, entretanto, as dificuldades para atingir a meta, especialmente em comparação com os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, elogiados internacionalmente como "a olimpíada verde". O Kaiser do futebol alemão chama a atenção para o tamanho do desafio: "Esperamos cerca de 3,3 milhões de espectadores em 12 cidades diferentes." Já as competições de uma olimpíada são concentradas praticamente numa só cidade.

Mas afinal o que é uma Copa verde?

Para um leigo, além de se tratar bem dos gramados dos estádios, o que mais de ecológico se poderia fazer num evento futebolístico? O programa prevê a redução em 20% da quantidade de lixo e do consumo de energia e água nos 12 estádios, em comparação com os padrões atuais do Campeonato Alemão (Bundesliga). O índice vale também para as emissões de gases dos veículos que transportarão torcedores e jornalistas para os 64 jogos do mundial. A ambiciosa meta é promover o primeiro grande evento esportivo do mundo neutro para o meio ambiente.

"Queremos usar como padrão na Copa as melhores experiências práticas que temos", diz Trittin. Os projetos incluem maior integração dos transportes públicos, para que sejam usados ao menos pela metade dos visitantes, aproveitamento de água de chuva, embalagens reutilizáveis e uso de energias renováveis. "Existem muitas alternativas de otimização que são também economicamente rentáveis", observa Christian Hochfeld, do Instituto Ecológico (Öko-Institut), de Freiburg, responsável pela elaboração do Green Goal.

Quanto será preciso investir para se realizar "a Copa verde", ainda é uma incógnita. "Ainda não podemos avaliar, pois os estádios são muito diferentes uns dos outros", explica o cientista. Duas linhas de financiamento já estão garantidas, num total de 600 mil euros. Metade será disponibilizada pelo Comitê Organizador e a outra caberá à Fundação Alemã de Meio Ambiente (BDU), que já custeou os 90 mil euros gastos na elaboração do programa.

Sábado, 3 de Julho de 2004

Sophia de Mello Breyner - um dia...

Um dia

Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.


O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.


Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.

Sophia,Sempre



Sexta-feira, 2 de Julho de 2004

GRANDE NUNO GRANDE

Nuno Grande numa entrevista na 'a Página'- Imaginem este texto data de 1998 e que Grande actualidade e que Grande visionário. No entanto, contra todos os seus avisos há tanto Estrago na Educação!!Transcrevo na íntegra porque esta entrevista é UMA AULA VIVA

A ESCOLA DEVE AFIRMAR-SE COMO UM CONTRA-PODER

NA ESCOLA NADA DEVE SER PREVISTO

A DOCÊNCIA É ACTIVIDADE SOCIALMENTE SUBESTIMADA


Nuno Grande dispensa apresentações. Figura emblemática do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), pró-reitor da Universidade do Porto e membro da Associação Europeia de Educação Médica, entre tantas outras referências, o convidado de 'a Página' é um comunicador por excelência, como se pode confirmar no relato de uma conversa que se pretendia orientada pela temática da educação.

Partindo do princípio que as sociedades atravessam uma fase de globalização, nomeadamente pela mundialização das comunicações e da economia, e que, paralelamente, se levantam novos problemas (ambientais, laborais, etc.) e se registam notáveis progressos científicos, pondo em causa valores e princípios civilizacionais, em que medida é que esta situação se implica nas questões da educação?

NG - É óbvio e evidente que tudo tem que ver com tudo. Tudo o que se passa à nossa volta acaba por nos influenciar, modelar e, de certa maneira, educar. Eu penso que o processo educativo é um processo permanente - nunca ninguém está completamente educado, nem completamente formado; até ao último momento da existência, há sempre coisas a fazer, a aprender, a modificar.
No sentido positivo, o que me impressiona na sociedade moderna é já não haver limites do ponto de vista dos temas que a sociedade debate. Sou suficientemente velho para me lembrar que havia temas apenas discutidos por certas elites, ou que só elas tinham acesso à informação necessária para os discutir. Hoje, essa barreira está ultrapassada. Com a globalização de que falava, não há temas exclusivos de elites, de pessoas especiais; toda a gente tem acesso a todas as formas de informação. A mundialização da informação vai (e está a faze-lo) modificar radicalmente as relações sociais e, consequentemente, as relações educativas.
Mas eu penso que isto tem, também, uma parte negativa. Se relacionarmos o saber com o poder, quem hoje tem mais poder continuam a ser as sociedades em que o saber é formulado e desenvolvido - o saber técnico especialmente. Lembro-me que uma das afirmações mais importantes na Constituição americana foi proferida por Thomas Jefferson: só é livre um povo que constrói o seu próprio saber. Isto tem uma implicação - com a tal mundialização do saber, nós absorvemos muita coisa que vem de outras culturas, sem criticar e sem procurar saber se a nossa cultura não teria alguma coisa a dizer em relação a esses saberes.
Eu creio que isto vai passar, que é um momento de transição e vamos ver que um grande número de culturas que hoje estão aparentemente uniformizadas vão começar a identificar-se, a tornar-se obviamente diferentes, criando os seus próprios saberes e, portanto, os seus próprios poderes. É um processo muito dinâmico. Sem nos darmos conta, vivemos uma autêntica revolução educativa permanente. Tudo está em mudança, dos hábitos aos valores, e, consequentemente, penso que este momento é uma espécie de laboratório cultural para alguém que está ligado à educação e quer contribuir para essa mudança.

Essa perspectiva da relação saber-poder recorda-me uma intervenção de Bruto da Costa, aquando de uma Presidência Aberta de Mário Soares em Setúbal, segundo o qual, ser pobre é estar destituído de poder, de poder de participação, de poder de decisão...

NG - Estou absolutamente de acordo. Há bastantes anos atrás, escrevi uma coisa - que na altura causou alguma controvérsia - no sentido de que só há uma forma de subdesenvolvimento, que é o subdesenvolvimento educativo. Os povos, por mais naturalmente ricos que sejam, serão sempre subdesenvolvidos se não forem capazes de utilizar essa riqueza natural em favor da promoção do Homem e do cidadão.
De facto, o pobre é sempre um inculto - no sentido da cultura técnica - e nós temos que lutar contra isso, porque não contribui para o equilíbrio da humanidade haver povos educativamente desiguais, profundamente desiguais como acontece hoje. Porque os que elaboram o saber estabelecido e o saber oficial são os que comandam, segundo interesses muito restritos e orientações que nada têm que ver com a paz e com a justiça social.

E é verdade, também, que arquitectam o edifício do saber à sua própria imagem, numa espécie de 'etnocentrismo cultural'...

NG - Neste caso, mais de etnocentrismo educativo. Porque as culturas acabam por se impor nem que seja marginalmente, em pequenos nichos que, muitas vezes, se manifestam contra o pensamento dominante e não conseguem sair da sua marginalidade. Ainda que haja algumas expressões dessas culturas muito fortes e que são capazes de vir a criar zonas de atrito e de tensão, mais do que de conflito. Mas eu acredito, volto a dizer, que estamos numa época de transição. Que estamos a assistir a uma grande mudança, no sentido da recuperação de alguns valores e referências que fizeram a civilização a que pertencemos.
Há dias, ouvi ao professor Daniel Sampaio uma coisa que me agradou muito. Ele dizia que já tinha visto o 'Titanic' três vezes, para tentar perceber porque é que o filme teve tanto êxito entre os adolescentes e concluiu que é por contar uma história de amor romântico, que se sobrepõe ao desagregar de uma estrutura inteira que vai afundar-se. Bom, eu ainda não vi o filme, mas acho que este êxito tem que ver com isso; acho que hoje há um regresso a valores educativos, uma necessidade de nos sobrepormos a interesses que têm o lucro como dimensão e que não olham a meios para atingir os seus fins. O processo educativo tem que remar contra essa maré, contra esse poder.

E como é que a Escola pode responder a esse desafio? Acha que ela está a dar conta do recado?

NG - A Escola só tem sentido se se afirmar como contra-poder. A Escola tem que ser alguma coisa que vá à frente das ambições do poder, e não a reboque. E o que tem acontecido é que tem andado a reboque. Quer dizer, a Escola é sempre a tal resposta bem arquitectada de quem tem o poder e o quer conservar.
Não é de agora, tem sido sempre assim. E quando consegue sair dessa postura e tornar-se, de facto, um fórum de elaboração de pensamento, de discussão de ideias, de regresso a referências de outro tipo, a Escola torna-se revolucionária no verdadeiro sentido do termo. Por isso os poderes constituídos não querem essa Escola, e nós vemos que, normalmente, quando a Escola aparece a reivindicar correctamente novas orientações, o faz à margem do sistema estabelecido; são escolas consideradas marginais por isso, gente estranha que defende coisas que não as que estão na lei ou no pensamento de quem domina.

Essa atitude revolucionária e essa mudança paradigmática implicam, para além de alguma vontade política, uma consciencialização dos profissionais que estão na docência, talvez mesmo uma outra profissionalidade docente...

NG - Exactamente, e eu acredito que os agentes sociais de todos os grupos, e de modo particular os professores, vêm assumindo a consciência de que têm um poder que até agora não sabiam que tinham.
É muito curioso assistir à evolução de algumas ideias. Por exemplo, hoje fala-se cada vez mais na necessidade da democracia participativa como processo de desenvolvimento. Em 1986, estive envolvido no movimento de apoio à candidatura presidencial da engenheira Pintasilgo e um dos padrões por que lutávamos era esse - fomos acusados de basismo, isto é, aquilo que era um apelo à participação dos cidadãos no seu próprio processo de desenvolvimento foi entendido como basismo no sentido negativo da palavra; hoje, já não há ninguém que lhe chame assim, todas as pessoas acham que se a democracia não for verdadeiramente participativa não existe.
Bom, eu acredito que alguma coisa de novo vai acontecer num prazo de não sei quanto tempo, mas que será breve. Os intervenientes neste processo (alunos e professores) vão ter que se tornar cúmplices, e vão faze-lo na busca de soluções para os problemas com que se vão defrontar enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Enquanto não for assim, enquanto o professor estiver de um lado e os alunos do outro e esta cumplicidade não for conseguida, o poder estabelecido continuará a dominar a Escola.

Quando refere a cumplicidade entre professores e alunos, estende-a às famílias?

NG - Também, porque quando houver essa cumplicidade, ela traduzirá a consciência de que do outro lado está um sistema que habitualmente não tem referências personalizadas, que é cada vez menos personalizado - são as multinacionais, os programas internacionais...
Nós vivemos uma crise de líderes. O líder apareceu numa altura em que o poder se podia centrar numa pessoa (os hitlers, os salazares), mas hoje essas figuras deixaram de ser possíveis. Porquê? Porque o Poder está diluído nas máquinas de poder, que têm pessoas, mas que não têm cara própria. Ora, quando nós, cidadãos comuns, tomarmos consciência disso, vamos criar elos de cumplicidade que vão caracterizar o sistema educativo.
Há aqui uma coisa que a gente sabe hoje, é que nós já recebemos os alunos tarde, relativamente ao seu processo formativo. A partir dos 3 anos de idade, a criança tem todos os elementos para se definir enquanto personalidade, e, se assim é, recebê-los aos 5 ou 6 anos já significa um atraso. Ora, a cumplicidade tem de começar no seio da família. Da Família, que não é esta, mas de outro tipo, pelo seio da qual, muito provavelmente, passarão outros agentes sociais que com ela colaboram.

Defende, portanto, a existência de um currículo pré-Pré-Escolar, a desenvolver no seio da própria família...

NG - Exacto, na família e muito cedo. A instrução poderá começar a partir dos 5 anos, mas até aí há valores, atitudes e relações que a criança vai aprendendo e que têm de ser modeladas de alguma forma. Ela vai descobri-las sozinha, mas nós temos de ter um padrão de referência em que acreditemos todos, para que ela seja capaz de distinguir o que é bem e o que é mal, o que é verdade e o que é mentira; enfim, os valores que são intemporais e universais e sem os quais a civilização não tinha chagado onde chegou.
Eu acho que esse processo se deve passar na Família, mas é pedir demais a uma família em que pai e mãe trabalham até tarde, chegam a casa cansados e com problemas de toda a ordem e que têm de labutar para manter o equilíbrio mínimo no interior deste conjunto, que tenha, ainda, preocupação e tempo para mostrar a uma criança a diferença entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira. E isto tem de começar aos 3 anos!
Estes valores civilizacionais têm que voltar a ser ensinados na Família, no dia-a-dia; naturalmente, porque não precisam de cartilha nenhuma, basta a relação entre as pessoas ser nesse sentido.

Neste processo, há outra componente que parece estar hoje muito desajustada e que é a prática dos afectos no seio da família...

NG - Tudo passa por aí. Creio que foi o John Eckles, nos anos 20, que chamou a atenção para a importância dos afectos na formação, mesmo em termos de neurobiologia. Recentemente, o nosso António Damásio voltou a pegar na questão, mas na altura em que o Eckles encontrou o Karpov eles mostraram a importância que a relação humana tem na formação de cada um e nos conceitos que cada um tem de si próprio e do mundo que o rodeia. Mas o que todos pensávamos é que isso podia ser modelado a partir da idade escolar, e hoje sabemos que não, que aí já vamos encontrar valores estabelecidos, referências assumidas. Se não tivermos essa percepção, somos capazes de confundir mais uma criança, habituada a que determinado valor tem uma determinada referência que agora pode ser contrariada; a criança fica sem saber onde é que está a razão.
Por exemplo, houve o período em que o chamado castigo corporal era evitado para não traumatizar a criança. Hoje, sabemos que a traumatizamos muito mais porque ela esperava um castigo - evidentemente que não esperava uma violência, esperava um castigo; como não lhe era atribuído esse castigo, ela deixava de perceber o que é que estava certo e o que é que estava incorrecto; quando devia ter levado uma sapatada não levou, e depois, passados três dias, levou pela mesma razão. Este tipo de pequenas coisas, que constituem o quotidiano das famílias, tem hoje uma importância perfeitamente estabelecida relativamente à formação de cada um.

Referiu que se assiste a uma assimilação quase acrítica de informações provenientes de outras culturas, sem termos o cuidado de perceber se a nossa cultura tem algo a dizer em relação a esses saberes, periféricos ou mesmo longínquos. E que, nesta perspectiva, cabe à Escola fazer uma filtragem dessas culturas. A ser assim, não estaremos a pôr em risco o reconhecimento e o respeito pela diversidade?

NG - Pois, isso é o que tem sido feito até agora. O que tem sido feito é assumir os valores culturais de quem elabora os saberes, de quem tem a força e o poder...
Por acaso, estou a ler uma tese que vou ter de argumentar e que tem um título muito interessante - 'Da sardinha ao hamburger'. É um trabalho feito no sentido de pegar nas preferências gastronómicas de uma comunidade e, a partir delas, verificar que diferenças há entre os bisavós e as crianças de hoje relativamente à alimentação. E aí, felizmente, não mudamos muito. Mas o que vemos é que, progressivamente, os hábitos alimentares, e outros, de países que dominam a informação e a forma de publicitar os seus próprios hábitos e valores, começam a invadir a nossa cultura.
Aqui, a Escola tem o papel de dizer: 'Alto lá!, isto tem este sentido e isto tem aquele sentido'. Porque nós, enquanto educadores, não podemos assumir-nos como tendo a verdade absoluta na nossa mão. Como professor, fiz sempre um esforço de dizer aos outros aquilo que eu penso, afirmando que é aquilo que eu penso. Quando os alunos me perguntam que livro aconselho, eu digo sempre: 'A realidade e a natureza. O livro pode ser qualquer um, desde que te sirva apenas de instrumento para tu criticares o que vês. A educação é um processo de descoberta permanente, tu é que vais ver se isto é verdade ou é mentira; aquilo que eu digo na aula pode ser o meu ponto de vista e, por isso, ter muitas limitações'.

A meu ver, a Escola devia ter esta postura de abrir caminhos, de proporcionar descobertas. E, portanto, ao adquirir valores de outras culturas, confronta-los com os valores que assumimos e procurar estabelecer a tal diversidade, mostrando que isto é diverso daquilo, por isto ou por aquilo; que isto tem esta fundamentação e aquilo tem outra fundamentação.


Essa perspectiva remete, de novo, para a questão da ética profissional docente e, por extensão, para a formação de professores e para a sua (auto-)avaliação. Quer comentar?

NG - Aquilo que eu pressinto e percebo é que a docência é, mais do que nunca, uma actividade socialmente subestimada - vai para professor quem não sabe fazer mais nada; com raríssimas excepções, a maioria das pessoas quer um curso técnico e, não o tendo, ou não acedendo ao mercado de trabalho, vai para professor. Isto é uma completa inversão das coisas, porque o professor é o grande obreiro da estrutura do futuro.
Uma vez, visitava uma universidade americana e cá fora havia um pensamento do Emerson [Ralph] que dizia mais ou menos isto: o professor é o único profissional que se aproxima do divino, porque influencia tantas pessoas e gerações que ele próprio não é capaz de controlar. Eu percebi isto e fiquei um bocado aflito, porque aquilo que a gente faz e diz - o nosso exemplo - tem, de facto, uma importância enorme.
Ora, para se assumir esta responsabilidade tem que se gostar de ser professor e abraçar a docência com paixão. Mas é evidente que isto não se ensina; as pessoas vão para a docência por vocação e aprendem um certo número de estratégias para desenvolver a sua função. O que não é verdadeiramente certo é que isto se consiga contra a vontade, e como muitos professores o são contra a vontade não vão desempenhar bem a sua função; depois, estão metidos numa carreira que vão ter de cumprir exclusivamente com o objectivo de melhorarem a sua situação económica. Quero dizer, a carreira dos docentes, mesmo dos universitários, nunca é consequente a uma evolução pessoal; é sempre uma carreira para o grau imediato, em que se ganha mais e se tem mais poder - eu creio que isto é o retrato da formação dos docentes em quase todas as sociedades do mundo ocidental; é a competição que promove o desenvolvimento e não o desenvolvimento que leva à melhoria das condições.
Por mim, e tenho feito algum esforço nesse sentido, acho que vale a pena questionar permanentemente se aquilo que estou a fazer como professor ainda tem algum sentido, ou se já estou a mais. Como é que eu consigo avaliar isso? Testando as próprias relações com os meus alunos; em cada ano, procuro ver qual o grau de aproximação que consigo ter com eles, e por aí avalio se aquilo que estou a dizer, a postura que assumo, aquilo que sou, ainda tem algum sentido.
Não é este o sistema habitual de avaliação dos professores, e nós vemos alguns que atingem graus muito elevados na carreira e que nunca deveriam ter sido professores, porque não estão vocacionados para a arte de comunicar - é uma arte, mais do que uma ciência - e a gente vê que são pessoas, às vezes, com muito saber, mas que são repulsivas para os estudantes, que não se aproximam deles.
Acho que isto tem que ser repensado e revisto. Eu continuo a ter uma postura contrária à carreira universitária da forma como ela é feita. Acho que, de facto, os critérios utilizados na avaliação dos docentes são deficientes, que têm pouco a ver com a capacidade pedagógica e muito mais com a capacidade científica, com o prestígio que eles adquirem na sociedade e não com a função central, que é ensinar. É raro ver um concurso em que as características pedagógicas de um professor sejam salientadas; é um contra-senso, mas é assim, conta muito mais o número de trabalhos que publicou no estrangeiro, as revistas em que publicou.
Talvez nos outros graus de ensino não seja tanto assim, e haja outras formas de avaliar. Em todo o caso, não pressinto que sejam formas muito apuradas.

O processo de auto-avaliação que referiu, testando a sua aproximação aos seus alunos, deve permitir-lhe perceber para onde caminham os jovens de hoje...

NG - Essa questão é muito interessante, e eu tenho uma experiência curiosa.
Numa altura em que se diz que os alunos são piores, eu tive o melhor curso de sempre há cinco anos. Os rapazes que este ano se licenciaram em Medicina foram o melhor curso que eu tive em 41 anos de docência. De facto, nunca tinha tido um lote de 12 alunos de muito bom em Anatomia. E porquê? Porque foi possível que esses alunos progredissem quase independentemente de mim; no fim, disse aos meus colaboradores: 'eles são bons apesar de mim', foram capazes de encontrar caminhos e de questionar problemas.
Aliás, fizemos um conjunto de exames orais de grande qualidade - nós fazemos sempre exames orais, porque o exame tem de ser um acto relacional; o exame escrito, com as sebentas, não tem nenhum sentido; do exame final só são dispensados os alunos de suficiente ou os que chumbaram, os bons ou muito bons têm que o fazer.
Ora, isto acontece ao mesmo tempo em que sabemos - e eu como pró-reitor da Universidade tenho disso notícia diária - que há níveis de acesso muito baixos em termos de formação intelectual; mais de volume de conhecimentos do que de inteligência. Agora, o que me parece, e a minha pró-reitoria foi criada para estudar o problema do insucesso escolar, é que o sistema está totalmente desarticulado. Isto é, creio que a grande reforma a fazer era dar sentido vertical ao sistema, de maneira a que um aluno, quando chega ao primeiro ano da universidade, tenha os conhecimentos necessários para o fazer, e não, como acontece hoje, que saiba coisas que apenas serão úteis daí a três anos e não saiba nada do que deveria saber nesse ano, chumbando logo aí.
Há cerca de 10 anos, fiz um relatório em que procurei ver quais eram, na Universidade do Porto, as licenciaturas, anos e cadeiras que tinham maior insucesso escolar e cheguei à conclusão de que o aluno era tomado como se soubesse coisas que verdadeiramente ninguém lhe tinha ensinado. Era a partir desse pressuposto que o ensino era feito, e o aluno não percebia o que se estava a passar à sua volta.
E no que é que isto dá? Dá em que eles têm, provavelmente, pouco respeito pelo sistema em si. Eu acho que o aluno de hoje nos mede muito bem, nos conhece muito bem. E enquanto que o aluno do meu tempo respeitava o saber do professor, porque era um saber, como aconteceu comigo, que o acompanhava toda a vida, o aluno de hoje sabe que aquilo que o professor lhe disser no dia de trás já não é verdade no dia seguinte - basta carregar no botão da internete! Esta transitoriedade do saber pressupõe uma atitude, do lado do professor, de acompanhamento da mudança, e não o conflito latente entre um saber em transformação acelerada, a que o aluno tem acesso, e o saber do lente, que é estável.
Eu creio que os alunos de hoje, e ao contrário do que se tem dito, têm muito maior capacidade de análise do que saber; eles sabem pouco relativamente ao volume de conhecimento que deviam ter para estar na universidade, mas sabem que não sabem e sabem por que não sabem. É esta dialéctica que tem de ser estabelecida, a relação entre a universidade e os seus alunos tem de ser feita neste sentido: o que é que eles sabem, porque é que só sabem ou porque é que não sabem. E isto não tem sido conseguido.
Eu acredito muito nesta geração. Tenho uma grande esperança que venha a ser ela - e tem que ser, não há outra - a encontrar a relação entre os diversos componentes do sistema e a torna-lo mais lógico, mais útil.

Isso implica, também, a identidade das escolas, a cultura organizacional de cada estabelecimento. Essa ideia de cultura/identidade não estará um pouco arredada das nossas escolas?

NG - Claro. Está, mas esse não é apenas um problema português. Há, de facto, uma uniformidade de objectivos, quer educacionais, quer institucionais, que é assustadora.
Esta escola [ICBAS] tem procurado definir a sua própria identidade exactamente por ter sido a primeira em Portugal - e creio que ainda é a única - que é multidisciplinar e multiprofissional. Isto tem logo um aspecto de mudança muito grande, porque lado a lado sentam-se jovens que vão falar linguagens profissionais diferentes e que vão aprender as mesmas coisas em conjunto. Mas tem, além disso, o pensamento do professor Abel Salazar - que tem sido, de facto, um guia desta escola -, que dizia que um médico que só sabe medicina nem medicina sabe.
Nós temos procurado que os nossos alunos sejam nossos parceiros no desenvolvimento das diversas fases da vida da escola; eles têm os seus programas culturais, técnicos ou não, que desenvolvem com o apoio da escola, mas com completa autonomia, procurando os seus próprios caminhos. E há uma coisa lindíssima que é a semana cultural, em que eles fazem debates sobre problemas de todo o tipo, para os quais convidam especialistas que conseguem trazer de todo o mundo; fazem umas barraquinhas de venda de artesanato e trazem as pessoas que fizeram esse artesanato, desde a Colômbia a Angola. É uma iniciativa exclusiva dos estudantes, e nunca pediram um tostão à escola. São eles que realizam essa semana, ao mesmo tempo que são ëobrigadosí a organizar um congresso médico (os da medicina) ou de biologia aquática.
Esta tentativa de os chamar à acção directa na escola dá identidade à escola, e é esta identidade que temos estado todos a desenvolver. E eu quero dizer que estou a três anos e meio do fim da minha vida profissional e sinto uma alegria imensa porque já estou substituído; hoje posso perfeitamente ficar a dormir em casa, porque no meu departamento as coisas correm normalmente e a escola há muito tempo que quase não tem nada a ver comigo. Este ano, é a primeira vez que não estou num órgão directivo da escola, mas nos outros anos eu já estava muito colateralmente; estava como o velho do lado que ia dizendo [risos] assim uma coisas... De resto, foram os jovens que pegaram na escola e que estão hoje a dirigi-la: pessoas formadas cá e outras que, ainda que não formadas, vieram muito cedo para cá. Nós fomentamos que sejam os jovens a pegar nisto e a desenvolver a escola.

O que favorece uma maior mobilidade...

NG - Muito mais mobilidade! Mas sem essa mobilidade o sistema educativo não tem sentido, passa a ser um sistema muito militarizado, no sentido de que tudo está previsto.
Na escola tem que ser ao contrário. Nada deve estar previsto, a não ser o horário - e mesmo o horário, é só para não entrarmos dois na mesma sala.

Mas essa não parece ser a situação que se vive na generalidade das nossas escolas, públicas ou privadas.

NG - Não! Nas públicas não é, continua a haver um sistema rígido. Curiosamente, talvez menos rígido do que há 10 anos, mas continua a ser muito segundo o esquema aula teórica-aula prática-aula teórica, com programas pré-conhecidos e publicados, e não se pode sair daquilo. Nas escolas mais tradicionais, espera-se que as pessoas envelheçam nos graus académicos mais elevados, para depois tomarem conta da escola...
Há que mudar tudo isto! Hoje começa a haver alguma coisa, e por isso eu digo que estamos num período de transição. Há alguma coisa que começa... O aluno perdeu o receio da Escola, mas também corre o risco de lhe perder o respeito.
E é aqui, neste balanço entre o não ter receio da Escola, mas manter o respeito por ela, que reside a mudança necessária. É isso que temos tentado fazer no ICBAS, que o aluno sinta que está em sua casa, mas que há regras mínimas a cumprir por todos nós.

Para terminar, e voltando um pouco atrás, considera que a formação dos alunos até ao Secundário é inadequada às exigências universitárias ou é a Universidade que se sobrevaloriza, elevando o seu patamar de exigência?

NG - Não se trata de sobrevalorização. O que há, de facto, é uma desarticulação vertical do sistema, e muito provavelmente passa-se o mesmo entre o Secundário e o Básico.
Uma vez, como pró-reitor, reuni vários colegas que tinham índices de insucesso escolar muito altos e um deles disse: 'Ah, eu reprovo-os porque eles não sabem isto e isto e isto...' - 'e você já disse isso a alguém? E por outro lado, se eles não sabem, a sua obrigação é ensinar-lhes. Se descobre que um aluno não sabe uma determinada matéria, o senhor não pode partir do pressuposto de que ele deveria saber; tem de o ensinar. É para isso que está aqui'.
Mas ele não entendia isso; ele recebia os alunos e eles tinham que ter um determinado grau de aprendizagem. Se não sabiam, que soubessem. E, portanto, cilindrava-os na ordem dos 90 e tal por cento. Até que acabou por ser vítima disso: os alunos fizeram-lhe um boicote às aulas práticas e teóricas e, como ele ainda não era de nomeação definitiva, teve que ser dispensado - mas demorou anos, a chumbar 90 e tal alunos por ano e eu disse-lhe: 'Mas eu não acredito em gerações de estúpidos, portanto o senhor está a ensinar mal'.
O que me parece, fundamentalmente, é que há uma profunda desarticulação vertical; que não há diálogo entre os diversos níveis de ensino, de maneira a podermos dizer qual é o mínimo que cada aluno que entra na universidade deve saber nas respectivas disciplinas e áreas. Penso que 5 ou 6 pessoas sentadas numa secretária durante um ano cronológico faziam a reforma total.
Quanto aos jovens, não são piores, em termos humanos nem intelectuais, que os da minha geração. Longe disso, têm hoje mais acesso à informação, são capazes de a criticar e têm um à-vontade social que as pessoas do meu tempo não tinham. E também, como diria a minha avó, graças a Deus que agora não há PIDE - no nosso tempo, a gente estava sempre a pensar o que é que os outros estavam a pensar, com medo que descobrissem [risos].

António Baldaia

Coisas estivais

Por Bernardino Guimarães, JN 29/06/04

1) Não sei se já muitos se lembram, mas o Verão passado, com o seu calor excepcional, trouxe consigo -- para lá dos fogos nas matas -- um número impressionante de mortes. Idosos e outras pessoas mais fragilizadas foram vítimas de um drama silencioso e letal. Na Europa progressiva e próspera, o fenómeno espanta: em França houve milhares de falecimentos devido ao calor, apanhando o Estado impotente e a opinião púbica a banhos. Em muitos outros países, algo parecido. Por cá, o Ministério da Saúde só contabilizou as perdas humanas volvidos meses, -- e foram muitas, infelizmente. Isto diz-nos alguma coisa sobre a sociedade em que vivemos, as condições ambientais das nossas cidades, e não apenas sobre a impreparação dos sistemas de socorro e da administração. A indiferença em relação aos elos mais frágeis da cadeia social, novas formas de marginalização, abandono dos mais velhos, são mazelas na origem do drama estival. A fazer-nos reflectir seriamente. E, a propósito, estaremos agora melhor preparados para que se não dê o mesmo este Verão?
2) No interior desta tragédia (como ficou claro nos estudos realizados em França) há aspectos ambientais a considerar. A conjugação do forte aumento da temperatura com a contaminação da atmosfera, em particular nas cidades, por poluentes diversos, produz consequências nefastas, em primeira linha para idosos, doentes e crianças.
Vários factores, que incluem o descuido na concepção arquitectónica dos edifícios e nos materiais utilizados na construção, a ausência de suficientes zonas verdes e a impermeabilização dos solos, o reinado absoluto do automóvel, concorrem para tornar uma cidade irrespirável, com áreas de desconforto térmico acentuado. A qualidade do ar, essa, continua a não ser uma prioridade para quem decide.
3) Ainda há dias, três concelhos -- Santo Tirso, Paços de Ferreira e Estarreja -- foram alvo de um «alerta máximo» a toda a população devido à presença de níveis elevados de ozono. Este gás, que tão útil é na alta atmosfera (defende-nos e à Terra da crueza dos raios ultra-violeta) pode tornar-se um grave poluente ao nível do solo, ameaçando seriamente a saúde pública, sobretudo as crianças e os que sofrem de doenças respiratórias. A sua ocorrência em tão grandes quantidades deve-se a poluentes (óxidos de azoto, compostos orgânicos voláteis) lançados pelos automóveis, indústrias e outras fontes, e é potenciada pelo calor.
Este alerta, inédito em Portugal parece significar uma maior atenção das autoridades ao problema. O que bem se justifica: as emissões de ozono aumentaram 26% por cá, entre 1990 e 2000 -- enquanto diminuíram em toda a restante Europa!
Mas, como denunciou a Quercus, o Ministério do Ambiente não pode seguir estas situações nem lançar alertas de poluição aos fins de semana e feriados, por falta de meios. O que significa que algo está mal nas prioridades governamentais. A informação ao público é decisiva. Temos, todos, o direito a saber o que andamos a respirar -- e a verdade é que não sabemos. Se outro fosse o seguimento da poluição do ar, quantos «alertas» não teriam já sido necessários?

Quinta-feira, 1 de Julho de 2004

A DEMOCRACIA É PARTICIPADA E ACTIVA

direita

Salgueiro Critica Durão e Pede Eleições
Quinta-feira, 01 de Julho de 2004

Antecipadas

João Salgueiro responsabilizou Durão Barroso pela crise e pediu eleições legislativas

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos, João Salgueiro, teceu ontem duras críticas a Durão Barroso pelo facto de trocar o cargo de primeiro-ministro de Portugal pelo de presidente da Comissão Europeia e pediu a convocação das eleições legislativas.

Aquele que é também militante do PSD e presidente da Sedes, e, entre outros cargos públicos, foi ex-ministro de Estado e das Finanças do segundo governo Balsemão e subsecretário de Estado do Planeamento, com Marcello Caetano, foi ouvido por Jorge Sampaio da parte da manhã e à saída não comentou a conversa que mantivera com o Presidente da República, mas não se coibiu a dizer o que pensava sobre a situação.

"Se eu tivesse que decidir, não decidia, dava ao povo português a possibilidade de decidir", sustentou João Salgueiro, em declarações aos jornalistas, após uma audiência de cerca de uma hora com o Presidente da República.

João Salgueiro, que como militante do PSD foi o candidato da "situação" contra a candidatura de Cavaco Silva, na Figueira da Foz, lembrou que várias personalidades da vida política alertaram para os "riscos de eleitoralismo" na sequência da substituição de Durão Barroso na chefia do governo.

A solução para a "crise política" seria, na sua opinião,"Durão Barroso não ter aceitado a presidência da Comissão Europeia". E, contundente e directo, prosseguiu defendendo: "A função de presidente da Comissão Europeia não é mais importante do que a de primeiro-ministro de Portugal."

E considerou que "foi pena" Durão Barroso ter decidido abandonar o governo para se dedicar à Comissão Europeia e assim ter criado uma "situação de crise política inevitável".

Sobre a situação e as soluções, Salgueiro considerou que "é inevitável que o país tenha um período de ajustamento político que não é fácil" e afirmando que o país está face a um "enorme desafio", defendeu que o país, depois dos sacrifícios que fez, "não deve enveredar por um caminho de facilidade

esquerda

“OS VERDES” ACUSAM: AMBIÇÃO PESSOAL ACIMA DOS INTERESSES NACIONAIS



A reacção de Durão Barroso

“Os Verdes” consideram insustentável a situação que se tem vivido nos últimos dias, onde temos tido um Primeiro Ministro que já não o é, complementada com um silenciamento inaceitável por parte de Durão Barroso em relação às suas intenções só quebrado à momentos. Este facto tem permitido que nestes dias a vida de Portugal se centre na vida interna do PSD, nos seus actos e desacatos, o que é profundamente desrespeitador dos portugueses.

“Os Verdes” estão profundamente convictos que Durão Barroso só aceitou a sua candidatura a presidente da Comissão Europeia, devido aos desastrosos resultados eleitorais que a Coligação PSD/PP sofreu nas últimas eleições, e por saber que a situação nacional está muito má devido às políticas que o seu Governo prosseguiu. Assim sendo, preferiu abandonar o barco com um “tacho” assegurado, em vez de assumir cabalmente essa derrota política.



Apelo ao Sr. Presidente da República

Sendo que o regime constitucional permite que Jorge Sampaio opte pela nomeação de novo Governo, ou pela marcação de eleições antecipadas, “Os Verdes” consideram que a situação política que se vive no país, onde esta maioria parlamentar e governativa perdeu claramente o apoio dos portugueses, conjugada com a visível instabilidade que se vive no seio do PSD com as corridas e contra-corridas a cargos, a opção política só pode passar por eleições antecipadas, de forma a que se permita que os portugueses possam definir o futuro imediato de Portugal.

“Os Verdes” consideram que esse futuro imediato de Portugal não pode ser definido em sede de Congresso de um partido (PSD) nem tão pouco de um seu Conselho Nacional. Tem que ser definido pelos portugueses.



A escolha de Durão Barroso para Presidente da Comissão Europeia

A escolha de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia está longe de ser consensual, apesar da garantia da sua eleição junto dos diferentes chefes de Estado e de Governo da União Europeia. Por exemplo, o Grupo Verde do Parlamento Europeu já manifestou insatisfação ao nome de Durão Barroso, considerando que “estamos com grandes reservas sobre a escolha do Sr. Barroso devido ao facto de as suas ideias sobre a Europa estarem demasiado ligadas às americanas. Nós queremos um Presidente da Comissão que seja capaz de defender a ideia de uma Europa social e ecologista”, afirmaram os co-presidentes da família verde europeia.

“Os Verdes” portugueses consideram que a escolha de Durão Barroso foi uma escolha de recurso, e não a escolha da competência. Foi, para além disso, a escolha da garantia que os interesses dos grandes Estados da União Europeia estarão salvaguardados, pela postura de subserviência a esses Estados que Durão Barroso sempre manifestou, por exemplo em relação aos processos que decorreram das violações do pacto de estabilidade, contrastando com a austeridade que impôs aos portugueses, mas também em relação ao papel sempre pouco activo que teve na Europa em defesa dos interesses de Portugal.

O Gabinete de Imprensa
Lisboa, 29 de Junho de 2004



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