Quinta-feira, 31 de Agosto de 2006

TOURADAS | CAMPO PEQUENO | TRADIÇÕES | ECONOMIA RURAL | HÁBITOS ALIMENTARES | AMBIENTALISMOS | SUSTENTABILIDADE


Vivemos cada vez mais numa sociedade pulverizada, por vezes afigura-se-nos injusta, agressiva, cansativa e em que a Síntese dificilmente se constroi e muito menos a Reflexão.
Não há tempo? Mentira- Devemos mudar as nossas prioridades, mantermos o espírito sempre aberto ao conhecimento seja de que espécie for e crescermos, desafiando os nossos limites físicos e morais ou valores.Em suma sermos cuidadosos (prefiro esta palavra à palavra cautelosos). Cuidando do bem estar pessoal e colectivo, prevenindo e acautelando bens naturais,formando e ser formador e agir com precaução e possuindo uma visão actualizada para prospectivar a médio e longo prazos.
É bom sinal, pois a cidadania está viva e se recomenda e não deixa que lhe façam o ninho atrás da orelha (leiam a nota do Ondas, a esse exemplo,ainda muito recente, de 25 de Maio de 2006 a
tentativa de golpe mediático em relação à introdução de transgénicos no PNPG .
Vamos lá ver se eu faço esse exercíco de Síntese com as várias temáticas expostas no título desta nota.

Tradições e sustentabilidade

Há tradições que urgem mudar e outras perpetuar/recuperar.
A recolha e a exposição do vasto e variado poemário,contos e cancioneiro do imaginativo tradicional popular lusófono é importante e eu aplaudo qualquer iniciativa nesse sentido.A tecnocracia e a confiança em demasia na objectividade cientifica quase apagou e silenciou essas falas das nossas gentes (agora com nomes mais interessantes: agricultura biodinâmica, etnobotânica,permacultura,sociologia ambiental).
Mas já em relação à tourada, às corridas de cães, lutas de galos e pegas de bois...claramente devem extinguir-se sem imperialismos nem radicalismos .
E em tradições e património socioambiocultural o País até está bem: era tradição o comércio local e no entanto vamos aceitando que as catedrais de consumo/hospitais novos/habitação e turismo sejam construidos em zonas protegidas (ler para esse efeito o artigo do A Sul
Pinhal dos Fradese o artigo de Pedro Bingre Se há leis injustas e daninhas são as urbanísticas, para o Jornal Local O Campeão das Províncias.
A Animal, muitos professores e programas escolares e outras associações locais, desenvolveram o aumento da consciência em Portugal para a Defesa dos Direitos dos Animais fruto de intensa actividade pedagógica, campanhas (não lhes chamo propaganda)e óptima prestação e coragem em enfrentar interesses instalados (veja-se o que conseguimos pondo término ao programa Circo das Celebridades)...para não falar de campanhas de solidariedade para reduzir o caos/falta de higiene/problemas de abandono de animais (o Adpta Net,por exemplo) ,etc...
Mas há muito a fazer.Fátima Lopes ainda veste os seus modelos com peles de animais.No entanto foi ela a escolhida para vestir a Selecção de Futebol!!!!(ler, a este propósito a espectacular nota do Rainbow Warrior
O que é que a estilista Fátima Lopes tem a ver com o apoio de corpo e alma que deu à selecção de Scolari, Figo e Ronaldo?)
Portanto bem vindos às novas tradições-quer urbanas, quer rurais!!!O que fazer:exige-se manter vigilância e exercer mudanças socioculurais ecossustentáveis, reduzindo os conflitos e melhorando o Ambiente.

Touradas, Campo Pequeno e Sustentabilidade

A inauguração (pois a restauração do Campo Pequeno foi quase sempre mantida em segredo) do Campo Pequeno, suposto desígnio nacional veio relembrar e reavivar uma memória de uma tradição a definhar e tão execrável e dolorosa, indigna para um ser dito racional.Escolher o Campo Pequeno como a nova igreja da tourada, despoletaria o que vemos: um forte debate antagónico e muito vivo.Mas espero que a nossa causa vença e o touro bravo possa crescer e pastar livremente nas regiões mediterrânicas.
Aliás é mais um opção socioambiental errada: ergue-se uma nova catedral de consumo, no centro de uma Avenida, com os enormes custos ambientais e ao serviço de marcas que praticam erros socioeconomicos noutros países (ou piores) como os o que a Bombardier e outras empresas fazem com os nossos trabalhadores.Ora ao comprarmos algo nessas lojas, não estaremos a contribuir para isso mesmo??Não estaremos a manter e perpetuar uma tradição moderna mas errada e insustentável????

E ao contrário de muitos admiradores da tourada defendem,ela não é necessária para a sustentação agrícola nacional.Tal como a introdução dos transgénicos.

Hábitos alimentares, ambientalismos, Saúde e Sustentabilidade

Hoje em dia sou omnívoro mas com mais tendencia para ingerir e cumprir os principios do vegetarianismo.Li vários textos de ambientalismo vegetariano e não encontrei nem propaganda nem uma patrulha de fanáticos.Se os existem é natural pois quando somos jovens ou quando estamos donos de uma verdade, todos sabemos passamos por uma fase quase de fé.Acham que não?
Agora os ambientalismos chegaram a Portugal. Antigamente havia duas ou tres ONG.Entretanto e com o tempo temos muitas ONG com ideias e programas fortes umas nacionais e outras mais locais, mas todas necessárias. Se se divergem ou ampliam-se é bom sinal.É porque as que existem não fizeram o esforço total, não compreenderam outras linhas e orientações de outros autores....mas penalizo os insultos,não respondo a anónimos (devemos dar a cara) e sou contra o preconceito e intrometo-me sempre quando há sinais de imperialismo e de discriminação seja de que grupo ambiental for.

Consciência Animal, Biologia, Economia das Pescas,Agricultura,Investigação...e Sustentabilidade

Acho que todos devem ler o livro O Sentimento de Si, do António Damásio, para começar.Depois textos sobre Ecologia Profunda e de Paz Profunda, Permacultura,Ética Animal,Ética da Terra, Ecoaldeias, Ecoconstrução e depois um destes dias falamos.


TEXTOS ESCOLHIDOS

[1] António Damásio diz que animais também têm consciência
14 de Outubro de 2002 (em O Agricultor)

[2] Consciência e Consciência de Si-Artigo de Carlos João Correia,Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, membro da Sociedade Ética Ambiental

[3] Razões para uma dieta vegetariana (com receitas) no InfoNature

[4] Iniciação à Ecologia Profunda por José Roberto Goldim


LIVROS

. Guimarães,A. Falas da Terra.Natureza e Ambiente na Tradição Popular Portuguesa.Ed.Colobri,2004

· Damásio, António R., O Sentimento de Si. O Corpo, a emoção e a neurobiologia da consciência, Lisboa, Europa‑América, 2000.

· Dawkins, Marian Stamp, Through our eyes only? The search for animal consciousness, Oxford et al., Oxford University Press, 1993.

· Griffin, Donald R., Animal Minds, Chicago/Londres, Chicago University Press, 1992.

· Hauser, Marc, Wild Animals. What Animals Really Think, Londres et al, Penguin Books, 2001.

· Moss, Cynthia, Elephant Memories. Thirteen Years in the Life of an Elephant Family, Nova Iorque, Elm Tree, William Morrow and Co., 1988.

· Masson, Jeffrey/McCarty, Susan, Quando os Elefantes Choram. A Vida Emocional dos Animais, Lisboa, Sinais de Fogo, 2001.

· Patterson, Francine/ Linden, Eugene, The Education of Koko, Nova Iorque, Holt, Rinehart & Winston, 1981.

· Voltaire, Dictionnaire Philosophique, Bêtes (1764), Paris, Flammarion, 1993.

.BAPTISTA, F Oliveira (Coord.); et al. (2003), O rural já não ocupa espaço. Debates na MANIFesta 2003, no âmbito do proj. "As dinâmicas socioeconómicas dos espaços rurais do continente português". Serpa, Maio de 2003, ISA-DEASR / INIAP / animar, 49 p.

.BAPTISTA, F. Oliveira; et al. (2003), Portugal Rural: territórios e dinâmicas. Lisboa, MADRP, GPPAA, CD-ROM.

. BAPTISTA, F Oliveira et al 2006. Usos da terra e alterações sociais em zonas rurais – caso de Cortiços –Trás-os-Montes (artigo disponibilizado em Pdf)

Quarta-feira, 30 de Agosto de 2006

Hoje celebro 40 anos de vida!

E partilho convosco a canção Swimming Horses da Siouxsie.É um poema, uma música e um video que me dizem muito.A primeira vez que a ouvi, fiquei hipnotizado.E estamos a falar há cerca de vinte anos.Ainda era o tempo do walkman e das cassetes e levava-o para sítios lindos,com esta canção incluída e partilhavamos juntos estes momentos...onde a mensagem Natureza, panteísmos e outros sentimentos de Poesis estava em força, límpida e em prece.

Siouxsie and the Banshees - Swimming Horses

Swimming Horses

falling in your, falling in your arms
fish on a line, learns to live on dry land
thrown back again to drown
kinder with poison
than pushed down a well - or a face burnt to hell
feel the cruel stones breaking her bones
dead before born
words fall in ruins - but no sound
she's dying of your shame - she maimed by your paw
he gives birth to swimming horses
fish on a line, walking on dry land
but, back in the water to drown we drown
floating in sky
he gives birth to swimming horses
take a ride on the tide with the assassin at your side
the weightlessness under water -- forgets in slow motion
and washes pointless tortures
he gives birth to swimming horses
floating in sky like fishes can fly through your arms

Album: Hyaena
From: 1984 Geffen
Siouxsie video from 1984 includes Robert Smith from when he was a Banshee

Sábado, 26 de Agosto de 2006

Uma Verdade Inconveniente- o filme é já em Setembro

An Inconvenient Truth - Trailer



A Quercus vai realizar em conjunto com a Lusomundo o lançamento em antestreia do filme Uma Verdade Inconveniente de Al Gore no dia 12 de Setembro (em Lisboa e no Porto), sendo que em Lisboa será seguido de um debate.

O programa é o seguinte:

Dia: 12 de Setembro
Hora: 21h, após projecção do fime Uma Verdade Inconveniente
Onde: Lisboa, cinema El Corte Ingles
(No Porto haverá apenas a antestreia do filme mas sem debate)

Moderador:
Viriato Soromenho-Marques, Professor da Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa, consultor da edição portuguesa em livro de Uma
Verdade Inconveniente de Al Gore

Intervenientes:
Humberto Rosa, Secretário de Estado do Ambiente
Carlos Pimenta, Participante como eurodeputado na negociação de Quioto
Filipe Duarte Santos, Professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, responsável pelo Projecto SIAM (impactes das alterações climáticas para Portugal)
Francisco Ferreira, Professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Direcção Nacional da Quercus


Não perca....Veja a verdade e
reduza o seu impacto no planeta .

Sexta-feira, 25 de Agosto de 2006

Breve análise astrológica do Bioterra

TODO O SENTIDO É AR




Conheci o blogue Postais da Novalis através de pesquisas que também faço na área de Espiritualidades e Educação Ambiental: Deepak Chopra;Osho,etc...
Fiquei encantado com o blogue, em si- seriedade, profundidade, rigor nas referências bibliográficas.Também fiquei impressionado pelo enorme esforço dessa equipa em produzir materiais em português nestas areas.
Resolvi intervir, deixando um comentario de elogio e incentivo e ontem já fui notícia:
BioTerra - Um blogue muito útil à comunidade do Anjo Dourado !
Nesse comentário tinha lançado ainda um desafio.António Rosa, principal autor do blogue e membro da equipa
Anjo Dourado correspondeu prontamente ao meu desafio e passo a transcrever, na íntegra, a análise que elaborou.

Em resposta a um post, o João Soares deixou este desafio no meu blogue: seria interessante avaliar no meu blogue BioTerra em termos da presença de características/traços de um virginiano. Como sou bem mandado, com todo o respeito e atenção que este blogue e o seu autor me merecem, cá estou a tentar demonstrar porque acho que este sítio é bem virginiano.

Virgem, regido pelo planeta Mercúrio, é um signo mutável do elemento Terra e apresenta estas características básicas: são diligentes, estudiosos, analíticos, exigentes, metódicos e muito humanos e com uma enorme capacidade de síntese.

O seu autor, entre muitos modelos (templates) escolheu um que tivesse fundo claro, bastante amplo para caberem textos mais extensos e com um cabeçalho em azul. Um signo mutável escolheria estas características. Precisa de ar para respirar. Significa igualmente que aqui não existe um dos lados negativos de Virgem: a mesquinhez. Isso não existe aqui. O oposto, sim. Generosidade, amplidão, cores claras.

O elemento Terra está bem presente, eu diria, omnipresente neste blogue. No título do blogue. Nas cores dos textos: preto, castanho, verde. São as cores predominantes do elemento. As fontes usadas são grossas, para permitirem boa leitura, portanto, pensando nos leitores, outra característica generosa do regente do signo.

A bibliografia que acompanha os posts é excelente. Completa, detalhada, minuciosa. Os temas tratados pertencem à natureza especializada do blogue e não é isso que o faz ser um blogue virginiano. É sim, na organização, no método de arrumação e sobretudo, na incrível quantidade de informação útil a nível de links. Imensos e variados. É quase um directório. Excelente para qualquer investigador. Nas imensas horas pacientemente consumidas a criar esta informação.

Destaques do bioterra, Terra viva, Estrutura da terra, Terra cósmica, Terra microcósmica, Paleoterra, Terra urbana, Terra justa, etc., etc. Absolutamente deslumbrante em organização, metodologia, pormenorização, amplidão de informação. Isto é Virgem. Como pormenor gentil, possui um informador sobre temperatura ambiente para jardins e imensos, além de imensos links com logótipos, o que demonstra uma séria capacidade de intervenção cívica.

Sou do signo Gémeos, pelo que partilho o mesmo planeta regente. Além disso possuo Saturno em Virgem, o que me levou a apreciar muito este blogue, pelas razões acima expostas. Por isso, fiz um linque na minha secção Outros blogues.

Não devo alongar-me mais, para não ocupar espaço que os outros também necessitam.

Um abraço.

Caro António Rosa, revejo-me completamente!! E estou profundamente agradecido.É na realização de Utopias que nos fazem seres mais completos.
Um abraço amigo

Quarta-feira, 23 de Agosto de 2006

Arte Cerâmica e Educação Ambiental



Curiosamente, até nem foi muito difícil à Teresa, minha mulher,ter encontrado um site onde eram indicadas IDEIAS PARA UM CERAMISTA ECOLOGICAMENTE CORRECTO. Isso já foi há já alguns meses, antes de ter o blogue Terras de Argila.

Entretanto a Teresa falou-me do ceramista Ricardo Casimiro pois as suas obras são artisticamente muito arrojadas e informou-me que era, como eu, grande admirador de H. Bosch e que, como eu, é bastante bem humorado. Entrei em contacto com ele informando-o seu admirador das obras e como um blogueiro comum, convidei-o a conhecer o Bioterra.
Qual não foi o meu espanto e gratidão enorme,que recebo um seu email (que reproduzo mais abaixo e onde o autor explica os pormenores da sua peça) em conjunto com imagens de uma peça sua, que apelidou de TRANSGÉNICO e que as coloquei em forma de slideshow.
Portanto a Arte Cerâmica está de mãos dadas com o Ambiente e a Educação Ambiental.
O contributo da Teresa e do R. Casimiro embelezaram ainda mais o BioTerra.
Olá João Soares,
Obrigado pelo seus comentários sobre os meus trabalhos em cerâmica. Também eu sou um cidadão consciente e preocupado com as questões do ambiente e não só. Assim na qualidade de ceramista executei uma peça sobre o tema. Esta peça chama-se Transgénico , trata-se de uma figura meio humana cuja cabeça é simbolicamente um grão de bico modificado que leva pela mão um seu descendente, esse sim com umas pernas ambiguas e meio cego o que para mimrepresenta o desconhecido futuro dos transgénicos. O corpo da figura é apresentado de fato e na zona da braguilha é visivel a forma de um sexo masculino. Significando isso andam para aí uns senhores de fatinho e falas mansas a tentarem lixar-nos. Essa peça faz parte das minhas preferidas, nunca mostradas publicamente e vistas por muito poucas pessoas. Envio-lhe fotos da peça em questão e autorizo-o a usá-las no seu blogue desde que mencione o autor da peça.
Um abraço amigo.
Ricardo Casimiro

Segunda-feira, 21 de Agosto de 2006

Sobre o Poema do Dia, na Página do Ambiente da Confagri

Sampa

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e Av. São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e Av. São João

Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mas possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E os novos baianos te podem curtir numa boa

Caetano Veloso


De forma persistente e continuada, a página do Ambiente da Confagri saúda os seus leitores com Poemas.
Já transmiti pessoalmente à Cátia Rosas o meu agradecimento e desejos que esta iniciativa nunca acabe.
Tenhamos confiança que a Arte e os Autores serão compreendidos mais tarde ou mais cedo pelos nossos jovens e também nós professores/educadores sejamos eficientes e capazes, sem medo de lhes dizer cara a cara o porquê do nosso maior respeito que temos pela Arte e pelos Autores, o que nos ensinam, que são nossos companheiros e amigos e quantas vezes foram e são auxiliares na dor, na nossa incompreensão, dando-nos pistas, soluções que não encontramos nos cartões de crédito nem em futilidades ou nesta época de entretenimento e felicidade aqui e agora...
E os jovens irão (re)aprender...Tenho felizmente muitos exemplos disso.
De um sorriso atento e dedicado nos devolvem!
Até dos pais...
Penso que a crise da Educação que atravessamos,como todas, é passageira ...sejamos positivos na acção.
Mantenhamos em nossas mãos e coração a vela acesa da Arte, do Poema, da História e da Ecologia.

Sexta-feira, 18 de Agosto de 2006

Crónica de uma viagem pela Europa Central

Todas as cidades que visitei e foram 5 (Berlim, Dresden, Praga, Viena e Budapeste) apresentam particularidades especiais.Em comum todas foram palco de invasões,sofreram ciclos de destruição e renovação por causa de guerras.
Os edifícios dessas cidades são museus vivos.
Dresden foi brutal e estupidamente destruída pelos ingleses já quase no fim da II Guerra Mundial.
Algumas foram sede de impérios (Viena) e outras de divisões políticas e muros (Berlim)....

Em Berlim está quase tudo duplicado:duas bibliotecas nacionais,dois jardins zoológicos...resultante da antiga separação RDA e RFA através do Muro.Ainda há um resto num ponto da cidade chamado East Side Gallery.
Ainda em Berlim abundam memoriais à II Guerra Mundial.
Há uma escultura relembrando a perseguição aos judeus em Viena muito curiosa, perto da Ópera.

Acho que a lição maior que estas cinco cidades nos dão é que os seus habitantes tão cedo não desejam mais conflitos....respiram naturalidade, há uma aposta em caminhar para novas arquitecturas (Berlim,Viena), com ciclovias e sempre rodeadas de árvores e um planeamento urbano prévio.
Sente-se, contudo, que têm uma nostalgia de algumas falhas da sua História já longa: vi poucos vestígios de edifícios ou traços da Idade Média (ao contrário das nossas cidades), à excepção de Praga- justamente apelidada por cidade das cem torres.
Praticamente nestas cidades não existem centros comerciasi gigantes (shoppings).

Também não abundam as caixas multibanco em todas as esquinas nem dependências bancárias em qualquer edifício histórico (como cá acontece).
Reparei que ainda há aquele verdaderio espírito/objectivo do Café: estar algumas horas num bate-papo...o atendimento é de facto um pouco lento...por isso os empregados ficavam algo baralhados quando se pedia a conta tão cedo (principalmente em Viena e Praga).
Uma outra imagem que não me sai da cabeça: na Alemanha (aliás como já tinha observado em França) o que é das matas/florestas é só delas (e estão INTACTAS) e o que é do Homem então incorporam-nas (abundam os parques urbanos e em Viena ainda hoje existe o Prater)...

Entre as várias cidades (e principalmente a República Checa) há imensas florestas....
Na Austria e partes da Alemanha já abundam parques eólicos.
O único aspecto negativo que encontrei em todos estes países foram os seus rios: poluídos e com demasiada intervenção humana (canais, mini-hídricas, barragens).

Quarta-feira, 16 de Agosto de 2006

Em Berlim lembrei-me do Fausto de Goethe


Sim, a cidade de Berlim, reunificada, está uma cidade a meu ver realizada e natural...Tiergarten está magnífica! A cidade dos tempos do belíssimo filme Asas do Desejo de Wim Wenders está renascida.Os transportes públicos funcinam muito bem, há ciclovias por toda a cidade.É uma cidade muito arborizada, com novos parques e os antigos estão restaurados.Tem imensos museus e é muito viva culturalmente.Em todas as avenidas existem árvores.Vi muitos corvos e até falcões!! Portanto parece-me que está no bom caminho da sustentabilidade.
Não é uma cidade faustosa.Por isso lembrei-me da obra de Fausto de Goethe.

E a propósito disto tudo tenho aqui um texto de István Mészáros (autor do livro Para Além do Capital),intitulado O desafio do desenvolvimento sustentável e a cultura da igualdade substantiva . Afirma a certa altura que :o maior desafio do desenvolvimento sustentável, que agora devemos enfrentar, não pode ser devidamente tratado sem a remoção dos constrangimentos paralisantes de carácter adverso do nosso sistema de reprodução. Esta é a razão porque não pode ser evitada a questão da igualdade substantiva no nosso tempo como o foi no passado. Por sustentabilidade significamos o estar realmente no controlo dos processos culturais, económicos e sociais vitais através dos quais os seres humanos não só sobrevivem mas também podem encontrar satisfação, de acordo com os objectivos que colocam a si mesmos, em vez de estarem à mercê de imprevisíveis forças naturais e quase-naturais determinações sócio-económicas. A ordem social existente é edificada no antagonismo estrutural entre o capital e o trabalho, requerendo portanto o exercício de um controlo externo sobre todas as forças insubmissas. Adversariedade é o acompanhante necessário de tal sistema, não interessando quão elevados são os desperdícios humanos e económicos para a sua manutenção.O imperativo de eliminação de desperdícios está claramente nos nossos horizontes como a maior exigência do desenvolvimento sustentável . A economia a longo prazo deve ir de mãos dadas com um racional e humano propósito de economia , como é próprio ao núcleo do conceito. Mas o caminho de economia racional de modo a regular o nosso processo de reprodução social na base de um controlo interno/auto-dirigido , como oposição ao externo/de-cima-para-baixo actualmente prevalecente, é radicalmente incompatível com a desigualdade estrutural e adversariedade .

O que me impressionou neste discurso do filósofo István Mészáros é que estabelece uma comparação, e bem, entre a desregulação a vários níveis provocada pela (má) globalização com a visão faustiana de Goethe.
Berlim e os berlinenses penso que aprenderam com o seu Mestre Goethe e com a História e não desejam nem mostram ter pretensões faustianas.

Quarta-feira, 9 de Agosto de 2006

Jack Gescheidt e The Tree Spirit Project

Jack Gescheidt, fotógrafo profissional desde 1987, nascido em Nova Iorque, vive em San Francisco desde 1996. Trabalha em variados temas de fotografia incluindo desporto, retratos, eventos, casamentos e animais ( Jack Photo).
The Tree Spirit Project é o nome para a colecção das fotografias de seres humanos em comunhão com as árvores . Foi e continua a ser um processo de aprendizagem para o autor.

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