
Vivemos cada vez mais numa sociedade pulverizada, por vezes afigura-se-nos injusta, agressiva, cansativa e em que a Síntese dificilmente se constroi e muito menos a Reflexão.
Não há tempo? Mentira- Devemos mudar as nossas prioridades, mantermos o espírito sempre aberto ao conhecimento seja de que espécie for e crescermos, desafiando os nossos limites físicos e morais ou valores.Em suma sermos cuidadosos (prefiro esta palavra à palavra cautelosos). Cuidando do bem estar pessoal e colectivo, prevenindo e acautelando bens naturais,formando e ser formador e agir com precaução e possuindo uma visão actualizada para prospectivar a médio e longo prazos.
É bom sinal, pois a cidadania está viva e se recomenda e não deixa que lhe façam o ninho atrás da orelha (leiam a nota do Ondas, a esse exemplo,ainda muito recente, de 25 de Maio de 2006 a tentativa de golpe mediático em relação à introdução de transgénicos no PNPG .
Vamos lá ver se eu faço esse exercíco de Síntese com as várias temáticas expostas no título desta nota.
Tradições e sustentabilidade
Há tradições que urgem mudar e outras perpetuar/recuperar.
A recolha e a exposição do vasto e variado poemário,contos e cancioneiro do imaginativo tradicional popular lusófono é importante e eu aplaudo qualquer iniciativa nesse sentido.A tecnocracia e a confiança em demasia na objectividade cientifica quase apagou e silenciou essas falas das nossas gentes (agora com nomes mais interessantes: agricultura biodinâmica, etnobotânica,permacultura,sociologia ambiental).
Mas já em relação à tourada, às corridas de cães, lutas de galos e pegas de bois...claramente devem extinguir-se sem imperialismos nem radicalismos .
E em tradições e património socioambiocultural o País até está bem: era tradição o comércio local e no entanto vamos aceitando que as catedrais de consumo/hospitais novos/habitação e turismo sejam construidos em zonas protegidas (ler para esse efeito o artigo do A Sul Pinhal dos Fradese o artigo de Pedro Bingre Se há leis injustas e daninhas são as urbanísticas, para o Jornal Local O Campeão das Províncias.
A Animal, muitos professores e programas escolares e outras associações locais, desenvolveram o aumento da consciência em Portugal para a Defesa dos Direitos dos Animais fruto de intensa actividade pedagógica, campanhas (não lhes chamo propaganda)e óptima prestação e coragem em enfrentar interesses instalados (veja-se o que conseguimos pondo término ao programa Circo das Celebridades)...para não falar de campanhas de solidariedade para reduzir o caos/falta de higiene/problemas de abandono de animais (o Adpta Net,por exemplo) ,etc...
Mas há muito a fazer.Fátima Lopes ainda veste os seus modelos com peles de animais.No entanto foi ela a escolhida para vestir a Selecção de Futebol!!!!(ler, a este propósito a espectacular nota do Rainbow Warrior O que é que a estilista Fátima Lopes tem a ver com o apoio de corpo e alma que deu à selecção de Scolari, Figo e Ronaldo?)
Portanto bem vindos às novas tradições-quer urbanas, quer rurais!!!O que fazer:exige-se manter vigilância e exercer mudanças socioculurais ecossustentáveis, reduzindo os conflitos e melhorando o Ambiente.
Touradas, Campo Pequeno e Sustentabilidade
A inauguração (pois a restauração do Campo Pequeno foi quase sempre mantida em segredo) do Campo Pequeno, suposto desígnio nacional veio relembrar e reavivar uma memória de uma tradição a definhar e tão execrável e dolorosa, indigna para um ser dito racional.Escolher o Campo Pequeno como a nova igreja da tourada, despoletaria o que vemos: um forte debate antagónico e muito vivo.Mas espero que a nossa causa vença e o touro bravo possa crescer e pastar livremente nas regiões mediterrânicas.
Aliás é mais um opção socioambiental errada: ergue-se uma nova catedral de consumo, no centro de uma Avenida, com os enormes custos ambientais e ao serviço de marcas que praticam erros socioeconomicos noutros países (ou piores) como os o que a Bombardier e outras empresas fazem com os nossos trabalhadores.Ora ao comprarmos algo nessas lojas, não estaremos a contribuir para isso mesmo??Não estaremos a manter e perpetuar uma tradição moderna mas errada e insustentável????
E ao contrário de muitos admiradores da tourada defendem,ela não é necessária para a sustentação agrícola nacional.Tal como a introdução dos transgénicos.
Hábitos alimentares, ambientalismos, Saúde e Sustentabilidade
Hoje em dia sou omnívoro mas com mais tendencia para ingerir e cumprir os principios do vegetarianismo.Li vários textos de ambientalismo vegetariano e não encontrei nem propaganda nem uma patrulha de fanáticos.Se os existem é natural pois quando somos jovens ou quando estamos donos de uma verdade, todos sabemos passamos por uma fase quase de fé.Acham que não?
Agora os ambientalismos chegaram a Portugal. Antigamente havia duas ou tres ONG.Entretanto e com o tempo temos muitas ONG com ideias e programas fortes umas nacionais e outras mais locais, mas todas necessárias. Se se divergem ou ampliam-se é bom sinal.É porque as que existem não fizeram o esforço total, não compreenderam outras linhas e orientações de outros autores....mas penalizo os insultos,não respondo a anónimos (devemos dar a cara) e sou contra o preconceito e intrometo-me sempre quando há sinais de imperialismo e de discriminação seja de que grupo ambiental for.
Consciência Animal, Biologia, Economia das Pescas,Agricultura,Investigação...e Sustentabilidade
Acho que todos devem ler o livro O Sentimento de Si, do António Damásio, para começar.Depois textos sobre Ecologia Profunda e de Paz Profunda, Permacultura,Ética Animal,Ética da Terra, Ecoaldeias, Ecoconstrução e depois um destes dias falamos.
TEXTOS ESCOLHIDOS
[1] António Damásio diz que animais também têm consciência
14 de Outubro de 2002 (em O Agricultor)
[2] Consciência e Consciência de Si-Artigo de Carlos João Correia,Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, membro da Sociedade Ética Ambiental
[3] Razões para uma dieta vegetariana (com receitas) no InfoNature
[4] Iniciação à Ecologia Profunda por José Roberto Goldim
LIVROS
. Guimarães,A. Falas da Terra.Natureza e Ambiente na Tradição Popular Portuguesa.Ed.Colobri,2004
· Damásio, António R., O Sentimento de Si. O Corpo, a emoção e a neurobiologia da consciência, Lisboa, Europa‑América, 2000.
· Dawkins, Marian Stamp, Through our eyes only? The search for animal consciousness, Oxford et al., Oxford University Press, 1993.
· Griffin, Donald R., Animal Minds, Chicago/Londres, Chicago University Press, 1992.
· Hauser, Marc, Wild Animals. What Animals Really Think, Londres et al, Penguin Books, 2001.
· Moss, Cynthia, Elephant Memories. Thirteen Years in the Life of an Elephant Family, Nova Iorque, Elm Tree, William Morrow and Co., 1988.
· Masson, Jeffrey/McCarty, Susan, Quando os Elefantes Choram. A Vida Emocional dos Animais, Lisboa, Sinais de Fogo, 2001.
· Patterson, Francine/ Linden, Eugene, The Education of Koko, Nova Iorque, Holt, Rinehart & Winston, 1981.
· Voltaire, Dictionnaire Philosophique, Bêtes (1764), Paris, Flammarion, 1993.
.BAPTISTA, F Oliveira (Coord.); et al. (2003), O rural já não ocupa espaço. Debates na MANIFesta 2003, no âmbito do proj. "As dinâmicas socioeconómicas dos espaços rurais do continente português". Serpa, Maio de 2003, ISA-DEASR / INIAP / animar, 49 p.
.BAPTISTA, F. Oliveira; et al. (2003), Portugal Rural: territórios e dinâmicas. Lisboa, MADRP, GPPAA, CD-ROM.
. BAPTISTA, F Oliveira et al 2006. Usos da terra e alterações sociais em zonas rurais – caso de Cortiços –Trás-os-Montes (artigo disponibilizado em Pdf)
