Quinta-feira, 31 de Março de 2005

Aconteceu a entrada de milho transgénico em Portugal

A Plataforma Transgénicos Fora do Prato está empenhada em impedir o cultivo de milho transgénico em Portugal, cujo arranque se prepara já para o mês de Abril. Para isso enviou aos dois ministros relevantes (Agricultura e Ambiente) duas cartas de protesto.
Se os participantes deste blogue quiserem colaborar e dar-nos força, é muito simples: escrevam também.

Mandem uma nota breve ou carta simples aos ministérios a dizer que têm de suspender imediatamente o cultivo de transgénicos em Portugal.

Qualquer método serve - o importante é que escrevam e peçam aos amigos para fazer o mesmo. Obrigada!

Contactos:
Ministério da Agricultura
Praça do Comércio1100 Lisboa
Fax: 21 323 4604
Ministério do Ambiente
Rua do Século 511200
LisboaFax: 21 323 2531


Estudo britânico conclui que OGM são nocivos para o ambiente
22.03.2005 - 11h36 Lusa, AP
Um estudo encomendado pela comissão científica do Ministério do Ambiente doReino Unido conclui que os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) sãoprejudiciais para a fauna e flora. Os autores do documento afirmam que ospássaros e os insectos preferem as culturas normais às transgénicas.Ao longo de quatro anos, os autores do estudo compararam campos de culturas OGMde colza com campos tradicionais e constataram que nos primeiros havia menossementes, abelhas e borboletas.As sementes de colza (como muitos outros OGM) estão concebidas para resistiraos herbicidas. Contudo - assinalam os cientistas - as sementes de colza nãorepeliram o crescimento de ervas daninhas e forçaram os agricultores a utilizarprodutos mais fortes para combater as parasitas. As ervas daninhas cresceram emigual número em ambas as plantações, mas na de colza havia menos ervas daninhasde folha larga, cuja escassez resultou no aparecimento de cada vez menosinsectos, refere o relatórioPara as associações ecologistas, os resultados deste estudo provam que os OGMsão nocivos para o ambiente e que deveriam ser proibidos no Reino Unido, onde amaioria da opinião pública os rejeita.O secretário de Estado do Ambiente britânico, Elliot Morley, disse que este é oestudo "mais importante até agora realizado no mundo" e reiterou a conduta doGoverno britânico nestas questões: analisar caso a caso os pedidos deautorização de culturas OGM.A Comissão Europeia deverá aprovar hoje um documento de orientação sobre estamatéria no qual constata o "número crescente" de regiões da Europa queanunciaram a intenção de recusar culturas de OGM nos seus territórios.Num comunicado comum, divulgado ontem em Bruxelas, várias organizaçõesnão-governamentais, entre as quais a Greenpeace, congratularam-se com o factode a Comissão Europeia "reconhecer a exigência crescente de zonas sem OGM naEuropa", mas lamenta que prossiga com o processo de autorização de novos OGM.

Terça-feira, 29 de Março de 2005

Neste dia de aniversário- a água pura bebe-se pelo coração

No dia de Aniversário do BioTerra relembro este belo ensinamento renascentista que entendo ser urgente recuperá-lo para o séc.XXI.
Creio que o amor e a compaixão são os motores do crescimento e do verdadeiro humanismo. Creio também que só é possível a Paz com uma relação mais sustentada do Homem com a Natureza e não com base numa relação predatória e exploratória.


CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE

Prisões políticas e violência contra as populações atingidas por barragens

Todos os anos, as populações atingidas realizam manifestações no mês de
março para marcar a passagem do dia internacional de luta contra as
barragens, comemorado em 14 de março. Em 2005, a jornada nacional de lutas do MAB está sendo alvo de uma série de agressões e prisões políticas. Veja algumas abaixo:


Violência e prisões em Minas Gerais

No dia 08 de março, a polícia militar do estado de Minas Gerais dispersou
de forma violenta um protesto de agricultores contra a construção da
barragem de Jurumirim, no município de Rio Casca. Os atingidos
protestavam durante a audiência pública que aprovaria a construção da
hidrelétrica. Cerca de 35 agricultores foram espancados pela polícia,
incluindo 11 mulheres e crianças. Seis pessoas identificadas como líderes
do MAB foram presas, sendo liberadas na madrugada seguinte. Entre os
presos, estava Pe. Antônio Claret Fernandes. Segundo a coordenação do
MAB em Minas Gerais, hoje está muito fácil implantar barragens no
Estado. "Construir barragens aqui é simples e fácil: a empresa escolhe o
local, os órgãos ambientais entregam o rio, eles recebem empréstimos do
governo e a força policial cuida do povo".

- Ação do exército em Tucuruí

Desde o dia 11 de março, o Exército Brasileiro deu mais uma demonstração
de sua disposição de atuar contra a população civil do seu próprio país. O
comando do 23º Esquadrão de Cavalaria de Selva iniciou uma operação
junto a Usina Hidrelétrica de Tucuruí no Pará, para prevenir manifestações
no local e evitar uma possível "interrupção da produção de energia".
Tucuruí foi construída durante a ditadura militar e até hoje, a maioria
das 20 mil pessoas atingidas aguarda reparação. A energia produzida em
Tucuruí é transmitida com preço subsidiado para as indústrias de alumínio
da região. A população atingida que acabou se instalando na beira e nas
ilhas formadas no lago, além de não receber nada, também não possui
energia elétrica em suas casas.
Na operação, o exército classifica claramente os movimentos sociais
como "inimigos". Vários coordenadores do MAB no Pará estão ameaçados
de morte por denunciar grileiros e madeireiros ilegais que atuam na
região.
No entanto, o Estado ao invés de proteger as lideranças populares, as
combate e pouco faz para coibir a ação dos fazendeiros. Apesar da
movimentação do exército, os atingidos não se intimidaram e iniciaram mobilização na região no último dia 15 de março. Cerca de duas mil pessoas ocuparam parte da represa e estão acampadas no local.

- Presos Políticos em Campos Novos / SC

Na madrugada do dia 12 de março, a polícia militar de Santa Catarina
iniciou buscas para prender 10 agricultores atingidos pela Barragem de
Campos Novos. Os policiais de armas em punho invadiram as casas de
várias famílias, ameaçando prender as mulheres dos agricultores caso eles
não se entregassem. Até o momento, foram presos: Edio Grasse, agricultor
do município de Celso Ramos; Carlos da Silva e Leodato Vicente (70 anos),
agricultores do município de Campos Novos; Dorneles Vicente, Aurélio
Dutra, e João Vilmar de Oliveira do município de Anita Garibaldi. Na
operação, os agricultores não foram informados do motivo da prisão. Uma criança de apenas sete anos foi levada presa junto com o pai até a delegacia.
A explicação dada pela Juíza Adriana Lisboa, que decretou as prisões foi
para garantia a ordem pública. Também foram apreendidos 16 veículos dos
agricultores, sob a acusação de que seriam utilizados para transportar integrantes do MAB em seus protestos.

Pedimos a todos que cartas e mensagens pedindo liberdade para nossos
presos políticos e o fim da violência contra os atingidos por barragens sejam enviadas para os seguintes endereços:


Adriana Lisboa - Juíza da 2ª Vara da Comarca de Campos Novos -SC
Endereço: Praça Lauro Muller, 121 Centro - 89620-000 Campos Novos -SC
Telefone: (49) 551 0400/ 0402 - Fax: (49) 551 0407
E-mail: al8058@tj.sc.gov.br

Ronaldo José Benedet - Secretário da Segurança - SC Endereço: Rua
Esteves Júnior, 80 centro - Florianópolis SC - 88015-530.
Telefone: (48) 251 1112/1113 - Fax: 251 1120
e-mail: benedet@ssp.sc.gov.br

Dilma Roussef - Ministra de Minas e Energia
Endereço: Esplanada dos Ministérios - Bloco U - 70065-900 Brasília-DF
Telefone: (61)319 5041/5452/5073 - Fax: (61)319 5074
E-mail: mme@mme.gov.br

Com cópia para:
feijo@ssp.sc.gov.br; hubner@mme.gov.br; marina_silva@mma.gov.br;
claudio.langone@mma.gov.br; casacivil@planalto.gov.br;
sg@planalto.gov.br; tadeurigo@planalto.gov.br; pr@planalto.gov.br

Segunda-feira, 28 de Março de 2005

O Litoral e suas fragilidades - Acordos Internacionais

Ne edição de Domingo, o Jornal Público trazia um dossier muito importante sobre o Litoral e a grave erosão que se assiste no nosso País.
Além disso é importante toasa as pessoas estarem cada vez mais informadas acerca deste problema.

CONHEÇA, DIVULGUE E ADICIONE OS LINKS DESTAS CONVENÇÕES NAS SUAS PÁGINAS/ BLOGUES

Convenção das Nações Unidas sobre a Lei do Mar (UNCLOS)
www.un.org/Depts/los/index.htm

Convenção Internacional para a Protecção da Poluição por Navios (MARPOL 73/78)
http://www.imo.org/

Convenção de Londres – para a Prevenção da Poluição Marinha por Despejo de Resíduos e Outros Materiais
http://www.londonconvention.org/

Convenção para a Protecção do Meio Marinho no Nordeste Atlântico (OSPAR)
www.ospar.org

Sexta-feira, 25 de Março de 2005

Bom período festivo e desloque-se com segurança

De acordo com o Novo Código da Estrada será apreendido o documento de identificação do veículo detectado a circulardesrespeitando as regras relativas à poluição sonora, do solo e do ar.
O arremesso de qualquer objecto para o exterior do veículo é sancionado com coima de 60 a 300 €.

Bom período festivo a todos os meus leitores e amigos!

Porque é uma má opção a construção de mais barragens

Fonte:Quercus

O impacto ambiental

Actualmente, as grandes barragens são consideradas como uma forma de produção de electricidade altamente nefasta para o ambiente. Entre os seus principais impactos encontram-se:
- a submersão de habitats muito importantes e desaparecimento de espécies ameaçadas de fauna e flora;
- Isolamento de populações animais (impedindo, por exemplo, a reprodução de peixes migradores);
- Diminuição da qualidade da água de um rio, devido ao aumento da temperatura, e consequente diminuição do oxigénio dissolvido, e ao
armazenamento de compostos de azoto e fósforo;
- Desenvolvimento excessivo de cianobactérias com graves consequências do ponto de vista da saúde pública, associado a um elevado período de residência da água;
- a retenção de sedimentos e nutrientes, reduzindo o volume útil e eficácia da barragem e originando uma perda gradual da fertilidade dos solos situados a jusante;
- a produção de gases produtores de efeito de estufa através da deterioração da matéria orgânica submersa, que contribuem significativamente para as alterações climáticas.

O impacto social

As grandes barragens apresentam também graves consequências sociais, uma vez que:
- provocam a inundação de terrenos agrícolas de elevada fertilidade;
- levam à deslocação de inúmeras populações humanas (entre 40 e 80 milhões de pessoas em todo o mundo);
- provocam o empobrecimento económico e cultural das comunidades deslocadas.

As populações atingidas deparam-se normalmente com um amplo espectro de riscos de empobrecimento, que passam pela perda de terras, falta de emprego, perda de habitações, marginalização, aumento da morbidez e desarticulação da comunidade, que pode resultar numa impossibilidade de recuperação sócio-cultural. De um modo mais global, sociedades inteiras têm perdido o acesso a recursos naturais e heranças culturais que foram submersos por barragens.


NO MUNDO

TAKE ACTION- A massive dam project in a wildlife-rich area in Laos threatens to displace people who have lived there for generations and damage the web of life they depend on. The World Bank and Lao government say that the Nam Theun 2 dam would earn revenue from electricity sales to neighboring Thailand and help to reduce poverty in Laos, but the dam would dislocate thousands of residents and disrupt river ecosystems that hundreds of thousands depend on. The controversial project also imperils the last wild herds of Asian elephants and other animals found nowhere else on earth.
On March 31, the World Bank will decide whether to support the Nam Theun 2 Dam. Local residents cannot openly oppose the project, so your involvement is critical. Take action! Send an email urging U.S. Treasury Secretary John Snow to ask the World Bank to oppose the Nam Theun 2 Dam.


EM PORTUGAL

RIO SABOR LIVRE - Sabor River Free

Quinta-feira, 24 de Março de 2005

Portugal pára com a importação de Madeiras Exóticas

Greenpeace e Quercus tentaram bloquear carregamento de madeira da Amazónia

22.03.2005 - 18h31 Lusa, PUBLICO.PT
Activistas da Greenpeace e da Quercus tentaram esta tarde impedir, sem sucesso, a entrada do navio "Skyman" no porto de Leixões, descendo em "rappel" de uma ponte móvel, em protesto contra um "carregamento de madeira proveniente de empresas envolvidas em abate ilegal e destrutivo na Amazónia".

O comércio de madeira da Amazónia proveniente do abate ilegal e destrutivo está relacionado com a corrupção, o roubo de terras públicas, a violência contra as comunidades locais e, em alguns casos, com homicídios. Ao não tomar medidas para controlar este problema, Portugal pode ser considerado cúmplice destes crimes, afirmou Marcelo Marquesini, coordenador da Campanha Amazónia do Greenpeace.Portugal é o quinto maior importador mundial de madeira da Amazónia brasileira, de acordo com a Quercus. Hélder Spínola, presidente da associação, considera que é tempo de Portugal assumir a sua responsabilidade e não fechar os olhos às actividades ilegais que ocorrem nos países produtores.

Conheçam e divulguem a importância da certificação de madeira, a Forst Stewarship Council FSC . Trata-se de uma estratégia que poderá inverter a tendência de desflorestação no mundo e o combate á corrupção.Por exemplo o contraplacado amigo-do-ambiente utilizado pelos activistas da Quercus e do Greenpeace é certificado pelo Forest Stewarship Council (FSC).

80% das florestas primárias do planeta foram já degradadas ou destruídas, e apenas 20% permanecem intactas. As florestas tropicais da Indonésia estão a desaparecer a um ritmo inigualável no planeta. Uma área equivalente à da Bélgica é destruída todos os anos (aproximadamente 30 mil km2, 1/3 da área de Portugal). Os nossos governos estão a falhar na protecção das florestas primárias da destruição através do corte ilegal e destrutivo.( Dados de 2004)

Quarta-feira, 23 de Março de 2005

CARTA ABERTA AOS REPRESENTANTES DA ESSON-MOBIL EM PORTUGAL

Uma iniciativa do Grupo Gaia Porto!!
Depois de ler isto ainda vai comprar gasolina nos postos ESSO?

Excelentíssimos Senhores,
Num dos períodos mais conturbados que a humanidade enfrenta, cumprem-se 2 anos desde que as tropas norte-americanos deram início à invasão do território iraquiano desencadeando assim um processo que resultou, e continua a resultar, na morte de milhares de civis inocentes assim como a destruição de praticamente todas as infra-estruturas económicas do país. Nos Estados Unidos da América, potência hegemónica - ao nível militar, económico e ideológico -, são os interesses de determinadas entidades corporativas, com um elevado poder económico (a maior parte dessas corporações possui uma riqueza financeira em muitos casos superiores ao P.I.B. de diversos países), que acabam por determinar e configurar a orientação e agenda dos principais agentes políticos do país. Essa agenda, pelas suas características dominantes, acaba por ditar hoje a realidade de cerca de 6 mil milhões de indivíduos em todo o planeta .A base do fundamentalismo neo-conservador republicano radica no poder económico e político de determinadas empresas que estabelecem como princípio primordial de toda a sua acção o seu próprio lucro financeiro, indiferentes aos custos ecológicos e sociais, entre outros, que a obtenção desse lucro possa implicar. Entre elas adquire particular preponderância, destacando-se pelo seu peso económico e complexa rede de influências que possui ao nível da presente administração republicana, assim como o seu envolvimento na questão iraquiana, a empresa que representam: a EssoMobil. Naquilo que não é certamente uma coincidência, é também uma das corporações que mais activamente tem exercido uma enorme e eficaz pressão junto das instâncias governamentais republicanas no sentido de inviabilizar aquela que é uma das únicas e mais importantes iniciativas, o único tratado internacional, destinadas a estabelecer medidas práticas no sentido de enfrentar o problema do aquecimento global: O protocolo de Quioto. O que nos opõem, então, à conduta da EssoMobil? Desde 1997 a EssoMobil despendeu um valor semelhante a 47 milhões de dólares em actividades de “lobbying” junto de diversas instâncias governamentais. Nas eleições de 2000 destinou cerca de 89% do seu orçamento para financiamento eleitoral na eleição de candidatos republicanos. Obviamente que esse investimento, como ficou demonstrado por toda a linha política da administração Bush, terá tido o seu retorno em benefícios diversos. Através de uma forte e eficaz política de “lobbying” a Esso foi capaz de assegurar a retirada dos Estados Unidos do Protocolo de Quioto, garantindo assim que os E.U.A., ao invés de procederem a uma mudança de orientação alicerçada no desenvolvimento das energias renováveis, persistissem utilizando um velho e cada vez mais inviável modelo de desenvolvimento (mas altamente lucrativo para a Esso) baseado na dependência do país e de toda a economia mundial em relação aos combustíveis fósseis. Para além desse facto, a EssoMobil continua a negar qualquer responsabilidade pelas alterações climáticas, financiando de forma explícita estudos e cientistas detractores das evidências científicas que apontam para a gravidade das alterações climáticas, e a despender milhões de dólares em campanhas de desinformação. Tem também vindo a tentar, de forma persistente, desacreditar as evidências científicas mais inquestionáveis que demonstram uma óbvia correlação entre o aquecimento global e a utilização de energias fósseis. Em Abril de 2002, o Dr. Robert Watson, presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (umas das mais importantes autoridades científicas sobre o assunto), foi destituído do seu cargo graças à pressão exercida pela delegação governamental norte-americana, isto alguns meses após o envio de uma carta por parte da Esso à administração Bush no sentido de pedir apoio no afastamento do Dr. Watson. Ao contrário de outras companhias petrolíferas, que dão os primeiros paços no sentido de investir em energias limpas, a EssoMobil continua a persistir na sua filosofia conservadora de não investir virtualmente nada em energias renováveis e obstar de forma activa e esses esforços. A Esso possui também um registo histórico que evidencia um confrangedor desrespeito pelos direitos humanos, nomeadamente no que diz respeito a uma gravíssima cumplicidade na violação de direitos humanos em Aceh, na Indonésia, tendo mesmo cedido as suas instalações para a realização de interrogatórios e prática de tortura. Ou pela brutal opressão sobre diversos movimentos de cidadãos organizados contra a construção de alguns oleodutos no Chade e nos Camarões. Entre outros casos. Em 1999, aquando da sua fusão com a Mobil, a Esso foi a primeira empresa norte-americana a rescindir com um acordo de não discriminação em função da orientação sexual dos trabalhadores. Ao nível da destruição de diversos ecossistemas naturais a conduta da Esso não é, também, de menor importância ou de natureza menos danosa: A construção de diversos oleodutos e poços de extracção em diversas áreas do planeta têm contribuído para a destruição irreversível de diversos habitates. Destacam-se, por exemplo, diversas áreas protegidas no Árctico, nas Ilhas Sakhalin - Rússia, diversas zonas de floresta tropical até então virgem no Chade e Camarões, entre outras áreas no Alaska e Canadá. Trinta anos depois da tragédia do Exxon Valdez, no Alasca, a factura da limpeza das costas do Alasca continua ainda, em larga medida, por ser paga pela Esso. É ainda de referir que as próprias refinarias da Esso são responsáveis pela deterioração das condições de vida de diversas comunidades, disseminando em seu redor substâncias químicas e gases poluentes em locais onde as pessoas vivem, trabalham e as crianças brincam. Na sequência da vaga de “despenalização” das autoridades americanas face às agressões ambientais por parte dos grandes agentes poluidores, as refinarias serão autorizadas a aumentar as suas emissões de forma dramática. A EssoMobil é a maior companhia petrolífera do mundo e, simultaneamente, através das instâncias de poder norte-americanas, uma das companhias mais influentes à escala global. Certamente podemos afirmar que se temos hoje uma mundo repleto de conflitos bélicos e invasões militares efectuadas em prol do acesso a bens geo-estratégicos como o petróleo ou toda uma sociedade baseada num paradigma energético insustentável, alicerçado nas energias fósseis, isso deve-se, sem esquecer também a (ir)responsabilidade política da actual administração, à capacidade que corporações como a EssoMobil, e muito particularmente a EssoMobil, têm de determinar a agenda política da maior potência mundial e os contornos de actuação da generalidade das entidades monetárias e políticas internacionais. Hoje, mais do que nunca, é importante sabe-lo e compreender as suas implicações. Dessa forma denunciamos também as responsabilidades que a EssoMobil tem no desencadear de uma das mais violentas invasões militares dos últimos tempos: A invasão do Iraque e a consequente morte (sem referir sequer os feridos) de cerca de 100 mil civis inocentes (números aproximados). Por todos estes motivos encontrámo-nos aqui hoje a desenvolver esta acção de protesto e sensibilização e, assim, o GAIA vem demonstrar o seu apoio à “Stop ExxonMobil Alliance” naquilo que constitui um esforço sem precedentes de diversas organizações ecológicas e grupos de defesa dos direitos humanos e pró-democracia no sentido de denunciar as “nublosas” práticas e sistemáticos abusos da EssoMobil, prometemos, ainda, tudo fazer no sentido de obstar à política ignominiosa e conduta de actuação que a entidade que representam tem vindo a desenvolver no nosso planeta.
Atenciosamente, GAIA - Porto
Mais informação disponível em:
http://www.pacificenvironment.org/stopexxonmobil

A água primordial


Os animais mamíferos humanos até ignoram ou esquecem que todos já estivemos, frágeis e dependentes, no ventre de uma mãe, quando ainda eramos fetos, dentro do líquido nutritivo e protector- o líquido amniótico.
Esta água primordial, fonte de estudos médicos e biológicos há muito denunciam que também é permeável à poluição ambiental.
Se o cidadão estiver calado e passivo a ver os seus rios poluídos, , a ver fábricas ao seu lado a emitir gases de efeitos de estufa ou então activamente ou acríticamente aceita e compra produtos em plasticos e derivado e anda a comprar monovolumes a diesel, não estará a acentuar esstes efeitos? Isto também é criação de pobreza.
Há tanto egoísmo, hipocrisia e insensibilidade naqueles que esquecem esta realidade biológica na sua prática socio-politico-económica.Compaixão e ecosolidariedade é preciso!

Planeta Água

Livros: A ONU calcula que o conjunto das necessidades básicas de alimentação, águapotável, educação e cuidados médicos da população mundial poderia ser coberta com uma taxa de menos de 4% sobre a riqueza acumulada das 225 maiores fortunas. Satisfazer os requisitos básicos de água e saneamento de todo o mundo custaria apenas 13 biliões de dólares, sensivelmente, a mesma quantia que a população dos Estados Unidos e da União Europeia despende anualmente em perfume. - Ignacio Ramonet, (1998). The politics of hunger.

Ensino: Quer saber porque a gestão eficiente da água é tão importante???

Blogosfera: Há 800 mil portugueses sem água canalizada, o que corresponde a 8% da população do país. Na Europa, 140 milhões de pessoas, 16% da população, não tem água canalizada em casa, dos quais 41 milhões não têm sequer acesso a água potável. Ora, isto acontece na Europa dos dias de hoje, a Europa industrializada e rica, da União Europeia e do Euro. Uma das zonas mais ricas do planeta. A nível global dão-se diariamente 22 mil mortes por falta de água potável. 1,1 mil milhões (mais de 1/6 da população mundial) não tem acesso adequado à água.

Bem-vindos amigos do Terra-Viva à blogosfera!

Campanhas 1 Além da Quercus, Geota e LPN, multiplicam-se campanhas de gestão eficiente da água.O Ecoclube de Mindelo aproveita a efeméride para lançar uma campanha desensibilização para a poupança de água.A partir de hoje serão realizados inquéritos porta-a-porta, em toda aFreguesia, com o objectivo de analisar os comportamentos em termos deconsumo de água. Foram produzidos 1.000 exemplares de um folheto com conselhos práticos para a poupança.

Campanhas 2 - e as autarquias de que estão à espera?

Já agora não esqueçam a importância da poluição da água e seus efeitos para a nossa sobrevivência e dos organismos vivos!




Agora também somos o País do golfe, não é? Bem, nunca se sabe, agora com o aquecimento global irreversível se não vêm crocodilos para o Algarve!


Terça-feira, 22 de Março de 2005

Marcha pelo decrescimento do consumo - um exemplo do ecologista francês François Schneider

François Schneider parte sobre as estradas, a pé, com um burro. O objectivo: ir ao encontro dos seus contemporâneos para sensibilizar-o necessário ao decrescimento. Foi um tempo em que os vendedores desempenhavam um papel extremamente importante nas campanhas. Permitiam trocas indispensáveis entre regiões e difundiam também certas notícias.
Nem as nossas campanhas nem as nossas cidades têm necessidade mais de marmitas, nem sal hoje em dia. Não faltamos mais, para a maior parte, de necessidades básicas. Enquanto que a superfície urbanisée aumenta incessantemente, que importamos sempre mais bens inúteis, que as viagens aumentam incessantemente em velocidade e distância, e que emplissons as nossas quitações de materiais à curta vida ou produtos meio usados, muito devido em parte dos meios de comunicação social e a classe política que é dedicada a um culto estranho do crescimento e sempre mais. A nossa sociedade não falta de bens e serviços, faltamos em contrapartida de divisão das riquezas e faltamos de decrescimento do nível médio de consumo. O nível de consumo de recursos e de poluição imputável aos países da OCDE (a França em facto partida) cria um risco para os ecossistemas mundiais e um modelo dévastateur para o resto do mundo. Perante o bloqueio dos canais de informação temos necessidade de novos vendedores, também não dos vendedores de bens, mas dos vendedores de ideias, dos vendedores de decrescimento. A 28 de Julho de 2004, assim decidi partir com a burra Jujube para experimentar o ofício de vendedor de decrescimento. Assim deixei Luc-en-Diois, uma aldeia de 500 habitantes do fundo do vale do Drôme, para juntar-se a Thiviers na Dordogne, onde realiza-se uma universidade de verão do decrescimento, seguidamente o oceano.
Acompanhe o dia a dia de François Schneider e informe-se aqui mais porque desenvolvimento é a guerra e porque é importante a Carta do Decrescimento.

Recados de um (manda-)Chuva na prateleira

Adelaide Chichorro Ferreira
enviado para publicação a 31.1.2005, publicado a 13 de Março de 2005 no Diário de Coimbra

Em política andam todos a «mandar vir», mas sem sucesso neste assunto em particular. A chuva é caprichosa, não vem quando a pedimos. Por outro lado, também não há manda-chuvas perfeitos. Por mais determinados que se apresentem, por mais ultimatos que façam às nuvens, não conseguem fazer chover, e o que é facto é que só com as lânguidas lágrimas de Inês não vamos a lado nenhum em defesa da vida, a qual não é somente a humana. Mesmo assim, mandar (ao menos um bocadinho) era o que políticos e gestores deviam fazer, porque é para isso que são eleitos ou pagos. O facto é que esta seca já exige atitude (vulgo «tomates»). Por muito que espante o pobre cidadão «televisado», a água dos rios é a mesma que nos sai pela torneira e que rega os tomates, além de que é em muitos casos dela que ainda dependemos em termos energéticos, enquanto não nos rendermos aos painéis fotovoltaicos (e não me refiro somente aos colectores solares). Eis pois algumas sugestões absolutamente necessárias no momento presente, que me foram comunicadas por um manda-chuva virtual há tempos por mim colocado em segurança numa prateleira, já não sei se antes se depois de um tsunami. Encare portanto o leitor esta seca, da política e não só, como um desafio ao seu engenho e adopte uma atitude positiva, mesmo se for para dizer não aos gastos de água supérfluos.

1. Não tome banho de imersão e prefira somente os duches rápidos. Se habitualmente usa o banho de imersão para relaxar, experimente em vez disso massajar-se com umas compressas de água quente no corpo. Se estiver constipado, um pouco de gengibre ralado espremido na água com que faz a compressa faz maravilhas (mas sobre isso consulte um especialista em macrobiótica).

2. Não tome banho todos os dias. Note que se não tomar banho todos os dias salvaguarda as suas feromonas naturais (responsáveis pelo sex-appeal) e poupa muito em hidratantes da pele.

3. Se tiver mesmo que tomar banho de imersão, reutilize pelo menos alguma da água nas plantas da sua varanda e por isso use champôs e sabonetes à base de produtos naturais, que ao menos adubam a terra.

4. Se beber mais líquidos «limpa-se» por dentro também, e talvez isso seja mais importante do que limpar-se apenas por fora.

5. Dilua o champô com água, a fim de não sobrecarregar os aquíferos com produtos químicos, uma vez que quando a água é pouca eles têm mais dificuldade em desaparecer. Além disso, proceder assim dá sensivelmente o mesmo resultado, com a vantagem de não estragar o cabelo (ou os pelos da barba).

6. Feche a torneira quando lavar os dentes e use preferencialmente um copo para bochechar.

7. Não lave a loiça em água corrente: encha primeiro o lava-loiças e não abuse do detergente (ponha apenas um bocadinho para não poluir os aquíferos).

8. Não coma tanto à base de gorduras: custa muito mais a lavar a loiça no fim.

9. Coma menos carne: para se produzir carne é preciso muito mais água do que para cultivar vegetais.

10. Recorra, se puder, a torneiras ou a autoclismos de poupança de água ou regule-os com esse objectivo.

11. Prefira limpar a sanita de vez em quando (reveze-se nesse trabalho com os outros membros da família, estabelecendo um calendário) à colocação de detergentes ou desinfectantes que são activados a cada descarga de água. É seguramente um exagero de «limpeza» que, multiplicado por muitos cidadãos, não contribui para facilitar a vida à estação de tratamento de águas residuais de todos os outros que consigo residem na mesma cidade.

12. Se tiver que trocar de máquina de lavar, dê o devido valor à eficiência energética e ao consumo de água.

13. Reutilize a água que sobra da cozinha nas plantas (por exemplo, água de cozer vegetais, deixando-a arrefecer, ou então restos de chá, etc.).

14. Regue o jardim à noitinha ou de manhã cedo, a fim de que não se evapore tanta água. E seja comedido com a rega de plantas ornamentais. Antes do ornamento está o alimento.

15. Não lave o carro, porque primeiro estão as pessoas e depois os seres vivos, e um automóvel não é um ser vivo. Não é por o bólide ter mais brilho que o charme do dono aumenta. Prefira sorrir e ser simpático, que acaba por resultar melhor. Para salvar a face junto dos amigos, seja pró-activo: coloque na viatura um autocolante anti-lavagem automóvel com um smiley auto-confiante e o seguinte dito: «água mole em chapa dura aqui não dá, que a seca dura»).

16. Evite andar sempre a lavar roupa: em muitos casos, basta pô-la a arejar para voltar a poder ser usada.

17. Se a roupa só tiver uma nodoazita ou outra, lave apenas a parte correspondente da peça de roupa, à mão. Note que se lavar menos tem também menos roupa para passar a ferro, ou seja: poupa trabalho.

18. E não passe a ferro: muita da roupa pode e deve ser simplesmente dobrada, porque o gasto energético com o ferro de engomar não é despiciendo. Ponha a família a ajudar e neste assunto não peça nem esteja com contemplações: exija, fazendo greve se for necessário.

19. Evite fumar ou deslocar-se a locais com muito fumo: uma das principais razões pelas quais lavamos a roupa com muita frequência é para lhe retirar o cheiro a tabaco.

20. Este ano esqueça as piscinas para os miúdos: em primeiro lugar vai estar a prevenção e o combate aos incêndios, que é um problema que nos afecta a todos. Se no entanto tiver que ser, seja comedido e reaproveite a água no fim para regas.

21. Comece já a reunir uns quantos livros interessantes para crianças. Vai ter de lhes contar histórias ou de as entreter jogando jogos com elas, de preferência não de computador (a electricidade vem das barragens, e elas não estão propriamente muito cheias).

22. Invista, se puder, num toldo para a varanda, a fim de que no Verão possa viver com mais conforto em sua casa: é que poderá haver cortes no abastecimento energético devido a sobrecarga por utilização excessiva do ar condicionado, ou então por falta de água nas barragens (e ela pode ser também necessária para combater incêndios ou para a agricultura).

23. Proteja os seus canteiros, se os tiver, com o chamado «mulching»: ou seja, colocando palha na terra, ou os restos dos vegetais usados na cozinha (talos, etc.) para manter a humidade do solo.

24. Vá-se precavendo plantando umas alfaces em vasos mesmo na varanda, em vez de flores. Pode vir a precisar delas daqui a uns tempos (sabem muito bem, até porque estão sempre à mão), e a água deve gastar-se em primeiro lugar naquilo de que necessitamos para comer. A fim de melhorar o resultado, reutilize os restos de vegetais na cozinha para fazer adubo, por exemplo por vermicompostagem (compostagem por minhocas), num caixote guardado por baixo do lava-loiças ou na garagem.

Por fim, lembre-se de que Portugal prevenido não será vencido.

Segunda-feira, 21 de Março de 2005

STABAT MATER


Façamos hoje, Dia Mundial da Floresta e da Poesia, uma reflexão sobre o Ambiente.
Se gostaram,podem colocar o meu poema no vosso blogue/site. Comuniquem-me por mail ou comentem este post.Desta forma estão a contribuir para uma maior sensibilização para a problemática ambiental.Obrigado.
Transgénica e betonizada
Lacrimosa e dolorosa
Estava a Mãe

Num manto de rio negro
Plásticos e alumínio
As árvores, muito raras e definhadas
Animais, poucos e cancerosos

Seco e pálido, o seu rosto
Amargos e incendiados gritos
Queimados de radioactividade

E os poucos homens guerreando-se
Pelo pouco vil metal para repartir
Exauridos em terrenos de sangue e de mercúrio
joão soares
English Version
Transgenic and betonned /painful and weeping / Was the Mother/ In a mantle of black river /Plastic and aluminum / the trees, very rare and meager /Animals, few and cancerous / Dry and pale, its face Bitter/ and set on fire burnt shouts of radioactivity /And the few men fighting itself/ For little vile metal to distribute/ Exausted in mercury and blood lands

Domingo, 20 de Março de 2005

Avalie os seus conhecimentos florestais!!

Porque amanhã é Dia Mundial da Floresta proponho-vos que adivinhem quais são as espécies existentes nas nossas florestas:)

Fotografia A



Fotografia B


Fotografia C


Bom Domingo!


Sábado, 19 de Março de 2005

Lusofonia: a mais nova articulação de educadores ambientais

Rosi Cheque

Inicialmente criada para debater a Carta da Terra, a lista de discussão da rede Lusofonia ou Lusófona teve seu cardápio de temas ampliado para questões relativas a "Década da educação para o desenvolvimento sustentável", lançada pela Unesco; Juventude, Gênero, Agenda 21, e outros temas que abrangem as diferentes dimensões da sustentabilidade. Nesta entrevista, a educadora Michèle Sato, do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental - GPEA e também da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT, fala da relevância em se criar a rede e do fortalecimento de uma identidade lusófona em EA, bem como do mundo das ciências nessa construção.
Lusofonia
No geral, os objetivos da Rede estão centralizados na discussão da Carta da Terra e da complexidade nela inserida. Esta, por sua vez, abarca uma lista de temáticas e de interesses múltiplos, tais como, Educação Ambiental, Desenvolvimento Sustentável, Agenda 21, Centros de EA, Juventude, Gênero, Relações Étnicas, etc. Educadores de países, tais como Açores, Angola, Brasil, Espanha, Galeria, Maloca, Portugal, Guiné, Cabo Verde, Príncipe, Macau e Timor participam da lista de discussão dessa rede.
Michèle Sato começou a entrevista explicando a concepção da rede. "A idéia da criação de uma Rede Lusófona é antiga. São aspirações, bem como desejos, de quem acredita na linguagem como uma das expressões culturais importante à construção de identidades, e aqui em especial, à identidade de quem atua no campo da EA".
"Geralmente, falamos em biodiversidade como um consenso absoluto no ambientalismo, mas, negligenciamos muito nossa pluralidade cultural. A busca deste desejo percorreu algumas tentativas, mas somente nas XII Jornadas Pedagógicas da Associação Portuguesa de Educação Ambiental - ASPEA-2005 nós fizemos a proposição e ela foi aceita amplamente. De lá pra cá, foi só disseminar a idéia que no Brasil e nos demais países teve excelente aceitação", disse Sato.
Sobre se a Lusofonia pode ser entendida como um movimento de educadores ambientais de língua portuguesa e espanhola em prol de determinada linha de EA, Michèle Sato disse, apenas, ser de pessoas atuantes na EA e falantes da língua portuguesa. Comentou, ainda, que alguns espanhóis 'independentes' que não querem a identidade espanhola por questões de envergadura política buscaram na Rede a construção de suas próprias identidades, como é o caso de grupos como Galeria e Maloca.
"O que vale na Lusofonia é a diversidade e a singularidade dos sujeitos que traçam um projeto comum de fortalecimento da EA. A lista de discussão lusófona não quer ser um canal informativo linear de 'transmissão-recepção' porque além do problema da falta de tempo e caixas postais cheias, a proposta é DEBATER criticamente o assunto em pauta para se engajar nas transformações necessárias do mundo", complementou a Sato.
Discussão
Segundo a educadora, a lista de discussão Lusófona debate sobre a iniciativa da UNESCO de lançar a "Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável - EDS", abrangendo o período 2005-2014. O debate tem se mostrado animado porque, embora no Brasil a EDS não esteja estruturada como uma linha específica de Educação Ambiental, a expressão é bastante utilizada. Segundo Michèle, a EDS é muito debatida na Europa. "Acredito que não tenhamos de divergir nos argumentos de 'contra ou a favor' da década, mas na sua superação e na tentativa do diálogo entre os diferentes".
Michèle citou o texto do Pablo Meira, da Universidade de Santiago de Compostela, como um "bom" referencial ao debate sobre EDS desde que, é claro, se possam sintetizar as diferenças em três esferas: A EA como se fosse uma árvore, firmada em suas raízes e troncos, mas ramificada em galhos e folhas múltiplas, e que considere a EDS como apenas uma destas folhagens - algo grande e infinito abarcando singularidades da efêmera década; O contrário pode ser uma reta linear, um caminho sem curvas como aquelas paisagens desérticas, um ponto de partida (a EA) e uma de chegada (EDS), como se fosse uma linha evolutiva darwiniana.
"Pessoalmente prefiro uma terceira opção: o diálogo aberto entre as duas esferas conectadas, que podem (e devem) intercambiar ideários políticos, arcabouços epistemológicos ou estratégias metodológicas. Se eu pudesse propor uma proposição política ao Brasil, proporia um diálogo entre elas à construção de uma grande comunidade de aprendizagem, mas, explicitaria minha identidade no campo da EA", expôs Sato.
Redes de EA
Segundo Michèle, no plano das redes, a Lusofonia significa uma organização de territórios, identidades e lutas que deseja o diálogo extra fronteiriço para que a comunicação não se transforme, apenas, na linha reta "transmissor-receptor", mas que consiga dar um movimento circular de diálogos à formação de uma grande comunidade de aprendizagem. "Espero, de coração, que esta recente rede consiga superar possíveis crises e caos, oferecendo a beleza que a REBEA nos dá hoje".
"Sabemos que, como todo movimento, a semeadura da REBEA deu frutos saborosos, mas ainda enfrenta tempos de estio e escassez. Talvez sejam estas curvas que constroem os movimentos não lineares das redes, clamando pela superação após períodos de turbulências, são os que tornam os desafios superados tão significativos", comentou a educadora.
Ciência
Para Michèle Sato, o mundo das ciências sempre privilegia uma atuação ou produção em inglês, ou secundariamente em francês e até espanhol. Entretanto, a literatura lusófona em EA, com especial ênfase no Brasil, é de riqueza acentuada e de consistência criativa que merece ser relevada.
Um desejo pessoal de Michèle é buscar financiamento para criação de uma Revista Lusófona de Educação Ambiental, onde as pessoas possam mostrar suas experiências no seu próprio idioma e espelhar o status de uma produção internacional.
"Para além de um academicismo cego, entretanto, desejo buscar uma aliança com a Revista Brasileira de Educação Ambiental - REVBEA, uma proposição menos acadêmica e, portanto, mais significativa do ponto de vista social. A meta é construir a EA unindo outros corações distantes, para além dos mares, contudo, que se aproximam e nos conferem uma identidade cultural", relatou Sato.
Educação
No contexto da "educação" Michèle Sato fez uma breve análise da proposta de uma Educação para o Desenvolvimento Sustentável da UNESCO. "Todos sabemos sobre a indefinição do termo 'Desenvolvimento Sustentável (DS)'. Durante a apresentação da UNESCO, ainda nas Jornadas ASPEA, uma educadora francesa, declarou que a década também serviria para definirmos melhor o que seja DS, sem reconhecer os riscos e armadilhas presentes em orientar a educação para algo sem definição. Provavelmente não deveria ser surpresa para nós, mas ouvir tal declaração da própria representante da UNESCO me causou certo constrangimento".
"Os documentos internacionais orientam a EDS para um planeta sadio, sustentável e com justiça social e proteção ambiental. Nenhum insano questionaria estes valores, mas a grande tônica, entretanto, é o direcionamento da educação à economia. Resta saber de qual economia estamos nos referindo", complementou Sato.
"Na página do Fundo Monetário Internacional - FMI há um link de uma proposta educativa. Apertando neste link, estaremos visitando a página do Banco Mundial, cujas proposições educativas se sustentam na década da UNESCO. Será uma mera coincidência? Não tenho nenhuma pretensão de esgotar esse assunto, mas seria interessante aguçarmos sentidos, trocar de lentes e olhar as orientações mais criticamente", propôs Michèle.
Segundo a educadora, recentemente, o Ministério das Ciências e Tecnologias enviou um edital de financiamentos a projetos com intercâmbios entre países europeus e em desenvolvimento. "A componente EDUCAÇÃO estava ausente, e ainda não pudemos aproveitar esta chance para um intercâmbio multilateral. Oxalá num outro edital, numa outra agência ou num outro momento qualquer".
Atuantes da EA
Michèle Sato concluiu a entrevista dizendo que a identidade de quem atua na EA está no movimento ambientalista e não no valor mercadológico do conceito de desenvolvimento. "Mudar é preciso sempre, mas não é preciso a tirania do tempo nos dizer que transformaremos o mundo em uma década. Uma revolução tem de ter mais consistência duradoura e não é a velocidade que a faz atrativa, senão a direção de nossas mudanças. Após esta década, a constatação da ilusão poderá revelar que a EA é 'aquilo que se revela aos povos, surpreende a todos não por ser exótico, mas pelo fato de ter sido ocultado, mesmo quando era o óbvio (Caetano Veloso)".
Saiba mais:

Michele Sato michele@cpd.ufmt.br

Identidades da Educação Ambiental como rebeldia contra a hegemonia do desenvolvimento sustentável

Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável: uma análise complexa - Lucie Sauvé

O "Ambiental" como valor substantivo: uma reflexão sobre a identidade da EA - Isabel Cristina de Moura Carvalho

Desenvolvimento (in)sustentável? - Leonardo Boff

Sustentabilidade e Educação - Gustavo Lima

Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável é lançada em Nova York

Constituição Europeia, a Europa e os portugueses - não atinamos com o tamanho

No Ecosfera e no Casa dos Comuns estão duas visões quase opostas do ser português.Não deixei passar em claro porque realmente no que diz respeito à acção no terreno há muito barulho e pouca acção e quando há, infelizmente é no sentido ERRADO- pela permanência, pelo territóriozinho, mesquinho, anão e do medo que já tenho aqui falado .Assim, reproduzo aqui as respostas A - que deixei no Ecosfera e B- que deixei no blogue do Senhor Deputado e Professor Guilherme Martins.

RESPOSTA A

Claro que há o entusiasmo e há o protesto, mas acrescento mais uns aspectos fruto da actividade docente, também.Sabes e eu falo das escolas, que a este nível a luta ambiental e por questões mais comezinhas como mudar hábitos- redução de lixo, uso de materiais reciclaveis, hÁbitos alimantares saudáveis é uma constante e muito poucos professores dão apoio...mesmo os que já tenham feito algumas acções de formação nessas áreas...
Depois há como muito bem sabemos o desalento de muitos educadores: mal pagos, estão entre os funcionários públicos que pagam sempre a crise provocada por poucos: os senhores do futebol, das comunicações e das imobiliárias.
Contudo e neste ponto vou acrecentar mais algumas críticas do ser português: há o azedo provincianismo, a reticência pelo novo, as intrigas....um autêntico desepero!!
Tenho conseguido alguma coisa é certo, mas sempre com um pequeno grupo - ou de alunos ou de professores- mas sempre pequenino porque muitos pensam pequeno....desabafos


RESPOSTA B
Muito bem, estimado Dr. Guilherme Martins
Mas de que Tamanho somos? De que Tamanho queremos ser??
Por muito entusiásticas sejam os esforços de professores, educadores e alguns pais em retratar uma Europa pluricultural, pluritudo aos nossos jovens o que é que verifica??
O que vemos é o convite ao crédito ( fuja do frio- x banco a troco de Y pode ganhar esta viagem a tal W), a intoxicação dos media pelos senhores do futebol, vitimizando-se por tudo e por nada, ou dos senhores dos telemóveis com mensagens TMN KRAVA e GOLOS SMS e/ou programas televisivos tipo Zero em Comportamento ( pior que a Lição do Tonecas).
As aulas de Formação Cívica, que deveriam ter manual, são muitas vezes ou estão a ser dispendidas para disciplinar as turmas ( estas constituídas por 25 a 28 alunos....). Só a nível das escolas??? E as outras instituições? A verdade e a transparência? Depois e a mudança de atitude por uma ecossolidariedade??
Na minha modesta opinão, é tempo de crescer e de mais compaixão...é urgente amar o outro- confiar- sem aquele familiarismo bafiento da época salazarista mas um amor humanista e que con VIDA!!
Estar na Europa incentivou algumas politicas ambientais obrigatórias, caso contrário o nosso Estrago seria ainda maior, mas criou um enorme espartilho apenas para quem é funcionário público. Os restantes ( muito poucos) e tb portugueses lucram,gastam, e destroiem bens comuns: a mobilidade,o ar, a água, o solo,a PAZ!!!

Quinta-feira, 17 de Março de 2005

A SECA, as ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS e o SECTOR ENERGÉTICO:consulta pública só até 31 de Março

UMA DAS MEDIDAS DE ENFRENTAR AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS PASSA POR MUDANÇAS DE ATITUDES ADAPTATIVAS E POR REDUÇÃO DA EMISSÃO DE GASES PROVENIENTES DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS- A NÍVEL GLOBAL E A NíVEL LOCAL.

Em Portugal verifica-se que
1. o Plano Nacional da Água não está actuante

2. que os argumentos de mais barragens ( o Alqueva, um dos maiores lagos artificiais da Europa e não verte uma pinga de água para os terrenos) ou mais furos ( convidando ao famoso egoísmo territorial e com consequências desastrosas na drenagem das nascentes) são insustentáveis- a água é viva!!

3. que polulam piscinas familiares e de hóteis e campos de golfe, retratando a clivagem socio-económica cada vez mais gritante entre os portugueses

4. e que há portugueses a pagar uma factura de água por dois meses de cada vez e muito cara e outros a pagar uma factura mais barata.

5. uma erosão costeira e interior intensa (mais incêndios, má gestão dos solos, betanização, impermeabilização dos solos, forte urbanização do litoral)

6. enorme dependência (desnecessária) do petróleo

As consultas públicas, tal como fóruns e dedates, são mecanismos cívicos de maior importância.

Contudo os textos em consulta pública de qualquer Ministério ou Câmara neste país continuam teimosamente com linguagem muito pouco acessível ao cidadão comum e interventivo. Gradualmente e por força de muitas ONG, as consultas públicas começam a ter alguma visibilidade, mas tendo como efeitos práticos poucos ( os vários PDM que foram sendo debatidos pelo País fora são disso exemplo). Mas temos que insistir e dedicar algum tempo nisto, porque realmente há que mudar o Estrago
da Nação e no aspecto energético então é de facto um TEMA FULCRAL e estamos a passos largos de uma CRISE a todos os níveis.

A Quercus lançou ontem, dia 16 de Março, um comunicado de imprensa protestando contra a recente legislação que aprovou o novo tarifário da electricidade produzida através de energias renováveis (o Decreto-lei nº 33-A/2005 de 16 de Fevereiro) e que tem diversos aspectos em que entra em contradição com os objectivos do Protocolo de Quioto.

Continuando a ler o referido comunicado, a Quercus justifica que em primeiro lugar, penaliza a digestão anaeróbia, processo a partir do qual os resíduos orgânicos são transformados em fertilizante e em biogás utilizado para a produção de energia (eléctrica) renovável.

Com efeito, nesta nova legislação a electricidade produzida a partir de biogás proveniente da reciclagem de resíduos orgânicos baixou de 0,065 euros por kWh para 0,055 euros por kWh.
Esta medida é incompreensível, uma vez que diversos documentos relativos às alterações climáticas (ex.: PNAC - Programa Nacional para as Alterações Climáticas) referem a importância do processo de digestão anaeróbia como forma de controlar as emissões de metano, assim como de contribuir para a produção de energia renovável.

Incrivelmente, a incineração de resíduos urbanos que, pela queima de plásticos, dá origem a significativas emissões de dióxido de carbono, acaba por ser premiada, subindo de 0,065 euros por kWh para 0,076 euros por kWh. Ou seja, esta legislação dá um claro incentivo à emissão de gases com efeito de estufa.

Por outro lado, ao penalizar fortemente a digestão anaeróbia, esta legislação torna mais difícil a devida aplicação deste processo para o tratamento de grandes volumes de resíduos, tais como a fracção orgânica dos resíduos urbanos, as lamas de ETAR, os efluentes de suiniculturas, os resíduos da indústria agro-alimentar e muitos resíduos agrícolas.

A título de exemplo, a ERB - Estratégia Nacional para a Redução de Resíduos Urbanos Biodegradáveis destinados a Aterros (no âmbito da transposição da Directiva Aterros) prevê a instalação de diversas unidades de digestão anaeróbia de forma a reciclar os resíduos orgânicos, reduzindo a sua colocação em aterro, dando assim cumprimento à directiva comunitária sobre aterros.

Curiosamente, o biogás proveniente da matéria orgânica colocado nos aterros é premiado com uma tarifa de 0,105 euros por kWh, ou seja cerca do dobro do valor atribuído ao biogás proveniente da reciclagem da matéria orgânica. Estamos assim a fomentar claramente o incumprimento da Directiva Aterro!

Continuar a ler

Não é demais???

Dê a sua voz à nossa VOZ ! Reclame, sugira, denuncie.

Lembre-se que queremos FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEL , EFICIÊNCIA ENERGÉTICA e MAIS FISCALIDADE AMBIENTAL
Fonte:Ministerio das Actividades Económicas
O Governo deliberou submeter a consulta pública as propostas de Leis de Bases do Sector Eléctrico, do Sector do Gás Natural e do Sector Petrolífero. Esta legislação enquadra a organização e as principais regras de funcionamento destes três sectores, com vista ao adequado exercício das actividades que lhes respeitam, à segurança do abastecimento e à satisfação da procura dos consumidores. Tratando-se de um conjunto legislativo de grande importância para o futuro destes sectores, pretende o Governo que a consulta pública seja a mais alargada possível, permitindo a recolha do maior número de contributos e sugestões, não só dos agentes económicos, mas também dos próprios cidadãos. Os diplomas estão disponíveis on-line no Portal do Ministério das Actividades Económicas e do Trabalho, no qual se abriram caixas de correio específicas para recolha de comentários sobre estes três diplomas.
Os comentários, propostas e sugestões devem ser enviados até ao dia 31 de Março, por correio electrónico para o Sector Eléctrico, Sector do Gás Natural e Sector Petrolífero, ou por correio normal para: Direcção-Geral de Geologia e Energia - Av. 5 de Outubro, 87 - 1069-039 Lisboa Agradecemos a sua colaboração!


ÚLIMA HORA - E QUEM ESTÁ NO BANCO MUNDIAL????
Esta má globalização não pára?? Estamos numa sociedade ultra-neo-feudalista?

Quarta-feira, 16 de Março de 2005

O medo, a religião, a redução da liberdade e efeitos na cidadania

1- O medo - a base da Religião

Texto de Bertrand Russell

A religião baseia-se principalmente e antes de tudo, no medo. É, em parte, o terror do desconhecido e, em parte, como já o disse, o desejo de sentir que se tem uma espécie de irmão mais velho que se porá do nosso lado em todas as nossas dificuldades e disputas. O medo é a base de toda essa questão: o medo do mistério, o medo da derrota, o medo da morte. O medo é a fonte da crueldade e, por conseguinte, não é de estranhar que a crueldade e a religião tenham andado de mãos dadas. O medo é a base dessas duas coisas.



2- As ditaduras têm grande medo e aversão ao humor
Texto de Mario Soares

A democracia é o regime no qual ninguém está acima da crítica. Muitas vezes, melhor do que longos discursos, argumentações cuidadas e raciocínios sofisticados, é com meia-dúzia de traços e uma frase curta, certeira, acerada, inteligente que se desafiam poderes, denunciam situações, de injustiça ou de ridículo, e se diz que o rei vai nu.

As ditaduras têm, por isso, grande medo e aversão ao humor. Salazar ostracizou os caricaturistas, alguns de génio, que se refugiaram no quotidiano e nos costumes, sendo-lhe em absoluto interdito a caricatura política. Quem não se lembra da extinção do Sempre Fixe e dos constrangimentos sofridos por Francisco Valença ou por Stuart? Quando Marcelo Caetano tentou, sem êxito, liberalizar o peso da ditadura permitiu o aparecimento de duas, três inocentes caricaturas dele próprio, o que constituiu uma grande novidade. Foi sol de pouca dura.

Ao contrário, os regimes de liberdade sabem que a sátira é um dos meios de reforço e aperfeiçoamento das instituições e dos homens. Já diziam os antigos: Rident castigat mores.


3- A América ... sem o mundo
Texto de Maria João Seabra . Janeiro 2005 Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais

A agenda eleitoral de George W. Bush não se distingue particularmente das políticas seguidas pela sua administração, particularmente após o 11 de Setembro, e cujo símbolo maior é a guerra no Iraque. As propostas relativas à national security – termo que, sintomaticamente, agrupa a política externa, de segurança e defesa e a luta externa contra o terrorismo – preconizam uma total liberdade de acção dos Estados Unidos para agir, mesmo militarmente, seja onde for, tirando pleno partido do seu inigualável poder. A definição da política externa, de segurança e defesa da plataforma eleitoral de Bush incorpora exclusivamente aqueles que são considerados os interesses nacionais, aliás entendidos de forma bastante estreita, se bem que incluam as mais diversas origens geográficas de ameaças. Longe vão os tempos da participação americana na intervenção militar na Bósnia ou no Kosovo. Hoje, a defesa dos valores e dos direitos humanos, que estiveram na base dessas intervenções, não se enquadra na política da América republicana. Esta concepção da defesa nacional não se limita a uma acção clássica de defesa territorial, confinada às fronteiras americanas – a expressão clássica do isolacionismo americano – mas preconiza a acção em qualquer ponto do globo, com base na doutrina estratégica das guerras preventivas. Não deixa de ter, porém, uma fortíssima dimensão interna, concretizada na política de homeland security, que o candidato Republicano pretende reforçar, mantendo as medidas que no pós-11 de Setembro, através do Patriotic Act, colocaram restrições às liberdades fundamentais em nome da luta anti-terrorista. Pouco depois do 11 de Setembro, George W. Bush proferiu a frase que resume a sua acção (e as suas propostas eleitorais): quem não está com os Estados Unidos, está contra os Estados Unidos. Ilustra na perfeição o actual pensamento republicano. Em termos externos, este rumo político concretizou-se na National Security Strategy dos Estados Unidos, com três pontos centrais: defender a paz através do combate à violência de terroristas e de regimes «fora da lei»; preservar a paz pelo desenvolvimento de uma era de boas relações entre as grandes potências mundiais; e estender a paz, pela via da ampliação dos benefícios da liberdade e da prosperidade pelo mundo. A concretização desta estratégia, segundo as propostas eleitorais de George W. Bush, implica um papel reforçado das forças armadas americanas. Daí a proposta de aumento substancial do orçamento da defesa, de forma a permitir, entre outras coisas o desenvolvimento do sistema de defesa anti-missil e a concepção e aquisição de armamento. De acordo com as recentes declarações de George W. Bush, os EUA vão efectuar um grande movimento de tropas, que inclui a retirada de mais de 60 mil homens de bases no estrangeiro, cujo grosso virá essencialmente da Alemanha e da Coreia do Sul. Apresentada como forma de racionalizar as forças armadas e de melhor as preparar para os desafios que actualmente se colocam ao país, este movimento de tropas não deixa de ser lido como mais um passo na desvalorização das alianças tradicionais de Washington, cujas estruturas foram fortemente abaladas com o desacordo, nomeadamente entre os membros da NATO, relativamente à guerra no Iraque. A estratégia eleitoral de George W. Bush centra-se muito na questão da segurança nacional e da luta contra o terrorismo. Afinal, este é o tema em que, de acordo com as sondagens, os americanos consideram que Bush é mais eficiente, enquanto John Kerry assume a liderança em questões internas como a economia e a saúde. A campanha republicana centra-se, assim, no destaque dado à vulnerabilidade dos EUA, que «já não estão protegidos pelos vastos oceanos», como se pode ler no site oficial de George W. Bush. Uma vulnerabilidade que gera medo, medo que por sua vez encontra nos republicanos uma resposta de firmeza e determinação – uma dureza que estaria ausente em Kerry. Que relação entre a América e o mundo se pode esperar da reeleição de George W. Bush? Fundamentalmente, não se pode esperar nada de muito novo. Para os neo-conservadores e para os nacionalistas conservadores, seguindo a terminologia de Joseph Nye, os EUA devem assumir a sua hegemonia, pois sendo uma democracia agirão no interesse do bem, e as instituições internacionais não podem, nem devem, limitar o exercício do poder americano. A doutrina Bush pode ser classificada, como já foi, de novo-unilateralismo Nada indica que uma nova administração Bush faça um corte radical com esta doutrina, mesmo se os insucessos que ela teve, nomeadamente no Iraque, obriguem a um maior realismo e a que as Nações Unidas voltem a estar presentes nas considerações dos Republicanos. As propostas eleitorais de Bush apostam na continuidade de actuação da sua administração – uma América isolada do mundo, não porque se feche nas suas fronteiras mas porque actua como se o resto do mundo não existisse.

No chão do medo tombam os vencidos- Zeca Afonso

CIBERACÇÃO DE HOJE

Campanha da Greenpeace de apoio a Albena Simeonova

Albena Simeonova, de 40 anos, uma ecologista búlgara que se tem manifestado contra a construção de uma central nuclear em Belene. Para além de já ter recebido telefonemas anónimos, fora abordada em sua casa por dois desconhecidos que a ameaçaram de morte se ela não desistisse de se manifestar contra a central nuclear e se não abandonasse Nikopol, onde reside. Albena Simeonova recebeu o Goldman Award , que é o equivalente ao prémio Nobel do Ambiente, em 1996.

Terça-feira, 15 de Março de 2005

O lucro para poucos, o desemprego para muitos milhões e a exclusão socioambiental

Hoje porque é 15 de Março - Dia Mundial dos Direitos do Consumidor

É urgente praticarmos um consumo mais responsável e exigirmos aos governantes uma gestão eficiente dos recursos naturais!

É urgente a coesão social: legalização e integração dos imigrantes, protecção dos excluídos, vigilância do cumprimento dos Direitos da Criança e do Homem.

É urgente uma dinâmica socioambiental mais eficaz: reforço do papel das ONG e movimentos cívicos; políticas ambientais tranversais; vigilância de várias Convenções de Conservação da Natureza e de Urbanismo; protecção dos Direitos dos Animais; vigilância do consumismo e acordos internacionais; vigilância do cumprimento da Agenda 21 e da Carta da Terra.

É urgente o amor!

Selecção de textos:

1.Excerto do artigo de José Manuel Barata-Feyo, sob o título O Concerto do Lucro, publicado na Grande Reportagem, revista que acompanha o Jornal de Notícias e o Diáro de Notícias de 12 de Março de 2005

Neste período de apresentação de resultados, os números estão aí, vindos dos dois lados do Atlântico, a somar-se aos divulgados em Portugal. Exemplos concretos? O Citigroup anunciou um lucro recorde de 17 mil milhões de dólares em 2004; no mesmo período a Renault chegou aos 3,55 mil milhões de euros; e só no último trimestre de 2004, a petrolífera Móbil ganhou 8,4 mil milhões de dólares.

A lista abrange a maioria das empresas cotadas em bolsa nos países industrializados, e os números são tão absurdamente enormes que escapam ao entendimento do comum dos mortais.

Apesar da crise apregoada, as empresas portuguesas participam activamente no concerto do lucro. Os supermercados declaram resultados líquidos que ultrapassam de longe os do ano anterior, os CTT pura e simplesmente duplicam os lucros, e os benefícios da EDP e dos bancos explodem para cima. Por seu turno, a Portugal Telecom, cujos lucros foram, em 2004, mais do dobro de 2003, vai gastar 250 milhões de euros para abater mil postos de trabalho, segundo noticia o Público.

Por todo o lado, a constante é a mesma, indecente e perversa: os lucros crescem ao mesmo ritmo que aumenta o desemprego.
(...)

Fonte: Expresso de 14 de Março 2005

2.Portugal com mais pobres . Número tende a aumentar

Portugal tem, pelo menos, dois milhões de pobres, mas o economista Rogério Roque Amaro admite que este total possa ter aumentado nos últimos anos, razão porque defende a adopção de soluções que respondam aos diferentes tipos de pobreza.
No IV Congresso da Associação Cais Economia para Todos, que se realiza hoje e terça-feira na Fundação Luso-Americana em Lisboa, Rogério Roque Amaro realçou a diversidade da pobreza, que se tem agravado nos últimos anos.
De acordo com o economista, actualmente a pobreza atinge com mais incidência os idosos com pensões baixas, os desempregados de longa duração e recorrentes, as famílias monoparentais, as minorias étnicas e os pequenos agricultores.
Rogério Roque Amaro referiu-se também à exclusão social em que vivem os idosos em geral, não só os que possuem pensões baixas, os filhos de pais viciados em trabalho, os reclusos, os toxicodependentes, as minorias étnicas e os sem-abrigo.
Para minorar os problemas da pobreza e exclusão social, o economista defendeu políticas diferenciadas consoante o território e os grupos sociais.
Defendeu igualmente uma combinação de políticas sociais e económicas para atacar a pobreza e a exclusão social, lembrando que as políticas não podem mudar conforme o ciclo político.
No entender do presidente da Associação Cais, Pedro Pais de Almeida, quanto mais o país se vai desenvolvendo, maior é o fosso entre os pobres e excluídos e a restante população.
Além da revista «Cais», vendida pelos sem-abrigo, a Associação está a desenvolver o projecto «Ponte Digital», que consiste na possibilidade de a população alvo aceder às tecnologias de informação, para que se sinta menos excluída e possa ter acesso a um emprego.
Também no Congresso, o Presidente da República, Jorge Sampaio, questionou o destino dos fundos estruturais que Portugal foi recebendo desde que integrou a União Europeia.
Porque não há portugueses dispensáveis, o chefe de Estado pediu uma maior ligação das associações que lidam com a pobreza e excluídos sociais.

Segunda-feira, 14 de Março de 2005

ULTIMA HORA- AMANHÃ, Activistas da ANIMAL protestam em frente à Embaixada do Canadá emLisboa contra o massacre de 300.000 focas bebés no Canadá | PART

PARA DIZER BASTA A ESTE CRIME!!

No dia em que representações diplomáticas do Canadá em mais de 50 cidades em 22países em todo o mundo serão alvo de protestos de organizações de defesa dosanimais contra o massacre das focas promovido pelo Governo do Canadá, a ANIMAL promoverá o protesto em Lisboa, ajudando a lançar boicote internacional aoturismo e a todos os produtos do Canadá AMANHÃ, dia 15 de Março, a ANIMAL juntar-se-á a organizações de defesa dos animais e ambientalistas de todo o mundo para protestar contra o massacre de focas no Canadá, autorizado e encorajado pelo Governo do Canadá, assinalando,assim, o Dia Internacional Contra o Massacre das Focas no Canadá. Neste dia,protestos similares acontecerão, concertadamente, em frente a embaixadas econsulados deste país em todo o mundo. Acções de protesto estão programadaspara ocorrerem neste dia em mais de 50 cidades de 22 países diferentes, desde oCanadá, aos Estados Unidos da América, ao México e outros países da AméricaLatina, no Médio Oriente e por toda a Europa. Integrada nesta coligação internacional de organizações que se opõem aomassacre extremamente cruel e injustificável de cerca de 300 mil focas entre 15de Março e 15 de Maio do ano corrente (depois de, no ano passado, o mesmonúmero de focas ter sido massacrado nesta mesma altura do ano, e estandoprevista uma terceira fase deste massacre neste mesmo período do próximo ano),a ANIMAL promoverá, amanhã, dia 15 de Março – Dia Internacional Contra oMassacre das Focas no Canadá, uma acção de protesto em frente à Embaixada doCanadá em Lisboa (sita na Av. da Liberdade, n.ºs 198-200), entre as 12h30m e as13h30m. Durante este dia, a Embaixada do Canadá estará sempre a recebertelefonemas, faxes e e-mails de pessoas de todo o país que protestarão destaforma, complementando os protestos à porta da Embaixada. Inteiramente vestidos de branco, para representar o branco das focas e o brancoda neve onde as focas são mortas à paulada e a tiro, e manchados de sangue decaracterização para representar o sangue das focas que são vítimas destemassacre horrendo, activistas da ANIMAL denunciarão, em frente à Embaixada doCanadá em Lisboa, o envolvimento activo e declarado do Governo do Canadá namorte chocante e violenta de focas com poucos dias ou poucas semanas de idade,que, indefesas e em pânico, tentam fugir desesperadamente dos caçadores que asperseguem e matam impiedosamente, armados com paus e potentes caçadeiras. Junte-se a nós neste protesto! AMANHÃ, dia 15 de Março, às 12h30m, vista-se debranco ou use um lençol branco e junte-se à ANIMAL, em frente à Embaixada doCanadá em Lisboa, neste protesto contra o massacre das focas bebés.

Durante todo o dia de amanhã, telefone ininterruptamente em protesto para aEmbaixada do Canadá em Lisboa, através do 21 316 46 00 e do 21 316 46 51, eenvie também protestos por fax, através do 21 316 46 93, do 21 316 46 95 e do21 316 46 92, e por e-mail, através do lsbon-cs@dfait-maeci.gc.ca e do lsbon-ag@dfait-maeci.gc.ca, com a mensagem simples, mas forte e clara: Parem o massacre das focas no Canadá, ou enfrentem os protestos mundiais e o boicoteinternacional aos produtos canadianos e turismo no Canadá.

A caça comercial de focas no Canadá é o maior e mais cruel massacre de animaismarinhos no nosso planeta, declarou Miguel Moutinho, Director Executivo daANIMAL. Todos os anos, centenas de milhares de focas bebés são mortas à paulada e a tiro, sendo retirada a pele a muitas destas focas quando aindaestão vivas e conscientes, agonizando numa morte horrível. Um painel de veterinários independentes de vários países que estudaram a caça comercial defocas concluiu que até 42% das focas que estes cientistas examinaram foramprovavelmente esfoladas enquanto vivas e completamente conscientes. As sondagens deixam claro que a maioria dos Canadianos, Americanos e Europeus querem que a caça comercial às focas acabe definitivamente, e governos de todoo mundo estão a tomar posições acerca deste assunto. No dia 2 de Fevereiro,cerca de um quarto dos Senadores dos EUA co-apoiaram uma resolução que apelavaao Governo Canadiano que proibisse este massacre. No Reino Unido, 130 Deputadosdo Parlamento assinaram uma moção que apelava ao Governo Britânico para proibira importação de todo o tipo de peles de focas. O Governo da Bélgica proibiurecentemente a importação e comércio de peles de focas e o Governo Italianoaprovou uma resolução anunciando a sua intenção de tomar uma medida igual. Muitas organizações vão lançar, neste Dia Internacional Contra o Massacre deFocas no Canadá, um boicote internacional ao turismo e a todos os produtos deempresas Canadianas. “Se a caça às focas não terminar, juntar-nos-emos a umapoderosa rede de organizações que lançarão um boicote internacional a produtosCanadianos e até ao turismo neste país”, afirmou Artur Mendes, Presidente daANIMAL. A caça às focas é uma actividade conduzida pela indústria da pesca comercial daCosta Este do Canadá. O argumento central para justificar esta caça éapresentado por esta indústria, que alega que as focas, ao caçarem ealimentarem-se, têm um impacto negativo nas populações de peixes, deixando aindústria pesqueira sem peixe para pescar. Contudo, sólidos estudos científicosmostraram que a depauperação das populações de peixes devem-se, na verdade, àpesca excessiva da mesma indústria que se queixa da falta de peixe cujaspopulações dizima, atribuindo as culpas às focas como argumento para as caçar.Além disso, o massacre das focas bebés é não só um acontecimento cruel eterrivelmente chocante mas também ecologicamente perigoso, uma vez que ofenómeno do sobreaquecimento do planeta está a levar a que o habitat naturaldestas focas seja drasticamente afectado, o que as pode levar à extinção,juntamente com a morte de um milhão destes animais em apenas três anos. A Humane Society of the United States, com a qual a ANIMAL está a colaborarneste protesto, estará no terreno a documentar a brutalidade do massacre,estando disponíveis imagens em vídeo deste massacre mediante pedido aoInternational Fund for Animal Welfare (www.IFAW.org). Para mais informações, por favor visite www.ProtectSeals.org e www.Boycott-Canada.com.

As petrolíferas, os lucros e o meio ambiente

EM PORTUGAL

OS PARADOXOS E A FRACA CONTESTAÇÃO!

Verão 2004








Combustiveis nao param de aumentar...Deco defende a suspensao da liberalizaçao dos preços
20 Out 2004

A associação de defesa do consumidor Deco voltou a defender a suspensão da liberalização dos combustíveis face à escalada dos preços nos últimos meses, na sequência do aumento superior a 70 por cento do preço do petróleo em Londres e Nova Iorque desde o início do ano.Um representante da Deco declarou à TSF que esta é a única alternativa que se afigura viável para minimizar o impacto da "subida galopante do petróleo" na carteira dos portugueses.A associação reconhece que as virtudes da liberalização do preço livre não se aplicam em Portugal, ou seja, os consumidores não saem beneficiados porque não há verdadeira concorrência entre as gasolineiras que actuam no mercado nacional.A associação diz ainda que o Governo também podia dar uma ajuda nesta matéria, baixando a carga fiscal sobre os combustíveis, já que devido à subida dos preços a verba que o Estado tinha previsto arrecadar até ao fim do ano já foi de facto atingida em Agosto.


NO MUNDO

A FORTE CONTESTAÇÃO!

Varias têm sido as campanhas contra as gasolineiras e com razões suficientes.
A mais importante delas é sem dúvida a contestação mundial contra a Exxon.
O Ondas volta a lembrar-nos.
A Esso (ExxonMobil nos EUA) é a maior criminosa ambiental. E porquê? A Greenpeace explica: porque é a maior petrolífera mundial que mais lucros declara, que mais lóbi faz contra a redução de emissões e contra a aplicação do protocolo de Quioto, que mais apoios dá a políticos e governantes americanos para fazerem valer os seus interesses e salvaguardar os seus lucros fabulosos à custa do Ambiente. Por isso, a Greenpeace sugere: que a Esso mude de atitude, que apoie os governos na redução das emissões, que deixe de financiar lóbis, que apoie a investigação em tecnologias de enegias limpas; que os governos batem o pé à Esso; que os cidadãos não comprem produtos Esso.

Por favor não comprem produtos ESSO!!

Don´t Buy Esso - Campaign Updates


STOP ESSO Irlanda

Domingo, 13 de Março de 2005

Quando me tornei preocupado com as questões ambientais...

Até aos meus treze anos - estamos a falar em 1979- era uma criança que adorava estudar, ler todos os livros que aparecessem à frente, brincar e o meu mundo era dividido entre a escola, os amigos da bola e do pião, catequese e a família. Quando tinha onze anos ouvia falar de cinema., de filmes fantasticos cheios de acção espelhados num grande ecrã e um som e imagem mil vezes superior ao da televisão ( ainda era a preto e branco a de lá de casa). A curiosidade foi aumentando até que de tanto insistir com a minha mãe, deixou-me ir finalmente ao cinema ver um filme com um primo meu mais velho, porque era um filme para maiores de 18 anos. Como era alto facilmente passava por um jovem dessa idade. Apocalypse Now era o nome do filme. A sua história completamente coesa e frontal contra a guerra e a música incisiva dos Doors, de tão estranha quanto apixonante, mudaram-me definitivamente a minha forma e atitude na vida. Na escola debati o filme com uma professora de Geografia, muito dedicada e pronta a responder a muitas dúvidas que assaltavam-nos e disse-me que a guerra era o contrario da humanidade e que esta deveria estar mais voltada para a Natureza, antes que fosse tarde.
E agora pergunto a si: que filme ou exposição ou momento da sua vida mudou a sua maneria de ver o mundo e de ter vontade em proteger a Natureza?


CIBERACÇÃO DE HOJE

Assine a Petição contra a Directiva Bolkstein
NÃO a um Europa do retrocesso social
NÃO a uma Europa de regressão educativa



Sábado, 12 de Março de 2005

Primeira Feira Social- feiras e exposições em que medida têem alterado a sua vida?

Encontrei na obra de José Gil aquilo que eu também acho que se passa com muitos portugueses: não há espaço público para a INSCRIÇÃO- esse evento transforma um acontecimento e de certa forma fica marcado e promove reacção e avanços, depois de um atento e participativo debate público. Mas tudo começa pela atiutude. Senão vejamos: depois de feiras, congressos, seminários, etc. em que tenho ido e participado,verifico que os meus amigos apenas afirmam se gostaram ou não gostaram e voltam para casa, quer dizer, para outras preocupações.
O que pensam sobre isto? Passa-se o mesmo? Qual(is) os acontecimentos culturais em termos de Educação Ambiental que já assistiu e que contribuiu para mudar a concepção que tinha do mundo e que teria que fazer algo para preservar a Natureza?

De 18 a 20 de Março , decorre no Terreiro do Paço , em Lisboa, a 1ª feira social , que reunirá diversas ONG´s na área da Acção social ,Cooperação e Desenvolvimento .
Ver com mais detalhes
Feira Social




E ainda a Amazónia

Durante um debate numa universidade nos Estados Unidos o Ministro da Educação do Brasil, em 2004, CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava dainternacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistêncianalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda osbrasileiros).Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de umHumanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta do Sr.CristovamBuarque:

De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra ainternacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenhamo devido cuidado com esse património, ele é nosso.Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre aAmazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudoo mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada,internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... Opetróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto aAmazónia para o nosso futuro.Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar oudiminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesmaforma, o capital financeiro dos países ricos deveria serinternacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os sereshumanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de umpaís. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelasdecisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar queas reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpiada especulação.Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização detodos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas àFrança. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidaspelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como opatrimónio natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto deum proprietário ou de um país.Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, umquadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sidointernacionalizado.Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum doMilénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades emcomparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu achoque Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada.Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim comoParis, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cadacidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveriapertencer ao mundo inteiro.Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-lanas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenaisnucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes deusar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior doque as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundoem troca da dívida.Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do quemerece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres domundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elastrabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas,enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazóniaseja nossa. Só nossa!
ESTE DISCURSO NÃO FOI PUBLICADO. AJUDE-NOS A DIVULGÁ-LO
Porque acho é muito importante ... mais ainda, porque foi censurado.

Sexta-feira, 11 de Março de 2005

Abate de 2605 Sobreiros: que crime!!

Sem dúvida é uma medida que se impunha!!!

· Providência cautelar já foi entregue
· Quercus exige demissão do Director

Em sequência do Despacho Conjunto n.º 204/2005, dos Ministros daAgricultura, Pescas e Florestas, do Ambiente e do Ordenamento do Territórioe do Turismo, que reconhece indevidamente a imprescindível utilidade públicade um loteamento turístico/imobiliário da Portucale em Benavente, a QUERCUSe o CIDAMB apresentaram hoje no Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria uma providência cautelar para suspender a sua eficácia.Desta forma pretende-se impedir o abate de 2605 sobreiros, já iniciado no terreno, e a ocupação de mais de 500 hectares de Reserva Ecológica Nacional.A QUERCUS considera que a imprescindível utilidade pública conferida pelo despacho acima referido foi um acto destituído de qualquer suporte legal. Aimprescindível utilidade pública prevista na lei que protege o sobreiro(Decreto-Lei 169/2001 de 25 de Maio) não se aplica de forma alguma aoempreendimento que a Portucale pretende implementar na Herdade da VargemFresca, o qual inclui, entre outros, a construção de 1534 fogos e doiscampos de golfe.Por outro lado, em harmonia com o Decreto-lei nº69/2000 (Regime Jurídico daAvaliação de Impacte Ambiental), pelo facto deste projecto implicar oloteamento de uma área superior a 500 hectares e a construção de mais de1500 fogos carece de avaliação de impacte ambiental, o que não sucedeu até àdata.Tendo em conta que os Ministros responsáveis pela assinatura do despacho acima referido estão em fim de funções e são já demissionários, a QUERCUS exige ao novo governo a demissão do Director da Circunscrição Florestal doSul, o qual autorizou rapidamente o abate dos sobreiros após a publicação emDiário da República da imprescindível utilidade pública dada aoe mpreendimento. Com esse acto, o Director da Circunscrição Florestal do Sul demonstrou não possuir as condições mínimas para desempenhar as suas funções e salvaguardar o interesse do coberto florestal Português.
Lisboa, 11 de Março de 2005
A Direcção Nacional daQUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza

Se cada um fizer o que quiser a curto prazo, seremos todos perdedores a longo prazo

Consumo Sustentável: um exercício de cidadania em prol do meio ambiente
Andressa Melnick MendesAdvogada, Consultora em meio ambiente

Nos últimos anos tem-se notado uma significativa mudança na relação do homem com o meio ambiente frente ao consumismo. Os resultados econômicos passarão a depender cada vez mais de decisões empresariais que levem em conta pontos não conflitantes entre obtenção de lucro e meio ambiente, uma vez que a realidade mostra que o movimento ambientalista vem crescendo em escala mundial e, portanto, os consumidores passam a valorizar cada vez mais a proteção do meio ambiente.

Nas relações de consumo o direito à informação é imprescindível para que os consumidores conheçam mais sobre os produtos e serviços que estão a sua disposição e possam optar por aqueles que melhor se encaixem no seu modo de vida.Na fabricação de alguns produtos já se constata essa preocupação com o uso racional dos recursos naturais.

Também se observam mudanças nas informações contidas nas embalagens, conscientizando os consumidores sobre questões ambientais envolvidas na fabricação dos produtos. Consumidores de atum, por exemplo, podem optar por uma marca que tem o selo de garantia de que os pescadores utilizam técnicas que evitam a captura de golfinhos, uma vez que eles se alimentam de atum e muitos acabam morrendo ao caírem nas redes de barcos pesqueiros.Outro exemplo é o filtro de papel para café que não utiliza o processo de branqueamento na sua fabricação. Há também as mercadorias que utilizam o chamado selo verde, que é a rotulagem concedida a um produto cuja origem, processo e destinação final são ambientalmente corretos.Essa atitude dos consumidores preocupados com a questão ambiental passa a influenciar no comportamento das empresas. São pessoas que separam o lixo orgânico do lixo reciclável, que evitam comprar produtos cujas embalagens sejam feitas de materiais que gerem resíduos não-degradáveis, que consomem frutas e verduras plantadas sem o uso de agrotóxicos, que se preocupam com a questão da escassez da água potável. Pessoas que estão, muitas vezes, dispostas a pagar um pouco mais por uma mercadoria, mas que ficam com a consciência leve por saberem que adquiriram produtos que, em seu processo de fabricação, causaram o mínimo possível de danos à natureza.

Neste contexto é que entra o chamado consumo sustentável, com as mudanças no comportamento dos consumidores, bem como, no comportamento dos fabricantes, percebendo seu poder na preservação do meio ambiente, para as presentes e futuras gerações, como prevê a nossa Constituição Federal e a legislação ambiental.Felizmente, o homem tem, a seu favor, várias soluções para dispor de forma correta, sem acarretar prejuízos ao ambiente e à saúde pública. O ideal, no entanto, seria que todos nós evitássemos o acúmulo de detritos, diminuindo o consumo excessivo de embalagens e o desperdício de materiais e alimentos. Urge, portanto, colocar em prática tais preceitos.Essa proposta de consumo sustentável é uma concepção voltada para três esferas: social, ambiental e ética.

Na esfera social o conceito de consumo sustentável questiona as desigualdades entre os ricos e os pobres, argumentando que é preciso encontrar um padrão de consumo em que todos tenham as suas necessidades básicas atendidas, sem ônus ecológico. A segunda dimensão, a ambiental, baseia-se no ciclo de vida do produto, partindo das matérias-primas e chegando ao descarte, atendendo a necessidade de reduzir a degradação da natureza e a poluição. Por fim, há a preocupação ética com as futuras gerações.

É imprescindível que o poder público atue em prol desse novo padrão de consumo. Inicialmente, promovendo, de forma eficiente, o consumo racional de energia elétrica e de água, por meio de campanhas de sensibilização, a começar pelas aulas de educação ambiental nas escolas e creches, incentivando, desta forma, a formação de cidadãos conscientes, que já cresçam vendo o mundo de outra maneira e que possam passar a mensagem adiante.

A mudança nos padrões de consumo exigirá uma estratégia centrada na demanda, no atendimento das necessidades básicas da população, na redução do desperdício e no uso racional dos recursos naturais no processo de produção.O consumo sustentável pode ser visto como uma estratégia viável para a sociedade, mesmo que seja a longo prazo. Porque, como disse a ex-primeira ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, se cada um fizer o que quiser a curto prazo, seremos todos perdedores a longo prazo.


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