O segundo, Dez minutos mais velho: o cello (Ten minutes older: the cello, 2002), junta oito cineastas: Bernardo Bertolucci, Mike Figgis, Jirí Menzel, István Szabó, Claire Denis, Volker Schlöndorff, Michael Radford e Jean-Luc Godard.
Ten Minutes Older: The Cello (2002), reside precisamente na forma como a música de um violoncelo serve de fio condutor para uma tapeçaria cinematográfica extremamente variada. Ao contrário do primeiro volume, The Trumpet, que possuía uma energia talvez mais vibrante, este conjunto de curtas-metragens opta por uma sonoridade mais melancólica e profunda, utilizando as composições de Paul Englishby para suavizar as transições entre visões artísticas que, à partida, pouco teriam em comum.
O "cello" do título não remete a um género musical específico, mas sim à textura emocional que une os oito cineastas. Nesta obra, a heterogeneidade é a regra: o espectador é transportado da ficção científica de Michael Radford, que aborda a relatividade do tempo no espaço, passando por registos emotivos (Menzel) para o experimentalismo visual de Jean-Luc Godard ou as narrativas de ecrã dividido de Mike Figgis. Aborda também o realismo fantástico (Schlöndorff). Há espaço para o humor negro de István Szabó e para a sensibilidade social de Claire Denis, criando um mosaico onde o tempo é a única constante. No fundo, o violoncelo funciona como um elemento de respiração e de reflexão, lembrando-nos de que, independentemente do estilo — seja realismo fantástico ou análise académica —, todos os realizadores estão limitados pelo mesmo e inexorável intervalo de dez minutos. É esta música, grave e constante, que transforma uma sucessão de curtas díspares numa experiência cinematográfica coesa sobre a brevidade e a percepção da existência.
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