Pudesse eu
Pudesse eu não ter laços nem limites,
Ó vida de mil faces transbordantes,
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!
Caminhar através da noite densa
Com o rastro de luz de um meteoro,
E deixar a minha própria alma suspensa
No espaço que percorro e que adoro.
Dar tudo o que sou e o que não sou,
Sem nada esperar e nada pedir,
Ser como o vento que passa e que passou,
Sem nunca mais voltar nem repetir.
Para que a minha vida fosse o eco
Do bater do teu coração, ó mundo,
E para que o meu espírito fosse o reflexo
Do teu olhar azul, límpido e profundo.
Sophia Andresen, Dia do Mar (1947)

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