quarta-feira, 27 de maio de 2026

Revolta na SIC. Trabalhadores contestam aumentos milionários na administração



A Comissão de Trabalhadores da SIC emitiu esta segunda-feira um comunicado interno na qual manifesta “o seu repúdio” pela proposta para atualizar a política de remuneração dos membros dos órgãos de administração e fiscalização do grupo, que será votada no dia 26 em Assembleia Geral.

“É particularmente incompreensível e inaceitável que, num contexto em que a empresa continua a recusar aumentos salariais para os trabalhadores – alegando constrangimentos financeiros, necessidade de contenção e sustentabilidade – surja agora uma proposta que prevê uma revisão transversal em alta das remunerações dos órgãos de administração, bem como o reforço dos mecanismos de remuneração variável e benefícios associados”, escreve a comissão de trabalhadores, no comunicado ao qual o ECO teve acesso.

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“Esta opção transmite uma mensagem profundamente errada à organização: a de que existem recursos para valorizar a gestão de topo, mas não para reconhecer o esforço coletivo dos trabalhadores”, termina o comunicado, que apela também a que os trabalhadores participem na greve geral de dia 3 de junho.

Amanhã, em assembleia geral, será votada a política de remuneração dos membros dos órgãos de administração e fiscalização da Sociedade para o período de 2026/2028.

Esta prevê que o presidente do conselho de administração e presidente da comissão executiva passe a ter uma remuneração de 385.000 euros, à qual se pode juntar uma remuneração variável plurianual, com pagamento diferido a três anos, que com base no cumprimento de uma grelha de critérios pode ir até seis vezes a respetiva remuneração bruta mensal.

A remuneração variável é aplicável também aos restantes membros da comissão executiva, cuja remuneração fixa oscila entre os 254.800 e os 189 mil euros.

O CEO do grupo, recorde-se, acumula também as funções de chairman desde março, altura na qual o conselho de administração passou, com a entrada da MFE, a ter nove membros.

Francisco Pedro Balsemão, que sucedeu nas funções de presidente a Francisco Pinto Balsemão, o fundador do grupo, recebeu no último ano de remuneração fixa 280 mil euros, mais 60 mil de remuneração variável e cerca de 2.300 euros de subsídio de refeição. Francisco Pinto Balsemão, por seu turno, auferiu até 21 de outubro, data da sua morte, cerca de 101,2 mil euros.

No total, o conselho de administração recebeu no último anos 669.216 euros, 609 mil dos quais de remuneração fixa. Com a nova política de remuneração, o vencimento dos órgãos de administração e fiscalização passa para o dobro, ou seja, para 1,2 milhões de euros.

No entanto, o conselho de administração passou a ser composto por nove elementos e, como avançou o +M em abril, foi também criada uma comissão executiva, que não existia na estrutura anterior.

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Nesta, Ricardo Costa é chief product officer, Teresa Gonçalves chief financial officer e Ana Costa chief operating officer, fazendo os três parte do conselho de administração.

Contactada pelo ECO/+M, a comissão executiva da SIC e da Impresa começam por “lamentar que a Comissão de Trabalhadores da SIC não tenha procurado obter esclarecimentos sobre este tema antes de enviar um comunicado interno” e lembra que a proposta é da responsabilidade da Comissão de Remunerações, “órgão independente que efetuou a proposta e submeteu-a à apreciação e votação dos acionistas da sociedade”.

“Sem prejuízo do exposto, a Impresa informa que as alterações salariais em causa resultam, no seu cômputo global, numa poupança para a sociedade“, garante fonte oficial do grupo.

Além disso, prossegue, “os reajustes realizados resultam de acréscimo de responsabilidades, seguindo a regra, transversal ao Grupo, de que a qualquer promoção na Impresa deve ser associada um acréscimo salarial, e que os vencimentos dos membros do Conselho de Administração estão alinhados com os valores praticados no mercado”.

No final de fevereiro, os trabalhadores da SIC mandataram a CT para frisar junto da administração a importância de um compromisso para um reajuste salarial, nos 3 meses que se seguiam, no mínimo de acordo com a inflação.

Em resposta, “o Diretor de Recursos Humanos (DRH) deixou claro que a prioridade da Administração, neste momento, passa por “garantir a manutenção dos postos de trabalho, assegurar a estabilidade da organização e criar condições para fazer crescer o negócio“, recorda esta segunda-feira a CT na nota interna.

“A SIC e a Impresa continuarão a proceder a atualizações salariais, e a uma gestão dinâmica dos seus trabalhadores, sempre que isso se justifique, utilizando critérios objetivos e transparentes para esse efeito”, conclui o grupo em declarações ao ECO/+M.

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