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Resumo:
O termo aporofobia foi cunhado pela filósofa espanhola Adela Cortina para designar a aversão, rejeição ou hostilidade dirigida especificamente às pessoas pobres ou sem recursos — um fenómeno que difere conceptualmente de outros tipos de discriminação como a xenofobia ou o racismo, na medida em que estes últimos se baseiam em atributos como origem nacional ou características étnicas, enquanto a aporofobia centra-se na condição socioeconómica do sujeito. Introdução: No contexto das sociedades contemporâneas, as desigualdades económicas e sociais tendem a ser legitimadas por discursos que invisibilizam ou estigmatizam os pobres. Para Cortina, reconhecer o fenómeno e nomeá-lo como aporofobia é um passo crítico para a análise ética e política da exclusão social.
Definição e fundamentação conceptual:
Aporofobia deriva dos termos gregos áporos (pobre, sem recursos) e phóbos (medo ou aversão), indicando a predisposição para rejeitar aqueles que, por não terem capital económico, cultural ou social, são considerados socialmente “inúteis”.
Distinção de outros conceitos:
Diferentemente da xenofobia ou do racismo, que se baseiam em traços de identidade como nacionalidade ou etnia, a aporofobia refere-se especificamente à condição de pobreza, o que explica, por exemplo, por que migrantes com recursos não experimentam o mesmo nível de rejeição que migrantes pobres.
Implicações éticas e políticas:
A análise de Cortina sugere que a aporofobia não é apenas uma atitude individual, mas um fenómeno estrutural que pode orientar políticas públicas discriminatórias, práticas de exclusão e representações mediáticas estigmatizantes. Superar a aporofobia implica, assim, reformular modelos de justiça social, reconhecer a dignidade de todos os cidadãos e promover dispositivos institucionais que assegurem inclusão e igualdade de oportunidades.
Conclusão:
A consideração da aporofobia como categoria analítica enriquece o debate sobre exclusão social e justiça, ao colocar a condição socioeconómica no centro das discussões éticas e políticas, exigindo respostas que vão além das abordagens tradicionais focadas apenas em categorias identitárias.
Estudos teóricos e conceptuais
Comim, F., Borsi, M. T., & Valerio Mendoza, O. M. – The Multi-dimensions of Aporophobia: estrutura analítica do conceito com dimensões macro, meso e micro e proposta de índice global de aporofobia.
Martínez-Navarro, E. – Aporofobia. Entrada conceptual no Glosario para una sociedad intercultural (2002), uma das primeiras sistematizações antes de Cortina.
Andrade, M. – “¿Qué es la ‘aporofobia’?” — análise conceptual sobre preconceitos e discriminação contra pobres.
García-Granero, M. – Crítica/ensaio sobre Aporofobia, el rechazo al pobre (2017), disponível em Quaderns de Filosofía.
Pérez Zafrilla, P. J. – El reverso de la aporofobia: la protección del estatus como patología social — estudo crítico sobre dinâmicas sociais e status.
Estudos empíricos e aplicados
Pina, D., Marín-Talón, M. C., López-López, R., et al. – Attitudes towards school violence based on aporophobia: estudo qualitativo sobre atitudes e violência escolar em função de discriminação socioeconómica (Frontiers in Education, 2022).
Soc. Sci. (2023): “Design of a Protocol for Detecting Victims of Aporophobia — Violence against the Poor” – apresenta um instrumento de avaliação da vitimização aporofóbica.
“Aporophobia: a Qualitative Research on the Group of Homeless People in Salamanca” – estudo qualitativo com pessoas em situação de sem-abrigo e experiências de discriminação.
“Aporophobic and Homeless Victimisation — the Case of Ghent” (European Journal on Criminal Policy and Research) – análise empírica de incidentes discriminatórios e crimes de ódio envolvendo sem-abrigo e aporofobia.
Estudos em contextos jurídicos, éticos e sociais
Zeifert, A. P. B., Sturza, J. M., Agnoletto, V. – Políticas públicas e justiça social: uma reflexão sobre o fenómeno da aporofobia, focando inclusão, direitos humanos e políticas públicas.
Fuziger, R. J., Rizzi, E. G., & Silva, D. H. S. – Aporofobia e o pensamento de Adela Cortina na perspectiva constitucional de 1988, conectando filosofia e direito constitucional brasileiro.
Pedrosa-Pádua, L. – Vínculos de humanidade para combater a aporofobia — reflexão teológica e ética sobre construção de relações humanas para enfrentar a exclusão.
Zeifert, A. P. B. e col. – Debilidade moral e aporofobia: ampliação das desigualdades e violação de direitos — análise crítica relacionada à pandemia e vulnerabilidade social.
Rodrigues, L. H. S. – A aporofobia social do perfil negro como reflexo de necropolítica brasileira — conexão entre racismo estrutural e aporofobia.

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