domingo, 23 de junho de 2013

Encontros Improváveis: Walt Wittman e Cecília Meireles


Vou pelo braço da noite,
levando tudo que é meu:
— a dor que os homens me deram,
e a canção que Deus me deu.

Cecília Meireles, in 'Viagem'

"Cada momento de luz e escuridão é um milagre"- Walt Wittman

Versão aqui
Melhor som aqui

Letra

I'm in a spin
I won't let this darkness in
Turning around
Grinning as I leave the ground
Wanting it all
I'm tearing right through that wall
Once and for all
I'm tearing through that wall
Taking it out

A little rain's going to keep on falling on me
I'm going to keep on calling to you

I'm in a spin
Spinning at the speed of sound
I'm in a spin
Hanging with the lost and found
I'm on fire
Rushing on my way to you
I'm on fire
Rushing on my way to you
Checking it out

A little rain's going to keep on falling on me
I'm going to keep on calling to you

I'm on fire
Beside you
I'm on fire

A canção "Lufthansa", lançada pelo The Chameleons no álbum Why Call It Anything (2001), utiliza a imagem da famosa companhia aérea alemã não como uma ode às viagens, mas como um símbolo de distanciamento, alienação e saudade. Numa análise contínua, podemos interpretar a obra como um mergulho na melancolia de quem vive em trânsito, onde a tecnologia e os meios de transporte, embora liguem o mundo, acabam por evidenciar o abismo emocional entre as pessoas.

A letra de Mark Burgess explora a fragilidade das ligações humanas mantidas através de fios de telefone e sinais de satélite. O eu lírico parece preso num estado de suspensão, onde a presença física de alguém amado é substituída por uma voz distante, transformando o outro numa espécie de "fantasma" tecnológico. Existe uma sensação de cansaço existencial, típica da maturidade da banda, que reflete sobre o custo das partidas e a solidão que preenche os quartos de hotel e as salas de embarque.

Musicalmente, a faixa sustenta esta narrativa com as guitarras atmosféricas características do grupo, que criam uma sonoridade etérea e levemente espacial. Isto reforça a ideia de flutuar acima do mundo, mas sem um lugar para aterrar emocionalmente. No fundo, "Lufthansa" é um lamento sobre a desconexão na era da hiperconectividade: o veículo que permite cruzar continentes em horas é o mesmo que consagra a separação, deixando para trás o arrependimento e o desejo silencioso de estar em casa.

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