domingo, 15 de março de 2026

Georges Bizet - "Je crois entendre encore" por Philippe Talbot


Je Crois Entendre Encore
Georges Bizet

Je crois entendre encore
Caché sous les palmiers
Sa voix tendre et sonore
Comme un chant de ramiers

Oh, nuit enchanteresse
Divin ravissement
Oh, souvenir charmant
Folle ivresse, doux rêve!

Aux clartés des étoiles
Je crois encore la voir
Entr'ouvrir ses longs voiles
Aux vents tièdes du soir

Oh, nuit enchanteresse
Divin ravissement
Oh, souvenir charmant
Folle ivresse, doux rêve!

Charmant souvenir!
Charmant souvenir!

“Je Crois Entendre Encore”, de Georges Bizet, é uma ária marcada pela saudade e pelo desejo de um amor proibido. Nadir, o personagem que canta, relembra a voz de Leïla, “caché sous les palmiers” (escondida sob as palmeiras), mostrando como a lembrança dela permanece viva, mesmo diante da distância e das barreiras religiosas e sociais impostas pela trama da ópera. As imagens do “chant de ramiers” (canto de rolas) e da “clartés des étoiles” (claridade das estrelas) criam um clima nostálgico e sonhador, transportando o ouvinte para um cenário onde memória e desejo se misturam.

A repetição de frases como “Oh, nuit enchanteresse” (Oh, noite encantadora) e “souvenir charmant” (lembrança encantadora) reforça o tom hipnótico das recordações de Nadir, que alternam entre a alegria de um reencontro imaginado e a dor da ausência. A melodia suave e a orquestração delicada da ária traduzem esse estado de “folle ivresse, doux rêve” (loucura embriagante, doce sonho), em que o passado parece mais real do que o presente. O contexto da ópera, ambientada na antiga Ceilão, e o fato de Leïla ser uma sacerdotisa, intensificam o sentimento de amor impossível, tornando cada lembrança tanto um consolo quanto uma fonte de sofrimento. Assim, Bizet expressa de forma sensível o desejo nostálgico e a idealização do amor perdido, temas que continuam a emocionar o público.

Ópera Les Pêcheurs de perles

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