Eventos climáticos extremos que ocorrem em simultâneo – como chuvas intensas acompanhadas por ondas de calor ou secas associadas a temperaturas extremas – poderão tornar-se muito mais frequentes nas próximas décadas se as emissões de carbono continuarem a aumentar. O alerta surge num novo estudo internacional publicado na revista científica Nature.
A investigação conclui que os atuais limites globais de emissões de dióxido de carbono (CO2) definidos para manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C e 2 °C poderão ser insuficientes para evitar os impactos mais graves das chamadas “combinações de extremos climáticos”.
Os cientistas utilizaram modelos climáticos e simulações para calcular a frequência futura de fenómenos compostos, como eventos simultaneamente quentes e húmidos ou períodos de seca acompanhados por calor extremo, em função das emissões acumuladas de CO2.
Segundo o estudo, os eventos compostos mais comuns tendem a aumentar de forma linear à medida que as emissões sobem. Já os fenómenos mais raros e severos deverão intensificar-se de forma muito mais rápida.
Os investigadores Yao Zhang e Zhaoli Wang concluíram que estes eventos extremos poderão ocorrer entre 37% e 75% mais frequentemente do que o previsto pelos modelos climáticos atualmente utilizados.
De acordo com os autores, isto significa que os chamados “orçamentos de carbono” – a quantidade máxima de CO2 que a humanidade ainda pode emitir sem ultrapassar determinados limites de aquecimento global – poderão ter de ser reduzidos significativamente.
Os cientistas defendem que os modelos atuais avaliam sobretudo a relação entre emissões e aumento médio da temperatura global, mas não captam totalmente os impactos sociais e ecológicos provocados pela combinação simultânea de fenómenos extremos.
“Eventos compostos, como calor extremo e inundações ao mesmo tempo, representam riscos particularmente elevados para sociedades e ecossistemas”, sublinham os autores.
O estudo propõe ainda uma nova métrica para integrar estes fenómenos nas futuras negociações climáticas e na definição de políticas ambientais mais abrangentes.

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