Um estudo internacional revelou a presença de microplásticos e nanoplásticos em quase todas as amostras de tecido cerebral analisadas, levantando novas questões sobre como estas partículas entram no organismo humano e quais poderão ser os seus efeitos na saúde.
A investigação analisou amostras de cérebro de 113 pacientes com tumores cerebrais e 35 doações post-mortem de indivíduos sem doença oncológica. Os resultados indicam que foram detetados microplásticos ou nanoplásticos em 99,4% das amostras com doença e em 100% das amostras de cérebros saudáveis.
Os investigadores observaram ainda concentrações mais elevadas de nanoplásticos nas áreas próximas de tumores, o que poderá sugerir uma maior permeabilidade da chamada barreira hematoencefálica em contextos de doença, facilitando a entrada destas partículas no tecido cerebral.
A barreira hematoencefálica é um mecanismo natural de proteção que regula a passagem de substâncias entre o sangue e o cérebro, sendo essencial para manter o sistema nervoso central isolado de toxinas e agentes externos.
Apesar dos resultados, os autores sublinham que ainda há grande incerteza científica sobre a forma como os microplásticos chegam ao cérebro e sobre os seus impactos reais na saúde humana. Os métodos atuais de deteção apresentam resultados inconsistentes, o que limita a interpretação dos dados.
Os investigadores defendem a necessidade de desenvolver tecnologias mais precisas para rastrear microplásticos no organismo e compreender melhor a sua distribuição nos tecidos humanos.
Embora a presença destas partículas seja agora amplamente confirmada, permanece por esclarecer se estão diretamente associadas ao desenvolvimento de doenças ou se a sua acumulação tem efeitos clínicos significativos.
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