O Governo de Itália colocou, esta quinta-feira, totalmente de parte a possibilidade de a seleção nacional vir a substituir o Irão no Campeonato do Mundo, em resposta à proposta que Paolo Zampolli, enviado especial dos Estados Unidos da América e 'braço direito' de Donald Trump, fez chegar ao presidente da FIFA, Gianni Infantino.
"Em primeiro lugar, não é possível. Em segundo lugar, não é oportuno. Não sei o que é que vem primeiro, mas a qualificação decide-se em campo", atirou o ministro do Desporto, Andrea Abodi, em declarações reproduzidas pelo jornal transalpino Il Giornale. Uma posição que mereceu o apoio por parte do responsável pela pasta da Economia, Giancarlo Giorgetti.
"Considero isso uma coisa vergonhosa. Eu ficaria envergonhado", atirou o responsável político, à margem de um evento que teve lugar no Palácio do Quirinal, em Roma. Isto, depois de a squadra azzurra ter falhado (surpreendentemente) o apuramento para um Campeonato do Mundo pela terceira vez consecutiva.
A hipótese foi veiculada pelo próprio Paolo Zampolli, em conversa com o jornal Financial Times, horas antes: "Eu confirmo que sugeri a Trump e Infantino que a Itália substitua o Irão, no Mundial. Eu sou nativo de Itália, e seria um sonho ver os azzurri num torneio organizado pelos EUA. Com quatro títulos, eles têm o 'pedigree' para justificar a inclusão".
Seguiu-se, entretanto, uma notícia avançada pela estação televisiva britânica BBC Sport, dando conta de que o organismo que rege o futebol internacional não teria qualquer intenção de retirar o Irão do Mundial2026, apesar da guerra com os Estados Unidos da América, que se prolonga já há mais de dois meses.
Fatemeh Mohajerani, porta-voz do governo do Irão, garantiu, de resto, que o país está "totalmente preparado" para disputar o torneio, no qual se encontra integrado no Grupo G, juntamente com Nova Zelândia, Egito e Bélgica.
EUA queriam 'redimir-se' após troca de galhardetes com o Papa Leão XIV
A publicação original citava fontes próximas do processo, que garantem que esta proposta não passou de uma tentativa de Donald Trump de remendar as relações com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, na sequência do 'bate-boca' público entre ambos, por conta da posição do Papa Leão XIV sobre a guerra no Médio Oriente.
"Acho que ele não está a fazer um bom trabalho. Acho que ele gosta de criminalidade. Não gostamos de um Papa que diga que não há problema em ter armas nucleares", afirmou o líder máximo norte-americano, em abril, a propósito das intervenções públicas levadas a cabo pelo compatriota sobre este tema.
"Continuarei a manifestar-me abertamente contra a guerra, procurando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados, para encontrar soluções justas para os problemas. Há demasiadas pessoas a sofrer no mundo de hoje. Há demasiadas pessoas inocentes a ser mortas", respondeu este.
"Considero inaceitáveis as declarações do Presidente Trump a propósito do Santo Padre. O Papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e natural que peça a paz e condene todas as formas de guerra, interveio a transalpina, deixando Donald Trump "chocado": "Pensei que ela tinha coragem, enganei-me".
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