sábado, 21 de março de 2026

Trentemøller: Miss You


"Miss You" é talvez a faixa mais emblemática do dinamarquês Trentemøller. É uma peça consegue ser incrivelmente emocional usando muito poucos elementos.

"A tune I’m still very proud of. Written and recored in two hours! That was it. I didn’t change a single note afterwards because I was so happy with the result. I captured that longing vibe I had late that night and it still is a song I love to play live in different versions." - Anders Trentemøller

Anders Trentemøller é dinamarquês. Nasceu em Vordingborg, na Dinamarca, e a sua base criativa é em Copenhaga.

Embora Trentemøller tenha começado muito ligado à música de dança (Techno e Minimal House), "Miss You" afasta-se das pistas de dança e mergulha noutros géneros:
  1. Ambient / Electronica: a faixa é construída sobre uma melodia de glockenspiel (ou sons de sinos sintetizados) que flutua num espaço sonoro vazio, sem batida de percussão (o que é raro no trabalho dele).
  2. Minimalismo: a música foca-se na repetição e na variação subtil de uma única melodia melancólica.
  3. Indie Electronic: pelo tom introspectivo e pela estética "faça-você-mesmo" refinada.
  4. Folktronica (subtil): Devido à textura quase orgânica e delicada dos sons utilizados, que parecem caixas de música antigas.
Uma curiosidade sobre a faixa
"Miss You" faz parte do álbum de estreia de 2006, The Last Resort. Este disco foi um marco porque provou que um produtor de música eletrónica podia criar um álbum narrativo, quase cinematográfico, que funciona tão bem numa sala de estar como num filme.

Conselho de audição: se gostas do lado mais melancólico desta faixa, recomendo que ouças o álbum inteiro. Ele começa calmo e vai-se tornando mais denso e "negro", quase como uma transição do dia para a noite.

Para saber mais sobre o álbum aqui

sexta-feira, 20 de março de 2026

Cat Power - Cherokee


"Cherokee" é uma das músicas mais conhecidas de Cat Power, lançada como single do álbum Sun (2012). Embora seja norte-americana, ela possui ascendência Cherokee (por parte do seu avô materno), o que explica o título da canção e sua forte conexão com a cultura e a história dos povos nativos dos EUA.

Cherokee
Cat Power

It's my way
It's my way down...

I never knew love like this
The wind, the moon, the earth, the sky (sky so high)
I never knew pain like this
When everything dies (...thing dies)
I never knew love like this
The sun, sea you and I (you and I)
I never knew pain, I never knew shame
And now I know why

Bury me, marry me to the sky (x4)

If I die before my time
Bury me upside down
Cherokee kissing me
When I’m on my way down (x2)

I never knew love like this
The wind, the moon, the earth, the sky (sky so high)
I never knew pain like this
When everything dies
I never knew love like this
The sun, sea you and I (you and I)
I never knew pain, I never knew shame
And now I know why

Bury me, marry me to the sky (x4)

If I die before my time
Bury me upside down
Cherokee kissing me
When I’m on my way down(x3)

It's my way down...

Em "Cherokee", Cat Power explora temas de transcendência e libertação face à mortalidade. O verso repetido “Bury me, marry me to the sky” (“Enterre-me, case-me com o céu”) expressa o desejo de ir além da morte física, procurando uma ligação espiritual com o universo. Elementos naturais como “the wind, the moon, the earth, the sky” (“o vento, a lua, a terra, o céu”) reforçam esta procura por algo maior, sugerindo que as emoções vividas são tão intensas como as forças da natureza.

O videoclipe, que mostra Cat Power como uma caçadora de zombies num cenário pós-apocalíptico, intensifica o sentimento de luta pela sobrevivência e o confronto com a morte. Isto transforma a música numa reflexão sobre a resiliência e a possibilidade de renascimento mesmo no meio da destruição. A frase “Cherokee kissing me when I’m on my way down” (“Cherokee beijando-me quando estou a cair”) pode ser vista como uma referência à cultura indígena norte-americana, evocando rituais de passagem e respeito pela terra, ou como um gesto de conforto em momentos de queda emocional. O pedido para ser enterrada de cabeça para baixo sugere uma inversão das tradições sobre a morte, talvez como protesto ou procura de uma nova perspectiva. A sonoridade eletrónica e atmosférica da faixa, marcada por uma mudança de estilo da artista, reforça o tom introspetivo e amplia o impacto emocional da canção.

Recepção e críticas do álbum Sun (2012)

JJ72 - Snow


A canção é do álbum homónimo JJ72 (2020) e aqui

Snow - Letra (Lyrics)
As fast as you can
Run my way again
As fast as you can
I'm waiting

[Refrão]
As fast as you can
Run my way again
As fast as you can
I'm waiting

[Verse 2]
And it's a long way down
To the place where we'll be found
In the snow
In the snow

[Refrão]

And it's a long way down
To the place where we'll be found
In the snow
In the snow

[Verse 2]

As fast as you can
Run my way again

Os JJ72 foram uma das bandas mais marcantes do rock alternativo irlandês no início da década de 2000. Formados em Dublim, o trio destacou-se pela sua sonoridade melancólica e etérea. O tema "Snow" é, sem dúvida, o seu hino mais icónico, servindo de porta de entrada para um álbum de estreia que atingiu o galardão de platina. A canção é definida pela voz invulgar de Mark Greaney — capaz de atingir notas altíssimas — e por uma atmosfera de urgência emocional que capturou perfeitamente o espírito do indie daquela época.

A origem do nome JJ72 
A "Janela de juncos": a explicação mais aceite e citada pelo próprio Mark é que o nome surgiu de uma referência a uma janela específica na escola onde estudavam em Dublim. Segundo ele, havia uma janela (ou uma série delas) que tinha as iniciais "JJ" e o número "72" gravados ou marcados nela. Eles acharam que a combinação soava bem e decidiram adotá-la.

Significado da canção
A canção "Snow" é uma peça central do rock alternativo dos anos 2000, destacando-se pela sua estrutura minimalista que foca intensamente na carga emocional. A letra funciona como um apelo urgente e quase desesperado por conexão, onde a repetição constante de frases como "As fast as you can" (Tão depressa quanto possas) cria uma sensação de pressa e ansiedade juvenil. Esta urgência é contrastada com a imagem estática e silenciosa da neve, que serve como uma metáfora poderosa para o isolamento e para um refúgio emocional onde o ruído do mundo exterior é finalmente silenciado.

Para Mark Greaney, o mentor e vocalista dos JJ72, a neve não representa apenas o frio, mas sim um estado de pureza e uma forma de fuga à realidade. A descida mencionada no refrão ("And it's a long way down") sugere um mergulho profundo na introspeção ou numa relação tão íntima que se torna um esconderijo. É esta dualidade — a energia frenética da batida e da voz aguda contra o cenário gélido e imóvel da letra — que define o impacto da música. No fundo, "Snow" é um retrato da vulnerabilidade adolescente, capturando aquele desejo cru de encontrar um lugar (ou alguém) onde nos possamos perder para, finalmente, sermos encontrados.

Como os nossos sistemas de água passaram da crise ao colapso


O artigo de Tim Smedley, publicado no portal The New Climate, apresenta uma perspetiva alarmante sobre a transição de uma crise hídrica passível de gestão para um verdadeiro colapso sistémico. O autor argumenta que a humanidade ultrapassou o conceito de "escassez" — que implica uma falta temporária — para entrar num estado de "falência hídrica", onde consumimos o capital natural de água doce muito mais depressa do que a natureza o consegue repor. Smedley explica que o ciclo hidrológico global foi quebrado pela intervenção humana, através da desflorestação, da urbanização excessiva e da destruição de ecossistemas como as zonas húmidas, que funcionavam como "esponjas" naturais. Sem estes filtros e reservatórios biológicos, a água da chuva deixa de se infiltrar no solo para recarregar os aquíferos, resultando em cheias destrutivas seguidas de secas extremas, um fenómeno que ele apelida de "chicote climático".

O texto sublinha que as nossas infraestruturas de engenharia tradicionais, como barragens e canalizações de betão, foram concebidas para um clima estável que já não existe, tornando-as rígidas e incapazes de lidar com a nova volatilidade atmosférica. Para além do volume físico da água, o autor alerta para a "água virtual" — a enorme quantidade de recursos hídricos invisíveis que são exportados por regiões secas sob a forma de produtos agrícolas e industriais, como amêndoas, carne ou têxteis, acelerando o colapso local em benefício do mercado global. Smedley aponta também a poluição por químicos persistentes, como os PFAS, que degrada a qualidade da água restante, tornando a sua recuperação financeiramente inviável para muitas comunidades.

Para evitar o abismo total, o autor defende uma mudança radical de paradigma que ele detalha na sua obra "The Last Drop". Esta mudança envolve a adoção de Soluções Baseadas na Natureza (como as promovidas pela IUCN, o restauro de rios e a implementação de uma "transparência radical" no uso da água. O texto baseia-se em dados de organismos como a UN-Water e nos estudos de Johan Rockström sobre os Limites Planetários, concluindo que a solução não reside em dominar a natureza com mais cimento, mas sim em aprender a viver dentro dos limites biológicos do planeta, restaurando a capacidade da própria Terra de gerir e armazenar a água de forma cíclica e sustentável.

The Common Root, The Open Field


The sun is a golden carpenter, planed and raw,
Not a thought of God, just the heat upon the stone.
I see with eyes that have forgotten how to name,
Stripping the silk from the corn, the myth from the bone.
I am the keeper of flocks that are only the passing wind,
Content to let the river be water, and the air be thinned.

And so the valley breathes a deep, fern-scented sigh,
Where ancient hemlocks haunt the mist-drenched floor.
There is a poetry in the granite’s edge, the eagle’s cry,
The rhythmic pulse of the river’s wild and hidden roar.
I see the silver birch’s bark, a lily in the gloom,
And the vast, tangled geometry of the mountain’s room.

Yet, look closer—there is a circuit made of sun, 
Where silent cells weave the carbon from the air. 
The plant is not a thing, but a process, a run
A thinking heart that finds the cosmic everywhere.
The earth is a living being, dreaming in the dark,
Waiting for the human soul to strike the inner spark.

I walk the lanes where a poet lost his mind to find his soul,
Naming every nested bird and the trembling of the rye.
The fences steal the common, but they cannot take the whole
Of the vast, unlettered music of the open summer sky.
The badger in the brake, the lady-smock in the dew—
Simple things are the only things that are ever truly true.

And when the world begins to fray, when the shadows grow too long,
A steady hand reaches out and leads me through the grief.
To love the world is to mourn it, a fierce and ancient song,
Finding the "Great Turning" in the falling of a leaf.
We are the web itself, the pulse of the ancient deep,
Awakening from the long, industrial, lonely sleep.

Finally, there is the white silence of a master’s hand,
Where the word is a body, bare and salt-washed by the sea.
A solar clarity that understands the shifting sand,
And the brief, bright miracle of what it means to be.
Just the earth. Just the light. Just this breath we share—
The common root of everything, blossoming in the air.

EUA e Irão estiveram à beira de um acordo nuclear, diz Omã


O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, que mediou as negociações entre EUA e Irão, revelou que Teerão e Washington estiveram, por duas vezes, “à beira de um acordo” nuclear nos últimos nove meses. Por isso, Badr Albusaidi sublinha que o ataque conjunto de Israel e EUA contra o Irão foi recebido com “choque”. Para o chefe da diplomacia de Omã, o ataque norte-americano ao Irão foi o “maior erro de cálculo” da administração Trump.

“Por duas vezes em nove meses, os Estados Unidos e o Irão estiveram à beira de um acordo concreto sobre a questão mais complexa que os divide: o programa nuclear iraniano e os temores americanos de que ele se possa transformar num programa militar. Portanto, foi um choque, mas não uma surpresa, quando a 28 de fevereiro — apenas algumas horas após as últimas e mais substanciais negociações — Israel e os Estados Unidos lançaram novamente um ataque militar ilegal contra a paz que, por um breve período, parecera realmente possível”, sublinhou Badr Albusaidi, num artigo publicado no Guardian

Also - Cold Room



"Cold Room" é uma das faixas mais emblemáticas dele. Na verdade, em 2014, ele lançou uma coletânea remasterizada intitulada Locked In A Cold Room 1990-2001, que serve como uma antologia do trabalho da banda ALSO 

Cold Room
(Alexander Dust)

[Verso 1]
Inside the cold room
Nothing to feel
The walls are moving
Nothing is real
I’m waiting for something
That I’ve never seen
Lost in the shadows
Of where I have been

[Refrão]
Locked in a cold room
Frozen in time
Watching the rhythm
Of a life that's not mine
Locked in a cold room
Nowhere to go
Waiting for secrets
I already know

[Verso 2]
The silence is screaming
Inside of my head
Counting the words
That I never said
The light is fading
Outside the door
I don’t want to feel
This way anymore

[Ponte / Final]
Just a cold room...
Just a grey room...
Where the shadows dance
And the memories bloom.

A canção "Cold Room", de Alexander Dust, é uma exploração profunda da estagnação emocional e do isolamento melancólico, servindo como uma metáfora perfeita para um estado de depressão ou de desorientação psicológica. Ao descrever um "quarto frio" onde as paredes se movem e nada parece real, o autor transporta-nos para um espaço mental onde o indivíduo se sente desconectado da realidade. O ponto fulcral da letra reside na sensação de despersonalização, visível quando o eu lírico afirma estar a observar o ritmo de uma vida que já não sente como sua, como se fosse um mero espectador da própria existência, paralisado e "congelado no tempo".

O segundo verso introduz uma angústia mais ativa, onde o silêncio se torna ensurdecedor e as palavras que ficaram por dizer pesam na consciência. Há um desejo de fuga — um cansaço de sentir este vazio — mas a música termina com uma aceitação sombria: o quarto cinzento é o lugar onde as sombras dançam e as memórias, embora dolorosas, são as únicas coisas que ainda "florescem". 

quinta-feira, 19 de março de 2026

Anna Calvi - I See A Darkness (feat. Perfume Genius)


Letra
[Verse 1]
Well, you're my friend
That's what you told me
And can you see?
What's inside of me
Many times we've been out drinking
Many times we've shared our thoughts
Did you ever, ever notice
The kind of thoughts I got?

[Verse 2]
Well, you know I have a love
For everyone I know
And you know I have a drive
To live I won't let go
But can you see this opposition
Rising up sometimes
And it's dreadful imposition
Come blacking in my mind

[Chorus]
And then I see a darkness
And then I see a darkness
And then  I see a darkness
And then I see a darkness
Do you know how much I love you?
It's a hope that somehow you
Could save me from this darkness

[Verse 3]
Well I hope that someday, buddy
We'll  have peace in our lives
Together or apart
Alone or with our wives
And we can stop our whoring
And pull the smiles inside
And light it up forever
And never go to sleep
My best unbeaten brother
This isn't all I see

[Chorus]

É importante notar que "I See A Darkness" é um cover. A música foi escrita originalmente por Will Oldham (sob o nome Bonnie 'Prince' Billy) em 1999. Diferente da versão original (que é mais contida, quase leve e melancólica), a interpretação de Calvi e Perfume Genius é carregada de drama. Ela mistura o virtuosismo da guitarra de Anna com harmonias vocais etéreas, criando um som que pode ser descrito como Noir Rock ou Dark Pop.

O significado central dessa composição percorre temas densos e introspectivos, funcionando como um mergulho profundo na psique humana. O ponto central é a luta contra a depressão, onde a "escuridão" mencionada não deve ser interpretada como algo externo, mas sim como um estado mental persistente. O narrador reconhece que, mesmo cercado por amigos e momentos de paz, existe uma sombra interna que ameaça constantemente sua estabilidade emocional e sua percepção de felicidade.

Essa batalha interna reflete-se na dualidade da amizade, uma vez que a letra é estruturada como uma conversa íntima com um companheiro próximo. Nela, o eu lírico expressa o desejo genuíno de ser um "melhor amigo" e de retribuir o afeto recebido, mas confessa, com uma honestidade brutal, que a escuridão interior muitas vezes o impede de estar totalmente presente ou de ser a pessoa que ele gostaria de ser.

Por fim, a obra se manifesta como uma súplica por esperança. Existe um contraste latente entre o pavor paralisante dessa "escuridão" e a crença — ainda que frágil — de que o amor, a vulnerabilidade e a conexão humana verdadeira possam, eventualmente, servir como um antídoto para vencer esse abismo emocional.


A Convergência e Divergência entre Bioeconomia e Economia Ecológica


A transição global para um modelo de desenvolvimento sustentável exige uma reavaliação fundamental da forma como produzimos, consumimos e interagimos com o meio ambiente. Neste cenário, emergem duas abordagens distintas, embora interligadas, que procuram reformular a relação entre a economia e a natureza: a Bioeconomia e a Economia Ecológica. Embora partilhem o objetivo comum de reduzir o impacto ambiental, as suas premissas filosóficas, focos de intervenção e visões sobre o crescimento divergem significativamente, oferecendo caminhos que podem ser complementares, mas também conflituosos.

A Visão da Bioeconomia: Substituição e Eficiência Tecnológica
A Bioeconomia centra-se na substituição de recursos de origem fóssil e de processos industriais intensivos em carbono por alternativas de base biológica. O conceito evoluiu de um foco inicial na biotecnologia para uma visão mais abrangente, que inclui a produção sustentável de biomassa e a sua conversão em produtos de valor acrescentado (alimentos, bioprodutos e bioenergia).

A premissa fundamental da Bioeconomia é que a inovação tecnológica pode promover o "desacoplamento" (decoupling) entre o crescimento económico e a degradação ambiental. Procura-se a eficiência através da utilização da biomassa em cascata, onde cada componente do recurso é aproveitado, aproximando-se dos princípios da economia circular. Nesta ótica, a natureza é frequentemente vista como uma fornecedora de serviços e matérias-primas, enfatizando-se a criação de novos mercados.

A Perspetiva da Economia Ecológica: Limites e Escala Biofísica
Por outro lado, a Economia Ecológica parte do princípio de que a economia é um subsistema de uma biosfera finita e ecologicamente restrita. Esta disciplina não se foca apenas na eficiência, mas sobretudo na escala da atividade económica e na justiça distributiva. Fundamentada nas leis da termodinâmica, a Economia Ecológica argumenta que o crescimento económico perpétuo é impossível num planeta com recursos finitos e capacidade limitada de absorção de resíduos.

O foco não reside apenas em substituir o petróleo, mas em reduzir o "metabolismo social" — o fluxo total de energia e materiais que atravessa a economia. Esta abordagem reconhece o valor intrínseco da natureza e a necessidade de manter a resiliência dos ecossistemas. Para os economistas ecológicos, a sustentabilidade exige limitar o consumo e garantir que as atividades humanas não ultrapassam as fronteiras planetárias.

Pontos de Tensão e Síntese Necessária
As tensões surgem principalmente em torno do crescimento económico. Enquanto a Bioeconomia se alinha com o "Crescimento Verde", a Economia Ecológica é mais cética, defendendo frequentemente o "Decréscimo" (degrowth) ou uma "Economia de Estado Estacionário". Outro ponto de atrito é a visão da natureza: a Bioeconomia pode tender a instrumentalizá-la, enquanto a Economia Ecológica defende a sua preservação para além da utilidade económica.

Concluindo, estas duas correntes não devem ser vistas como mutuamente exclusivas. A Bioeconomia oferece as ferramentas tecnológicas para uma produção mais limpa, enquanto a Economia Ecológica fornece a estrutura macroeconómica e ética necessária para garantir que tais tecnologias sejam aplicadas dentro de limites seguros. A convergência para uma "Bioeconomia Ecologicamente Orientada" poderá ser o caminho mais robusto para uma verdadeira sustentabilidade.

CaracterísticaBioeconomiaEconomia Ecológica
Foco PrincipalSubstituição de recursos fósseis por biológicos (biomassa).Sustentabilidade biofísica e justiça social.
Visão da NaturezaFonte de matéria-prima e motor de inovação tecnológica.Ecossistema complexo que limita e sustenta a economia.
Solução PropostaBiotecnologia, biorrefinarias e novos mercados verdes.Redução da escala económica e respeito pelos limites planetários.
Relação com o PIBProcura o "Crescimento Verde".Defende frequentemente o "Decréscimo" ou o "Pós-crescimento".
Métrica de SucessoEficiência na conversão de recursos e lucro sustentável.Manutenção do capital natural e equidade distributiva.
Referências Bibliográficas 
  1. Bugge, M. M., Hansen, T., & Klitkou, A. (2016). What is the bioeconomy? A review of the literature. Sustainability, 8(7), 691.
  2. Daly, H. E., & Farley, J. (2011). Ecological Economics: Principles and Applications. Island Press.
  3. Georgescu-Roegen, N. (1971). The Entropy Law and the Economic Process. Harvard University Press.
  4. Kenneth Boulding (1966) - The Economics of the Coming Spaceship Earth
  5. Martinez-Alier, J. (2002). The Environmentalism of the Poor: A Study of Ecological Conflicts and Valuation. Edward Elgar Publishing.
  6. OECD (2009). The Bioeconomy to 2030: Designing a Policy Agenda. OECD Publishing.
  7. Vivien, F. D., Nieddu, M., Befort, N., Debref, R., & Giampietro, M. (2019). The hijacking of the bioeconomy predictions by the biotechnology narrative. Ecological Economics, 159, 189-197.

Rallying for the Future of Humanity and a Safe AI


Let me stipulate five things:

First, Artificial Intelligence is a tsunami bearing down on human beings at a remarkable speed.

Second, AI has the potential to make life on this planet better in many ways, but if unregulated, it could do terrible things, including ending human life altogether.

Third, huge sums are being spent on AI by governments (especially the U.S. and China) and by private tech corporations.

Fourth, the incipient AI industry has already become a major political force in the U.S., supporting candidates who pledge not to regulate it and opposing candidates who intend to regulate it.

Finally, the Trump regime and its puppets in Congress don’t want to regulate it. That’s partly because the regime and its puppets are rife with corruption and conflicts of interest. Several key officials have personal investments in AI and want it to be as profitable as possible.

Now, given all this, I think we should all be grateful that at least one prominent AI corporation — which has developed one of the most successful AI systems — is requiring that any purchaser of it agree not to use it for doing bad things. Specifically, it is prohibiting users from utilizing its AI to surveil American citizens or create automated weapons uncontrolled by human beings.

I’m referring, of course, to Anthropic and its CEO and founder, Dario Amodei.

Enter Pete Hegseth, Trump’s “Secretary of War” and one of the most incompetent people ever to become a member of a president’s Cabinet.

He and the Trump regime have come to rely on Anthropic’s AI. As Trump’s war has entered its third week, the U.S. military is using it to help analyze intelligence.

But Hegseth and the regime hate the fact that Anthropic has put the two above-mentioned conditions on its use.

So they blacklisted Anthropic from future defense contracts, calling it a “supply-chain risk” (a label previously used only to bar foreign companies that posed risks to national security). Because the U.S. government is such a huge purchaser of AI, that blacklisting is almost a kiss of death for Anthropic.

What did Anthropic then do? It didn’t back down. Instead, it sued the regime, accusing the Pentagon of punishing it on ideological grounds and arguing that the regime is violating its First Amendment rights.

Yesterday, the Trump regime defended its decision in court — calling Anthropic an unacceptable risk to national security because it could disable or alter its technology to suit its “own interests” in a time of war.

The regime also argued that it has the authority to choose vendors and that Anthropic has no right to “unilaterally impose contract terms on the government.”

So who has the best argument here?

When we’re dealing with a gigantic force (AI) that must have guardrails to ensure it’s used in ways consistent with the common good, and the government refuses to supply such guardrails, a courageous private AI corporation and CEO should have the right to impose them as a condition for using its product.

As nearly 150 retired federal and state judges wrote in their amicus brief supporting Anthropic: “No one is trying to force the Department to contract with Anthropic. Instead, Anthropic is asking only that it not be punished on its way out the door.”

Exactly.

By the way, when did you last hear of former judges, appointed by both Republicans and Democrats, submitting an amicus brief on behalf of a private company against the government?

Tech companies and their employees have also filed legal briefs in support of Anthropic. Even Microsoft, a major investor in Anthropic competitor OpenAI, filed a friend-of-the-court brief. Thirty-seven engineers and researchers from OpenAI and Google, including Jeff Dean, Google’s chief scientist, have also filed a brief supporting Anthropic.

The American Civil Liberties Union and the Center for Democracy and Technology filed a brief, arguing that Anthropic was protected by the First Amendment in speaking up against the Pentagon about its AI technology.

What we have here is one the clearest examples so far of countervailing powers — a leading corporation, a federal court, former federal judges, other tech companies and their engineers, and civil society nonprofits — joining together to confront a rogue and corrupt regime on an issue of extraordinary importance to the future.

It should be a comfort to us all that even when the normal processes of democracy are taken over by a tyrannous regime, such countervailing powers are still able and willing to rally for the common good.

Granted, it is a small comfort. But in these dark days, even small comforts must be celebrated. Tyranny cannot succeed where people refuse to submit to it.