terça-feira, 17 de março de 2026
As análises contundentes e realísticas de Yanis Varoufakis sobre a Guerra no Irão
Análise da Varoufakis sobre o bloqueio do estreito de Ormuz, hoje 17.03.206
Nesta entrevista concedida a Chris Hedges, o economista Yanis Varoufakis apresenta um diagnóstico sombrio sobre o impacto da guerra com o Irão, afirmando que o mundo entrou numa espiral de crise que ultrapassa a mera questão militar. O ponto central da análise é o bloqueio do Estreito de Hormuz, uma artéria vital por onde passa 20% da energia global, o que já provocou uma subida em flecha do preço do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis e fertilizantes. Segundo Varoufakis, este aumento nos fertilizantes terá um efeito dominó catastrófico nos preços dos alimentos, ameaçando a estabilidade social a nível mundial e empurrando a economia para uma depressão.
Varoufakis argumenta que Donald Trump caiu numa armadilha estratégica montada por Benjamin Netanyahu, sublinhando que esta crise é estruturalmente diferente das tensões comerciais do passado. Se anteriormente o crescimento do setor da Inteligência Artificial conseguia camuflar certas fragilidades económicas, agora a própria IA está em risco devido ao seu consumo energético massivo. O economista prevê que o Ocidente não enfrentará uma hiperinflação, mas sim algo mais perverso: a estagflação. Neste cenário, os bancos centrais deverão subir as taxas de juro para proteger os ativos das classes dominantes, o que resultará num aumento drástico do desemprego e no esmagamento do poder de compra das classes trabalhadoras, de forma semelhante ao que aconteceu nos anos 70.
No contexto europeu, Varoufakis descreve uma União Europeia profundamente fragmentada e enfraquecida. Ele aponta o exemplo da Grécia, onde a submissão aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e de Israel, aliada a regimes oligárquicos locais, resultou em preços de eletricidade incomportáveis para a população. Esta "desunião" europeia, dividida entre países que pressionam por mais militarismo e outros que tentam manter alguma autonomia, retira à Europa qualquer capacidade de influenciar o desfecho do conflito.
Por fim, a entrevista aborda a deriva autoritária que acompanha estas crises económicas. Varoufakis alerta que o fascismo é a resposta histórica do capitalismo quando este perde o controlo sobre as suas próprias crises. Ele denuncia a repressão de jornalistas e a suspensão de direitos civis na Europa e nos EUA, onde vozes críticas são marginalizadas ou silenciadas por meios administrativos. O economista conclui que, perante este cenário de colapso do modelo de negócio global e de erosão democrática, a única saída reside na organização política coletiva e na resistência contra as elites que beneficiam com a economia de guerra.
Análise de Varoufakis, em 14. 03.2026
Nesta entrevista concedida a Glenn Diesen, Yanis Varoufakis apresenta uma análise incisiva sobre como o conflito com o Irão está a acelerar o colapso do modelo económico e geopolítico do Ocidente. O economista começa por destacar a natureza assimétrica desta guerra, onde o Irão, apesar da inferioridade militar convencional, utiliza o bloqueio do Estreito de Ormuz como uma arma económica devastadora. Este bloqueio expõe a fragilidade das potências ocidentais que, após décadas de políticas neoliberais e desindustrialização, perderam a sua soberania produtiva e tecnológica, tornando-se reféns de cadeias de abastecimento globais que agora se rompem.
Varoufakis critica severamente a falta de uma estratégia de saída por parte da administração de Donald Trump, sugerindo que o presidente norte-americano foi "atraído para uma armadilha" por Benjamin Netanyahu. Na sua visão, a estratégia de Israel passa por fomentar uma guerra permanente e um estado de insegurança regional que sirva de cobertura para a anexação da Cisjordânia e a continuação da limpeza étnica na Palestina. O economista aponta ainda o cinismo das justificações humanitárias, argumentando que a narrativa de "libertar as mulheres iranianas" através de bombardeamentos é um absurdo histórico, uma vez que a verdadeira libertação não pode ocorrer sobre as ruínas de um Estado falhado, como aconteceu na Líbia ou na Síria.
No campo militar, Varoufakis alerta para uma mudança radical no paradigma da guerra devido à tecnologia de drones e à Inteligência Artificial. Ele sublinha a insustentabilidade económica de utilizar mísseis de milhões de dólares para abater drones de baixo custo, o que favorece potências como a China e a Rússia, que dominam as cadeias de produção destes componentes. Além disso, expressa uma preocupação existencial com a automação do campo de batalha, onde drones autónomos podem tomar decisões de vida ou morte, empurrando a humanidade para um cenário de "tecnofeudalismo" militar onde a paz se torna um erro de sistema e a guerra o estado padrão.
Finalmente, Varoufakis aborda o dilema moral da esquerda ocidental. Embora se declare um opositor ferrenho do regime teocrático iraniano, ele recusa-se a escolher entre a teocracia e o imperialismo. Para o economista, o dever primordial dos cidadãos no Ocidente é responsabilizar e travar os seus próprios governos, que utilizam o dinheiro público para financiar crimes de guerra. Ele conclui que os grandes perdedores deste conflito são as classes trabalhadoras globais, que enfrentam agora preços de energia e alimentos incomportáveis, enquanto as elites políticas e económicas consolidam o seu poder através do caos. Ler mais: Recorde-se que o bloqueio do estreito de Ormuz foi feito em 02.03.2016
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