sábado, 11 de abril de 2026

A Internacional Reacionária - de olho nas legislativas da Hungria



Como lhe chamou Macron, tem uma agenda clara: destruir o estado de direito, a democracia, a igualdade de direitos entre mulheres e homens, a sociedade baseada no conhecimento e a imprensa livre. A UE é o principal alvo porque é a entidade mais forte que coloca em causa o modelo de poder da Internacional Reacionária e a geopolítica assente no princípio de quem tem a moca maior manda mais. 
Os aspirantes a ditadores, Ventura, Orbán, Le Pen, Salvini, Fico, Abascal que têm servido de caixas de ressonância de Putin e de Trump, conhecem bem o seu papel: à primeira oportunidade é mandar a UE abaixo. Depois será muito mais simples abater nações isoladamente para os confins do autoritarismo, de sociedades em que as mulheres se resumirão a cozinheiro-parideiras, os homossexuais serão considerados doentes, em que a ciência será substituída pelo fanatismo religioso e onde a imprensa será um mero papagaio do querido líder.
Esta semana foram todos apoiar o maior corrupto da Europa, Orbán, que está em maus lençóis para se manter no poder. Mas segundo consta, Orbán já tem um plano para ser presidente depois do mandato de primeiro-ministro expirar. Só espero que a Europol tenha tempo suficiente para lhe meter as mãos em cima assim que acabar a imunidade política. 

A Conexão Budapeste-Lisboa: O Fim do "Manual Orbán" para o Chega?
A sobrevivência política de Viktor Orbán está, pela primeira vez em dezasseis anos, seriamente ameaçada pelo fenómeno ascendente de Péter Magyar e do seu partido Tisza. No entanto, o abalo sísmico desta possível queda não se limita às margens do Danúbio; as réplicas far-se-ão sentir com intensidade na sede do Chega, em Lisboa. Embora André Ventura tenha construído uma narrativa de autonomia nacionalista, o partido é um beneficiário direto do ecossistema iliberal que Orbán exportou para a Europa. A questão central que paira sobre esta aliança é o dinheiro: houve, afinal, fluxos financeiros diretos de Budapeste para Lisboa?

Até ao momento, as investigações do Tribunal de Contas e de consórcios de jornalismo de investigação, como o OCCRP, não encontraram o chamado "fumo da arma" — uma transferência bancária explícita de fundos estatais húngaros para as contas oficiais do Chega. Contudo, a influência financeira manifesta-se de forma muito mais subtil e eficaz através da chamada "Via dos Think Tanks". O Mathias Corvinus Collegium (MCC), uma instituição financiada com milhares de milhões de euros pelo Estado húngaro, tem servido como o braço logístico desta internacional de direita. Através do financiamento de conferências de luxo, viagens internacionais e programas de "formação política" para quadros da direita radical, o dinheiro de Orbán garante uma infraestrutura de apoio que partidos como o Chega dificilmente sustentariam sozinhos. É, na prática, um financiamento indireto de uma guerra cultural coordenada.

A esta rede de influência soma-se o "Mistério do Dubai" e a aquisição da Euronews. A revelação de que fundos ligados ao círculo íntimo de Orbán foram utilizados para comprar órgãos de comunicação internacionais através de estruturas offshore levantou suspeitas legítimas sobre a existência de canais semelhantes para apoiar campanhas digitais e propaganda a favor de aliados europeus. Se o dinheiro não entra diretamente no partido, ele parece circular no ar, financiando o ecossistema mediático que sustenta as suas mensagens.

Pairando sobre tudo isto está a "Sombra de Putin". Orbán tem sido frequentemente descrito como o cavalo de Troia do Kremlin na União Europeia, bloqueando sanções e mantendo uma ambiguidade estratégica que serve os interesses russos. Para André Ventura, esta ligação é um "abraço de urso": embora o Chega tente manter uma fachada pró-Ucrânia para não alienar o eleitorado português, a sua integração no grupo parlamentar Patriotas pela Europa coloca-o sob o mesmo teto financeiro e estratégico que os aliados mais próximos de Moscovo. Se Péter Magyar vencer na Hungria e decidir abrir os arquivos do Fidesz, o que poderá ser descoberto sobre o apoio logístico a partidos "irmãos" no sul da Europa poderá ser politicamente fatal.

O fim do modelo de Orbán significaria, para o Chega, a perda da sua principal validação institucional. Orbán era a prova viva de que era possível ser "anti-sistema", capturar o Estado e governar contra as diretrizes de Bruxelas. Sem o manual de instruções de Budapeste e sem a rede de segurança financeira e política que o grupo de Orbán providencia no Parlamento Europeu, Ventura ficaria isolado. O Chega pode não ser um satélite direto de Budapeste, mas se o regime húngaro cair amanhã, o partido português perderá não apenas um aliado, mas as "vias verdes" de influência e os recursos invisíveis que ligam Lisboa a Budapeste e, por via indireta, a Moscovo.

Conclusão: existe  uma convergência de interesses. Orbán quer aliados que fragilizem a coesão da UE, e partidos como o Chega beneficiam do apoio logístico e da validação internacional que Orbán (enquanto chefe de governo) lhes confere. É um jogo de "soft power" e alinhamento ideológico que, por vezes, é tão eficaz quanto o dinheiro direto.

Saber mais:
1. Hungria cada vez mais próxima da Rússia e dos EUA vai a votos depois de uma campanha marcada por acusações de manipulação
2. Porque é que esta eleição na Hungria interessa e é diferente das outras
3. A conexão evangélica e a Internacional Reacionária


4. A ascensão do autoritarismo reacionário global

Sem comentários: