O grande cantor russo Sergei Lemeshev (1902-1977) canta o romance russo Elegie composta por Yakovlev. Gravado em 1940.
A "Elegia" interpretada por Sergei Lemeshev em 1940 foi composta por Mikhail Yakovlev (1798–1868) sobre um poema de Anton Delvig. Esta obra é um exemplo clássico do Romantismo Russo da primeira metade do século XIX, mais especificamente do género conhecido como Romance Russo. Composta originalmente na década de 1820, a peça reflete a atmosfera dos salões aristocráticos de São Petersburgo, onde a música e a poesia caminhavam juntas sob a influência da "Era de Ouro" da literatura russa. Diferente das grandes árias de ópera, esta composição foca em um lirismo contido, na melancolia e na expressão íntima da alma, características que Lemeshev, com o seu timbre de tenor lírico impecável, conseguiu elevar ao status de obra-prima da canção russa.
Когда, душа, просилась ты
Погибнуть иль любить,
Когда желанья и мечты
В тебе теснились жить,
Когда ещё я не пил слёз
Из чаши бытия,
Зачем тогда в венке из роз
К теням не отбыл я!
Зачем вы начертались так
На памяти моей,
Единой молодости знак,
Вы, песни прошлых дней!
Я горы, долы и леса,
И милый взгляд забыл;
Зачем же ваши голоса
Мне слух мой сохранил!
Не возвратите счастья мне,
Хоть дышит в вас оно!
С ним в промелькнувшей старине
Простился я давно.
Не нарушайте ж, я молю,
Вы сна души моей;
И слова страшного люблю
Не повторяйте ей!
Tradução
Quando a alma, tu pedias
Para morrer ou para amar,
Quando desejos e fantasias
Em ti queriam habitar,
Quando ainda não bebera o pranto
Desta taça da existência,
Porque não parti, sob o encanto
Das rosas, para a fúria da ausência!
Porque ficastes gravadas assim
Na memória que me invade,
Sinal único da juventude em mim,
Vós, canções de outra idade!
Esqueci montes, vales e florestas,
E o olhar que outrora amei;
Porque é que as vossas vozes, nestas,
O meu ouvido ainda retém!
Não me devolveis a felicidade,
Ainda que nela respireis!
Com ela, na fugaz antiguidade,
Há muito que me despedi, bem sabeis.
Não perturbeis, eu vos imploro,
O sono da minha alma agora;
E a palavra terrível — amo-te —
Não lha repitais, ide-vos embora!
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