Check out https://globalinequality.org/ to view Jason’s recent project (created in collaboration with a team of fellow researchers) which visualizes data and research on global inequality.
O Colapso Anunciado e a Ilusão do Crescimento
Na sua intervenção, Jason Hickel apresenta uma crítica mordaz à estrutura do capitalismo contemporâneo. O argumento central é que vivemos num sistema que exige o crescimento infinito do PIB para manter a estabilidade social e financeira. No entanto, Hickel recorda que vivemos num planeta com limites biofísicos finitos. Para o antropólogo, a ideia de que podemos continuar a crescer economicamente enquanto "desligamos" esse crescimento do impacto ambiental — o chamado "Crescimento Verde" — não passa de uma fantasia perigosa.
A Responsabilidade da Classe Alta
O título da entrevista, que refere que "os ricos não se importam", prende-se com a análise da pegada ecológica das elites. Hickel argumenta que a classe ultra-rica e as grandes corporações são os principais motores da destruição, não apenas pelo seu consumo ostensivo (como jatos privados), mas sobretudo pelo controlo que exercem sobre os investimentos e a política. Ele defende que este grupo continua a investir na expansão de combustíveis fósseis e na extração de recursos porque o lucro imediato sobrepõe-se à sobrevivência civilizacional a longo prazo.
O Decrescimento como Solução
A alternativa proposta por Hickel é o Decrescimento. Ao contrário do senso comum, ele esclarece que o decrescimento não é uma recessão (que é um colapso caótico de uma economia dependente de crescimento). O decrescimento é uma redução planeada do uso de energia e de recursos no Norte Global, com o objetivo de alinhar a economia com os limites do planeta e, simultaneamente, melhorar a vida das pessoas.
As medidas sugeridas passam por:
1. Abolir indústrias inúteis: reduzir setores que não contribuem para o bem-estar humano, como o marketing agressivo, o armamento ou a obsolescência programada.
2.Redistribuição radical: Tributar as grandes fortunas para financiar serviços públicos universais (saúde, educação, transportes).
3.Garantia de Emprego: assegurar que a transição para uma economia menor não gera desemprego, mas sim uma redução da carga horária de trabalho, permitindo mais tempo livre e partilha de tarefas.
A Urgência Política
Hickel conclui que a tecnologia, por si só, não nos salvará. Embora as energias renováveis sejam fundamentais, elas não conseguem substituir a escala atual de consumo material do Norte Global. A solução é, portanto, política e de classe: é necessário retirar o poder de decisão das mãos de uma elite que beneficia com a destruição e democratizar a economia para garantir a sobrevivência da biosfera.
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