quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Händel - Vo' dar pace a un'alma altiera por Xavier Sabata


“Vo’ dar pace a un’alma altiera” é uma ária da ópera Tamerlano (1724), de Georg Friedrich Händel, cantada pela personagem Irene. Inserida num drama marcado por ambição, poder e conflitos passionais, a ária surge como um momento de apaziguamento e equilíbrio, no qual Irene se apresenta como voz da razão e da concórdia. Musicalmente, Händel constrói uma escrita nobre e contida, com linhas vocais longas e expressivas, evitando o virtuosismo excessivo para privilegiar a clareza do discurso afetivo. A serenidade da música reflete o texto, no qual a personagem afirma o desejo de levar paz a uma alma orgulhosa, usando a doçura e a firmeza moral como instrumentos de persuasão. Trata-se de uma ária que evidencia a mestria de Händel na caracterização psicológica das personagens e no uso da música como meio de expressão ética e emocional.

Vo' dar pace a un'alma altiera
Acciò renda men severa
L'ira sua, il suo furor
Addolcita la sua pena
Scioglierò quella catena
Ch'odio accende nel suo cor

Haendel foi um homem do seu tempo, profissional, culto e produtor. Captou a essência da música do seu tempo, compondo em estilos italiano, alemão, francês e inglês.

Beethoven admirava profundamente Georg Friedrich Handel. Para ele, Handel era um dos maiores compositores de todos os tempos, sobretudo pela mestria na escrita coral e pela capacidade de criar música de grande força expressiva e sentido moral. Essa admiração é confirmada por vários testemunhos de contemporâneos, que lhe atribuem a célebre afirmação de que Handel era o maior compositor que jamais viveu e que ele se descobriria e ajoelharia diante do seu túmulo. Independentemente da formulação exacta da frase, não há dúvidas quanto ao respeito e à reverência que Beethoven nutria por Handel.

Beethoven estudou atentamente as obras de Handel, em particular os seus oratórios, como Messiah e Israel in Egypt, reconhecendo neles um modelo de clareza estrutural, solidez formal e eficácia expressiva. A influência handeliana é perceptível em várias das suas obras mais monumentais, nomeadamente na Missa solemnis e na escrita coral da Nona Sinfonia, onde a grandiosidade, o sentido coletivo e a força retórica do discurso musical assumem um papel central. Para Beethoven, Handel representava o ideal do compositor que alia rigor técnico, profundidade artística e comunicação direta com o público, uma combinação que ele próprio procurou atingir ao longo da sua carreira.

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