sábado, 28 de fevereiro de 2026

Entrevista a Gary Snyder - aos 92 anos


Snyder enfatiza que os seres humanos perderam a conexão com o local onde vivem. Ele defende que devemos conhecer intimamente a nossa "bacia hidrográfica" (watershed): quais plantas crescem ali, de onde vem a água, quais animais habitam à sua volta. Para ele, a ecologia não é um conceito abstrato, mas a prática de se tornar um "nativo" do lugar onde se pisa.

Ele discute sua longa permanência no Japão e como o Zen-Budismo moldou sua visão de mundo. Snyder explica que a prática espiritual não está separada do trabalho físico (como cortar lenha ou cuidar da terra). Ele vê a natureza como um "sangha" (comunidade espiritual) expandido, onde todos os seres vivos têm dignidade.

A conversa toca na importância de comunidades pequenas e autossustentáveis. Snyder acredita que a resistência contra a destruição ecológica começa na escala local, através do fortalecimento dos laços comunitários e da educação das novas gerações sobre o valor do seu ecossistema imediato.

Rússia, Ucrânia e a Europa

Putin tem de compreender que não é a reencarnação de Alexandre Nevsky, nem o guardião mítico de uma fortaleza sitiada por inimigos medievais. A história não se repete sob a forma de epopeia defensiva permanente, e o século XXI não é um campo de batalha contra mongóis, suecos ou hordas napoleónicas. O terror nazi pertence ao passado histórico europeu, por mais traumático que tenha sido, e a Pátria russa não está hoje sob ameaça existencial.
Os russos têm de reconhecer que existe algo chamado direito internacional, construído precisamente para impedir que os traumas históricos se transformem em guerras preventivas. As fronteiras reconhecidas dos Estados não são sugestões geográficas: são garantias jurídicas da estabilidade global. A sua violação não é acto defensivo; é ruptura da ordem internacional.
Mas também os europeus têm responsabilidades. Devem compreender que os povos da grande mãe Rússia carregam traumas históricos profundos — invasões, cercos, devastação — que moldaram uma cultura estratégica de suspeita e defesa. Ignorar essa memória colectiva é um erro político. A estabilidade exige não apenas firmeza jurídica, mas também inteligência estratégica e capacidade de reduzir percepções de ameaça.
Nesse sentido, a Europa deve agir com prudência, evitando transformar a segurança do continente numa escalada permanente de blocos militares. Segurança não se constrói apenas com expansão de alianças, mas com arquitectura de confiança e previsibilidade.
Por fim, importa sublinhar que eventuais problemas internos da Ucrânia — incluindo fenómenos políticos extremistas — pertencem à esfera soberana dos ucranianos. Nenhum país pode invocar fragilidades internas de outro como pretexto para intervenção armada. A autodeterminação não é selectiva.
Seria tão simples — se a história não fosse permanentemente instrumentalizada, e se o medo deixasse de ser argumento.

"Guerras preventivas são proibidas." Ana Gomes diz que ataques de Israel e EUA ao Irão "são completamente ilegais"


Ana Gomes confessou, este sábado, "olhar com surpresa" para os ataques de Israel e dos Estados Unidos da América contra o Irão. Em declarações à TSF, antiga eurodeputada considerou que a ação militar de ambos os países "completamente ilegal".
"É uma atuação da Administração Trump, de Israel e de quem os apoiar completamente ilegal. Guerras preventivas são guerras proibidas no direito internacional", afirmou à TSF Ana Gomes.
A ex-eurodeputada argumenta também que a "desculpa" de uma "guerra preventiva" é "absolutamente ridícula", uma vez que os EUA "estavam em negociações com o Irão".

Os Estados Unidos e Israel iniciaram esta manhã um ataque conjunto ao Irão, que atingiu a capital, Teerão.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os Estados Unidos iniciaram "grandes operações de combate no Irão" e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque tem como objetivo "eliminar uma ameaça existencial representada" pelo regime iraniano.
Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
Segundo as autoridades iranianas, os bombardeamentos já provocaram pelo menos 40 mortos e 48 feridos.
O Irão já respondeu, lançando mísseis sobre bases militares norte-americanas de vários países da região.

Cardinal Pizzaballa slams US-backed ‘Board of Peace’ for Gaza as ‘colonialist operation’


New photos and videos highlight close ties between Epstein and Trump

U2 - Yours Eternally ft. Ed Sheeran and Taras Topolia


"Yours Eternally" é uma colaboração poderosa lançada em fevereiro de 2026 pelo U2, com a participação de Ed Sheeran e Taras Topolia (vocalista da banda ucraniana Antytila).

A canção é o grande destaque do EP surpresa de 6 faixas do U2, intitulado Days of Ash, lançado em 18 de fevereiro de 2026 (Quarta-feira de Cinzas).

Detalhes principais da colaboração:
A mensagem: a música foi escrita como uma carta de um soldado no front para aqueles que ficaram em casa. O tema central foca no conceito de Volya — uma palavra ucraniana que significa tanto "liberdade" quanto "força de vontade". O U2 traz a bagagem histórica da Irlanda com conflitos e processos de paz, o que Bono frequentemente conecta à situação atual na Europa

As origens: a parceria nasceu da relação criada quando Bono e The Edge se apresentaram no metro de Kiev em 2022. Taras Topolia, que serviu como paramédico de combate, trouxe a perspectiva real do soldado para as letras.

O videoclipe: para marcar o quarto aniversário da invasão em grande escala da Ucrânia, um documentário de curta-metragem para a música foi lançado em 24 de fevereiro de 2026. Dirigido pelo cineasta ucraniano Ilya Mikhaylus, o vídeo utiliza imagens reais de combate da Brigada Khartiya.

Produção: a faixa foi produzida por Jacknife Lee, colaborador de longa data do U2, e conta com um "coro virtual" que inclui membros do Antytila e ativistas como Bob Geldof e Nadya Tolokonnikova, dos Pussy Riot.

Sobre o EP Days of Ash:
Bono descreveu este trabalho como um "cartão-postal do presente", com canções de "desafio, consternação e lamentação" que não podiam esperar pelo próximo álbum completo da banda (previsto para o final de 2026).

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

U2 - Numb


Canção premonitória do mundo que seria no século XXI.
O videoclipe do primeiro single do álbum Zooropa foi realizado por Kevin Godley e filmado em Berlim, no verão de 1993.

O significado da canção: "Numb"
A letra de "Numb" funciona como um mantra de negação. É uma sucessão frenética de ordens contraditórias e proibições (ex: "Don't move, don't talk out of line, don't believe, don't think"), que pintam o retrato de um indivíduo encurralado.

1. Sobrecarga sensorial e mediática
A música reflete a paralisia perante o excesso de estímulos da década de 90 — a explosão da TV por cabo, o nascimento da internet e o fluxo ininterrupto de notícias.
O "ruído" do mundo torna-se tão alto que o cérebro deixa de conseguir processar a informação.
É o som de alguém a tentar encontrar silêncio num mundo que não se cala.

2. O entorpecimento como defesa
O título "Numb" (Entorpecido/Insensível) descreve um estado de desapego emocional.
Mecanismo de proteção: O eu lírico opta por não sentir nada para não ser esmagado pela confusão exterior.

Se não houver crença, desejo ou pensamento crítico, o indivíduo torna-se imune à dor e à desilusão. É uma apatia voluntária.

3. A ironia da performance
O facto de ser The Edge a cantar, com uma voz propositadamente monótona e sem vida, reforça a ideia de uma máquina ou de alguém que já "desligou" os seus sentimentos. Enquanto isso, os falsetes de Bono ao fundo soam como os últimos vestígios de humanidade a tentar emergir do caos.

Encontros Improváveis - John Muir

Parque Natural do Alvão
John Muir: o profeta da natureza
John Muir (1838–1914) foi o catalisador que mudou a percepção do mundo ocidental sobre a vida selvagem, movendo-a da exploração utilitária para a veneração espiritual.

"Wilderness is a necessity... there must be places for human beings to satisfy their souls." – John Muir

John Muir, frequentemente aclamado como o "Pai dos Parques Nacionais", foi uma das figuras mais influentes na formação da consciência ecológica moderna. O seu pensamento não era apenas uma teoria académica, mas uma filosofia vivida, profundamente enraizada numa visão espiritual e holística da natureza. Para Muir, o mundo natural não era um recurso a ser explorado, mas um templo sagrado onde a humanidade poderia encontrar renovação e verdade.

O panteísmo naturalista
No cerne da filosofia de Muir reside a convicção de que Deus e a Natureza são indissociáveis. Influenciado pelo transcendentalismo de Ralph Waldo Emerson e Henry David Thoreau, Muir via em cada glaciar, árvore ou tempestade uma manifestação direta do divino. Ele rejeitava a visão antropocêntrica — a ideia de que a Terra existe apenas para servir o Homem — e argumentava que todas as espécies possuem um valor intrínseco, independentemente da sua utilidade para a civilização.

Preservacionismo vs. Conservacionismo
Muir é o principal rosto do preservacionismo. Esta postura diferenciava-o de contemporâneos como Gifford Pinchot, que defendia o "conservacionismo" (a gestão eficiente dos recursos naturais para uso humano). Enquanto Pinchot olhava para as florestas como madeira em potencial, Muir via-as como essenciais para a saúde espiritual e psicológica da humanidade. Para ele, a natureza selvagem (wilderness) deveria ser mantida intacta, protegida de qualquer intervenção comercial.

Pontos-Chave do Pensamento de Muir
  1. Interconectividade: Muir antecipou conceitos da ecologia moderna ao afirmar que, quando tentamos isolar algo na natureza, descobrimos que está "preso a tudo o resto no Universo".
  2. A Natureza como terapia: Ele acreditava fervorosamente que o contacto com o mundo selvagem era a cura para os males do materialismo industrial, descrevendo a ida para as montanhas como um "regresso a casa".
  3. Ativismo político: A sua filosofia traduziu-se em ação direta, resultando na fundação do Sierra Club e na criação de parques icónicos como Yosemite, Mount Rainier  e Sequoia.
"Milhares de pessoas cansadas, de nervos abalados e demasiado civilizadas, estão a começar a descobrir que ir para as montanhas é ir para casa; que a vida selvagem é uma necessidade." — John Muir

A herança de Muir continua viva hoje, servindo de base para o movimento ambientalista global e para a compreensão de que a preservação do planeta é, em última análise, a preservação da nossa própria essência.

Mau tempo: País não podia evitar tempestades mas deve usar melhor o território


Maria José Roxo, um dos nomes mais relevantes da Geografia portuguesa e especialista em catástrofes e riscos ambientais considera que o país não podia evitar as recentes tempestades, mas poderia minimizar os efeitos dos fenómenos meteorológicos extremos com outra forma de ocupar e “usar o território”.

“Não podíamos evitar porque aquilo que está a acontecer em Portugal, e em muitas outras áreas do planeta, como estamos a ver nos últimos dias, com a tempestade de neve nos Estados Unidos muitíssimo forte e com as chuvas muito intensas no Brasil, são fenómenos que têm a ver com algo que nós andamos há muitíssimo tempo a falar, que é o efeito do aquecimento global”, afirmou Maria José Roxo.

Em declarações à Lusa, a professora do departamento de Geografia e Planeamento Regional da Universidade Nova de Lisboa, analisou os efeitos das recentes depressões Kristin, Leonardo e Marta, que desde a madrugada de 28 de janeiro provocou pelo menos 18 mortos, centenas de feridos e desalojados, principalmente nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.

A também investigadora do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS), da Nova, salientou que Portugal possui a particularidade de ter um clima de grande variabilidade, de características mediterrânicas e atlânticas, que “tem sido perturbada por este aquecimento global”, tornando as tempestades e as superfícies frontais cada vez mais intensas.

“Não podíamos evitar, mas podíamos minimizar. E aqui é que temos que nos concentrar. Este minimizar implicava o que há muito tempo se vem falando sobre a forma como se está a ocupar e a usar o território, e esse é que é o grave problema”, apontou.

O problema, sublinhou, está na maneira como se utilizam os recursos naturais, perturbando a dinâmica dos sistemas naturais, com a canalização dos cursos de água nas áreas urbanas e o uso do “recurso solo”, com a impermeabilização das áreas urbanas.

“Pensar cidade é pensar cidade com a natureza. As cidades têm que ser cidades esponjas, que absorvam água, viu-se o exemplo de Setúbal, com a bacia de retenção, e todos esses aspetos de mais verde nas cidades, mais espaços de absorção, menos impermeabilização”, defendeu, aludindo ao exemplo do parque urbano da cidade junto ao Sado que amorteceu as recentes cheias.

A especialista em desertificação, catástrofes e riscos ambientais, recursos naturais e geomorfologia, exemplificando com as caleiras nas cidades para colocar árvores, constatou que em muitos sítios “são mínimas, muitas vezes até impermeabilizadas”, tornando difícil compreender até como é que as “árvores sobrevivem”.

“Esta questão de como fazemos planeamento tem que ser equacionada devidamente, porque é necessário pensar de uma forma diferente” e de uma forma integrada, defendeu Maria José Roxo, acrescentando que não se pode só pensar nos solos, mas também nos cobertos vegetais e na água, três elementos que “têm que estar sempre associados”.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O aquecimento dos oceanos causa uma redução anual de 20% no número de peixes

O aquecimento crónico e prolongado dos oceanos é o responsável pelo declínio anual de quase 20% na biomassa de peixes (o peso total dos peixes capturados vivos em redes de arrasto), segundo pesquisadores do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha e da Universidade Nacional da Colômbia.

A pesquisa, desenvolvida nas águas do Mediterrâneo, do Atlântico Norte e do Pacífico Nordeste, baseia-se na análise de 702.037 estimativas de mudanças na biomassa de 33.990 populações de peixes registadas entre 1993 e 2021 no Hemisfério Norte.

Os dados coletados, segundo os pesquisadores, devem ser cruciais para aprimorar a gestão da pesca e a conservação dos ecossistemas marinhos, dos quais depende grande parte da segurança alimentar mundial; hoje, 25 de fevereiro, eles publicam os resultados do seu trabalho na revista Nature Ecology and Evolution.

Shahar Chaikin, pesquisador do Museu Nacional de Ciências Naturais, explicou à EFE que calcularam essa perda de 'biomassa' analisando o peso total dos peixes vivos capturados em redes de arrasto de fundo durante o período abrangido pelos estudos científicos, que inclui espécies comerciais e não comerciais.

As ondas de calor marinhas, cada vez mais frequentes, não afetam todos os peixes da mesma forma, pois há populações que "perdem" e outras que "ganham", e o estudo mostra que tudo depende da zona de conforto térmico, a faixa de temperatura ideal na qual cada espécie cresce e se desenvolve melhor.

No final das contas, ninguém ganha.
Shahar Chaikin afirmou que, tanto globalmente quanto em nível populacional (em locais específicos), a tendência geral é de diminuição dessa biomassa à medida que os oceanos aquecem, e declarou que o resultado final do trabalho é que "ninguém ganha a longo prazo".

Quando uma onda de calor leva os peixes em águas já quentes além de sua zona de conforto térmico, a sua biomassa pode cair até 43,4%, mas as populações em áreas mais frias muitas vezes prosperam temporariamente com o aumento das temperaturas, aumentando a sua biomassa em até 176%.

“Embora esse aumento repentino na biomassa em águas frias possa parecer uma boa notícia para a pesca, trata-se de um aumento temporário. Se os gestores aumentarem as quotas de pesca com base no aumento da biomassa causado por uma onda de calor, correm o risco de provocar o colapso dos stocks quando as temperaturas voltarem ao normal ou quando o efeito do aquecimento global a longo prazo se consolidar, porque esses aumentos são pontuais”, alertou Chaikin.

“Ao contrário das flutuações climáticas de curto prazo, que podem variar drasticamente, o aquecimento crónico exerce uma pressão negativa constante sobre as populações de peixes no Mar Mediterrâneo, no Oceano Atlântico Norte e no nordeste do Oceano Pacífico”, disse Juan David González Trujillo, pesquisador da Universidade Nacional da Colômbia, num comunicado à imprensa divulgado na quarta-feira pelo MNCN.

Coordenação internacional para gerir recursos que não conhecem fronteiras.
A abordagem tradicional à gestão da pesca já não acompanha o ritmo das alterações climáticas e, para garantir o futuro dos recursos pesqueiros globais, os autores propõem uma estrutura de três níveis que combina resposta rápida, planeamento a longo prazo e cooperação internacional. Observaram que as espécies, na tentativa de se manterem dentro da sua zona de conforto térmico, inevitavelmente atravessam fronteiras internacionais, pelo que a conservação requer coordenação internacional e acordos conjuntos de gestão de recursos.

O pesquisador do MNCN-CSIC, Miguel Bastos Araújo, enfatizou a importância de equilibrar cuidadosamente os aumentos localizados com os declínios a longo prazo para evitar a sobre-exploração e afirmou que a única estratégia viável diante do aquecimento dos oceanos é priorizar a resiliência a longo prazo. "As medidas de gestão devem levar em conta o declínio esperado da biomassa num oceano cada vez mais quente."

A conclusão é que os recursos pesqueiros não podem ser regulamentados apenas considerando o aumento ou a diminuição ocasional da biomassa devido a uma onda de calor marinha, disse Chaikin à EFE, citando o exemplo do robalo do Mediterrâneo: quando confrontado com uma onda de calor marinha, é essencial reduzir a pressão da pesca, porque enfrenta perdas muito maiores do que as populações em costas mais frias da Galiza ou da Inglaterra.

Mas, embora as populações nessas "bordas frias" possam experimentar um aumento significativo durante uma onda de calor, esses ganhos são "transitórios" e desaparecem com o aquecimento oceânico a longo prazo , portanto, não representam uma oportunidade para a "captura sustentável".

Maria Sibylla Merian (1647-1717) - uma das pioneiras em Ecologia

Ilustração: ‘Dissertação sobre a geração e metamorfoses de insetos surinameses’, (1719)



Anna Maria Sibylla Merian foi uma naturalista e pintora. Ela utilizou o seu talento para o desenho, adquirido numa família de editores e ilustradores de renome, para complementar as suas observações naturalistas altamente detalhadas, particularmente sobre a metamorfose das borboletas.

Ela revolucionou a história da ciência com o seu trabalho sobre a transformação dos insetos.



Silent Poets - Hope


Part of the lyrics quotes Emily Dickinson's “Hope” is the thing with feathers (1861)
Canção presente no videojogo Death Stranding 2: On the Beach


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Documentário: Beautiful Noise


Direção e Produção
O filme foi realizado (dirigido) por Eric Green. Levou quase uma década para ser concluído, dependendo fortemente de uma campanha bem-sucedida no Kickstarter para conseguir licenciar a vasta quantidade de músicas icônicas presentes na trilha sonora.

Bandas em Destaque
O documentário foca no "triunvirato" sagrado da gravadora Creation Records e da 4AD, explorando como elas moldaram o som da época:
  1. My Bloody Valentine: O foco na genialidade (e perfeccionismo) de Kevin Shields.
  2. The Jesus and Mary Chain: A transição do ruído punk para as melodias pop.
  3. Cocteau Twins: A influência da voz de Elizabeth Fraser e das texturas de Robin Guthrie.
Entrevistas e Participações
Um dos grandes méritos de Eric Green foi reunir tanto os arquitetos do som original quanto os artistas que foram influenciados por eles.

Os protagonistas:
Kevin Shields (My Bloody Valentine)
Jim Reid (The Jesus and Mary Chain)
Robin Guthrie (Cocteau Twins)
Emma Anderson & Miki Berenyi (Lush)
Neil Halstead & Rachel Goswell (Slowdive)
Mark Gardener & Andy Bell (Ride)

Os admiradores (influenciados):
Robert Smith (The Cure)
Billy Corgan (The Smashing Pumpkins)
Trent Reznor (Nine Inch Nails)
Wayne Coyne (The Flaming Lips)
Bobby Gillespie (Primal Scream)

O que o documentário aborda?
O filme não é apenas uma lista de bandas; ele narra a evolução tecnológica e artística de como o ruído (noise) se tornou algo belo (beautiful).

Ele explora o uso de pedais de efeito, a técnica de "glide guitar" de Kevin Shields e como essas bandas foram inicialmente ridicularizadas pela imprensa britânica (que cunhou o termo "Shoegazing" de forma pejorativa) antes de se tornarem cultuadas mundialmente.

Destaque: O documentário é rico em imagens raras de arquivo de concertos em clubes pequenos e bastidores de gravações lendárias.

A verdadeira história da canção "Heroes" de Bowie e a interpretação de KinGeorg and Apoptygma Berzerk - Helter (David Bowie cover)


Helter significa Heróis em Norueguês 

Para escutar os 3 temas do álbum aqui

A canção Heroes foi escrita a dois, David Bowie e Brian Eno e originalmente cantada por David Bowie.

"Heroes": O Triunfo do efémero e a resistência do instante
A canção  foi escrita em 1977, durante o período em que Bowie vivia em Berlim Ocidental, imerso no que viria a ser conhecido como a sua “trilogia de Berlim” — Low, Heroes e Lodger — ao lado de Brian Eno e do produtor Tony Visconti. A cidade não era apenas o cenário: era o conceito. Dividida por um muro, carregada de tensão política, ideológica e emocional, Berlim oferecia a Bowie algo que ele procurava naquele momento da vida: distância do caos de Los Angeles, onde o vício em cocaína e o isolamento criativo quase o destruíram, e uma paisagem urbana que refletia a sua própria fragmentação interna.

O beijo sob o olhar da Stasi
A história por trás da canção é conhecida, mas nunca banal. Bowie escreveu “Heroes” inspirado num episódio real: ao observar pela janela do estúdio Hansa, localizado a poucos metros do Muro de Berlim, viu Tony Visconti a beijar uma mulher junto à barreira que separava o Leste do Oeste. A mulher era Antonia Maass, corista do álbum e, à época, envolvida com Visconti, apesar de ambos terem outros relacionamentos. O gesto, simples e arriscado, transformou-se no núcleo emocional da música. Não se tratava de amantes a desafiar apenas uma circunstância pessoal, mas de um ato de intimidade num dos espaços mais vigiados e simbólicos do planeta.

Engenharia de som como dramaturgia
Musicalmente, “Heroes” também nasce de uma experiência. Brian Eno construiu a paisagem sonora com sintetizadores e tratamentos electrónicos que expandiam a ambição do rock para além da sua forma tradicional. Visconti criou um sistema de microfones posicionados a diferentes distâncias da voz de Bowie, que se abriam progressivamente à medida que ele cantava mais alto, captando não apenas a performance, mas a própria arquitetura do estúdio.

O resultado é uma interpretação que cresce em intensidade, como se a canção literalmente ganhasse espaço físico à medida que Bowie se aproxima do clímax. É a técnica ao serviço da emoção.

A recusa do heroísmo grandioso
A letra, por sua vez, é deliberadamente simples. “We can be heroes, just for one day.” Não há promessa de eternidade, glória ou redenção total. Há apenas um instante. Um dia. Um gesto. Bowie nunca romantiza a vitória definitiva; ele oferece resistência temporária. E é exatamente essa recusa do heroísmo grandioso que torna a música tão poderosa. Num mundo de muros — físicos, políticos, afetivos —, ser herói por um dia já é um ato de coragem.

Do insucesso ao estatuto de Hino
Quando lançada, “Heroes” não foi um sucesso imediato nas tabelas de vendas. Alcançou posições modestas no Reino Unido e passou quase despercebida nos Estados Unidos. A crítica, entretanto, reconheceu desde cedo a sua singularidade, e a música começou a construir a sua reputação não pelo consumo rápido, mas pela sedimentação cultural. Com o tempo, tornou-se uma das faixas mais emblemáticas da carreira de Bowie, ao lado de “Space Oddity”, “Life on Mars?”, “Let’s Dance” e “Changes” — o quinteto que hoje define o coração do seu legado. 

Em 6 de junho de 1987, Bowie tocou "Heroes" no Reichstag, em Berlim Ocidental, o que foi considerado um catalisador para a queda do Muro.
 
Porquê agora?
Nada disto, porém, explica sozinho por que motivo “Heroes” ressoa tanto agora. Talvez porque vivamos novamente num mundo de muros, não apenas geopolíticos, mas simbólicos: polarização, guerras culturais, ansiedade coletiva, isolamento tecnológico. . Talvez porque, em tempos de exaustão moral, a ideia de um heroísmo possível, ainda que breve, soe mais honesta do que qualquer promessa de redenção total. “Heroes” não diz que o amor vence tudo. Diz que ele pode, por um instante, desafiar o impossível. E isso, para quem vive em 2026, não é pouco.

Um legado em datas
Após a morte de Bowie, em janeiro de 2016, o governo alemão agradeceu o músico por "ajudar a derrubar o Muro", acrescentando que "você está entre os Heróis"

Em 8 de janeiro de 2026, “Heroes” completou 49 anos desde o seu lançamento. Dois dias depois, a 10 de janeiro, assinalaram-se dez anos da morte de David Bowie. A coincidência de datas não é apenas cronológica; é simbólica. Bowie construiu uma carreira inteira baseada na transformação e na coragem de se reinventar.

Hoje, a canção é mais do que um clássico; é a prova de que, num tempo em que ser herói parece exigir façanhas impossíveis, às vezes tudo o que temos é um dia. Um gesto. Um beijo à beira de um muro. E, ainda assim, isso basta para mudar tudo.

Arranha-céus vazios de Nova Iorque onde os ultrarricos escondem fortunas


Quase metade dos apartamentos nos sete arranha-céus residenciais mais altos de Nova Iorque está atualmente vazia, incluindo a Central Park Tower, concluída em 2020 e considerada o edifício residencial mais alto do hemisfério ocidental, com mais de 470 metros.

A urbanização da zona começou no início da década de 2010, com edifícios como o One57, o 432 Park Avenue e o 220 Central Park South. Todos chegaram ao mercado ao longo da mesma década, com a Central Park Tower a ser comercializada ainda antes de estar concluída. [Reportagem do Guardian em 2019]

Com um preço médio de oferta de 30 milhões de dólares (25,2 milhões de euros), muitos apartamentos continuam, sem surpresa, por vender.

A Central Park Tower, por exemplo, ainda tinha 87 apartamentos por vender em 2023. No início de 2025, a Extell Development terá refinanciado 18 apartamentos ainda por vender com um empréstimo de 270 milhões de dólares (227,6 milhões de euros), sublinhando as persistentes taxas de escoamento muito baixas.

Ainda assim, a maioria dos apartamentos que foram vendidos acabou nas mãos dos ultra-ricos do mundo, muitos dos quais nunca lá chegaram a viver.

EUA: 'parking money' em arranha-céus de Nova Iorque
Para bilionários em todo o mundo, estes apartamentos de luxo funcionam menos como casas e mais como verdadeiros "cofres-fortes" imobiliários, numa estratégia que parece privilegiar a preservação do capital em vez da geração de lucros.

Antes de mais, o dinheiro é canalizado para ativos imobiliários denominados em dólares norte-americanos, o que ajuda a proteger a riqueza da inflação, da volatilidade cambial e da instabilidade política noutros países. Estes ativos podem ainda ser usados como garantia quando os proprietários precisam de liquidez.

O mercado imobiliário de Nova Iorque é amplamente visto pelos ultra-ricos como uma classe de ativos de "porto seguro", comparável ao ouro ou à arte de primeira linha. As casas de luxo em Manhattan, em particular, oferecem uma reserva de valor estável e relativamente imune a choques económicos.

Outro fator é que estes investimentos permitem diversificar carteiras mantendo o anonimato. Os apartamentos são frequentemente adquiridos através de sociedades de responsabilidade limitada (LLC), que podem ocultar a identidade do proprietário.

Essa opacidade é particularmente atrativa para ultra-ricos muito expostos mediaticamente, que pretendem evitar o escrutínio público sobre os fluxos de capital ou limitar aquilo que as autoridades fiscais dos seus países de origem podem inferir sobre o seu património global.

Por fim, o fenómeno das "torres fantasma". Os apartamentos permanecem às escuras e desabitados durante grande parte do ano, o que faz parte, de forma calculada, da própria estratégia.

Para um bilionário, o potencial rendimento de arrendamento de um apartamento de luxo é muitas vezes irrelevante face ao incómodo de gerir inquilinos e ao risco de desgaste de um ativo mantido em estado impecável.

Manter o apartamento vazio garante que se conserva em perfeitas condições, pronto para ser liquidado rapidamente quando for preciso dinheiro.

Consequentemente, o valor do apartamento reside no facto de ser detido e não habitado, funcionando como uma reserva de capital líquida, transmissível e hipotecável num dos mercados imobiliários mais cobiçados do mundo.

Estados Unidos: o bairro mais exclusivo do mundo
Os residentes da Billionaires' Row formam, provavelmente, um dos enclaves mais exclusivos do planeta. Ainda assim, raramente convivem como vizinhos e muitos permanecem totalmente anónimos.

A lista de proprietários é dominada por titãs dos fundos de cobertura norte-americanos e magnatas da tecnologia.

Ken Griffin, fundador e presidente-executivo da Citadel, um dos fundos de cobertura mais bem-sucedidos do mundo, foi notícia em 2019 ao fechar a compra de uma penthouse quádrupla recorde por 238 milhões de dólares (200,6 milhões de euros) no 220 Central Park South.

Michael Dell, fundador e presidente-executivo da Dell Technologies, também comprou na mesma faixa. Em 2014, adquiriu uma penthouse no One57 por 100,5 milhões de dólares (84,7 milhões de euros), então um recorde para a casa mais cara de sempre vendida em Nova Iorque.

A eles juntam-se outros nomes de peso do mundo financeiro, como Bill Ackman, da Pershing Square Capital Management, e Daniel Och, presidente e antigo presidente-executivo da Och-Ziff Capital Management.

Para lá dos compradores norte-americanos, muitas das torres pertencem a membros da elite global.

Entre eles contam-se figuras como o magnata saudita do imobiliário Fawaz Alhokair, que comprou a residência mais alta do 432 Park Avenue, o empresário têxtil de Hong Kong Silas Chou e Sting, o popular cantor britânico.


Ainda assim, para cada proprietário identificável, há dezenas de outros escondidos atrás de estruturas societárias complexas.

O resultado é um paradoxo curioso: alguns dos metros quadrados mais caros do planeta pertencem legalmente a empresas-fantasma.

O que realmente caracteriza estes proprietários é a sua transitoriedade. Um bilionário pode passar duas semanas por ano numa penthouse em Manhattan antes de seguir para uma propriedade nos Hamptons, uma villa em Saint-Tropez ou um apartamento em Knightsbridge, em Londres.

Por isso, a relação entre pessoal e residentes nestes edifícios é muitas vezes impressionante. Muitos funcionam com serviços de concierge de luxo 24 horas por dia e, nalguns casos, chefs privados, mantendo os apartamentos num estado de prontidão permanente, mesmo que o dono não ponha lá os pés há anos.

Nesse sentido, a Billionaires' Row está também cheia de "moradores fantasma", que são donos da vista, mas raramente aparecem na fotografia.

Estados Unidos: ofensiva de Mamdani contra bilionários
As finanças da cidade de Nova Iorque sofreram um forte abalo na semana passada, quando o autarca Zohran Mamdani apresentou o seu primeiro orçamento preliminar desde que tomou posse no início do ano.

Música do BioTerra: The Paper Kites - Walk Above The City (feat. MARO)


O título "Walk Above The City" (Caminhar sobre a cidade) funciona como uma metáfora. Não se trata de uma caminhada física literal, mas de encontrar um estado mental de serenidade ou um lugar (talvez um telhado ou uma colina) onde o barulho lá embaixo já não importa.

A presença de outra pessoa (representada no dueto) é o que permite esse "vôo". A canção sugere que, quando estamos com alguém que nos entende, conseguimos nos desligar do resto do mundo e observar a vida de uma perspectiva superior e mais calma.
A sonoridade suave, quase como uma canção de ninar, evoca a imagem de luzes da cidade à noite vistas de longe — bonitas, mas distantes. 
Melhor som aqui

A canção consta do álbum 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Artigo da Nature mostra como o feed algorítmico da rede X direciona a visão das pessoas para a direita e extrema-direita


O estudo demonstra que, ao contrário do feed cronológico (onde vês tudo o que as pessoas que segues publicam), o algoritmo filtra e prioriza. Se o utilizador interage com uma publicação de teor radical, o sistema passa a mostrar-lhe mais conteúdo semelhante, o que pode levar a um processo de radicalização gradual por falta de contraditório.

Um ponto implícito no debate atual (e tocado lateralmente no artigo) é a mudança de diretrizes da plataforma sob a gestão de Elon Musk. O estudo sugere que as alterações no código e nas políticas de moderação desde 2022 facilitaram a circulação de discursos que anteriormente seriam filtrados ou banidos, beneficiando desproporcionalmente movimentos de extrema-direita que testam os limites da liberdade de expressão.

A investigação demonstra que o algoritmo do X não é neutro e acaba por beneficiar desproporcionalmente as vozes da direita e da extrema-direita. Isto acontece porque o sistema está programado para maximizar o tempo de utilização e a interação, e os conteúdos típicos destes movimentos — que utilizam frequentemente retórica de indignação, teorias da conspiração ou ataques diretos ao "sistema" e aos adversários — geram níveis de resposta emocional muito elevados. O algoritmo interpreta este conflito como "relevância" e, por consequência, impulsiona essas publicações para um público muito mais vasto do que aquele que as segue originalmente.

Além disso, o artigo destaca que esta amplificação cria um desequilíbrio no ecossistema de informação. Ao comparar o feed cronológico com o algorítmico, os investigadores perceberam que o algoritmo atua como um megafone para narrativas que promovem a polarização afetiva. Ou seja, ele não se limita a mostrar o que o utilizador gosta, mas expõe os utilizadores de direita a conteúdos cada vez mais radicais, enquanto mostra aos utilizadores de esquerda conteúdos que os deixam indignados com a direita, aprofundando o fosso entre os dois grupos. No caso específico da extrema-direita, o estudo sugere que as mudanças nas políticas de moderação da plataforma desde 2022 permitiram que discursos antes considerados marginais ou tóxicos passassem a circular livremente, sendo frequentemente "premiados" pelo algoritmo com alcances multimilionários que as vozes moderadas ou de esquerda raramente conseguem atingir com a mesma eficácia orgânica. Fonte


Documentário: The Tube (1984)


Em março de 1984, a jornalista musical britânica Muriel Gray visitou Berlim Ocidental para filmar um segmento para o programa musical pioneiro do Reino Unido, The Tube (ITV), guiada pelo músico britânico expatriado e representante da Factory Records, Mark Reeder.

O conteúdo: as filmagens documentaram a vibrante, isolada e caótica subcultura da Berlim Ocidental da Guerra Fria, apresentando entrevistas e cenas da cena musical alternativa, incluindo artistas como Blixa Bargeld.
O contexto: Esta viagem fez parte de um esforço mais amplo e de longo prazo de Reeder para documentar a "cidade-ilha" no início da década de 1980. Imagens dessa época, incluindo a visita de 1984, foram posteriormente incorporadas no documentário de 2015, B-Movie: Lust & Sound in West-Berlin 1979-1989.
Atividade de 1984: por volta desta altura, Reeder estava a transformar a sua banda pós-punk Die Unbekannten (com Alistair Gray) no projeto Shark Vegas, de sonoridade mais eletrónica, pouco antes da digressão com os New Order.

Saber mais:
Iconic Underground
New Statesment
Post Punk

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O ódio, por Maya Angelou

Biografia

"Hate has caused a lot of problems in this world, but it has not solved one yet." - Maya Angelou
"O ódio causou muitos problemas no mundo, mas ainda não resolveu nenhum." - Maya Angelou

Esta citação de Maya Angelou é proveniente de uma entrevista concedida à apresentadora Oprah Winfrey, especificamente para o programa "SuperSoul Sunday" da rede OWN (Oprah Winfrey Network). Ao contrário de muitos de seus pensamentos mais famosos, esta frase não foi escrita originalmente num dos seus livros ou poemas, mas surgiu de forma espontânea durante uma conversa profunda sobre perdão, cura e a experiência da comunidade negra nos Estados Unidos.

Na ocasião, a Dra. Angelou explicava a diferença entre a "raiva", que ela considerava uma reação natural e até útil para sinalizar injustiças, e o "ódio", que ela descrevia como uma força puramente corrosiva e estéril. Para ela, o ódio consome o hospedeiro sem nunca entregar uma solução prática para os conflitos humanos. A frase se tornou um dos seus legados orais mais poderosos, sendo amplamente replicada em discursos de direitos civis e redes sociais por sintetizar sua visão pragmática sobre o amor e a resistência.

A Islândia classifica o colapso da corrente do Oceano Atlântico como um risco para a segurança nacional


Tal como grande parte da Europa, a Islândia registou em 2025 o seu ano mais quente, num contexto em que os gases com efeito de estufa continuam a aquecer o planeta.

O governo Islandês declarou o possível colapso de uma importante corrente do Oceano Atlântico como um risco para a segurança nacional.

A Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês) é um sistema de correntes oceânicas que transporta águas mais quentes dos trópicos através do Ártico até ao Oceano Atlântico Norte, bem como águas mais frias para o sul, ajudando a regular o clima global.

Recentemente, os especialistas levantaram a possibilidade de colapso da AMOC, o que poderá tornar os invernos na Europa mais rigorosos e perturbar o clima em todo o mundo. Estes alertas foram levados ao conhecimento do Conselho de Segurança Nacional da Islândia, marcando a primeira vez que uma questão relacionada com o clima foi apresentada ao conselho, que está agora a coordenar uma resposta ao problema.

"É uma ameaça direta à nossa resiliência e segurança nacional", disse o ministro do Clima da Islândia, Johann Páll Johannsson, à Reuters.

Isto acontece depois de parlamentares islandeses que participaram na conferência COP30 no Brasil, no mês passado, se terem focado nos perigos do colapso da AMOC.

“É muito importante que comecemos já a usar a nossa voz com força neste fórum e, claro, que cumpramos as nossas obrigações internacionais a este respeito”, afirmou a deputada islandesa ÁSa Berglind Hjálmarsdóttir em entrevista ao portal de notícias islandês

Para além dos efeitos que a corrente tem no clima, a AMOC  é também essencial para a vida marinha. A circulação transporta nutrientes, aumenta a salinidade e leva oxigénio às camadas mais profundas do oceano. Se a circulação diminuísse ou entrasse em colapso, poderia, por exemplo, reduzir as populações de zooplâncton, o que, por sua vez, afectaria todo o sistema alimentar. Além disso, a circulação é essencial para prevenir a acidificação do oceano, ajudando os moluscos, o plâncton e os corais a construir as suas conchas.

O Sustainability Directory constatou que os efeitos provavelmente impactariam espécies de importância comercial.

“Isto poderá ter consequências económicas significativas para a pesca na região, bem como impactos ecológicos nos ecossistemas habitados por estas espécies”, referiu o relatório.

Embora Johannsson e outros membros do governo islandês considerem o problema uma potencial ameaça à segurança, os países vizinhos estão menos preocupados.

"Não acreditamos que haja uma necessidade urgente de preparar as Ilhas Faroé para um cenário com uma corrente do Golfo mais fraca", disse Karin M. H. Larsen, oceanógrafa do Instituto Faroês de Investigação Marinha, à emissora pública das Ilhas Faroé, KVF.fo.

Larsen reconheceu que existe a possibilidade de a circulação parar em algum momento, mas não há indícios de que isso aconteça em breve.

"É possível a longo prazo, mas as incertezas científicas são grandes", disse ela, acrescentando que há muitas incertezas para determinar se isso levará um século ou mais, ou mesmo se acontecerá. "Por enquanto, é melhor lidar com o facto de o oceano estar a aquecer."

O Ministério do Ambiente da Noruega, por sua vez, disse à Reuters que está a procurar aprofundar o seu conhecimento através de novas pesquisas.

Reiniciar

Ekaterina Ermilkina - "The Beginning" (O Início) foi pintada em 2023

Nem de propósito. Reiniciar. O início deste mês colocou à prova toda a minha resistência. Perder um amigo, uma tia e uma irmã num espaço de apenas sete dias é uma dor que não se explica. Decidi que a melhor forma de os honrar não é ficar estagnado no luto, mas sim viver com a intensidade que eles gostariam de ver em mim. Um obrigado sincero a todos pelo carinho que recebi.

Ekaterina Ermilkina é uma artista contemporânea cuja trajetória reflete uma fusão entre o rigor técnico europeu e a energia urbana americana. Nascida em 1975 em Saratov, na Rússia, iniciou o seu percurso sob a influência cultural da sua terra natal. A sua base académica é sólida, tendo-se licenciado na Academia Estatal de Arte e Indústria de São Petersburgo, uma instituição de prestígio onde dominou a forma e a perspetiva clássica. Esta formação foi fundamental para a sua evolução posterior rumo a uma linguagem mais expressiva.

Em 2005, a artista mudou-se para os Estados Unidos, estabelecendo-se em Nova Jersey, onde vive e mantém o seu atelier atualmente. Esta mudança foi decisiva, pois a proximidade com a arquitetura de Manhattan serviu como o principal catalisador para a maturidade do seu trabalho. O seu estilo é frequentemente descrito como uma intersecção entre o Impressionismo Moderno e o Expressionismo Abstrato.

A temática central da sua obra foca-se na metrópole, capturando o ritmo e a densidade das grandes cidades, especialmente os arranha-céus de Nova Iorque, através de interpretações emocionais da luz e do movimento. Visualmente, as suas composições possuem uma "pulsação" característica, onde as janelas e luzes urbanas se transformam em mosaicos vibrantes.

Tecnicamente, Ermilkina distingue-se pelo uso exclusivo da espátula em detrimento dos pincéis, aplicando a técnica de impasto com camadas generosas de tinta a óleo para criar superfícies tridimensionais. Ela utiliza a ponta da espátula para criar um efeito de pontilhismo, decompondo a luz em blocos de cor que formam um mosaico visual. Esta técnica, aliada a uma paleta vibrante e audaz, permite-lhe simular com mestria os reflexos solares e o brilho artificial das luzes citadinas.

The Youth Movement in a Post-Growth World


Bringing about alternatives to our capitalist growth system at the speed and scale needed is no easy task. The herculean work to develop transformative worldviews, including theories toward a steady state economy, is ongoing and increasingly cross-sectoral. At the core of this endeavor is the recognition that we cannot implement alternatives to growth capitalism without first addressing cultural and social dynamics deeply rooted in colonialism and cultural appropriation.

In this context, youth movements, particularly those focusing on environmental justice, have led the way for many. Youth activists often draw clear connections among the fossil-fueled economy, extractivism in general, colonialism, and a range of other systemic issues, such as racial justice.

The Young Feminist Fund (FRIDA), for example, has established the parallel nature of several struggles for justice. They have articulated the need to stand up to ecocide and genocide and move beyond capitalism, which they see (logically enough) as linked at the hip with growth. FRIDA’s recently published report states: “Neoliberal capitalism thrives in power-over structures that keep decision-making in the hands of those with privilege, access, and wealth.”

Let’s take a closer look at the Youth Movement and assess how it might help society move beyond the capitalist growth system.

Youth Aren’t Always Radical
The Youth Movement is not a unified voice that shares the same vision of the future. Nor do youth-led organizations employ the same methods to actualize their visions. Some take a more radical approach than others. The radicality of an organization is often assessed by its relationship to power, in terms of funding as well as access to decision-making spaces and representation.

A large number of youth-led organizations take the “moderate” approach. The majority of environmental organizations are quite in line with this approach, as steady staters have long lamented. Moderate youth activists believe that, though the system is not great, it could be improved with the right champions in place or the right voices speaking on the right panels.

Youth organizations that take a moderate approach, explicitly or not, make the assumption that if enough funding flows through the right organizations, transformative change is possible. But it’s hard to imagine that reforming our economic system—based on interest-bearing debt and rooted in growth capitalism—is simply an issue of funding or access to decision-making spaces.

Vanessa Andreotti addresses the question of what it will take to transform our dying system (death being the ultimate outcome of unsustainability) in her book Hospicing Modernity. She writes about methodological, educational, and ontological (relating to being) interventions. Andreotti argues that only the latter can truly lead to systemic change.

Youth Activism and Professional-Class Liberalism
The Youth Movement has achieved a lot over the last few years. It has self-organized first at the local level, through volunteering, and grown into a global movement acting at the policy level. Throughout that time, youth activists have undergone a professionalization process, becoming highly trained.

In many ways, this is a positive development. There are more panels, workshops, and seminars with young activists (for instance at UN Climate Conferences) than ever. At these events, youth are making the case for more action to address the environmental emergency.

However, there are concerns about the Youth Movement joining the elite club of professional-class liberals. This club includes lawyers, economists, policy experts, and nonprofit executives. The global expansion of graduate and professional education has been a key driver of growth in this elite club.

The Youth Movement is organizing increasingly through the creation of non-profit organizations, sharing decision-making power with governing and advisory boards. They are also developing fundraising strategies and advocacy and communication plans. All of this makes them professional activists and members of the informal club of professional-class liberals. At what cost?

The Youth Movement is a diverse collection of individuals with different socio-economic backgrounds, lived realities, and opinions. However, only a handful of groups are made visible on the international stage. The level of visibility awarded to young activists often correlates with their willingness to adopt a “soft critique” of growth capitalism, far from the radical discourse they often come from. In other words, those in power are telling youth groups: We are willing to talk to you as long as you do not say anything to make us too uncomfortable. One gets the impression that some of the most visible youth organizations seek simply a piece of the cake, not to re-bake the cake.

Some youth-led organizations do recognize growth capitalism as the root cause of environmental breakdown. However, seldom are they equipped with a shared and coherent theory of change. They don’t have the tools to 
1) recognize biases and the ways in which they might be part of the problem; 
2) engage in decolonizing languages and narratives; and 
3) mobilize funding to sustain radical work.

YOUNGO’s latest Strategic Policy Position is an example of how the Youth Movement is stuck at methodological and epistemological levels of analysis, not reaching the ontological level necessary for systemic change. One of the organization’s most important policy recommendations is to “incorporate the participation of children and youth as agents of change, as well as considerations of intergenerational equity throughout all decision-making.” However, this promotion of youth feels weak without an alternative theoretical framework. Which youth will they prioritize for participation, and to bring about what change?

Youth inclusion should not be a goal by itself; it should be a means to an end. The end we need is a comprehensive and radical change away from the capitalist growth system.

Embracing Radicality
A “radical” approach to youth-led activism targets growth capitalism as the root cause of ecological breakdown. It also targets the cultural and social components of the capitalist growth system. For the Youth Movement to embrace radicality further, activists must develop a sharp understanding of the fundamentals of this system. They must also unlearn many of the mental projections internalized over the years, at a collective and individual level. For instance, many youth have internalized consumerism, mass advertising, and “self-exploitation,” turning their activism into a spectacle and a competition.

At the end of the day, what determines an organization’s ability to embrace radicality—and contribute to a genuine alternative—is its relationship to all forms of power. To what extent is a group identifying, calling out, and challenging the status quo? Without an analysis of power dynamics, the risk is that youth environmental groups will limit their focus to reforms that those in power approve of. They may not dedicate enough time to sensibly think, dream, and feel about a future worth fighting for.

The Youth Movement can be proud of what it has achieved. So many youth organizations focus on important issues: access to funding, decision-making spaces, and climate education, for example. But the Youth Movement must not stop here. Taking down cultural and social dynamics deeply rooted in pro-growth capitalism means asking some tough questions. What privileges am I willing to let go of? Do I actually want to change the system, or do I just feel bad about not being part of it?

We need all hands on deck to ideate new ways to equip the Youth Movement with a holistic, radical approach. To generate systemic change, young activists must be brave in their criticism of capitalism and growth.

Unfortunately, they must also get comfortable with doubt, not knowing exactly what tomorrow will look like. Fonte

Caroline Polachek - Total Euphoria


Significado de "Total Euphoria" 
A canção, que faz parte da versão deluxe do aclamado álbum Desire, I Want To Turn Into You, é uma colaboração com o produtor Oneohtrix Point Never. Como o título sugere, a música explora o estado de êxtase absoluto. Não é apenas uma alegria comum; é aquela sensação de estar "fora do corpo", onde o desejo e a realidade se fundem.
 Ela utiliza metáforas sensoriais e espaciais para descrever a perda de controle. É sobre o momento em que você para de lutar contra seus instintos e se entrega totalmente a uma experiência ou a alguém. 
 Conexão com o álbum: o disco inteiro fala sobre a natureza "indomável" do desejo humano, e esta faixa serve como o clímax sonoro desse conceito.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

IAMX - Artificial Innocence

I serve my Queen 
Submit and concede 
Tell me how do I get some relief?
Land it somewhere in between my Liege  

Watch the slaughter 
Every nerve and cell 
And I bow and I contain the pressure 
Oh she moves me like a pawn
Why can I not help myself? 

Am I colder now? 
Artificial innocence 
What am I silicon?
Nothing makes sense, where is our united strength?
Why do we have to crash and burn just to return to presence?

I serve my Queen 
Submit 
I have extraordinary needs 
I ping pong from silent to deafening

O IAMX é um projeto a solo de Chris Corner, que tem uma história fascinante de transformação constante. 
 Nacionalidade: O projeto é britânico. Chris Corner nasceu em Middlesbrough, na Inglaterra, e formou o IAMX em Londres. No entanto, a identidade do projeto é fortemente marcada pelas cidades onde ele viveu e gravou: passou muitos anos em Berlim (o que influenciou seu som eletrônico sombrio) e, mais recentemente, baseou-se em Los Angeles. 
 O IAMX foi fundado em 2004 (embora os primeiros passos tenham começado por volta de 2002), logo após o hiato da sua antiga banda de trip-hop, os Sneaker Pimps (famosos pelo hit "6 Underground"). 
 Estilo Musical 
É difícil colocar o IAMX numa "caixinha" só, mas o som é geralmente descrito como uma mistura explosiva de: 
Electronic Rock & Synth-pop: Base de sintetizadores potentes com guitarras ocasionais. 
Dark Cabaret: Uma estética teatral e dramática, muitas vezes com ritmos de valsa e uma vibe "noir". Industrial & Darkwave: Especialmente em álbuns mais recentes, com batidas mais pesadas e texturas sombrias. 
Experimental: O projeto foca muito na arte visual e na performance andrógina e visceral de Corner.

A música "Artificial Innocence" do IAMX funciona como uma crítica mordaz e melancólica à desumanização provocada pelo excesso de tecnologia e pelas aparências sociais. Chris Corner utiliza a letra para explorar a ideia de que a pureza e a ingenuidade originais do ser humano foram substituídas por uma versão sintética, uma espécie de "inocência de laboratório" que usamos para mascarar nossos instintos mais sombrios e o vazio existencial.

Ao longo da composição, percebe-se uma obsessão com a vigilância e com o modo como somos moldados para caber em padrões digitais, onde o sentimento real é sacrificado em favor de uma estética de perfeição. A canção sugere que vivemos num estado de entorpecimento, buscando refúgio em mundos virtuais ou comportamentos artificiais para evitar o confronto com a dor e com a própria mortalidade. No fim, a faixa é um retrato visceral do isolamento moderno: estamos todos conectados por redes e fios, mas profundamente distantes da nossa essência orgânica, celebrando uma beleza plástica que não possui alma.

Aiko Sakamoto

Rapariga com borboletas, da série Nocturnos (2022)

Aiko Sakamoto é uma artista plástica nascida em 1977 na província de Tóquio, no Japão, onde reside e trabalha actualmente. A sua formação académica foi realizada na Universidade de Arte Tama (Tama Art University), onde se graduou no Departamento de Pintura Japonesa e, posteriormente, concluiu o mestrado na mesma especialidade.
O seu estilo é profundamente enraizado no Nihonga (pintura tradicional japonesa), mas apresenta uma abordagem contemporânea e lírica que explora a relação entre o visível e o invisível. Utiliza técnicas que misturam pigmentos minerais, pó de ouro e prata sobre papel japonês (washi), destacando-se pela criação de borboletas tridimensionais feitas de papel e folha metálica que são aplicadas sobre a tela plana. Esta técnica permite que a luz seja refletida de diferentes ângulos, conferindo uma sensação de vitalidade e movimento às obras.

Os seus temas centram-se em fenómenos naturais efémeros e conceitos abstratos, como o vento, o som, as ondas e as flutuações da luz e da água. Através de uma paleta onde predominam o azul profundo e o preto denso, Sakamoto procura expressar a essência da existência humana e a circulação da vida em ciclos infinitos, fundindo figuras biomórficas com o cosmos e o silêncio.


A sua obra encerra um simbolismo contemporâneo que nos convoca ao desvelar de uma liberdade ancestral, sintonizando o ser com a génese de Gaia e o repouso absoluto de uma harmonia que transcende o visível.