quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Encontros Improváveis - somos todos parte de um mesmo planeta


"A noite é a nossa dádiva de sol aos que vivem do outro lado da Terra." - Carlos de Oliveira, no livro Sobre o Lado Esquerdo, 1978

É uma bela metáfora poética que expressa a ideia de partilha e solidariedade global, significando que enquanto aqui é noite, a luz do dia está a iluminar outra parte do mundo, e vice-versa, mostrando que o pôr do sol de um é o nascer do sol de outro, numa dança cósmica de dia e noite que une a humanidade.

Em essência, é um lembrete poético de que somos todos parte de um mesmo planeta, partilhando os ciclos da natureza e a luz e a escuridão.

Na Suécia, calor de data centers passa a aquecer casas — e o “lixo térmico” virou energia útil para a população


Em Estocolmo, na Suécia, empresas de tecnologia firmaram parceria com a rede pública de aquecimento da cidade para reaproveitar o calor liberado por data centers — aqueles prédios cheios de servidores que armazenam dados da internet.

Os computadores funcionam 24 horas por dia e produzem enorme quantidade de calor.
Em vez de desperdiçar essa energia, o ar quente é captado, transferido para a rede de aquecimento urbano e enviado para casas, escolas e hospitais.

Em termos simples:
  1. servidores geram calor
  2. o calor é coletado por sistemas industriais
  3. entra na rede de aquecimento distrital
  4. ajuda a aquecer milhares de residências no inverno
Ou seja: internet → vira calor → vira conforto térmico.

A própria operadora do sistema estima que:
  1. até 10% do aquecimento urbano pode vir de data centers
  2. há queda nas emissões de CO₂
  3. o custo energético diminui
  4. a infraestrutura urbana fica mais eficiente
A Suécia já possui uma das maiores redes de aquecimento distrital do mundo — e a estratégia virou referência global em economia circular de energia.

Transparência sempre:
  1. tecnologia real e documentada
  2. não elimina outras fontes de aquecimento
  3. depende de localização e infraestrutura
  4. expansão é gradual e monitorada
Mas mostra que até o “calor invisível” da internet pode ser convertido em benefício público.

Fontes:
– Stockholm Exergi (rede de aquecimento de Estocolmo)
– Swedish Energy Agency
– BBC / The Guardian / Reuters

The Psychedelic Furs - Angels Don't Cry


I try to remember a kiss
And I only get sorrow
And yesterday's faded away
Now there's only tomorrow

And everything passes and changes
And comes to an end I know
But nothing is written but old news
Again and again

I know that it's true
There's too many tears
But angels don't cry

Now I see a face in your eyes
But you don't remember my name
We're always a step out of time
Now ain't that a shame

And you've been alone for too long
And nobody cries
If you want to see all of my tears
Take a look in your eyes

I know that it's true
Believe it or not
But angels don't cry

I know that it's true
There's too many tears
But angels don't cry

I could walk away
Or I could walk on by
Or make it all come true
Or say it's all a lie

There's no more tears
When you're out of time
And I might fade away tonight
If you close your eyes

I know that it's true
Believe it or not
But angels don't cry

I know that it's true
There's too many tears
But angels don't cry

I could walk away
I could walk on by
Or make it all come true
Or say it's all a lie

Lançada em 1987 no álbum Midnight to Midnight, "Angels Don't Cry" dos The Psychedelic Furs explora temas de perda, nostalgia e resiliência emocional perante o fim de um relacionamento. A letra reflete a dificuldade em reter memórias felizes, como um beijo que só traz tristeza, contrastando a fragilidade humana com a ideia de que "anjos não choram", simbolizando força interior ou aceitação inevitável.

Os versos iniciais evocam saudosismo por momentos fugazes que se dissipam com o tempo, como "ontem desvaneceu, agora só resta amanhã". O refrão reforça a dualidade entre lágrimas excessivas humanas e a impassibilidade angelical, sugerindo necessidade de superação apesar da solidão e  crise emocional ("sempre um passo fora do tempo")

Saber mais:

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Bing & Ruth - Starwood Choker

PJ desmantela grupo neonazi "Grupo 1143" responsável por crimes de ódio e detém 37 suspeitos


A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou hoje uma associação criminosa que praticava crimes de ódio, tendo detido 37 suspeitos com “vastos antecedentes criminais” e “ligações a grupos de ódio internacionais”.

Em comunicado, a PJ adianta que, no âmbito da operação “Irmandade”, foram constituídos “mais 15 arguidos e realizadas 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias”.

Os detidos, entre os 30 e os 54 anos, “adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes”.

São suspeitos de terem fundado a organização criminosa, com uma estrutura hierárquica e distribuição de funções, “com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à discriminação, ao ódio e à violência racial”.

A organização é “responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas”.

Na operação, conduzida pela Unidade Nacional de Contraterrorismo, participaram cerca de 300 elementos da PJ.

Segundo a CNN Portugal, o líder do grupo é Mário Machado, conhecido neonazi que está a cumprir pena por crimes da mesma natureza e que dava as instruções a partir da cadeia, e as vítimas eram imigrantes de países islâmicos.

Fonte próxima do processo disse entretanto à Lusa que a cela de Mário Machado foi alvo de buscas hoje de manhã.

Os detidos têm marcado o primeiro interrogatório judicial, para aplicação das medidas de coação, na quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa.

Há dois elementos "não civis" entre os 37 detidos do Grupo 1143 durante a Operação Irmandade, esta terça-feira. A PJ não quis explicitar se se tratam de elementos das forças e serviços de segurança, na conferência de imprensa realizada poucas horas após as buscas. Mas o Expresso apurou que um destes dois elementos é um militar e o outro polícia.

Por uma Economia da Felicidade e dizer não ao regresso do Fascismo



Podemos ser o país da Europa como o Butão e apostar na Felicidade Interna Bruta. As semelhanças connosco estão na difícil orografia do País, mas Butão é um País muito interior, sem oceano. E nós temos a vantagem de uma ZEE por explorar. O País, incluindo Madeira e Açores tem 1,7 milhões de km² de águas marítimas e uma plataforma continental que pode chegar a 4 milhões de km². O que se pensa sobre isso: segurança nacional apenas ou investimento na Economia Azul? Vemos o mar sempre de costas voltadas, quando bem gerido, é uma nova "indústria", salvaguardando o património pesqueiro. 

A minha intenção  da foto do Ventura vestido com fardamento militar era expor o rei "Vai Nú". Ventura na cabeça dele e de Nuno Melo sonham/deliram que se refaça o Golpe de 28 de Maio de 1926. O que aconteceu: militares liderados por Gomes da Costa derrubaram a Primeira República, iniciando a Ditadura Militar que evoluiu para o Estado Novo sob Salazar. O movimento partiu de Braga e espalhou-se pelo país, com adesão em massa das guarnições. 
A Ditadura Nacional e o Estado Novo totalizaram 48 anos de fascismo penosos, de graves atrasos científicos e de escolaridade. Um regime da bufaria e muito sangrento com a Guerra Colonial.                Durante a Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974), cerca de 10 mil militares portugueses morreram nas frentes de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, com números oficiais revistos para cima de estimativas anteriores de 8 mil. 
Civis africanos sofreram perdas muito maiores, estimadas em mais de 100 mil, incluindo massacres como o da Baixa do Cassange (200-300 mortos) e Wiriyamu (385-450).
Repressão colonial e contra-ofensivas provocaram dezenas de milhares de civis africanos mortos. Marcelo Caetano, como muitos à primeira impressão pensam, não foi um ditador fofinho. Nos últimos anos do Salazarismo foi indecente e Marcelo perpetrou mais opressão sobre os países escravizados : 247 em Angola (1970), 128 em Moçambique (1971) e 123 na Guiné (1973).  
​Estimativas totais superam 100 mil, incluindo fuzilamentos, bombardeios e fome induzida.
O nosso País é muito seguro. Portugal manteve o 7º lugar no Global Peace Index (GPI) 2025 graças a um desempenho forte em baixa militarização e elevada segurança social. Indicadores positivos chave incluíram despesa militar mínima em percentagem do PIB, baixa participação em missões de paz da ONU e elevada sensação de segurança ao caminhar sozinho à noite.
A maior criminalidade apenas é de pequeno tráfico de droga, pequenos furtos e a violência doméstica. Não quero um País com estereótipos de machão. Quero um País que proteja e une. Um País que acolhe e integra. Um País para a frente, mais pragmático e com melhores salários. Há e é possível a criação de bons empregos em várias áreas, que não seja apenas o turismo e o beija-mão às Cimenteiras, às monoculturas, Navigator e o Grupo Amorim. Que faça urgentemente um TGV Porto-Vigo e outro entre Évora e Madrid. Um novo aeroporto em Lisboa. Um País com maior coesão territorial, sem recorrer apenas a auto-estradas. Isso não é "progresso". É uma medida de maior fuga do Interior para o Litoral. Há que respeitar e fortalecer as comunidades raianas e do interior. Têm direito a viver nesses locais. 
Os think tanks mais influentes e procurados a nível internacional em Portugal incluem o Institute of Public Policy (IPP), o Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) e a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS),  destacando-se pela produção de análise académica e debate público sobre políticas europeias e globais.
Avaliações dos think tank baseiam-se em citações académicas (Scimago), impacto mediático e eventos internacionais, onde Portugal tem presença modesta comparado a Bruegel ou Chatham House.
O IPP não figura em métricas científicas como Scopus/Web of Science, dada a natureza não peer-reviewed das publicações.
O IPRI publica em revistas académicas de RI (ex.: Janus), com alguma visibilidade em redes como TEPSA, mas o impacto científico é modesto comparado a universidades, sem posições destacadas em rankings bibliométricos.
Quanto à FFMS tem destaque em dados públicos (Pordata) e estudos sociais, com influência doméstica alta, mas publicações não científicas excluem-na de rankings como Scimago ou InCites, focados em artigos indexados.
A dinâmica migratória portuguesa mudou de forma significativa na última década e, pela primeira vez em várias décadas, há mais jovens portugueses a regressar do que a emigrar. A conclusão é de Manuel Caldeira Cabral, professor da Universidade do Minho e ex-ministro da Economia e Socialista que assinou um artigo no Expresso, em 3 de Dezembro do ano passado onde defende que Portugal entrou “numa nova realidade migratória”.  Segundo o economista, a emigração deixou de ser uma viagem sem regresso e passou a ser, para muitos jovens, uma experiência temporária. “Há sempre amigos que já viveram e trabalharam no estrangeiro e decidiram regressar”, observa.
Mas o fenómeno que destaca o ex-ministro da Economia é outro: Portugal tornou-se também um destino para jovens qualificados vindos de países ricos, como Alemanha, França, Itália, EUA ou Reino Unido. Desde 2019, afirma Caldeira Cabral, o número destes jovens que vêm trabalhar para Portugal supera o número de portugueses que emigram para os mesmos países.
Dados recentes mostram que entram anualmente no país cerca de 45 mil estrangeiros oriundos de economias com salários superiores aos portugueses, dos quais 33 mil são cidadãos da União Europeia. Só no último ano, cinco mil norte-americanos, seis mil italianos, quase quatro mil alemães e número semelhante de franceses pediram residência permanente em Portugal — a maioria com menos de 45 anos.
A ideia de que Portugal vive uma fuga de talentos não resiste aos números, argumenta Caldeira Cabral. O professor da UMinho sublinha que, embora tenham aumentado as qualificações dos jovens que emigraram, cresceram ainda mais as qualificações dos jovens que permaneceram no país.
Citando o Boletim Económico do Banco de Portugal, o autor explica que, entre os jovens que emigraram, 30% têm ensino superior, mas entre os que ficaram essa proporção chega aos 38,5%. “A propensão a emigrar é menor entre os mais qualificados, exatamente o contrário da fuga de cérebros”, afirma.
O saldo global também joga a favor de Portugal: nos últimos quatro anos, o emprego de licenciados cresceu 320 mil, enquanto o sistema de ensino superior formou apenas 230 mil. “A diferença — cerca de 90 mil — só pode ser explicada pela imigração qualificada”, sustenta. No mesmo período, terão saído entre 40 e 50 mil licenciados, mas entraram entre 150 e 160 mil.
Para Caldeira Cabral, estes dados demonstram que Portugal deixou de encaixar no modelo clássico de migração “Norte-Sul”, em que trabalhadores se deslocam apenas dos países mais pobres para os mais ricos. O país aproxima-se agora do padrão “Norte-Norte”, típico das migrações dentro da UE: fluxos nos dois sentidos, com saída e entrada de trabalhadores qualificados.
O professor afirma que esta mudança obriga a repensar o debate sobre a emigração jovem. “Se os jovens saem apenas porque os salários são maiores lá fora, como explicar que tantos estejam a voltar?”, questiona. E acrescenta: “Se Portugal não tivesse oportunidades interessantes, porque estaria a atrair jovens da Alemanha, França, Itália ou EUA?”
Entre 2020 e 2023, regressaram ao país mais portugueses do que aqueles que partiram. Só no último ano, 31 mil cidadãos nascidos em Portugal voltaram, a maioria jovens trabalhadores. Para o ex-ministro, esta tendência deve ser encarada como uma oportunidade: “Temos de olhar para os nossos jovens emigrantes não como uma perda, mas como uma força estratégica”, defende, sugerindo que o país os mobilize como “embaixadores” e valorize a experiência internacional que trazem.
Caldeira Cabral recorda ainda que países como Luxemburgo, Irlanda ou Suíça têm taxas de emigração jovem superiores à média europeia — e isso não significa decadência, mas abertura ao mundo. O mesmo, afirma, deve aplicar-se a Portugal.
Com o aumento do número de regressos e a capacidade de atrair talento estrangeiro, o autor defende que Portugal deve abandonar a visão fatalista sobre emigração. “Não devemos ficar a chorar o leite derramado dos que escolhem sair, porque muitos vão mais tarde escolher voltar”, escreve.
A prioridade, conclui, deve ser manter incentivos e criar condições para que regressar a Portugal se torne vantajoso — para os jovens e para o país.              
Há que fazer um esforço político e das instituições e autarquias para terminar em Portugal o que é designado por crony capitalism. Sistemas onde o sucesso empresarial depende mais de relações pessoais, familiares ou redes de proximidade (familiaridade) do que de mérito ou concorrência aberta, favorecendo "sempre os mesmos" grupos conectados por laços de confiança ou lobby. 
Implicações Económicas e Sociais
Esse modelo reduz a concorrência, eleva custos para consumidores e fomenta corrupção, contrastando com mercados meritocráticos.
As oportunidades de trabalho e transparência para atrair os jovens estão aí, sobretudo na área ambiental, numa boa transição verde, o País que exporte novas dinâmicas culturais, que aposte  num plano biocentrado nos oceanos do que apenas preocupado em segurança policial e controle, uma nova urbanidade (e há tanto a fazer e temos tão bons especialistas, idealizando a economia circular, a mobilidade suave, em cidades de 15 minutos, restauro dos serviços de saúde e continuar a investir na literacia digital e científica dos idosos) e na preservação da biodiversidade. 
O património biológico é fundamental neste séc XXI. As políticas globais e capitalistas infelizmente elevam o carbofascismo e exploração das terras raras. É um desafio gigante pois, a Saudi Aramco, empresa de petróleo e gás natural, é a empresa mais rentável do mundo, tendo facturado 105,37 mil milhões de dólares no último ano fiscal.
Contudo a preservação da nossa biodiversidade gera vantagens económicas directas e indiretas, sustentando ecossistemas essenciais para atividades humanas rentáveis. Há que renaturalizar Portugal.
Valores Directos
Recursos como madeira, peixes, plantas medicinais e produtos agrícolas derivados da biodiversidade geram PIB e emprego, com mercados globais de biotecnologia e farmacêuticos a valerem biliões de dólares anualmente. E um turismo diferente. Um turismo imersivo, já ouviram falar?

O Butão cobra uma taxa turística sustentável (Sustainable Development Fee, SDF) de 100 dólares americanos por dia para visitantes internacionais a partir de 2024, reduzida de valores anteriores mais altos como 200-250 USD. Essa taxa aplica-se por noite de estadia e inclui serviços como visto, tarifa mínima de hotel de categoria superior, refeições principais, guia licenciado, transporte interno e oxigénio de emergência quando necessário.
Valor Atual
Crianças de 2 a 11 anos pagam metade (50 USD/dia), menores de 2 anos estão isentos, e cidadãos de nações vizinhas como Índia e Bangladesh têm taxas simbólicas ou diferentes regras. Indianos, por exemplo, pagam cerca de 1.200 NPR (rupees nepaleses) por dia. A taxa financia 100% projetos de desenvolvimento sustentável e é obrigatória para todos os turistas, exceto residentes.
Vantagens para o Butão
A taxa preserva a felicidade nacional bruta (Gross National Happiness), limitando o overturismo e protegendo o meio ambiente frágil dos Himalaias. Gera receitas que financiam saúde, educação gratuita, conservação de 72% do território como floresta e infraestrutura rural, mantendo a cultura budista intacta. Isso equilibra economia (cerca de 45% do PIB turístico pré-pandemia) com bem-estar local, evitando massificação vista em vizinhos como Nepal.
Portugal devia fazer o mesmo. 
Valores Indirectos
Serviços ecossistémicos como polinização, regulação climática, proteção de solos e purificação de água e rios livres poupam custos em agricultura, seguros contra desastres e tratamento de água, estimados em 125-145 biliões de dólares por ano globalmente. A perda de biodiversidade aumenta riscos económicos, como colapsos de colheitas ou inundações mais frequentes.
A União Europeia definiu 5 objetivos estratégicos para o período 2021-2027, que serão as prioridades do Portugal 2030. Nesse sentido, temos que aproveitar eficientemente os fundos europeus destinados ao País, com transparência, sem capitalismo de cunhas ou clientelismo económico. São eles: 
1. Portugal + Inteligente, investindo na investigação e inovação, na digitalização, na competitividade e internacionalização das empresas, nas competências para a especialização inteligente, a transição industrial e o empreendedorismo.
2. Portugal + Verde, orientado para a transição verde, acompanhando a emergência climática e incorporando as metas da descarbonização, da eficiência energética e reforço das energias renováveis, e apoiando a inovação, a economia circular e a mobilidade sustentável.
3. Portugal + Conectado, com redes de transportes estratégicas, baseada numa forte aposta na ferrovia, potenciando a mobilidade de pessoas e bens, bem como a qualificação dos territórios, garantindo a sua atratividade, competitividade e inserção nos mercados nacional e internacional.
4. Portugal + Social, apoiando a melhoria das qualificações da população, a igualdade de acesso aos cuidados de saúde, promovendo o emprego de qualidade, a inclusão social, seguindo as prioridades estabelecidas no Pilar Europeu dos Direitos Sociais.
5. Portugal + Próximo dos cidadãos, apoiando estratégias de desenvolvimento a nível local, promotoras de coesão social e territorial, e apoiando o desenvolvimento urbano sustentável, baseado no conceito de interligação de redes, centrada nas necessidades das pessoas.
6. Portugal + Transição justa, para assegurar que a transição para uma economia sustentável e neutra em carbono se processo de forma justa.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Hoje é dia de Janis Joplin - Raise Your Hand


Tema actualíssimo!

Raise Your Hand
(Eddie Floyd, Stephen Lee Cropper, Alvertis Isabell)

If there's somethin' you need
Hon that you've never, ever, ever had
I know you've never had it
Oh, honey, don't you just sit there cryin'
Don't just sit there feelin' bad
No, no, no
You'd better get up
Now, don't you understand?
And raise you hand
Hey, hey, hey
I said, raise your hand

You know I'm standin' about, yes I am
Want to give you all my love, oh, I do
Oh, honey, won't you come on and open up
I said, open up in your heart
Please won't you let me try?
Yeah!!

Got to be good
Don't ya understand?
Raise your hand
Hey, hey, hey
I said, raise your hand
Right here, right now, babe!

Whoaaaah, yeah!

Whoaaaah!!
Raise your hand

Raise
Gonna raise

Said, raise your hand, come on!
Raise your hand, feel it!
Raise your hand, I gotta have it!
Raise your hand

Raise your hand, yeah!
Raise your hand, yeah!
Raise it up, on up to me
Come on, raise it up, on up to me
Oh, raise it up, on up to me, yeah!
Yeah!

"Raise Your Hand" é uma canção cover de Janis Joplin, originalmente escrita por Eddie Floyd, Steve Cropper e Alvertis Isbell, presente no álbum Cheap Thrills (1968) de Big Brother and the Holding Company.
A letra incentiva o ouvinte a abandonar a passividade, parar de chorar ou se lamentar e "levantar a mão" para pedir o que precisa, simbolizando abertura emocional e iniciativa para receber amor ou satisfação.
No contexto de Joplin, a música ganha uma energia blues-rock explosiva, frequentemente interpretada ao vivo como um grito de empoderamento e conexão com o público.
  1. Biografia e discografia
  2. Janis Joplin: The Unmatched Voice of Rock, Blues, and Soul
You are really piece of my heart

Eles Vivem - They Live (1988), de John Carpenter




Tudo sobre o Filme

A riqueza dos 12 mais ricos já ultrapassa a de metade da humanidade


Um novo recorde de desigualdade: 12 pessoas concentram mais riqueza do que metade da humanidade



A concentração extrema de riqueza voltou a atingir um novo máximo. As 12 pessoas mais ricas do mundo detêm hoje mais dinheiro do que a metade mais pobre da humanidade — cerca de quatro mil milhões de pessoas — segundo um relatório divulgado este domingo pela Oxfam, no arranque do Fórum Económico Mundial, em Davos.

Em 2025, a riqueza dos multimilionários cresceu mais de 16%, um ritmo três vezes superior à média dos últimos cinco anos, atingindo um total de 15,7 biliões de euros, o valor mais elevado alguma vez registado. Só no último ano, a riqueza conjunta deste grupo aumentou 2,1 biliões de euros — um montante que, segundo a organização, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.

O número de multimilionários ultrapassou pela primeira vez a fasquia dos 3.000. No topo da hierarquia surge o empresário norte-americano Elon Musk, que se tornou o primeiro indivíduo a acumular uma fortuna pessoal superior a meio bilião de dólares (cerca de 430 biliões de euros).

A dimensão do desequilíbrio é ilustrada por outro dado: a riqueza acumulada pelos multimilionários no último ano permitiria entregar 250 dólares a cada habitante do planeta, mantendo ainda assim intacto um património conjunto de 430 mil milhões de euros entre os mais ricos.

“A riqueza dos multimilionários aumentou 81% desde 2020”, sublinha a Oxfam, num contexto em que “uma em cada quatro pessoas no mundo não tem o suficiente para comer regularmente” e quase metade da população vive em situação de pobreza.

Intitulado "Resistir ao Domínio dos Ricos: Proteger a Liberdade do Poder dos Bilionários", o relatório analisa a crescente influência política dos super-ricos e o modo como moldam regras económicas e institucionais em benefício próprio. Os Estados Unidos surgem como um dos exemplos centrais desta dinâmica.

A Oxfam associa a aceleração da concentração de riqueza à administração de Donald Trump, apontando uma agenda favorável aos bilionários: cortes fiscais para grandes fortunas, recuo nos esforços internacionais de tributação das multinacionais, enfraquecimento do combate ao poder monopolista e um forte impulso aos mercados ligados à inteligência artificial, que beneficiaram sobretudo os grandes investidores.

Ainda assim, a organização sublinha que o fenómeno não é exclusivo dos Estados Unidos. O relatório identifica sinais semelhantes noutras geografias, alertando para o risco de as oligarquias económicas estarem a corroer as democracias e a ampliar desigualdades sociais à escala global.

Perante este cenário, a Oxfam defende que os governos avancem com planos nacionais para reduzir as disparidades entre ricos e pobres, incluindo impostos sobre grandes fortunas, medidas para limitar o poder económico excessivo e regulamentação que proteja a independência dos meios de comunicação social.

O relatório é divulgado no mesmo dia em que arranca o Fórum Económico Mundial, que decorre até sexta-feira sob o lema “O espírito do diálogo” e reúne líderes políticos, empresariais e institucionais num contexto marcado por tensões geopolíticas e incerteza económica.

Entre os participantes confirmados estão o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — que regressa presencialmente a Davos pela primeira vez desde 2020 —, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, seis dos sete líderes do G7, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e cerca de 850 líderes empresariais de todo o mundo.

Rescaldo das eleições presidenciais - desafios a António Seguro para derrubar o populista e fascista André Ventura


Estudos sobre populismo de direita mostram que condição económica (rendimento, precariedade, frustração com mobilidade social) é um dos motores centrais do voto radical, muitas vezes mais do que a escolaridade isolada. Os candidatos derrotados de centro e centro-direita somaram cerca de 40% dos votos. Agora o debate será António Seguro atrair o centro e centro-direita, activando propostas inequívocas de progresso social e recusar/ denunciar o discurso racista e populista de André Ventura.
Proponho também a António Seguro que seja claro do que esperamos dele enquanto Presidente nas questões ambientais.
O País, incluindo Madeira e Açores tem 1,7 milhões de km² de águas marítimas e uma plataforma continental que pode chegar a 4 milhões de km². O que pensa sobre isso: segurança nacional apenas ou investimento na Economia Azul? Vemos o mar sempre de costas voltadas, quando bem gerido, é uma nova "indústria", salvaguardando o património pesqueiro. O sector energético também é fulcral. Onde e como vamos fazer a transição verde? Outro aspecto importante é a nossa biodiversidade e turismo. Como equilibrar as duas valências? Qual é a política florestal mais adequada ao Continente? Que compromissos fará com as cadeias de abastecimento e a agricultura biológica? Qual é a sua posição em relação ao REACH, Codex Alimentarius e a prevalência do princípio ecológico da precaução? 
Em Portugal estima‑se que existam atualmente cerca de 200 mil pessoas a viver com diagnóstico de cancro nos últimos 5 anos, e surgem perto de 60–70 mil novos casos por ano.
Áreas de Ciências da Vida, incluindo Biologia, registam 0-2% de desemprego em estudos recentes, superando Engenharia (média 5-10%, com picos em Civil a 23%) e superadas apenas por Saúde (0-1%). Como melhorar os seus salários, para evitar a emigração?
A Inteligência Artificial é o novo mercado. O que António Seguro pensa sobre isso? Não chega os unicórnios das Web Smmit. Queremos saber acção concreta, atraindo os nossos jovens qualificados para esta área em grande crescimento.
Ventura, por sua vez, muito provavelmente vai retratar a esquerda como uma ameaça a Portugal e responsável por muitos dos problemas que o país enfrenta hoje.
E ainda não está claro se ele vai redobrar a aposta em discursos que têm causado controvérsia pública - como cartazes com mensagens ofensivas a populações imigrantes do Sul da Ásia e ciganos - ou se adoptará um tom mais moderado e pragmático para conquistar eleitores de centro.
Ventura, como bom "artista" político que é (e farsante), apareceu vestido de roupa militar, num de seus últimos discursos e prometeu acabar com “os privilégios das minorias” e “não dar nem um cêntimo para políticas de identidade de género”. Diz que ama os animais, mas apoia a tourada. Ele conhece a frustração dos jovens masculinos vs femininos. Quantas mulheres votarão contra a supressão das políticas de acesso ao trabalho e emprego estável? Quase 8 milhões de posts falsos, com desinformação, foram registados na campanha política- 85% deles partiram de Ventura. Olho também nos media. Quanto é a falência dos meios de comunicação?
As intenções de Catarina, António Filipe e José Pinto foram declaradas nas intervenções sobre os resultados eleitorais: votar Seguro.
Cotrim, Passaláqua e Mendes basicamente declararam não apontar para algum lado legitimando Ventura como uma "direita moderada" do sistema.
Juntos na derrota do Ventura. Pela democracia, sempre!

Louva-a-deus - auxiliares da agricultura biológica


O louva-a-deus é um inseto que fascina os humanos há séculos. Os registos mostram que os antigos egípcios, assírios e gregos, acreditavam que o louva-a-deus tinha poderes proféticos e sobrenaturais. Eram capazes de identificar a localização de objetos, animais ou pessoas perdidas. Na França antiga, acreditavam que um louva-a-deus era capaz de levar uma criança perdida para casa.

Nos nossos dias, o louva-a-deus ainda é considerado especial. Em algumas partes de África, acreditam que traz boa sorte se um louva-a-deus pousar num humano. Na China e no Japão, o louva-a-deus é reverenciado por seus movimentos graciosos e formas contemplativas. Inclusive, os seus movimentos inspiraram dois estilos conhecidos de antigas artes marciais chinesas. São muitas vezes vitos como um símbolo de equilíbrio e paciência. Antes de atacar, eles observam atentamente os seus alvos e são conhecidos por fazerem poses estratégicas.

Os louva-a-deus são insetos pertencentes à Ordem Mantodea (do grego mantis - profeta; eidos - aparência). É, por isso, fácil perceber a origem do nome louva-a-deus.  Deve-se ao modo como seguram a frente de seus corpos e posicionam suas enormes patas dianteiras quando estão em repouso, parece que eles estão a orar ou a meditar. 

Atualmente, são conhecidas mais de 2.000 espécies de louva-a-deus e podem ser encontrados em todos os continentes, exceto na Antártida. A maioria das espécies habita ambientes tropicais e subtropicais. O tamanho varia muito consoante a espécie. Podem ir dos 3 aos 8 cm, embora algumas espécies tropicais podem crescer até aos 20 cm ou mais.

Em Portugal, são conhecidas nove espécies. A mais abundante é o louva-a-deus-comum (Mantis religiosa). É uma das espécies que atinge maiores dimensões com as fêmeas a atingirem oito centímetros de comprimento.

São especialistas em camuflagem e mimetismo. Muitas vezes, estão ao nosso lado e nem os vemos. A cor mais comum é o verde ou o castanho. Contudo, muitas espécies assumem a cor do seu habitat que as rodeia. Eles podem imitar folhas, galhos, flores e até outros insetos. Algumas espécies tropicais conseguem assemelhar-se tanto com flores que alguns polinizadores chegam a pousar neles em busca de néctar.

A sua estrutura também é fantástica. Têm pescoço longo e flexível que se dobra facilmente, permitindo que girem a cabeça 180° de um lado para o outro, dando-lhes um campo de visão de 300°. Na cabeça, têm uma armadura bucal trituradora, antenas longas e delgadas, grandes olhos capazes de focar o mesmo local ao mesmo tempo e 3 ocelos (órgãos sensoriais que detetam a intensidade e direção da luz, mas não são capazes de formar imagens) entre as antenas. Tórax longo. As patas anteriores são preênseis, com espinhos que ajudam a reter a presa. A rapidez destas é tal que podem caçar moscas em voo.

São animais solitários. As fêmeas são maiores do que os machos. Embora possuam asas, são fracos voadores (as fêmeas voam pior do que os machos). O acasalamento do louva-a-deus ocorre entre agosto e outubro. É frequente a fêmea comer o macho durante ou após a cópula, começando pela cabeça, pois os gânglios nervosos que controlam os movimentos de cópula são controlados nos abdominais que são devorados no fim.

A postura dos ovos ocorre no outono. Os ovos são depositados juntamente com uma espuma que endurece, constituindo uma ooteca (involucro) que pode conter entre 200 a 300 ovos. As larvas emergem na primavera (maio/junho) já com o inseto plenamente desenvolvido.

Utilidade do Louva-a-deus na horta
A sua utilidade na horta é reconhecida há muito tempo. É um dos insetos auxiliares mais uteis. Têm um apetite voraz e comem tudo que lhes passe pela frente, moscas, mosquitos, formigas, traças, grilos, afídios ou gafanhotos e por vezes, podem até alimentar-se de presas três vezes maiores do que eles. Também comem insetos benéficos na horta, mas a sua preferência é pelos insetos que coincidentemente causam os maiores danos às culturas da horta.

Quase sempre atacam de emboscada aproveitando as suas capacidades de camuflagem. Com muita paciência, esperam que as suas presas estejam suficientemente perto, e de seguida, num décimo de segundo, desferem um golpe certeiro com as patas anteriores que são como garras e ajudam a segurar a presa enquanto é consumida.

As crias são caçadoras vorazes logo desde o início. À medida que vão crescendo, o tamanho das suas presas vai aumentando de modo correspondente.

Contrariamente ao que alguns dizem, o louva-a-deus não é venenoso.

São uma ajuda importante no controlo de pragas na horta.

IżoL - A Lonely House

Belgrado - Jeszcze Raz


Jeszcze Raz
Belgrado

Może kiedy wyjdziesz na ulicę, może kiedy wyjdziesz na ulicę
Jeszcze raz
Może będzie inaczej jeśli spojrzysz na wszystko jeszcze raz
Nie mów nic do mnie tylko popatrz na wszystko jeszcze raz
Zero kontaktu

Jeszcze raz
Nie mów nic do mnie tylko popatrz na wszystko jeszcze raz
Nie ma rady na milczenie, nie ma rady na milczenie

Jeszcze raz
Może będzie inaczej jeśli spojrzysz na wszystko jeszcze raz
Nie mów nic do mnie tylko popatrz na wszystko jeszcze raz
Zero kontaktu

Jeszcze raz
Nie mów nic do mnie tylko popatrz na wszystko jeszcze raz
Rozejrzyj się
Zastanów się

Tradução
Mais uma vez
Jeszcze Raz

Talvez quando você sair na rua, talvez quando você sair para a rua
Mais uma vez
Talvez seja diferente se você olhar tudo de novo
Não diga nada para mim, basta olhar para tudo de novo
Contato zero

Mais uma vez
Não diga nada para mim, basta olhar para tudo de novo
Ele não pode ficar em silêncio, ele não pode ficar em silêncio

Mais uma vez
Talvez seja diferente se você olhar tudo de novo
Não diga nada para mim, basta olhar para tudo de novo
Contato zero

Mais uma vez
Não diga nada para mim, basta olhar para tudo de novo
Olhar ao redor
Pense nisso

A música 'Jeszcze Raz' da banda Belgrado é uma reflexão profunda sobre a necessidade de revisitar e reavaliar nossas percepções e ações. A repetição da frase 'jeszcze raz', que significa 'mais uma vez' em polaco, sugere uma insistência em olhar para as coisas sob uma nova perspectiva. A letra convida o ouvinte a sair para a rua e observar tudo novamente, como se a primeira visão não fosse suficiente para compreender a realidade em sua totalidade.

A canção também aborda o tema do silêncio e da falta de comunicação, como evidenciado nas linhas 'Nie mów nic do mnie tylko popatrz na wszystko jeszcze raz' ('Não diga nada para mim, apenas olhe para tudo mais uma vez') e 'Zero kontaktu' ('Zero contato'). Esse silêncio pode ser interpretado como uma barreira emocional ou uma desconexão entre as pessoas, sugerindo que, às vezes, as palavras não são necessárias para entender o que está acontecendo ao nosso redor. Em vez disso, a observação e a reflexão silenciosa podem ser mais reveladoras.

Belgrado, uma banda conhecida por seu estilo pós-punk, utiliza uma abordagem minimalista tanto na música quanto na letra para transmitir uma mensagem poderosa. A repetição e a simplicidade das palavras criam uma atmosfera introspectiva, incentivando o ouvinte a parar e pensar sobre suas próprias experiências e percepções. A música é um convite à introspecção e à reconsideração, sugerindo que, ao olhar para as coisas mais uma vez, podemos encontrar novas respostas e entendimentos.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Josefin Öhrn and The Liberation - Anything So Bright


Com som HD
O nome ‘The Liberation’ foi retirado do Livro Tibetano da Morte. O título é ‘Liberation Upon Hearing In The Between’ – é uma perspetiva da música psicadélica como porta de entrada para uma libertação parcial de um estado materialista fixado no ego e no mundo visível.

I've seen a lot of lit up places
I've seen a lot of burning faces
But I've never seen anything so bright
No I've never seen such a light

I've been to the deepest
Of spaces
I've touched the wildest rose
But I've never seen
Anything so bright
No I've never seen such a light
No I've never seen such a light

You make me feel what it's like inside a moon beam
You make me feel what it's like
Inside a ray of dawn
Like a golden storm
Blowing down hidden doors
I've never seen anything so bright

I sailed under the stars
And their oceans
I lived inside of
The magnetic fields

But I've never seen anything so bright
No I've never seen such a light
No I've never seen anything so bright
No I've never seen such a light
No I've never seen anything so bright

Anti-Imigrantes e Conservadores, pensem nisto - a vida de Lupe Vélez

Lupe Vélez, atravessou as Duas Grandes Guerras Mundiais. Uma Mulher muito à frente do seu tempo! Lupe Vélez, cujo nome verdadeiro era María Guadalupe Vélez de Villalobos, foi uma atriz Mexicana que fez carreira nos EUA, nascida a 18 de julho de 1908 em San Luis Potosí, México, e falecida em Beverly Hills, Califórnia, a 13 de dezembro de 1944. É conhecida pela sua prestação no filme "O Marido da Mulher Indiana" (1931), de Cecil B. DeMille.
A imagem que Lupe projetava na tela grande nada mais era do que um reflexo da sua própria personalidade. Vélez manipulava conscientemente a sua imagem. Com sua proclamação: "Eu não sou selvagem. Eu sou apenas Lupe", Vélez cultivou uma reputação pública como uma mulher explosiva e irreverente em Hollywood, e se identificava com papéis cinematográficos de mulheres da "classe média baixa" e personagens exóticas. Jornalistas de Hollywood a apelidaram de Whoopee Lupe , A Pantera Mexicana e La Chinampina . Chegaram ao ponto de proclamá-la a Garota Mexicana do Momento, em resposta ao sucesso da "flapper girl" da moda, Clara Bow , a chamada Garota do Momento . Vélez revelou: "A que atribuo meu sucesso? Acho, simplesmente, que sou diferente. Não sou bonita, mas tenho olhos lindos e sei exatamente o que fazer com eles. Mesmo que o público pense que sou uma garota muito selvagem, na verdade não sou." Sou apenas eu, Lupe Vélez, a simples e natural Lupe. Se estou feliz, danço, canto e ajo como uma criança. E se algo me irrita, grito e choro. Alguém chamou isso de "personalidade". Personalidade nada mais é do que ser você mesmo perto de outras pessoas. Se eu tentasse parecer e agir como Norma Talmadge , a grande atriz dramática, ou como Corinne Griffith , a aristocrata do cinema, ou como Mary Pickford , a doce e gentil Mary, eu não seria nada mais do que uma imitação. É por isso que eu só quero ser eu mesma, Lupe Vélez". Infelizmente teve um fim trágico. Naquela época, ser mãe solteira era socialmente inaceitável e teria acabado com sua carreira; ela descartou a alternativa de um aborto. Desesperada, cansada do amor não correspondido e deprimida pelo escândalo iminente, ela viu apenas uma saída: decidiu cometer suicídio.

A fermosura desta fresca serra


A fermosura desta fresca serra,
E a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza se desterra;

O rouco som do mar, a estranha terra,
O esconder do Sol pelos outeiros,
O recolher dos gados derradeiros,
Das nuvens pelo ar a branda guerra;

Enfim, tudo o que a rara natureza
Com tanta variedade nos of’rece,
Me está se não te vejo magoando.

Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
Sem ti, perpetuamente estou passando
Nas mores alegrias, mor tristeza.

Luís Vaz de Camões, in “Sonetos

Smashing Pumpkins - Ava Adore


Ainda com a musa D'Arcy Wretzky

Realizado por Dom e Nic, o videoclipe de "Ava Adore" ganhou o prémio de "vídeo mais elegante" nos VH1 Fashion Awards de 1998

Ava Adore
The Smashing Pumpkins

It's you that I adore
You'll always be my whore
You'll be the mother to my child
And a child to my heart

We must never be apart
We must never be apart

Lovely girl
You're the beauty in my world
Without you, there aren't reasons left to find

And I'll pull your crooked teeth
You'll be perfect just like me
You'll be a lover in my bed
And a gun to my head

We must never be apart
We must never be apart

Lovely girl
You're the murder in my world
Dressing coffins for the souls I've left to die
Drinking mercury
To the mystery of all that you should ever leave behind
In time

In you, I see dirty
In you, I count stars
In you, I feel so pretty
In you, I taste God
In you, I feel so hungry
In you, I crash cars

We must never be apart

Drinking mercury
To the mystery of all that you should ever seek to find
Lovely girl
You're the murder in my world
Dressing coffins for the souls I've left behind
In time

We must never be apart

And you'll always be my whore
'Cause you're the one that I adore
And I'll pull your crooked teeth
You'll be perfect just like me

In you, I feel so dirty
In you, I crash cars
In you, I feel so pretty
In you, I taste God

We must never be apart

Contradições do amor obsessivo em “Ava Adore” dos Smashing Pumpkins
Em “Ava Adore”, do The Smashing Pumpkins, a letra explora a linha tênue entre devoção e possessividade. O eu lírico alterna entre declarações de adoração intensa, como “It’s you that I adore” (“É você que eu adoro”), e imagens sombrias, como “You’ll always be my whore” (“Você sempre será minha prostituta”) e “You’ll be a lover in my bed / And a gun to my head” (“Você será um amante na minha cama / E uma arma apontada para minha cabeça”). Essas frases mostram como amor e obsessão podem se misturar, criando relações apaixonadas, mas também destrutivas. Metáforas provocativas, como “pull your crooked teeth” (“arrancar seus dentes tortos”), sugerem um desejo de controlar ou moldar o outro, revelando traços de idealização e dominação.

O título “Ava Adore” traz um duplo sentido: além de ser um nome feminino, faz referência à frase francesa “il va adorer” (“ele vai adorar”), reforçando a ideia de adoração quase ritualística. A influência das vogais francesas, inspirada por Françoise Hardy, contribui para o tom etéreo e misterioso da música. A letra também destaca a dualidade da amada, vista como fonte de beleza e destruição: “You’re the beauty in my world” (“Você é a beleza no meu mundo”) e “You’re the murder in my world” (“Você é o assassinato no meu mundo”). Imagens como “drinking mercury” (“bebendo mercúrio”) e “dressing coffins for the souls I’ve left to die” (“preparando caixões para as almas que deixei morrer”) intensificam o clima sombrio, sugerindo sacrifício, culpa e a presença constante do fim. A repetição de “We must never be apart” (“Nunca devemos nos separar”) funciona como um mantra obsessivo, reforçando o medo da separação e a busca por fusão total. Assim, “Ava Adore” se destaca como um retrato intenso das contradições do amor obsessivo, marcado por ambiguidade e tensão.

sábado, 17 de janeiro de 2026

A petromoralidade de Trump



Em 1953, a Inglaterra e os Estados Unidos da América coordenam esforços para depor o governo democrático do Irão. Até há pouco tempo, a CIA e o MI6 negaram ter promovido um plano para derrubar o primeiro-ministro eleito, Mohammed Mossadegh, até que, em 2013, um relatório publicado pela CIA admitiu a manipulação da imprensa, as operações de propaganda e o financiamento de protestos contra o governo, reconhecendo a autoria do golpe.

A monarquia apoiada pelo Ocidente converteu-se numa ditadura brutal. A recente nacionalização do petróleo, motivo não assumido para o golpe de Estado, foi revertida a favor de empresas britânicas, norte-americanas, holandesas e francesas. Durante 38 anos, os iranianos sofreram as brutas consequências da intervenção imperialista. O profundo ressentimento popular aberto por essas décadas de repressão e exploração pavimentaram o caminho para a Revolução de 1979 e a instauração de um regime teocrático e violento, contra o qual o povo iraniano agora resiste corajosamente nas ruas.

Independentemente das coordenadas ideológicas de cada um, não acredito que exista um historiador ou analista intelectualmente honesto que não estabeleça um nexo de causalidade entre a intervenção externa motivada pelo controlo de petróleo e a ascensão do regime repressivo liderado por Ali Kahmenei. Da mesma forma, ninguém nega as verdadeiras motivações que levaram à destruição do Iraque, deixando um rasto de guerra e morte, milhões de refugiados e a ascensão do DAESH.

Tanto esforço dedicado à mentira, encobrimento e malabarismos morais para afinal acabarmos aqui. Séculos de doutrina da “guerra justa” arduamente pensada por filósofos, historiadores, teólogos, militares, glosadores e intelectuais, tudo arrasado numa frase digna do absolutismo mais raso, não de um príncipe, mas de um canalha: “os limites da guerra são os limites da minha moral”, ou seja, nenhuns.

Trump não precisou de uma tese hipócrita e mentirosa para justificar a operação militar especial e a ocupação (do poder) na Venezuela, não precisou de autorização do Congresso nem de fingir respeito pelo direito internacional. Bastou-lhe a legitimidade conferida pelas poderosas petrolíferas norte-americanas e o seu vazio ético e moral.

É tudo assustador, mas será suficiente para demolir um edifício normativo internacional fundado no século XVII e edificado depois de duas guerras mundiais, cem milhões de mortos e mais do que um genocídio? Não, isto não é trabalho para um homem só.

O resto, o bocado que falta, está a ser-lhe servido na bandeja da quieta complacência europeia e da terna cumplicidade dos que exclamam “as pessoas falam do petróleo como se isso fosse uma razão menos digna para uma intervenção”.

Não celebro o fim da hipocrisia, acho que havia nela uma réstia de ilusão sobre um mundo em que os pequenos conseguem proteger-se contra os desvarios dos grandes. Está na moda teorizar sobre o interesse nacional, reduzindo-o à legitimidade de pilhar os vencidos. Até admito que nos EUA essa tese seja “natural”, o que me espanta é a síndrome de Estocolmo em países periféricos e mínimos mas com 1,7 milhões de km² de águas marítimas e uma plataforma continental que pode chegar a 4 milhões de km².

Em nenhuma circunstância Portugal teria a possibilidade de garantir militarmente a sua soberania no Atlântico, o que inclui os Açores. Será assim tão difícil compreender que é do interesse de Portugal e da maioria dos estados (que não são superpotências) alinhar pela defesa do direito internacional e do respeito pela soberania?

Enquanto escrevo, tropas alemãs, norueguesas, suecas e dinamarquesas são simbolicamente desembarcadas para “defender” a Gronelândia dos apetites vorazes do sr. Trump. Mas há em Portugal quem ache que o nosso destino é escolher um dos líderes imperiais autoritários para ser o “nosso líder autoritário”. Sonham com o império e aceitam patrioticamente converter-se em pequeno jardineiro do seu quintal… que patético “interesse nacional”.

Governo dos EUA faz ameaça anti-imigração em português



“Se você vier aos Estados Unidos para roubar os americanos, o presidente Trump vai te jogar na cadeia e te mandar de volta para o lugar de onde você veio.” A mensagem, escrita em português do Brasil, foi colocada esta semana na conta oficial do Departamento de Estado dos EUA no X (antigo Twitter).

A acompanhar a publicação, uma fotografia de Donald Trump a preto e branco com uma legenda em letras garrafais: “Envia-os de volta.”

O Departamento de Estado dos EUA, equivalente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em Portugal, tem contas nas redes sociais em várias línguas - e aproveitou-as para passar, também na língua portuguesa, a mensagem anti-imigração de Donald Trump.

Ao longo do último ano, o Presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou a ação contra a imigração ilegal nos Estados Unidos, promovendo rusgas em massa por todo o país para capturar imigrantes ilegais, deportações e perseguições judiciais — e mergulhando no medo várias comunidades imigrantes, incluindo a comunidade portuguesa de Nova Jérsia.

Na quarta-feira (14), o canal de televisão Fox News Digital comunicou que seria congelada a emissão de autorização para permanência nos Estados Unidos. Pouco depois, por meio de publicação em seu perfil no X, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou a informação. O Departamento de Estado justificou a medida por meio de postagem na mesma rede social.

“O Departamento de Estado suspenderá o processamento de vistos de imigrantes de 75 países cujos imigrantes recebem benefícios sociais do povo norte-americano em taxas inaceitáveis, o congelamento permanecerá em vigor até que os EUA possam garantir que os novos imigrantes não irão extrair riqueza dos [cidadãos] norte-americanos”, disse o órgão.

O departamento também afirmou que a interrupção do serviço afetava países “cujos imigrantes frequentemente se tornam um encargo público” para o país. “Estamos trabalhando para garantir que a generosidade do povo norte-americano não seja mais explorada”, escreveu. O órgão finalizou a publicação dizendo que “o governo Trump sempre colocará os Estados Unidos em primeiro lugar”.

Trump imigrante, mãe de Trump imigrante, mulher de Trump imigrante. Trump pedófilo. Aliado e alimentando com biliões de dólares ditadores de extrema-direita na América Latina  [aqui]  . Roubou e invadiu Venezuela e ameaça o mesmo noutros Países do Norte Gobal.

Faleceu Pedro Sarmento - coordenador do programa de reintrodução do lince-ibérico em Portugal


O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas manifesta o seu mais profundo pesar pelo desaparecimento prematuro do nosso colega Pedro Sarmento, esta sexta-feira.

Biólogo de formação, Pedro Sarmento coordenava no ICNF o programa de reintrodução in-situ do lince-ibérico em Portugal e foi uma figura essencial no sucesso do trabalho desenvolvido. Integrou os quadros do ICNF em 1994 e desde então a sua paixão, vontade e dedicação inabaláveis foram fundamentais para o sucesso deste programa.

O Pedro amava os linces, que eram a sua razão de viver.

Quando em 16 de dezembro de 2014 se libertou o primeiro casal de linces-ibéricos - a Jacarandá e o Katmandú - no cercado de solta branda, na Herdade das Romeiras, em Mértola – o Pedro permaneceu durante várias noites no exterior do cercado, velando para que nada de anormal acontecesse aos linces recém-chegados, ela proveniente do CNRLI, em Silves, e ele originário de Zarza de Granadilla, na Extremadura espanhola.

Desde então, foram muitas as noites mal dormidas e incontáveis os dias em que o Pedro percorreu quilómetros atrás de quilómetros, a pé e em viatura, dando tudo o que tinha, muitas vezes excedendo-se, para que o regresso do lince-ibérico a Portugal não falhasse e viesse a revelar-se, aos dias de hoje, o projeto de conservação da natureza de maior sucesso em Portugal e na Península Ibérica.

O Pedro viveu num outro Universo, mais acelerado e mais brilhante do que aquele em que a maioria de nós vivemos e, aos 59 anos, deixa-nos uma marca incomensurável e um vazio difícil de preencher.

Nunca esqueceremos o ser humano extraordinário, a mente brilhante e o amigo insubstituível. Uma perda irreparável.

A toda a família, amigos e colegas, o ICNF endereça as mais sentidas condolências.

O Pedro dormia com os linces, e agora descansa em paz.

Até sempre, Pedro, e Obrigado



Ingela Alvmyren

Ingela Alvmyren (aquarelista Sueca, nascida em 1972)

Estilo e Temas
Realismo poético. Ingela procura capturar sensações, luz, atmosfera e a sensação da natureza, mais do que apenas retratar fielmente o motivo.
Os seus temas favoritos incluem natureza, paisagens, florestas e especialmente pássaros –  Ingela pinta muitas vezes cenas do ambiente natural que a rodeia.

Técnica 
A principal técnica que utiliza é aquarela, explorando as suas possibilidades de luz e textura. 
Forte ênfase em luz, movimento, transparência e sensação, mais do que em detalhe anatómico rigoroso.
Uso expressivo da aquarela, deixando a água, as manchas e os vazios participarem da imagem.


Agent Side Grinder - This is Us

Agent Side Grinder
I wanna sit with you
In a melting glow
And watch the fast few pieces fall to shreds
I wanna walk with you
Through a valium rain
And catch the new bright fires in the wind

If you run out of drugs
Run out of lives
Run out of hate
You turn to me
I'll turn to you
We're walking inside
Well, this is here
This is now
Yeah, this is us

I wanna speak with you
In a silent way
And watch the new two hours of the day
I wanna ride with you
In a final screen
And catch with your eyes only when it starts

When you run out of drugs
Run out of lives
Run out of hate
You turn to me
I'll turn to you
We're walking inside
Well, this is here
This is now
Yeah, this is us

As you run out of rage
Run out of life
Run out of hate
You turn to me
I'll turn to you
We're walking inside
Well, this is here
This is now [2X]

A canção expressa um laço profundo entre duas pessoas, compartilhando momentos de vulnerabilidade enquanto o mundo ao redor desmorona, como assistir peças rápidas se desfazerem em um brilho derretido. O vídeo oficial contrasta com o estilo industrial da banda, capturando melancolia num campo de futebol deserto numa noite de novembro, sugerindo solidão e reflexão emocional

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

All About Eve - Wishing The Hours Away (1991) with David Gilmour


Dazed in the twilight, I see the mayfly fly...
Clustering 'round streetlamps of a small town...
Rush around, around...
Flicker to the ground like snow...

Or the embers of a drowsy fire in cinders...
Ephemeral, perpetual...
And frail, pale written in water, fading...
As the clothes we wore drift to the shore...
In waves, in choirs, in spires...

White dressed, moon blessed...
Milk breast, flower...
Wishing the hours away...

Time, still fleeting...
Transcending, never ending...
Still meeting here with eternity...
Still hand in hand...

Washed clean of sand like shells...
Then time flies by...
And moments die in thousands...
Enshrouded, clouded...

White dressed moon blessed...
Milk breast, flower...
Wishing the hours away...
Soft-fleshed, dark nest, miles away.

"Wishing the Hours Away" é uma faixa do álbum Touched by Jesus (1991) da banda All About Eve, com participação de David Gilmour (Pink Floyd) na guitarra. A letra transmite um sentimento de impaciência com o lento passar do tempo, saudade e desejo de reencontro ou escape emocional.
Frases como "Wishing the hours away / Till I see you again" expressam espera ansiosa por alguém ou algo, possivelmente romântico ou existencial. Imagens de luzes desvanecendo, sombras e momentos fugazes refletem o estilo folk-gótico da banda, misturando melancolia com esperança etérea.

Muitos homens evitam envolver-se na questão da crise climática porque o torna feminino

Arnold Schwarzenegger é um orgulhoso defensor do clima. Homens, não querem ser como o Arnold?



“(Sê homem) Devemos ser velozes como um rio caudaloso
(Sê homem) Com toda a força de um grande tufão
(Sê homem) Com toda a força de um fogo ardente” — “Mulan” (1998)

Preocupar-se com o clima torna-o feminino?

De certa forma, é uma pergunta tola. Mas, por outro lado, é um dilema crucial para aqueles de nós que estão empenhados na luta climática. Porque a triste realidade é que muitos homens evitam envolver-se por estarem convencidos de que isso irá prejudicar a sua masculinidade.

Pelo menos é o que indica um novo estudo.

O artigo revisto por pares é relativamente simples. O professor Michael P. Haselhuhn, da escola de negócios da UC Riverside, recrutou participantes para várias pesquisas e também examinou dados de pesquisas já existentes. Controlou a idade e a ideologia política, factores que podem influenciar a percepção das pessoas sobre a crise climática. E, consistentemente, encontrou uma clara relação entre a expressão de género e a preocupação com o clima.

Especificamente, os homens que atribuem maior importância a "ser homem" são menos propensos a preocupar-se com o aquecimento global, menos propensos a sentir responsabilidade pessoal pela redução do aquecimento e menos propensos a acreditar que o aquecimento é causado pelos humanos. 

Os homens que sentem mais ansiedade em situações que ameaçam a sua masculinidade — como perder no desporto — estão menos convencidos de que as alterações climáticas estão a afectar o planeta como um todo (e os Estados Unidos em concreto).

Porque é que os homens — ou pelo menos alguns homens — se preocupam que a consciência climática dilua a sua masculinidade conquistada com tanto esforço? Haselhuhn descobriu que o desafio surge entre os homens que percecionam a "afetividade" como uma característica feminina. O problema é que preocupar-se com o ambiente também é visto como uma característica afetuosa, pelo menos tradicionalmente.

“Não é só que os homens queiram parecer homens”, disse-me Haselhuhn. “Querem evitar parecer femininos.”

De certa forma, tudo isto é intuitivo e previsível: muitos homens têm egos frágeis escondidos sob as suas aparências arrogantes e robustas. Imagino que o estudo de Haselhuhn não tenha sido nenhuma surpresa para a jornalista Amy Westervelt e para a equipa por detrás do podcast Carbon Bros, uma análise fascinante e profunda da masculinidade tóxica e da negação das alterações climáticas. Basta pensar em Joe Rogan, que destila o negacionismo climático regularmente.

Mas o estudo de Haselhuhn chamou-me a atenção.

Para começar, identificou um mecanismo psicológico que leva os homens — ou pelo menos certos homens — a rejeitar a preocupação com as alterações climáticas. Então, o que podemos fazer, se é que podemos fazer alguma coisa, para contrariar este mecanismo? Se alguns homens receiam que o envolvimento com as questões climáticas possa fazê-los parecer excessivamente efeminados e, portanto, demasiado sensíveis, poderemos reformular a acção climática de formas menos ameaçadoras para estes homens?

Infelizmente, Haselhuhn não tinha uma boa resposta. Disse-me que, na sua pesquisa, tentou reformular a questão climática para que se concentrasse na proteção dos filhos e da família. Mas isso não fez grande diferença.

"Talvez isso ajude um pouco, mas não é a solução", disse.

Noutro estudo, descobriu que, se pedir aos homens que perdoem os colegas de trabalho por erros cometidos no ambiente profissional, eles geralmente dirão que não. Mas se der aos homens a oportunidade de afirmarem primeiro a sua masculinidade — ou seja, deixá-los contar histórias que comprovem a sua masculinidade — e só depois lhes pedir que perdoem, eles tendem a concordar mais facilmente.

Infelizmente, "isto não é tão útil no mundo real", reconheceu Haselhuhn. "Não se pode estar sempre a elogiar os homens e depois perguntar sobre o clima." O seu estudo também me chamou a atenção porque me fez refletir sobre o desporto. Escrevendo sobre desporto e clima nos últimos anos, às vezes pergunto-me: será que há tão pouco activismo climático nos desportos dos EUA porque o sector é tão dominado por homens?