Os Estados Unidos da América (EUA) estão a fazer disparar a quantidade global de eletricidade produzida com recurso a gás para alimentar centros de dados que servirão para dar resposta à expansão da Inteligência Artificial (IA).
A conclusão é de um relatório publicado esta semana pela organização Global Energy Monitor, no qual é revelado que o país quase triplicou em 2025 o desenvolvimento da sua capacidade de produção elétrica com base no gás. Isso inclui projetos anunciados, em pré-construção e em construção, que aumentarão a capacidade para um total de 252 gigawatts, que ultrapassa a China e representa cerca de um quarto do total global.
Se todas as centrais elétricas a gás que estão em desenvolvimento forem construídas, quase aumentará em 50% a atual infraestrutura de produção elétrica a gás já existente no país.
De acordo com as estimativas da Global Energy Monitor, os projetos de gás agora em desenvolvimento têm o potencial para emitir cerca de 12,1 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) ao longo das suas vidas. Atualmente as emissões de CO2 dos EUA, provenientes de todas as fontes, rondam os seis mil milhões de toneladas, pelo que estaríamos perante uma duplicação das emissões impulsionada por apenas uma fonte.
“Os EUA estão a duplicar a eletricidade gerada por gás à custa da transição energética”, lamenta Jenny Martos, gestora de projetos da organização que produziu este relatório. E avisa que há o risco de essas novas instalações elétricas que agravam o efeito de estufa do planeta poderem vir a ser nada mais do que “ativos irrecuperáveis” se a procura esperada de eletricidade pela IA nunca chegar a concretizar-se.
Em 2025, a capacidade elétrica a gás em desenvolvimento aumentou 31% a nível global, chegando a um total de 1.047 gigawatts.

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