sábado, 14 de fevereiro de 2026
Dia do Amor - Handel: Dove sei, amato bene (Rodelinda)
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Feliz Dia do Amor - Jakub Józef Orliński sings "L'amante consolato"
English
I searched for so long
that I finally found
the one that I desired,
after rigorous suffering.
Oh, this time let me not fool myself,
let me not be rejoicing in my own downfall.
The delights that I feel
at last are such
that everything renews me,
after prolonged agony.
But not everyone would be able to do as I do,
not being able to rejoice in their own downfall.
A epidemia invisível dos ultraprocessados
Nas prateleiras dos supermercados, embalagens coloridas prometem conveniência, sabor imediato e preços acessíveis. Mas por detrás dessa sedução industrial esconde-se uma ameaça que a ciência tem vindo a estudar e não permite ignorar. Um estudo internacional publicado na The Lancet, assinado por 43 especialistas de vários países, revela que os alimentos ultraprocessados não são apenas "menos saudáveis” são agentes ativos de doença, com impacto mensurável em praticamente todos os órgãos humanos.
Os números impressionam. Em países como EUA, Reino Unido e Austrália, metade das calorias ingeridas diariamente provém de ultraprocessados. Snacks embalados, refrigerantes, refeições prontas e cereais artificiais tornaram-se rotina, substituindo alimentos frescos e minimamente processados. O estudo identificou mais de 30 associações distintas entre o consumo destes produtos e doenças crónicas: obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares, depressão e mortalidade precoce.
Mas o alerta vai mais longe. Não se trata apenas de calorias vazias ou excesso de açúcar. Os investigadores descrevem um efeito sistémico: fígado, rins, coração e cérebro mostram sinais de impacto direto. A combinação de aditivos, emulsionantes e processos industriais altera a forma como o corpo metaboliza os alimentos, criando uma espécie de “nova biologia alimentar” que fragiliza o organismo.
Esperar por "provas perfeitas" é repetir erro histórico
A comparação com o tabaco é inevitável. Tal como aconteceu no século XX, as empresas recorrem a marketing agressivo, lobbying político e estratégias de influência para atrasar regulamentações. A The Lancet avisa: esperar por “provas perfeitas” seria repetir o erro histórico de deixar que um produto nocivo se enraizasse ainda mais nas dietas globais.
O estudo não se limita à ciência. Aponta também para a política e para a desigualdade social. Os ultraprocessados são mais consumidos em comunidades vulneráveis, onde o preço e a conveniência pesam mais do que a qualidade nutricional. A crise é, portanto, dupla: sanitária e social.
De acordo com os inquéritos nacionais analisados pelos investigadores da série publicada na The Lancet, a presença destes produtos na dieta das famílias aumentou de forma expressiva nas últimas décadas. Em Espanha, por exemplo, a proporção de energia proveniente de ultraprocessados nas compras alimentares quase triplicou, passando de cerca de 11% para 32%. Na China, o salto foi igualmente significativo, de 4% para 10% em apenas 30 anos. A tendência repete-se na América Latina: no México e no Brasil, a contribuição energética dos ultraprocessados duplicou em 40 anos, evoluindo de 10% para 23%.
A análise mostra ainda que a proporção destes produtos na ingestão energética total varia de acordo com fatores económicos e culturais. Nos países do Sul da Europa com maior rendimento, como Portugal, Itália, Chipre e Grécia, e em algumas economias asiáticas, como Taiwan e Coreia do Sul, os ultraprocessados representam menos de um quarto da dieta. Já em nações como Austrália e Canadá, essa percentagem ultrapassa os 40%, enquanto no Reino Unido e nos EUA chega a superar metade da energia diária consumida.
Desafio não é só individual
Os especialistas pedem medidas urgentes: legislação forte, rotulagem clara com alertas visíveis, promoção ativa de dietas frescas e acessíveis e políticas públicas que enfrentam desigualdades. Para além da transparência informativa, defendem também regras mais apertadas no campo do marketing, sobretudo no que toca à publicidade dirigida a crianças e à difusão em plataformas digitais. Entre as medidas propostas está ainda a exclusão de alimentos ultraprocessados de instituições públicas, como escolas e hospitais, e a definição de limites tanto para a sua comercialização como para o espaço que ocupam nas prateleiras dos supermercados.
O desafio é global e não pode ser resolvido apenas com escolhas individuais. No fundo, o que este estudo revela é uma verdade desconfortável: os ultraprocessados são um motor silencioso da crise de saúde contemporânea. A sua omnipresença nas mesas e prateleiras representa uma ameaça comparável às epidemias de tabaco e álcool do século passado. A diferença é que, desta vez, a ciência chega cedo e clara. Falta saber se a política terá coragem de colocar a saúde antes do lucro.
A Ancestralidade das Florestas
"O tempo aqui não avança,
ele se enraíza profundamente.
Um segredo guardado
nas cascas grossas das árvores,
onde a seiva é o sangue antigo
que batiza a terra,
um leito de folhas caídas,
de ossos esquecidos,
de águas que guardam o passado.
Vastidão antiga,
onde cada tronco retorcido
é um ancestral que observa,
e cada sombra,
um refúgio místico e quieto.
As copas tocam o céu numa prece silenciosa,
tecem redes de um verde que desafia os milénios.
A terra, em sua paciência densa e rude,
conhece o ciclo,
sabe que tudo, um dia, retornará a ela.
É um diálogo invisível,
tecido pelos micélios,
fios sutis sob o tapete do chão.
Aqui, não há o novo nem o velho,
apenas a eterna, a viva pulsação
que conecta tudo.
Respirar esta mata
é sorver a memória,
a essência de quem já foi bicho,
de quem foi vento que soprou,
de semente que germinou.
A floresta não narra a nossa história;
ela nos sonha,
sem interrupção,
eternamente."
João Soares, 14.02.216
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Armand Amar - Save Us
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Future Islands - Ran
So perfect and so sweet
But the rest, feels incomplete
Like the rabbit's foot I keep
In the locket, with no key
And I can't take it, I can't take this world without
This world without you
I can't take it, I can't take it on my own
On my own
[Refrão]
On these roads
Out of love, so it goes
How it feels when we fall, when we fold
How we lose control, on these roads
How it sings as it goes
Flight of field, driving snow
Knows the cold
On these roads
Out of love, so it goes
How it feels when we fall, when we fold
How we lose control, on these roads
How it sings as it goes
Flight of field, driving snow
Knows the cold
Ran round the wailing world
And what's a song without you?
When every song I write is about you
When I can't hold myself without you
And I can't change the day I found you
[Refrão]
Cheias no Baixo Mondego: não nos atirem Girabolhos para os olhos

Desenterrou-se agora o projecto da barragem de Girabolhos e atirou-se ao espaço público como solução milagrosa, tardia mas redentora, para um problema complexo: as cheias do Baixo Mondego. Esta, diga-se já, é uma solução intelectualmente desonesta, tecnicamente errada, financeiramente pesada e politicamente estúpida.
Por piada — mas apenas por piada — poderia dizer que, se a garantia de controlo das cheias é feita por um Governo cujo líder, Luís Montenegro, parece acreditar que os caudais do Mondego se regularizam com telefonemas para Madrid, quando toda a bacia hidrográfica se encontra no nosso país, talvez fosse mais eficaz fazer promessas e ir a Fátima.
Mas este não é um assunto para sarcasmos fáceis. Custa dinheiro público, cria expectativas infundadas e, no fim, entrega apenas soundbites de acção governativa. A ciência, porém, não se governa por conferência de imprensa.
Convém começar pelo princípio. O Baixo Mondego é, historicamente, uma zona susceptível a inundações. Sempre foi. Durante séculos, as cheias sazonais faziam parte do regime natural da região e, mesmo sendo uma calamidade, contribuíam para a fertilidade agrícola dos campos. Foi para domesticar esse comportamento que, a partir das décadas de 1970 e sobretudo de 1980, se avançou com grandes obras de regularização hidráulica: diques longitudinais (para aumentar a capacidade de encaixe de caudais sem inundação adjacente), canais, rectificações e barragens.
Entre estas, destacam-se as barragens da Aguieira e do Raiva, que entraram em exploração nos anos 80 e reduziram de forma clara a frequência e a severidade das inundações a jusante. Isto é um facto histórico e técnico, não uma opinião.
Não foi aí que “algo falhou”. Pelo contrário: durante décadas, o sistema funcionou de acordo com os objectivos para que foi concebido. Também não é sério atribuir as cheias actuais a uma alegada pluviosidade excepcional. Conforme destaca Paulo Fernandes, professor da Universidade de Trás-os-Montes, os dados são claros: Janeiro de 2026 foi apenas o 11.º mês de Janeiro mais chuvoso desde 1940 na série de Coimbra. Não estamos, assim, perante um episódio extremo em termos históricos.
Quando há cheias significativas sem precipitação recorde, o problema raramente está no céu; está quase sempre na bacia.
E é aqui que o debate se torna incómodo e nos remete para o Verão passado — e por isso mesmo politicamente evitado: os incêndios rurais.
Nos últimos anos, e de forma particularmente intensa em 2025, vastas áreas da bacia hidrográfica do Mondego, sobretudo no alto curso e em sub-bacias críticas, foram devastadas por incêndios florestais de grande dimensão. Na bacia do Mondego, na Serra da Estrela e zonas de cabeceira e vertentes declivosas arderam como há muito não se via. Em Agosto houve um incêndio iniciado em Arganil que devastou mais de 65 mil hectares de áreas florestais e de matos; na região de Trancoso, outro que dizimou quase 47 mil hectares. Do ponto de vista hidrológico, isto não é um detalhe: é uma alteração estrutural do comportamento da bacia.
Solos queimados perdem cobertura vegetal, reduzem, de forma drástica, a infiltração, tornam-se mais susceptíveis à erosão e aceleram o escoamento superficial. O tempo de concentração da água encurta; os picos de cheia tornam-se mais rápidos e mais altos; o transporte de sedimentos aumenta, assoreando linhas de água e reduzindo a capacidade hidráulica dos canais. Tudo isto está documentado há décadas na literatura científica. E tudo isto ocorre quer se construa ou não mais uma barragem a montante.
Chegados aqui, importa desmontar o mito central: o que mudaria, na realidade, a barragem de Girabolhos? Do ponto de vista técnico, a resposta é muito menos impressionante do que o discurso político sugere. Girabolhos regularizaria apenas uma fracção limitada da bacia do Mondego — abarcará uma área de drenagem de apenas 980 km², cerca de 15% quer da área total contributiva quer do escoamento total anual.
Não estamos a falar, portanto, de uma albufeira com capacidade para controlar todo o sistema; estamos a falar de uma infra-estrutura que interceptaria uma pequena parte do escoamento a montante, deixando intactos contributos significativos de sub-bacias a jusante e de afluentes críticos.
Além disso, mesmo a regularização inter-anual proporcionada por Girabolhos não elimina cheias em cenários de precipitação concentrada ou de resposta rápida da bacia — precisamente aqueles que os incêndios tornam mais prováveis. As barragens não “absorvem” cheias por decreto: têm limites operacionais, volumes já ocupados antes das chuvas invernais (ainda mais se o uso predominante for hidroeléctrico), regras de exploração e constrangimentos de segurança. Em certos contextos, podem até agravar picos a jusante se forem obrigadas a descarregar.
Dizer, portanto, que Girabolhos “resolveria” as cheias do Baixo Mondego é vender uma solução simples para um problema que deixou de ser simples há muito. É ignorar a degradação do território, a política florestal errática, a ausência de gestão integrada da bacia e a incapacidade crónica de lidar com as consequências hidrológicas dos incêndios. E, em suma, é preferir betão a planeamento, obra visível a intervenção estrutural, fotografia de capacete a políticas de gestão do solo.
Nada disto significa que o debate sobre Girabolhos seja ilegítimo. Pode discutir-se a sua utilidade para armazenamento, para regularização de caudais em certos cenários, para produção energética ou para abastecimento. Aquilo que não se deve fazer é instrumentalizar a barragem como resposta automática a cheias que têm causas múltiplas e bem identificadas. E a imprensa engolir
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Apesar do que diz o Governo, a barragem de Girabolhos “não será relevante para o controlo de cheias”
Na passada quarta-feira, depois de um dique no Mondego ter rompido, o Governo anunciou a “luz verde” para o concurso da barragem de Girabolhos. O Ministério do Ambiente disse que se trata de um projeto estruturante “com objetivos de controlo e mitigação de cheias”, mas as posições dos especialistas não corroboram essa posição.
À RTP Notícias, o hidrobiólogo Adriano Bordalo de Sá, investigador da Universidade do Porto que é defensor da construção dessa barragem, desmente a ligação entre essa estrutura e o controlo de cheias, explicando que “essa barragem não fica sequer perto do Baixo Mondego”.
“Para este controlo das cheias [a barragem] não é propriamente relevante. Ela está muito longe desta zona que é sistematicamente afetada por problemas estruturais do planeamento feito no passado”, disse o hidrobiólogo. “Não terá a influência que alguns políticos, porque foram informados incorretamente, pensam que poderá ter”.
Algumas narrativas lançadas na comunicação social procuram ligar a construção da barragem de Girabolhos à gestão de cheias. É o caso da notícia publicada pelo Jornal Económico, que diz que esta barragem “podia ter evitado cheias no Mondego está na gaveta há 20 anos”, acusando a 'geringonça' de cancelar o projeto. O ex-ministro Carmona Rodrigues foi mais longe e acusou o Bloco de Esquerda de ter incluído nas condições para apoiar o governo de António Costa em 2015 não se avançar com a construção desta barragem. Uma acusação que Catarina Martins, então coordenadora do partido, desmentiu à Rádio Renascença, afirmando que desses acordos não constava a barragem que na altura era contestada pelas populações e autarquias.
Na verdade, segundo o ex-deputado e ministro socialista João Galamba, a barragem de Girabolhos não andou para a frente por vontade da Endesa. Mas para além disso, a concessão da própria barragem não incluía a gestão de cheias, como a previsão do aproveitamento de Girabolhos não prevê também. Para a gestão de cheias, importa mais o projeto hidroagrícola do Baixo Mondego, que enfrenta falhas estruturais associadas aos principais problemas de gestão de água do Mondego.
A conclusão da obra hidroagrícola do Baixo Mondego, que poderia prevenir as cheias, foi mesmo levada a votação na Assembleia da República no Orçamento do Estado para 2025, tendo sido chumbada com os votos contra do PSD, CDS e IL, e com as abstenções do Partido Socialista e do Chega.
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Bev Jozwiak - "Crow Bar" (2012)
Bev Jozwiak (aquarelista "rebelde" dos EUA, nascida em 1953)
Bev Jozwiak é uma das aquarelistas mais conceituadas da atualidade, conhecida por um estilo que equilibra perfeitamente o rigor técnico com uma liberdade expressiva quase "rebelde".
Estilo:
Realismo Contemporâneo com um toque impressionista. O seu trabalho é marcado pelo "loose style" (estilo solto), onde o foco não é a perfeição fotográfica, mas a energia da pincelada.
Temas:
Figuras humanas (especialmente crianças e dançarinos), animais (corvos e garças são recorrentes) e cenas do quotidiano.
Técnicas:
Versatilidade de Materiais: aquarela, acrílico, guaches, óleo
O que torna o trabalho de Jozwiak único é a sua recusa em "domar" a aquarela. Ela é famosa por:
- Pinceladas diretas - ela raramente faz esboços detalhados a lápis. Prefere pintar diretamente, o que mantém a frescura da cor.
- Uso de "mistura no papel" - em vez de misturar todas as cores na paleta, ela permite que os pigmentos se encontrem e criem gradientes naturais diretamente na folha molhada.
- Espessura da tinta- ela desafia a regra da aquarela ser sempre transparente, usando pigmentos bem saturados e, às vezes, toques de guache para realces.
- Equilíbrio entre caos e ordem- as suas pinturas geralmente têm áreas de detalhe muito precisos (como os olhos de um retrato) cercadas por manchas de tinta escorrendo e bordas perdidas.
Placebo - Exit Wounds
In the arms of another who doesn't mean anything to you
There's nothing much to discover
Does he shake, does he shiver as he sidles up to you
Like I did in my time?
[Verse 2]
As you wake does he smother you in kisses long and true?
Does he even think to bother?
And at night under covers as he's sliding into you
Does it set your sweat on fire?
[Chorus]
Want you so bad I can taste it
But you're nowhere to be found
I'll take a drug to replace it
Or put me in the ground
[Verse 3]
In the arms of another who doesn't mean anything to you
Do you lose yourself in wonder?
If I could, I would hover while he's making love to you
Make it rain as I cry...
[Chorus]
Want you so bad I can taste it
But you're nowhere to be found
I'll take a drug to replace it
Or put me in the ground
[Instrumental Break]
[Chorus]
[Outro]
Put me in the ground
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Blood Orange - The Field
Relatório aponta aumento da mortalidade pelo calor extremo na Galiza e norte de Portugal
Cidades da região espanhola da Galiza e do norte de Portugal têm registado um excesso de mortalidade, em alguns casos até 60%, como consequência do calor extremo, segundo um relatório do Eixo Atlântico divulgado na quarta-feira.
Esta investigação, apresentada pela organização em Pontevedra, revela que cidades como o Porto, Viana do Castelo, Ourense, Braga, Guimarães e Lugo registaram entre 50% e 60% de excesso de mortalidade durante períodos de altas temperaturas.
O estudo, liderado por Francesc Cárdenas, diretor da Agência de Ecologia Urbana do Eixo Atlântico, propõe que se preste “especial atenção” à conceção dos espaços públicos e à integração da saúde em todos os processos de planeamento urbano e territorial.
Cárdenas indicou que é necessário promover uma “cultura do calor”, que inclua a adaptação das cidades, a criação de refúgios climáticos e a elaboração de planos de ação para as ondas de calor, de forma a proteger os cidadãos.
Argumentou ainda que “padrões mais rigorosos” para a qualidade do ar e o controlo do ruído devem ser implementados para melhorar a saúde ambiental e humana nas cidades.
“Precisamos de uma mudança cultural”, enfatizou o diretor do relatório, que indicou que 80% dos fatores que influenciam a saúde humana dependem do planeamento urbano.
O documento salienta que o limite crítico de 1,5 graus Celsius de aquecimento global já foi ultrapassado em 2024, o que exige ações com “microcirurgia urbana”.
Neste sentido, o relatório inclui também boas práticas como os corredores ecológicos de A Coruña, as rotas escolares seguras e as zonas de baixas emissões de Pontevedra, a via verde de Vigo e as rotas termais de Ourense.
Vázquez Mao insistiu que as câmaras municipais devem decidir “como e onde construir” para garantir que as novas áreas residenciais não se tornam blocos habitacionais sem vida e insalubres.
Olga Sacharoff
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| "Mulher apoiada na mesa" (1915) |
Olga Sacharoff (1889–1967) foi uma figura singular na cena artística do século XX, servindo como uma ponte cultural entre a vanguarda russa e o espírito boémio de Paris e Barcelona.
Biografia Resumida
Nascida em Tbilisi (Geórgia), então parte do Império Russo, Olga estudou Belas-Artes em Tbilisi antes de se mudar para Munique em 1910, onde absorveu o expressionismo alemão. Em 1911, fixou-se em Paris, tornando-se parte ativa da "Escola de Paris" em Montparnasse.
Com o eclodir da Primeira Guerra Mundial, refugiou-se em Barcelona com o marido, o pintor Otho Lloyd. Embora tenha retornado a Paris nos anos 20, a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial levaram-na a estabelecer-se definitivamente na Catalunha, onde se tornou uma figura central nos círculos intelectuais até à sua morte.
Estilos e Evolução
A obra de Sacharoff é marcada por uma transição fluída entre correntes, mantendo sempre uma identidade muito pessoal:
- Cubismo e Futurismo (Fase Inicial): Nos seus primeiros anos em Paris, experimentou a fragmentação geométrica, mas de uma forma mais suave e decorativa do que os seus contemporâneos.
- Realismo Mágico e Naïf: É frequentemente associada a um estilo "ingénuo" (naïf) sofisticado, com influências do mestre Henri Rousseau, mas com uma execução técnica muito mais refinada.
- Noucentisme: Em Espanha, a sua obra integrou-se no movimento catalão que privilegiava a ordem, a clareza e um retorno ao classicismo mediterrânico, mas sempre com um toque de fantasia.
Temas Centrais
O universo de Sacharoff é íntimo, poético e, por vezes, ligeiramente irónico:
- O Mundo Feminino: Retratos de mulheres, cenas domésticas e de lazer.
- Natureza e Animais: Pássaros, cavalos e cães são presenças constantes, muitas vezes coexistindo com figuras humanas em cenários idílicos.
- Naturezas-Mortas e Flores: Composições vibrantes que revelam o seu domínio da cor.
- Retratos de Grupo: Ficou famosa pelas suas cenas de "garden parties" e reuniões sociais, que capturavam a atmosfera da alta burguesia e da boémia intelectual.
Técnica e Estética
A técnica de Olga Sacharoff destaca-se pela delicadeza e pela atenção ao detalhe:
- Paleta de Cores: Evoluiu de tons frios e cinzentos (fase cubista) para uma explosão de cores pastéis, verdes suaves e rosas vibrantes na maturidade.
- Traço: Linhas finas e precisas que definem contornos claros, conferindo às suas figuras uma aparência quase de porcelana.
- Textura: Utilizava frequentemente o óleo e a aquarela, conseguindo transparências que davam leveza e uma aura onírica às suas telas.
Curiosidade: Olga era conhecida como a "pintora dos gatos", devido à sua enorme afeição por estes animais, que frequentemente apareciam como protagonistas ou observadores silenciosos nas suas pinturas.
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Rússia
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência
Adrian Borland - We are the night
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
The Jesus and Mary Chain - Here Comes Alice
Here she comes walking down the street
She's got something you would love to meet
It's her heart and her heart is black
Think of ice cream sliding into a crack
The heat sticks to summer's heavy sweat
Hang around it'll get hotter yet
You got the shakes and it's gonne get worse
Don't you know it's all a part of the curse
She's got the hit that takes you into space
Suck mud and make a deal for that taste
You got nothing but you're riding on a star
You couldn't guess that she could take you that far
Some things are so hard to say
Even though you'd say them every day
Don't let your life be the butt of a joke
Get your lips round a cool black Pepsi Coke
Here she come
Documentário - Côa Mais Selvagem (Wilder Côa)
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Rutura climática pode reduzir capacidade de terras para pastagem em 50% até 2100
Entre um terço e 50% das terras que têm hoje condições favoráveis para pastagens vão perder essa capacidade até 2100, devido ao aumento da temperatura, concluiu um estudo do Instituto de investigação de Potsdam sobre as alterações climáticas (PIK).
Esta atividade consiste em criar animais, como vacas, cabras e ovelhas, em espaços naturais, pradarias, na sua maioria, que cobrem cerca de um terço da superfície terrestre.
Até agora, estes sistemas agrícolas têm prosperado dentro de intervalos de temperatura (entre 3ºC negativos e 29°C), de precipitação (entre 50 e 2627 milímetros por ano), de humidade (de 39% a 67%) e velocidade do vento (entre um metro e seis metros por segundo).
É o que o estudo, publicado hoje na revista PNAS, chama “um espaço climático seguro”.
Mas, com a rutura climática global, estes parâmetros podem mudar e inutilizar um espaço de pastagem.
“As alterações climáticas vão reduzir os espaços onde a pastagem pode prosperar, comprometendo práticas agrícolas que existem desde há séculos”, disse Maximilian Kotz, co-autor do estudo e investigador do PIK e do Barcelona Supercomputing Center.
Segundo o cenário analisado, o estudo estima que entre 100 milhões a 400 milhões de pastores e criadores de gado podem ser afetados, bem como até 1,6 milhões de animais. O estudo estima que entre 51% e 81% das populações residem em países com fraco rendimento.
“É importante sublinhar que numerosas mudanças vão ser sentidas em países que já sofrem fome, instabilidade económica e política e níveis muito elevados de desigualdade de género”, realçou o autor principal, Chaohui Li, investigador do PIK na altura da realização do estudo e hoje no Barcelona Supercomputing Center.
A África é particularmente vulnerável e pode perder de 16% a 65% das suas pradarias, segundo a gravidade do cenário considerado.
As temperaturas no continente africano já se situam no limite do “espaço climático seguro”.
Estas conclusões, que em certos casos preveem o desaparecimento puro e simples de algumas pastagens, colocam em questão “a eficácia das estratégias de adaptação (…), como as mudanças de espécies ou a migração de rebanhos”, disse Prajal Pradhan, investigador do PIK e professor na Universidade de Groningue.
“Reduzir as emissões, através do afastamento rápido os combustíveis fósseis é a melhor estratégia de que dispomos para minimizar estes estragos potencialmente existenciais para a criação de gado”, concluiu Chaohui Li.
Segundo a agência da ONU para a alimentação e a agricultura, 26% da superfície terrestre e 70% da superfície agrícola estão cobertos de pradarias, que contribuem para a subsistência de mais de 800 milhões de pessoas
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Rival Consoles - Untravel
O artista Rival Consoles (nome artístico de Ryan Lee West) é de nacionalidade britânica. Ele nasceu em 10 de novembro de 1985 Leicester e reside atualmente em Londres, na Inglaterra.
Misha Shyukin nascido na Letónia e actualmente vive na Alemanha é um artista visual e diretor que trabalha principalmente nas áreas de animação 3D e motion graphics.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
She Keeps Bees - Radiance
Os discurso desumano e tácito de André Ventura e o discurso empático e democrático de António José Seguro
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Mais umbigos que cabeças
This Incredible Map Tool Reveals Just How Much the Mercator Map Distorts the World [aqui]
Os provérbios são a nossa enciclopédia de bolso, e quando acordamos para o dia com as más notícias do dia anterior convém saber que "deus é grande e o mundo é pequeno". Tão pequeno que cabe num guardanapo. Era esse mesmo o significado que o latim atribuía à palavra mapa, sinónimo de toalha, lenço ou trapo. E era também mapa que chamavam ao pedaço de lona que, no silêncio expectante do circo, dava o sinal de largada para as corridas de bigas, também utilizadas como carros de guerra, como se aqueles cavalos fossem galopar pelos confins, a galgar fronteiras. Foi na superfície dessas telas que os romanos desenharam os limites do universo conhecido.
Os mapas retratam o melhor e o pior da nossa espécie: a curiosidade sôfrega e inquieta, a fome de descoberta, mas também vaidade agressiva e a sede de conquista e dominação. Os mapas fascinam porque contam histórias e revelam paixões. Mas são também os mapas que constroem nossa visão do mundo. As razões pelas quais o Norte nos aparece sempre virado para cima não são científicas, mas estratégicas e até ideológicas: o alto tem conotações positivas, enquanto o baixo é menosprezado. Associamos a pobreza aos países do Sul e a prosperidade aos países do Norte. A famosa imagem da Terra obtida pela Apollo 17, em 1972 -aquela bola azul, em forma de berlinde - foi rodada para efeitos de publicação, pois só sabemos ler o planeta posicionado dessa forma. No entanto, durante séculos o Leste costumava ocupar a posição superior, porque a luz vem do Oriente, lá onde nasce o dia.
Os mapas contam verdades, mas também algumas mentiras. São atlas das mentalidades, medos e ambições das sociedades que os inventaram. Todos sabemos que a terra é aquela bola redondinha, mas a projeção cartográfica mais utilizada ainda hoje, conhecida como Mercator, esconde distorções interessadas. Tão interesseiras como aquela que, em Tordesilhas, levou o nosso D. João II a reclamar como limites da expansão portuguesa as 360 léguas para lá de Cabo Verde. Foi esse desvio no meridiano do mapa do Tratado que permitiu a Portugal explorar as terras onde hoje se encontra o Brasil. Vistos daqui, os mapas-múndi que navegamos com a ponta dos dedos retratam um Ocidente enorme e central, sobredimensionado num hemisfério Norte que ocupa dois terços e relega o Sul a um minúsculo terço inferior. Não é essa, porém, a visão dos mapas que se estudam nas escolas orientais, onde a China e o Japão ocupam posição central, ou nas australianas onde os mapas retratam o nosso mundo de pernas para o ar.
Desde que se começámos a traçar geografias em guardanapos, tendemos a acreditar que somos e estamos no centro do mundo. Ao longo da história, muitos povos sofreram dessa miragem imprópria para habitantes de um planeta esférico. Segundo os gregos antigos, Zeus soltou duas águias nos confins do universo para saber onde ficava o centro da Terra. Inevitavelmente, as aves encontraram-se em Delfos, lugar marcado para a posteridade na pedra oval a que chamaram de "omphalus", ou seja, umbigo - da mesma forma que os chineses da época se julgavam o "império do meio". Ambos acreditavam ser o núcleo cartográfico do Universo e a única cultura civilizada, cada qual a julgar-se no epicentro de tudo. E talvez seja por isso que o mundo ainda tem mais umbigos do que cérebros. O delírio megalómano tem muitas vezes cinzelado geografias a golpes de invasão, guerra e dominação, em nome de purezas remotas e nações triunfantes. A história prova, porém, que pensamento e ciência resultam do cruzamento dos povos, em rotas de viagens, encontros e trocas. Na verdade, aprendemos sobre nós mesmos quando ousamos olhar outras paisagens e ouvir outras vozes. Só os outros nos dizem quem somos.
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domingo, 8 de fevereiro de 2026
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Chegou a hora de repor a permeabilidade do solo nas nossas cidades
Porquê?
1. Redução do risco de inundações e gestão das águas pluviais.
As superfícies impermeáveis impedem que a água da chuva se infiltre no solo. Em vez disso, a água escoa rapidamente para o sistema de drenagem, muitas vezes sobrecarregando os sistemas durante chuvas intensas.
Repermeabilizar o solo:
- Diminui o escoamento superficial;
- Permite que a água se infiltre e recarregue o lençol freático;
- Reduz as inundações superficiais e o transbordo de esgotos, que infelizmente muitas vezes também recebem àguas pluviais.
Isto é cada vez mais crucial à medida que os eventos de chuva intensa se tornam mais frequentes, uma tendência destacada nas avaliações climáticas urbanas globais.
2. Arrefecimento das cidades e redução das ilhas de calor urbanas.
As superfícies impermeáveis absorvem e irradiam calor, intensificando o efeito de ilha de calor urbana. Superfícies permeáveis e com coberto vegetal:
- Retêm a humidade, permitindo o arrefecimento evaporativo;
- Reduzem as temperaturas da superfície e do ar ambiente;
- Melhoram o conforto térmico nas ruas e espaços públicos.
3. Recuperação do ciclo urbano da água e recarga dos aquíferos.
Quando as cidades estão totalmente impermeabilizadas:
- Os níveis das águas subterrâneas diminuem;
- A vegetação urbana torna-se dependente da rega;
- As cidades tornam-se mais vulneráveis às secas.
Os solos permeáveis ajudam a reconectar a água da chuva com os ciclos hidrológicos naturais, melhorando a segurança hídrica a longo prazo, o que é especialmente importante em cidades com escassez de água.
4. Apoio à biodiversidade urbana e à saúde do solo.
Solos saudáveis abrigam microrganismos, insetos e raízes de plantas.
Permeabilizar o solo e design permeável:
- Melhoram a respiração e a fertilidade do solo;
- Permitem que as árvores urbanas desenvolvam raízes mais profundas e fortes, mais resistentes às intempéries;
- Apoiam polinizadores e habitats urbanos.
5. Equidade, habitabilidade e ordenamento do território
Em muitas cidades:
- Os antigos aglomerados urbanos estão localizados em zonas sujeitas a inundações e com deficiente drenagem;
- Soluções de engenharia são hoje fundamentais para resolver os problemas do passado, mas não se pode estar atualmente criar novos problemas resultantes de um mau planeamento.
As abordagens permeáveis e baseadas na natureza (valas de infiltração, drenagem com vegetação, pátios permeáveis) são:
- Mais baratas e adaptáveis;
- Mais fáceis de serem concebidas em conjunto com as comunidades.
6. De que forma a permeabilização se parece na prática:
- Pavimentos e áreas de estacionamento permeáveis;
- Permeabilização de passeios, pátios escolares e espaços subutilizados;
- Jardins de chuva, valas de infiltração e trincheiras de infiltração;
- Árvores urbanas com solos estruturais;
- Recuperação de ribeiros naturais ou cursos de água sazonais.
Fonte: "WUF13 Urban Expo"
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