sábado, 14 de fevereiro de 2026

Dia do Amor - Handel: Dove sei, amato bene (Rodelinda)



Sobre a Ópera Rodelinda

Dove sei, amato bene!
Vieni, l’alma a consolar

Sono oppresso da’ tormenti
ed i crudeli miei lamenti
sol con te posso bear.

Dove sei... 

Tradução
Onde estás, amado!
Vem, consola a minha alma.

Estou oprimido por tormentos,
e os meus cruéis lamentos
só contigo posso suportar.

Onde estás...

Esta é uma das árias mais belas e emocionantes de George Frideric Handel. Ela faz parte da ópera Rodelinda, estreada em 1725, em Londres.

Aqui está o contexto dramático e a tradução para ajudar você a sentir a profundidade da obra:

O Contexto na Ópera Rodelinda
A ária é cantada por Bertarido, o rei deposto de Milão. Todos acreditam que ele morreu no exílio, inclusive a sua esposa, a rainha Rodelinda.

Neste momento (Ato I, Cena VI), Bertarido retorna disfarçado e vê seu próprio monumento fúnebre erguido pela rainha. Ele está escondido, observando de longe o sofrimento da sua amada, sentindo a dor da separação e a solidão de ser um "fantasma" em seu próprio reino. É um momento de extrema vulnerabilidade e melancolia.

1. Mais sobre Georg Friedrich Händel
2. Cantada por Jakub Józef Orliński
3. Dia de S.Valentim. Dias dos Namorados. Dia do Amor

Feliz Dia do Amor - Jakub Józef Orliński sings "L'amante consolato"


Son tanto ito cercando
che pur alfin trovai
colei che desiai
duramente penando,
Oh questa volta sì ch'io non m'inganno,
s'io non godo mio danno!

Son tali quei contenti
che pur alfin io provo
che tutto mi rinovo
doppo lunghi tormenti.
Ma tutti com'io fo far non sapranno
chi non gode suo danno.


English
I searched for so long
that I finally found
the one that I desired,
after rigorous suffering.
Oh, this time let me not fool myself,
let me not be rejoicing in my own downfall.

The delights that I feel
at last are such
that everything renews me,
after prolonged agony.
But not everyone would be able to do as I do,
not being able to rejoice in their own downfall.

A epidemia invisível dos ultraprocessados


Nas prateleiras dos supermercados, embalagens coloridas prometem conveniência, sabor imediato e preços acessíveis. Mas por detrás dessa sedução industrial esconde-se uma ameaça que a ciência tem vindo a estudar e não permite ignorar. Um estudo internacional publicado na The Lancet, assinado por 43 especialistas de vários países, revela que os alimentos ultraprocessados não são apenas "menos saudáveis” são agentes ativos de doença, com impacto mensurável em praticamente todos os órgãos humanos.

Os números impressionam. Em países como EUA, Reino Unido e Austrália, metade das calorias ingeridas diariamente provém de ultraprocessados. Snacks embalados, refrigerantes, refeições prontas e cereais artificiais tornaram-se rotina, substituindo alimentos frescos e minimamente processados. O estudo identificou mais de 30 associações distintas entre o consumo destes produtos e doenças crónicas: obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares, depressão e mortalidade precoce.

Mas o alerta vai mais longe. Não se trata apenas de calorias vazias ou excesso de açúcar. Os investigadores descrevem um efeito sistémico: fígado, rins, coração e cérebro mostram sinais de impacto direto. A combinação de aditivos, emulsionantes e processos industriais altera a forma como o corpo metaboliza os alimentos, criando uma espécie de “nova biologia alimentar” que fragiliza o organismo.

Esperar por "provas perfeitas" é repetir erro histórico
A comparação com o tabaco é inevitável. Tal como aconteceu no século XX, as empresas recorrem a marketing agressivo, lobbying político e estratégias de influência para atrasar regulamentações. A The Lancet avisa: esperar por “provas perfeitas” seria repetir o erro histórico de deixar que um produto nocivo se enraizasse ainda mais nas dietas globais.

O estudo não se limita à ciência. Aponta também para a política e para a desigualdade social. Os ultraprocessados são mais consumidos em comunidades vulneráveis, onde o preço e a conveniência pesam mais do que a qualidade nutricional. A crise é, portanto, dupla: sanitária e social.

​​De acordo com os inquéritos nacionais analisados pelos investigadores da série publicada na The Lancet, a presença destes produtos na dieta das famílias aumentou de forma expressiva nas últimas décadas. Em Espanha, por exemplo, a proporção de energia proveniente de ultraprocessados nas compras alimentares quase triplicou, passando de cerca de 11% para 32%. Na China, o salto foi igualmente significativo, de 4% para 10% em apenas 30 anos. A tendência repete-se na América Latina: no México e no Brasil, a contribuição energética dos ultraprocessados duplicou em 40 anos, evoluindo de 10% para 23%.

A análise mostra ainda que a proporção destes produtos na ingestão energética total varia de acordo com fatores económicos e culturais. Nos países do Sul da Europa com maior rendimento, como Portugal, Itália, Chipre e Grécia, e em algumas economias asiáticas, como Taiwan e Coreia do Sul, os ultraprocessados representam menos de um quarto da dieta. Já em nações como Austrália e Canadá, essa percentagem ultrapassa os 40%, enquanto no Reino Unido e nos EUA chega a superar metade da energia diária consumida.

Desafio não é só individual
Os especialistas pedem medidas urgentes: legislação forte, rotulagem clara com alertas visíveis, promoção ativa de dietas frescas e acessíveis e políticas públicas que enfrentam desigualdades. Para além da transparência informativa, defendem também regras mais apertadas no campo do marketing, sobretudo no que toca à publicidade dirigida a crianças e à difusão em plataformas digitais. Entre as medidas propostas está ainda a exclusão de alimentos ultraprocessados de instituições públicas, como escolas e hospitais, e a definição de limites tanto para a sua comercialização como para o espaço que ocupam nas prateleiras dos supermercados.

O desafio é global e não pode ser resolvido apenas com escolhas individuais. No fundo, o que este estudo revela é uma verdade desconfortável: os ultraprocessados são um motor silencioso da crise de saúde contemporânea. A sua omnipresença nas mesas e prateleiras representa uma ameaça comparável às epidemias de tabaco e álcool do século passado. A diferença é que, desta vez, a ciência chega cedo e clara. Falta saber se a política terá coragem de colocar a saúde antes do lucro.

A Ancestralidade das Florestas

"O tempo aqui não avança,
ele se enraíza profundamente.
Um segredo guardado
nas cascas grossas das árvores,
onde a seiva é o sangue antigo
que batiza a terra,
um leito de folhas caídas,
de ossos esquecidos,
de águas que guardam o passado.

Vastidão antiga,
onde cada tronco retorcido
é um ancestral que observa,
e cada sombra,
um refúgio místico e quieto.

As copas tocam o céu numa prece silenciosa,
tecem redes de um verde que desafia os milénios.
A terra, em sua paciência densa e rude,
conhece o ciclo,
sabe que tudo, um dia, retornará a ela.

É um diálogo invisível,
tecido pelos micélios,
fios sutis sob o tapete do chão.
Aqui, não há o novo nem o velho,
apenas a eterna, a viva pulsação
que conecta tudo.

Respirar esta mata
é sorver a memória,
a essência de quem já foi bicho,
de quem foi vento que soprou,
de semente que germinou.
A floresta não narra a nossa história;
ela nos sonha,
sem interrupção,
eternamente."

João Soares, 14.02.216

Armand Amar - Save Us


La terre vue du ciel (Original Motion Picture Soundtrack)
Armand Amar
2004 - Long Distance

Yann Arthus-Bertrand - La Terre vue du ciel 2006 - Partie 1
Yann Arthus-Bertrand - La Terre vue du ciel 2006 - Partie 2

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Future Islands - Ran


Ingest, where it goes, nobody sees but me
So perfect and so sweet
But the rest, feels incomplete
Like the rabbit's foot I keep
In the locket, with no key

And I can't take it, I can't take this world without
This world without you
I can't take it, I can't take it on my own
On my own

[Refrão]
On these roads
Out of love, so it goes
How it feels when we fall, when we fold
How we lose control, on these roads
How it sings as it goes
Flight of field, driving snow
Knows the cold

Ran round the wailing world

And what's a song without you?
When every song I write is about you
When I can't hold myself without you
And I can't change the day I found you

[Refrão]

A Dor da Perda e a Jornada Solitária em 'Ran', lançada em 2017, presente no álbum  The Far Field
A música 'Ran' da banda Future Islands é uma profunda exploração da dor da perda e da solidão. A letra começa com uma reflexão sobre algo precioso e doce, mas que, sem a presença de uma pessoa amada, se torna incompleto. A metáfora do 'pé de coelho' guardado num medalhão sem chave sugere um talismã de sorte que perdeu seu significado, simbolizando a ausência de alguém essencial para a completude do eu lírico.

O refrão expressa a incapacidade de enfrentar o mundo sem essa pessoa, destacando a dependência emocional e a sensação de desamparo. A repetição de 'I can’t take it, I can’t take this world without you' reforça a intensidade do sentimento de perda e a dificuldade de seguir em frente sozinho. A música também aborda a jornada emocional em 'these roads', que pode ser interpretada como os caminhos da vida, onde o amor se perde e o controle é difícil de manter.

A letra também questiona o valor da arte sem a musa inspiradora, refletindo sobre a criação artística e a importância da pessoa amada como fonte de inspiração. A repetição de 'out of love, so it goes' sugere uma aceitação resignada da realidade dolorosa. A imagem do 'flight of field, driving snow' e 'knows the cold' evoca um cenário desolado e frio, simbolizando a solidão e a tristeza que acompanham a perda. 'Ran' é, portanto, uma canção que captura a essência da dor da perda, a luta para encontrar sentido e a jornada solitária que se segue.

Cheias no Baixo Mondego: não nos atirem Girabolhos para os olhos




Desenterrou-se agora o projecto da barragem de Girabolhos e atirou-se ao espaço público como solução milagrosa, tardia mas redentora, para um problema complexo: as cheias do Baixo Mondego. Esta, diga-se já, é uma solução intelectualmente desonesta, tecnicamente errada, financeiramente pesada e politicamente estúpida.

Por piada — mas apenas por piada — poderia dizer que, se a garantia de controlo das cheias é feita por um Governo cujo líder, Luís Montenegro, parece acreditar que os caudais do Mondego se regularizam com telefonemas para Madrid, quando toda a bacia hidrográfica se encontra no nosso país, talvez fosse mais eficaz fazer promessas e ir a Fátima.

Mas este não é um assunto para sarcasmos fáceis. Custa dinheiro público, cria expectativas infundadas e, no fim, entrega apenas soundbites de acção governativa. A ciência, porém, não se governa por conferência de imprensa. 

Convém começar pelo princípio. O Baixo Mondego é, historicamente, uma zona susceptível a inundações. Sempre foi. Durante séculos, as cheias sazonais faziam parte do regime natural da região e, mesmo sendo uma calamidade, contribuíam para a fertilidade agrícola dos campos. Foi para domesticar esse comportamento que, a partir das décadas de 1970 e sobretudo de 1980, se avançou com grandes obras de regularização hidráulica: diques longitudinais (para aumentar a capacidade de encaixe de caudais sem inundação adjacente), canais, rectificações e barragens.

Entre estas, destacam-se as barragens da Aguieira e do Raiva, que entraram em exploração nos anos 80 e reduziram de forma clara a frequência e a severidade das inundações a jusante. Isto é um facto histórico e técnico, não uma opinião.

Não foi aí que “algo falhou”. Pelo contrário: durante décadas, o sistema funcionou de acordo com os objectivos para que foi concebido. Também não é sério atribuir as cheias actuais a uma alegada pluviosidade excepcional. Conforme destaca Paulo Fernandes, professor da Universidade de Trás-os-Montes, os dados são claros: Janeiro de 2026 foi apenas o 11.º mês de Janeiro mais chuvoso desde 1940 na série de Coimbra. Não estamos, assim, perante um episódio extremo em termos históricos.

Quando há cheias significativas sem precipitação recorde, o problema raramente está no céu; está quase sempre na bacia.
E é aqui que o debate se torna incómodo e nos remete para o Verão passado — e por isso mesmo politicamente evitado: os incêndios rurais.

Nos últimos anos, e de forma particularmente intensa em 2025, vastas áreas da bacia hidrográfica do Mondego, sobretudo no alto curso e em sub-bacias críticas, foram devastadas por incêndios florestais de grande dimensão. Na bacia do Mondego, na Serra da Estrela e zonas de cabeceira e vertentes declivosas arderam como há muito não se via. Em Agosto houve um incêndio iniciado em Arganil que devastou mais de 65 mil hectares de áreas florestais e de matos; na região de Trancoso, outro que dizimou quase 47 mil hectares. Do ponto de vista hidrológico, isto não é um detalhe: é uma alteração estrutural do comportamento da bacia.

Solos queimados perdem cobertura vegetal, reduzem, de forma drástica, a infiltração, tornam-se mais susceptíveis à erosão e aceleram o escoamento superficial. O tempo de concentração da água encurta; os picos de cheia tornam-se mais rápidos e mais altos; o transporte de sedimentos aumenta, assoreando linhas de água e reduzindo a capacidade hidráulica dos canais. Tudo isto está documentado há décadas na literatura científica. E tudo isto ocorre quer se construa ou não mais uma barragem a montante.

Chegados aqui, importa desmontar o mito central: o que mudaria, na realidade, a barragem de Girabolhos? Do ponto de vista técnico, a resposta é muito menos impressionante do que o discurso político sugere. Girabolhos regularizaria apenas uma fracção limitada da bacia do Mondego — abarcará uma área de drenagem de apenas 980 km², cerca de 15% quer da área total contributiva quer do escoamento total anual.

Não estamos a falar, portanto, de uma albufeira com capacidade para controlar todo o sistema; estamos a falar de uma infra-estrutura que interceptaria uma pequena parte do escoamento a montante, deixando intactos contributos significativos de sub-bacias a jusante e de afluentes críticos.

Além disso, mesmo a regularização inter-anual proporcionada por Girabolhos não elimina cheias em cenários de precipitação concentrada ou de resposta rápida da bacia — precisamente aqueles que os incêndios tornam mais prováveis. As barragens não “absorvem” cheias por decreto: têm limites operacionais, volumes já ocupados antes das chuvas invernais (ainda mais se o uso predominante for hidroeléctrico), regras de exploração e constrangimentos de segurança. Em certos contextos, podem até agravar picos a jusante se forem obrigadas a descarregar.

Dizer, portanto, que Girabolhos “resolveria” as cheias do Baixo Mondego é vender uma solução simples para um problema que deixou de ser simples há muito. É ignorar a degradação do território, a política florestal errática, a ausência de gestão integrada da bacia e a incapacidade crónica de lidar com as consequências hidrológicas dos incêndios. E, em suma, é preferir betão a planeamento, obra visível a intervenção estrutural, fotografia de capacete a políticas de gestão do solo.

Nada disto significa que o debate sobre Girabolhos seja ilegítimo. Pode discutir-se a sua utilidade para armazenamento, para regularização de caudais em certos cenários, para produção energética ou para abastecimento. Aquilo que não se deve fazer é instrumentalizar a barragem como resposta automática a cheias que têm causas múltiplas e bem identificadas. E a imprensa engolir

Apesar do que diz o Governo, a barragem de Girabolhos “não será relevante para o controlo de cheias”


Na passada quarta-feira, depois de um dique no Mondego ter rompido, o Governo anunciou a “luz verde” para o concurso da barragem de Girabolhos. O Ministério do Ambiente disse que se trata de um projeto estruturante “com objetivos de controlo e mitigação de cheias”, mas as posições dos especialistas não corroboram essa posição.

À RTP Notícias, o hidrobiólogo Adriano Bordalo de Sá, investigador da Universidade do Porto que é defensor da construção dessa barragem, desmente a ligação entre essa estrutura e o controlo de cheias, explicando que “essa barragem não fica sequer perto do Baixo Mondego”.

“Para este controlo das cheias [a barragem] não é propriamente relevante. Ela está muito longe desta zona que é sistematicamente afetada por problemas estruturais do planeamento feito no passado”, disse o hidrobiólogo. “Não terá a influência que alguns políticos, porque foram informados incorretamente, pensam que poderá ter”.

Algumas narrativas lançadas na comunicação social procuram ligar a construção da barragem de Girabolhos à gestão de cheias. É o caso da notícia publicada pelo Jornal Económico, que diz que esta barragem “podia ter evitado cheias no Mondego está na gaveta há 20 anos”, acusando a 'geringonça' de cancelar o projeto. O ex-ministro Carmona Rodrigues foi mais longe e acusou o Bloco de Esquerda de ter incluído nas condições para apoiar o governo de António Costa em 2015 não se avançar com a construção desta barragem. Uma acusação que Catarina Martins, então coordenadora do partido, desmentiu à Rádio Renascença, afirmando que desses acordos não constava a barragem que na altura era contestada pelas populações e autarquias.

Na verdade, segundo o ex-deputado e ministro socialista João Galamba, a barragem de Girabolhos não andou para a frente por vontade da Endesa. Mas para além disso, a concessão da própria barragem não incluía a gestão de cheias, como a previsão do aproveitamento de Girabolhos não prevê também. Para a gestão de cheias, importa mais o projeto hidroagrícola do Baixo Mondego, que enfrenta falhas estruturais associadas aos principais problemas de gestão de água do Mondego.


A conclusão da obra hidroagrícola do Baixo Mondego, que poderia prevenir as cheias, foi mesmo levada a votação na Assembleia da República no Orçamento do Estado para 2025, tendo sido chumbada com os votos contra do PSD, CDS e IL, e com as abstenções do Partido Socialista e do Chega.

Bev Jozwiak - "Crow Bar" (2012)


Bev Jozwiak (aquarelista "rebelde" dos EUA, nascida em 1953)

Bev Jozwiak é uma das aquarelistas mais conceituadas da atualidade, conhecida por um estilo que equilibra perfeitamente o rigor técnico com uma liberdade expressiva quase "rebelde".

Estilo: 
Realismo Contemporâneo com um toque impressionista. O seu trabalho é marcado pelo "loose style" (estilo solto), onde o foco não é a perfeição fotográfica, mas a energia da pincelada.

Temas: 
Figuras humanas (especialmente crianças e dançarinos), animais (corvos e garças são recorrentes) e cenas do quotidiano.

Técnicas: 
Versatilidade de Materiais: aquarela, acrílico, guaches, óleo 
O que torna o trabalho de Jozwiak único é a sua recusa em "domar" a aquarela. Ela é famosa por:
  1. Pinceladas diretas - ela raramente faz esboços detalhados a lápis. Prefere pintar diretamente, o que mantém a frescura da cor.
  2. Uso de "mistura no papel" - em vez de misturar todas as cores na paleta, ela permite que os pigmentos se encontrem e criem gradientes naturais diretamente na folha molhada.
  3. Espessura da tinta- ela desafia a regra da aquarela ser sempre transparente, usando pigmentos bem saturados e, às vezes, toques de guache para realces.
  4. Equilíbrio entre caos e ordem- as suas pinturas geralmente têm áreas de detalhe muito precisos (como os olhos de um retrato) cercadas por manchas de tinta escorrendo e bordas perdidas.

Placebo - Exit Wounds


[Verse 1]
In the arms of another who doesn't mean anything to you
There's nothing much to discover
Does he shake, does he shiver as he sidles up to you
Like I did in my time?

[Verse 2]
As you wake does he smother you in kisses long and true?
Does he even think to bother?
And at night under covers as he's sliding into you
Does it set your sweat on fire?

[Chorus]
Want you so bad I can taste it
But you're nowhere to be found
I'll take a drug to replace it
Or put me in the ground

[Verse 3]
In the arms of another who doesn't mean anything to you
Do you lose yourself in wonder?
If I could, I would hover while he's making love to you
Make it rain as I cry...

[Chorus]
Want you so bad I can taste it
But you're nowhere to be found
I'll take a drug to replace it
Or put me in the ground

[Instrumental Break]

[Chorus]

[Outro]
Put me in the ground

Dor e obsessão após o término em “Exit Wounds” do Placebo
A música “Exit Wounds”, do álbum Loud Like Love (2013) do Placebo aborda de forma direta o sofrimento causado pelo amor não correspondido, especialmente quando o ex-parceiro já está envolvido com outra pessoa. Um ponto central da letra é o desejo do eu lírico de presenciar, como um espectador invisível, a intimidade do novo casal. Isso fica claro nos versos: “If I could, I would hover / While he's making love to you / Make it rain as I cry” (Se eu pudesse, eu pairaria / Enquanto ele faz amor com você / Faria chover enquanto eu choro). Essa imagem reforça o sentimento de impotência e obsessão, mostrando que a dor não vem só da perda, mas também da incapacidade de se desligar emocionalmente.

Entrevistas e análises apontam que Brian Molko, vocalista e compositor, constrói a letra de forma ambígua, permitindo diferentes interpretações, mas sempre centradas num sofrimento intenso. O protagonista oscila entre o desejo (“Want you so bad I can taste it” – Quero tanto você que posso sentir o gosto) e a busca desesperada por alívio, seja por meio de drogas ou até mesmo da morte (“I'll take a drug to replace it / Or put me in the ground” – Vou tomar uma droga para substituir isso / Ou me coloque debaixo da terra). Essa dualidade entre fuga e autodestruição é uma marca do Placebo e, nesta faixa, é intensificada pela sonoridade electrónica, que contribui para o clima de alienação e desespero. “Exit Wounds” retrata não só a dor do fim de um relacionamento, mas também a dificuldade de seguir em frente quando a ausência do outro se torna insuportável.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Blood Orange - The Field


Feel it every day
And the sun keeps you warm

Hard to let you go
See you and I know
Why it's always grey
(It's always grey, it's always)
Hard to let you go
Healthy as we pray (yeah)
For a journey home (for a journey home)
For a

Sing to me
In the heat of the sun
In the heat of the sun
And sing to me
Sing to me
When the day is done
The day is done
Sing to me

Hard to let you go (hard to let you go)
See you and I know why it's always grey
Why it's always grey (hard to let you go, and sing to me)
Hard to let you go
Healthy as we pray
For a journey home (home)

Sing to me
In the heat of the sun
And sing to me
When the day is done

Sing to me
In the heat of the sun
And sing to me (oh)
When the day is done
(In the end of day)

"The Field (feat. The Durutti Column, Tariq Al-Sabir, Blood Orange & Caroline Polachek)", de Daniel Caesar, transforma a imagem de um campo rural em um espaço simbólico de refúgio emocional e saudade. O verso “Hard to let you go / See you and I know why it's always grey” (“Difícil deixar você ir / Vejo você e entendo por que está sempre cinza”) mostra como a ausência de alguém querido traz uma melancolia constante ao quotidiano. Essa ideia é reforçada por Dev Hynes (Blood Orange), que descreveu a faixa como uma canção sobre “aqueles que sentimos falta quando fechamos os olhos”.

O pedido repetido “Sing to me” (“Cante para mim”) funciona como um apelo por conforto e conexão, sugerindo que a música e a memória ajudam a suavizar a dor da ausência. O sample de “Sing to Me”, do The Durutti Column, intensifica o clima nostálgico e contemplativo da faixa. A colaboração entre artistas de estilos diferentes enriquece a emoção da música, trazendo diferentes perspectivas sobre perda e esperança. A menção ao “journey home” (“jornada para casa”) pode ser entendida tanto como o desejo de reencontrar alguém quanto como uma busca interna por paz. Assim, “The Field” constrói uma narrativa sensível sobre lidar com a tristeza, encontrando consolo nas lembranças e no ambiente sereno do campo.

Relatório aponta aumento da mortalidade pelo calor extremo na Galiza e norte de Portugal


Cidades da região espanhola da Galiza e do norte de Portugal têm registado um excesso de mortalidade, em alguns casos até 60%, como consequência do calor extremo, segundo um relatório do Eixo Atlântico divulgado na quarta-feira.

Esta investigação, apresentada pela organização em Pontevedra, revela que cidades como o Porto, Viana do Castelo, Ourense, Braga, Guimarães e Lugo registaram entre 50% e 60% de excesso de mortalidade durante períodos de altas temperaturas.

O estudo, liderado por Francesc Cárdenas, diretor da Agência de Ecologia Urbana do Eixo Atlântico, propõe que se preste “especial atenção” à conceção dos espaços públicos e à integração da saúde em todos os processos de planeamento urbano e territorial.

Cárdenas indicou que é necessário promover uma “cultura do calor”, que inclua a adaptação das cidades, a criação de refúgios climáticos e a elaboração de planos de ação para as ondas de calor, de forma a proteger os cidadãos.

Argumentou ainda que “padrões mais rigorosos” para a qualidade do ar e o controlo do ruído devem ser implementados para melhorar a saúde ambiental e humana nas cidades.

“Precisamos de uma mudança cultural”, enfatizou o diretor do relatório, que indicou que 80% dos fatores que influenciam a saúde humana dependem do planeamento urbano.

O documento salienta que o limite crítico de 1,5 graus Celsius de aquecimento global já foi ultrapassado em 2024, o que exige ações com “microcirurgia urbana”.

Neste sentido, o relatório inclui também boas práticas como os corredores ecológicos de A Coruña, as rotas escolares seguras e as zonas de baixas emissões de Pontevedra, a via verde de Vigo e as rotas termais de Ourense.

Vázquez Mao insistiu que as câmaras municipais devem decidir “como e onde construir” para garantir que as novas áreas residenciais não se tornam blocos habitacionais sem vida e insalubres.

Olga Sacharoff

                        "Mulher apoiada na mesa" (1915)

Olga Sacharoff (1889–1967) foi uma figura singular na cena artística do século XX, servindo como uma ponte cultural entre a vanguarda russa e o espírito boémio de Paris e Barcelona.

Biografia Resumida
Nascida em Tbilisi (Geórgia), então parte do Império Russo, Olga estudou Belas-Artes em Tbilisi antes de se mudar para Munique em 1910, onde absorveu o expressionismo alemão. Em 1911, fixou-se em Paris, tornando-se parte ativa da "Escola de Paris" em Montparnasse.
Com o eclodir da Primeira Guerra Mundial, refugiou-se em Barcelona com o marido, o pintor Otho Lloyd. Embora tenha retornado a Paris nos anos 20, a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial levaram-na a estabelecer-se definitivamente na Catalunha, onde se tornou uma figura central nos círculos intelectuais até à sua morte.

Estilos e Evolução
A obra de Sacharoff é marcada por uma transição fluída entre correntes, mantendo sempre uma identidade muito pessoal:
  1. Cubismo e Futurismo (Fase Inicial): Nos seus primeiros anos em Paris, experimentou a fragmentação geométrica, mas de uma forma mais suave e decorativa do que os seus contemporâneos.
  2. Realismo Mágico e Naïf: É frequentemente associada a um estilo "ingénuo" (naïf) sofisticado, com influências do mestre Henri Rousseau, mas com uma execução técnica muito mais refinada.
  3. Noucentisme: Em Espanha, a sua obra integrou-se no movimento catalão que privilegiava a ordem, a clareza e um retorno ao classicismo mediterrânico, mas sempre com um toque de fantasia.
Temas Centrais
O universo de Sacharoff é íntimo, poético e, por vezes, ligeiramente irónico:
  1. O Mundo Feminino: Retratos de mulheres, cenas domésticas e de lazer.
  2. Natureza e Animais: Pássaros, cavalos e cães são presenças constantes, muitas vezes coexistindo com figuras humanas em cenários idílicos.
  3. Naturezas-Mortas e Flores: Composições vibrantes que revelam o seu domínio da cor.
  4. Retratos de Grupo: Ficou famosa pelas suas cenas de "garden parties" e reuniões sociais, que capturavam a atmosfera da alta burguesia e da boémia intelectual.
Técnica e Estética
A técnica de Olga Sacharoff destaca-se pela delicadeza e pela atenção ao detalhe:
  1. Paleta de Cores: Evoluiu de tons frios e cinzentos (fase cubista) para uma explosão de cores pastéis, verdes suaves e rosas vibrantes na maturidade.
  2. Traço: Linhas finas e precisas que definem contornos claros, conferindo às suas figuras uma aparência quase de porcelana.
  3. Textura: Utilizava frequentemente o óleo e a aquarela, conseguindo transparências que davam leveza e uma aura onírica às suas telas.
Curiosidade: Olga era conhecida como a "pintora dos gatos", devido à sua enorme afeição por estes animais, que frequentemente apareciam como protagonistas ou observadores silenciosos nas suas pinturas.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência


Neste Dia recordamos que a ciência não é apenas uma busca de conhecimento; é uma força poderosa para moldar um futuro melhor. Acredito que a ciência deve promover, com audácia, a descoberta fundamental, impulsionar a inovação transformadora e converter o conhecimento em soluções que reforcem o bem-estar humano, ao mesmo tempo que protegem o nosso planeta.

Para cumprir esta missão, a ciência deve incorporar os mais elevados padrões de integridade, responsabilidade pública e responsabilidade social. A confiança, a transparência e o rigor ético são essenciais para que o progresso científico sirva verdadeiramente a sociedade. Quando conduzida de forma responsável e inclusiva, a ciência torna-se um esforço partilhado, beneficiando todos.

A ciência deve também desempenhar um papel mais determinante na melhoria da vida das pessoas e das comunidades em todo o mundo. Da saúde e educação à resiliência climática e ao desenvolvimento sustentável, o seu impacto deve ser equitativo, global e orientado para o futuro.

Alcançar esta visão exige uma mudança profunda, afastando-nos de modelos assentes no consumo e avançando para sistemas mais sustentáveis e regenerativos. Tal transformação só será possível através de um envolvimento significativo entre a ciência e a sociedade, e garantindo que mulheres e raparigas estejam plenamente capacitadas para participar, liderar e inovar.

Quando vozes diversas estão representadas na ciência, a descoberta torna-se mais rica, as soluções tornam-se mais robustas e o futuro torna-se mais justo. Apoiar mulheres e raparigas na ciência não é apenas uma questão de igualdade: é essencial para construir o mundo sustentável e inclusivo que aspiramos criar.

Relatório:
She figures 2024
The International Day of Women and Girls in Science Official Website

Adrian Borland - We are the night


We were born in the barren day
Grew in the city like wild flowers
Between the concrete and through the clay
We saw a love and made it ours

You take me to my dreams
We leave the world behind
It's never understood
How we are the night

We're the life they'll never choose
We're the road they must refuse
We're the colours they'll never see

We're the moon and the stars
The moon and the stars
We are the night


"We Are the Night" é a 10ª faixa do quarto álbum solo de Adrian Borland, intitulado Cinematic (1996).

O Significado da Canção: Identidade e Refúgio
O título e a letra sugerem uma celebração (ou um lamento) sobre aqueles que não se encaixam na luz do dia, nas regras sociais ou na "normalidade" produtiva.

1. Solidariedade na Solidão
Quando Borland canta "Nós somos a noite", ele está criando uma conexão com os marginalizados, os sonhadores e os melancólicos. É uma declaração de pertencimento para quem se sente deslocado sob o sol. A noite não é vista como algo assustador, mas como um manto protetor.

2. A Luta Interna
É impossível separar a obra de Adrian Borland de sua saúde mental. Ele sofria de transtorno esquizoafetivo, e muitas de suas letras refletem a oscilação entre a clareza e a escuridão. "We Are the Night" pode ser interpretada como a aceitação de que a sombra faz parte da sua identidade.

3. Fuga da Realidade
A letra evoca a ideia de que a noite apaga as distinções e as pressões do mundo real. No escuro, as falhas são menos visíveis e a imaginação tem mais espaço para respirar. É um hino ao romantismo sombrio.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

The Jesus and Mary Chain - Here Comes Alice


Here she comes walking down the street
She's got something you would love to meet
It's her heart and her heart is black
Think of ice cream sliding into a crack

The heat sticks to summer's heavy sweat
Hang around it'll get hotter yet
You got the shakes and it's gonne get worse
Don't you know it's all a part of the curse

She's got the hit that takes you into space
Suck mud and make a deal for that taste
You got nothing but you're riding on a star
You couldn't guess that she could take you that far

Some things are so hard to say
Even though you'd say them every day
Don't let your life be the butt of a joke
Get your lips round a cool black Pepsi Coke

Here she come

"Here Comes Alice", foi lançada no álbum Automatic (1989). Melhor som aqui

Em "Here Comes Alice", do The Jesus And Mary Chain, Alice surge como uma figura envolvente e ameaçadora. Logo no início, a descrição "her heart is black" (seu coração é negro) indica não só mistério, mas também uma natureza destrutiva. As imagens presentes na letra, como "Think of ice cream sliding into a crack" (pense em sorvete escorrendo por uma fenda) e "The heat sticks to summer's heavy sweat" (o calor gruda no suor pesado do verão), criam um clima sensual e sufocante, sugerindo um desejo intenso que pode ser tanto emocional quanto físico. Muitos interpretam essas metáforas como alusões ao uso de drogas, especialmente quando a música diz "She's got the hit that takes you into space" (ela tem a dose que te leva para o espaço) e "make a deal for that taste" (faça um acordo por esse gosto), reforçando a ideia de Alice como símbolo de uma tentação viciante, seja uma pessoa, experiência ou substância.

A "Femme Fatale": Alice é retratada como uma figura magnética, mas perigosa. Ela "anda como se estivesse em um filme" e "vende o que você não pode comprar". Ela personifica aquela pessoa que domina o ambiente pela sua aura de mistério e autodestruição.

Fuga e Entorpecimento: A repetição de "Here she comes" (Lá vem ela) sugere uma inevitabilidade. Muitos interpretam as figuras femininas nas músicas dos irmãos Reid como metáforas para vícios ou estados de transe. É uma música sobre observação, desejo e o vazio existencial da vida noturna.

Estética "Noir": A letra evoca imagens de ruas escuras, luzes de neon e uma certa elegância decadente. Não é uma música sobre felicidade, mas sobre a beleza que existe no sombrio.

Curiosidade: A música fez parte da trilha sonora do filme The Crow (O Corvo), o que faz todo o sentido, já que a estética gótica e urbana do filme casa perfeitamente com o som da banda.

Documentário - Côa Mais Selvagem (Wilder Côa)


O lado mais selvagem de Portugal. A premissa não podia ser melhor. O documentário de natureza “Côa Mais Selvagem” dá exatamente a conhecer o lado mais selvagem de Portugal que é esta região do Grande Vale do Côa. 

Acompanhe a entusiasmante viagem do rio Côa, que corre de sul para norte, surpreenda-se com as suas paisagens de perder de vista, conheça a vida selvagem que o rodeia e que a ele está a regressar, e saiba como a Rewilding Portugal está a renaturalizar todo este grande corredor de vida selvagem nos últimos cinco anos. Uma paisagem onde os processos naturais são repostos, o ciclo da vida volta a estar completo e funcional e onde pessoas e vida selvagem coexistem de forma positiva e duradoura. 

Vencedor de vários prémios internacionais: Gold Medal in Wildlife Conservation (International Tourism Film Festival Africa 2025); 1st place in Green Movie (International Disaster Film Festival 2025); Best DOP Documentary (Fest5 International Film Festival 2025) and Best Wildlife Documentary (Xposure International Photography Film Awards).

Realizador: João Cosme
Produção: Fernando Teixeira | Rewilding Portugal 
Voz: Ana Varela 
Estúdio: Rádio Cova da Beira
Financiamento: Rewilding Europe, ELSP, LIFE - Comissão Europeia

Rutura climática pode reduzir capacidade de terras para pastagem em 50% até 2100


Entre um terço e 50% das terras que têm hoje condições favoráveis para pastagens vão perder essa capacidade até 2100, devido ao aumento da temperatura, concluiu um estudo do Instituto de investigação de Potsdam sobre as alterações climáticas (PIK).

Esta atividade consiste em criar animais, como vacas, cabras e ovelhas, em espaços naturais, pradarias, na sua maioria, que cobrem cerca de um terço da superfície terrestre.

Até agora, estes sistemas agrícolas têm prosperado dentro de intervalos de temperatura (entre 3ºC negativos e 29°C), de precipitação (entre 50 e 2627 milímetros por ano), de humidade (de 39% a 67%) e velocidade do vento (entre um metro e seis metros por segundo).

É o que o estudo, publicado hoje na revista PNAS, chama “um espaço climático seguro”.

Mas, com a rutura climática global, estes parâmetros podem mudar e inutilizar um espaço de pastagem.

“As alterações climáticas vão reduzir os espaços onde a pastagem pode prosperar, comprometendo práticas agrícolas que existem desde há séculos”, disse Maximilian Kotz, co-autor do estudo e investigador do PIK e do Barcelona Supercomputing Center.

Segundo o cenário analisado, o estudo estima que entre 100 milhões a 400 milhões de pastores e criadores de gado podem ser afetados, bem como até 1,6 milhões de animais. O estudo estima que entre 51% e 81% das populações residem em países com fraco rendimento.

“É importante sublinhar que numerosas mudanças vão ser sentidas em países que já sofrem fome, instabilidade económica e política e níveis muito elevados de desigualdade de género”, realçou o autor principal, Chaohui Li, investigador do PIK na altura da realização do estudo e hoje no Barcelona Supercomputing Center.

A África é particularmente vulnerável e pode perder de 16% a 65% das suas pradarias, segundo a gravidade do cenário considerado.

As temperaturas no continente africano já se situam no limite do “espaço climático seguro”.

Estas conclusões, que em certos casos preveem o desaparecimento puro e simples de algumas pastagens, colocam em questão “a eficácia das estratégias de adaptação (…), como as mudanças de espécies ou a migração de rebanhos”, disse Prajal Pradhan, investigador do PIK e professor na Universidade de Groningue.

“Reduzir as emissões, através do afastamento rápido os combustíveis fósseis é a melhor estratégia de que dispomos para minimizar estes estragos potencialmente existenciais para a criação de gado”, concluiu Chaohui Li.

Segundo a agência da ONU para a alimentação e a agricultura, 26% da superfície terrestre e 70% da superfície agrícola estão cobertos de pradarias, que contribuem para a subsistência de mais de 800 milhões de pessoas

Rival Consoles - Untravel


O artista Rival Consoles (nome artístico de Ryan Lee West) é de nacionalidade britânica. Ele nasceu em 10 de novembro de 1985 Leicester e reside atualmente em Londres, na Inglaterra.
Misha Shyukin nascido na Letónia e actualmente vive na Alemanha  é um artista visual e diretor que trabalha principalmente nas áreas de animação 3D e motion graphics.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

She Keeps Bees - Radiance


Eternal bloom of the dawn
Spirals from the earth to the heart
Spirals from the earth you stand on
It can never break never be lost
Radiance
Sacred wreath of two hearts
Radiance
Great oceans swell guided by sun given rays
Moon rhythmic winds
It can never break never be lost
Radiance
Sacred wreath of two hearts
Radiance
Circle love into you hold within

"Radiance" é uma faixa de destaque dos She Keeps Bees, o duo de Brooklyn formado por Jessica Larrabee e Andy LaPlant. A música está presente no seu álbum de 2014, Eight Houses. É amplamente considerado um dos momentos mais comoventes do álbum, afastando-se do seu habitual estilo blues-rock visceral em direção a algo mais etéreo e guiado pelo piano. 
Significado e História: Jessica Larrabee partilhou que a música nasceu de um lugar profundamente pessoal: 
A Inspiração: Escreveu-a para amigos que estavam a passar por uma perda profunda. 
O Tema: Explora a ideia de interligação — como um vínculo com alguém pode permanecer vibrante e "radiante" mesmo após a sua morte. 
A Composição: Curiosamente, a faixa foi composta num piano com 120 anos, o que provavelmente contribui para a sua ressonância assombrosa e antiga. Meditativo, profundo e minimalista Instrumentação: Principalmente piano e os vocais roucos e emotivos de Larrabee 
Vídeo: Apresenta Larrabee num campo de colza francês, simbolizando a sua ligação com a energia da Terra.

Os discurso desumano e tácito de André Ventura e o discurso empático e democrático de António José Seguro



Ontem, no discurso de André Ventura, mais uma vez o narcisismo, a auto proclamação e a falta de empatia. No registo oficial do seu discurso focou-se quase exclusivamente no posicionamento político e estratégico e o tom "humanitário" da semana anterior desapareceu no momento final. Nem uma palavra foi dirigida para as vítimas das intempéries que têm assolado Portugal. Alguém reparou nisso?
Durante toda a semana o homem esforçou-se perante as TV's, andou a carregar mantimentos e até chegou a soltar um "que se lixem as eleições".

No seu discurso, António José Seguro, aquele que não se expôs ao populismo hipócrita em tempo de campanha, começou o seu discurso de vitória dirigindo-se a todos aqueles que estão debaixo de calamidade pública. Começar um discurso de vitória endereçando uma calamidade pública não é apenas cortesia; é um reconhecimento da realidade do país acima do triunfo pessoal. Define o tom de quem entende que o cargo é um serviço, e não apenas um prémio.
E isso diz-me muito sobre o Homem que promete exigência e segurança institucional. A direita democrática  votou contra André Ventura!

Mais umbigos que cabeças

This Incredible Map Tool Reveals Just How Much the Mercator Map Distorts the World [aqui]

Os provérbios são a nossa enciclopédia de bolso, e quando acordamos para o dia com as más notícias do dia anterior convém saber que "deus é grande e o mundo é pequeno". Tão pequeno que cabe num guardanapo. Era esse mesmo o significado que o latim atribuía à palavra mapa, sinónimo de toalha, lenço ou trapo. E era também mapa que chamavam ao pedaço de lona que, no silêncio expectante do circo, dava o sinal de largada para as corridas de bigas, também utilizadas como carros de guerra, como se aqueles cavalos fossem galopar pelos confins, a galgar fronteiras. Foi na superfície dessas telas que os romanos desenharam os limites do universo conhecido.

Os mapas retratam o melhor e o pior da nossa espécie: a curiosidade sôfrega e inquieta, a fome de descoberta, mas também vaidade agressiva e a sede de conquista e dominação. Os mapas fascinam porque contam histórias e revelam paixões. Mas são também os mapas que constroem nossa visão do mundo. As razões pelas quais o Norte nos aparece sempre virado para cima não são científicas, mas estratégicas e até ideológicas: o alto tem conotações positivas, enquanto o baixo é menosprezado. Associamos a pobreza aos países do Sul e a prosperidade aos países do Norte. A famosa imagem da Terra obtida pela Apollo 17, em 1972 -aquela bola azul, em forma de berlinde - foi rodada para efeitos de publicação, pois só sabemos ler o planeta posicionado dessa forma. No entanto, durante séculos o Leste costumava ocupar a posição superior, porque a luz vem do Oriente, lá onde nasce o dia.

Os mapas contam verdades, mas também algumas mentiras. São atlas das mentalidades, medos e ambições das sociedades que os inventaram. Todos sabemos que a terra é aquela bola redondinha, mas a projeção cartográfica mais utilizada ainda hoje, conhecida como Mercator, esconde distorções interessadas. Tão interesseiras como aquela que, em Tordesilhas, levou o nosso D. João II a reclamar como limites da expansão portuguesa as 360 léguas para lá de Cabo Verde. Foi esse desvio no meridiano do mapa do Tratado que permitiu a Portugal explorar as terras onde hoje se encontra o Brasil. Vistos daqui, os mapas-múndi que navegamos com a ponta dos dedos retratam um Ocidente enorme e central, sobredimensionado num hemisfério Norte que ocupa dois terços e relega o Sul a um minúsculo terço inferior. Não é essa, porém, a visão dos mapas que se estudam nas escolas orientais, onde a China e o Japão ocupam posição central, ou nas australianas onde os mapas retratam o nosso mundo de pernas para o ar.

Desde que se começámos a traçar geografias em guardanapos, tendemos a acreditar que somos e estamos no centro do mundo. Ao longo da história, muitos povos sofreram dessa miragem imprópria para habitantes de um planeta esférico. Segundo os gregos antigos, Zeus soltou duas águias nos confins do universo para saber onde ficava o centro da Terra. Inevitavelmente, as aves encontraram-se em Delfos, lugar marcado para a posteridade na pedra oval a que chamaram de "omphalus", ou seja, umbigo - da mesma forma que os chineses da época se julgavam o "império do meio". Ambos acreditavam ser o núcleo cartográfico do Universo e a única cultura civilizada, cada qual a julgar-se no epicentro de tudo. E talvez seja por isso que o mundo ainda tem mais umbigos do que cérebros. O delírio megalómano tem muitas vezes cinzelado geografias a golpes de invasão, guerra e dominação, em nome de purezas remotas e nações triunfantes. A história prova, porém, que pensamento e ciência resultam do cruzamento dos povos, em rotas de viagens, encontros e trocas. Na verdade, aprendemos sobre nós mesmos quando ousamos olhar outras paisagens e ouvir outras vozes. Só os outros nos dizem quem somos.

She Past Away - Mizantrop



Mizantrop
Silêncio triste
Kederli sessizlik
Sempre falta algo
Hep bir şeyler eksik
Uma notícia que valha a pena viver
Yaşamaya değer bir haber
Ou mudança? Do que você fala
Ya değişim? Bahsettiğin

[Verso]
Seja lá o que for!
Her neyse!
Eu sei
Biliyorum
Sou motivo de piada
Alay konusuyum
Um pessimista sem alegria
Neşesiz bir pesimist

[Refão]
Misantropo vestido de preto
Siyahlar içinde mizantropist
Os rótulos que você coloca
Taktığın sıfatlar
As etiquetas que você gruda
Yapıştırdığın etiketler

Acredite, não tô nem aí
İnan umrumda değil

Em noites sem sono
Uykusuz gecelerde
Falando sozinho de novo
Sayıklarken yine kendi kendime
Uma notícia que valha a pena viver
Yaşamaya değer bir haber
Ou mudança? Desisti de
Ya değişim? Vazgeçtiğim

[Verso]
[Refão]

Significado da Canção: "Mizantrop"
Como o título sugere, a letra explora a misantropia — a aversão, desconfiança ou desprezo pela espécie humana e pela sociedade.

Isolamento e Repulsa: A letra descreve um estado de espírito onde o indivíduo se sente alienado. Há uma sensação de sufocamento causada pelas "massas" e pela futilidade das interações sociais humanas.

Escuridão Existencial: Volkan Caner (o vocalista e compositor) utiliza metáforas sobre o vazio e a decadência para pintar um quadro de alguém que prefere a solidão e a noite ao convívio social "falso" e barulhento.

O "Eu" vs. "Eles": Existe uma clara barreira entre o narrador e o resto do mundo. A canção não é apenas sobre odiar os outros, mas sobre a paz que se encontra ao afastar-se da hipocrisia humana.

Funker Vogt - The Firm



"The Firm" é uma das músicas mais icónicas do Funker Vogt e encapsula perfeitamente o estilo "militaresco-irónico" da banda. A canção integra o álbum Survivor (2002)
Diferente de outras faixas que focam em campos de batalha físicos, esta música utiliza uma metáfora corporativa para descrever algo muito mais sombrio.
O nome "Funker Vogt" refere-se a um operador de rádio (Funker) chamado Vogt, que serviu com um amigo da banda. Eles utilizam uniformes, temáticas de guerra e conceitos de batalha em quase todas as letras e capas de álbuns.
Temática Provocativa: Como muitas bandas de EBM e Industrial (estilo Laibach), eles exploram a ironia e o papel da guerra na humanidade. Geralmente, as letras são críticas ao conflito e à exploração do poder, e não uma exaltação ao fascismo.

Letra
Our law is rough and hard
I carry the scars with (all my) pride
The years passed by
And I'm still standing here

Red drops on the cold asphalt
The taste of blood is bitter and sweet
I'm fighting for my firm
And take the power from the fire inside of me
Inside of me
Inside of me
And take the power from the fire inside of me

Chorus:
I'll go the way of the warrior
Every fight makes me stronger
Adrenalin pulsates within me
And I will never surrender

No one will ever convert me
I hang my flag in the wind
Giving up is no option
What counts is only victory or disgrace

Chorus (2x):

And I will never surrender
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Revolution

O Significado Central
A "empresa" (The Firm) mencionada na letra não é uma companhia de seguros ou uma fábrica de tecnologia; é uma metáfora para a máquina de guerra e para as organizações militares/mercenárias que tratam a violência como um negócio lucrativo.

Aqui estão os pontos principais da interpretação:
1. A Guerra como Negócio: A letra sugere que o conflito armado é uma corporação global. Os soldados são os "funcionários", as batalhas são as "tarefas" e o lucro é extraído através da conquista e do poder.

2. Desumanização: A música fala sobre ser "parte da máquina". O indivíduo perde sua identidade para se tornar um recurso descartável da "The Firm". Se você falha ou morre, você é simplesmente substituído, como uma peça de engrenagem quebrada em uma linha de montagem.

3. Controle e Recrutamento: O refrão e os versos passam a ideia de uma organização onipresente que recruta aqueles que buscam propósito ou que não têm para onde ir, oferecendo-lhes uma "carreira" baseada na destruição.

Contexto Estético
Na cultura britânica (e no contexto de subculturas europeias), o termo "The Firm" também é frequentemente usado para se referir a gangues de hooligans ou grupos de crime organizado. O Funker Vogt mistura essa ideia de "lealdade ao grupo/gangue" com a estrutura de um exército moderno.

Não, a banda não se identifica como neonazi. No entanto, a confusão é comum e compreensível por alguns motivos:
Estética Militarista: O nome "Funker Vogt" refere-se a um operador de rádio (Funker) chamado Vogt, que serviu com um amigo da banda. Eles utilizam uniformes, temáticas de guerra e conceitos de batalha em quase todas as letras e capas de álbuns.

Temática Provocativa: Como muitas bandas de EBM e Industrial (estilo Laibach), eles exploram a ironia e o papel da guerra na humanidade. Geralmente, as letras são críticas ao conflito e à exploração do poder, e não uma exaltação ao fascismo.

Controvérsia de 2013: A maior polémica ocorreu quando contrataram Sacha Korn como vocalista. Korn tinha associações conhecidas com a extrema-direita alemã. A reação dos fãs e dos selos musicais foi tão negativa que a banda o demitiu pouco tempo depois, afirmando que não apoiam ideologias de direita e que Funker Vogt é um projeto apolítico/antiguerra.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Ego Eris - Tempo Implacável


Curiosidade sobre o nome
O nome vem da frase em latim "Tu fui, ego eris", que significa "O que tu és, eu fui; o que eu sou, tu serás". É uma expressão clássica encontrada em epitáfios e mementos mori, lembrando a todos sobre a inevitabilidade da morte — um tema central na estética da banda.

Letra
Se abraçando à fúria que sufoca 
Pra tentar esquecer
Se agarrando à fuga que lhe trás a paz
Sem ter que adormecer

Aprisionado em tristes e simples ilusões 
Não há mais nada para ver
Feliz enquanto voa em seus sonhos
Antes do anoitecer

Encontraria a chave que lhe prende
Libertaria todo aquele mal
Sem pensar

Como podemos ter tempo se é o tempo que nos tem?
Não conhecemos o nosso fim, mas o nosso fim nos conhece [2X]

Chegou a hora de repor a permeabilidade do solo nas nossas cidades

Porquê?
1. Redução do risco de inundações e gestão das águas pluviais.
As superfícies impermeáveis ​​impedem que a água da chuva se infiltre no solo. Em vez disso, a água escoa rapidamente para o sistema de drenagem, muitas vezes sobrecarregando os sistemas durante chuvas intensas.

Repermeabilizar o solo:
- Diminui o escoamento superficial;
- Permite que a água se infiltre e recarregue o lençol freático;
- Reduz as inundações superficiais e o transbordo de esgotos, que infelizmente muitas vezes também recebem àguas pluviais.
Isto é cada vez mais crucial à medida que os eventos de chuva intensa se tornam mais frequentes, uma tendência destacada nas avaliações climáticas urbanas globais.

2. Arrefecimento das cidades e redução das ilhas de calor urbanas.
As superfícies impermeáveis ​​​​absorvem e irradiam calor, intensificando o efeito de ilha de calor urbana. Superfícies permeáveis ​​e com coberto vegetal:
- Retêm a humidade, permitindo o arrefecimento evaporativo;
- Reduzem as temperaturas da superfície e do ar ambiente;
- Melhoram o conforto térmico nas ruas e espaços públicos.

3. Recuperação do ciclo urbano da água e recarga dos aquíferos.
Quando as cidades estão totalmente impermeabilizadas:
- Os níveis das águas subterrâneas diminuem;
- A vegetação urbana torna-se dependente da rega;
- As cidades tornam-se mais vulneráveis ​​às secas.
Os solos permeáveis ​​ajudam a reconectar a água da chuva com os ciclos hidrológicos naturais, melhorando a segurança hídrica a longo prazo, o que é especialmente importante em cidades com escassez de água.

4. Apoio à biodiversidade urbana e à saúde do solo.
Solos saudáveis ​​abrigam microrganismos, insetos e raízes de plantas.
Permeabilizar o solo e design permeável:
- Melhoram a respiração e a fertilidade do solo;
- Permitem que as árvores urbanas desenvolvam raízes mais profundas e fortes, mais resistentes às intempéries;
- Apoiam polinizadores e habitats urbanos.

5. Equidade, habitabilidade e ordenamento do território
Em muitas cidades:
- Os antigos aglomerados urbanos estão localizados em zonas sujeitas a inundações e com deficiente drenagem;
- Soluções de engenharia são hoje fundamentais para resolver os problemas do passado, mas não se pode estar atualmente criar novos problemas resultantes de um mau planeamento.

As abordagens permeáveis ​​e baseadas na natureza (valas de infiltração, drenagem com vegetação, pátios permeáveis) são:
- Mais baratas e adaptáveis;
- Mais fáceis de serem concebidas em conjunto com as comunidades.

6. De que forma a permeabilização se parece na prática:
- Pavimentos e áreas de estacionamento permeáveis;
- Permeabilização de passeios, pátios escolares e espaços subutilizados;
- Jardins de chuva, valas de infiltração e trincheiras de infiltração;
- Árvores urbanas com solos estruturais;
- Recuperação de ribeiros naturais ou cursos de água sazonais.