sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Muitos homens evitam envolver-se na questão da crise climática porque o torna feminino

Arnold Schwarzenegger é um orgulhoso defensor do clima. Homens, não querem ser como o Arnold?



“(Sê homem) Devemos ser velozes como um rio caudaloso
(Sê homem) Com toda a força de um grande tufão
(Sê homem) Com toda a força de um fogo ardente” — “Mulan” (1998)

Preocupar-se com o clima torna-o feminino?

De certa forma, é uma pergunta tola. Mas, por outro lado, é um dilema crucial para aqueles de nós que estão empenhados na luta climática. Porque a triste realidade é que muitos homens evitam envolver-se por estarem convencidos de que isso irá prejudicar a sua masculinidade.

Pelo menos é o que indica um novo estudo.

O artigo revisto por pares é relativamente simples. O professor Michael P. Haselhuhn, da escola de negócios da UC Riverside, recrutou participantes para várias pesquisas e também examinou dados de pesquisas já existentes. Controlou a idade e a ideologia política, factores que podem influenciar a percepção das pessoas sobre a crise climática. E, consistentemente, encontrou uma clara relação entre a expressão de género e a preocupação com o clima.

Especificamente, os homens que atribuem maior importância a "ser homem" são menos propensos a preocupar-se com o aquecimento global, menos propensos a sentir responsabilidade pessoal pela redução do aquecimento e menos propensos a acreditar que o aquecimento é causado pelos humanos. 

Os homens que sentem mais ansiedade em situações que ameaçam a sua masculinidade — como perder no desporto — estão menos convencidos de que as alterações climáticas estão a afectar o planeta como um todo (e os Estados Unidos em concreto).

Porque é que os homens — ou pelo menos alguns homens — se preocupam que a consciência climática dilua a sua masculinidade conquistada com tanto esforço? Haselhuhn descobriu que o desafio surge entre os homens que percecionam a "afetividade" como uma característica feminina. O problema é que preocupar-se com o ambiente também é visto como uma característica afetuosa, pelo menos tradicionalmente.

“Não é só que os homens queiram parecer homens”, disse-me Haselhuhn. “Querem evitar parecer femininos.”

De certa forma, tudo isto é intuitivo e previsível: muitos homens têm egos frágeis escondidos sob as suas aparências arrogantes e robustas. Imagino que o estudo de Haselhuhn não tenha sido nenhuma surpresa para a jornalista Amy Westervelt e para a equipa por detrás do podcast Carbon Bros, uma análise fascinante e profunda da masculinidade tóxica e da negação das alterações climáticas. Basta pensar em Joe Rogan, que destila o negacionismo climático regularmente.

Mas o estudo de Haselhuhn chamou-me a atenção.

Para começar, identificou um mecanismo psicológico que leva os homens — ou pelo menos certos homens — a rejeitar a preocupação com as alterações climáticas. Então, o que podemos fazer, se é que podemos fazer alguma coisa, para contrariar este mecanismo? Se alguns homens receiam que o envolvimento com as questões climáticas possa fazê-los parecer excessivamente efeminados e, portanto, demasiado sensíveis, poderemos reformular a acção climática de formas menos ameaçadoras para estes homens?

Infelizmente, Haselhuhn não tinha uma boa resposta. Disse-me que, na sua pesquisa, tentou reformular a questão climática para que se concentrasse na proteção dos filhos e da família. Mas isso não fez grande diferença.

"Talvez isso ajude um pouco, mas não é a solução", disse.

Noutro estudo, descobriu que, se pedir aos homens que perdoem os colegas de trabalho por erros cometidos no ambiente profissional, eles geralmente dirão que não. Mas se der aos homens a oportunidade de afirmarem primeiro a sua masculinidade — ou seja, deixá-los contar histórias que comprovem a sua masculinidade — e só depois lhes pedir que perdoem, eles tendem a concordar mais facilmente.

Infelizmente, "isto não é tão útil no mundo real", reconheceu Haselhuhn. "Não se pode estar sempre a elogiar os homens e depois perguntar sobre o clima." O seu estudo também me chamou a atenção porque me fez refletir sobre o desporto. Escrevendo sobre desporto e clima nos últimos anos, às vezes pergunto-me: será que há tão pouco activismo climático nos desportos dos EUA porque o sector é tão dominado por homens?

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