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| Véronique du Boisrouvray - La Médaille (2018) |
Quando vi este quadro à minha frente, pensei logo em Albert Camus: "Todo o acto de rebeldia expressa uma nostalgia pela inocência e um apelo à essência do ser."
A Condessa Véronique du Boisrouvray nasceu em Paris, em 1951.
É uma artista autodidata de pastel e retrato
Contexto: Oriunda de uma linhagem aristocrática, a sua vida é marcada pela discrição e pela dedicação total ao aperfeiçoamento da sua arte, sendo membro de honra de prestigiadas sociedades de pastellistas.
Estilo e Técnica
A obra de Boisrouvray é frequentemente descrita como Realismo Poético ou Hiper-realismo Suave.
A Técnica do Pastel: ela utiliza o pastel seco com uma precisão cirúrgica. Ao contrário de muitos artistas que procuram um efeito "esfumado" ou impressionista, Véronique trabalha as camadas para obter uma densidade de cor e uma textura que, à primeira vista, muitos confundem com pintura a óleo.
Luz e Sombra: A sua técnica foca-se no chiaroscuro (claro-escuro), onde a luz parece emanar de dentro dos objetos, conferindo-lhes uma qualidade quase sagrada ou eterna.
Precisão: Existe um rigor técnico extremo na representação das texturas — seja a transparência de um vidro, a suavidade de uma pétala ou a rugosidade de uma fruta.
Tema Principal
A artista foca-se no retrato.
Como explora o retrato?
A artista não se limita a reproduzir uma face; ela utiliza o pastel seco para construir uma presença física e psicológica:
A Técnica da Camada: ela sobrepõe inúmeras camadas de pigmento puro para criar a "carne" do rosto. Isso permite-lhe obter tonalidades de pele extremamente realistas, onde a luz parece estar sob a epiderme, e não apenas refletida nela.
O foco no detalhe tátil: Véronique dá a mesma importância à textura de um tecido (como a blusa em "La Médaille") ou ao brilho de um fio de cabelo do que aos traços fisionómicos. Isso cria uma sensação de proximidade quase íntima com o modelo.
Iluminação de Estúdio Clássica: ela utiliza frequentemente fundos neutros e escuros (estilo tenebrismo), o que isola o sujeito e força o observador a concentrar-se na expressão e na interioridade da pessoa retratada.
Qual é a mensagem?
A mensagem central da sua obra foca-se na dignidade do silêncio e na beleza da introspeção:
A pausa no Tempo: num mundo saturado de imagens rápidas e digitais, os seus retratos convidam à lentidão. A mensagem é que existe uma beleza profunda nos momentos comuns e silenciosos.
A humanidade singular: ao pintar modelos contemporâneos com uma técnica que remete aos grandes mestres do passado, ela transmite a ideia de que a dignidade humana é intemporal.
A Espiritualidade no quotidiano: Através do uso magistral da luz, a artista eleva o modelo a algo quase sagrado. A "mensagem" não é política ou social, mas sim estética e contemplativa: um apelo para reconhecer a poesia na luz que incide sobre um rosto ou um objeto.
Prémios e Exposições
Apesar de não ter um currículo académico padrão, a sua qualidade técnica é tão elevada que é reconhecida por instituições de elite. É membro da Sociedade Francesa de Pastel, da Sociedade Francesa de Arte em Pastel e membro efetivo da Sociedade de Pastel da América. Expõe em mostras internacionais, nomeadamente no Festival Internacional de Pastel de Feytiat, e alcançou o estatuto de "Master Circle" na IAPS em 2023.
"A minha busca é a da harmonia e da luz. O pastel permite-me tocar a matéria de uma forma que nenhum outro meio consegue."
Por que a sua obra é relevante?
Num mundo artístico muitas vezes focado no abstrato ou no digital, Véronique du Boisrouvray mantém viva a tradição da observação meticulosa. Ela prova que o pastel, muitas vezes visto como um meio secundário ou de esboço, é capaz de uma profundidade e durabilidade monumentais.

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