"O tempo aqui não avança,
ele se enraíza profundamente.
Um segredo guardado
nas cascas grossas das árvores,
onde a seiva é o sangue antigo
que batiza a terra,
um leito de folhas caídas,
de ossos esquecidos,
de águas que guardam o passado.
Vastidão antiga,
onde cada tronco retorcido
é um ancestral que observa,
e cada sombra,
um refúgio místico e quieto.
As copas tocam o céu numa prece silenciosa,
tecem redes de um verde que desafia os milénios.
A terra, em sua paciência densa e rude,
conhece o ciclo,
sabe que tudo, um dia, retornará a ela.
É um diálogo invisível,
tecido pelos micélios,
fios sutis sob o tapete do chão.
Aqui, não há o novo nem o velho,
apenas a eterna, a viva pulsação
que conecta tudo.
Respirar esta mata
é sorver a memória,
a essência de quem já foi bicho,
de quem foi vento que soprou,
de semente que germinou.
A floresta não narra a nossa história;
ela nos sonha,
sem interrupção,
eternamente."
João Soares, 14.02.216

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