segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A riqueza dos 12 mais ricos já ultrapassa a de metade da humanidade


Um novo recorde de desigualdade: 12 pessoas concentram mais riqueza do que metade da humanidade



A concentração extrema de riqueza voltou a atingir um novo máximo. As 12 pessoas mais ricas do mundo detêm hoje mais dinheiro do que a metade mais pobre da humanidade — cerca de quatro mil milhões de pessoas — segundo um relatório divulgado este domingo pela Oxfam, no arranque do Fórum Económico Mundial, em Davos.

Em 2025, a riqueza dos multimilionários cresceu mais de 16%, um ritmo três vezes superior à média dos últimos cinco anos, atingindo um total de 15,7 biliões de euros, o valor mais elevado alguma vez registado. Só no último ano, a riqueza conjunta deste grupo aumentou 2,1 biliões de euros — um montante que, segundo a organização, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.

O número de multimilionários ultrapassou pela primeira vez a fasquia dos 3.000. No topo da hierarquia surge o empresário norte-americano Elon Musk, que se tornou o primeiro indivíduo a acumular uma fortuna pessoal superior a meio bilião de dólares (cerca de 430 biliões de euros).

A dimensão do desequilíbrio é ilustrada por outro dado: a riqueza acumulada pelos multimilionários no último ano permitiria entregar 250 dólares a cada habitante do planeta, mantendo ainda assim intacto um património conjunto de 430 mil milhões de euros entre os mais ricos.

“A riqueza dos multimilionários aumentou 81% desde 2020”, sublinha a Oxfam, num contexto em que “uma em cada quatro pessoas no mundo não tem o suficiente para comer regularmente” e quase metade da população vive em situação de pobreza.

Intitulado "Resistir ao Domínio dos Ricos: Proteger a Liberdade do Poder dos Bilionários", o relatório analisa a crescente influência política dos super-ricos e o modo como moldam regras económicas e institucionais em benefício próprio. Os Estados Unidos surgem como um dos exemplos centrais desta dinâmica.

A Oxfam associa a aceleração da concentração de riqueza à administração de Donald Trump, apontando uma agenda favorável aos bilionários: cortes fiscais para grandes fortunas, recuo nos esforços internacionais de tributação das multinacionais, enfraquecimento do combate ao poder monopolista e um forte impulso aos mercados ligados à inteligência artificial, que beneficiaram sobretudo os grandes investidores.

Ainda assim, a organização sublinha que o fenómeno não é exclusivo dos Estados Unidos. O relatório identifica sinais semelhantes noutras geografias, alertando para o risco de as oligarquias económicas estarem a corroer as democracias e a ampliar desigualdades sociais à escala global.

Perante este cenário, a Oxfam defende que os governos avancem com planos nacionais para reduzir as disparidades entre ricos e pobres, incluindo impostos sobre grandes fortunas, medidas para limitar o poder económico excessivo e regulamentação que proteja a independência dos meios de comunicação social.

O relatório é divulgado no mesmo dia em que arranca o Fórum Económico Mundial, que decorre até sexta-feira sob o lema “O espírito do diálogo” e reúne líderes políticos, empresariais e institucionais num contexto marcado por tensões geopolíticas e incerteza económica.

Entre os participantes confirmados estão o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — que regressa presencialmente a Davos pela primeira vez desde 2020 —, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, seis dos sete líderes do G7, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e cerca de 850 líderes empresariais de todo o mundo.

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