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| Um odor pútrido emana das margens do Lago Maracaibo, no oeste da Venezuela, uma região pontilhada por plataformas petrolíferas. |
O que é “carbofascismo”?
Carbofascismo é um termo teórico usado para descrever uma tendência político‑ideológica que combina negação das crises ecológicas, defesa irrestrita de combustíveis fósseis e respostas autoritárias à política ambiental, refletindo um tipo de reação de direita que protege interesses carboníferos e a fossilização política da sociedade em detrimento de democracia ecológica ou justiça climática. Em outras palavras, ele denuncia uma visão política que prioriza a expansão contínua do uso de carbono fóssil (petróleo, carvão, gás) mesmo quando isso ameaça ecossistemas, sociedades e direitos humanos.
O termo é usado em pesquisas críticas sobre as conexões entre dependência de combustíveis fósseis, políticas autoritárias e resistência à transição ecológica. Não se refere a um partido ou movimento claramente definido historicamente, mas a um padrão ideológico observável em certas respostas políticas às crises climáticas e ecológicas.
Quem e quando foi cunhado?
O conceito de carbofascismo foi proposto pelo historiador ambiental Jean‑Baptiste Fressoz, segundo estudos posteriores de outros pesquisadores.
‑ Jean‑Baptiste Fressoz é um historiador ambiental francês que aparece como a pessoa que coincidentemente introduziu o termo (ou pelo menos sua forma teórica original) para descrever essa combinação de negacionismo climático, defesa de combustíveis fósseis e elementos autoritários de governo e política.
‑ O ensaio de Antoine Acker intitulado What Could Carbofascism Look Like? (Que aspecto o carbofascismo poderia ter?) expõe e discute este conceito a partir de uma perspectiva histórica e crítica, indicando que o termo foi cozinhado no debate académico sobre crise climática e política autoritária no contexto da pandemia de COVID‑19 e das respostas políticas globais.
Ou seja: não é um termo histórico clássico como “fascismo” (inventado nos anos 1910), mas sim um neologismo relativamente recente no debate académico, especialmente na historiografia ambiental crítica da última década.
Contexto de uso
O carbofascismo aparece em análises críticas de políticas públicas, movimentos sociais e respostas governamentais à crise climática, frequentemente ligadas ao estudo de como interesses econômicos fósseis influenciam e moldam democracias para preservar combustíveis sujos e bloquear medidas ambientais urgentes.
Isso é diferente, por exemplo, de ecofascismo — outro neologismo na crítica política — que costuma focar em extrema direita que usa a ecologia como pretexto para políticas autoritárias ou racistas, enquanto o termo carbofascismo enfatiza a defesa de combustíveis fósseis e a resposta política autoritária à crise climática.
Resumo rápido
Definição: Ideologia política crítica que conecta defesa de combustíveis fósseis, negação de crises ecológicas e tendências autoritárias.
Origem do termo: Cunhado no debate académico contemporâneo, ligado ao historiador ambiental Jean‑Baptiste Fressoz e analisado em ensaios como o de Antoine Acker.
Quando surgiu: No debate ecológico e político das últimas décadas (especialmente na era COVID‑19 e da intensificação do debate climático), portanto é um neologismo recente.
Fontes:

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